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Hêider Pinto: Governo Temer faz médicos de palhaços; corta benefícios e punirá quem não ficar três anos no Mais Médicos
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Hêider Pinto: Governo Temer faz médicos de palhaços; corta benefícios e punirá quem não ficar três anos no Mais Médicos


09/11/2016 - 13h45

temer e médicos

por Conceição Lemes

O Diário Oficial da União (DOU) trará nesta sexta-feira (11/11) um edital do Ministério da Saúde para selecionar mil profissionais brasileiros para o Programa Mais Médicos. As inscrições irão de 20 de novembro a 23 de dezembro.

Quem lê a nota enviada à imprensa, publicada também no portal do Ministério da Saúde, acha que é um “saco de bondades” para os novos médicos que ingressão no programa.

Ela diz:

É o primeiro edital que busca atrair profissionais formados no país em vagas hoje ocupadas por médicos da cooperação com a OPAS. Meta é substituir 4 mil cubanos em três anos

A primeira medida para ampliar a participação de brasileiros no Programa Mais Médicos tem início nesta semana. O Ministério da Saúde lança, nesta sexta-feira (11), edital para substituição de médicos da cooperação com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Ao todo, são mil novas vagas em 462 municípios, sendo 838 ocupadas atualmente por profissionais cubanos e outras 166 relativas à reposições de desistentes. A gradual expansão da quantidade de brasileiros foi um compromisso assumido pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, já no início de sua gestão.

(…)

Nesse primeiro edital, as oportunidades estão, em sua maioria, localizados em capitais, regiões metropolitanas e em municípios com mais de 250 mil habitantes. Outra novidade é que o médico terá 15 dias para permutar sua vaga com outro profissional selecionado. Com isso, os candidatos terão mais uma chance de o médico garantir atuação onde deseja entre as cinco opções que podem fazer. A cada três meses, um edital trará novas vagas.

(…)

Nos editais realizados em 2015 e em julho deste ano, 100% das vagas foram ocupadas por médicos brasileiros formados no Brasil e no exterior, o que demonstra maior interesse desse público pelo programa.

O release, porém, não conta toda a verdade sobre o edital que será publicado na sexta-feira.

Em coletiva de imprensa nessa terça-feira (08/11), o ministro da Saúde, o engenheiro Ricardo Barros, anunciou duas mudanças cruciais nas regras do Programa Mais Médicos, como revelou a Folha de S. Paulo:  

1. Agora, os médicos só poderão se inscrever para atuar por até três anos – antes, havia a possibilidade de permanência por até um ano.

2. Antes, aqueles que atuassem por até um ano recebiam como benefício um bônus de 10% na nota das provas para ingresso na Residência Médica. O bônus de 10% foi retirado deste novo edital.

“Em meio a muita pirotecnia, o ministro da Saúde tenta esconder algo muito grave”, denuncia o médico sanitarista Hêider Pinto, coordenador do Programa Mais Médicos no governo Dilma.

“O governo Temer cortará o benefício dado aos médicos brasileiros que participam do Programa e que foi responsável por todas as vagas ofertadas desde 2015 terem sido ocupados justamente por estes médicos”, alerta.

Tecnicamente, não há justificativa para a iniciativa.

A integração do Programa de Valorização da Atenção Básica (Provab) com o Mais Médicos em 2015 e a consequente soma de benefícios de ambos fez com que, a partir do ano passado, todas as vagas ofertadas no Programa fossem ocupadas por profissionais brasileiros.

Dois em cada três médicos brasileiros que se inscrevem no Programa optam por ficar 1 ano e receber os 10% em vez de permanecer 3 anos e receber auxílio-moradia e ajuda de custo.

Esse benefício está previsto na Lei 12.871, e garante aos médicos uma bonificação de 10% na seleção da Residência Médica, que é o modo pelo qual os médicos se formam como especialistas.

“Devido a essas mudanças provavelmente as vagas não serão preenchidas totalmente por brasileiros”, prevê Hêider Pinto. “O governo terá, então, que convocar médicos estrangeiros. E até eles chegarem, a população poderá ficar sem atendimento, ainda mais num momento de troca de prefeitos.”

“Contraditoriamente, ou demagogicamente, o governo anuncia prioridade para os brasileiros e toma uma medida que os afastam do Programa, podendo resultar no aumento de estrangeiros”, diz, perplexo. “Ainda mais anunciando que criará punições para os médicos brasileiros que não ficarem os 3 anos completos.”

Então, por que esse absurdo de medida?

Certamente, o governo Temer associa falta de conhecimento do programa com arrogância.

“A medida parece ainda uma concessão às entidades médicas que são contra os 10% de bônus na Residência Médica”, observa Hêider Pinto. “Além disso, elas pediram ao ministro para acabar com o Mais Médicos (e ele não pôde fazer), pediram para tirar os médicos cubanos (e ele renovou o acordo com Cuba), pediram para o Governo não abrir as escolas previstas (e o governo abriu 3 mil novas vagas, incluindo 500 onde não havia necessidade)”.

“O governo Temer está fazendo os médicos de palhaços”, arremata o ex-coordenador do Mais Médicos. “Um paradoxo. Afinal, foi um setor cujas entidades mais conservadoras foram às ruas contra a presidenta Dilma e apoiaram abertamente o golpe contra ela.”

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10 comentários

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Batista

12 de novembro de 2016 às 14h31

Caros amigos, não se preocupem com a falta de médicos em lugares distantes.e carentes desses profissionais, acreditem: aqui no Brasil existem médicos Brasileiros formados no exterior que estão prontos para trabalhar e desempenhar um trabalho de excelente quantidade.
Somos milheres.de Brasileiros.que fizemos o curso fora e já.estamos prontos e ansiosos para ajudar essa.população que tanto precisa dos nossos.trabalhos.
Muitos falam coisas que não sabem, mas nós, certamente preencheremos todas essas vagas sem dúvida alguma.
Contrario à presidente Dilma que não dava oportunidades para essa categoria de brasileiros formados no exterior, Michel Temer é mais justo e está nos dando essa opoetunidade. Não somos empresários e nem temos dinheiro nem vínculo com qualquer empresa farmacológica, somos uma classe independente.
Queremos mostrar nosso valor, Não queremos aqui afrontar nem uma classe, só dizer que estamos muito felizes que iremos trabalhar no nosso pais junto de nossos familiares.
Foram muitos anos de estudos e merecemos uma oportunidade.
Médicos formados no exterior.

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Felipe

10 de novembro de 2016 às 22h43

O governo está correto. A prioridade deve ser dos brasileiros. Contratar cubanos é sustentar ditadura e ponto final. É sujar maos com sangue meus senhores. Na minha humilde opinião o governo brasileiro deveria oferecer imediatamente asilo político a todos os médicos cubanos que quiserem aqui permanecer e fazer um acordo com as entidades médicas para criar uma lei que gere mecanismos para revalidação dos diplomas deles. A bonificação de 10% também é absurda. Gera distorções nos concursos de residência medica.

Responder

    Eu

    11 de novembro de 2016 às 02h17

    Comentário triste e sem noção. O trabalho desenvolvido pelos médicos cubanos é mundialmente reconhecido, inclusive com elogios estadunidenses pela atuação em áreas carentes e em atendimento às situações de grandes tragédias, como nos terremotos e outras catástrofes ambientais. Não vieram ao Brasil à força, foram convidados pelo governo brasileiro após os profissionais daqui não se prontificarem a prestar serviços em locais de menor condição socioeconômica. Como de resto acontece em todos os lugares do mundo aonde vão as “missiones”, como chamam a colaboração com a OPAS. Portanto, não fazem concorrência aos brasileiros, e ainda atuam em uma área carente de profissionais nacionais, a saúde comunitária, ao contrário dos nativos que buscam sempre a super-especialização. Quanto às “mãos sujas de sangue”, além de associar coisas sem relação, já que os médicos não são ditadores ou seus funcionários (o governo cubano tem acordo com a OPAS, não com os médicos), basta ver quem tem mais sangue nas mãos: eles ou os responsáveis pelo abandono das áreas carentes do nosso País. Repetir doutrinação barata não é mostrar-se informado, mostra apenas limitação intelectual e desrespeito a profissionais que fazem o que deveríamos todos fazer, em todas as áreas de atuação, trabalhar com alguma alteridade em relação aos desvalidos.

    bonobo de oliveira, severino

    11 de novembro de 2016 às 07h18

    Oh Felipe. Vc sabia que o muro de Berlim foi derrubado em 1989?

    Esse seu discurso não estaria um tanto desatualizado?

    Dá uma olhada nisso e veja se essas coisas recentes que mudaram o mundo não chegaram ainda no seu planeta.

    http://www.suapesquisa.com/pesquisa/queda_muro_berlim.htm

FrancoAtirador

10 de novembro de 2016 às 18h05

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Não Fosse o Cartel de Mídia Empresarial
dar os Comprimidinhos Azuis e Amarelos

esses Broxas Phoderosos de braZ-ilha
não seriam sequer Síndicos de Prédio.
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Responder

FrancoAtirador

10 de novembro de 2016 às 17h24

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As Cúpulas dos Conselhos de Medicina Tão Nem Aí Para a Saúde Pública.

São Médicos Empresários, Sócios de Hospitais e/ou Clínicas Particulares,

que realizam ‘Parcerias’ com Laboratórios Farmacêuticos Multinacionais.
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Responder

ro

10 de novembro de 2016 às 11h05

Com a crise é bem provável que as vagas sejam preenchidas, mas que esses médicos merecem levar no lombo, isso eles merecem, categoria arrogante, acha que só eles sabem. Mas a crise no SUS é por culpa deles e quem leva a culpa e quem tá lá todo dia dando a cara a tapa, auxiliares, enfermeiras e outros.

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edson gomes de lima

10 de novembro de 2016 às 09h29

Para mim o médico que se forma em uma instituição federal. obrigatoriamente teria que prestar serviço no SUS,no mínimo por um ano, recebendo no máximo uma ajuda de custo pois não é justo que o cara se forme e vá para seu consultório particular e não ressarça quem subsidiou seu curso(nós contribuintes).

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Marcia Pereira Guimarães

09 de novembro de 2016 às 17h00

E detalhe, nas manifestações contra a Dilma colocaram o narizinhovde palhaço. Pois doutores, o mundinho de vocês também deu volta. Não sou a favor do que o ministro está fazendo da jeito nenhum. MAd deixem de ser analfabetos políticos.

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marcio gaúcho

09 de novembro de 2016 às 14h53

A classe médica bem que merece isso. O feitiço virou contra o feiticeiro. Mas, a solução pode estar bem perto: 2018.
Basta afiar os seus bisturis e apostar na volta de Lula, fazendo campanha aberta em reuniões, congressos e consultórios médicos. Como sempre, querem estar na vantagem, em detrimentos dos demais.

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