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Paulo Metri: Entreguismo se esconde sob a “neutralidade técnica”
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Paulo Metri: Entreguismo se esconde sob a “neutralidade técnica”


11/10/2013 - 06h19

Como matar o setor de petróleo

Correio da Cidadania a partir de 08/10/13

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia

Na década de 1990, auge do período neoliberal, Betinho escreveu um capítulo do livro “Em defesa do interesse nacional”, cheio de ironia e bom humor mas, muito sério, intitulado “Como matar uma estatal”.

No capítulo, ele descreve todas as ações que um “bom administrador” deveria tomar para atingir seu objetivo de matar a estatal. Nos dias atuais, se ainda estivesse entre nós, ele talvez escrevesse sobre como matar o setor de petróleo.

Imaginamos que o novo texto ficaria da seguinte forma:

Cria-se um arcabouço jurídico e institucional, que privilegia a competição, não importando se os agentes econômicos são nacionais ou estrangeiros. O fato de ser nacional não significa que deva ter algum privilégio em qualquer disputa.

O petróleo, o gás natural e os derivados devem ser considerados como simples commodities, que não possuem valor geopolítico e estratégico algum, ou seja, não possuem nenhuma atração além da rentabilidade.

Promovem-se leilões em que um único pagamento inicial pode definir a permanência de empresas produzindo petróleo em uma área durante até 35 anos, pagando parcelas mínimas de royalties e, quando for o caso de altas produções, de “participações especiais”.

Facilita-se ao máximo a entrada de bens e serviços estrangeiros no setor, a pedido das empresas petrolíferas estrangeiras, isentando-os de impostos e taxas, que os nacionais não têm.

A cada oportunidade de fala à imprensa, deve-se realçar que as decisões da diretoria do órgão regulador são técnicas, significando que ele verifica a competição e o desempenho das empresas.

Nunca se toma uma decisão com o singelo argumento que ela irá beneficiar a sociedade brasileira.

O órgão regulador não é um órgão que deve implantar políticas públicas, nem deve levar em conta nas suas decisões que o Brasil é um país em desenvolvimento, com características culturais específicas e inserido no espaço geopolítico mundial.

Doma-se a estatal do setor, para, amofinada, não participar de leilões e permitir a entrega rápida de blocos para as empresas estrangeiras.

Mas ela deve participar de um mínimo de leilões de blocos, para não poderem identificar a estratégia de entrega do subsolo nacional.

Escolhe-se um administrador para regular o setor, que diminua ao máximo o risco dos agentes econômicos, usando a União como colchão amortecedor dos riscos empresariais, garantindo, desta forma, a atratividade dos leilões de áreas petrolíferas e comprometendo a arrecadação de tributos do setor.

Todos os administradores deste modelo devem recriminar, claramente, a fase anterior do monopólio estatal, classificando-a de jurássica e nunca entrando no debate dos benefícios e comprometimentos de cada modelo.

Inclusive, só os supostos malefícios do monopólio devem ser denunciados, sistematicamente.

A mídia comercial deve ser “comprada” pelos agentes econômicos do setor, exceto a estatal. Obviamente, as notícias serão filtradas para transmitirem só os interesses das empresas estrangeiras.

Notícias ruins da empresa estatal devem ser privilegiadas para irem para a “mídia vendida”.

Quanto mais notícias deste tipo “vazarem“, mais os papéis desta empresa irão cair, o que é desejado.

Tudo isto para prepará-la para uma privatização futura, quando ela voltará a ser administrada “tecnicamente” e será eficiente.

Não falam, mas se referem a uma “eficiência” sob o ponto de vista de remessa de dividendos para os acionistas, principalmente os estrangeiros. Não se trata de uma “eficiência social”.

Entrega-se uma parcela dos royalties para estados e municípios, para existirem adesões cegas ao modelo completo, graças a só um artigo da lei, o dos royalties.

Colocam-se recursos do Fundo Setorial do Petróleo para professores administrarem cursos e programas sobre o petróleo com viés neoliberal, o que deixa alguns membros da academia felizes.

Quando um campo gigante for descoberto pela estatal, ele deve ser rapidamente retomado pelo órgão regulador, para fazer um mega-leilão de petróleo, com endereço conhecido, para o governo de contadores fechar as contas e para a felicidade do Império.

Depois de 20 anos de aplicação destes princípios, os mais jovens, sem possibilidade de comparação com outro modelo e com a mídia os alienando, estarão dominados.

Os poucos conscientes remanescentes, que presenciaram os benefícios do monopólio estatal para um país em desenvolvimento como o Brasil, estarão aposentados ou mortos.

Neste momento, o golpe fatal pode ser dado com a privatização da Petrobras.





47 comentários

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Carta Maior: A guinada à direita do PT, vista por Luiza Erundina - Viomundo - O que você não vê na mídia

14 de outubro de 2013 às 05h13

[…] Paulo Metri: Entreguismo se esconde sob a “neutralidade técnica” […]

Responder

Força Requião!

14 de outubro de 2013 às 01h02

Ao Bravo Senador Requião 13.10.2013 às 23:08
Caro Senador Requião: Dilma não pode ter mudado de discurso à toa entre a época das eleições e agora. Deve ter um bom motivo: é grande a probabilidade de estar sendo chantageada, como já disse alguém aqui nos comentários. Para mim, é muito provável que espionando o Ministério de Minas e Energia, os americanos possam ter descoberto algumas das muitas maracutaias que o Lobão, o Edinho, ( seu filho Lobinho) e o Fernando Sarney fazem há décadas no setor de energia e mineração do Brasil. Eles devem estar ameaçando Dilma de revelar suas descobertas através do “Fantástico” da TV Globo. Você j´pa imaginou o poder dos americanos? Com a espionagem podem chantagear não só seus aliados mas até mesmo os que não são muito aliados… Qual a outra explicação? Dilma deve ter feito um balanço de qual o seria o estrago maior: romper a sua promessa de campanha de não privatizar o pré-sal ou aguentar a turma do Sarney indócil no parlamento, ameaçando passar para a oposição se ela, atendendo às denuncias, remover a quadrilha do Sarney do MME e das agencias e estatais que ele controla. Dilma deve ter achado melhor ceder à chantagem dos gringos e fazer um joguinho de cena, mandando a SERPRO inventar um novo Outlook Made in Brazil, enquanto entrega os nossos anéis para não perder os dedos dela…Quanto aos possíveis danos à sua imagem, Dilma sabe que agindo conforme mandam os gringos, não precisará se preocupar nem com a mídia golpista nem com o PSDB que sempre foram a favor de privatizar tudo. Muito menos com Marina e Dudu Campos que estão caladinhos sobre isso. Então, como o PT virou um cartório de dizer amém ao Governo, vai sobrar só o louco do Requião protestando. E você é um só. Nunca gostei muito do seu jeito, olhando aqui de Minas, terra de gente moderada. Mas sempre admirei sua coragem para enfrentar os inimigos do Brasil e principalmente, seu apoio crítico aos governos Lula e Dilma, coisa que procuro também fazer, quando posso. E é isso que venho fazer de novo aqui no 247 nessa noite dizendo a você que não tema se o juiz federal de primeiro grau não der a liminar. Eles são assim mesmo, aí na Justiça Federal de Brasília. Só dão razão ao governo, sempre. Não entendem muito de nada da administração federal, estão entupidos de ações, não podem estudar direito cada caso. E não tem assessores suficientes. Então trabalham em consorcio com a AGU para dar sempre razão ao governo. NO TRF-1 a coisa melhora um pouco, mas não muda muito. Mas pelas evidências que vi de seu discurso há uma duas semanas, sua ação vai ter muitos pontos irrespondíveis. É clara a manipulação no texto do Edital do Leilão para favorecer os gringos e colocar em risco até nossa soberania sobre os achados que estiverem fora das 12 milhas. Por isso, recomendo que você pegue sua capa preta de advogado, tire do armário, mande passar e VÁ PESSOALMENTE FAZER A DEFESA ORAL no Tribunal. Não delegue isso aos demais advogados. Vá como Senador e como Advogado da causa, defender suas razões, as nossas razões. Leve sua própria equipe de filmagem e de gravação. Filme tudo Requião e depois divulgue pela internet aos poucos. Todos os que mexerem com esse processo, todos que defenderem interesses escusos tem que saber desde já que seu nome, sua imagem, suas palavras, seus documentos, vão estar acessíveis a milhões de pessoas do mundo inteiro. E que conforme o que fizerem, como procederem, estarão na memória das futuras gerações ao lado de Tiradentes ou de Joaquim Silvério dos reis. Se você filmar tudo e colocar na internet, em todo o Brasil, reproduziremos ações judiciais semelhantes à sua. Não esmoreça, não se intimide com a pressão da Dilma e da AGU. Eles estão sob pressão também. Lembre-se de que, se os americanos divulgarem as gravações e documentos que comprovem as maracutaias no MME, acaba a força deles sobre a Dilma. Força Requião! O Brasil está com você!

Responder

Nelson

12 de outubro de 2013 às 22h14

“A privatiação gera recursos para a sociedade.”

Só se for para a sociedade dos grandes capitalistas que assumem o controle das empresas e riquezas privatizadas, cara-pálida.

“O Brasil é tão pequeno, tão lixo.”

A grande frustração do nosso emérito comentarista que se faz conhecer pelo codinome “Pai”, é não ter nascido no território do seu amo do norte, é de ter sido parido aqui no “bananão”. Por isso, todo esse ódio contra o nosso país.

Responder

    Pai

    13 de outubro de 2013 às 02h41

    Ui.
    Gera sim retormo para a sociedade, com ativos valorizados, mais empregos e maior eficiência.
    Não é ódio nenhum à nossa amada Banânia. É como morar na Favela.. A gente se acostuma, dá risada. Mas sempre torce para conseguir morar no Leblon um dia. O Brasil é uma favela do mundo.
    Abraços de seu colega cara pálida.

Sérgio

12 de outubro de 2013 às 21h12

Eu escrevi ainda pouco que não acho os políticos em geral os maiores
privilegiados do Brasil. Me referi àqueles que são apenas políticos e não
dispõem de outras fontes de legítimos rendimentos.

Responder

Sérgio

12 de outubro de 2013 às 20h45

Qual desses candidatos que aí estão não iria entregar o petróleo e
demais riquezas brasileiras? A Dilma pode ser que ainda reconsidere, a-
final ela prometeu diante de todos nós que não faria isso. Do geito que
ela prometeu ela não apenas prometeu, ela jurou.
Acho uma piada dizerem que os políticos são os grandes favorecidos do Brasil. Os graudões mesmo não pensam em fazer política com as próprias
mãos. Eles tem coisa melhor a fazer. Ganhar muito, mais muito dinheiro
mesmo.

Responder

    Nelson

    13 de outubro de 2013 às 11h43

    Estás corretíssimo, Sérgio.

    Neste caso, sem que os isentemos de suas culpas, os políticos são usados como bois de piranhas. O aparato de propaganda do sistema – os órgãos da mídia hegemônica, em primeiro lugar – nos ensina que toda a culpa é do governo, dos políticos. Os nomes dos bois, nunca ou quase nunca são explicitados.

    Quem são os políticos?
    Quem são os governantes?
    Eles não mantêm relação alguma com a sociedade?
    Eles vieram de outro país ou de outro planeta, se candidataram, e nós os elegemos?

    Não, amigos. Os políticos surgem do nosso meio; não raro, é um colega de aula ou de trabalho ou um vizinho que acaba se candidatando e se elegendo.

    Mas, boa parte dos eleitos ou são grandes proprietários – empresários urbanos ou rurais – ou são financiados pelos mesmos para que, em sua atuação nos parlamentos e nos governos, votem em projetos ou tomem medidas sempre favoráveis ao grande capital. Em suma, é isso que o aparato de propaganda procura esconder quando usa da generalização culpando políticos e governos por tudo de ruim que esteja acontecendo.

Marat

12 de outubro de 2013 às 13h07

Lembrem-se da privatização das comunicações: PIG em êxtase, alardeava o “rolo compressor”. Sardenberg, na CBN, parecia uma donzela recém-iniciada nos auspícios do amor… Os outros pigueanos não ficavam para trás. A defesa dos neoliberais da “modernização” do Brasil era assustadora. Vejamos hoje: Sistema de comunicações caro, superfaturado de tecnologia podre vinda do exterior, Internet lenta e cara, invasões de hackers e crackers a soldo dos EEUU… Não podemos nos esquecer dos malefícios escondidos nos mantras dos privatistas/entreguistas.
Precisamos de uma esquerda DE VERDADE no Brasil. Precisamos de maioria no Congresso. Precisamos defenestrar os vendilhões, se quisermos ser um país decente!

Responder

Marat

12 de outubro de 2013 às 13h01

“Eficiência” para os “Washington-boys” é desmantelar o Estado, aos poucos ou rapidamente, sob soldo dos consulados estadunidenses!

Responder

Pai

12 de outubro de 2013 às 10h39

A privatiação gera recursos para a sociedade.
O Brasil é tão pequeno, tão lixo, que precisa ficar dependendo de uma única e mera empresa ESTATAL (ineficiente, politiqueira) para tocar TODA a sua economia.
Tomara que as previsões se concretizem e a Petrossauro seja privatizada mesmo.

Responder

Rodolfo Machado

12 de outubro de 2013 às 09h57

A realidade é outra

Do “Redecastorphoto”

http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2013/10/a-realidade-e-outra.html

Adriano Benayon
A presidente da Republica mantém a tradição de muitos predecessores, com discursos aparentemente nacionalistas, enquanto diariamente trata a soberania e o desenvolvimento do País como coisas descartáveis.
2. Ela denunciou o que foi mostrado por Assange e, depois, por Snowden e Greenwald: o governo dos EUA, suas agências e empresas apropriam-se de informações econômicas, estratégicas e até das das pessoas físicas de todos os países sem meios de impedi-lo.
3. A presidenta disse que fará proposta para estabelecer um marco civil multilateral para a governança e uso da internet, em nível mundial, visando a “efetiva proteção dos dados”. Essa proposta não tem chance alguma de ser adotada, mesmo porque os EUA não aceitam regras internacionais que se sobreponham às leis deles.
4. O jornalista Fernando Rodrigues foi ao ponto:
Dilma faria melhor se buscasse equipar o Brasil contra ataques cibernéticos. A presidente faz o oposto. Engavetou um projeto de Política Nacional de Inteligência que cria diretrizes para o Estado brasileiro se prevenir de ações de espionagem. O texto está pronto e parado, no Planalto, desde novembro de 2010.
Paulo Passarinho
5. Em ótimo artigo, “O Discurso e a Prática” Paulo Passarinho, âncora do Faixa Livre da Bandeirante, recorda ter Assange apontado que China, Inglaterra, França, Alemanha e Rússia, entre outros, têm investido pesadamente nessa área estratégica e defende que o Brasil adote sistema de criptografia de tecnologia nacional.
6. Passarinho comenta:
Mas nossa realidade está muito distante dessa possibilidade. Graça Foster, a presidenta da Petrobrás, por exemplo, declarou que a criptografia usada na empresa é de empresas americanas, porque não existem companhias brasileiras que prestem esse tipo de serviço. Snowden denunciou que a criptografia fornecida por empresas privadas norte-americanas é propositalmente falha e têm as chamadas “portas dos fundos”, para que a NSA possa driblar seus códigos e acessar os dados.
7. Pior: após o discurso no palco da ONU, Dilma dirigiu-se a executivos de 300 grandes bancos e empresas transnacionais, em seminário sobre oportunidades de investimento no Brasil, promovido pelo Goldman Sachs, banco líder da oligarquia financeira.
8.Pediu mais investimentos estrangeiros no petróleo e no programa de privatizações de portos, aeroportos, rodovias, ferrovias etc.. Deseja, inclusive, “a capacidade de gestão” dos estrangeiros.
9. Diz Passarinho:
O show de subserviência aos gringos foi total. Lembrou que “risco jurídico no Brasil não existe”, procurando destacar que “se tem um país que respeita contratos é o Brasil. E disso nos orgulhamos”. É evidente que a presidente não se referia à Constituição, diariamente desrespeitada, especialmente no que tange aos direitos fundamentais dos brasileiros, por exemplo, aos direitos sociais.
10. Faz tempo que Dilma cede aos cartéis mundiais. Consolidou a destruição do Estado, intensificada a partir de Collor, conforme o modelo imposto pelos saqueadores: o Estado desmonta suas estruturas, sucateia sua experiência administrativa e afasta seus quadros competentes.
11. Assim, diz-se que o Estado brasileiro é incapaz de fazer qualquer coisa, e então ele só faz editais para concessões dos serviços e das atividades que lhe competem, um método que custa caríssimo ao País, mas arranja dinheiro, por exemplo, para as campanhas eleitorais.
12. Seria incorreto atribuir a Dilma toda a responsabilidade pelo descalabro a que o Brasil foi empurrado, pois a coisa vem de longe. Acontece, desde janeiro de 1955, através dos favorecimentos propiciados ao capital estrangeiro.
13. Aí foi dada a partida para chegar-se à presente e avassaladora desnacionalização da economia e sua desindustrialização. Também à ascendência do poder econômico estrangeiro nas eleições e na política, envolvendo todos os poderes da República.
14. De certa forma, Dilma segue os passos de Juscelino Kubitschek, que jogou para a plateia, “rompendo com o FMI”, após entregar o mercado brasileiro, a entre outras, à indústria automotora transnacional, até hoje a maior sugadora dos brasileiros.
15. Se as atuais instituições brasileiras e os que as pilotam tivessem compromisso com a Nação, deveriam repudiar as privatizações criminosa e corruptamente realizadas, desde Collor e do notório FHC, em lugar de irem pelo mesmo caminho.
16. Esses crimes, que surripiaram da União e dos Estados patrimônios incalculáveis e avaliáveis, só no imediato, em dezenas de trilhões de reais, e ainda custaram centenas de bilhões de reais, foram “justificados” até por tribunais superiores, apesar das flagrantes ilegalidades, sob a alegação de que a receita dos leilões serviria para reduzir a dívida pública.
Paulo Metri
17. Sim, a mesma dívida que, após a Constituição de 1988, já fez a União despender mais de 11 trilhões de reais, e, ainda assim, cresce sem parar. Sim, a dívida causada pelo modelo da entrega dos mercados às empresas transnacionais.
18. Só que, durante os oito anos da gerência de FHC – auge das privatizações – a dívida mobiliária federal interna cresceu de R$ 65,6 bilhões de reais para R$ 841 bilhões (12,8 vezes).
19. No mesmo período (dezembro de 1994 a dezembro de 2002), a dívida externa foi de US$ 73,6 bilhões para US$ 212 bilhões.
20. Nos oito anos de Lula a dívida mobiliária interna federal subiu para R$ 2,3 trilhões (2,7 vezes) e chegou a R$ 2,8 trilhões após dois anos de Dilma, no final de 2012.
21. Em 2013 o déficit de conta corrente vai para US$ 90 bilhões (em 2012 foi U$ 54,2 bilhões), repetindo o filme de outras crises causadas pelas transferências das transnacionais.
Fernando Siqueira
22. Ora, no exato momento em que o País afunda sob a desnacionalização, o governo quer intensificá-la. A submissão aos diktats do poder mundial manifesta-se agora com o petróleo e obriga os que se interessam pela sobrevivência do País, a lutar para sustar o leilão do campo de Libra, marcado para 21 deste mês.

23. As reservas desse campo (estimadas em 90% do total das reservas provadas do País) dão a medida desse escandaloso leilão, mas não deveriam fazer esquecer outro deste ano, que é imperioso anular: a 13ª rodada, na qual os cartéis internacionais do petróleo adquiriram o grosso dos blocos. Nessa levramam tudo, já que o marco legal dessa rodada é a lei 9.478, da época de FHC, que os governos petistas não se interessaram em revogar.
24. Lula apenas tomou a iniciativa da Lei 12.351/2010, que instituiu regras diferentes só para o pré-sal, embora aquém do que exige o interesse nacional.
25. O Eng. Paulo Metri citou dados da ANP, de 2001, segundo os quais é 65% a média do que cabe aos países exportadores em óleo equivalente, nos contratos de partilha. Venezuela, Colômbia e Noruega exigem retorno próximo a 90%.
26. Já o Eng. Fernando Siqueira mostrou que o edital da ANP determina a partilha em função dos preços no mercado mundial e do volume da produção, não garantindo sequer o suposto mínimo de 41,65% para o País.
Graça Foster
27. Ilustrativa do absurdo do próximo leilão de Libra, foi esta resposta de Graça Foster, presidente da Petrobrás, ao jornal Valor:
Quando se fala em 30% de Libra, fico muito satisfeita. Custa R$ 4,5 bilhões. Mas a Petrobras sabe fazer, conhece cada centímetro desse poço de 6.036 metros de Libra que ela perfurou. (…) o objetivo do governo é levar recursos para educação …
28. Foster confirma o óbvio, pois a Petrobrás descobriu o campo e já extraiu óleo do pré-sal. Ora, país nenhum leiloa áreas cujo potencial de produção já é conhecido. Os 30% que cabem à Petrobrás são determinados pela Lei 12.351, operadora necessária. Assim, as estrangeiras levam petróleo sem trabalhar.
29. Confessando que o objetivo do governo é financeiro, o absurdo fica maior, pois a produção só se iniciará daqui a anos, nada gerando a curto prazo.
30. As verbas para a educação têm aumentado muito. Porém, são mal aplicadas: grande parte vai para estabelecimentos privados, a maioria dos quais vem sendo adquirida por grupos estrangeiros.
31. Além disso, não há necessidade alguma de captar os recursos do bônus (15 bilhões de dólares), uma migalha diante do serviço da dívida programado para 2014: 1,2 trilhão de reais.
32. Para melhorar as finanças públicas, basta diminuir os juros dos títulos do Tesouro. Dois pontos percentuais de redução nas taxas representam, em apenas um ano, muito mais que os 35 bilhões reais do bônus do petróleo, que é só um empréstimo oneroso: o dinheiro só entra uma vez e depois vai saindo.
33. A exploração do petróleo por companhias estrangeiras não cria elos positivos para a economia, já que elas não contratam empresas nem técnicos brasileiros para os equipamentos e serviços de exploração.
34. Não só o óleo, mas também o grosso dos ganhos vai para o exterior, o que torna pequeno o reinvestimento em capital fixo no País, que perde também a oportunidade de desenvolver mais tecnologia na área.
35. A abundância de divisas com a exportação dá enorme poder financeiro às companhias exploradoras, incrementando ainda mais fator a desnacionalização e a desindustrialização do País. A valorização da taxa de câmbio incentiva as importações de maior valor agregado Tudo isso significa subdesenvolvimento programado.
36.
37. Poucos parlamentares tomaram iniciativas contrárias ao leilão de Libra: projeto de decreto-legislativo do senador Requião e mais três; ação popular de parlamentares do PSOL e senador Pedro Simon. Mais de 80 organizações protocolizaram carta no Palácio do Planalto pedindo sustar o leilão. Movimentos sociais acamparam em frente à Petrobrás.

http://www.youtube.com/watch?v=uUSaMZrUxSk&feature=player_embedded#t=0

38. Tudo isso é louvável, mas é pouco. Para ter algum resultado, os poderes da República teriam de perceber forte pressão de massa, suficiente para equilibrar as pressões que sofrem permanentemente dos interesses antinacionais.
____________________________________

[*]Adriano Benayon:Consultor em finanças e em biomassa. Doutor em Economia, pela Universidade de Hamburgo, Bacharel em Direito, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Diplomado no Curso de Altos Estudos do Instituto Rio Branco, Itamaraty. Diplomata de carreira, postos na Holanda, Paraguai, Bulgária, Alemanha, Estados Unidos e México. Delegado do Brasil em reuniões multilaterais nas áreas econômica e tecnológica. Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal na área de economia. Professor da Universidade de Brasília (Empresas Multinacionais; Sistema Financeiro Internacional; Estado e Desenvolvimento no Brasil). Autor de Globalização versus Desenvolvimento, 2ª ed. Editora Escrituras, São Paulo.

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O domínio do Congresso pelo poder econômico - Viomundo - O que você não vê na mídia

12 de outubro de 2013 às 07h17

[…] Paulo Metri: O entreguismo se esconde sob a “neutralidade técnica” […]

Responder

Antonio Victor

12 de outubro de 2013 às 02h53

Este tipo de acusação baixa, leviana e injusta, rebaixa a opinião de quem a faz, convertendo-as à condição de politicagem, senão jogando suspeitas piores. O leilão tem defensores com MUITO mais credibilidade e história na defesa do Brasil, do que o sr. que assina o artigo.

Responder

Viktor

11 de outubro de 2013 às 21h50

Dilma está destruindo a Petrobras.

Dilma é privatista e entreguista.

Dilma tem vocação neoliberal.

Dilma trava o crescimento econômico do Brasil (pibinho).

Dilma adota política econômica que provoca:
– alta do Dólar e da inflação;
– aumenta déficit na balança comercial;
– reduz nossas reservas cambiais;

Dilma está acabando com o legado de Lula.

Dilma não tem projeto para o Brasil. Ela tem projeto de poder junto com o PMDB.

Volta Lula ou voto em Eduardo Campos

Responder

Darci

11 de outubro de 2013 às 20h21

Quanta tolice. Deus do céu. O PT nao fez nenhuma revolução. Nao tem maioria no Congresso, sua base de apoio tem limitações. Se o Executivo fizer o que os petista gostariam a base de apoio retira esse “apoio”. E é o Congrsso que passara a aprovar as leis q bem entender. O governo conhece a correlação de forças. O Poder mesmo esta nas sombras.

Responder

J Souza

11 de outubro de 2013 às 19h42

Tudo ocorrendo exatamente como os banqueiros previram.
Para financiar a expansão do consumo e seus programas populistas, para iludir o povo, o governo abriu mão do planejamento e da prudência nos gastos públicos.
Agora, o governo vai “conceder” os bens públicos, numa tentativa desesperada de ter algum superávit primário para pagar os banqueiros!
Só para este ano: pré-sal, rodovias, ferrovias, portos e aeroportos!
O controle vai passar do governo para as multinacionais estrangeiras, que remeterão os lucros para o exterior, gerando mais déficit em conta corrente, e maior vulnerabilidade, perpetuando o ciclo de escravidão.
Já vimos esse filme antes…

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    J Souza

    11 de outubro de 2013 às 19h53

    Ou seja…
    O lucro do petróleo… Vai para o exterior!
    O lucro dos aeroportos… Vai para o exterior!
    O lucro das rodovias… Vai para o exterior!
    O lucro dos portos… Vai para o exterior!

    Assim como…
    O lucro da telefonia… Já vai para o exterior!
    O lucro da energia… Já vai para o exterior!
    O lucro da mineração… Já vai para o exterior!

    Viva os juros!

m.a.p

11 de outubro de 2013 às 18h35

Prezado jornalista
As vezes acho que esses nacionalistas de fachada o que querem realmente e preservar as reservas de petróleo para serem privatizadas num próximo governo tucanóide.
Dilma sabe que para preservar é necessário primeiro ganhar as eleições.

Responder

Rafael

11 de outubro de 2013 às 18h29

Vou dizer do que eu discordo nesse texto: A Petrobras a muito tempo não é 100% estatal. Como seria para aplicar o sistema de monopólio???? Como tornar a Petrobras 100% estatal porque se não for assim estamos discutindo se 6 é a mesma coisa que meia duzia.

Responder

João Vargas

11 de outubro de 2013 às 17h54

“elite que tem carro”…isto era no tempo do FHC.

Responder

LEANDRO

11 de outubro de 2013 às 17h52

E vc acha que o preço do combustível só afeta quem tem carro? E a matéria é sobre entreguemos que foi a bandeira que elegeu Dilma.

Responder

J Souza

11 de outubro de 2013 às 17h52

E por que cortar serviços públicos ou precarizá-los? Por que “conceder” bens públicos?
Para não retirar os privilégios dos 56.810 vereadores, dos 1059 deputados estaduais, de seus milhares de assessores e de mais todo o pessoal de Brasília!
Ou seja, tanta “economia” para sustentar políticos que não fazem nada e pagar juros de uma dívida pública eterna.
Serviços de qualidade, que é bom, nada!
Preferem a politicagem, os programas eleitoreiros!
Por isso o povo foi às ruas… Mas os políticos fingiram que não foi por causa deles…
E, se o funcionalismo público não abrir os olhos, vai ser um dos primeiros a pagar mais pela conta!

Responder

Fabio NS

11 de outubro de 2013 às 17h49

Nossa! Parece que isso está se tornando um vício de comportamento!

O governo também alega “neutralidade” entre ruralistas e indígenas. Ou seja, se posiciona de forma “independente” entre opressores e oprimidos (o que, no fim, redunda em apoio aos primeiros).

O coração do velho PT ainda bate, mas parece ter sofrido morte cerebral.

Responder

Jayme Vasconcellos Soares

11 de outubro de 2013 às 17h04

Votar em Dilma, nas eleições de 2014, é aprovar o Projeto neoliberal de entrega de nosso petróleo à empresas multinacionais: é privatizar a Petrobrás, adotando o modelo da direita neoliberal, e de Fernando Henrique Cardoso; é favorecer uma elite brasileira entreguista, que vive de migalhas do capital estrangeiro; é surrupiar, dos brasileiros, a sua mais importante fonte de energia na atualidade, em uma atitude covarde e subserviente aos interesses capitalistas endo e exógenos. Precisamos de um Presidente da nossa República do Brasil que vista a camisa dos cidadãos brasileiros! Ainda acredito em Lula, mas execro a Presidenta Dilma, que está privatizando todos os setores de nossa economia, e roubando o direito de gerações futuras de nossa Nação, com concessões e licitações ad eternum, para capitais alienígenas, que não têm nenhum comprometimento com o desenvolvimento socioeconômico de nosso País.

Responder

Valmont

11 de outubro de 2013 às 16h00

Admiro a veemência de Paulo Metri. Alguns dos seus argumentos me parecem bastante convincentes. Mas nem todos. Em alguns pontos, percebo claros exageros e descolamento da realidade.

A desinformação gera confusão. Creio que o governo deveria se empenhar em desfazer certas obscuridades, embora saiba que nem todos os fatores possam ser publicizados, em um negócio dessa monta.

Não tenho dúvida de que, por mais informado que se considere o autor do texto, há informações estratégicas que não estão ao seu alcance e que são absolutamente decisivas para fundamentar a decisão do governo e da direção da Petrobrás. Afinal, o planejamento estratégico da maior empresa do Brasil não é algo tão simples que se possa esmiuçar em um artigo.

Haroldo Lima (Diretor Geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e membro do Comitê Central do PCdoB) se manifestou com as seguintes palavras, reproduzidas pelo portal Vermelho:

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=226532&id_secao=1

Haroldo Lima: O interesse nacional e o leilão de Libra

Cinco das maiores petroleiras do mundo decidiram não participar do leilão de Libra. Na história desses leilões, isto não é novidade. Na 6ª Rodada da ANP, em 2004, quando importantes blocos foram licitados, também as grandes multinacionais do petróleo não compareceram.

Por ocasião da 6ª Rodada, quando iam a leilão os “blocos azuis”, os de maior potencial até então leiloados, surgiu a “informação” de que o leilão visava “entregar” às multinacionais do petróleo, a “preço de banana”, os valorizados blocos. Findo o leilão, verificou-se que a Petrobras, sozinha ou com sócios, ficou com 94% dos blocos localizados no mar, onde estavam todos os “azuis”. E que as multinacionais do petróleo, a quem supostamente esses blocos seriam “doados”, nem apareceram no leilão, exceto uma, que disputou três blocos, em sociedade com a Petrobras. As grandes petroleiras demonstram não tomar conhecimento das fantasias que lhes anunciam “doações” de imensas riquezas petrolíferas.

Agora, a Nação aguarda para 21 de outubro próximo o primeiro leilão na província do pré-sal, após a mudança do marco regulatório. Tudo está pronto, até porque sete anos já se passaram da descoberta do pré-sal…

Eis que a mesma fantasia que apareceu antes da 6ª Rodada, a da “doação” às multinacionais de campos de petróleo, e que foi rotundamente desmentida pelos fatos, reaparece, escondendo uma posição conservadora, imobilista e medrosa. China, Índia, Noruega, Canadá, Cuba, Angola e tantos outros países articulam-se com quem quer que seja para impulsionar seus desenvolvimentos. Empregam regulação que preserva suas soberanias e seus projetos nacionais. E nós, que para muitos países somos modelo de regulação, não podemos fazer o mesmo? Até a pérfida espionagem perpetrada pelo EUA no Brasil é aproveitada com o mesmo fito protelatório, imobilista. “Dados podem ter sido descobertos”, então, suspenda-se o leilão! Mas, que dados, se eles são públicos? E se a existência de espionagem, por si só, leva à suspensão de um leilão, e se a espionagem vai continuar, como previu o chanceler brasileiro Luiz Roberto Figueiredo, então, nunca mais tocaremos no pré-sal.

O exame minucioso do edital e do contrato, relativos ao leilão de Libra, revelam que foram elaborados com uma preocupação central – resguardar o interesse nacional. Esse interesse não exclui espaços para atrair o empreendedor privado, tanto que grandes empresas estão inscritas e vão participar do certame. Se outras lá não estão, não é por ausência de atratividade do leilão, nem porque o mesmo estaria sofrendo ingerência demasiada do Estado brasileiro. É porque as decisões dessas grandes empresas são individualizadas e dependem de oportunidades e conveniências analisadas à luz de dados globais.

Em Libra, o interesse nacional começou a ser resguardado quando o então presidente Lula convocou uma reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em 8 de novembro de 2007, para examinar o que fazer com o pré-sal recém-descoberto. Aí se constatou que 41 blocos, situados na área da descoberta, estavam na relação da IX Rodada de Licitações, que ocorreria em 19 dias. Quem os arrematasse, iria explorá-los com contratos de concessão. Como não se sabia ainda o que seria feito naquela área, decidiu-se, por proposta da ANP, retirar todos esses blocos da lista da IX Rodada. Na continuidade, introduziu-se, em lei, para aquela região e eventuais congêneres, o sistema de partilha da produção, em geral usado, mundo afora, em áreas altamente prolíferas.

Na partilha, paga-se o custo da extração do óleo e os royalties com parte do petróleo extraído. O excedente é para ser partilhado entre a empresa ou consórcio contratado e a União. Quem se comprometer em dar a maior parcela desse excedente à União ganha o leilão, sendo que o mínimo que pode ser aceito, segundo o edital, é 41,65%. No formato proposto, serão grandes as vantagens para o Brasil. Quatro se destacam.

Se o consórcio vencedor não der à União nada além do mínimo exigido, a participação pública no óleo ficará em 75%, segundo estudo da ANP, divulgado em reunião da CPI da Espionagem, no Senado; se a parcela do excedente chegar a 50%, a participação pública irá a 80%, das maiores do mundo. Hoje, para os campos maiores, essa participação não chega a 60%, oscila em torno de 52% para os demais.

Em segundo lugar, a Petrobras será a operadora do campo, a empresa que acumulará todo o conhecimento da atividade exploratória e produtiva da área, e terá também, por força de lei, 30% do consórcio vencedor, qualquer que seja ele.

Depois, uma empresa 100% estatal, a Pré-Sal Petróleo S.A., a PPSA, será criada para representar o governo federal na gestão do contrato, com voto de minerva e poder de veto.

Finalmente, uma política de conteúdo local será aplicada, bem como outra de pesquisa e desenvolvimento, favorecendo a indústria nacional e ao avanço da ciência e tecnologia entre nós.”

—- fim da transcrição.

Devo dizer que acompanho a vida pública de Haroldo Lima de longas datas, sob a bandeira do PCdoB. Ele é um nacionalista como poucos que conheço.

Mas a desunião da esquerda é proverbial. Dispensa comentários.

Responder

Pedro

11 de outubro de 2013 às 15h38

E o Brasil mais uma vez dando de mão beijada as suas riquezas aos gringos…

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lulipe

11 de outubro de 2013 às 15h36

Quem mandou acreditar em lula e no PT….

Responder

    von Narr

    11 de outubro de 2013 às 16h56

    Se a única diferença que há entre PT e PSDB é que resta pequena parte do PT que ainda é de esquerda, e que será libertada se um tucano virar presidente, então não se deve apoiar a eleição de Aécio ou Serra?

M D

11 de outubro de 2013 às 14h56

Vejo muitos comentários aqui que parecem o livro do lobão; “Manifesto do nada…”

Responder

Julio Silveira

11 de outubro de 2013 às 12h35

Aqui no Brasil vivemos uma coisa interessante, durante muito tempo nos comportamos como satélites americanos. Apesar de sermos um país soberano nos comportamos como se fossemos uma filial e lá a nossa matriz. E em diversos assuntos inclusive nos da politica. Grupos que dominaram a politica nacional foram aprendizes na praticas de intimidação deles, seguindo as orientações emanadas pelo líder, eles. Nossos líderes deram preferencia as orientações vinda de lá sem se preocuparem com o sentimento do próprio povo, o que demonstrou a quem prestavam obediência. De uma certa forma isso ficou, e até hoje age no inconsciente coletivo da nação, como um vicio, que tem nos impedido de seguirmos caminhos independentes, ainda que houvesse melhores escolhas a serem feitas para a consolidação de nosso status de nação soberana e dos nossos próprios interesses.
Tenho visto com irritação como muitas vezes somos impedidos de tomarmos decisões importantes por termos que observar essa aparente anuência vinda do norte, esse consenso vindo de Washington, como se não fossemos suficientemente maduros para saber o que seria melhor para nós mesmos. Muitos com poder na Republica fazem questão de manter isso sabe-se lá por que causas e interesses, mas com certeza não são os da cidadania brasileira. Vejo revoltado arrastarem-se processos que nos dariam maior segurança por que estamos aferrados a comportamentos ditados pelos países viciados que induzem essa conduta servil. E para evitarmos a máxima que diz “quanto mais se abaixam mais o fiofó aparece” urge aceleramos nosso processo de libertação das amarras para sermos encarados com o respeito que merecemos, pelo menos a cidadania que exibe e exige o respeito por ser brasileiro.

Responder

J Souza

11 de outubro de 2013 às 12h11

O governo é escravo dos credores da dívida pública, meu caro. O resto é história…

Responder

Jacó Albuquerque

11 de outubro de 2013 às 12h06

S O S. U R G E N T E
Alguém tem que ensinar
para nossa Presidenta qual a função do farmacêutico. Ela fez o papel de terrorismo a uma profissão milenar, quando vetou o artigo que especificava que apenas o farmacêutico tem o direito a responsabilidade técnica de farmácias e drogarias.
Como podemos falar em SAUDE BASICA se o governo não respeita o que é básico para uma profissão que é o único profissional do medicamento.

Responder

Guanabara

11 de outubro de 2013 às 11h55

Minha pergunta é: por quê? Quais motivos levam Dilma a fazer isso? A extrema direita raivosa diz que o PT vendeu o Brasil, ao mesmo tempo em que dizem “volta FHC” (é isso que ouço no meu ambiente de trabalho, para se ter uma noção de até que ponto fica a alienção e falta de raciocínio de boa parcela do eleitorado brasileiro), ou seja, no raciocínio (?) deles, os membros do PT ganham dinheiro para fazer isso.

Eu já acho, no caso do petróleo, que seria algo muito de “bastidores”. Pressões externas na base do “ou me dá de graça ou eu tomo na marra”, daí, uma opção por entregar pra evitar possíveis conflitos (ou bélicos ou econômicos).

No caso dos aeroportos e demais áreas de “concessão”, deveria haver um contraponto. “Eu entrego nosso setor aéreo e vocês nos permitem XXX ou YYY”, mas eu não vejo esses XXX ou YYY.

Então, por que vou querer Dilma como presidente? Não quero Serra, Alckmin, Aécio ou qualquer outro que irá aprofundar isso que Dilma está fazendo.

O povão mal sabe o que é leilão de petróleo. Esse assunto não os atinge no momento da escolha de seu candidato. Logo, a pressão popular para mudar isso está bem domada.

E é daí que eu digo que não entendo. Por que Dilma faz isso?

Como pode ser visto no documentário “A revolução não será televisionada”, Hugo Chavez buscou ensinar à população os seus direitos, como ler a constituição de seu país, em suma, desaliena-los do processo político. Aqui, o país com o tamanho que tem, parece que há medo. Nenhum governo parte para um confronto a essas práticas maléficas à nossa sociedade. Somos quase 200 milhões de habitantes, e a impressão que tenho é a de que somos ensinados de que devemos nos orgulhar dos outros. Assumir uma certa incompetência generalizada, de que devemos deixar nossas riquezas nas mãos alheias pois não saberemos como lidar com elas.

Quando da primeira eleição de Lula, boa parte de seus votos veio de um “basta” dessas práticas, após todo entreguismo de Collor e FHC. Daí, elege-se Dilma, que diz que vai usar o dinheiro do pré-sal em educação e infra-estrutura e, agora, muda o discurso? Repete FHC, mesmo que em menor grau, mas age mais como PSDB do que como PT? Como assim? Por que faz isso? Por que não vem a público dizer os motivos? (Dizer forças ocultas, como Jânio, não vale. Dê nome aos bois, Dilma! Diga, por que você está entregando as riquezas nacionais a grupos privados estrangeiros!).

Responder

    M D

    11 de outubro de 2013 às 14h37

    Guanabara,

    essa questão do petróleo do pré-sal é mesmo polêmica, mas não quer dizer que esse leilão é entreguista.Muitas pessoas veem essa questão meramente do ponto de vista econômico, e esquecem da questão política e estratégica.
    Tenho lido muito a esse respeito no blog do Fernando Brito, inclusive assisti a um debate dele com o Ildo Sauer e gosto muito das opiniões do Fernando. Quanto ao que você falou da Dilma esclarecer o que está acontecendo , não acho isso viável, justamente porque tem muita coisa em jogo. O modelo pelo qual vai ser feito o leilão interessa pouco às empresas que estão mais interessadas no lucro.Ma s interessam a quem está mais preocupado com abastecimento, como os chineses.
    O Fernando tem vários textos a esse respeito em seu blog, dá uma olhada:

    http://tijolaco.com.br/index.php/ilusoes-perigosas-sobre-o-campo-de-libra/

    Confesso que ainda não tenho uma opinião formada sobre a melhor escolha. O que posso dizer é que quero o melhor para o País. Só que nem sempre o mais óbvio é o melhor. Talvez o fator econômico não deva ser o único a ser levado em consideração, e talvez nem o mais importante .Eu me refiro a questões políticas, não as internas, mas as externas, a geopolítica. Não preciso detalhar, nem saberia, o rastro histórico de destruição das guerras por causa do ouro negro. Quando o Brasil descobriu o pré-sal, uma das coisas que me chamaram a atenção foi a reativação e o deslocamento da quarta frota naval americana para o Atlântico Sul. Neste contexto, e com os últimos acontecimentos político-diplomáticos envolvendo Brasil e EUA, uma parceria com os chineses garantindo-lhes fornecimento de petróleo a médio prazo, já que o interesse deles é menos econômico e mais estratégico, de abastecimento, seria uma situação bem interessante de garantia das nossas salvaguardas . Os interesses chineses também teriam que ser defendidos. Acabaria,indiretamente, atendendo aos nossos interesses econômicos.Porque sairia mais barato do que se tivéssemos que enfrentar uma guerra , sozinhos, ou fazer um investimento fabuloso em defesa. Para nós fazermos um juízo melhor sobre o tema , seria melhor conhecermos todos os detalhes, mas aí comprometeria a questão estratégica.
    Os EUA não tem amigos, mas interesses, e eles tem uma longa folha corrida de intervenção em países subdesenvolvidos para defenderem seus interesses econômicos, de petróleo e etc,promovendo o subdesenvolvimento nesses países para manterem a depend~encia econômica.
    É só ler o livro “Confissões de um Assassino Econômico” do John Perkins e a matéria da Carta Maior sobre a recente espionagem no Ministério das Minas e Energia:

    http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=1336

    emerson57

    11 de outubro de 2013 às 18h27

    “mas não quer dizer que esse leilão é entreguista.”
    PODE !
    eu já passei dos 60. não acredito (infelizmente) em papai noel.
    junto com a idade adquiri algumas certezas:
    esse leilão do campo de libra é a entrega da soberania nacional.
    fegace queria acabar com a era vargas. com a ajuda da dilma vai conseguir.
    o Fernando brito é a favor porque teme que o çerra seja eleito e dê o pré sal de graça. ele prefere o mal menor.
    suspeitíssimo é o fegace ter emplacado seu ministro das minas e energia Edison lobão como ministro da dilma e no mesmo cargo!
    esse leilão me tira a esperança de um brasil menos cucaracha.
    não foi para isso que eu votei na dilma.
    PS. seria importante ouvir a opinião de lula sobre esse leilão.

1 One

11 de outubro de 2013 às 11h43

Assinado. Não há nada diferente disso.
O Estado está a serviço dos malandros faz tempos, ou séculos.

Responder

francisco.latorre

11 de outubro de 2013 às 11h15

nóia.

..

Responder

augusto2

11 de outubro de 2013 às 10h01

o nacionalista metri é muito interessante.
pena que é nota 1 em politica e # 0,00 em dinamica politica de uma sociedade.
mas defenderei até a morte o seu direito de dize-lo.
E o meu.

Responder

Luis Medina

11 de outubro de 2013 às 09h46

Magistral o seu post.

Responder

Matheus

11 de outubro de 2013 às 09h38

Só não vê quem não quer. Dilma é a FHC de saias.

Responder

alfredo de pádua

11 de outubro de 2013 às 09h27

Com medo das urnas, bancadas do PT e do PMDB tomam tempo dos partidos na tevê
Simon e Rollemberg denunciam o golpismo de Renan: projeto não passou nas comissões
Com a colaboração do PSDB, as bancadas do PT e PMDB votaram no Senado a redução do tempo de TV da maioria dos partidos. Que tenham chegado ao ponto em que, para fugir ao julgamento dos eleitores, não basta ter uma vastíssima maioria do tempo de TV, mas é preciso subtrair o pouco tempo dos outros para calá-los, só mostra a fragilidade a que chegaram com a política de entregar o país a monopólios financeiros multinacionais. O entreguismo conduz sempre ao fascismo.

Responder

Mardones

11 de outubro de 2013 às 09h04

O tecnicismo da equipe da Dilma pode deixar o país nas mãos das privadas. O que hoje acontece com a Vale e com a telefonia – produtos dos desmandos do FHC e sua trupe – pode vir a acontecer nos portos, aeroportos e no setor do petróleo por obra da Dilma. Ela ainda terá mais quatro anos para tocar seus critérios técnicos. Mais quatro anos de acumulação de lucros para as privadas, agora com o rótulo de concessão. Os benefícios para a sociedade são muitos parecidos com os das privatizações do FHC. O pior é que não há alternativas, pois a esquerda calou-se ou migrou para a centro direita. E a direita ou extrema direita jamais serão apostas para um Brasil mais justo.

Responder

LEANDRO

11 de outubro de 2013 às 08h59

Perfeito. Essa é exatamente a estratégia deste governo. Privatização com outro rótulo..”concessão”.

Responder

    jaime

    11 de outubro de 2013 às 10h00

    Exatamente, Leandro. Ao final do prazo o poço será devolvido (vazio, mas isso é só um detalhe).

Diogo Romero

11 de outubro de 2013 às 08h44

Leia.

Responder

Murdok

11 de outubro de 2013 às 06h48

Bom, quer dizer, a Miriam Leitão já ta fazendo o papel dela.

Responder

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