Dirceu Greco: A resposta brasileira para o enfrentamento da aids

Tempo de leitura: 3 min

Dr. Dirceu Greco: “Há duas décadas o saudoso ativista Betinho já havia vislumbrado a cura da aids. Hoje temos nas mãos os instrumentos e a vontade política para o efetivo controle da epidemia, com a participação solidária e ativa da sociedade brasileira”. Foto: Agência Brasil

Dr. Dirceu Greco, para o Viomundo

Em relação ao manifesto Aids no Brasil hoje: o que nos tira o sono?”, o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais reafirma que continua acreditando que a resposta brasileira à aids deve ser construída pela sociedade, por diversas e experientes mãos, respeitando os direitos humanos e as garantidas já conquistadas pelas pessoas que vivem e convivem com a aids no país.

O Ministério da Saúde tem investido estrategicamente na ampliação do diagnóstico precoce do vírus da aids. Em sete anos, o número de testes rápidos anti-HIV distribuídos aos serviços de saúde em todo o país mais que dobrou. Passou de 528 mil unidades, em 2005, para 1,2 milhão, só nos seis primeiros meses de 2012. Com esse aumento expressivo (226%), a Saúde busca chegar às 250 mil pessoas que, segundo as estimativas, têm o HIV e não o sabem.

O diagnóstico em tempo oportuno proporciona melhor qualidade de vida a quem têm o vírus e, consequentemente, tratamento para aqueles que necessitam de medicação.

Em relação ao tratamento, o número atual de pessoas que tem acesso aos 21 antirretrovirais disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é de 217 mil, enquanto em 2005 havia 165 mil pessoas fazendo uso do coquetel anti-aids.

Em relação a afirmada redução das gestantes em tratamento de 53,8% em 2005 para 49,7% em 2008, o Departamento informa que há dados mais recentes mostrando que não houve queda. As coberturas entre 2009 e 2011 foram respectivamente, 52%; 51,7% e 53,4%.

A ampliação da testagem e da assistência a quem precisa de tratamento se reflete na expectativa de vida de quem vive com HIV/aids. Só na faixa etária de crianças menores de 13 anos que vivem com aids, a probabilidade de sobrevivência passou de 24% para 86% nos últimos anos. Já a sobrevida de adultos vivendo com HIV/aids nas Regiões Sul e Sudeste, que concentram 84% das notificações no Brasil, dobrou no mesmo período. O tempo médio de sobrevida saltou de 58 meses para mais de nove anos depois do diagnóstico de aids.

Sobre o número de casos de aids notificados, os números apresentados no manifesto para 2010 (37.219) não condizem com os dados registrados no Boletim Epidemiológico para o mesmo período  (34.218).  Esse aumento de 1.052 casos novos no período de 6 anos é condizente com a afirmação de que a epidemia está estabilizada. Além disso, com a integração com a atenção básica, inclusive na Rede Cegonha, e a aquisição e distribuição de testes rápidos em quantidades cada vez maiores, é esperado que haja maior número de pessoas diagnosticadas e tratadas de maneira adequada dentro do SUS.

Apesar do reconhecimento da atuação brasileira no combate à aids, há vários desafios a superar. É necessário fortalecer ainda mais a prevenção e o diagnóstico, além de melhorar a rede de atenção às pessoas que vivem com HIV/aids.

Há duas décadas o saudoso ativista Betinho já havia vislumbrado a cura da aids. Hoje temos nas mãos os instrumentos e a vontade política para o efetivo controle da epidemia, com a participação solidária e ativa da sociedade brasileira. Vale enfatizar que toda mobilização e contribuição para aprimorar a resposta brasileira é sempre benvinda. Somos todos cidadãos e ativistas com o objetivo de fortalecer a saúde pública através do SUS, na luta contra todo tipo de discriminação e estigma e contra todas as formas de violência.

Dr. Dirceu Greco é diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde e professor titular licenciado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

PS do Viomundo: Liguei (eu, Conceição Lemes) para o dr. Dirceu Greco, para saber o que havia achado do manifesto com críticas ao programa brasileiro de aids. Ele nos enviou a resposta por e-mail. É o texto deste post, que publicamos na íntegra.

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Comentários

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Regina Horta Duarte

Gostaria de mandar minha mensagem de solidariedade ao Dr. Dirceu, e dizer que é uma pena que as autoridades brasileiras não tenham o preparo intelectual suficiente para apoiar uma campanha ousada e corajosa como a que ele propôs.
Regina Horta Duarte
Professora da UFMG, Departamento de Historia

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Unai Tupinambás

Bela resposta de alguém que sempre lutou (e continua lutando) pelos direitos humanos, acesso universal ao tratamento antirretroviral.
Parabéns os VIOMUNDO pelo espaço democrático
Pro. Unai Tupinambás
Faculdade de Medicina
UFMG

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Mari

Parabéns Dr. Dirceu, uma voz firme e confiável. De cientista e de ativista. Vale ouvirmos. No dia em que eu não puder confiaar na palavra de alguém como o Dr. Dirceu Greco, eu prefiro sumir do mapa.

    Claudio Fernandes

    “Em relação a afirmada redução das gestantes em tratamento de 53,8% em 2005 para 49,7% em 2008, o Departamento informa que há dados mais recentes mostrando que não houve queda. As coberturas entre 2009 e 2011 foram respectivamente, 52%; 51,7% e 53,4%.” Com um argumento como esse, acho que está na hora de sumir do mapa, Mari. Qual o trabalho de prevenção que você vê no Brasil? Campanha para usar preservativo no Carnaval. Fala sério. E os recursos da AIDS parados nos cofres dos estados e municípios? Acesso a tratamento não é só distribuir remédio, não. Acorda para a realidade da curva ascendente de novas infecções, pode ver no Boletim Epidemiológico 2011 do MS.

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