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Felipe Coutinho: Entrega do petróleo pode colocar o Brasil em novo ciclo do tipo colonial
Fácil saber quem são os entreguistas; imagem Fotos Públicas
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Felipe Coutinho: Entrega do petróleo pode colocar o Brasil em novo ciclo do tipo colonial


27/11/2018 - 11h39

Pré-sal: novo ciclo de tipo colonial?

por Felipe Coutinho*, no site da AEPET

O petróleo do pré-sal foi descoberto há doze anos e já produz mais de 1,5 milhões de barris equivalente por dia.

No Mar do Norte foram necessários 50 anos para alcançar o mesmo patamar de produção.

Um sucesso, diante das declarações de que o pré-sal só existia na cabeça dos políticos, de que era inviável de ser produzido com as tecnologias da Petrobras, de que era necessário capital e tecnologia estrangeiros ou de que os custos seriam inviáveis.

Os entreguistas perderam todos os argumentos, hoje apelam e dizem que o petróleo é um mico, recurso sem valor que precisa ser entregue às multinacionais estrangeiras e produzido a toque de caixa enquanto tem algum valor.

Ou então “apontam os carrapatos para justificar a entrega da vaca”. Dizem que a solução para a corrupção que vitimou a Petrobras só pode ser enfrentada com sua privatização.

Entregam a galinha dos ovos de ouro ao invés de guardar o valor gerado pela estatal dos corruptos e corruptores.

Querem entregar o meio de produção de toda a riqueza para evitar que uma fração possa ser roubada por empresários cartelizados corruptores, políticos traficantes de interesses e executivos de aluguel.

Com tudo entregue não há o que guardar.

Nenhum país se desenvolveu exportando petróleo por multinacionais estrangeiras.

Nenhum país, populoso e continental coo o Brasil se desenvolveu exportando matérias primas.

O petróleo é uma mercadoria especial, na medida em que não tem substitutos em equivalente qualidade e quantidade.

Sua elevada densidade energética e a riqueza de sua composição, em orgânicos dificilmente encontrados na natureza, conferem vantagem econômica e militar àqueles que o possuem.

A sociedade que conhecemos, sua complexidade, sua organização espacial concentrada, sua produtividade industrial e agrícola, o tamanho da superestrutura financeira em relação as esferas industrial e comercial, foi erguida e depende do petróleo.

O carvão e o petróleo, ao contrário das energias potencial e cinética dos cursos naturais de água, são fontes geograficamente móveis de energia.

Essa característica permite a concentração geográfica da força produtiva da sociedade em espaços centrais, urbanos de produção.

O petróleo e seus derivados são extremamente concentrados em termos de energia, além de flexíveis para uso.

A energia solar é abundante mas tem densidade energética mínima, o que resulta em menor capacidade relativa de realização de trabalho.

O petróleo tem muito maior potencial para aumentar a produtividade e a eficiência do trabalho humano.

Transporte, eletricidade, comunicações (internet, celulares), aquecimento, indústria, extração mineral, agricultura, processamento e distribuição de alimentos, pesticidas, fertilizantes, plásticos, infraestrutura e força militar dependem do petróleo.

São fatores estratégicos ao desenvolvimento, à segurança energética e alimentar.

São elementos essenciais da soberania nacional.

Existe forte correlação entre o crescimento econômico e o consumo de energia.

Também existe correlação entre o desenvolvimento humano (IDH) e o consumo de energia primária per capta.

Para alcançar alto desenvolvimento humano, o Brasil precisa aumentar muito o consumo de energia. E

stimo necessário o aumento de cinco vezes no consumo de energia primária nacional para que nossa população atinja padrões de vida de primeiro mundo.

Para que o Brasil se desenvolva é necessário produzir o petróleo do pré-sal na medida da nossa necessidade.

Deve-se agregar valor ao petróleo cru com sua transformação em mercadorias úteis, por meio do refino, da petroquímica, da química fina, da indústria de fármacos e de fertilizantes.

Não devemos embarcar em novo ciclo do tipo colonial e permitir a exportação do petróleo cru, muito menos por multinacionais que esgotaram suas reservas e cobiçam nossos recursos para resultados privados de curto prazo, e possivelmente predatórios.

Ainda sofremos as consequências de nossa herança colonial e escravocrata.

A classe dominante no Brasil é acostumada a viver em subserviência aos interesses estrangeiros.

A cultura desta fração da sociedade é mimética, se copiam valores e visões de mundo que vêm de fora.

Na indústria do petróleo, na qual o consenso é lugar comum, as consequências podem ser ainda mais deletérias.

No entanto, somos herdeiros da maior mobilização popular contemporânea, a campanha “O Petróleo é Nosso”.

Está no DNA da Petrobras, a maioria da população garantiu a criação da estatal, as descobertas de petróleo no Brasil e nosso amadurecimento industrial.

Ainda hoje, se temos a Petrobras e o pré-sal é porque a maioria da população defende e reconhece valor na companhia.

Precisamos interromper este novo ciclo do tipo colonial de exportação de matérias primas por corporações estrangeiras.

É necessário revogar a privatização do petróleo brasileiro e dos ativos da Petrobras às multinacionais estrangeiras.

* Felipe Coutinho é engenheiro químico e presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET)

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4 comentários

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PAULO CEZAR NOGUEIRA

28 de novembro de 2018 às 11h01

Numa população onde parcela relevante se informa através do WhatSapp, do Big brother e do flagelo das novelas, não tem como esperar alguma atitude racional.

Responder

Jose lins

28 de novembro de 2018 às 10h15

Dar o pré sal para os países ricos é isso que está acontecendo. Essas nações ricas não gastaram um real em prospecção e agora recebem todo o petróleo do pré sal de mão beijada, de graça. O trabalho pesado quem fez foi a Petrobras, o risco de dar tudo errado foi assumido pela petrobras. O governo chamou essas empresas estrangeiras de petróleo para fazer a prospecção e nunca essas empresas quiseram ver se tinha e se erra possível extrair o petróleo do fundo mar no Brasil. Ou seja, na hora da carne de segunda pularam fora da festa, aí qdo descobrimos o pré sal e ele é bastante viável e lucrativo essas empresas americanas, inglesas, etc, aparecem para comer o filé mignon. Assim é fácil né !
A OAS não é empresa pública, a Odebrecht idem. a Queiroz Galvão tb não é pública, as outras construtoras envolvidas na lava jato tb não são públicas e operam em todos os estados e muitas cidades do Brasil. E pq tem corrupção nessas empresas privadas ?
Se vender todas as empresas públicas não haverá mais corrupção ? Será ?
E outra: esses políticos que agora vendem a Petrobras, sobretudo do DEM e PSDB, sempre menosprezaram o pt por dizer que seria possível extrair petróleo de águas profundas, enfim, esses políticos sempre acharam que era mais ou menos a idéia do Maluf descobrir petróleo na cidade de sp, ou seja, não ia dar certo, não ia dar em nada e se por acaso encontrassem petróleo não seria possível extrai-lo. Notícias da época pré e pós pré sal corroboram isso que digo. Basta ver as matérias antigas na globo.com. folha, veja, etc.
É de uma burrice sem tamanho ter tanto petróleo proprio e pagar mais de 5 reais no litro de gasolina refinada nos EUA.
Não é só burrice é algo inacreditável.
Será que os EUA compram a maior parte do seu combustível refinado da china, da França ?
O modelo de negócio petróleo proposto atualmente vai entrar em colapso em pouco tempo aqui no Brasil. Não nesses países ricos, mas no Brasil vai por sa.co.
Vende 1 dólar e compra 5 dólares. Aí depois dizem que o PT quebrou a Petrobras e o Brasil. Então, tá né, quem somos nós para discutir.

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Julio Silveira

27 de novembro de 2018 às 14h36

Uma coisa é certa, não podemos continuar ignorando as consequencias que virem deste governo que iniciará, as Forças Armadas. Que com suas ante salas de conspiração contra governos democraticos apoiam golpes historicamente. Bem disse um general, quando afirmou que juntos eles serão avaliados com o governante que os representa. A historia desse pais quintal, colonia, deve muito a sua força militar. Desde o tempo do golpe republicano anti monarquia.

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Zé Maria

27 de novembro de 2018 às 14h10

Um Gigante Adormecido carregado pelo Botsonauro e pelo Guedissauro
é sinal de que o Meteoro vem aí… e está bem próximo…

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