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Júlio Cerqueira César: Sem racionamento, SP chegará a outubro sem água


26/04/2014 - 18h28

Para conselheiro da Fiesp, Júlio Cerqueira César Neto, não há outra solução, do ponto de vista técnico, que não seja o racionamento de água para enfrentar a crise do Sistema Cantareira

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

São Paulo vai chegar à primeira semana de outubro com o Sistema Cantareira seco, sem volume morto, quantidade de água localizada em uma região mais profunda do reservatório, e com as chuvas do período ainda em sua fase inicial, incapazes de reabastecer o reservatório antes dos seis meses, diagnosticou nesta terça-feira (22/04) o engenheiro Júlio Cerqueira César Neto.

“Estamos em uma situação em que temos que nos conscientizar. Vamos ter seis meses, depois de outubro, sem o Sistema Cantareira. E como os outros sistemas também não estão na plenitude de sua capacidade, vamos ter uma restrição de abastecimento de mais de 50%”, afirmou.

“Imagine uma região desse porte com uma economia de 50% do sistema por pelo menos por seis meses que é enquanto se enche o volume morto”, completou o engenheiro.

Ao participar da reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de Saulo (Fiesp), Cerqueira César Neto afirmou que a única solução para contornar a crise de abastecimento do principal reservatório de água da cidade é o racionamento.

“Sob o aspecto técnico, não há dúvida que a única solução a curto prazo é o racionamento. A engenharia não tem solução a curto prazo para esse problema”, explicou.

Neto avaliou que a crise de abastecimento pode se estender por até um ano e meio, já que, segundo o engenheiro, o Sistema Cantareira demora um ano para se recompor desde que sejam retirados dele menos de 15% da sua capacidade. “Vamos ter um ano e meio em que a cidade vai ter a possibilidade de menos da metade da água que necessita. Vai faltar água na casa, na indústria, no comércio. Todo o sistema da cidade será afetado com essa dificuldade e não temos de onde tirar essa água”.

O Sistema Cantareira fornece água para mais de 8 milhões de pessoas na Grande São Paulo e atingiu níveis menores do que 12% nas últimas semanas, recorde de baixa. Segundo Neto, essa crise “vai exigir de nós competência e criatividade que ainda não demonstramos”.

Segurança hídrica

Engenheiro e conselheiro da Fiesp, Neto afirmou que os projetos de abastecimento de água de qualquer cidade devem prever fatores cíclicos, inclusive variações extremas de clima que “são coisas absolutamente naturais e existem no Brasil e no mundo inteiro”.

“Os sistemas têm de ter segurança hídrica e o nosso sistema não tem isso. E a causa fundamental dessa seca é a absoluta falta de investimento do governo em novos sistemas de abastecimento nos últimos 30 anos”, criticou.

Segundo ele, a população de São Paulo aumentou em 10 milhões desde a década de 1990 enquanto os mananciais são os mesmos. “Não são suficientes para atender com segurança hídrica. A consequência só poderia ser essa”.

“A própria natureza fez o seu próprio alerta. Em 2003 ela produziu uma estiagem prolongada e nem esse alerta da natureza foi suficiente para mudar a condição”, afirmou Cerqueira César Neto.

Além de comentar a crise do Sistema Cantareira, o engenheiro apresentou, durante o encontro, seu livro “Um Estadista Urgente – São Paulo está precisando”, que ainda não foi lançado.

Na obra, ele analisa 12 itens da pauta pública na região metropolitana de São Paulo: abastecimento de agua, esgoto, poluição das águas, poluição do ar, enchentes, habitação, transporte, gestão metropolitana, gestão de recursos hídricos, comportamento da Sabesp, educação, saúde, e segurança pública.

“Nas minhas reflexões em torno dessa situação cheguei à conclusão que todos esses itens estão indo de forma negativa e não é pouco”, disse Neto. “Da minha parte eu cheguei a uma conclusão: de 1990 para cá, os nossos governos deixaram de governar e a nossa sociedade deixou de reclamar e exigir os seus direitos”, analisou.

A reunião do Cosema foi presidida pelo presidente do conselho, Walter Lazzarini.

 Leia também:

Júlio Cerqueira César: Alckmin e Sabesp já fazem racionamento de água





29 comentários

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andres pascal souza

04 de agosto de 2014 às 19h31

É…

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Claudio

29 de abril de 2014 às 19h37

Vai ser legal, assim o Rio irá vender água pros paulistas. Que vergonha esse estado! Mas, o mais vergonhoso é o povo de São Paulo, que bate palma pra esse governo sem-vergonha do PSDB. Chupa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Paulão

29 de abril de 2014 às 16h11

Será que o Governo Federal ainda terá que ajudar ao povo de São Paulo a sair desta enrascada. Afinal se faltar água todos podem não votar e também processar os tucanos.
Mas e as famílias, hospitais, crianças etc, como ficam???

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Jose C. Filho

29 de abril de 2014 às 08h17

Os tucanos se assemelham em muito aos gafanhotos; por onde passam deixam para trás terra arrasada.

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Antonio

29 de abril de 2014 às 06h57

Só é ruim para o Alckmin porque se faltar água no dia da eleição todo mundo vai votará fedendo. Fedendo também de raiva do atual (des) governador do Estado de São Paulo. E esse pessoal descontente votará em Padilha, com certeza.

E o voto será casado: Padilha+Dilma.

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Sérgio Rodrigues

28 de abril de 2014 às 16h59

Como a situação e de urgência, ao invés de esperar por chuvas, por que não utilizar o manancial do Aquífero Guarani sob São Paulo?…É possível implantar poços com produção de até 700.000l/h.

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Bárbara de Pindorama

28 de abril de 2014 às 12h38

Principal problema: com esse numero – milhões – de usuários não há solidariedade possível para a economia de água. Vamos economizar depois de acabar a água e soltarem uma gotinha para cada casa. Aí sim.

Sobre os culpados? todos que aceitamos a privataria das ações das empresas como solução e votamos nessas figuras.

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Zanchetta

28 de abril de 2014 às 08h40

Não vai ter racionamento, vai ter “rodízio”. É como concessão e privatização, são totalmente diferentes…

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Reinaldo

28 de abril de 2014 às 02h53

O DESgovernador alkimim tem duas opções:
1 – mandar toda a população para outros estados, os nordestinos seriam deportados definitivamente para seus estados de origem.
2 – importar todos os carros pipas e agua do nordeste, pena que o alkimim não conheça o nordeste, a maioria dos pipas já não mais existem, os governos estaduais em parceria com o governo federal construiram centenas de represas e cisternas, hoje o povo nordestino, que enfrentou a pior seca em 50 anos, nenhum cidadão morreu de sede e nem de fome, venha para o nordeste senhor alkimim, e veja como o nordeste progrediu, graças ao presidente Lula e continuidade do governo de Dilma, foi por essa razão o senhor e o serra nunca consaguiu ser eleito presidenta da republica, pois nem conhece o estado em que mora. Fico a imaginar a “CATASTROFE” que será para a população de São Paulo, bem como para a economia do estado, centenas de empresas fecharão, pois a agua é um insumo basico, assim como a energia, não é só de “BANHO” que a população paulistana e de municipios visinho ficarão, mas, de empregos tambem, se como fala, que em junho o sistema entrará em “COLAPSO”, haverá um “CAOS”, os demos tucanos pedem tanto, que agora eles foram “CONTEMPLADOS”, agora não pode recusar, o diabo demorou para atender o pedido deles, agora está atendendo, senhor alkimim, transfira seu governo para uma igreja, tu precisa orar muito, e com esses engarrafamentos monstros, suas orações serão prejudicadas.

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lukas

27 de abril de 2014 às 21h18

Difícil esconder o clima de comemoração.

É tetra, é tetra…!

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Marat

27 de abril de 2014 às 20h54

A impren$$$a age como o pessoal louco no hospício, que faz tudo o que o diretor manda!

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Urbano

27 de abril de 2014 às 20h00

Aí sem conchavos principalmente do pig e do staf (pois São Pedro não é disso), a pajelança tungana vai de água abaixo, permitindo assim que o Padilha passe uma temporada no Palácio dos Bandeirantes, a partir de janeiro de 2015.

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Luís Carlos

27 de abril de 2014 às 18h40

SP é o caos. Não tem água por absoluta incompetência do tucanato “técnico espacilizado”. A grande mídia corporativa amiga do tucanato se faz de morta e silencia. Nenhuma palavra sobre esse desastre para o povo e economia de SP. Se fosse o PT, meses atrás já estariam fazendo capas em suas revistas, jornais e matérias de 18min.

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Fernando

27 de abril de 2014 às 18h38

Os tucanos fazem com as estatais, que eles administram, como no caso da SABESP, exatamente o que eles acusam o PT, ou seja a instrumentalização das mesmas pelo PSDB e a favor do projeto de poder. E não admitem ser criticados por isso e com a cumplicidade da mídia. Eles, tucanos e mídia, podem criticar o governo federal com sua política energética com alegações de risco de apagão elétrico, mas quando se levanta a questão da falta de água, muito mais próximo da realidade, pois o risco de racionamento elétrico é muito, mas muito menor, a Presidente da Sabesp, Dilma Pena, acusa Padilha de “oportunismo”. Paras as estatais federais, como Petrobras ou Eletrobras, vale tudo, para as estatais estaduais administradas por tucanos um tratamento diferenciado.

A postura do empresariado e da classe média paulista é tragicômica na sua “lealdade” aos tucanos, melhor ficar sem água que perde-los, devem achar, todavia não vão afundar junto com o PSDB, porque não haverá água suficiente para afundar, vão morrer abraçados no seco mesmo.

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Fabio Passos

27 de abril de 2014 às 11h11

PiG + psdb = terra arrasada
Em 2014 a população de SP vai resgatar o Estado destes tucanos irresponsáveis e incompetentes.

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Julio Silveira

27 de abril de 2014 às 07h50

Os tucanos estão conseguindo transformar o estado mais rico da federação num Saara. Realizam assim sua grande vocação, a de conduzir as riquezas e capacidades para um grande deserto.

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Francisco

27 de abril de 2014 às 01h18

O “Movimento Torneira Livre” ainda não se manifestou (nem vai)…

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Marat

27 de abril de 2014 às 00h06

Sistema educacional falido; Justiça desacreditada; Mau gerenciamento da água; Criminalidade altíssima; Transporte público destroçado; Superfaturamento nos trens etc., etc., etc…
Como é que pode essa turma continuar ganhando as eleições? E eles ganharão de novo! Devem isso ao PIG, que, mesmo mentindo, tergiversando e sofismando consegue enganar os pouco (ou nada) inteligentes, que existem aos montes em SP!

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    Bárbara de Pindorama

    28 de abril de 2014 às 13h01

    Não se pode processar a imprensa por ocultação da verdade?

Jonas Moreira

26 de abril de 2014 às 19h34

Se este senhor está certo, o que parece ser o caso, não há saída senão por o Gov. Alkmin na cadeia. E o MP de SP onde anda?

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    Antonio

    27 de abril de 2014 às 14h03

    O MP?
    Ora, faz muito tempo que o MP está a serviço do gabinete do governador.
    Além disso, seus pavões limitam-se a fazer política barata para ver quem consegue ser o procurador geral.

    Luís CPPrudente

    28 de abril de 2014 às 17h07

    Talvez o Ministério Público esteja esperando o Padilha ser eleito e assumir. Só depois disto o Ministério Público vai agir: vai pedir a prisão do Padilha por ser o governador de São Paulo e por não ter feito nada contra a seca!

    Do nosso Ministério Público (Tucano) podemos esperar tudo.

FrancoAtirador

26 de abril de 2014 às 19h16

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O engenheiro Júlio está sendo otimista.

“Os cálculos divulgados pela própria SABESP
projetam um cenário ainda mais pessimista
para o fim do “volume útil” do Sistema Cantareira.
A empresa estima que, no pior panorama, a água represada
acima do nível das comportas do manancial
que abastece 47% da Grande São Paulo e a região de Campinas
se esgote em 21 de junho”

(http://noticias.r7.com/sao-paulo/seca-com-novo-recorde-negativo-da-historia-nivel-do-sistema-cantareira-chega-a-134-31032014)
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Leia também:

Com mais uma queda na semana, nível do Cantareira chega a 11,4%

(http://noticias.r7.com/sao-paulo/com-mais-uma-queda-na-semana-nivel-do-cantareira-chega-a-114-25042014)
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