VIOMUNDO

Diário da Resistência


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Paulo Metri: PT apenas administra a dependência brasileira


07/03/2013 - 16h25

Decantação dos fatos

(Veiculado pelo Correio da Cidadania a partir de 06/03/13)

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia

Eric Hobsbawm, no início do livro “Era dos Extremos”, lançado em 1994, pede desculpas ao leitor por analisar o século XX antes de terminado. É preciso ter certo dom para conseguir identificar a relevância de um fato no momento em que ele acontece, ou seja, se é revelador de futuro. O tempo é o reagente natural que, atuando sobre os fatos, os revela como relevantes ou não. O que não for será, naturalmente, despejado no ralo da história.

Sem ser um Hobsbawm e, portanto, sem as lentes que permitem ver através da poeira de irrelevâncias históricas suspensa no momento presente, com a nitidez do que é importante, sou capaz de apostar que nosso país irá permanecer “em desenvolvimento” por longo período ainda — o que, aliás, é um enorme eufemismo, pois significa, na verdade, “em atraso”.

Lamento profundamente pelos nossos descendentes, que irão enfrentar situações cada vez mais dramáticas.

E por que isto irá acontecer? A resposta pode ser encontrada olhando-se o passado. Hoje, estamos estacionados no “em atraso” porque alguns governos irresponsáveis atuaram mirando um Brasil subdesenvolvido.

Com tanto esforço, conseguiram fazer o país permanecer neste patamar vergonhoso, com sofrimento para toda sociedade. Faria exceções, nitidamente, aos governos Vargas e Geisel. No entanto, durante muitos anos, seguimos com este modelo de dependência, que só é bom para as empresas estrangeiras, os países estrangeiros e uns poucos nativos prepostos delas.

Não há um projeto nosso de crescimento como nação, o que acarretaria máximo bem-estar social.

Para alguns pode parecer estranho, mas os governos do PT também serão vistos, por um observador do futuro, como administradores de economia periférica adaptada à imposição do capitalismo mundial dominante à época, sem lutar por uma condição de melhor participação da sociedade brasileira na divisão internacional das riquezas produzidas. Assim, não haverá diferenças, neste aspecto, em nível desejável em relação aos governos de FHC.

Escrevo estas linhas com a pretensão de conseguir alertar uma considerável parcela da esquerda para o fato de que, sem nacionalismo, não se consegue atingir um novo patamar de satisfação da sociedade. Sinto angústia porque acho que há erro de rumo, ontem e hoje, que, contudo, forças midiáticas poderosas negam.

Nacionalismo não é “coisa de militares”, como procuram caracterizar, se bem que deve ser “coisa de todos”, inclusive de militares. Nacionalismo não significa também o país buscar se isolar do mundo, o que nos é incutido. Significa o país só aceitar a inserção internacional que beneficie sua sociedade.

Antes que alguns leitores passem para outro artigo, apresso-me a dizer que não estou me atendo à atuação do PT na distribuição interna da renda. Neste tópico, estes governos se sobressaíram sobre todos dos últimos 49 anos.

Entretanto, infelizmente, faltam no nosso país um partido e um eleitorado que identifiquem na atuação soberana a única possibilidade de grande satisfação da sociedade.

Paradoxos, que mostram nosso erro estratégico, existem aos montes na nossa sociedade. Por exemplo, somos o único dos BRIC que não possui um carro inteiramente projetado e produzido no país. Em 1974, a Hyundai lançou seu primeiro carro e, até então, a Coréia do Sul não possuía um carro nacional. No entanto, agora, o Brasil cria uma reserva de mercado para a indústria montadora estrangeira instalada na nossa economia.

O próprio BNDES tem como diretriz o modelo dependente de desenvolvimento ao financiar empresas estrangeiras aqui instaladas, sem nenhum constrangimento por parte dos dirigentes e do corpo técnico do banco pela opção antissocial tomada. O Brasil é mesmo um paraíso para as empresas estrangeiras.

Queria que, aqui, um executivo governamental, que concedesse uma benesse para uma empresa estrangeira, pelo menos sentisse vergonha e remorso, não precisando chegar ao extremo de praticar um haraquiri.

Desde as décadas de 1960 e 1970, excetuando os recursos aplicados na Petrobras, Embrapa, Embraer, Manguinhos e algumas outras poucas exceções, muitos recursos foram gastos visando o “desenvolvimento tecnológico nacional” sem grande sucesso.

À primeira vista, se recursos para o desenvolvimento tecnológico forem aplicados fora do eixo estatal, têm grande chance de ser infrutíferos.

Assisti a uma apresentação do presidente da Embraer, na qual ele mostrou um gráfico relativo ao Brasil, com o tempo no eixo horizontal e o índice “US$ por tonelada de produto exportado” no eixo vertical.

A curva resultante é acentuadamente declinante, ou seja, com o passar do tempo as exportações brasileiras passaram a ser cada vez mais concentradas em minérios e grãos, em detrimento de produtos com algum conteúdo tecnológico.

Para mim, este gráfico mostra a falência do sistema de desenvolvimento tecnológico do país. Além disso, mostra também que o Brasil está no grupo dos países que, cada vez mais, auferem menos lucro no comércio internacional, por ser grande supridor de minérios e grãos aos desenvolvidos, proporcionando a eles padrões de vida bem acima dos nossos.

Incrivelmente, damos recursos públicos para empresas estrangeiras gerarem tecnologia. Portanto, não é por existirem poucos recursos que não se desenvolve tecnologia. A aplicação das arrecadações dos fundos sociais precisa ser repensada, porque não está dando certo.

Só um país com um povo alienado permite que seu petróleo seja levado para o exterior por empresas estrangeiras sem deixar quase nenhum usufruto para a sociedade. É o que acontecerá com o petróleo resultante da décima primeira rodada de leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP), marcada para os dias 14 e 15 de maio. E o povo não se indigna, porque não foi informado pela mídia venal do capital.

Todos nós conhecemos a dificuldade de um governante para armar o quebra-cabeça composto pelas nomeações dos cargos de governo. Por exemplo, hoje, o Ministério da Integração Nacional está nas mãos do PSB. A Educação está com o PT.

O Mantega é da cota pessoal da presidente, e por aí vai. Entretanto, tem-se a impressão que, para as diretorias das agências reguladoras, só opinam os agentes econômicos a serem regulados. As decisões que estas agências tomam corroboram esta afirmação.

Em 1995, durante o governo FHC, acabaram com a proteção à empresa genuinamente nacional, contida no Artigo 171 da Constituição. Outros países do mundo, inclusive desenvolvidos, protegem as suas empresas. Na França, as empresas genuinamente francesas gozam de privilégios, tanto que, durante as privatizações que ocorreram por lá, saíam em vantagem com relação às empresas estrangeiras, em qualquer leilão.

Graças a desrespeitos para com as empresas nacionais genuínas e devido à ausência de um projeto nacional, ocorreram a desnacionalização da nossa economia e, simultaneamente, a desindustrialização. Muitas vezes, afirmam que a empresa estrangeira instalada no Brasil também paga impostos e salários, o que é verdade.

Contudo, o fluxo de caixa de médio prazo de uma multinacional será sempre deficitário para o país hospedeiro e superavitário para o país onde está a sua matriz.

Além disso, a nacional genuína tem mais propensão a comprar localmente, a desenvolver tecnologia no país e a empregar mais brasileiros. Por tudo isso, deve-se privilegiar a empresa nacional genuína, a de capital brasileiro.

Só a aprovação de acordos internacionais de comércio, patentes e outros, nos moldes dos que foram aprovados no período neoliberal, mostra o grau de submissão a que chegou nosso país. Até hoje, não conseguiu se soerguer. Para um espectador distante parece que há medo do confronto e das eventuais retaliações por se ser soberano.

Entretanto, para haver algum substancial crescimento, há necessidade de certo enfrentamento nos campos diplomático, comercial e ideológico. O desenvolvimento é sempre conquistado, nunca recebido. Por outro lado, é primordial existir um planejamento estratégico do crescimento e do enfrentamento, o que, salvo engano, não há no Brasil.

O capital internacional e sua mídia servil, que infelizmente é a que desinforma a grande massa brasileira, estão em campanha para ampliar a dominação sobre nossa economia e sociedade. Neste momento, um deputado e um senador, ambos do PMDB, entraram nas suas casas legislativas com dois projetos de lei para destruir o pouco que foi conquistado com a edição do novo marco regulatório da área do Pré-sal (lei 12.351 de 2010).

Querem que a exploração desta área seja feita de forma tão ruim para o povo brasileiro quanto é a exploração das áreas fora do Pré-sal, onde é utilizada a lei 9.478 de 1997.

Outro ataque para a quebra da nossa resistência consiste do lançamento de informações, na maioria das vezes tendenciosas, sobre a Petrobras. O objetivo é tê-la privatizada para o seu lucro cair nas empresas que a arrematarem, e que ela não mais atenda aos interesses da nossa sociedade.

Todos estes fatos — juntos de mais informações como, por exemplo, a pouca importância dada pela presidente à entrega do petróleo nacional na décima primeira rodada (pois foi por ela aprovada) – são definidores de um futuro nada promissor que nos espera e, principalmente, a nossos descendentes.

Leia também:

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A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
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O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



44 comentários

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Santi

08 de março de 2013 às 21h41

O PIG esta conseguindo realizar o seu grande sonho já tem gente dizendo que o PT é uma continuidade do FHC mas esta é uma visão miope atual que nem sera lembrada no futuro. Os chamados empresarios Brasileiros acreditaram no PIG vendem suas fabricas para viver de renda, os estrangeiros acreditam no Brasil compram. Sá quando a geração LULA que estão nas universidades forem para o mercado é que teremos uma nova geração de empresários nacionalistas é a nossa unica esperança. Nos dez anos de PT o que não dobrou triplicou na educação do país mas o PIG não informa esta é só uma das diferenças do PT ao governo da Privataria anterior.

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A Lesma Lerda

08 de março de 2013 às 17h35

até outro dia tinha uns notebook brasileiros à venda: custavam R$ 7000,00

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Nelson

08 de março de 2013 às 16h48

Tenho acompanhado, há algum tempo, os artigos do Paul Metri e posso afirmar que nos anteriores ele vinha se mantendo um tanto avesso a tecer críticas mais diretas aos “nossos” governos, Lula e Dilma.
Já, neste último artigo, Metri “aperta o torniquete” e apresenta críticas mais fortes ao governo petista. E, infelizmente, lamentavelmente, essas críticas estão corretíssimas.
Metri está corretíssimo quando afirma que “Para alguns pode parecer estranho, mas os governos do PT também serão vistos, por um observador do futuro, como administradores de economia periférica adaptada à imposição do capitalismo mundial dominante à época, sem lutar por uma condição de melhor participação da sociedade brasileira na divisão internacional das riquezas produzidas. Assim, não haverá diferenças, neste aspecto, em nível desejável em relação aos governos de FHC.”

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mello

08 de março de 2013 às 11h28

Se o psol tivesse proposta melhor, ou alguma proosta, ou ajudasse a reorientar os passos do Governo dele participando….Mas o despeito o limita a ficar atirando pedras, esterilmente….

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    LEANDRO

    08 de março de 2013 às 14h12

    A culpa é do psol??? com aquela bancadinha??? me poupe, já se vão 12 anos e nada que realmente mude isso foi feito. O governo se limita a distribuir bolsas.

    Willian

    08 de março de 2013 às 17h33

    Parece o PT de antigamente, não é verdade?

Lafaiete de Souza Spínola

08 de março de 2013 às 11h07

PERGUNTO PARA VOCÊS:

Que país teremos, no futuro, se poucos estão interessados em discutir, exigir um grande investimento na educação básica?

Já pensaram que sem isso, o resto é o resto?

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    Mário SF Alves

    08 de março de 2013 às 23h10

    É bom cobrar também das concessões/monopólio PiG Ltda.

    _____________________________________________

    Educação com essa mídia que aí está? Educação numa conjuntura secular de democracia mídio tutelada ou por décadas mídio-enXuXada?
    ________________________________________________
    Aí, realmente, fica difícil, hein, companheiro?

Noé

08 de março de 2013 às 10h29

O PT só vem tocando o projeto neoliberal dos tucanos pra frente. Avançou, mas o projeto é o mesmo. Sempre acuado, não consegue enfrentar os pitbulls da direita tupiniquim e assim acaba rezando pela mesma cartilha. Um governo heterogeneo onde cada partido da base faz o que quer com seus ministérios doados, menos votar com o PT quando não lhes interessa. Uma reforma educacional no Brasil é imperiosa e deveria começar por essa vergonha nacional que é a exportação de técnicos graduados em universidades públicas, ao exterior. Estamos financiando o primeiro mundo. O pais gasta os tubos para formar um profissional que inevitavelmente acabará indo prestar seus conhecimentos numa multinacional que, claro, se apropria do seu trabalho. Alguém acha que um pais pode crescer em tecnologia agindo dessa forma?

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Marcelo de Matos

08 de março de 2013 às 09h13

Quem é nacionalista hoje no Brasil? Lembro-me de um comerciante que comprou ações da Gurgel porque sonhava com a indústria automobilística nacional. A Gurgel não deu certo, assim como a FNM (Fenemê), idealizada por JK. O governador Sérgio Cabral chegou a oferecer o terreno da Fenemê para a Chery se instalar no Rio. Os chineses, porém, agradeceram o presente e preferiram Jacareí-SP. Era uma questão de logística e outros trecos. Nossos comerciantes são 100% favoráveis à venda de produtos chineses, pela óbvia razão de que dão mais lucro. É mais fácil vender três escovas de dente chinesas por R$ 2,99 que uma trinca de escovas Colgate, que acabam dando o mesmo lucro. As lojas de suprimentos de informática estão abarrotadas de produtos Foxconn. Essa empresa taiwanesa, já instalada em Jundiaí e Sorocaba, é a maior produtora mundial do ramo. Produz, inclusive, os tablets da Apple. A industrialização é uma batalha perdida pelo Ocidente: Detroit que o diga. A culpa não é só da China: os tênis da Adidas e da Nike são produzidos no Vietnã.

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roberto

08 de março de 2013 às 01h39

O modem da Oi que me conecta neste momento à internet é fabricado na China. Fico pensando como é possível que uma empresa nacional – como a Oi – concessionária de um serviço público brasileiro, deixa de comprar aqui um produto hoje de tecnologia conhecida para transferir renda e emprego a um país estrangeiro. Ou, então, o Brasil não possui a tecnologia para fabricação de um modem; se assim for estamos perdidos, porque não deter nem a técnica do primeiro degrau da informática, caracteriza o cúmulo do atraso.

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    A Lesma Lerda

    08 de março de 2013 às 17h37

    se tivesse um modem brasileiro ele custaria uns R$ 1000,00…

Jaguar

07 de março de 2013 às 23h04

Aos que escrevem aqui que a Rússia não é muito diferente do Brasil por não possuir uma marca própria de automóveis, é sempre bom lembrar que os Russos ao menos conseguiram construir foguetes nos quais os norte-americanos hoje dependem integralmente para acessar a estação Espacial (ISS) pois seu transportador (“shuttle”) está no chão por falta de grana, ora quem diria! Essa mesma estação espacial que o Brasil foi convidado (!) para participar mas deu para trás por meros 120 milhões de dólares (i.e. por menos que 1 km de metrô), seja por cinismo de FHC ou negligência do governo Lula, a Embraer inclusa pois terceirizava o contrato para a Astrium européia para receber uns trocados e posar de sofisticada fazendo burocracia contratual. A Engenharia estava toda lá fora é claro…

Também é bom lembrar que para vender Iphones na Rússia a Apple norte-americana teve colocar um receptor compatível com o GLONASS nos seus brinquedinhos ou não teriam permissão para acessar os vastos mercados da Rússia e do leste Europeu. Esse mesmo GLONASS implantado num laboratório da UnB como se fosse uma grande vitória brasileira. Os russos devem estar morrendo de rir. Logo logo os Chineses terminam de colocar o seu GPS COMPASS em operação e nós vamos ver quem manda e quem obedece nesse mundo.

O Brasil certamente não será um desses mandatários, ou conseguirá ser, na melhor das hipóteses, um sócio menor por vender soja e carne. Por ser manso e suas elites e dirigentes (eleitos ou não), viverem de consumo conspícuo sem ter que produzir dentro dos mais altos padrões internacionais. E se fingem de bem sucedidas por comprarem as últimas novidades que exibem nas ruas das cidades brasileiras, cidades essas que mal possuem calçamento decente para se andar. Mas possuem motos asiáticas montadas em fábricas financiadas a juros de pai para filho por banco público em local livre de impostos em zona franca!

Éhhh meu querido Brasil, o quadro é mesmo catastrófico…

Responder

    Marcelo de Matos

    08 de março de 2013 às 09h45

    A bem da verdade, os norte-americanos não dependem integralmente dos russos para acessar a estação Espacial (ISS). Uma empresa privada ianque tem participado do abastecimento da estação: “Esta missão é a terceira viagem de uma cápsula Dragão, feita pela empresa privada Space Exploration Technologies, para o laboratório orbital, depois de um voo de demonstração em maio de 2012 e da missão de reabastecimento em outubro passado”. É verdade que a Dragão deu uma rateada, mas, acabou chegando ao destino e descarregando 550 toneladas de suprimentos. Quanto aos tablets da norte-americana Apple gostaria de lembrar que estão sendo produzidos em larga escala, só para exportação, em Jundiaí-SP, pela taiwanesa Foxconn, maior produtora mundial de suprimentos de informática, já instalada, também, em Sorocaba, e que deverá montar outras fábricas no Brasil.

    Jaguar

    08 de março de 2013 às 13h05

    É verdade, mas estava indicando que para transporte de pessoal os norte-americanos dependem dos foguetes russos Soyuz.

    E a Foxconn é uma empresa chinesa com uma mera de montagem, sem contar as facilidades dadas pelo município de Jundiaí. Os componentes eletrônicos são importados e pouca ou nenhuma engenharia é feita aqui, exceto talvez pela construção civil das instalações da fábrica.

    De todo modo estava querendo indicar apenas que há enorme diferença entre o domínio tecnológico de fato (que russos e chineses têm de forma crescente) comparado a meras linhas de montagem como uma Foxconn ou fábricas de automóveis e caminhões de marcas que não nos pertencem na sua vasta maioria.

    Já adianto que não tenho problemas com fábricas e marcas estrangeiras. O problema e não termos nenhuma própria em praticamente nenhum setor industrial relevante, com algumas poucas exceções (e.g. Romi).

    A ZFM é outro exemplo dessa prática de fazer renúncias fiscais em nome de um desenvolvimento que, se ocorre, está além mar.

    Saudações.

Lafaiete de Souza Spínola

07 de março de 2013 às 22h44

A desnacionalização do Brasil deve ser contida!

Faz pouco tempo, mantive contato com uma empresa tradicional fabricante da área de Sistemas de Energia, localizada em Diadema, São Paulo. Era uma empresa estabelecida, conhecida, genuinamente nacional, talvez uma das mais bem sucedidas e conceituadas no mercado, devendo, por isso, manter o nome que dá credibilidade, por certo tempo. Você deve estar usando em casa, ou na empresa, onde trabalha, um estabilizador de tensão ou um sistema ininterrupto de energia (nobreak) dessa empresa, aí, ao lado do seu computador. Foi chocante, quando fiquei sabendo que foi vendida, ao capital estrangeiro. Elas chegam, aqui, fazem uma proposta irrecusável e compram o que acharem conveniente. Infeliz empresa que não se submeta a tal investida! Poderá estar decretando sua inexorável falência, no futuro, pois a proponente vai adquirir uma concorrente de menor porte que se transformará, em breve, numa concorrente implacável. Aí, aparece um desses entendidos burocratas, declarando; sem qualquer embasamento técnico, ou total falta de nacionalismo; que essas pequenas e médias indústrias não tiveram competência para enfrentar o mercado. Confundem com o suco de laranja, com a soja ou qualquer outro produto primário. Esse mundo das multinacionais criou e cria normas para seus produtos, tão rígidas, que elimina qualquer concorrente que se atreva ingressar no mundo que eles dominam. Essas normas, muitas vezes, servem, tão somente, para eliminar os concorrentes.

Que país é este? As coisas vão acontecendo e só, casualmente, ficamos sabendo. Tudo ocorre sem a mínima transparência, sob o total controle de meia dúzia de bem informados e interessados.

Já não considero o problema de mais uma ou menos uma desnacionalização. É um crime de lesa pátria! Dizem que o capitalismo moderno não tem fronteiras, não tem nação. Não é bem assim. O controle dessas empresas tem centro determinado. Os projetos são oriundos das matrizes.
Como outras empresas que conheci, transformam-se, em médio prazo, em meras montadoras locais e distribuidoras. Os engenheiros que nelas trabalham deixam de ser projetistas, tornam-se meros copiadores de projetos, quando tudo não chega totalmente pronto. Num futuro que não tarda; como os avanços tecnológicos, na área eletrônica, são extremamente rápidos; os produtos que foram desenvolvidos no Brasil tornam-se obsoletos e, consequentemente tudo será importado, desaparecendo até o nome original.

Não defendo aquela burra reserva de mercado de informática que tivemos no passado. Agora, sucatear tudo, todo conhecimento adquirido, por menos avançado que seja, é uma estupidez sem limite!

A abertura será tal que vamos vender toda a nossa Amazônia, também?

Vamos, eternamente, ser apenas fornecedores de matérias primas? O Brasil é um país de dimensões continentais com cerca de 200 milhões de habitantes!

Responder

Alberto Santos Neto

07 de março de 2013 às 22h22

Tanto o Lula como a Dilma, são conciliadores demais e, invariavelmemte cedem. E, sendo assim, chegamos a uma contradição de termos, há dez anos, um governo de equerda que, apesar de alguns avanços na diminuição da miséria absoluta, destina ( por diversos meios) mais recursos públicos para uma elite entreguista do que, eftivamente, para ações e projetos que tirariam o Brasil deste eterno “berço esplêndido”, e consolidariam um novo padrão de vida ao brasileiro. Este modelo, acorvadado,de governar do PT, já se esgotou.

Responder

    Mário SF Alves

    09 de março de 2013 às 01h02

    É… vai ver o Brasil também; quero dizer, o jeito braZil de ser e a própria História da Brasil já perderam a razão de ser. É… vai ver.

    ________________________________
    Alberto, por favor, não me leve a mal. É que, de fato, creio – e considero cada vez mais imprescindível – o debate franco. E o problema: como viabilizá-lo em nível de País?

J Souza

07 de março de 2013 às 22h13

A patrulha “ideológica” do PT ainda não se deu conta de que foi cooptada pela patrulha ideológica neoliberal da mídia golpista!

A Dilma tentou, a todo custo, fazer a “casa grande” aceitar o governo do PT. Até ovos fritou, e até confraternizou no aniversário dos criadores da “ditabranda”… E a dita foi tão “branda”, que até “abrandou” o programa de governo do PT, tornado-o um “bom liberal”…

Responder

roberto

07 de março de 2013 às 21h19

Análise perfeita. Nós continuamos a votar no PT porque é ainda “o menos ruim”.

Responder

    Mauricio Benedito

    07 de março de 2013 às 22h23

    Concordo plenamente e ressalto que a falta da Reforma Agréria atende interresses das multinacionais, Cargill, Bunge e A.D.M.

    Mardones

    08 de março de 2013 às 08h45

    Concordo. Infelizmente, as futuras gerações não viverão num país desenvolvido a não ser que recusem o pior e o menos pior, buscando um autêntico nacionalista. E claro, arque com os custos, inclusive com vidas.

    A rodada de leilões do petróleo é a certidão da nossa dependência e atraso.

Marcelo de Matos

07 de março de 2013 às 21h00

(parte 2) No início da década de 60 eu li muitos livros nacionalistas. Onde foram parar esses editores e autores? Cansaram. Só aqui no Viomundo vejo que ainda existem. A política econômica no Brasil é uma política de estado, não de governo. Não é capitaneada pelo Executivo, mas, pelas entidades da chamada “sociedade civil”, leia-se Fiesp, Febraban. De uma vez por todas, não é a Dilma que fixa os juros ou diz onde os empresários devem investir. Somos o único Bric que não possui carro nacional? Não: a Rússia também não tem, nem está fazendo gestões para criá-lo. O PIB brasileiro vai crescer este ano e voltaremos a ser a sexta economia do mundo. Sem ter carro nacional, nem ser potência industrial. Talvez exportando commodities, coisa que a China também faz, com incrível competência. Importamos de lá arroz, feijão preto, alho e filés de bacalhau e merluza, esses peixes em valores maiores que o das motos e carros, por incrível que pareça.

Responder

Marcelo de Matos

07 de março de 2013 às 20h59

(parte 1) Algumas colocações nesse post fazem minha cabeça entrar em parafuso: “Nacionalismo não é “coisa de militares”, como procuram caracterizar, se bem que deve ser “coisa de todos”, inclusive de militares. Nacionalismo não significa também o país buscar se isolar do mundo, o que nos é incutido.”; “somos o único dos BRIC que não possui um carro inteiramente projetado e produzido no país”. O autor começa citando Eric Hobsbawn, aquele mesmo que escreveu “Nações e Nacionalismo desde 1780” e disse que “o nacionalismo não é mais, como antes, um programa político global, como se poderá dizer que foi nos séculos XIX e início do XX”. No Brasil, pelo que me lembro, o nacionalismo era um movimento muito forte até à revolução de 1964. Aí veio Roberto Campos com a abertura comercial.
Delfim Neto ainda segurou a barra da indústria têxtil. Collor, porém, arrombaria de vez a porta.

Responder

Rafael

07 de março de 2013 às 19h34

Não se muda um trajetória de uma hora para outra. Tem que se mudar a mentalidade da sociedade, tem vontade política

Responder

    Marcio H Silva

    08 de março de 2013 às 14h24

    É difícil mudar a mentalidade. Com a mídia que temos, e o medo do Governo em enfrenta-la fica muito difícil.Sem falar na Educação de base, que continua ruim, muito ruim e os governos estaduais, de qualquer partido, nada fazem para para melhora-la….

Fabio Passos

07 de março de 2013 às 19h11

Sem duvida. Ainda seguimos o rumo que as nacoes superdesenvolvidas determinaram: Pais subdesenvolvido fornecedor de commodities. Pobres e sem soberania.
O povo brasileiro tem fabulosa capacidade desperdicada por uma diminuta minoria “branca”, rica… e vagabunda!
Livrar-se definitivamente da pior “elite” do mundo e pre-condicao para o Brasil superar o atraso.
Ja passou da hora de atear fogo na casa-grande.

Responder

Fernandes

07 de março de 2013 às 19h02

A América Latina nunca engrenará se o Brasil não contribuir.
Chavez fez quase milagre. Mas o Brasil o travou.
Sinto ter que votar, a cada eleição, no vazio do PT rosinha. Às vezes chego a pensar que se tivessemos tido mais dez anos de psdb/dem, ao menos algum levante popular poderia ter ocorrido. Aos menos teria tido a esperança de alguma ruptura ou trauma político que poria a sociedade, mesmo com custo, numa outra rota política integradora de desenvolvimento tecnológico, soberania popular e nacionalismo. Respeito o Lula e o que representa; entendo sua opção; mas a verdade o que o texto acima trás. Futuras gerações pagarão um preço enorme pelo vendilhismo do templo não desfeito pela esquerda no poder

Responder

    Nelson

    07 de março de 2013 às 20h33

    Parabéns, Fernandes. Teu comentário serve com perfeição como complemente ao texto do Metri.

    Nelson

    07 de março de 2013 às 20h42

    “Sinto ter que votar, a cada eleição, no vazio do PT rosinha”.

    Sinceramente, Fernandes, uns dois meses antes da eleição de 2010, eu estava com uma propensão quase irresistível de votar em branco. Dias antes, o governo Lula somava à série de “barbeiragens” que havia até ali cometido, a recusa em acabar com o fator previdenciário – essa ignomínia implantada pelos tucanos. Lula tinha deixado de honrar o compromisso do PT para com os trabalhadores brasileiros; eu estava muit decepcionado.

    Porém, acabei votando na Dilma ao me convencer de que a volta dos tucanos seria bem pior para nós. Votei na Dilma, mesmo tendo a avaliação de que seu governo ficaria mais à direita que o de Lula. Infelizmente, minha avaliação está se mostrando correta.

Lafaiete de Souza Spínola

07 de março de 2013 às 18h57

QUE PODEMOS ESPERAR DE UM PAÍS QUE NÃO DÁ IMPORTÂNCIA À EDUCAÇÃO DOS SEUS FILHOS!

UM PROJETO PARA A EDUCAÇÃO NO BRASIL.

São inaceitáveis as seguintes afirmações:

1.É uma sobrecarga o grande número de matérias obrigatórias no currículo escolar.

2.O Brasil vai quebrar, caso haja um grande aumento do investimento público na educação.

Na INFOERA; com o avanço exponencial dos componentes integrados, em consequência da miniaturização, já alcançando o nível atômico, ao lado do vasto uso da nanotecnologia, do vertiginoso desenvolvimento do software e das comunicações; passa a ser mais importante, cada vez mais, o ser humano pensante, com um amplo conhecimento geral que permita o seu desenvolvimento, quando estiver fora da tradicional cadeira escolar. O trabalho rotineiro será, então, executado pelas máquinas e robôs, como está acontecendo, até no Brasil. O mundo da WEB tende a ser incomensurável. Precisamos preparar nossas crianças para esse mundo que se avizinha a uma velocidade alucinante, com mais e mais competição, em qualquer tipo de sociedade que se apresente. No futuro que se avizinha as pessoas passarão a ter suas atividades em casa ou viajando. Quem não estiver preparado, sofrerá as consequências do ócio.

A verdade mostra que a nossa educação é, faz décadas, pífia! O Brasil necessita de uma escola pública, em tempo integral, de qualidade que permita fornecer o básico às nossas crianças, para que elas se encaixem nesse mundo que se descortina.

Observem que poucas foram as escolas a obter um nível de avaliação razoável no IDEB. Quase todas, inclusive, orientadas para o atendimento de áreas específicas, de muito difícil acesso, praticamente impossível, à maioria dos nossos jovens.

Outra observação é que os piores índices, em geral, foram verificados nas regiões onde predominam altos níveis de violência. Quanto maior índice de violência, tanto menor o IDEB!

Guardo cerca de 1000 testes aplicados, nos últimos 10 anos (redação de pelo menos 15 linhas, matemática e conhecimentos gerais), em jovens entre 18 a 25 anos, todos com secundário completo, muitos já frequentando faculdades particulares. É uma calamidade!

O caminho para resolver os problemas estruturais e amenizar as injustiças sociais do Brasil está, basicamente, atrelado à EDUCAÇÃO. Precisamos, com urgência, investir, pelo menos 15% do PIB no orçamento da educação. Deve ser disponibilizada escola com tempo integral às nossas crianças, oferecendo, com qualidade: o café da manhã, o almoço, a janta, esporte e transporte, nas cidades e no campo. Como é uma medida prioritária, inicialmente, faz-se necessária uma mobilização nacional. Podemos, por certo tempo, solicitar o engajamento laico das Igrejas, associações, sindicatos e das nossas Forças Armadas (guerra contra o analfabetismo e o atraso) para essa grande empreitada inicial.

Outros investimentos de grande porte, concomitantemente, devem ser realizados, ajudando, inclusive, a movimentar a economia de todo país: a construção civil seria acionada para a construção de escolas de alta qualidade, com quadras esportivas, espaços culturais, áreas de refeição e cozinhas bem equipadas etc. Tudo isso exigindo qualidade, porém sem luxo. Durante o período de mobilização, concomitantemente, o governo deve investir na preparação de professores para atender à grande demanda. Como esse projeto é de prioridade nacional, os recursos deverão vir, entre outros: de uma nova redistribuição da nossa arrecadação; de uma renegociação da dívida pública, com a inclusão do bolsa família etc.

Não temos tempo para ficar aguardando a época do pré-sal.

Responder

    Marcio H Silva

    08 de março de 2013 às 14h26

    Verdade……concordo…..

Ronaldo Curitiba

07 de março de 2013 às 18h52

O PT ainda tem a preferência porque não apareceu nada menos pior.

Responder

assalariado.

07 de março de 2013 às 18h52

O que é o desenvolvimento “nacional” atual, senão o desenvolver consentido, autorizado e demarcado pela burguesia “nacional”, que um governo social democrata adota como “estratégico”, segundo o código do capitalismo “social”, internacional. Gostaria de saber, via blogs progressistas o quanto os bancos, ditos brasileiros tem investido, via empréstimos, nas empresas e industrias de tecnologia genuinamente nacional? Sim, os donos do capital, seus capachos das varias fardas, são capacitados, desde 1500, a pensar colonizados, logo, … Ou vocês acham que a burguesia “nacionalista” e suas filiais PIGuianas e tals, vão pensar diferente algum dia?

Então, perguntou eu: De quem vocês pensam que vai ser esta tarefa? Ora essa, teremos que ter um governo, de forma a sermos (HEGEMONICOS), no legislativo, no judiciário para termos autonomia econômica, ideológica e militar, nesta sociedade dominada pelos parasitas do capital, com rabo preso no capital internacional.

Teremos que eleger um governo com (HEGEMONIA) o suficiente, que pense fora do quadrado econômico do neoliberalismo, como este governo da vez. Sim, estou dizendo que teremos que atropelar a burguesia, seus representantes e seu projeto de “Brasil nação”. Melhor dizendo, as elites colonizadas (e colonizadoras), só tem projeto de lucros. Ah, mais e o Brasil e o povo?

Saudações Socialistas.

Responder

    Mário SF Alves

    07 de março de 2013 às 22h44

    E onde mesmo é que entra o regime casa-grande-braZil-eterna-senzala? E onde mesmo que entra o sui generis capitalismo subdesenvolvimentista “nacional”, produto deste mesmo regime?

    _________________________________________
    Onde entra podemos até não responder, mas a quem interessa isso hà muito salta aos olhos. O resultado é isso: democracia mídio-tutelada.

    _______________________________________________

    E vamos que vamo porque logo, logo a gente vai ter um raio X dessa bagaça toda.

    ____________________________

    Aceite um forte abraço,
    __________________________________
    Menos academicismos e mais praxis.
    _____________________________________
    E basta de democracia mídio-tutelada.

    assalariado.

    08 de março de 2013 às 08h45

    Mário SF, o regime (DE LUTA DE CLASSES COM INTERESSES ECONÔMICOS OPOSTOS), é a formula de sociedade “social”, feita por poucos e para poucos. Seja qual seja, os governos sucedidos, desde 1500, nunca conseguiram e nunca conseguirão, desmanchar este Estado do direito burgues escondido, dentro do Estado, via carta magna, a serviço do capital, como democracia a ser obedecida pelo “Brasil nação”, segundo os critérios da burguesia. Um exemplo claro é a questão do agronegócio e reforma agraria.

    Sim, quem tutela o Estado é o seu próprio criador, na condição de serem apenas 5% da sociedade que através de sua (HEGEMONIA POLITICA E ECONOMICA), nos poderes de Estado, se tornaram classe dominante sobre os dominados e explorados por esta minoria rica e parasitas sociais.

    Abraços Fraternos.

    Mário SF Alves

    08 de março de 2013 às 22h59

    Prezado assalariado,

    Nada do que você disse me é estranho. E, de fato, e respeitosamente, e assim, gostaria de lhe dizer que, a meu ver, compete e é urgente que tenhamos claro que:
    1- Ler, interpretar e mudar a realidade imposta pelo cruel e secular regime casa-grande-braZil-eterna-senzala não é privilégio exclusivo da esquerda;
    2- É imprescindível traduzirmos essa mesma realidade em linguagem verdadeira, porém, não necessariamente [ou sempre] acadêmica.
    ________________________________________
    E por falar em traduzir a realidade, vamos aos fatos que já são por demais aqui sabidos:
    1- Julgamento da AP 470 leia-se: linchamento político com tentativa de assassinato moral [e só não mataram os Zés, porque eles desde há muito já não morrem];
    2- Democracia brasileira [ainda que frágil, é a única que temos] leia-se: democracia mídio ou PiG-tutelada;
    3- Capitalismo brasileiro [antes do Lula] leia-se: capitalismo subdesenvolvimentista “nacional”;
    4- Neoliberalismo [em quaisquer instâncias] leia-se: neo-fascismo de mercado.
    ___________________________
    Fraternal e confiantemente,
    Mário SF Alves
    ________________________________________
    Em tempo [uma dúvida]:
    Onde está escrito que os sonhos devem fenecer ao nos aflorar a idade adulta?
    Após o resgate de 40 milhões de brasileiros até então abandonados, minha consciência cristã já se encontra em paz; falta, no entanto, resolver minha consciência cívica.

Luiz Fortaleza

07 de março de 2013 às 18h43

Não deixa de criticar, mas dentro de uma lógica de capitalismo humanitário que não existe. Ele não faz uma crítica ao capitalismo, mas ao modelo de capitalismo. Um não-marxista, um não anti-capitalista. Um puro social-democrata a la europeu.

Responder

Leonardo

07 de março de 2013 às 18h40

É a imagem que as elites querem de nós, povo alegre, pacífico e gentil (de joelho). E quanto aos problemas da nação (nossa vida cotidiana que é parte do todo)resta-nos procurar ajuda espiritual baratinha! Só muita educação formal e política e algum Getúlio Vargas para realizar esta diplomacia, estratégia de crescimento e enfrentamento!
Esta mídia servil e traidora chamou Chaves de caudilho quando anunciou sua morte esta semana. Quem nos dera tivéssemos hoje um caudilho tipo Getúlio ou Brizola para acordar esta massa de brasileiros adormecidos pelo conto de fadas estrangeiro!
E o que aumenta ainda meu desespero por esta falta de nacionalismo, é ver que o grupo político que elegemos para colocar em prática todas as propostas de mudança, se acomodou com o discurso de acordo ou consenso.
Já acho que este modelo “Democracia” já não serve mais, pois com este futuro negro que nos apontam vemos todos dizendo que ela está consolidada, então é porque já perdemos o jogo e a única coisa nossa ainda neste país colônia com muito esforço é o pensamento.

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Apavorado por Vírus e Bactérias

07 de março de 2013 às 18h37

Belíssimo texto. Acertou na mosca. Nossas elites, donas do capital, além do Governo Federal e muitos políticos, acostumados ao servilismo, ao colonialismo, ao cabestro, gozam com o pau estrangeiro. Mas quem leva o ferro é o povo brasileiro, que sofre sem saber onde que foi como é que foi quem foi que fez.

FHC é o grande guru e o Pai irradiador dessa Era Nefasta. Até andava de joelhos para os ianques.

Nos perdemos pela falta de um projeto nacional, ao agradarmos esse ou aquele grupo. Até a Telebrás e a Internet para todos ficou para trás, para agradarmos aos pilantras estrangeiros das telecomunicações. E que ainda por cima afanam dinheiro do BNDES.

Responder

jaime

07 de março de 2013 às 17h21

Difícil separar apenas algumas poucas frases como as mais importantes. Na minha modesta e falível visão, é um texto essencial, fidelíssimo à realidade atual do país. Mas entre tantas, destaco a seguinte:”para haver algum substancial crescimento, há necessidade de certo enfrentamento nos campos diplomático, comercial e ideológico. O desenvolvimento é sempre conquistado, nunca recebido.” Essa postura de alianças que tendem ao conchavo é o rumo que precisa ser abandonado. Nesse aspecto, no modo de fazer política, o Brasil precisa, sim, aprender com los hermanos, do contrário ficaremos marchando no mesmo lugar. Essa política da esperteza e do “consenso” atingiu seus limites, esgotou-se; a permanecer essa linha, é apenas a política eleitoreira, nada mais.
E finalmente, a grande massa, o grosso da matéria prima deste país, a gente esquece mas é aquela que está lotando as igrejas pedindo milagres e entregando a senha ao pastor. Levando isso em consideração, tá bom demais, tem muita ladeira ainda pra descer.
Não existem pastores se não se apresentarem as ovelhas, assim como não existe imperialismo se não se apresentares os sabujos e entreguistas.

Responder

    assalariado.

    07 de março de 2013 às 19h08

    Graaannde, Jaime!!

    Abraços.

bento

07 de março de 2013 às 16h33

A ficha das pessoas ainda não caiu…projetinho meia-boca…

Responder

Professores: Projeto de inclusão da USP tem viés excludente « Viomundo – O que você não vê na mídia

07 de março de 2013 às 16h29

[…] PT apenas administra a dependência brasileira […]

Responder

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