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Miriam Leitão: A maior ameaça do Exército à democracia desde o fim da ditadura
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Miriam Leitão: A maior ameaça do Exército à democracia desde o fim da ditadura


21/09/2017 - 09h24



Por Miriam Leitão

Coluna no GLOBO

O Exército fez a mais explícita ameaça ao país em 32 anos de democracia através do episódio do general Antonio Hamilton Mourão.

O general Mourão falou em intervenção militar. Seu chefe, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, não só não o puniu, como o elogiou e, por fim, seguiu seu comandado, afirmando que a Constituição dá às Forças Armadas o mandato para intervir.

A entrevista dada pelo comandante do Exército ao programa Conversa com Bial, da TV Globo, é estarrecedora porque ele, ao simular que discorda, acabou deixando claro que concorda com seu companheiro de farda.

Lembrou que a Constituição, no artigo 142, estabelece que as Forças Armadas podem intervir no país, ou a pedido de um dos poderes ou na iminência de um caos.

“Então as Forças Armadas teriam o mandato para fazê-lo. Caso não seja solucionado o problema, nós podemos intervir. É isso o que ele quis dizer”, disse o comandante do Exército.

Pois é. E o que Mourão quis dizer é exatamente o que ele não deveria dizer, porque militares da ativa não podem fazer manifestação política.

No mínimo, a sua declaração deveria ter sido vista como quebra de hierarquia. Entende-se que ele não quebrou hierarquia alguma, porque, como se viu, seu chefe concorda com ele.

O general Mourão não nega o nome que tem. Não é a primeira vez que o amalucado general diz esse tipo de sandice.

Da primeira vez, foi removido do posto, agora recebe um afago do seu superior. Bem que Mourão avisou que não está sozinho.

“Na minha visão, que coincide com a dos companheiros do Alto Comando do Exército”, o país está vivendo uma situação que ele descreveu como de “aproximações sucessivas”.

E explica de que ponto o país está se aproximando: “Até chegar o momento em que ou as instituições solucionam o problema político, com apelação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos. Ou então teremos que impor isso.”

E o poder civil do país? A tudo assistiu, acanhado.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, soltou uma nota tímida dizendo que pediria explicações ao chefe do general e ficou por isso mesmo.

Que explicação deu, pode-se imaginar agora em que, entrevistado, o chefe de Mourão elogiou seu subordinado: “um gauchão, um grande soldado, figura fantástica.”

Em seguida, disse que ele foi mal interpretado e que é preciso entender o contexto, porque ele teria falado em reunião fechada.

Mourão foi tão claro que não havia forma de interpretá-lo erradamente, e a reunião, apesar de ser fechada, por ser na Loja Maçônica, era um encontro público, e não um bate-papo entre amigos.

Ele sabia que havia o risco de aquelas declarações saírem.

O general Mourão chantageou as instituições civis, citando especificamente o Judiciário, ao afirmar que ou elas retiram esses “elementos envolvidos em todos os ilícitos” ou então as Forças Armadas vão “impor isso”.

O país quer se livrar da corrupção. Disso não há dúvida. Só que será usada a pena do juiz e não a bota do general, será respeitado o devido processo legal e não a imposição castrense.

O salvacionismo militar já nos custou caro demais por tempo prolongado demais. O país fará a sua depuração através das instituições democráticas.

O governo Michel Temer é fraco e teme as Forças Armadas. Bastou uma cara feia para os militares serem tirados da reforma da Previdência.

Depois, eles foram poupados da proposta de congelamento de salário dos servidores federais.

Agora aconteceu um episódio de indisciplina militar e de ameaça às instituições brasileiras, e o governo deixou que os militares resolvessem entre si.

O general Villas Bôas disse que conversou com o general Mourão. E o assunto está encerrado.

O Brasil nunca exigiu que as Forças Armadas reconhecessem os crimes cometidos durante a ditadura.

Ao contrário dos países vizinhos, ninguém jamais foi punido pelas torturas, mortes, ocultação de cadáveres.

O general Villas Bôas justificou até a ditadura. Disse que era parte do contexto da época de guerra fria e lembrou que naquele regime o país saiu de 47ª economia para o 8º lugar.

Os militares deixaram as contas públicas em absoluta desordem, o país pendurado no FMI e com a inflação galopante.

Só mesmo um governo claudicante como este pode não entender o quão inaceitável é tudo isso que se passou diante de nós nos últimos dias.

Leia também:

MPF: Por lei, Exército não tem autonomia para fazer intervenção





25 comentários

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LANDO CARLOS

09 de outubro de 2017 às 17h14

NOSSO EXERCITO E MOTIVO DE CHACOTA,NO MUNDO INTEIRO,TEM UM CHEFE BANDIDO RAUL JUNGMAN BATE CONTINÊNCIA PARA UM COVIL DE LADRÕES INSTALADO NA PRESIDÊNCIA NÃO DEFENDE O BRASIL DEIXA OS LADRÕES ENTREGAR TUDO NÃO TEM NADA DE VERDE E AMARELO E O GOLPE ACONTECEU POR APOIO DELE NÃO TENHAM DUVIDAS SE HOUVER UM GOLPE DO GOLPE E SÓ PARA MASSACRAR O POVO POBRE DO BRASIL,E AJUDAR NA SEGURANÇA DAS ELITES O ENSAIO FOI NA ROCINHA. JA PODERIAM USAR O AZUL VERMELHO E BRANCO DOS EUA

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    Conceição Lemes

    10 de outubro de 2017 às 01h11

    Lando, por favor, letras minúsculas nos comentários. abs

Jaime

08 de outubro de 2017 às 13h56

É dona Miriam, se vc der uma olhada nos comentários, vc vai ver que o povo tá de saco cheio de tanta falcatrua , violência e insegurança. Militares neles, só assim pra arrancar do poder essa carrega de preveligiados.

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Gilmar velho da silva

22 de setembro de 2017 às 14h09

Esta senhora Miriam Leitão esquece que o que esta acontecendo no Brasil, golpe da esquerda, golpe da da direita, golpe do judiciário, então vamos colocar as coisas em ordem.

Mourão no BRASIL e Sergio Moura em Coritiba já.

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Evandro

22 de setembro de 2017 às 11h34

Na primeira metade da década de 1980 almocei com um venezuelano, em um restaurante de Botafogo, que estava muito entusiasmado com as indústrias do estado de São Paulo. Atalhei-o para dizer que nossa dívida externa era muito alta. De pronto respondeu-me: – Eu sei. Vim ao Brasil para visitá-la. Estive em Itaipu, Urubupungá e continuou a citar obras importantíssimas. Virou-se para a direita, apontou a Ponte Rio-Niterói e disse: – Lá está a dívida externa de vocês. No meu país temos enorme dívida e nada para mostrar.
Então, por dever de consciência, Miriam Leitão ao falar da economia da época, deve esclarecer que a dívida externa brasileira 1980 era muito grande, porém visível.

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    Wagner Machado

    22 de setembro de 2017 às 16h31

    Isso mesmo amigo, agora nossa Dívida Externa (aumentada absurdamente nos Governos Civis) só aumenta, e não se tem nada para mostrar. Essa Dívida come todo ano metade do Orçamento Federal…

    FABIO BARCELLOS

    22 de setembro de 2017 às 22h44

    Esse venezuelano foi um sonho de inverno que você teve , uma fantasia, uma metáfora. O invisível foi que os milicos foram parte do caos de hoje, oprimiram o desenvolvimento da democracia, não a deixaram amadurecer. Fora os escândalos abafados de corrupção, enterrados,pois a imprensa era amordaçada; Coroabrastel, Defin, escândalo da mandioca etc. Procure saber desta sombria desgraça que se a abatera sobre este País meu caro entusiasta. Bem como as vidas tiradas, milhares que até hoje não se tem notícias.

Leonardo Crestani

22 de setembro de 2017 às 08h27

O golpe está dado aos brasileiros, onde o estado governado pela esquerda, prometeu dar tudo de graça, e devolveu a desgraça do desemprego, dos impostos mais pesados do mundo, a falência total dos estados, a situação mais vexatória que já vimos. Com a completa desorganização da sociedade. Não há outro caminho, senão uma completa renovação política. Que passa inevitavelmente pela intervenção militar. As minorias com ideologias contrárias ao legitimo estado de dereito, vão ter que se adequar novamente.

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Laerte

22 de setembro de 2017 às 07h54

É fato: Após a fala de Mourão, as esquerdas e a imprensa contaminada se arrepiaram e deram publicidade a ela, cobrando uma punição que não virá. Com isso, tornaram Mourão um símbolo da resistência aos descalabros políticos e judiciais de uma estrutura corrupta e aparelhada ideologicamente. Mas a população recebeu a fala de Mourão de braços abertos, mostrando que a maré das mudanças é irreversível. Como sempre,em sua presunção e arrogância, as esquerdas atiram no próprio pé.(Laerte)

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Jader Oliver

22 de setembro de 2017 às 07h01

A juracica e arcaica maçonaria, como sempre mudando os rumos da ordem natural das coisas no Brasil, ela sempre acende o estopim da bomba, foi assim no golpe de 64 agora no de 2016.
Esse câncer social sempre esteve presente na história desse país, história essa de pobreza estrema, opressão e miséria absoluta do povo, a maçonaria é responsável por essa desgraça toda que vivemos, todo militar de alta patente é membro dessa mafia, por isso se ouver intervenção militar vai ficar muito pior.

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    Elizabeth

    22 de setembro de 2017 às 17h31

    Sr Jader. De onde tirou a informação de que todo militar de alta patente é membro da maçonaria??? Vejo que o sr não só desinformado, como também analfabeto. Entre tantos erros de português no seu texto, fiquei estarrecida com a palavra “extrema” escrita com “s”, ‘Estrema”. O pior de tudo é que inúmeras pessoas como o sr, votam, e apertam o “13”.

Leonardo O Araújo

21 de setembro de 2017 às 22h30

Acho que a jornalista deve ler mais sobre: o que é manifestação politica, os deveres das Forças Armadas e condicionantes em uma frase (tais como “poderá”, “se”, etc). É uma pena que invés de se uma reportagem e opinião equilibra se tente deformar a opinião popular.

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Moisés Medeiros

21 de setembro de 2017 às 15h18

Aplausos ao Exmº Sr. General Mourão pelo pronunciamento. Matéria elaborada pela Sra. Miriam Leitão de puro revanchismo. O Exmº Sr. Comandante do Exército está corretíssimo em apoiar o membro do seu Alto-Comando. “O país fará a sua depuração através das instituições democráticas”. Quando??? Como??? Está cada dia pior. O país tem pressa!

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David

21 de setembro de 2017 às 13h33

Essa história de intervenção militar é a prova cabal da nossa viralatice.
Nunca ouvi falar de em países chamados civilizados que isso fosse sequer uma possibilidade, mesmo nos momentos mais difíceis da política.

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    Elizabeth

    22 de setembro de 2017 às 17h44

    Infelizmente não somos um país civilizado. Portanto…..

George

21 de setembro de 2017 às 12h30

Miriam Leitão na seção “Denúncias”? Não era para estar na galeria “Hipócritas”?!! Essa, “esqueceu” seu passado para, agora, ser especialmente contra os militares mais por preocupações que o “time” dela defende, do que por reavivar sentimentos anos 1970. Motivos unicamente pessoais, óbvio que não. Soluções ela sempre apresenta para resolver qualquer imbróglio econômico e socioeconômico. Só que pela direita. Não mais pela esquerda. Pois essa rua tortuosa é chata, difícil e causa desilusões amorosas. Melhor ir pela via expressa mesmo. Que dirá de soluções para problemas políticos?!! Não é a praia dela. Fato.

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Pedin

21 de setembro de 2017 às 11h52

A maior ameaça chama-se rede globo que botou essa “quadrilha” no poder.

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    José Luiz

    21 de setembro de 2017 às 13h11

    José Luiz
    Bem para mim já passou do tempo a intervenção, já deveria ter ocorrido, uma vês que nós cidadãos Brasileiros não temos vergonha na cara e até o momento não fizemos nada para banir está quadrilha de ladrões que tomarão o Brasil é só analisarmos a atitude que este ilegítimo Presidente fez-se na ONU assinou um tratado permitindo que o Nosso território seja visitado para as inspeções sobre utilização de armas nuclear sem prévio aviso!

Eduardo

21 de setembro de 2017 às 11h52

É isso aí, Miriam! Sua opinião é abalizada, repleta de créditos neste contexto e deve ser seriamente considerada pelos cidadãos democratas.

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Renata Rossell Mourão

21 de setembro de 2017 às 11h40

Amalucada é a senhora, D. Miriam Leitão, que, mais uma vez, repercute informações de modo sensacionalista, não se dando ao trabalho de checar as fontes e ouvi-las corretamente. O general Mourão, homem íntegro – e grande soldado, conforme bem ressaltado pelo general Villas Boas – não fez qualquer ameaça ou apologia a uma intervenção militar, tendo apenas esclarecido que as Forças Armadas têm o dever constitucional de assegurar a lei e a ordem, podendo, em situações extremas, culminar numa intervenção.

Não há dúvidas que, como qualquer manifestação – e especialmente num contexto político polarizado tal qual o atual – a fala do general enseja uma série de interpretações, que variam de acordo com a ideologia política de cada um. Assim, algumas pessoas, adeptas à intervenção militar, interpretaram a manifestação do general de forma a fundamentar suas convicções, sustentando que ele estaria pregando a intervenção e que o Exército estaria pronto para agir nesse sentido. A imprensa, por sua vez, simplesmente replicou essa equivocada interpretação, demonstrando seu verdadeiro espírito sensacionalista. E a senhora, novamente, manifesta-se confrontando essa desacertada perspectiva, sem se preocupar em analisar o discurso do general em seu todo. E pior, a senhora fala em punição e quebra de hierarquia como se conhecesse tais assuntos, o que, convenhamos, não é o caso.

Lamentável, Sra. Miriam Leitão… Roga-se que, daqui por diante, a senhora passe a se pronunciar apenas sobre assuntos que conheça de fato ou, pelo menos, que comente informações confiáveis e consulte todas as fontes, honrando o jornalismo.

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    José Ponte

    21 de setembro de 2017 às 12h31

    Mourão foi indisciplinado e deveria ser punido. Mas punido por quem? Por seus superiores acoelhados ou coniventes?

    Paulo

    08 de janeiro de 2019 às 12h20

    Essa mulher é maluca! Muita maconha, tiro e bomba na juventude dá nisso!

RONALD

21 de setembro de 2017 às 09h55

Muito me espanta a Miriam Leitão da Golpista globo falar contra os milicos, já que seu patrão Roberto e suas sementes do mal Marinho apoiaram o golpe de 64, já que o globo era uma das poucas fontes de informação antes da tv de mesmo nome.

As pessoas se iludem com milico. Milico é treinado para matar o inimigo. Não sabe administrar uma Nação. Como a Miriam mesmo falou(globo), os milicos deixaram as contas públicas arrasadas e inflação galopante. Fora o aumento da concentração de renda e outras mazelas antissociais.

Infelizmente, Miriam , você deveria pensar no risco que estamos correndo de uma nova época de sombras antes de conspirar, junto com seus patrões Marinho, contra uma representante de 54 milhões de brasileiros, eleita legitimamente.

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    Elza

    21 de setembro de 2017 às 17h58

    Disse tudo Ronald, todo que está aí agradeça a esta senhora, que manipulou dados da economia, fez terrorismo econômico diariamente no mal dia Brasil, ajudou no golpe parlamentar/jurídicoMidiático e agora está indo pelo mesmo caminho, já que o presidente ladrão, q ela juntamente com seus colegas de profissão e os seus patrões colocaram-no Poder e agora como ñ consegue retirar de lá, quer criar o clima para o golpe militar. Quer enganar a quem está senhora agorinha?

David

21 de setembro de 2017 às 09h33

Não resta a menor dúvida a respeito de um fato: O golpismo está de volta no Brasil.

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