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Polícia apreende “arte degenerada” em Campo Grande
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Polícia apreende “arte degenerada” em Campo Grande


15/09/2017 - 07h07

O quadro e os deputados que nos livraram da “perdição”; o coronel David é aliado de Jair Bolsonaro

Polícia vê incentivo à pedofilia e apreende quadro exposto no Marco

Obra estava no espaço de arte desde junho deste ano, mas só agora provocou polêmica

Marta Ferreira e Guilherme Henri, Campo Grande News

A Polícia Civil apreendeu nesta tarde o quadro “Pedofilia”, que estava em exposição no Marco (Museu de Arte Contemporânea), no Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande.

Apesar de estar no lugar desde junho, só hoje a mostra gerou denúncia à DPCA (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente), por deputados estaduais que enxergaram apologia à pedofilia nas obras.

O delegado que foi ao local, Fabio Sampaio, acatou o argumento e apreendeu uma das obras, alegando que há incitação ao crime.

Antes mesmo da polícia chegar ao local, a direção do museu já havia imposto censura para menores de 18 anos à exposição. Além disso, a sala onde ocorre a mostra recebeu película escura nos vidros das portas.

Coordenadora do Museu, Lucia MontSerrat, afirmou que estava triste com o episódio. Indagada se vê problema no quadro, ela respondeu que vê, na verdade, uma denúncia à sociedade.

A imagem reproduz a figura de um homem, com o órgão genital aparente, e uma criança em tamanho menor. A menina tem olhos grandes. Como figura de fundo, está um olho. A pintura também tem escrita a frase: o machismo mata, violenta e humilha.

Polêmica

O movimento contra a exposição “Cadafalso”, da artista plástica mineira Alessandra Cunha Ropre, foi o centro de acalorados debates na sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, nesta quinta-feira, 14.

Os deputados classificaram a obra da artista como promoção “de sacanagens e desrespeito à família e aos bons costumes”.

A exposição da artista mineira, que segundo os parlamentares apresenta entre outras coisas cenas de pedofilia e de masturbação, está no Marco desde o mês de junho, mas só agora os parlamentares deram conta do seu conteúdo, a poucos dias do encerramento previsto para o dia 17 deste mês.

Quem levantou o tema na Assembleia Legislativa foi o deputado Lídio Lopes (PEN, foto abaixo).

Ele disse que questionava uma exposição do Santander Cultural, em Porto Alegre, que acabou cancelada sob a acusação de fazer promoção de pedofilia, zoofilia e blasfêmia.

No término da sessão três deputados Paulo Siufi (PMDB), Herculano Borges (Solidariedade) e Coronel David (PSC) denunciaram a exposição formalmente na Depca (Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente).

NOTA DE REPÚDIO

A comunidade cultural representada pelo Fórum Municipal de Cultura de Campo Grande vem manifestar seu repúdio à retirada da obra da artista Alessandra Cunha Ropre do Museu de Arte Contemporânea de MS em Campo Grande.

O gesto mostra a arbitrariedade dos que se julgam “guardiões” da moral e dos bons costumes, uma extremada posição do pensamento ultraconservador que não oferece chances ao diálogo e ao entendimento do que sejam obras de arte.

Conforme a curadora do Marco, a exposição visa a denúncia contra a pedofilia e alerta para os males que isso possa causar.

As obras pictóricas, são um reflexo de nosso tempo e suas contradições.

As linguagens da arte são diversas, ampliam a construção do conhecimento e a liberdade criativa.

As telas de Alessandra despertam debate, e nada justifica a censura porque limita a criação artística e a liberdade de pensamento.

A exposição que já possuía recomendação para pessoas acima de 12 anos, é uma obra hermética, só bem interpretada após acurado olhar e não representa ofensa à moral, aos bons costumes, e muito menos é pornográfica como querem nossos zelosos representantes estaduais que, tardiamente, resolveram imitar o Banco Santander que proibiu a exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira” em Porto Alegre.

O Fórum se coloca ao lado da artista, da gestora do MARCO, da categoria e de todos os cidadãos que prezam pela arte e pela liberdade, lembrando que estamos alertas, por que é por aí que começa um processo de censura que está atingindo diversas manifestações culturais.

Pelas liberdades individuais, coletivas, artísticas e respeito à Constituição Federal.

Leia também:

Ropre, autora do quadro: É denúncia ao machismo!





8 comentários

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a.ali

15 de setembro de 2017 às 12h20

interessante que a patifaria que estamos vivenciando no brasil, em todos os poderes não abala nem um pouquinho esses falsos moralistas! o que dá para entender é que acendeu a luzinha da consciência deles e, temerosos e defensores dos bons costumes, podem ser descobertos em suas práticas corriqueiras (quem não sabe, ao menos, um caso envolvendo esses pedófilos) …, portanto, o melhor é “cortar o mal pela raiz”.

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Luiz

15 de setembro de 2017 às 11h29

Enquanto permitirmos que esses débeis mentais sejam eleitos dentro de igrejas evangélicas (na sua grande esmagadora maioria hipócritas, criminosas e homofóbicas) nós termos que assistir a fatos lamentáveis como esse. O Brasil está se tornando a nação da hipocrisia religiosa. Enquanto pastores forem eleitos parlamentares, estaremos diante da pior das ditaduras depois da jurídica, a religiosa. Porém, esses falsos moralistas, querem exclusividade no tema (pedofilia) já que conhecemos relatos mais do que consistentes de como esses animais conduzem seus “rebanhos”. NÃO À CENSURA. NÃO À DITADURA EVANGÉLICA. NÃO À HIPOCRISIA RELIGIOSA.

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    AnaR

    15 de setembro de 2017 às 14h48

    Luiz, fato é que o crescimento dessas igrejas no Brasil deu-se após a 2ª grande guerra (os EUA se aproveitaram disso como puderam, sabemos), mas é preciso fazer uma distinção entre os pentecostais/neo-pentecostais e o resto. Aqueles são os da grana (inclusive a que veio e vem dos EUA). Os outros parecem que são, mesmo, cristãos.

AnaR

15 de setembro de 2017 às 11h23

Tô me lembrando de um depoimento da arquiteta Lina Bo Bardi (autora do projeto do MASP – bem a calhar, não?). Pois bem, quando ela veio ao Brasil pela primeira vez, logo após o fim da 2ª Grande Guerra, ela viu, na porta de um restaurante no Rio, um alemão que humilhava um garçom tomar uma cusparada na cara. Naquele momento ela resolveu se mudar para o Brasil (e fez o MASP!). Acho que temos jeito, é só tomar bastante água.

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carlos de sá

15 de setembro de 2017 às 10h34

Esses falsos moralistas pra mim tem um único objetivo, criar uma cortina de fumaça, desviar a atenção da crise que vive nossas instituições golpistas, desviar a atenção da quadrilha que se instalou no planalto. Desviar a discussão das reais causas de nossos problemas sociais, políticos e econômicos.
Não tem outro objetivo esse alarde repentino do moralismo religioso, ajudar a livrar a cara dos golpistas que eles apoiam e participam ativamente do desgoverno que está arrastando o pais e a população para o abismo.
Pra mim isso é apenas um espantalho, que temos que combater de forma consciente, ou seja, combater o conjunto dos golpistas inclusive os falsos moralistas que querem posar de “omis de bem”.
Não passam de canalhas!
Fora Temer!
Nenhum direito a menos!
Eleição sem Lula é fraude!
Lula com constituinte para varrer estas instituições podres!

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paulo

15 de setembro de 2017 às 10h32

A “coincidência” de tudo isso é que somente agora esses defensores da moral alheia perceberam que havia esse quadro “escandaloso” e jogaram para a platéia de imbecis e fanáticos religiosos e extremistas que eles representam. Arte é arte em qualquer lugar do mundo. Através dela que artistas retransmitem suas ideias a respeito de tudo. Fosse o caso, proibissem o acesso a menores de 18 anos, como cinema e teatro, por exemplo. Mas JAMAIS aceitarei que “alguém” decida o que eu posso ou não assistir. Tristemente para nós moradores de MS, aqui só vira notícia tráfico de drogas e notícias desse naipe.

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David

15 de setembro de 2017 às 09h19

Acho que os deputados religiosos de MS tem medo de possíveis concorrências com os casos de pedofilia que existem nas igrejas.
Aqui a cultura é bovina.

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David

15 de setembro de 2017 às 09h16

A história de Porto Alegre se repete aqui em Campo Grande-MS.
Deputados religiosos determinam o que é ou não é arte.
É a treva.

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