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Diário da Resistência


Paulo Filho: “Não achavam algemas para meus pulsos de recém-nascido”
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Paulo Filho: “Não achavam algemas para meus pulsos de recém-nascido”


07/05/2013 - 10h38

por Conceição Lemes

De ontem até sexta-feira, 6 a 10 de maio, a Comissão da Verdade de São Paulo “Rubens Paiva” realizará, na Assembleia Legislativa de São Paulo, o seminário  Verdade e infância roubada.

Nesses dias, ela coletará cerca de 50 depoimentos de filhos de ex-presos políticos, mortos, desaparecidos e sobreviventes da ditadura militar (1964-1985).

Sequestrados e escondidos nos centros clandestinos de repressão, eles sofreram tortura física e psicológica, foram enquadrados como “subversivos” pela repressão e obrigados a viver com parentes distantes, com nomes e sobrenomes falsos.

Levados aos cárceres da ditadura, foram confrontados com seus pais, nus, machucados, recém-saídos do pau-de-arara ou da cadeira do dragão. Foram encapuzados, intimidados, torturados.

Alguns nasceram em prisões e cativeiros, como Paulo Fonteles Filho, que deu seu depoimento nessa segunda-feira à Comissão da Verdade. Ele é filho do advogado Paulo Fonteles, preso e torturado em Brasília em 1972 junto com sua esposa, Helcídia Fonteles, na época grávida. Paulo Filho nasceu na cadeia.

“Devido à sua luta junto aos camponeses do Araguaia, seu pai foi assassinado pela UDR [União Democrática Ruralista] durante os trabalhos da Constituinte, em 1987 ”, afirma Marcelo Zelic, vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP. “Há vários anos Paulo Filho  participa do Grupo de Trabalho Araguaia e busca, além dos corpos dos guerrilheiros desaparecidos, a verdade sofrida pelas pessoas que viviam e vivem na região.”

Nesta terça-feira à 20h, o Grupo Tortura Nunca Mais-SP lança o documentário Araguaia: campo sagrado, de Paulo Filho e direção de Evandro Medeiros. Traz depoimentos contundentes de camponeses, ex-mateiros e ex-soldados que viveram a guerra realizada no Araguaia nos anos 70.

O Grupo convida quem está em São Paulo para assistir ao documentário na sua sede,  à rua Frei Caneca, 986. Após a exibição, haverá debate com o autor.

A convite do Grupo Tortura Nunca Mais-SP e do Comitê Paraense pela Verdade, Memória e Justiça, o Viomundo  lança simultaneamente, aqui no site, a íntegra do documentário.

Paulo Fonteles Filho: "Os agentes da repressão atrasaram minha entrega para a família, por horas, porque simplesmente não haviam encontrado algemas que dessem em meus pulsos de recém-nascido"

Segue o depoimento de Paulo Fonteles Filho à Comissão da Verdade de São Paulo “Rubens Paiva”:

Senhor Presidente, Deputado Adriano Diogo,

Senhoras e Senhores,

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a oportunidade, histórica, de participar deste importante evento da Comissão da Verdade “Rubens Paiva” de São Paulo que lança luz sobre as brutalidades e violências perpetradas pelos lobos febrentos que assaltaram o poder em 1964 e que, seguramente, também elegeram a infância como inimiga da segurança nacional e dos generais facínoras, responsáveis pela tortura, assassinatos e desaparecimentos forçados.

Em segundo lugar, registro um abraço afetuoso, aos que, como eu, conheceram todo o barbarismo dos verdugos e aqui rendo minhas homenagens à memória de meu pai, Paulo Fonteles, advogado de posseiros no Sul do Pará, assassinado pelo latifúndio em 1987 e a minha mãe, Hecilda Veiga, a pessoa mais íntegra que conheço nesta vida e que, com o destemor de ter me feito nascer, em meio ao Pelotão de Investigações Criminais, em fevereiro de 1972, revelou inexorável bravura ao ponto de um agente da repressão política, dentro da Polícia Federal, cunhar a frase: “Filho dessa raça não deve nascer”,

Em Segunda Anunciação, poema escrito anos depois dos cárceres, meu pai denunciava o discurso e a prática do tirano:

“Teu filho
teu filho
teu filho
não nascerá.
Teu filho
filho dessa raça
filho dessa raça
não deve nascer.
Não deve nascer
não deve nascer.
Filho dessa raça
não deve nascer.
Teu filho
filho dessa raça
filho dessa raça
não deve nascer
não deve nascer”.

Aqui, antes de mais nada, devo por convicção e altiva consciência, denunciar locais e os verdugos que atuaram severamente para por fim em nossas vidas, seja no Pelotão de Investigações Criminais da Polícia do Exército, e no DOI-CODI instalado dentro do próprio Ministério do Exército, em Brasília, seja no Rio de Janeiro, no Centro Científico de Torturas, na terrível Barão de Mesquita, também da Polícia do Exército. Meus pais também ficaram presos em Belém, na Gaspar Viana, onde meu irmão Ronaldo foi gerado, e no antigo Presídio São José. Nesta fase eu já havia nascido, portanto, estava em segurança familiar.

Mas vamos aos torturadores, e como ensina Wadih Damous, Presidente da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, recém-instalada, em discurso na Assembleia Legislativa do Estado do Pará quando da devolução simbólica dos mandatos em março deste ano de 2013, dentre eles do ex-governador Aurélio do Carmo, único vivo entre os governadores cassados em 1964 que, “os torturadores têm medo da luz do sol”.

Aqui haveremos de colocar holofotes sobre as bestas-feras!

Segundo denúncia de meus pais, publicada no Jornal Resistência, da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, no final da década de 1970, fomos seviciados e torturados pelo general Antônio Bandeira, coronel Azambuja, major Paulo Horta, major Andrade Neto, major Othon Rego Monteiro, capitão Magalhães, capitão Menezes, “doutor” Cláudio, o delegado da Polícia Federal Deusdeth, tenente Burger, o sargento Vasconcelos, o sargento Arthur, o sargento Ribeiro, o cabo Edson Torrezan, o cabo Jamiro ou Jamito, o cabo Nazareno, o cabo Martins, o cabo Calegari, e os soldados Ismael, Almir, Osmael e Admir.

Estes famigerados, especialistas na Santa Inquisição e que diziam que os métodos da Gestapo estavam ultrapassados, atuaram para liquidar-nos, tanto em Brasília como no Rio de Janeiro. Numa das passagens do depoimento ao Resistência, meu pai denunciava que, “através de um vidro, mostravam-me a Hecilda, apanhando no rosto e nas pernas, grávida de cinco meses”.

No dia de meu nascimento, em 20 de fevereiro de 1972, minha mãe asseverou ao insurgente jornal dos paraenses que:

“(…) levaram-me ao Hospital da Guarnição em Brasília, onde fiquei até o nascimento do Paulo. Nesse dia, para apressar as coisas, o médico, irritadíssimo, induziu o parto e fez o corte sem anestesia. Foi uma experiência muito difícil, mas fiquei firme e não chorei (…)”.

Minha mãe, Hecilda, afirma ainda que o tal médico disse-lhe que ela não gostava do filho, simplesmente porque não sofria. Minha mãe, que peitou o general Bandeira, ia dar o braço a torcer? Nunca, jamais.

Uma das lembranças mais antigas que tenho sobre mim mesmo está no fato de ter nascido na prisão e de ser filho de comunistas. Minha avó, Cordolina Fonteles de Lima, contava que os agentes da repressão atrasaram minha entrega para a família, por horas, porque simplesmente não haviam encontrado algemas que dessem em meus pulsos de recém-nascido, eles deviam me achar bastante perigoso!

No curso dos anos tenho refletido sobre tais atos de “terrorismo”, numa pérfida lei de um dos ideólogos mais importantes daqueles tempos sinistros, o coronel Jarbas Gonçalves Passarinho, que definha como o pústula que é e parece estar bem próximo do Satanás.

Não tenho dúvidas que herdamos de nossos pais, seus destemores e convicções. A canção de Belchior, cantada pela mais bela voz feminina em todos os tempos de civilização brasileira, a de Elis Regina, está prenhe de verdade quando afirma que “ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”. Neste caso, Paulo e Hecilda, por seus valores fraternais devem sempre ser seguidos pelos filhos, o que nos dá a régua e o compasso.

Se este é meu depoimento, vou falar de um tempo em que, menino, testemunhei a retomada de meus pais na luta do povo, meu pai no campo e minha mãe na cidade. Poderiam ter se acomodado, poderiam ter cuidado de suas próprias vidas, o que seria justo diante das memórias do cárcere. Mas não, retomaram às posições de combate!

E ali estávamos nós, crescendo como crescem as árvores. As histórias da carochinha contadas eram sempre de guerrilheiras tartaruguinhas contra um jacaré de fardas que viviam no Araguaia.

Foi por aqueles tempos em que meu pai, formado em direito, resolveu advogar para a Comissão Pastoral da Terra (CPT) na região do Araguaia. Muito de sua decisão têm as digitais na luta guerrilheira do Araguaia e o fato de ter travado conhecimento com os primeiros presos da insurgência nas matas paraenses, dentre eles estava José Genoíno Neto. Outro fator importante para se destinar à defesa dos posseiros foi o incentivo que teve do poeta e intelectual Ruy Paranatinga Barata no conflito da Fazenda Capaz, em 1977, de propriedade do coronel estadunidense John Davis.

Debruçado na defesa dos camponeses pobres e procurando reunir informações sobre a heroica luta rebelde araguaiana, meu pai, Paulo Fonteles, mais uma vez passou a sofrer a carga da reação, de famigerados como o Major Curió, do Centro de Inteligência do Exército (CIE) e do grande latifúndio, aliados incontestes na espoliação da Amazônia, sempre em benefício dos poderosos, sejam eles nacionais ou estrangeiros.

Moramos em Conceição do Araguaia e tínhamos o imenso rio dos karajá em nosso quintal. Por aqueles dias já convivíamos com os lavradores e os filhos destes, como é o caso dos filhos de Amaro Lins e de Neuza, Vladimir, Carlos e Mauricio, além de Helenira, amigos para todo o sempre.

Por conta de uma atuação radicalmente vinculada à luta dos lavradores conheceu, mais uma vez, as ameaças contra sua própria vida e a vileza dos donos do poder de então. Foi eleito deputado estadual em 1982 sob a consigna de “Terra, Trabalho, Liberdade e Independência Nacional”.

Derrotado nas urnas em 1986, não conseguiu êxito na campanha para a Assembleia Nacional Constituinte e, menos de um ano depois, foi assassinado à mando da União Democrática Ruralista (UDR), quando se votava o Capítulo da Terra. O intermediário de tamanha covardia foi James Sylvio de Vita Lopes, da OBAN e do SNI, que, nos auspícios do regime moribundo, foi organizar milícias da grande propriedade rural na Amazônia.

Naqueles dias eu tinha 15 anos e para não enlouquecer decidi ingressar nas fileiras do Partido Comunista do Brasil. Era minha saída e a forma de me organizar para enfrentar o futuro.

Quando, enfim, tivemos a notícia do falecimento de Carlos Alexandre Azevedo é que muita coisa veio à tona e meus sentimentos se voltaram para minha própria história. Em artigo escrito numa longa e dura madrugada asseverei: “Mas o que fazer diante destes testemunhos, de tua segunda morte?

Sinto amigo, que em tempos de Comissão Nacional da Verdade (CNV) devemos cobrar que estejam embutidos, no relatório que será apresentado aos brasileiros em maio de 2014, os acontecimentos criminosos que foram perpetrados, por questões políticas, contra a infância deste imenso país dos trópicos.

Tua segunda morte carrega o legado de que, mais do que nunca, devemos cuidar da tenra idade contra os infanticidas, dos de ontem como, também, na atualidade.

Com ousadia, sem procuração alguma, a não ser pela memória da carne violada, tomamos para nós, por tais testemunhos, a exigência de que quem nos torturou, no ventre ou fora dele, responda pelos crimes de inexorável covardia, contra aqueles que devem ser protegidos desde a fecundação.

Assim cumprimos com a civilizatória missão de proteger os filhos do povo brasileiro”.

Neste sentido é preciso que as Comissões de Verdade façam as ligações na perspectiva de traçar um paralelo comum entre essas vivências de filhos de presos políticos e dos inúmeros centros de detenção de menores, criados durante a ditadura como a FEBEM e que na vida democrática não mudou seus métodos e, como é o caso de São Paulo, onde a tortura se esconde travestida pelo pomposo nome de “Fundação Casa”.

Apenas agora nos debruçamos sobre a infância na ditadura militar e há um caminho extenso a percorrer. Tal caminho seguramente irá nos levar aos filhos de camponeses e crianças indígenas, além dos casos de filhos de militantes políticos, já bastante relatados.

Há dois anos conheci o Sebastião, ex-motorista do Incra durante a Guerrilha do Araguaia, na cidade de Marabá. Tal pessoa relatou-me sua revolta em lembrar, de que na Base da Bacaba, que havia uma ala de tortura apenas para crianças e jovens, filhos dos sertões naquele país profundo e desigual. Naquelas condições é que as filhas de Adalgisa e Alfredo, amigos dos combatentes, de São Domingos do Araguaia, foram seguidamente estupradas quando trabalhavam em regime de escravidão naquela terrível base militar. Isso sem falar na mocidade indígena, aikewara, que apenas agora começa a relatar as barbaridades sofridas. Todos eles têm direito a reparações.

Aqui termino com o registro poético de meu pai que assim relatou meu nascimento em  Força e Arte:

“A criança nasceu.
A mãe passa bem.
Apesar de todas as proibições
bebamos vinhos até a embriaguês!
Quem é que pode com povo?”

Paulo Fonteles Filho

Depoimento de Helcídia Fonteles, mãe de Paulo Filho:

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



23 comentários

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Luiz Cláudio Cunha: Quem teme a verdade sobre a ditadura? - Viomundo - O que você não vê na mídia

26 de maio de 2013 às 01h25

[…] Paulo Filho: “Não achavam algemas para meus pulsos de recém-nascido” […]

Responder

Valcir Barsanulfo

08 de maio de 2013 às 19h17

Chegamos à tristeza de ter uma força militar repleta de calhordas.
Exército, marinha e aeronáutica jamais recuperarão sua moral diante dos fatos e atrocidades que perpetraram.

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Seminário Verdade e infância roubada. Assista agora aos depoimentos - Viomundo - O que você não vê na mídia

08 de maio de 2013 às 18h16

[…] Paulo Filho: “Não achavam algemas para meus pulsos de recém-nascido” […]

Responder

damastor dagobé

08 de maio de 2013 às 13h54

todo esse strip tease moral que se faz hoje no Brasil…inclusive com as manifestações dos comentaristas nos blogs é uma coisa ótima…fazem com que os brasileiros se defrontem com sua verdadeira face..no mais das vezes uma mascara atroz, de um monstro hediondo, sanguinário, insensato e descontrolado…a ideia do brasileiro “cordial” vai pro beleléu..e já vai tarde.

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    Edgar Rocha

    08 de maio de 2013 às 16h56

    Damastor, você tem toda razão. Mas, o brasileiro que sofre hoje em dia é justamente aquele que, por educação (má educação, diga-se) ou por abandono institucional, ainda sente-se na obrigação de ajustar-se a esta figura histórica do “homem cordial” a qual você mencionou. Isto é o que acredito, quando observo que, para o brasileiro mediano, não há muita alternativa senão tentar conviver com a realidade violenta a qual pode-se considerar a verdadeira cara do Brasil. Acho que a pá de cal sobre este estereótipo de cordialidade seria a organização social, que confere ao “cidadão de fato” a dignidade e a representatividade necessárias para o enfrentamento e as mudanças necessárias. Acredito que o homem cordial seja um engodo, usado justamente para suprimir o “homem cidadão”. Pra mim, o homem brasileiro mediano é sobretudo “afetivo” e não “cordial” como foi definido pela historiografia, ha muito tempo carente de uma revisão e com argumentos datados. Por ser então, afetivo, o brasileiro necessita de uma argumentação pessoal e de se sentir aceito para poder legitimar conceitos impessoais tais como justiça, isonomia, individualidade, etc. Somos seres culturalmente comunitários, tendo como base para administração de conflitos, sobretudo, a sensação de igualdade perante os demais. Portanto, o ato de violência, embora não seja devolvido na mesma moeda, tem como reação a traição, a “malandragem”, o jeitinho. Esta bajulação gerada por este mecanismo de defesa é facilmente administrável por quem está no comando: o coronel-painho; o chefe de algum curral eleitoral, que troca um voto por dentaduras; o traficante que hoje, bota o pé na porta da favela e toma o lugar do Estado; o sacerdote que manipula a vida comunitária através do constrangimento… Reitero que, a organização em movimentos sociais, a participação ativa e representativa é o melhor, senão o único caminho pra que o brasileiro abandone esta lógica egocêntrica e fisiológica de sobrevivência e passe a sentir-se parte do coletivo. Vimos isto nos anos 80. As práticas sociais foram fomentadas e fundamentadas nas questões mais diretamente ligadas a cidadania. O resultado foi o fortalecimento das instituições, o enfrentamento maduro e consciente contra as arbitrariedades e, sobretudo, o resgate da auto-estima do sujeito mais humilhado. Infelizmente, acho que perdemos o fio da meada. É preciso avaliar os porquês e retomar o caminho. Pra isto, devemos atacar o abandono do cidadão comum frente às questões mais preciosas. Segurança, por exemplo, tráfico de drogas e a indústria corrupta da propina. Só pra começar. Ficou mais difícil que antes, não? Forte abraço.

Kazuhiro Uehara

08 de maio de 2013 às 09h07

Em resumo a ditadura dos ricos continua e atuante com todo o aparato repressivo, nas mãos dos militares golpistas. A luta de classe não acabou, continua atual.

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Mardones

08 de maio de 2013 às 08h34

Maio de 2014. Ano de Copa do Mundo. A Comissão da Verdade vai revelar seu relatório aos brasileiros. Sob o governo do PT – agora um partido de centro – e chefiado pela primeira mulher presidente da República, o Brasil vai esperar ansiosamente para mais uma declaração de independência. Será entrar para história ou lamber, mais uma vez, as botas dos torturadores e seguir na decadência do partido que tanta história tem nas suas décadas de vida.

Espero que a Comissão tenha coragem e apoio irrestrito do Governo Federal, cuja chefe foi vítima dessas mesmas brutalidades. Junte-mo-nos aos irmãos chilenos e argentinos em sua bravura democrática no esclarecimento dos crimes do pior período da história da América Latina no século XX.

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Tortura Nunca Mais, Núcleo Paraense pela Verdade e Viomundo lançam Araguaia: campo sagrado - Viomundo - O que você não vê na mídia

07 de maio de 2013 às 19h22

[…] Paulo Filho: “Não achavam algemas para meus pulsos de recém-nascido” […]

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Fabio Passos

07 de maio de 2013 às 18h54

Horror.
Sao estes facinoras que o stf protegeu: torturadores e assassinos covardes.

Pensem na cara de joaquim barbosa, marco aurelio mello, gilmar dantas, ao impedir que os carniceiros, que cometeram estas barbaridades contra cidadaos brasileiros, sejam julgados e punidos.

No stf nao ha juizes… sao ratazanas.
So com DDT pra limpar o stf de tanta patifaria e covardia.

Responder

    João Vargas

    08 de maio de 2013 às 16h15

    A cara deles continua a mesma. Só mudará quando os cupins começarem a comê-las. São uns cara de pau.

Edgar Rocha

07 de maio de 2013 às 17h59

Fiquei sinceramente emocionado com o depoimento do Paulo Filho. Não só pelos terríveis relatos, mas, sobretudo, por sua posição digna e seus senso de realidade. Pela primeira vez vi um militante estabelecer um vínculo real entre os mecanismos de repressão do passado com os do presente, demonstrando claramente o sentido de continuidade de um massacre sobre os jovens deste país que está longe de acabar. Fiquei de alma lavada após sua menção a FEBEM e a Fundação Casa. Tantos militantes que sofreram, tantas crianças violentadas pela ditadura, ceifadas de suas famílias, nascidas e criadas sobre o medo e, paradoxalmente, a coisa mais rara que podemos observar nesta geração é o senso de compaixão e solidariedade com a geração atual. Lembro que, na última década, de cada 10 jovens que chegaram à adolescência, ao menos 4 morreram de forma violenta (em confronto policial). Isto sem contar as mortes por overdose e por acidente automobilístico. O número com certeza, passaria da metade. Genocídio! Nem no Oriente Médio os índices são parecidos. Esta deveria ser uma bandeira e o maior alvo de denúncias de toda a esquerda do país. Porque, como providencialmente colocou o Paulo Filho, o massacre da repressão continua. Talvez esta violência institucional seja mascarada pela ausência do conflito ideológico direto. Mas, a ausência de um discurso, de uma causa, de qualquer postura anti-institucional que justifique tal opressão, só denotam o grau de abandono, de não-representatividade, de indiferença de todos os setores em relação a condição terrível de nossa juventude. É preciso rever isto. Debruçar-se sobre o passado, mas com as atenções voltadas para o presente. Do ponto de vista histórico, a época da ditadura sequer pode ser chamada de passado. Quando muito, um ontem, ainda repleto de continuações, muito mais do que de rupturas. Ao Paulo Filho, os parabéns por esta sensibilidade. Que seja capaz de iluminar os setores de esquerda, a fim de sensibilizá-los para o fato de que, embora não haja mais ditadura, a repressão continua. E muito mais sofisticada, muito mais virulenta do que nos tempos em que o confronto era direto e declarado. Tem muita gente da esquerda, que vê nos meninos do tráfico, uma espécie de heróis de contra-cultura, anti-sistema, nos moldes românticos de um período regido por ideologias claras. Se esquecem, que aqueles que os cooptam hoje, são os mesmos que reprimiam a juventude de ontem. Se esquecem que as mesmas mãos que os organizam e lhes dão o direito a uma rebeldia sem norte, os exterminam em chacinas quando se faz necessária a contenção de contingente. Se esquecem que o que se chama “Movimento”, nada tem de esquerda, e nem se declara direita. A orfandade utópica criou heróis de si mesmos e, por conseguinte, algozes de si mesmos, sustentados por uma estrutura ideológica que ainda carece de ser compreendida. Ao menos os filhos da Esquerda se lembram de uma família. É melhor perder a família sem esquecê-la, por mais doloroso que seja; do que esquecê-la, sem poder quantificar o quanto esta lhe importa de fato.

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kalifa

07 de maio de 2013 às 17h21

Se aprovarem a lei do alkimin não se porá esparadrapo no pulso dos recem nascidos mas algemas!O alkimin é um gênio quando o psdb entrou no governo de são paulo o assassino da dentista estava no ventre da mãe e o psdb o fez bandido!Alias o psdb entregou os pobres nas mãos do pcc que é forma que eles entendem que pobre possui para sobreviver!

Responder

diva santana

07 de maio de 2013 às 13h41

belíssima hecilda, mulher guerreira, concordo com vc é preciso lembrar sempre para não repetir, é preciso lembrar e também cobrar a justiça. os algozes que cometeram tantas atrocidades com seres humanos, não podem ficar impunes. que bom, voces sobreviveram para testemunhar a tortura e maus tratos que tantos e tantas vivenciaram. nesta quinta feira haverá uma audiencia pública na câmara federal e em discussão está o projeto da valorosa deputada luiza erundina de revisão na lei da anistia. a revisão da lei é uma ansiedade do povo brasileiro e principalmente daqueles que sentiram na carne a bestialidade de alguns militares. boa sorte para vc e muita força para continuar sua vida, junto a sua querida família. beijos
diva santana

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renato

07 de maio de 2013 às 11h09

Na minha idade fui prestar serviços a Pátria.
Batalhão de Policia do Exercito de Brasilia.
Companhia Comando e Serviço (catarinas), após
os quarenta e cinco dias de adaptação, como era
companhia de serviço, cada um foi discriminado
para os peleotôes de seviço.
Fui direcionado para o PIC, cheio de histórias
que rondavam o quartel, ao chegar lá já ouvimos
o comando “Tudo que ver e ouvir aqui,você não viu
e não ouviu”….
Ao terminar o pacote de bolacha recheada qu eganahmos
com café. Já tinha ouvido a voz de comando umas vinte
vezes. Me deu mêdo, graças a Deus uma ordem veio, para
que só aceitassem no PIC, homens acima de 1,8 metros.
Não é que Deus é por mim… Senti muito orgulho do
BPEB e dos amigos lá…
Até saber que Geraldo Vandré esteve por lá…É verdade????

Responder

    renato

    07 de maio de 2013 às 11h09

    1978/79.

Aline C Pavia

07 de maio de 2013 às 11h01

Alguns falam que o “mensaleiro” Genoino devia ser cassado e expulso da CCJ do Congresso. Deviam lavar a boca com sabão de coco por falarem tanta merda.

Responder

    Alexandre

    07 de maio de 2013 às 12h33

    Aline, não sou nenhum fanatico partidario, mas entendo que se ele cometeu crimes de corrupção tem que pagar por estes, independente do que fez no passado, um belo exemplo é a Presidenta que passou por coisas terriveis mais nunca se ouviu falar em um desvio corrupto dela, pelo contrario. Então se Genoino cometeu crimes de corrução nada mais justo que ele seja punido.

    Aline C Pavia

    07 de maio de 2013 às 14h00

    O “crime” de Genoino foi aprovado pelo Tribunal de Contas da União e pelo Ministério Público. E já foi quitado. Genoino é INOCENTE. Foi denunciado por quatro crimes e condenado pelo STF por seis crimes. AP 470 é uma aberração e Genoino foi condenado meramente por ter sido presidente do PT. Querem transformar Genoino e Dirceu em fichas-sujas. E querem acabar com a reeleição. Aos poucos a “agenda” da oposição empesteia todos aqueles pulhas e calhordas que já não conseguem mais ser eleitos a nada. Cadáveres políticos ambulantes, na verdade. NÃO É o caso de Genoino de cujos 200 mil votos me orgulho de fazer parte.

    Luiz

    07 de maio de 2013 às 15h17

    Antes de falar em condenação “justa” é preciso observar o que reza a constituição. Genoíno assinou um empréstimo em nome do partido (investigado e aprovado por PF, TCU e CGU), o que nada tem haver com qualquer espécie de crime. Delúbio e Valério são responsáveis por crime fiscal (CAIXA 2 da campanha). Com provas produzidas ilegalmente pelos próprios réus, na tentativa de mostrar o tamanho da idiotice apresentada pelo STF.
    Os demais, após mais de 5 anos de investigação não há qualquer indício de qualquer um dos crimes criados pelo STF (já que o único crime, o fiscal, não foi considerado). A única certeza desse processo é que os poderosos continuam livres e as coisas continuam com antes, ou seja: enquanto os poderosos podem tudo, qualquer um que queira modificar a lógica de usurpação do patrimônio público por empreiteiros e banqueiros (privatizações, superfaturamento de obras, máfia do asfalto, compra de releição e etc), ou acabará morto (tal como PC Farias para o próprio bolso) ou condenado arbitrariamente pelos golpistas de toga (quando promove qualquer politica que destine dinheiro público para redistribuição de renda).
    O resto é papo de idiotizado que se alimenta do aparato midiático do PIG!

    Valdeci Elias

    07 de maio de 2013 às 16h35

    O crime dele não foi de corrupção, foi politico. Para o PIG, ele estava no partido errado na hora errada.

    Silvio I

    09 de maio de 2013 às 14h33

    José Genoino, e um homem integro decente. Não cometeu crime algum. Esse STF a serviço de uma elite política, que continua lutando contra algo, que vem limpando sua existência no Brasil, e que por mais que lute, já está com seus dias contados. O AP 470 e uma aberração jurídica, que tem sido colocada a força goela abaixo, a parte do povo, desinformado, com nenhum conhecimento jurídico, (porque se necessita apenas ter alguma ideia sobre a constituição, para poder ver isto) e aos partidários de ler a imprensa vende pátria que temos, e adorar o Plim,Plim.

    Fabio Passos

    07 de maio de 2013 às 18h42

    Falou e disse, Aline!
    A revolta nao e pequena e e nosso direito falar umas boas e justas verdades:
    Genoino e um heroi do povo brasileiro!
    Estes pulhas que o condenaram e os jostas que comemoram a condenacao nao valem m. nenhuma!

    Ronaldo Silva

    07 de maio de 2013 às 19h01

    Arrasou!!! A segunda parte então…excelente.


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