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Aids: Ativistas denunciam que desativação de leitos está na contramão da epidemia


28/08/2012 - 06h19

por Conceição Lemes

Em junho deste ano, a atenção às pessoas vivendo com HIV/aids na cidade de São Paulo sofreu um revés.  A Secretaria Estadual de Saúde fechou a Casa da Aids, que funcionava à rua Frei Caneca. Os  seus 3,3 mil pacientes foram transferidos para o já superlotado Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

Mas, tudo indica, um outro tranco está a caminho. A Secretaria Estadual de Saúde pretende desativar os  leitos da internação do Centro de Referência e Treinamento de Aids (CRT/Aids), um serviço histórico, de reconhecida excelência, na assistência às pessoas que vivem com HIV/aids.

ONGs, pacientes, ativistas e militantes da área de saúde pública têm tentado dissuadir os gestores estaduais dessa decisão. Até agora tudo em vão.

Por isso, nesta terça-feira 28, a partir das 10h, eles promovem o ato Ocupa CRT!, para chamar a atenção da sociedade para o problema.  Será no próprio CRT,  rua Santa Cruz, 81, próximo à estação Santa Cruz do metrô, na Vila Mariana.  Além de protestar contra o fechamento dos leitos do CRT, chamarão  atenção  sobre o fim da Casa da Aids.

Entrevistamos Rodrigo de Souza Pinheiro, presidente do Fórum de ONGs de Aids do Estado de São Paulo, sobre a ameaça de fechamento dos leitos oferecidos pelo CRT. Fundado em 1997, o Fórum congrega 98 organizações não governamentais que atuam nas diversas áreas de HIV/aids.

Viomundo — Quantos leitos serão desativados no CRT?

Rodrigo Pinheiro — Eles [os gestores estaduais] querem fechar todos. Somam 24. São leitos utilizados para hospital/dia e pronto-atendimento.

Viomundo — Por que fechá-los?

Rodrigo Pinheiro –  Alegam que, centralizando tudo no Emílio Ribas, reduzirão custos. Só que o Emílio Ribas  alega não ter condições para atender tal demanda.

Viomundo — A Secretaria Estadual de Saúde também argumenta que não tem sentido um serviço ambulatorial, como o CRT, internar pacientes.

Rodrigo Pinheiro — Não concordo com a alegação dada pela Secretaria Estadual de Saúde. O Centro de Referência e Treinamento, como o próprio nome diz, é um centro especializado de qualidade e treinamento, que tem sido referência para outros serviços no país e no mundo.

Viomundo — O Emílio Ribas não tem mesmo estrutura para atender todos esses pacientes de forma adequada?

Rodrigo Pinheiro — Não tem. Ainda mais com a desativação da Casa da Aids e a transferência dos seus pacientes para o Emílio Ribas, que acabou inchado. Serão quase 10 mil pacientes só de aids [o Ribas já atende 6,5 mil], o que acarretará problemas na qualidade do atendimento, refletindo negativamente na saúde dos usuários.

Viomundo — Se concretizada a desativação de leitos do CRT, será o segundo revés em menos de três meses, já que a Casa da Aids foi fechada em junho. Qual a justificativa da secretaria para extinguir a Casa da Aids?

Rodrigo Pinheiro — As principais alegações são  redução de custos e centralização dos atendimentos. Porém, na nossa avaliação, sem a preocupação com a qualidade do atendimento aos pacientes. A Casa da Aids não tinha leitos, só fazia acompanhamento dos pacientes.

Viomundo –  Quantos leitos existem hoje no estado para atender às pessoas com aids? E na cidade de São Paulo?

Rodrigo Pinheiro — Não tenho esses números, mas pelas informações que nos chegam o número de leitos tem diminuído em todo o estado.

Viomundo — Atualmente, como está a assistência às pessoas com HIV/aids que estão em acompanhamento no estado de São Paulo? 

Rodrigo Pinheiro — A assistência está crítica. Faltam profissionais de saúde. Os serviços estão superlotados. Há dificuldades para atendimento dos casos novos — somente em São Paulo são 5 mil por ano. Não há nenhuma proposta de abertura de serviços para amenizar a situação.

Viomundo — E agora?

Rodrigo Pinheiro — Nós vamos pressionar as mais diversas instâncias,  para que o fechamento dos leitos do CRT não se concretize. Isso é um absurdo num momento em que há crescimento do número de pacientes. Está na contramão da epidemia. O Estado de São Paulo responde por grande parte dos casos  de HIV/Aids. É preciso um olhar voltado para a qualidade e  não uma resposta baseada na economia e no encolhimento de serviços.

Carta aberta – do Fórum de ONGs de Aids

Estamos contra desativação dos leitos da  internação do

CRT/HIV/AIDS de São Paulo

A ameaça da diminuição dos serviços oferecidos pelo Centro de Referência e Treinamento (CRT/Aids), está mobilizando os pacientes, ativistas e militantes da saúde pública. Depois de sucessivas reuniões com os gestores estaduais sem solução, a alternativa avaliada pelo grupo é a mobilização através da ocupação do prédio onde funcionam os serviços. Chamando a atenção da sociedade para o problema, principalmente o vivido pelos pacientes de HIV/Aids que fazem seus tratamentos naquele serviço.

O governo do estado de São Paulo pretende desativar vinte e quatro leitos, que atendem usuários do Sistema Único de Saúde – SUS, portadores do vírus HIV. O programa de HIV/AIDS que já foi modelo para o mundo agora corre sério risco.

Começa com a desativação dos leitos, passa para a privatização das recepções, já que segurança, limpeza, refeitório já são terceirizados, assim, justificando passar a administração do Centro de referência e treinamento em DST/HIV/AIDS para as mãos da iniciativa privada, as tais Organizações Sociais, (que de sem fins lucrativos não têm nada).

Os usuários do SUS, que utilizam o serviço não querem permitir que isso aconteça, mas é necessária a adesão de todos, não só ao tratamento, mas nesse momento a união de toda a população se faz necessária para que esse serviço não seja mutilado e nem privatizado.

Um abaixo-assinado estará circulando pela instituição e contamos com a assinatura de todos. Não só as pessoas vivendo com HIV/Aids, mas também as pessoas vivendo com hepatites virais, que também são tratadas no mesmo centro e também as pessoas LGBT, familiares de todos os grupos citados e simpatizantes. Garantindo, assim, o direito de todos por um serviço de saúde digno e resolutivo como sugere a Constituição cidadã de 05/10/1988 nos seus parágrafos de 196 a 202. Deve descrever os parágrafos citados.

CRT sempre teve excelência no atendimento, seu fechamento representaria mais um golpe no estado de saúde dos pacientes. Já fecharam a Casa da Aids e estão inchando o Emílio Ribas, isto reflete negativamente na saúde dos pacientes. São Paulo responde por grande parte dos casos do país, e é preciso um olhar de qualidade e não uma resposta baseada na economia e no encolhimento de serviços.

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5 comentários

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Partido Democrata: Com o povo ou com a gangue de Wall Street? « Viomundo – O que você não vê na mídia

10 de janeiro de 2013 às 12h02

[…] Aids: Ativistas denunciam que desativação de leitos está na contramão da epidemia […]

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Fátima Oliveira: De olho nos prefeitos sem compromisso com o SUS « Viomundo – O que você não vê na mídia

08 de janeiro de 2013 às 22h52

[…] Aids: Ativistas denunciam que desativação de leitos está na contramão da epidemia […]

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Fátima Oliveira: “A catástrofe da talidomida, crime ainda impune” « Viomundo – O que você não vê na mídia

05 de setembro de 2012 às 09h29

[…] Aids: Ativistas denunciam que desativação de leitos está na contramão da epidemia […]

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Cebes: Saúde, eleições e os riscos da ‘governabilidade’ « Viomundo – O que você não vê na mídia

04 de setembro de 2012 às 22h25

[…] Aids: Ativistas denunciam que desativação de leitos está na contramão da epidemia […]

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João Luiz Cardoso

28 de agosto de 2012 às 18h30

O fecha-fecha da tucanalha parece que esta novamente de volta.
Rumores, inistentes, sobre o fechamento do Instituto Pasteur, na avenida Paulista, que desenvolve trabalho centenário na luta com a raiva transmitida por mordedura de cães e outros mamíferos menos cotados.É preciso que essas ameaças sejam ventiladas, antes que o mal maior aconteça: o encerramento de atividades de atendimento à combalita Saúde do nosso Estado de S.Paulo.

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