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Paulo Nogueira, que frequentou o Comitê: Como a Globo achaca governos
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Paulo Nogueira, que frequentou o Comitê: Como a Globo achaca governos


26/02/2016 - 19h46

FHC, Ruth e Mírian Dutra

O MODUS OPERANDI DA GLOBO PARA OBTER ‘FAVORES ESPECIAIS’ DOS GOVERNOS

por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

26.02.2016

Como opera a Globo ao pressionar – ou achacar – governos em busca de favores e privilégios?

A melhor resposta a essa pergunta capital para entender o Brasil moderno está no livro Dossiê Geisel, baseado em documentos do general Ernesto Geisel em seus dias de presidência.

Despachos de ministros de Geisel compilados no livro são reveladores sobre o estilo de Roberto Marinho em sua relação com a ditadura – e, posteriormente, com os governos civis.

Um episódio é particularmente significativo.

Roberto Marinho, definido pelo ministro da Justiça Armando Falcão como “o maior e mais constante amigo” do governo na imprensa, reivindicava novas concessões para a Globo.

O ministro das Telecomunicações, Quandt de Oliveira, não queria atender ao pedido.

Numa reunião com Geisel, Oliveira explicou os motivos.

Diz o livro: “Em 14-3-1978 ele mostrou que Roberto Marinho detinha diretamente, ou através de filhos ou prepostos, o controle societário de várias emissoras de TV (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Recife e Bauru), 11 estações de rádio em onda curta em diversas cidades do país, cinco estações de FM, duas estações em onda curta e uma em onda tropical.  A partir desse levantamento, considerou que (…) Roberto Marinho poderia chegar ao monopólio da opinião pública. Logo, não deveria receber novas concessões.”

Roberto Marinho foi a Golbery, homem forte de Geisel, e outros ministros.

Falou do “constante apoio” que vinha dando ao governo. Alegou que a Globo promovia “assistência social”.

Está no livro: “Disse também que o comportamento da Rede Globo deveria fazê-la merecedora de atenção e favores especiais do governo”.

Não era apenas o conteúdo da Globo que servia de mercadoria para que Roberto Marinho demandasse “favores especiais”.

Havia mais. Os documentos relativos ao ministro Armando Falcão revelam que “Roberto Marinho se prontificava a articular reunião com empresários para elogiar a política econômica do governo”.

Falcão, como demonstra o livro, tinha clareza sobre as relações entre o governo e a mídia. Está num registro:  “O governo é o dono real da televisão e do rádio, que apenas dá em concessão a particulares. Os próprios jornais, com raríssimas exceções, dependem do governo para viver e sobreviver. É mister utilizar estas armas incríveis com inteligência e habilidade.”

Falcão não brincava em serviço.

Num certo momento, o Jornal do Brasil, então o jornal mais influente do país, contratou Carlos Lacerda, cassado pela ditadura, como colunista.

Falcão diz a Geisel que o JB estava passando para o lado do inimigo. E “inimigo não pode receber favores do governo”.

Roberto Marinho jamais correria o risco de ser visto como “inimigo”, e foi assim que a Globo cresceu brutalmente na ditadura militar.

Se com os generais a Globo exigiu “favores especiais”, você pode imaginar o que a empresa fez com um presidente fraco e servil como FHC.

Tanto mais que FHC foi objeto, ele também, de um “favor especial”, para dizer o mínimo – o exílio de Mírian Dutra.

É digno de nota que a Globo não teve que fazer pressão sobre os governos do PT para extrair mamatas – a maior das quais verbas multimilionárias de publicidade.

Inimigo não pode receber favores do governo, disse o ministro Falcão. Mas nem Lula e nem Dilma parecem ter, em nenhum momento, considerado a Globo – como as demais empresas jornalísticas – “inimigo”.

Se isso ocorreu por miopia, por ingenuidade ou simplesmente por estupidez é algo que só o tempo dirá.

PS do Viomundo: Paulo Nogueira já foi diretor de uma empresa do Grupo Globo e, nesta condição, frequentou o Comitê que toma as decisões mais importantes na empresa. Fique registrado que a blogosfera está sob ataque da poderosa Globo. O império multibilionário ameaça mover ações contra blogueiros pés-rapados! É uma luta de Davi contra Golias. Chegou a hora de os leitores manifestarem sua solidariedade aos blogs da forma como for possível. Um simples compartilhamento no Facebook já ajuda.

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7 comentários

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Antônio

28 de fevereiro de 2016 às 07h22

OCTAVINHO, O ESCROTINHO

O Datafolha e a profecia auto-realizável

Por Fernando Brito · 27/02/2016

No Tijolaço

http://tijolaco.com.br/blog/o-datafolha-e-a-profecia-auto-realizavel/

riotiras

Nada surpreende na pesquisa Datafolha – parcialmente divulgada à tardinha e certamente a manchete do jornal, amanhã – senão o fato de que seja muito interessante que sejam só 55% dos entrevistados que acham que Lula ofereceu “algum” benefício às empresas que teriam feito obras no sítio de amigos que usa como refúgio em finais de semana.

Porque, afinal, é isso o que todo o país está, há dois meses, vendo, ouvindo e lendo nas televisões, rádios, jornais e revistas. Em todos os meios de comunicação, exceto no pequeno mundinho dos blogs progressistas.

E como o “acusado” não reage, a não ser timidamente, por meio de seus advogados, nem mesmo o pequeno contraditório possível nos meios de comunicação se faz.

É como se passasse um carro de som na sua rua, acusando você disto e daquilo e você permanecesse quieto, dois meses.

É coisa que deixaria com a pulga atrás da orelha o seu vizinho do lado, que dirá o lá do final da rua.

Portanto, tudo para somar, em cima de quem já tem os problemas causados pelo desgaste abissal do Governo Dilma uma crise de honorabilidade pessoal.

Em razão de quê?

Bastaria uma pergunta na pesquisa para que ela ruísse completamente:

– Acha que Lula foi beneficiado por construtoras no caso do sítio em Atibaia?

– Sim, e em troca ele beneficiou estas empresas.

– Beneficiou, como? O que ele fez para elas?

Alguém duvida que o silêncio seria sepulcral? Aliás, é uma pergunta que bem poderia ser feita aos promotores, aos policiais e ao próprio Dr. Sérgio Moro e ficaria sem resposta ou seria respondida com uma conversa de “Rolando Lero” cheia de “em tese”, “poderia”, “estamos investigando”, etc, etc…

É um caso inédito na história do Direito: uma investigação sobre alguém por ter recebido algo em troca de…ah, não sei.

O guardinha recebe R$ 50 para não te multar por ter parado com duas rodas na calçada. O fiscal da feira pede R$20 para deixar você montar uma banquinha de limão ensacado em meio aos feirantes, até os megaempresários da Zelotes pagam uma “baba” a conselheiros para não se consumarem as autuações milionárias que suas empresas sofreram.

Mas Lula ganhou um churrasqueira, um “puxadinho”, uma reforma no telhado de um sítio que nem lhe pertence em troca de um “não sei”.

Depois da grotesca deformação da tal “Teoria do Domínio do Fato”, evoluímos para a “Teoria do Domínio da Hipótese”, isto é: “não sei o que é, mas alguma coisa deve ter feito”.

Se Lula pretendesse se servir do seu prestígio, não bastaria ter feito uma ou duas palestras que cobrissem a obra?

Se quisesse agir de forma desonesta, não seria mais simples pedir que as empreiteiras entregassem aos donos do sítio um “x” em dinheiro e estes pagassem todas as obras?

Tem pouca ou nenhuma importância no estado de histeria policial-judicial em que nos encontramos.

Os carros de som passam em sua rua, nas ruas de todos e, infelizmente, tirando uns guris (já meio encanecidos, é verdade), ninguém aparece para tomar satisfações.

Eu compreendia a ironia da frase “lutamos como nunca, perdemos como sempre”.

Agora vou ter de tentar entender o “nunca lutamos, mas esperamos vencer”.

Responder

Donizeti - SP

27 de fevereiro de 2016 às 17h02

Achei genial a saída do Tijolaço.

Aplicou um contraveneno na globo, se não processa a blomberg pela mesma notícia que já é de domínio público, onde a calunia e a difamação do tijolaço ?

Quem não tem dinheiro para torrar como os marinhos, tem que utilizar a inteligência.

Palmas para o tijolaço.

Responder

L. Souza

27 de fevereiro de 2016 às 04h01

Funcionamento típico de quem cresceu com a ditadura.

Responder

lulipe

27 de fevereiro de 2016 às 01h07

Por que o autor não fala dos governos petistas que colocaram dinheiro, via publicidade, na Globo, como nenhum outro na história deste país….

Responder

    Nelson

    27 de fevereiro de 2016 às 23h01

    Eu não sei dizer se os governos do PT embucharam mais dinheiro na Globo que os anteriores, mas que foi uma montoeira foi. O José “Já temos a Globo” Dirceu acreditou que, assim, iria comprar o apoio da Vênus Platinada ao PT. Deu no que deu: ele atrás das grades e os Marinho com um palacete em Parati.

Mauricio Gomes

26 de fevereiro de 2016 às 22h45

Azenha, a resposta que o Fernando Brito deu ao escroque da família mafiosa foi, ao mesmo tempo, contundente e genial. Como eles vão querer processar os blogueiros que estão revelando suas falcatruas se a mesma notícia foi publicada pela prestigiosa Bloomberg, em 7 de março de 2012, sob o título “Brazil’s Rich Show No Shame Building Homes in Nature Preserves“:

Heirs to Roberto Marinho, who created Organizacoes Globo, South America’s biggest media group, built a 1,300-square-meter (14,000-square-foot) home, helipad and swimming pool in part of the Atlantic coastal forest that by law is supposed to be untouched because of its ecology.

Se é mentira, como eles afirmam, por quê eles não processaram a Bloomberg, ou a Folha, que também noticiou o caso? Isso é tentativa clara de intimidação, sinal que esses safados manipuladores e golpistas acusaram o golpe. Agora que o inimigo abriu o flanco, é hora de atacar com tudo. Estamos com você e com todos os outros blogueiros corajosos que não se curvam à esta família de escroques ordinários, cevados na ditadura.

http://tijolaco.com.br/blog/a-resposta-do-tijolaco-a-globo/

http://www.bloomberg.com/news/articles/2012-03-08/brazil-s-rich-build-homes-in-nature-preserves

http://andrebarcinski.blogfolha.uol.com.br/2012/03/18/revista-acusa-familia-marinho-e-camargo-correa-de-construir-mansoes-em-areas-de-preservacao/

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