Governo quer ouvir Embrapa sobre demarcação de terras indígenas

Tempo de leitura: 2 min

Gleisi quer se eleger governadora do Paraná; ou seja, os indígenas estão perdidos

08/05/2013 – 14h48
Governo deve anunciar novo modelo de demarcação de terra indígena

por MÁRCIO FALCÃO


DE BRASÍLIA, na Folha

A ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) afirmou nesta quarta-feira (8) que o governo deve anunciar até o fim do primeiro semestre um novo modelo de demarcação de terras indígenas, descentralizando a ação que hoje é atribuição da Funai (Fundação Nacional do Índio).

Em audiência da Comissão de Agricultura da Câmara, a ministra afirmou que o novo sistema ainda está sendo discutido, mas a principal medida é a inclusão de mais órgãos do governo no processo de definição de terras indígenas, como a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que teria como função elaborar um mapa da situação dessas áreas no país.

Também devem ser consultados o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o da Agricultura. Atualmente, essa tarefa cabe apenas à Funai, ligada ao Ministério da Justiça.

Gleisi admitiu falhas no processo de demarcação realizado pela fundação. A ministra afirmou que o órgão não leva em consideração, por exemplo, questões de conflito. Ela, no entanto, disse que as medidas adotadas pela Funai não podem ser consideradas criminosas.

“É errado dizer que a Funai é criminosa”, disse. “A Funai não está preparada, não tem critérios claros para fazer gestão de conflito, não tem capacidade para fazer mediação”, afirmou.

A ministra foi convocada para prestar esclarecimento à comissão sobre a demarcação de terras indígenas. A reunião já dura mais de quatro horas.

Aos parlamentares a ministra afirmou que o governo espera nos próximos dias estudos sobre demarcações de terras indígenas para o Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Um relatório sobre a situação do Paraná levou a Casa Civil a pedir ao Ministério da Justiça a suspensão de processo de demarcação no Estado.

Os deputados estão cobrando do governo a suspensão de todos os processos de demarcação que estão sendo tocados pela Funai. A ministra informou que cerca de 90 processos estão em curso.

Na tarde de hoje, parlamentares da bancada ruralista vão protocolar um pedido para a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a Funai.

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Comentários

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Urbano

Tomamos-lhes todo o Brasil e não queremos ceder nem uma pequena parte para eles viverem da forma que quiserem, por puro direito, pelo menos divino??? Em sendo assim é pura desumanidade aliada a uma exacerbada cretinice. Por que essa atitude segregativa não se tem em relação aos brancos donos de imensos latifúndios, inclusive improdutivos, porém disfarçados como produtivos? E pior, a maior parte grilada.

Uélintom

“(…)“A Funai não está preparada, não tem critérios claros para fazer gestão de conflito, não tem capacidade para fazer mediação”(…)”

Gestão de conflito: sim, a Funai não foi criada para gerir conflitos. Por isso, quem acompanha os processos de demarcação é o Ministério Público Federal que está, sim, preparado para negociação e gestão de conflito. Por acaso a Embrapa está preparada para gestão de conflito?!!

O Estado brasileiro não fez “mediação” quando os índios foram expulsos de suas terras, tanto por ruralistas quanto pelo próprio Estado.

Parece coisa de extrema direita dizer que a luta pela garantia do direito à vida é a causadora de conflitos. Jamais, em toda a minha vida, esperava ouvir isso da boca de alguém do PT.

    MBC

    Apoiado! Matou a pau!

Mateus

Isso me fez lembrar daquele perito que analisou o carro do filho do Eike Batista. Foi acusado de incompetente. Simplesmente porque mexeu com gente “grande”.
A FUNAI ta igualzinha ao perito. Uma das atribuições dela é justamente a demarcação de terras. E agora é acusada de incompetente.
E essa ministra esta sendo uma covarde ao ceder aos ruralistas.

Pedro Saraiva: Sobre a vinda dos 6.000 médicos cubanos – Viomundo – O que você não vê na mídia

[…] Infelizmente até a classe médica aderiu ao ativismo de Facebook. O cara lê a Veja ou O Globo, se revolta com o governo, vai no Facebook, repete meia dúzia de clichês ou frases feitas e sente que já exerceu sua cidadania. Enquanto isso, a população carente, que nem sabe o que é Facebook morre à mingua, sem atendimento médico brasileiro ou cubano. Leia também: Governo quer ouvir Embrapa sobre demarcação de terras indígenas […]

lulipe

“(…)“A Funai não está preparada, não tem critérios claros para fazer gestão de conflito, não tem capacidade para fazer mediação”(…)”

E vieram descobrir isso agora???

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