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Loja fora da lei: anuncia e vende produtos de amianto


19/08/2011 - 10h04

por Conceição Lemes

No estado do Rio de Janeiro inteiro, todos os tipos de amianto são proibidos, inclusive a crisotila. Lá, assim como em São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Mato Grosso, são ilegais extração, fabricação, comercialização, venda, uso e transporte da fibra in natura e todos os seus manufaturados, entre os quais telhas, canaletas, caixas d’água.

Sábado passado, 13 de agosto, Fabio Bahiense, engenheiro sanitarista e ambiental, da Associação Brasileira dos Consumidores Expostos ao Amianto (Abracam) surpreendeu-se ao folhear os classificados do caderno Casa & Você do jornal O Globo.

“A Chatuba não pode vender produtos com amianto, fere a lei nº 3.579, de 7 de junho de 2001”, observa Fabio, que, convencido dos malefícios do amianto aos consumidores, há cinco anos criou a Ong Abracam. “Foi a primeira vez que vi esse anúncio, mas provavelmente não foi a primeira vez que saiu.”

De fato, a Chatuba comercializa vários produtos à base de amianto, que podem ser comprados pelo serviço de televendas ou em suas lojas de Realengo, Nova Iguaçu, Nilópolis e Santa Cruz, na Baixada Fluminense.

Nessa quinta-feira, 18 de agosto, esta repórter fez um teste para comprovar. Ligou para essa  empresa de materiais de construção:

— Televendas Chatuba, bom dia!

— O senhor tem telha de amianto para vender?

— De que tamanho?

— Não sei bem…

— Tenho mais de 20 tamanhos. Tem telha de 20 reais, 30 reais, nove reais, 200 reais… Você precisa definir o tamanho da telha de amianto que você quer, pra eu te dar o valor…

“O amianto não é apenas questão de saúde ocupacional”, sustenta o pneumologista Hermano de Castro, pesquisador do Centro de Estudos  da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz, no Rio de Janeiro. “É também problema de saúde pública, sim.”

A fibra assassina, como é chamado o amianto, pode promover a longo prazo alterações nas células, causando câncer de pulmão. Também, ao longo do tempo, pode induzir ao mesotelioma de pleura (membrana que reveste o pulmão), de peritônio (membrana que reveste a cavidade abdominal) e de pericárdio (membrana que recobre o coração). É  um tumor maligno e extremamente agressivo, incurável e fatal e pode aparecer 30 anos ou mais  após o primeiro contato com o amianto.

“A Abrea [Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto] está acionando as vigilâncias sanitárias do estado e do município do Rio de Janeiro para autuarem as empresas de materiais de construção com base na lei estadual de proibição do amianto e na legislação trabalhista de proteção aos trabalhadores”, informa a engenheira Fernanda Giannasi, fundadora da Abrea. “Mesmo após cessado o vínculo trabalhista, a saúde de todo trabalhador que manipula amianto deve ter a sua saúde acompanhada até 30 anos depois de exposição à fibra cancerígena.”

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14 comentários

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moradora de Itaperuna

19 de julho de 2012 às 16h08

Prezados,
Em todas as lojas de material de construção das cidades do interior do Rio de Janeiro o comércio de telhas de amianto é nítido. Qualquer loja que entrar e perguntar se tem o produto a resposta será afirmativa. Hoje mesmo passando por uma loja onde comprei telhas coloniais vi telhas de amianto no chão para serem vendidas. Surpresa eu perguntei: mas como o Sr. continua vendendo essas telhas? No Rio de Janeiro e em outros estados brasileiros já foi proibída e fabricação e comercialização de material que contenha asbesto. E ele respondeu: não há fiscalização. Nem sabia disto. Todo mundo compra e vende aqui.
Num outro local perguntei: Sr. está comprando telha de amianto? Ele respondeu: sim. Qual o problema.
Tirei alguns minutinhos para explicar e consegui convecê-lo de levar uma telha de outro material.
Enfim… trabalho de divulgação é necesário, assim como o de fiscalização. Se isto acontece nos grandes centros, imagina no interior?

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JOSE DANTAS

01 de setembro de 2011 às 17h06

Do jeito que uma loja tem vinte tipos de telhas de amianto, encontramos nos cadernos policiais marginais de alta periculosidade com vinte de passagens pela polícia e nos dois casos percebe-se que não está havendo o cumprimento da Lei, ou a Lei está completamente fora da realidade e por esta razão não é cumprida. Quem olhar da janela do décimo andar de qualquer edifício, nos tetos do nono andar para baixo, onde a vista alcançar, o que se vê é telha e até caixas d'água de amianto, principalmente nos estados onde existe a proibição. A telha de barro, além de consumir uma matéria prima cuja extração degrada o meio ambiente, as cerâmicas utilizam em suas fornalhas lenha ou energia elétrica que é outra "droga". E aí? Enquanto não aparece a panacéia das coberturas vamos deixar nossos imóveis carecas, ou somente os dos vizinhos?

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Fora da lei: loja anuncia e vende produtos de amianto

23 de agosto de 2011 às 08h43

[…] Por Conceição Lemes, do Viomundo. […]

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FABIO BAHIENSE

20 de agosto de 2011 às 17h22

Amianto Não, Amianto Mata!!

Responder

FABIO BAHIENSE

20 de agosto de 2011 às 17h09

Amianto Não, Amianto Mata!!

Fabio Bahiense

Responder

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19 de agosto de 2011 às 19h39

[…] Loja fora da lei vende produtos de amianto   […]

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Edson_Joanni

19 de agosto de 2011 às 19h21

Mais duas fora da Lei:
Esta também do Rio: http://www.mfrural.com.br/detalhe.asp?cdp=1097&am
E esta da região de Campinas: http://www.socobert.com.br/telhas_com_amianto.asp

Mas se vcs fizerem uma pesquina rápida no Google vão achar mais.

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    Conceição Lemes

    19 de agosto de 2011 às 20h23

    Obrigada, Edson. Abs

Adilson

19 de agosto de 2011 às 14h53

Por falar em loja ilegal:

ZARA LUCRA EM CIMA DE TRABALHO ESCRAVO!!!!!

Existe uma campanha anti consumo chamada "1 ano sem Zara"

Eu proponho agora " Mil anos de cadeia para os donos da Zara!

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William Lima

19 de agosto de 2011 às 11h56

Pernambucanas rasga Código de Defesa do Consumidor na minha cara! Aqui não!

Código do Dinheiro dos Capitalistas

Sim, vocês leram certo: o Código de Defesa do Consumidor é rasgado na sua cara e dá lugar ao Código do Dinheiro dos Capitalistas. Se você tem direitos e não os conhece, deveria procurar se informar! O que vou contar agora aconteceu comigo dia 06/08/2011 na loja Pernambucanas em Marília-SP.

Fui com minha mãe comprar 2 aparelhos de celular para usar a operadora Vivo. Encontramos os modelos que procurávamos e fomos pagá-los no caixa. Enquanto a caixa passava os códigos de barras, víamos no monitor um valor 10 reais menor. Então minha mãe disse que estava sendo cobrado a menos. Foi quando a moça passou outro código de barras e o primeiro celular estava faturado com o 10 reais que faltavam. Qual não foi nossa surpresa quando a descrição do produto foi o Chip da operadora. Assim compramos os dois aparelhos. Eu questionei a moça do caixa se não dava para excluir os chips, porque só queríamos os aparelhos, ao que ela respondeu que ela só cobrava o que a vendedora lhe passava. Então minha mãe foi falar com a vendedora e ouviu a resposta de que só poderia vender assim. Quando perguntamos o valor do celular, na vitrine, a vendedora não havia nos informado que estava embutido o preço do chip de 10 reais. Não havendo meios de não comprar os chips, pagamos o valor cobrado.

Na hora de retirar a mercadoria, a atendente nos assediou. Explico: ela nos disse que precisaríamos fazer uma recarga em no máximo 2 horas para validar os chips, se não seriam cancelados automaticamente, e sugeriu, enfática: ‘se vocês quiserem, a gente faz a recarga aqui, agora, mas não se esqueçam, em 2 horas os chips serão cancelados!’ Além de eu não querer comprar os chips, depois de tê-los pagado ainda corria o risco de perdê-los (lembrando que duas recargas de 12 reais somariam mais 24 reais à compra). Eu perguntei: ‘mas se eu não fizer a recarga em 2 horas perco os chips pra sempre e tenho que jogá-los fora?’ Ela disse: Sim. Eu fui embora sem fazer a recarga.

Bom, eu não sou tão ignorante sobre meus direitos como consumidor, e achando a história muito estranha, resolvi tirar isso a limpo. Me dirigi a uma loja própria da Vivo e confirmei o que já desconfiava: o que a vendedora de celular tinha dito era mentira. Foi essa palavra que ouvi da atendente da Vivo: MENTIRA. Ela me disse que eu poderia ficar até uns 3 meses sem ativar o chip e, mesmo que tivesse algum problema depois desse período, bastava ir à loja e reativar o número.

Fiquei mais nervoso ainda e voltei na Pernambucanas. Disse para a vendedora que tinha falado na loja da Vivo e que a informação que ela tinha me passado era mentira. Acrescentei, ainda, que ela estava me pressionando para fazer a recarga pra ela ganhar comissão, além de ter feito uma venda casada com a inclusão do chip. O que eu ouvi da vendedora? ‘A gente tem que ganhar dinheiro’. Perguntei o nome do gerente e ela me disse que não sabia. Eu perguntei como ela não sabia o nome do gerente dela, e então ela me disse o nome. Fui procurar o fulano, mas me orientaram a falar com o gerente do setor de eletrônicos. Foi o que fiz. Contei para ele o que tinha acontecido, disse que aquilo era ilegal, que eu estava sendo assediado, que eles não poderiam nem ter feito a venda casada, nem me passado informações erradas sobre a recarga apenas para me obrigarem a fazê-la ali (para quem não sabe, as empresas que vendem aparelho de celular ganham comissão pela ativação de linhas. Daí a venda casada do chip e a insistência para eu ativar o chip na hora. Além disso, ganham comissão sobre a venda de créditos). O gerente me deu razão, disse que realmente o prazo não era de 2 horas, que a vendedora deu informação errada e frisou que as vendedoras de celular não são funcionárias da loja (isso não é problema meu, pois comprei dentro da loja o aparelho). Então, ele disse que eu poderia devolver os chips, já que estavam lacrados, e que poderia escolher outra mercadoria no valor de 20 reais. Resolvido isso, comprei outra mercadoria e fui embora.

Agora fico pensando: e os 99% que aceitam o chip na compra do aparelho e que ainda ativam o número no mesmo momento sob ameaça de ter o chip – muitas vezes desnecessário, porque pode ser apenas uma troca de aparelho e a pessoa vai continuar usando o mesmo chip que já possui – cancelado? Essa maioria paga por um produto que não usa e nem se dá conta de que está sendo enganado. Hoje eu disse ‘basta’, e espero que isso sirva de exemplo e fonte de informação para todos os demais consumidores.

Sei que a Pernambucanas não é a única loja que deve fazer isso. Sei também que a vendedora deve vender, cumprir ordens e bater meta para garantir o salário dela. Mas daí enganar os consumidores… Aqui não!

William Lima
Marília-SP

Responder

samantha ribeiro

19 de agosto de 2011 às 11h33

a pedido da ivanilsa, posto link para meu mural no fcbck com denuncia de sertanista:
https://www.facebook.com/?ref=home#!/notes/samant

o email de meirelles é [email protected]

Responder

Marcio H Silva

19 de agosto de 2011 às 10h45

A C hatuba anunciou. Tem muitas lojas que não anunciam e vendem o amianto aqui no RJ.

Responder

    Conceição Lemes

    19 de agosto de 2011 às 11h42

    Marcio, vc teria o nome delas? Passe pra gente, por favor. abs

    Marcio H Silva

    19 de agosto de 2011 às 12h26

    Conceição, to indo pra Resende. Vou procurar e se achar, segunda te passo. Vou ver a Dilma entregar o espadim para os cadetes. Se conseguir falar com ela, vou reclamar do veto aos aposentados e para não ter medo de levar adiante a lei de media, bem como se comunicar mais com o povão que tá carente de ver a Presidenta se pronunciar para a nação.


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