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Fábio Kerche: Numa frase, 4 “imprecisões” sobre o BNDES


26/09/2014 - 13h14

neca

Bom mesmo é a Neca Setubal…

MARINA E O BNDES

por Fábio Kerche*, na Folha, via Conversa Afiada

O BNDES é um dos principais instrumentos que o governo brasileiro dispõe para implementar sua política econômica. É o governo em exercício que escolhe as áreas prioritárias e as linhas de atuação do banco, que as executa por meio de um rigor técnico garantido por seu capacitado corpo funcional.

Para ficarmos em apenas dois exemplos: no governo Fernando Henrique Cardoso, o BNDES teve um papel fundamental nas privatizações e no governo Lula, respondendo à forte crise iniciada em 2008, expandiu o crédito à indústria e à infraestrutura.

É, portanto, absolutamente legítimo que o papel do BNDES seja debatido na campanha eleitoral. O próximo presidente terá a responsabilidade de manter ou modificar as prioridades do banco nos próximos anos, decisão que poderá afetar todo o financiamento ao setor produtivo brasileiro.

Mas esse necessário debate eleitoral seria mais proveitoso para o país se fosse lastreado por um correto diagnóstico por parte dos candidatos. Como corrigir rumos se não conseguimos entender a atual direção? Esse parece ser o caso da candidata do PSB à Presidência, Marina Silva. Senão, vejamos.

Nesta quinta-feira (25), em entrevista ao programa “Bom Dia Brasil”, da TV Globo, a candidata disse que “o que enfraquece os bancos é pegar o dinheiro do BNDES e dar para meia dúzia de empresários falidos, uma parte deles, alguns deles que deram, enfim, um sumiço em bilhões de reais do nosso dinheiro”. O número de imprecisões só dessa frase é impressionante.

Em primeiro lugar, o BNDES não “dá” dinheiro a ninguém, ele empresta. Isso significa que o banco recebe de volta, corrigidos por juros, os seus financiamentos. Sua taxa de inadimplência é de 0,07% sobre o total da carteira de crédito, segundo o último balanço, sendo a mais baixa de todo o sistema bancário no Brasil, público e privado.

Isso nos leva a outra imprecisão da fala da candidata. A qual “sumiço” de recursos ela se refere se o BNDES recebe o dinheiro de volta e obtém lucros expressivos de suas operações? O lucro do primeiro semestre, de R$ 5,47 bilhões, foi o maior da história do banco.

Em relação aos empresários “falidos”, talvez a candidata, em um esforço de transformar em regra a exceção, esteja se referindo ao caso Eike Batista. Se isso for verdade, temos mais uma imprecisão: seja por causa de um eficiente sistema de garantias das operações, seja porque grupos sólidos assumiram algumas empresas, o BNDES não sofreu perdas frente aos problemas enfrentados pelo empresariado.

Por fim, nada mais falso do que dizer que o BNDES empresta para “meia dúzia”. No ano passado, o banco fez mais de 1 milhão de operações, sendo que 97% delas para micro, pequenas e médias empresas.

Embora o BNDES não tenha a capilaridade dos bancos de varejo, a instituição aumentou seus desembolsos para as pequenas empresas de cerca de 20% do total liberado na primeira década de 2000 para mais de 30% no ano passado. Se retirássemos as típicas áreas onde os pequenos não atuam (setor público, infraestrutura e comércio exterior), os financiamentos para os menores representariam 50% dos desembolsos do banco.

Das cem maiores empresas que atuam no Brasil, 93 mantém relação bancária com o BNDES. Entre as 500 maiores, 480 são seus clientes. Como sustentar que o BNDES escolhe “meia dúzia” se o banco apoia quase todas as empresas brasileiras dos mais variados setores de nossa economia?

A candidata Marina lembrou recentemente que uma mentira repetida diversas vezes não a transforma em verdade. Isso também vale para o papel que o BNDES vem desempenhando nos últimos anos.

*FÁBIO KERCHE, 43, doutor em ciência política e pesquisador da Fundação Casa de Rui Barbosa, é assessor da Presidência do BNDES. Foi secretário-adjunto e secretário de Imprensa da Presidência da República (governo Lula).

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



10 comentários

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O Mar da Silva

29 de setembro de 2014 às 09h25

Se a Folha reconheceu que a Dilma já ultrapassou a Marina é sinal de que a diferença deve ser muito maior do que a empresa apresenta, pois a manipulação é o seu DNA. E isso é ótimo!

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iarael just da rocha Pita

28 de setembro de 2014 às 15h32

Eu fico estarrecido, com o tamanho despreparo desta senhora, que pretende governar este Brasil. Ela tem em mente, detonar tudo de bom que o país tem feito para o bem dos brasileiros, pelos governos Lula/Dilma. Como ela renega tudo que aprendeu no PT. É uma traidora dos objetivos que o partido tem proposto a fazer pelo país. Ele não é burra tudo que faz é bem pensado e planejado, em troca do poder ela topa entregar o país aos empresários desonestos e aos banqueiros ladrões e ao PIG, Ela se esquece de Collor que seguiu o mesmo caminho que ela está propondo para o país, mas, esqueceu que estes juntos, lhe tomou o poder.
É DILMA no Primeiro TURNO !!!!!

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Mário SF Alves

28 de setembro de 2014 às 11h01

“transgênicos e não-transgênicos podem conviver lado a lado.”

___________________________________
Tenho quase certeza de que é possível obter OGMs dentro da mesma espécie. Nada além de hibridação forçada, invasiva. No entanto, o que vocẽ diz é coisa muito diferente. Em razão do princípio da precaução e direito de não adesão à tecnologias socio-ambientais duvidosas, sim, de fato, há muito já se deveria considerar crime a introdução de transgênicos em área contígua a cultivos tradicionais.

Por quê?
1- Risco de contaminação gênica [via polinização cruzada];
2- Risco de desenvolvimento de superpragas;
3- Risco de insegurança alimentar e econômica;
5- Risco de coerção totalitária, mediante aplicação da imoral lei de patentes sobre seres vivos e a subsequente cobrança indevida e arbitrária de royalties.

______________________________________________
Mas, pelo andar da carruagem, a candidata já não mais distingue público de privado. E não me surpreenderia nada vê-la trocando as bolas ao afirmar mais essa temeridade.

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Mário SF Alves

28 de setembro de 2014 às 10h03

U-lá-la! Nada como poder contar com gente atenta, corajosa e cidadã. Parabéns, Viomundo. Parabéns doutor Fábio Kerche.

“Nesta quinta-feira (25), em entrevista ao programa “Bom Dia Brasil”, da TV Globo, a candidata disse que “o que enfraquece os bancos é pegar o dinheiro do BNDES e dar para meia dúzia de empresários falidos, uma parte deles, alguns deles que deram, enfim, um sumiço em bilhões de reais do nosso dinheiro”.” Marina Silva.
_______________________________
A candidata a presidência da República Federativa do Brasil, Marina Silva, ao pronunciar tal entendimento abre flancos a partir dos quais é lícito, imprescindível e inadiável cogitar as seguintes hipóteses:

1- A candidata é ingênua;
2- A candidata age de má-fé;
3- A candidata é irresponsável politicamente.

Descartada, por inacreditável, a primeira hipótese, resta a segunda e/ou a terceira.

Em quaisquer dos dois casos trata-se de uma candidatura que deve ser rigorosamente questionada.

Dadas as circunstâncias, e em plena campanha eleitoral, o que teria levado a referida candidata – que em momento algum passou a impressão de ser estúpida ou politicamente irrelevante – a agir de forma tão irresponsável?

Orgulho ferido, vaidade exacerbada, doentia, e adesão ao princípio de que vale tudo pra alcançar o objetivo de ocupar o Palácio do Planalto?

Ou nem tanto, mas, fundamentalmente, compromissos ou interesses publicamente inconfessáveis, inclusive e sobretudo, alienígenas, historicamente contrários ao desenvolvimento socioeconômico do Brasil ou à simples e intransigente defesa dos direitos e deveres civis, constitucionalmente estabelecidos?

Assim, a prevalecer quaisquer uma dessas duas hipóteses e diante tamanha desonestidade política e desrespeito ao Brasil e a seus eleitores, que margem de certeza e/ou senso de responsabilidade cívica poderiam ter os brasileiros ao confiar-lhe o voto?

Resposta: Certeza zero! Responsabilidade cívica zero!

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abolicionista

28 de setembro de 2014 às 08h58

Ela obviamente não tem ideia do que está falando. Marina está apenas repetindo o que lhe sopraram a Neca Setúbal e o André Lara Resente.

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Hell Back

27 de setembro de 2014 às 18h46

Pergunto. Será que essa mulher lê jornais? E se os lê, será que ela entende?

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Fabio Passos

26 de setembro de 2014 às 23h21

marina tornou-se uma fantoche da banca.
Candidata do PiG.

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Pedro Henrique

26 de setembro de 2014 às 16h58

Repete que nem papagaia o que a mídia comercial publica.
Esta nunca entrou num banco a não ser para receber os vencimentos como velha política.

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Lucia

26 de setembro de 2014 às 15h14

Querem mais uma “imprecisão” dita pela Marina no mesmo programa? A afirmação de que transgênicos e não-transgênicos podem conviver lado a lado. Babaquice maior eu jamais ouvi, pois qualquer cultura de não-transgênico ao lado de outra dos transgênicos vai logo pras cucuias, as pragas vão comer ela todinha, e o agricultor vai ter que gastar os tubos com os agrotóxicos venenosos vendidos EXATAMENTE pelos produtores das sementes transgênicas ali do lado.
Essa mulher não sabe o que fala ou por ser babaca ou por ser patife.

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