Lobato: “Perito comparou UTI do Evangélico a campo de concentração”

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Mário Lobato: "Alguns profissionais da área com que tenho tido contato defendem que as investigações devam 'parar por aqui'. Discordo frontalmente"

Mário Lobato: "Alguns profissionais da área com os quais tenho tido contato defendem que as investigações devam 'parar por aqui'. Discordo frontalmente". Foto: Arquivo pessoal

Mário Lobato: “Perito comparou o que achou na  UTI do Evangélico a campo de concentração”

por Conceição Lemes

Em 19 de fevereiro, quando a polícia prendeu a médica Virgínia Helena Soares Souza, chefe da UTI do  Hospital Universitário Evangélico de Curitiba, o meio médico chocou. Quase todo mundo achou absurda a suspeita de que ela poderia ter induzido à morte pacientes  ali internados.

“Era e é tudo tão surreal”, observou a médica Fátima Oliveira, num e-mail que trocou com esta repórter e o médico Mário Lobato, semana passada. “Mas pela minha leitura das falas divulgadas, não pelas  matérias em si, é que havia fogo… tudo muito insano…Os prontuários falam muito mais do que supomos.”

No dia 11 de março, o Ministério Público do Estado do Paraná denunciou à Justiça Virgínia Helena Soares Souza, outros três médicos, três enfermeiros e uma fisioterapeuta, que também trabalhavam na UTI do Evangélico.

A denúncia do MP (na íntegra, abaixo) é aterradora. A sua leitura passa a impressão de que o local teria se tornado um “campo de concentração”.  Profissionais, que deveriam estar ali para cuidar, estariam friamente exterminando pacientes do SUS.

Tão espantoso quanto a acusação do MP contra os oito profissionais (“se associaram para o fim de cometer homicídios de pacientes internados na UTI geral daquela casa de saúde”) é o período em que os atos ocorreram. Segundo o MP, eles aconteceram pelo menos de janeiro de 2006 até 13  fevereiro de 2012, quando a médica Virgínia Helena foi presa.

Ou seja, seis anos se passaram. Por que tanto tempo para isso ser denunciado?!

Os pacientes/familiares, até dá para entender. Já o longo silêncio dos profissionais de saúde é incompreensível. Será que não perceberam? Ou preferiram ficar na moita em nome do emprego?! A denúncia do MP relata sete óbitos. Teriam sido mais? Quantos, afinal?

Eu entrevistei o médico e blogueiro Mario Lobato da Costa sobre o caso. Ele é auditor do Departamento Nacional de Auditoria do SUS e membro do grupo de sindicância instituído pela Secretaria Municipal de Saúde para investigar o caso.

Viomundo — Quando o caso da chefe da UTI do Hospital Evangélico veio a público, você acreditou ou temeu estar diante de um novo caso da Escola Base?

Mario Lobato — O pessoal do Ministério Público esteve pessoalmente conversando conosco na Secretaria Municipal da Saúde. Nos informaram sobre os detalhes da investigação, depoimentos das testemunhas, escutas telefônicas. Com esses dados, ficou claro para mim que existiam indícios importantes a serem investigados em profundidade.

Viomundo — A UTI do Evangélico se tornou “um campo de concentração”, onde pessoas foram exterminadas friamente, sem chance de reação?

Mario Lobato — Os depoimentos que vieram a público e o teor das escutas são contundentes. Acompanhei no MP alguns depoimentos de familiares e ex-funcionários. São pavorosos.

Essa imagem de “campo de concentração”, que você usou, coincidentemente também apareceu em comentário de um dos peritos da área de terapia intensiva que participaram das investigações. E olha que ele coordena uma UTI, consequentemente, em princípio, deveria estar familiarizado com esse tipo de situação.  Ele ficou chocado com o que achou; comparou a campo de concentração, de extermínio, na época do nazismo na Alemanha.

Viomundo – De acordo com a denúncia do MP, o grupo usava a mesma tática.  Dava medicamentos para o paciente depender mais da ventilação feita por aparelhos. Só que, ao mesmo tempo reduzia o funcionamento dos equipamentos e ele tinha asfixia. O que a pessoa com a asfixia sente?

Mario Lobato — Na maioria dos casos apresentados na denúncia-crime do MP, o procedimento era quase que “padrão”. Aplicava-se um coquetel de medicamentos sedativos associados a um curarizante (medicamento que paralisa os músculos, inclusive os responsáveis pela respiração), geralmente o pancurônio (nome comercial pavulon), e os parâmetros do respirador eram então diminuídos. Com isso, se provocava a diminuição da oxigenação do paciente e – tecnicamente – a morte se dava por  asfixia.

Segundo o professor Genival Veloso França, no seu livro Medicina Legal, os sintomas da asfixia têm duas fases.

Uma é de irritação, formada por dois períodos: o da dispneia respiratória (a pessoa ainda tem consciência), que dura cerca de um minuto; e o da dispneia expiratória (a pessoa está inconsciente, tem perturbações da sensibilidade e convulsões tônico-clônicas), que dura cerca de três minutos.

A outra fase é a de esgotamento. Apresenta um período inicial, ou de morte aparente, e outro terminal.

Viomundo — Segundo a denúncia do MP, esses atos teriam acontecido de janeiro 2006 a 19 de fevereiro de 2013. Como ninguém percebeu isso antes e denunciou? Foi corporativismo, medo de perder o emprego ou o quê?

Mario Lobato — As UTIs são espaços reservados, existe circulação restrita de pessoas. Isso dificulta o acompanhamento, mas não impede. A UTI do Evangélico (mas não só ela!) não produzia relatórios e dados estatísticos que permitissem  melhor avaliação da qualidade dos serviços produzidos. Ressalte-se que isso ocorria dentro de um hospital universitário, de ensino, que teria a obrigação agir dessa forma.

O Hospital Evangélico, mesmo sendo universitário, aparentemente não possui auditoria interna implantada. E caso tenha, não funcionou.

Também os sistemas de controle do gestor municipal nesses últimos anos limitaram-se ao acompanhamento de documentos de cobrança e metas contratadas, baseados em sua maior parte na produção de serviços.

Não se pode admitir que a relação contratual de serviços públicos de saúde continue a repetir a mesma lógica contábil dos serviços privados, que é baseada na relação de consumo.

O controle e a avaliação de serviços prestados ao SUS precisam ter padrões de qualidade, eficiência, efetividade, economicidade… Tem de se esquecer a relação mediada pela “tabela do SUS”.

Viomundo —  A denúncia do MP relata sete óbitos. A polícia levou um ano investigando. Será que vidas não poderiam ter sido salvas nesse período, afastando de cara os profissionais suspeitos?

Mario Lobato — Embora a sua linha de raciocínio seja bem plausível, não posso responder pela polícia. Suponho que ela deva ter tidos motivos objetivos para estender o período das investigações.

Viomundo — Tem-se uma estimativa de quantas pessoas poderiam estar vivas se tivessem recebido cuidado adequado?

Mario Lobato — Não.

Viomundo – Qual a lição desse caso?

Mario Lobato – Alguns profissionais da área com os quais tenho tido contato defendem que as investigações devam “parar por aqui”. Alegam já existir elementos suficientes para levar a  doutora Virgínia e os outros sete funcionários envolvidos a julgamento. Alegam também que, caso as investigações se prolonguem, todas as UTIs do país podem ficar sob suspeita e isso poderá levar a uma comoção social.

Eu discordo frontalmente desses colegas.

Em primeiro lugar, tenho a convicção de que a sociedade tem o direito de saber a verdade. Toooooooooooda a verdade! Se algum parente meu tivesse falecido durante o período investigado, eu gostaria muito de saber o que foi que aconteceu.

Em segundo lugar, todas as ações de saúde são de relevância pública (está lá na constituição, artigo 197). Todos os serviços, sejam “SUS” ou “não SUS”, devem respostas à sociedade. Eles têm de ser prestados com qualidade, humanização, eficiência…

Espero que o caso do Evangélico leve todos nós – sociedade e serviços que devem servir a sociedade – a caminhar nesta linha. Transparência faz bem a saúde.

DenunciaEvangelicoMPPR Small(1) by Conceição Lemes

 

 

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Paula Moreira

20/03/2013 15h47 – Atualizado em 20/03/2013 16h05
Médica acusada de mortes em UTI de Curitiba ganha a liberdade
Virgínia Soares de Souza estava presa desde 19 de fevereiro deste ano.
Ela vai responder ao processo em liberdade; médica nega acusações.

A Justiça revogou nesta quarta-feira (20) a prisão preventiva da médica Virgínia Soares de Souza, acusada de provocar mortes dentro de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico, em Curitiba. De acordo com o advogado que a representa, Elias Mattar Assad, ela vai responder ao processo em liberdade.

Virgínia Soares de Souza foi presa em 19 de fevereiro deste ano. Ela e mais sete pessoas foram acusadas pelo Ministério Público de homicídio com duas qualificações e formação de quadrilha. Vírginia foi a última entre os envolvidos a conquistar a liberdade. O processo tem como base uma investigação do Núcleo de Repressão aos Crimes contra a Saúde (Nucrisa) que assim que se tornou pública provocou uma série de denúncias ex-funcionários do hospital e de familiares de pacientes.

A Justiça aceitou a denúncia na sexta-feira (15) e decretou segredo judicial sobre o caso. De acordo com o MP, Virgínia foi denunciada por co-autoria em sete homicídios duplamente qualificados, o médico Anderson de Freitas, em dois homicídios duplamente qualificados e formação de quadrilha, os médicos Edison Anselmo da Silva Junior e Maria Israela Cortez Boccato, cada qual por um homicídio duplamente qualificado e formação de quadrilha, as enfermeiras Laís da Rosa Groff e Patrícia Cristina de Goveia Ribeiro, por um homicídio duplamente qualificado e formação de quadrilha, e a fisioterapeuta Carmencita Emília Minozzo e o enfermeiro Claudinei Machado Nunes por formação de quadrilha. Todos negam os crimes.

Para o advogado de Virgínia Soares de Souza, não há materialidade, ou seja, não existem provas que comprovem os supostos crimes. Em entrevista ao programa Fantástico, a médica negou as acusações. “Nunca fui negligente, nunca fui imprudente, nunca tive uma infração ética registrada, uma queixa e exerci a medicina de forma consciente e correta”, relatou Virgínia.

Jose Mario HRP

Se culpados por estes crimes, todos devem ir para a cadeia, por muito tempo.
E com diplomas extintos.
Nos EUA seria pena de morte direto.

Mari

Mário Lobato, eu não queria estar em sua pele. Como reage um médico diante de tantas possíveis certezas? Já tentei colocar na cabeça de que tudo é um terrível mal entendido. Mas quando volto ao post e o releio, fico sem chão, porque tudo aponta para fatos que provavelmente aconteceram. Se o perito do MP é um intensivista, e o documento diz que é, no confronto com os prontuários, o genocídio é inegável. Há conduta médica ética diante de pacientes sem perspectiva de recuperação: parar os investimentos, porque são inúteis, mas isso é bem diferente de acelerar a morte. Médico nenhum tem o poder de acelerar a morte.

Vicente Freire

O Viomundo fez muito bem em sumir com as críticas ao Papa Francisco. Leonardo Boff e Frei Betto estão muito felizes com o novo Papa, e por isso mesmo vamo pará com a carga!

    Lorena Marques

    São dois enganados. Coisa só explicável porque como esquerda católica adoram ilusões.
    Eles sabem que papa é papa, como figura máxima de uma teocracia jamais serão do bem.
    Aqui não é lugar para tal discussão.
    É um post que trata de uma assunto tenebroso e inimaginável, mas que parece ter acontecido.

    Vicente Freire

    Se as críticas ao Papa Francisco sumiram, ou Leonardo Boff e Frei Betto pautam o Viomundo ou já há consenso na esquerda que esse Papa pode ser um novo teólogo da libertação. Sendo assim, a cumpanhêra deve rever suas posições anticatólicas e deixar de acreditar no que acreditava e passar a seguir as novas orientações pragmáticas e ajudar a consolidar o poder do PT que tenta aproveitar esse bom momento da Igreja Católica em seu benefício, e do povo. Portanto, guarde a foice e o martelo, cumpanhêra, e saque do crucifixo, que a hora, agora, é de ajudar a revolução socilaista aproveitando o que diz o Papa.

Sr.Indignado

Matar um paciente de uma uti é a pior das covardias, é a pior das torturas, pois o paciente vê, ouve, sente, mas não pode se defender.

    Vicente Freire

    Discordo veementemente. Matar uma criança indefesa, que teria uma vida inteira ainda para viver, é muito, mas muito pior do que matar um paciente terminal. Entretanto, o aborto é dogma da esquerda e, portanto, não podemos falar isso sob pena de censura, no mínimo.

    Brasileiro

    O senhor poderia definir “criança”?
    O senhor batiza todos os seus espermatozoides e os chama pelo nome?
    Falta cérebro aí, hein, camarada?

Mirela Maria Vieira

É, os misericordiosos evangélicos estão cada vez mais aprimorados. Diz no site deles (http://www.evangelico.org.br) “é o maior hospital particular do Estado do Paraná e um dos mais importantes hospitais do Sul do Brasil”. É sempre um negócio,como comprar um pedaço do céu, a prosperidade, o direito à explorar e enriquecer…é tudo muito divino.
A nota oficial sobre as investigações, também no site deles, diz que “o problema central das investigações é ‘pontual’….e eles saem por aí, com seus maravilhosos dogmas: contra a eutanásia; contra o aborto; contra os homossexuais…e por aí vai. Mas, a “misericórdia” com o povo do SUS vai de boa, né mermo? Quanto mais SUS morrendo rápido, mais fácil a grana do gari, aquele que paga (sim, paga!) pela saúde pública. São 28 milhões de pessoas que dependem exclusivamente do maior projeto em construção de saúde pública do mundo, o SUS. Mas, sempre tem as entidades religiosas filantrópicas, para maquiar o mercenarismo entranhado nas cabeças e corações (se é que têm) desses filantropos. Um mundo sem religiões, com pessoas que assumissem suas responsabilidades de fato e de direito com a espécie humana, já evitaria, sem dúvida ao menos tiraria a desculpa dos que fazem guerras, matam, discriminam, ditam regras, tudo em nome de um Deus…olhar o Universo, estudar cosmologia e física, talvez ajude a tirar essa mentalidade que transforma a Criação num criadouro de horrores ditados por mentes obscuras.

Caracol

Ora, meus amigos, independentemente deste caso, vocês REALMENTE acreditam que num sistema como esse, consumista, descartador, capitalista alucinado e selvagem, vocês REALMENTE acreditam que companhia de seguro saúde está aí pra botar azeitona nas suas empadas? Vocês REALMENTE acreditam que essas companhias de seguro saúde, algumas delas subsidiárias de bancos (DE BANCOS !!!) estão aí pra pagar UTI pra quem está mais pra lá do que pra cá? Um sujeito paga quarenta anos de seguro saúde dando lucro pra empresa e no fim da vida deles a seguradora vai pagar os tubos pra uma UTI? Vocês REALMENTE acreditam nisso? Que saúde pode ser administrada por empresa que visa lucro?
Então ta. Logo vem a Páscoa e vai ter coelhinho. E depois vem o Natal e vai ter Papai Noel.
Oba!

ricardo silveira

Que se investigue tudo, sem deixar dúvidas. E que os culpados paguem pelos crimes. Nada mais surpreende, nem mesmo a falta de controle que permite que barbaridades sejam cometidas.

nadja rocha

Fui médica veterinária por 15 anos e em muitos casos era necessário praticar a eutanásia por não haver mais tratamento, como também em muitos casos a doença do paciente colocava em risco a saúde da família dono do animal. Mesmo assim, sabendo que era legítima minha decisão,deixei a profissão por não suportar as noites sem dormir me sentindo culpada por não conseguir salvar a todos, por não suportar o desespero dos donos, muitas vezes crianças,que perderam seu animal de estimação.Eram em sua maioria cães e gatos.Não consigo entender a atuação dessa médica.Médica? Psicopata em potencial.

Nedi

Eu ainda estou torcendo para que isso tudo seja um mal entendido.

abolicionista

Macabro…

nilson vieira

Engraçado é que o nome do mantenedor do hospital nem sequer foi mencionado

Mari

Diálogos no caso de hospital de Curitiba são normais em UTIs, diz presidente de associação
Carlos Kaspchak
Do UOL, em Curitiba
01/03/2013

A presidente da Sotipa (Sociedade de Terapia Intensiva do Paraná) –regional da Amib (Associação de Medicina Intensiva Brasileira)–, Cintia Magalhães Carvalho Grion, disse que as declarações da médica Virginia Soares, que foi presa e acusada de homicídio qualificado enquanto trabalhava na UTI do Hospital Evangélico de Curitiba, podem ter sido mal interpretadas. Virginia teve telefones grampeados durante a investigação da polícia.
“O que aconteceu na UTI do Hospital Evangélico não é diferente do que é praticado nas UTIs de todo o mundo, onde deve-se decidir sobre a limitação ou não do suporte de vida dos pacientes considerados terminais”, disse ela, ao avaliar os depoimentos e partes do conteúdo do inquérito policial. “Está claro que há sensacionalismo em torno do caso.”
Mas pelos depoimentos, me parece que há uma interpretação errada dos atos médicos, mesmo entre pessoas da equipe da médica, e as feitas pelos familiares dos pacientes. Há uma criminalização das falas sem se levar em conta o contexto e como foram feitas”, disse Cintia Grion.
Segundo ela, as decisões sobre a limitação do suporte de vida dos pacientes podem ser polêmicas, mas que só podem ser tomadas em consenso entre a equipe médica e a família dos pacientes.
Acho que, por isso, tantas pessoas procuram agora a polícia para falar sobre pacientes internados na UTI do Evangélico. Elas querem uma explicação para o que aconteceu e muitas vezes não entendem as situações e agora questionam as decisões, pois antes não foram esclarecidas.”
Ela disse que em uma UTI não se pode garantir resultados. “Não é um contrato de fim e sim de meio–não se pode dizer que não haverá morte, dependendo da gravidade de cada caso, e esta sempre é uma situação difícil para todos”, disse Cintia.

Resolução

A decisão sobre limitar o suporte de vida em uma UTI é chamada de ortotanásia e é regulamentada no Codigo de Ética Médica e está prevista na resolução 1805/2006 do CFM (Conselho Federal de Medicina).

http://migre.me/dJLMZ

renato

Nos para-choques de caminhoes existe a frase.
-Erro médico se encobre com sete palmos de terra.
-Morreu ao dar entrada no Hospital.
Nunca é fora e nunca é dentro.
Todo jovem quer ser médico, é status.
Quando estamos em apuros, ” onde tem um médico”.
Em Ecliseastes, algo assim,do tipo.. quando não me achares (Deus),
procura um médico.( no sentido – acabou a esperança).
Nossos heróis, nossa salvação, o último apelo.
Não pode nos abandonar. Não assim …..

Ivan Ilitch

Concordo que as investigações devam ir até o fim. Mas também aguardo o fim do inquérito para esperar as tais provas materiais do delito. Não podemos confiar somente em testemunhos.

João Vargas

Até para leigos fica claro o “modus operandi” da quadrilha. Chama a atenção o curto espaço de tempo entre a ministração dos remédios e a morte dos pacientes. Resta saber se é um caso isolado ou é uma prática comum nas UTIs dos hospitais super lotados do país.

    Marcelo de Matos

    Meu amigo, como iremos saber? Meu irmão ficou internado na UTI do Hospital São Paulo. Tinha sofrido uma traqueostomia e não conseguia se comunicar comigo, nem por escrito. Entendi, porém, o que ele queria dizer: tire-me daqui que eles vão me matar. Logo depois ele morreu e isso me tira o sono até hoje.

    João Vargas

    Caro Marcelo, também passei por situação parecida e te digo uma coisa : Quando uma pessoa está internada na UTI de qualquer hospital os parentes perdem total controle sobre o destino dela. Temos que confiar totalmente nos médicos e se tiver algum monstro entre eles, ou algum esquema para criar vagas na UTI nunca saberemos. Quanto ao caso do teu irmão fica tranquilo e não perca o sono porque tu não poderia ter feito absolutamente nada.Abraço.

    renato

    Deixamos nosso pai após visita,em um hospital em Curitiba.
    Retornamos para casa, numa cidade próxima.
    Recebemos a noite a notícia que havia falecido, daí para
    frente ficou apenas o vazio. A incerteza,de que se estivéssemos
    lá isto não ocorreria.
    Continuamos assim, sem ele, mas…
    As vezes nos lembramos dele e damos muitas risadas, ele foi um
    homem feliz.
    Com UTI ou sem UTI, um dia estaremos juntos!

Ricardo Galvão

Infelizmente esta matéria também não aprofunda o porque da médica e “equipe” praticarem este tipo de conduta. Agia por maldade pessoal/transtornos psicológicos??? Fazia por ideologia, ódio a pobre etc?? Atuava por “conta própria” ou por “orientação” do Hospital pra economizar nos custos??? Os demais citados agiram de forma concretamente articulados com a “chefe”???? Faço essas perguntas porque visitei recentemente uma cunhada que tava internada em SP, no Hospital Vila Pinheiros, que é administrado por um OSCIP e vi a pressão da direção sobre funcionários pra selecionar pacientes e “racionalizar” tratamentos, me levando a refletir sobre o caso e ver semelhanças no que ocorreu e no que ocorre hoje, aqui em Pernambuco, com a privatização branca do SUS, onde o próprio dono do principal prestador privado, o IMIP, é o atual secretário de saúde do Estado.

Laís Almada Cordeiro

Se os procedimentos foram como os descritos abaixo, era assassinato mesmo – ela não tinha o direito de fazer o que dizem que fez com o marido – e li em algum lugar que ela fez também com um filho dela!
………………
A funcionária contou que o próprio marido da médica, o ex-chefe da UTI Nelson Mozachi, a quem Virgínia substituiu após sua morte, em 2006, também teria tido sua morte antecipada pela médica.
“É quase que domínio público dentro do hospital que o marido dela, com câncer terminal, teve a morte antecipada por esses mesmos procedimentos”, disse. “Ela reduzia os parâmetros do respirador, que tinham que ficar entre 40% a 60%, para 21%, que era o mínimo. Ela também baixava o ‘peep’ (mecanismo de ventilação assistida) para zero, baixava a frequência respiratória e aplicava sedativos fortes, como o sentanil, ketalar ou propofol. Isso acontecia quase toda a semana”, contou.

22 de Fevereiro de 2013•09h02• atualizado às 09h03
Médica presa pode ter antecipado morte do próprio marido, diz funcionária
Ex-chefe da UTI, Nelson Mozachi tinha câncer terminal e morreu em 2006
http://noticias.terra.com.br/brasil/policia/medica-presa-pode-ter-antecipado-morte-do-proprio-marido-diz-funcionaria,5196a08e8b10d310VgnVCM3000009acceb0aRCRD.html

Laís Almada Cordeiro

Por enquanto os acusados são apenas suspeitos. Ainda não podem ser chamados de assassinos. Mas só o fato de a possibilidade, de assassinato, existir é uma crueldade.
Gostaria de saber do Dr. Mário Lobato se o PERITO que acompanhou o Ministério Público no caso é especialista em CTI, caso contrário dará uma polêmica interminável. Como leiga, acho a coisa é tão séria que os acusados precisam usar da mais ampla defesa. E que as famílias que julgam que seus entes queridos foram assassinados, da mesma forma. Isto é, o mais amplo direito de acusação. Eu ia almoçar e a fome passou. Já havia visto o caso na TV, mas a entrevista é contundente. Dá pra entender melhor. E chorar também.

    Mario Lobato da Costa

    Bom dia Laís, Temos 3 peritos em UTI dentro da equipe (todos devidamente titulados).

Magda Viana Areias

Conceição, parabéns pela matéria até serena num assunto tão explosivo. Eu prefiro aguardar o desenrolar dos fatos no âmbito da Justiça. Não duvido do acontecido, por mais animal que ele seja, mas tenho pra mim que ainda não conhecemos a historia completa. Tem algo que não cheira bem na historia toda.

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