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Lista da Prefeitura de São Paulo de logradouros a serem rebatizados não inclui Roberto Marinho e Octávio Frias de Oliveira
Denúncias Falatório

Lista da Prefeitura de São Paulo de logradouros a serem rebatizados não inclui Roberto Marinho e Octávio Frias de Oliveira


14/08/2015 - 22h52

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Construída para servir de cenário à Globo

Da Redação

A Prefeitura de São Paulo divulgou a lista de logradouros com nomes de pessoas ou datas vinculadas à repressão durante a ditadura militar que serão rebatizados.

Mas, inexplicavelmente, deixou de fora o empresário Roberto Marinho, dono da TV Globo, cuja atuação foi fundamental para dar sustentação ao regime; também “esqueceu” de Octávio Frias de Oliveira, que emprestou um jornal — a Folha da Tarde — e veículos de entrega de jornais para campanas da Operação Bandeirante, que promoveu todo tipo de crueldade contra presos políticos.

Segundo o militante Ivan Seixas, “Octavião” tinha medo de ser fuzilado pelos guerrilheiros pelo papel que desempenhou durante a ditadura. Em editorial de 22 de setembro de 1971, Octávio Frias de Oliveira descreveu o governo do general Médici, no ápice da repressão, como  “sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular”. Presa durante a ditadura, a jornalista Rose Nogueira foi demitida da Empresa Folha da Manhã por abandono de emprego quando, segunda ela, seu empregador sabia que ela estava na cadeia! Nos estertores do regime, Frias pai se juntou à linha dura do general Silvio Frota, que era contra a abertura “lenta, gradual e segura”.

Ainda assim, ele dá o nome a um hospital e à ponte estaiada, aquela que foi construída para servir de cenário à TV Globo, nas proximidades da avenida Jornalista Roberto Marinho.

O documento abaixo, assinado pelo então embaixador dos Estados Unidos no Rio de Janeiro, Lincoln Gordon, descreve como Marinho tentou convencer o primeiro ditador, Castello Branco, a desistir de cumprir a promessa de eleições diretas prometidas pelos militares depois do golpe. “Marinho ficou definitivamente satisfeito, ao final da conversa, com o fato de que Castello não só não se oporia firmemente mas poderia até colaborar com passos para tornar possível sua reeleição, provavelmente através de uma forma de eleição indireta”, diz o texto. As eleições não aconteceram e os candidatos civis — inclusive o direitista Carlos Lacerda, o “Corvo” — foram todos cassados.

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É fato histórico que Marinho e Frias ajudaram a promover o golpe e deram sustentação editorial ao regime. Em compensação, viram seus negócios florescer. Enquanto isso, o empresário Mário Wallace Simonsen, dono da TV Excelsior, teve seu império destruído por se opor à derrubada do governo constitucional de João Goulart, como descrevemos nesta reportagem.

Sobre este assunto, vale ver “Cães de Guarda”, um livro que a própria autora, Beatriz Kushnir, diz que se tornou “maldito” nos círculos midiáticos. Por que?

 

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A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



16 comentários

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Joanisbel Amorim

15 de agosto de 2015 às 14h25

Sou de acordo de se colocar o nome de qualquer cachorro Vira-latas, para o lugar desses 2 sujeitos.

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Elias

15 de agosto de 2015 às 13h09

“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Tudo bem. Mas a Constituição de 1988, a eleição de Collor, a eleição de Fernando Henrique, a eleição de Lula, a eleição de Dilma, enfim, os trinta anos de democracia não foram suficientes para colocar um torturador atrás das grades e precisamente neste ano conturbado aparece essa “grande” ideia de mudar nomes de ruas vinculados à repressão na ditadura militar? Ah! Faça-me o favor. Temos coisas muito mais urgentes a revolver. Será que mudar nome de rua é uma compensação para os pífios resultados da Comissão da Verdade? Não pensem que não me sinto um reaça ao expor tal opinião. O caso é que essa ideia surgiu fora do tempo. Não tem por que mexer nisso agora. Aliás, bom seria se todas as ruas, praças e avenidas não tivessem mais nomes de pessoas. O bairro de Moema é um bom exemplo. Suas ruas tem nomes de pássaros. Por que não nomes de flores? árvores, peixes? Pirarucu, por exemplo.

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    Urbano

    16 de agosto de 2015 às 13h15

    Além do mais Elias, nessa condição de não retirarem os dois nomes citados, e numa eventual pergunta ‘pirarucu?’; nem se pode dizer que tiraram…

    Elias

    17 de agosto de 2015 às 16h28

    Em Manaus tem a Rua Pirarucu e tem também a Rua Boto Tucuxi. Mas tudo isso me parece ridículo, inclusive essa minha sugestão.

Urbano

15 de agosto de 2015 às 12h06

Sem equidade passa a ser serviço ainda mais sujo. Melhor deixar como está… Já está feito mesmo; vão só querer passar o pé em cima?

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Fabio SP

15 de agosto de 2015 às 11h32

Aécio, FHC, Serra também não estão na lista… Putz! Mandioca é tudo odiento!!!

Tem que mudar o nome da Fundação GETÚLIO VARGAS também!!!

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tiao

15 de agosto de 2015 às 10h31

Aqui em SBC : AV.31 de Março,Av.Castelo Branco,Rua Filinto Muller,são algumas da aberrações que persistem por aqui.

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marcio ramos

15 de agosto de 2015 às 09h43

… a servidão voluntária minha gente… ou nem tão voluntária? Vai lá PT coloca pra f….

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João Carlos

15 de agosto de 2015 às 07h43

Num país que está à beira de um Golpe institucional, que não revisou a “lei de anistia”, que não puniu a tortura e seus responsáveis, não seria possível olhar o copo quase cheio ao invés do pouco que lhe falta encher

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Cláudio

15 de agosto de 2015 às 02h13

:
: 02:13
.:. Absurdo ! ! Inexplicável, ou qual será o malabarismo político para mais essa afronta ao povo brasileiro? Haddad, tô te desconhecendo…
.:.
Fora de pauta (ou não?) mas de possível interesse progressista :
*
Examinando algumas efemérides interessantes de hoje (15/08), descobre-se que, nesta data, 15 de agosto, nasceu em 1825 – Bernardo Guimarães, escritor brasileiro (m. 1884). Também neste dia 15 de agosto, em 1909, há 106 anos,morreu Euclides da Cunha, escritor brasileiro (n. 1866).
*
Euclides Rodrigues da Cunha (Cantagalo, 20 de janeiro de 1866 — Rio de Janeiro, 15 de agosto de 1909) foi um engenheiro, militar, físico, naturalista, jornalista, geólogo, geógrafo, botânico, zoólogo, hidrógrafo, historiador, sociólogo, professor, filósofo, POETA, romancista, ensaísta e escritor brasileiro.
*
Famoso sobretudo por abordar a Guerra de Canudos em sua grande obra intitulada Os Sertões, Euclides, segundo a Wikipédia, deixou Canudos quatro dias antes do fim da guerra, não chegando a presenciar o desenlace. Mas conseguiu reunir material para, durante cinco anos, elaborar Os Sertões: campanha de Canudos (1902). Os Sertões foi escrito “nos raros intervalos de folga de uma carreira fatigante”, visto que Euclides se encontrava em São José do Rio Pardo liderando a construção de uma ponte metálica. O livro trata da campanha de Canudos (1897), no nordeste da Bahia. Nesta obra, ele rompe por completo com suas ideias anteriores e pré-concebidas, segundo as quais o movimento de Canudos seria uma tentativa de restauração da Monarquia, comandada à distância pelos monarquistas. Percebe que se trata de uma sociedade completamente diferente da litorânea. De certa forma, ele descobre o verdadeiro interior do Brasil, que mostrou ser muito diferente da representação usual que dele se tinha.
*
Euclides se tornou internacionalmente famoso com a publicação desta obra-prima que lhe valeu vagas para a Academia Brasileira de Letras (ABL) e para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). A obra Os Sertões divide-se em três partes: A terra, O homem e A luta. Nelas Euclides analisa, respectivamente, as características geológicas, botânicas, zoológicas e hidrográficas da região, a vida, os costumes e a religiosidade sertaneja e, enfim, narra os fatos ocorridos nas quatro expedições enviadas ao arraial liderado por Antônio Conselheiro.
*
Uma faceta menos conhecida do grande escritor Euclides da Cunha é a sua atividade poética, que fez valer pelo menos um poema de relativo destaque, o seguinte soneto:
*
Se acaso uma alma se fotografasse
De sorte que, nos mesmos negativos,
A mesma luz pusesse em traços vivos
O nosso coração e a nossa face
*
E os nossos ideais, e os mais cativos
De nossos sonhos… Se a emoção que nasce
Em nós, também nas chapas se gravasse,
Mesmo em ligeiros traços fugitivos;
*
Amigo, tu terias com certeza
A mais completa e insólita surpresa
Notando — deste grupo bem no meio —
*
Que o mais belo, o mais forte, o mais ardente
Destes sujeitos é precisamente
o mais triste, o mais pálido, o mais feio.
*
*
Numa análise inicial, segundo Bráulio Tavares, percebe-se que “É um clichê, é a fantasia romântica sobre a possibilidade de enxergar a verdadeira alma de alguém”… E, ainda, indo-se adiante, é possível observar que “O sentido moral do soneto, o que parece ser o objetivo do poeta, é a idéia convencional de que essência e aparência são contraditórios, “quem vê cara não vê coração”.”.
*
A releitura, em nova perspectiva, agora, pode também trazer outro ponto de vista. Este soneto sempre pareceu “dizer, em seu desfecho: “Esse indivíduo que você está vendo nesse grupo, esse indivíduo tão belo, tão forte, tão ardente, é na verdade o mais feio de todos, e nós perceberíamos sua feiura, se pudéssemos enxergar sua alma”. Mas como o poeta coloca entre esses dois tipos um sinal de igualdade, é possível ler também o inverso: “Sabem quem é o mais belo, forte e ardente desses indivíduos? É precisamente esse que, quando o vemos apenas por fora, é de todos o mais triste, pálido e feio”. É o sertanejo. O sertanejo “desgracioso, desengonçado, torto” que de início despertou menosprezo em Euclides, mas aos poucos o conquistou pela sua bravura, estoicismo, grandeza moral. Fotografado de fora, era o “Hércules-Quasímodo”. Quando emergiu de si mesmo, transfigurou-se no “titã acobreado e potente”, graças ao olho-câmara do poeta-jornalista. “…
*
Euclides, um abre-alas para a redenção do sertanejo, o brasileiro típico, tão desconhecido (ou propositadamente ignorado) ainda pelas instâncias de poder (in)formal (paralelo) atuantes concorrentemente no interior da sociedade estabelecida em desaprumo, mesmo que os governos progressistas dos recentes 13 anos venham tentando resgatar a sua cidadania integrando-o ao Brasil contemporâneo, moderno, atual, multidiverso, participativo, igualitário.
.:.
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Ley de Medios Já ! ! ! ! Lula 2018 neles ! ! ! !
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Ley de Medios Já ! ! ! ! Lula 2018 neles ! ! ! !
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Responder

Lukas

15 de agosto de 2015 às 00h17

Será que Delfim Neto vai ganhar uma rua com seu nome quando morrer? A depender de Lula, sim.

E o Maluf, que apoiou o Haddad em sua eleição, merecerá uma homenagem póstuma?

Lembrando sempre que apoiar o PT sempre limpou biografias.

Responder

    Ozzy Gasosa

    15 de agosto de 2015 às 08h32

    O LUKH dê preferência seria ótimo que colocassem nomes da tucanalha, né?

    Fabio SP

    15 de agosto de 2015 às 11h34

    Gasosa, aqui em Sampa é assim mesmo!!! Preferimos os tucanalhas aos MANDIOCAS!!!

FrancoAtirador

14 de agosto de 2015 às 23h55

.
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Convenhamos que também nenhuma das ‘Comissões da Verdade’
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investigou o envolvimento desses Empresários de Comunicação
.
nas Prisões, Torturas e Execuções Sumárias durante a Ditadura Militar.
.
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Responder

eduardo souto jorge

14 de agosto de 2015 às 23h29

Que coisa louca!!! Sera possivel que o povo brasileiro, todos os elementos, nestes 12 anos , nao poderiam vencer o Sistema Globo de Comunicacao? A radio Nacional, a TV BRASIl, o tempo legal que o Governo Federal (porra ate o Cunha falou) tem direito , mesmo assim com a seringa na mao, chegamos a esta situacao terrivel que o Brasil esta passando. Nao adianta ”chorar o leite derramadó”. VAMOS PARA a luta!

Responder

Walter

14 de agosto de 2015 às 23h21

Esse é o PT que todos conhecemos. Grunhindo para os mortos e lambendo o tapete para a mídia. Revisionismo midiático, já que feito pela metade.

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