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Empresas ignoram bem-estar de trabalhadores e exploram mais pobres
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Empresas ignoram bem-estar de trabalhadores e exploram mais pobres


01/03/2013 - 01h24

 Estudo da Oxfam mostra que companhias lucram bilhões com matérias-primas do campo, mas não têm políticas efetivas para eliminar miséria rural 

Empresas de alimentos  ignoram bem-estar de trabalhadores e exploram mais pobres

por Gabriel Bonis, em CartaCapital

Apesar de admitirem a necessidade de criar um sistema alimentar mais justo, as dez maiores empresas do setor de alimentos do mundo não adotam políticas para garantir o bem-estar dos trabalhadores de sua própria cadeia de fornecimento. Ao contrário, elas lucram com o sistema que explora os mais pobres e ignoram necessidades de produtores por melhores salários e combate a pobreza. Essas são as conclusões do relatório “Por Trás das Marcas” (Leia AQUI ), divulgado nesta semana pela ONG britânica Oxfam.

A campanha “Por Trás das Marcas” analisa, por meio de dados públicos e oficiais das empresas, as políticas sociais e ambientais de dez companhias: Associated British Foods (ABF), Coca-Cola, Danone, General Mills, Kellogg, Mars, Mondelez International (antiga Kraft Foods), Nestlé, PepsiCo e Unilever.
Para chegar ao resultado a Oxfam atribuiu notas de zero a dez para as políticas das empresas em sete temas da produção agrícola sustentável: as mulheres, agricultores familiares e de pequena escala, trabalhadores rurais, água, terras, mudança climática e transparência.

A ONG realizou o estudo provocada pela afirmação da FAO, órgão da ONU para segurança alimentar, de que 850 milhões de pessoas passam fome no mundo. “Destes, 80% estão nas áreas rurais, de onde vem a matéria-prima destas empresas de alimentação”, ressalta Rafael Cruz, assessor de políticas públicas da Oxfam, a CartaCapital.

Juntas, as companhias analisadas geram mais de 1,1 bilhão de dólares por dia, empregando milhões de pessoas no cultivo, processamento, distribuição e venda de seus produtos. O setor, avaliado em 7 trilhões de dólares – 10% da economia global -, tem receita anual acima de 450 bilhões de dólares, mais que o PIB de Argentina, Chile e Portugal.

Mesmo com tamanha capacidade financeira, as empresas “claramente não utilizam o poder que têm para ajudar a criar um sistema alimentar mais justo”. Em alguns casos, até prejudicam a segurança alimentar e a oportunidade econômica dos mais pobres, segundo o relatório. “Essas empresas têm receitas maiores que o PIB de muitos países. Isso as coloca na posição de quem tem que contribuir para que seus negócios não sejam apenas exploratórios”, diz Cruz. “Se elas não se sentem responsáveis, não entenderam o papel das empresas no século XXI.”

Em meio a esse quadro, todas as companhias tiveram resultados abaixo de 40 dos 70 pontos possíveis (veja o ranking completo no gráfico abaixo). Nestlé e Unilever apresentaram melhor desempenho que os demais por terem desenvolvido e publicado mais políticas para combater riscos sociais e ambientais em suas cadeias de fornecimento. Na outra ponta ficaram a ABF e a Kellogg.

No ranking geral, nenhuma das empresas foi bem sucedida  

Algumas empresas conseguiram bons resultados em certos itens, mas foram mal em temas como concentração agrária ou políticas para mulheres. “Essas companhias não atingiram um grau de maturidade em que encaram o problema com seriedade. Respondem mais a demandas regulatórias do que elaborar um plano para inclusão de pequenos agricultores e combate a fome”, aponta Cruz.

Os problemas aparecem até mesmo nas duas primeiras colocadas. Ambas ignoram situações urgentes que vêm se intensificando, como a apropriação de terras de agricultores pobres e a exploração de mulheres no setor. Elas também não adotaram políticas para combater a “pobreza esmagadora” no campo. Um cenário parecido encontrado na ABF e na Kellogg.

Empresas vilãs?

O estudo destaca que, ao longo do século passado, diversas empresas do setor tiveram grande sucesso comercial, enquanto milhões de pessoas que produziam as matérias-primas para abastecê-las passavam por dificuldades em acesso a terra, água e condições decentes de trabalho.

Entre os casos apresentados pela ONG está a exploração excessiva de água pela Nestlé no Paquistão, que causa escassez nos lençóis freáticos e aumenta o custo da água às comunidades locais. A empresa lucra por meio da venda engarrafada da marca Pure Life, que representa cerca de 50% do mercado de água paquistanês.

O engarrafamento, diz a Oxfam, ocorre em uma instalação próxima de comunidades da região de Sheikhupura, onde o acesso à água potável é inadequado. Segundo moradores, a multinacional não garante acesso adequado de água aos residentes, que possuem uma necessidade exponencialmente menor que a da Nestlé.

As comunidades locais “pagam altos custos para bombear” a água, porque “os níveis baixaram” demais devido às operações da empresa. A Nestlé, por outro lado, diz usar os recursos de forma responsável e que construiu duas instalações de filtragem para fornecer água potável a mais de 100 mil pessoas na região.

As compras de baunilha da Unilever em Madagascar também foram citadas no relatório. A empresa adquire cerca de 8% da baunilha produzida no país africano para uso em seus sorvetes, mas os fornecedores recebem pouco, o que colabora, de acordo com a Oxfam, para a existência de trabalho infantil. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, um terço das crianças entre 12 e 17 anos de Madagascar são afetadas pelo problema. A Unilever afirmou que compra baunilha somente de alguns grandes fornecedores globais.

As dez empresas analisadas contestaram a pesquisa afirmando que os problemas do sistema alimentar são causados em grande parte por governos, traders e consumidores.

A Oxfam rebate a defesa das empresas afirmando que elas realizam forte lobby nos governos, responsáveis por garantir os direitos dos cidadãos. Ainda segundo a ONG, as traders, fornecedoras de sementes, fertilizantes e que atuam como proprietários de terra, produtores de gado e aves, etc, também podem ter seu modo de atuação influenciado pelas empresas alimentícias, que compram seus produtos.

O papel dos consumidores


Pesquisas indicam que consumidores querem saber mais sobre os alimentos que compram

Os consumidores têm papel importante para pressionar as empresas a adotarem políticas sociais e ambientais mais adequadas, conforme já vem ocorrendo. Segundo a Oxfam, nos últimos dois anos mais de 200 investidores protocolaram individualmente ou em conjunto resoluções de acionistas relativas a questões ambientais, sociais ou de governança, representando mais de um trilhão de dólares em ativos.

Além disso, uma recente pesquisa online da Nielsen com mais de 28 mil respostas em 58 países revelou que mais da metade dos entrevistados de Ásia, Oriente Médio e África está disposta a pagar mais para ter produtos que “dão retorno à sociedade”.

Outro estudo da Oxfam (gráfico acima) mostrou que quase 90% das mulheres entrevistadas na Índia, Brasil e Filipinas afirma ter interesse em se informar melhor sobre os alimentos que compra.

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16 comentários

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FrancoAtirador

04 de março de 2013 às 10h11

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“Há uma transferência global de poder, mas é da força de trabalho global para os donos do mundo: o capital transnacional, as instituições financeiras globais.”
(Noam Chomski)
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Quem são os donos do mundo?

O presente texto foi extraído de “Power Systems: Conversations on Global Democratic Uprisings and the New Challenges to U.S. Empire. Conversations with David Barsamian”.

Publicado pela Metropolitan Books por Aviva Chomsky e David Barsamian.

“Power Systems” é uma coleção de conversas recentes entre Noam Chomsky e David Barsamian, diretor da Alternative Radio.

David Barsamian: O novo imperialismo americano parece substancialmente diferente da variedade anterior, já que os Estados Unidos são uma potência econômica em declínio e, consequentemente, estão vendo uma perda de seu poder político e influência.

Noam Chomsky: Eu acho que não é totalmente verdadeiro falar sobre o declínio americano.

A Segunda Guerra Mundial foi quando os Estados Unidos realmente se tornaram uma potência global.
O país já era a maior economia do mundo por grande margem antes da guerra, mas de certo modo era uma potência regional.
Ele controlava o hemisfério ocidental e fazia algumas incursões no Pacífico.
Mas o Reino Unido era a potência mundial.

A Segunda Guerra Mundial mudou isso.
Os Estados Unidos se tornaram a potência mundial dominante.
Os Estados Unidos possuíam metade da riqueza mundial.
As outras sociedades industrializadas foram enfraquecidas ou destruídas. Os Estados Unidos estavam em uma posição incrível de segurança.
Eles controlavam o hemisfério, assim como o Atlântico e o Pacífico, com uma força militar imensa.

É claro, isso diminuiu.
A Europa e o Japão se recuperaram e ocorreu a descolonização.
Em 1970, os Estados Unidos tinham caído, se quiser dizer dessa forma, para aproximadamente 25% da riqueza mundial – aproximadamente como era, digamos, nos anos 20.
O país continuou sendo a maior potência global, mas não como nos anos 50.
Desde 1970, o quadro está bastante estável, apesar das mudanças, é claro.

Na última década, pela primeira vez em 500 anos, desde a conquista pelos espanhóis e portugueses, a América Latina começou a tratar de alguns de seus problemas.
Ela começou a se integrar.
Os países eram muito separados uns dos outros.
Cada um era voltado separadamente para o Ocidente, primeiro para a Europa e depois para os Estados Unidos.
Essa integração é importante.
Ela faz com que seja difícil apanhar os países um por um.
Os países latino-americanos podem se unir em defesa contra uma força externa.

Outro desenvolvimento, que é mais significativo e muito mais difícil, é que os países da América Latina estão começando individualmente a tratar de seus enormes problemas internos.
Com seus recursos, a América Latina deveria ser um continente rico, particularmente a América do Sul.

A América Latina tem uma quantidade enorme de riqueza, mas ela é altamente concentrada em uma elite pequena, branca, geralmente europeizada, e existe ao lado de uma pobreza e miséria imensa.
Há algumas tentativas de lidar com isso, o que é importante – outra forma de integração – e a América Latina está de certo modo se separando do controle americano.

Há muita conversa sobre um deslocamento global de poder: Índia e China se transformarão nas novas grandes potências, as potências mais ricas.
De novo, é preciso ver isso com reservas.

Por exemplo, muitos observadores comentam sobre a dívida americana e o fato da China ser detentora de grande parte dela.
Há poucos anos, o Japão era detentor de grande parte da dívida americana, mas agora foi superado pela China.

Além disso, toda a estrutura da discussão sobre o declínio americano é enganadora.
Nós somos ensinados a falar sobre um mundo de Estados concebidos como entidades unidas, coerentes.

Se você estudar a teoria das relações internacionais, há o que é chamado de escola “realista”, que diz que há um mundo anárquico de Estados, e esses Estados buscam seu “interesse nacional”.
Isso é em grande parte mitologia.
Há alguns poucos interesses comuns, como sobrevivência.
Mas, em grande parte, as pessoas dentro de uma nação têm interesses muito diferentes.
Os interesses do presidente-executivo da General Electric e os do zelador que limpa seu piso não são os mesmos.

Parte do sistema de doutrina nos Estados Unidos envolve o suposição de que todos nós somos uma família feliz, sem divisões de classe, e todo mundo está trabalhando junto em harmonia.
Mas isso é radicalmente falso.

No século 18, Adam Smith disse que as pessoas que são donas da sociedade fazem as políticas: “os mercadores e manufatureiros”.

O poder atual está nas mãos das instituições financeiras e multinacionais.

Essas instituições têm interesse no desenvolvimento chinês.

Logo, se você for, digamos, o presidente-executivo do Walmart, da Dell ou da Hewlett-Packard, você estaria perfeitamente feliz com a mão de obra barata na China trabalhando sob condições hediondas e com poucas restrições ambientais.
Enquanto a China apresentar o que é chamado de crescimento econômico, tudo bem.

Na verdade, o crescimento econômico da China é um pouco de mito.
A China é, em grande parte, uma linha de montagem.

A China é uma grande exportadora, mas apesar do aumento do déficit comercial americano com a China, o déficit comercial com o Japão, Taiwan e Coreia do Sul caiu.
O motivo é que um sistema regional de produção está em desenvolvimento.

Os países mais avançados da região –Japão, Cingapura, Coreia do Sul e Taiwan– enviaram tecnologia avançada, partes e componentes para a China, que usa a força de sua mão de obra barata para montar os bens e enviá-los para fora do país.

E as empresas americanas fazem o mesmo: elas enviam partes e componentes para a China, onde as pessoas montam e exportam os produtos finais.

Elas são chamadas de exportações chinesas, mas são exportações regionais em muitos casos, e, em outros casos, trata-se de fato dos Estados Unidos estarem exportando para si mesmos.

Assim que rompermos com a estrutura de Estados nacionais como entidades unidas, sem divisões internas dentro deles, nós poderemos ver que há uma transferência global de poder, mas é da força de trabalho global para os donos do mundo: o capital transnacional, as instituições financeiras globais.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

(http://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/noam-chomsky/2013/02/06/quem-sao-os-donos-do-mundo.htm)

http://www.alternativeradio.org/

Responder

Luís

03 de março de 2013 às 13h10

Essa ONG britânia realiza esse importante trabalho social e ninguém fala dela e nem dá atençõ a ela.

E enquanto isso o mundo baba o ovo daquela ONG de merda que é a Avaaz.

Responder

Roberto Locatelli

03 de março de 2013 às 08h15

Miriam Leitão e Sardenberg criticam a Petrobras por ela manter os preços dos combustíveis praticamente congelados há vários anos. Do ponto de vista do deus mercado, eles estão certos.

Refrigerantes têm muito sódio, pois o sódio estimula a sede e, com isso, as pessoas consomem maior quantidade de refrigerantes. O sódio em excesso é extremamente prejudicial à saúde. Mas, e daí? O que conta é o lucro.

Os transgênicos destroem a terra e escravizam o produtor rural às monsantos da vida. Mas, e daí? O que conta é o lucro.

Se uma empresa puder ter mais lucro prejudicando a população, o deus mercado diz que é exatamente isso que a empresa deve fazer. No setor agrícola, não é diferente.

Responder

FrancoAtirador

03 de março de 2013 às 00h28

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Uma agenda à procura de um partido

Por Saul Leblon, no Blog das Frases – Carta Maior

O PT não ganhou com a saída de Marina Silva, que deixou o partido em agosto de 2009.

E Marina ainda precisa provar que a ruptura fortaleceu a agenda ambiental no país.

O debate sobre o tema guarda silencio obsequioso no interior do partido desde então.

Mas mereceu sintomática salvaguarda de princípios nas conclusões do seu IV Congresso, em 2011:

“O Brasil não tratará a questão ambiental como apêndice, senão como parte essencial, de seu projeto de desenvolvimento. Como socialistas democráticos, queremos uma alternativa de civilização ao capitalismo’.

Talvez tenha chegado a hora inadiável de adicionar nervos e musculatura a essa declaração de intenções.

Quatro anos e 18 milhões de votos depois, obtidos na campanha presidencial de 2010, Marina articula um novo partido.

A ‘Rede’ flerta com a trama evanescente da ‘terceira via verde’.

Nem de esquerda, nem de direita. Nem situação, nem oposição.

Há um tipo de neutralidade que só enxerga os erros da esquerda.

E costuma rejuvenescer o cardápio da direita, sempre que esta se ressente de espaços e agendas para retomar a disputa pelo poder.

Não será algo propriamente inédito se vier a ocorrer de novo.

No México, os ambientalistas do Partido Verde Ecologista (PVEM), apoiaram o candidato vitorioso da direita, Henrique Peña Nieto, do PRI, contra Obrador.

Na Venezuela, o Movimento Ecológico Venezuelano entregou-se de corpo e alma à candidatura do engomadinho Henrique Capriles Randonski, com a qual golpistas de ontem testam a versão jovem’ de hoje.

Em São Paulo, o PV apoiou José Serra, em 2010.

Em Salvador, embarcou na candidatura vitoriosa do demo Antonio Carlos Magalhães Neto, nas eleições municipais do ano passado.

O ziguezague verde reflete a dificuldade histórica de uma agenda complacente.

Ela agrega desde rótulos espertos de detergentes de limpeza, a militantes sinceros da resistência à destruição da natureza.

O ambientalismo precisa decidir se quer ser uma tecnologia ou uma proposta de nova sociedade.

Quer ser um guia de boas maneiras para o ‘capitalismo sustentável’; ou um projeto alternativo à lógica desenfreada da exploração da natureza e do trabalho.

Não são escolhas postergáveis.

O mesmo se pode dizer em relação às do PT.

A dissociação entre a sigla e o empenho específico em evitar que a humanidade seja jogada a um ponto de não retorno no século 21, não deixa o partido em situação propriamente confortável.

Agora mais do que nunca.

Não se trata apenas de precificar o prejuízo eleitoral da ‘Rede’ – que existe

É mais grave que isso.

Agudiza-se um desafio objetivo, sobre o qual o partido não tem refletido nem avançado.

A saída em massa dos ambientalistas abriu um buraco na evolução do seu discernimento histórico e programático.

Perdeu-se a virtuosa tensão de um convívio e de um debate incômodo, inconcluso, nem sempre conduzido com habilidade, mas crucial.

Perdeu-se o sentido de urgência na construção das linhas de passagem que devem conduzir a um ponto de encontro entre socialismo, desenvolvimento, democracia e sociedade sustentável.

A história não oferece o mapa pronto de caminhos ainda não trilhados.

Tropeços são inevitáveis.

Mas ignorar as urgências escancaradas pela desordem sistêmica do capitalismo, desde 2008, equivale a adotar como bússola os rótulos oportunistas das ”empresas ambientalmente responsáveis’.

Vive-se um crepúsculo histórico.

O colapso financeiro e a multiplicação de eventos climáticos extremos são evidencias de uma exaustão que atinge ao mesmo tempo a economia, a sociedade e a civilização.

Mas que tem um determinante claro.

A supremacia do capital financeiro – negligenciada pelos adeptos da ‘terceira via’.

Ela condiciona todo o cálculo econômico com a ganância intrínseca a uma lógica dissociada da produção.

É o moinho satânico do nosso tempo.

Taxas de retorno incompatíveis com a exploração sustentável dos recursos naturais – de ciclo mais lento e mais longo – tornaram-se o paradigma de um regime de extorsão insaciável.

Ele se instalou no metabolismo da economia, da sociedade e da natureza.

Dá as ordens no terreiro globalizado.

A voragem do capital fictício encontrou na ganância dos acionistas um roteador à altura na esfera da produção.

Sob ameaça de migrar para investimentos mais especulativos, exige-se a maximização permanente dos dividendos pagos pelas corporações.

A espoliação irradia-se das plantas produtivas ao chão dos direitos sociais (‘o custo Brasil’).

Até contaminar as conexões com as reservas que formam as fontes da vida na Terra.

Dissemina-se um padrão globalizado de retorno financeiro, incompatível com os valores compartilhados que ordenam a vida em sociedade e com a regeneração dos sistemas naturais.

Quantos conseguem se refazer a taxas de 20% ao ano ou mais?

A dissociação entre socialismo e ambientalismo configura-se uma contradição nos seus próprios termos.

A atrofia de um desarma e derrota o outro.

E vice-versa.

Acenada por ambientalistas simpáticos a uma ‘terceira via’ não socialista, a bandeira do ‘não crescimento’ elide a essência predatória do sistema de produção de mercadorias.

Em vez de respostas, atualiza velhas perguntas dirigidas às utopias centristas.

Quem decidirá o quê e quanto a sociedade vai produzir, ou deixar de produzir?

Que tipo de Estado é necessário para viabilizar esse planejamento?

Quais critérios definirão o rateio sustentável dos recursos entre nações e dentro de cada nação?

Como serão superadas as desigualdades históricas acumuladas até o presente?

A tese do não crescimento responde aos desequilíbrios sociais e ambientais tanto quanto a panaceia do crescimento é sinônimo de justiça social.

Não isenta o PT de responsabilidade na formulação desses contrapontos, o fato de ser o guarda-chuva de um governo de coalizão.

Distinguir ‘consumismo’ de sociedade justa e sustentável, por exemplo, e extrair consequências práticas disso é obrigação de um partido de esquerda

A década de governos do PT tirou 50 milhões de brasileiros da miséria.

Nunca é demais reiterar aquilo que desespera o conservadorismo: isso mudou a geografia política do país. Talvez de forma irreversível nos marcos da legalidade.

O que mais o PT tem a dizer a esse universo que ascendeu ao consumo e como pretende chegar a ele?

Há nessa pergunta uma arguição sobre o que o partido entende por sociedade sustentável. E como construí-la. Agora.

O PT já foi capaz de respostas ousadas no passado, sendo depositário de um salto significativo na história da consciência ambiental.

A travessia se deu na prática.

Interior da Amazônia brasileira; anos 70/80.

Chico Mendes (1944-1988), associado às pastorais da terra, vinculou então, pioneiramente, a defesa da floresta à luta contra a miséria e a opressão.

Rompeu-se aí uma tradição preservacionista europeia, branca, elitista e excludente.
No limite, preconizava o ostracismo de populações pobres para salvar paisagens.

Políticas bem sucedidas de combate ao desmatamento, avanços significativos na expansão de reservas indígenas, incentivos às fontes renováveis de energia e zoneamentos agrícolas, como o da cana-de-açúcar, sucederam-se a esse salto nos dois governos Lula.

Nunca mais, porém, desde o estirão lançado por Chico Mendes, houve um aprofundamento estratégico da interação entre desenvolvimento, justiça social e sociedade sustentável.

O maniqueísmo que marcou o debate sobre o papel das hidrelétricas na matriz brasileira de energia, ilustra o espaço exíguo reservado a essa reflexão dentro e fora do PT.

Mitigar o cerco conservador ao governo Lula, com respostas rápidas, explica uma parte da atrofia programática.

Mas nada justifica que o tema ambiental continue engavetado na prateleira dos desafios remotos.

Não é um problema teórico.

O sopro da barbárie respira entre nós.

Administrações de grandes manchas urbanas pagam o preço mais alto por essa convivência incômoda.

Picos de calor que costumavam ocorrer uma vez a cada 20 anos, obedecem agora a um padrão anual e bianual.

A informação é da Nasa.

No seu rastro, multiplicam-se eventos extremos de brutal efeito destrutivo.

Populações das metrópoles, cada vez mais castigadas pela nova regularidade das descidas ao inferno, vão cobrar respostas estruturais de um poder público despreparado para fornecê-las.

O que os partidos têm a dizer em seu socorro?

A equação é mais complexa do que a nova contabilidade eleitoral gerada pelo surgimento da ‘Rede’.

Há uma agenda à procura de um protagonista.

Mas a mera recitação de boas intenções, como as do IV Congresso do PT, não basta para contemplá-la.

Todo o desafio da política é dar respostas coerentes com os princípios, no tempo certo dos acontecimentos, dentro da relação de forças existente.

É honesto admitir que nem o PT, nem a Rede, de Marina, ou a esquerda de um modo geral, têm propostas críveis para o desafio ambiental que atendam a essa consistência prática.

O V Congresso do PT, em fevereiro de 2014, ganhará muito em relevancia política se for antecedido de um debate estratégico.

Que avance com desassombro sobre a mais importante fronteira de atualização do campo da esquerda em nosso tempo.

A busca de um ponto de encontro entre socialismo, desenvolvimento e sociedade sustentável.

http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=1202

Responder

Urbano

02 de março de 2013 às 19h16

Eis a competência apregoada há séculos, até. A grande maioria se não se utilizar dessa vilania, certamente não irá para canto nenhum, pois a massa cefálica sequer ajuda.

Responder

Nedi

01 de março de 2013 às 22h07

Pessoas…se algumas empresas vendem, ISSO NA UNIÃO EUROPÉIA, carne de cavalo como sendo carne de boi.
O que, quem vive no mundo SUB, pode esperar desses caras?

Responder

FrancoAtirador

01 de março de 2013 às 21h36

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PARA AS CORPORAÇÕES APÁTRIDAS, [email protected] SÃO MÁQUINAS DE GERAR LUCRO.

E SE INTERLIGAM DIRETAMENTE COM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS MERCENÁRIAS

Talvez essas indústrias do ramo da alimentação chamem mais a atenção,

em virtude da natureza dos produtos, que dizem respeito à subsistência,

sendo largamente, e quase obrigatoriamente, consumidos nas cidades,

E não há como escapar desse mercado de consumo, porque é oligopolizado.

Mas somem-se a elas as grandes redes varejistas do setor de alimentos:

‘FAST FOOD’

McDonald’s/USA
Burger King/USA
Subway/USA
Pizza Hut/USA
KFC/USA
Wendy’s/USA
Domino’s Pizza/USA
Taco Bell/USA
Arby’s/USA

HIPERMERCADOS

Walmart/USA (no Brasil, controladora das marcas Bompreço, Maxxi Atacado, Sam’s Club e Todo Dia, além das redes Big, Nacional e Mercadorama adquiridas da Sonae portuguesa)
Carrefour/FRANÇA
Metro/ALEMANHA
Tesco/GRÃ-BRETANHA
Schwarz Grouppe (LIDL)/ALEMANHA
The Kroger/EUA
Costco/USA
Aldi/ALEMANHA
Home Depot/USA
Target/USA e
Grupo Casino-Wilkes/FRANÇA (controlador, no Brasil, das marcas Pão de Açúcar, Extra, Compre Bem, Sendas, Assaí, Casas Bahia e Ponto Frio)

De acordo com dados de 2011, quando a população da Terra atingiu 7 bilhões de habitantes,
as 10 Corporações com maior número de [sub]empregados no mundo,
somaram cerca de 8 milhões de funcionários, cerca de 0,11% da população mundial.

A Walmart é a Corporação com maior número de [sub]empregados no mundo.
A rede McDonald’s é a segunda; a Tesco é a quinta, e a Carrefour, a sexta.

Portanto, das dez maiores Corporações em número de [sub]empregados no Planeta, quatro são de redes de comércio de alimentos.

Em 2010, só a Walmart obteve um faturamento de US$ 421.849 bilhões,
e o valor de mercado da Corporação estava em US$ 192.098 bilhões.

(http://bit.ly/YEQBcD)
(http://empresasefinancas.hsw.uol.com.br/9-maiores-cadeias-de-fast-food.htm)
(http://bestontop10.blogspot.com.br/2011/12/10-maiores-redes-de-supermercados-do.html)
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23/11/2012

Black Friday: centenas protestam por melhorias trabalhistas nos EUA

Pela primeira vez na história do Walmart,
funcionários realizaram paralisação por todo o país

A organização trabalhista OUR Walmart, que reúne milhares de membros em todas as filiais do país, já havia organizado a paralisação “em protesto contra as ações contínuas da rede em retaliação àqueles que se manifestam por melhores pagamentos, por seguros-saúde acessíveis, por melhores condições de trabalho, por horários justos e acima de tudo, respeito”

Por Marina Mattar, no OperaMundi

Pela primeira vez na história de 50 anos da empresa, pelo menos mil funcionários de diferentes filiais deixaram os seus postos para aderir à greve.

Os 1,4 milhões de empregados da rede não são protegidos por uma organização sindical e, recentemente, entregaram mais de 20 denúncias contra o Walmart por práticas trabalhistas injustas no Conselho Nacional de Relações do Trabalho, informou o jornal Russia Today.

“Nossas vozes estão sendo escutadas e os nossos pedidos por mudança no Walmart estão se tornando ainda mais fortes com a adesão de milhares de pessoas ao redor do país. O Walmart não pode nos silenciar.
Até não houver nenhuma mudança real, nós vamos continuar a nos manifestar”,
disse Colby Harris da filial de Lancaster, no Texas, ao Guardian.

Não faltam reclamações de funcionários em filiais por todo os EUA.
“Os gerentes nos desrespeitam todos os dias”, contou Cindy Murray ao site Nation.
A funcionária do Walmart, que tem 12 anos de casa, disse que seus superiores não aceitaram suas restrições de trabalho devido a problemas nas costas.
“Você vai carregar tudo aquilo que eu mandar”, teria dito o gerente a Murray.

(http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/25593/+black+friday+centenas+protestam+por+melhorias+trabalhistas+nos+eua.shtml)
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01/01/2011

MPT ajuíza ação contra Walmart por assédio moral

Do MPT/BA, via CONTRACS

MPT ajuizou uma Ação Civil Pública contra o Walmart Brasil Ltda., por assédio moral contra trabalhadores. A prática que acumula abuso de poder e manipulação perversa foi evidenciada em 18 denúncias de empregados do Sam’s Club (clube de compras do Walmart), que sofreram perseguições, constrangimentos morais e cobrança excessiva. A procuradora Ana Emilia Albuquerque instaurou inquérito para viabilizar a investigação e intimou a empresa a apresentar defesa. Exposta a gravidade dos fatos, e diante da negativa da empresa em assinar um termo de compromisso para ajustar a conduta, restou a atuação judicial. A ação (ACP 001192-39.2010.5.05.0038) foi distribuída para a 38ª Vara do Trabalho de Salvador, com audiência marcada para o dia 23 de fevereiro, às 9h04.
Os fatos narrados em depoimentos mostram um cenário de completo abuso de poder diretivo e violento assédio moral, culminando no surgimento de diversos distúrbios físicos e psíquicos nos funcionários. Gestos, palavras e atitudes de desprezo, ridicularização dos trabalhadores diante de clientes, controle de uso do banheiro, ameaças, revistas e demissão injustificada estão entre as queixas. Termos como “burro”, “incompetente” e “incapacitado” são constantes em relatos, assim como comparações de cunho jocoso entre o desempenho dos baianos em relação aos paulistas.
O MPT requer a condenação da Walmart, com pedido de antecipação dos efeitos da tutela, a obrigações como a imediata suspensão da prática assediante aplicada aos trabalhadores, a exemplo de ameaças, aplicação de punições com falso motivo, uso de “fiscais” e câmeras com o intuito de controlar os empregados e seu contato com clientes, entre outras irregularidades. Também criar um programa de intervenção precoce para prevenção do assédio moral e correção imediata de atitudes. Ainda, material educativo, campanhas de conscientização, palestras semestrais, além da criação de canais internos de denúncia e acompanhamento de conduta dos empregados envolvidos ilustram as ações promovidas no âmbito interno.
Consta ainda como requerimento do MPT, a condenação do Walmart por dano moral coletivo em R$ 5 milhões, valor reversível ao FAT – Fundo de Amparo do Trabalhador. Também pede a fixação de multa de R$ 50 mil, por descumprimento de cada obrigação, valor total para o FAT.
Assédio Moral – A ação é geralmente exercida pelo empregador contra o empregado, chefe contra subordinado, ou até entre colegas do mesmo nível hierárquico, e tenta afetar a dignidade da pessoa e criar um ambiente desestabilizador e hostil. Como principais vítimas, estão as mulheres, negros, pessoas de idade avançada, LGBTT (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis), pessoas com doenças graves, com deficiências, entre outros.
De acordo com o site http://www.assediomoral.org, premiado pela Rede de Direitos Humanos (DHNET), atualmente existem mais de 80 projetos de lei em diferentes municípios do país. Vários já foram aprovados, em São Paulo, Natal, Guarulhos, Iracemápolis, Bauru, Jaboticabal, Cascavel, Sidrolândia, Reserva do Iguaçu, Guararema, Campinas, entre outros. No âmbito estadual, desde 2002 o Rio de Janeiro condena a prática, e existem projetos em tramitação nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraná e Bahia. No âmbito federal, há propostas de alteração do Código Penal e outros projetos de lei.

(http://www.contracs.org.br/noticias/5972/mpt-ajuiza-acao-contra-walmart-por-assedio-moral)
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Justiça do Trabalho condena Walmart por revista íntima

Do MPT/DF – PRT 10ª Região

Decisão da juíza do Trabalho Thais Bernardes Camilo Rocha da 14ª Vara do Trabalho de Brasília proíbe a WMS Supermercados do Brasil Ltda. (Walmart) de realizar revistas íntimas e físicas em seus empregados e de praticar revistas por inspeções visuais em bolsas e pertences dos trabalhadores.

O Walmart – a terceira maior rede de supermercados do Brasil, com mais de 80 mil trabalhadores e faturamento estimado em R$ 24 bilhões – também deverá pagar R$ 800 mil a título de danos morais coletivos.

No caso específico dessa penalidade, o MPT apresentou recurso ordinário ao Tribunal Regional do Trabalho pedindo a majoração da multa para R$ 2 milhões.

A ação civil pública é de autoria do procurador Valdir Pereira da Silva do Ministério Público do Trabalho (MPT) no Distrito Federal.

As investigações foram iniciadas no Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul e transferidas para o Distrito Federal.

Os trabalhadores ouvidos no curso do inquérito civil declaram ter sofrido constrangimentos por inspeções realizadas pela empresa.

De acordo com o procurador Valdir Silva “os pertences do empregado são extensão de sua esfera íntima e personalíssima, de modo que a abordagem da empresa nesses objetos configura revista íntima ofensiva à dignidade”.

O Walmart é réu em ações individuais por irregularidades da mesma natureza.

(http://www.prt10.mpt.gov.br/content/justi%C3%A7-do-trabalho-condena-walmart-por-revista-%C3%ADntima)

Leia também: (http://bit.ly/XtVkAL)
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Abril/2011
ESTADÃO
Economia & Negócios

Itaú compra 49% do Banco Carrefour

Maior banco privado do País vai pagar, à vista e em dinheiro, R$ 725 milhões pela fatia e vai participar diretamente da gestão do banco da rede varejista, cuja principal operação é a de cartões de crédito, seguida pela de seguros

Por Altamiro Silva Júnior e Vinícius Pinheiro – O Estado de S.Paulo

O Itaú Unibanco surpreendeu o mercado e comprou 49% do Banco Carrefour, por R$ 725 milhões.
Até então, o favorito nas negociações era o Bradesco.
Segundo o diretor corporativo e de controladoria do Itaú, Rogério Calderón, o maior interesse do banco com a aquisição é ampliar sua presença no financiamento ao consumo.
“A compra também reafirma nosso compromisso com a baixa renda”, disse.

O Itaú Unibanco vai pagar os R$ 725 milhões em dinheiro e à vista, segundo Calderón. O Carrefour mantém o controle do banco, com 51% do capital, mas a gestão será compartilhada. O Itaú terá executivos na diretoria e no conselho do banco, disse o executivo, sem dar mais detalhes. “O Carrefour tem todo o interesse em nossa participação na gestão. Somos um banco e podemos ajudar a rede a alavancar as vendas.”

O principal produto do Banco Carrefour é o cartão de crédito, seguido por seguros.

Calderón disse que o modelo de negócios será mantido, mas não descartou a inclusão de novos produtos e serviços financeiros para serem oferecidos nos 163 supermercados do Carrefour no País.

A compra da participação não altera as projeções do Itaú para sua carteira de crédito ao consumo de 2011, segundo o executivo. A operação depende ainda da aprovação do Banco Central.

Disputa.

Esta é a segunda vez que o Itaú atropela o Bradesco em uma negociação que se torna pública desde a fusão com o Unibanco, que o tornou o maior banco privado do País.

Em 2009, o Bradesco estava negociando uma associação com a Porto Seguro, mas foi o Itaú quem acabou fechando a operação. Na época, as negociações com o Bradesco não avançaram porque o banco queria ter poder de veto nas decisões, entrando em discordância com a Porto Seguro.

No caso do Carrefour, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, chegou a afirmar, em março, em entrevista ao jornal inglês Financial Times, que a compra do banco da rede de supermercados “estava escrita nas estrelas”.

Na avaliação de Trabuco, segundo a reportagem do FT, os supermercados se transformaram em shoppings centers e é essencial para um banco estar presente nesses locais. Procurado pela Agência Estado, o Bradesco não comentou o assunto.

Para analistas, ao comprar 49% do Banco Carrefour e garantir exclusividade na distribuição de produtos financeiros nos 163 supermercados da rede, o Itaú amplia ainda mais sua liderança no mercado de cartões e no varejo.

O Carrefour tem 7,7 milhões de cartões emitidos e uma carteira de crédito de R$ 2,2 bilhões.
“No setor de varejo, especialmente no de supermercados, o Itaú ficou com as maiores redes”, disse o analista de bancos Luis Miguel Santacreu, da Austin Ratings.
O banco tem acordo com o Pão de Açúcar (que inclui a rede Extra) e Walmart (por meio do cartão HiperCard), além da Lojas Americanas.

Além disso, tem acordos com Magazine Luiza e Ponto Frio.

De acordo com o analista Daniel Malheiros, da Spinelli, o Itaú avaliou o Banco Carrefour em patamares semelhantes aos da própria instituição.
“O valor pago parece justo diante da concorrência em torno do ativo e dos potenciais ganhos de sinergia que o negócio pode trazer”, disse.

O Banco Carrefour está capitalizado, mas tem inadimplência bem acima da média.
Em dezembro, o indicador estava em 15%, considerando os atrasos superiores a 60 dias.

Em 2010, o Banco Carrefour lucrou R$ 155 milhões.
Os ativos totais somaram R$ 2,8 bilhões.

Para o Itaú, que tem ativos de R$ 755 bilhões, a aquisição pouco altera o número.
“O Itaú comprou a capacidade do Banco Carrefour de gerar negócios futuros”, destaca Santacreu.

(http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,itau-compra-49-do-banco-carrefour,706579,0.htm)

Responder

    FrancoAtirador

    03 de março de 2013 às 04h54

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    Direitos trabalhistas na berlinda

    Por Marcela Ayres, na Exame

    São Paulo – Jornadas excessivas, contratações ilegais e humilhações pelo não cumprimento de metas.

    Esses são alguns dos motivos que vêm fazendo o Ministério Público do Trabalho (MPT) mover cada vez mais ações contra companhias de grande porte no país.

    No banco dos réus, sentam-se empresas do quilate de McDonald’s, Carrefour e Magazine Luiza.

    Segundo o procurador geral do Trabalho, Luís Camargo, as multas administrativas aplicadas pela fiscalização do Ministério do Trabalho, que é ligado ao poder executivo, não costumam impedir as companhias de prosseguirem com práticas ilegais depois que eventuais irregularidades são constatadas.
    Isso porque os valores seriam baixos e o pagamento, adiado indefinidas vezes.

    “Essa situação começa a ser modificada com a intervenção do Ministério Público do Trabalho.
    Terminada a investigação, pedimos indenização por dano moral coletivo por um valor razoavelmente alto”, afirma Camargo.

    A partir daí, o caso segue para a Justiça [do Trabalho], que decide se concorda com as acusações e fixa a punição para os envolvidos.

    É verdade que grande parte das companhias recorrem a instâncias superiores (TRTs, TST e STF) quando perdem no primeiro grau, o que pode acabar arrastando a decisão por anos.

    É o que aconteceu com a Fiat cuja condenação saiu há menos de 15 dias, depois do processo ser analisado por mais de uma década – e ainda cabe recurso.
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Jorge R

01 de março de 2013 às 20h35

E a gente acha que essas marcas são apenas produtos empilhados em estantes de supermercados…Felizmente, as pessoas estão cada vez mais se conscientizando sobre os produtos que consomem, fiquei surpreso com o índice.Já por outro lado, é um absurdo essas empresas ganharem rios de dinheiro à custa de pessoas que passam por dificuldades em acesso a terra, água e condições decentes de trabalho (uma marca explícita do atual individualismo capitalista).Agora, vamos passar a observar mais que uma marca em uma embalagem na estante.

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assalariado.

01 de março de 2013 às 13h49

No quesito social e humano, os donos do capital, nunca passaram de um 171 social (código da malandragem), que é seu codigo de carater ideologico e seus valores de expropriação do suor alheio. Ainda bem que devagar, devagarinho, o pensamento único do modo de produção capitalista vai se esfarelando diante dos olhos dos explorados pelo capital.

Para quem leu um pouco de Marx, Lenin, Rosa Luxemburgo, Antonio Gramsci e tals, não se espanta com este teatro marginal, e a, este codigo de “ética” 171 antissocial, da classe dominante. E é justamente esta a lógica “social” da qual as megacorporações e seus soldados, muito bem pagos, se vangloriam nas telas do seu partido midiatico, também, conhecido como imprensa do capital.

Pois é, Sr. Rafael Cruz, são 10 grupos de latifundiários/ empresários da fome, digo da cadeia alimentar, sem falar na industria farmaceutica, metalúrgia, quimica, petroliferas, … Sim, como Marx escreveu, estamos na fase última e imperialista, onde os donos do capital se tornariam e se fixariam neste tripé

Concentração e centralização dos capitais e proletarização crescente da sociedade. -( a Eurozona que o diga)- Isto é, crescente aumento do capital de algumas empresas e, centralização de capitais, que é a redução do numero de empresas, (megacorporaçòes). O efeito colateral, dessa crise ciclica do capital, haveria proletarizaçào crescente da sociedade, quer dizer, vão desaparecendo os pequenos proprietários rurais e urbanos, artesàos, profissionais liberais, …

Estes dados do artigo, juntados na linha do tempo, com o de Marx, só reforçam uma ideia. Quem quiser mudar alguma coisa neste planeta dominado pelo modo de produção capitalista, capitaneado pelo Estado do Direito burgues, via (hegemonia), das letras mortas da Constituição, por sua vez, governado pelo governos fantoches da vez, é bom esperar sentado. Enquanto isso, os verdadeiros autores e causadores destas crises, quem são eles mesmo?

Rumo ao Socialimo.

Responder

MariaC

01 de março de 2013 às 10h35

Concordo que com uma mídia alternativa é melhor, mas temos que marchar contra os deputados que vivem boicotando os trabalhadores em reuniões com os patrões. Eles faze as leis contra os trabalhadores.

Responder

MariaC

01 de março de 2013 às 10h33

Eu acho isso tudo uma tremenda contradição tipicamente capaitalista. No capaitalismo não existem bonzinhos. Se a empresa é má, certamente vai ter um lucro maior e ser elogiada pelos rentistas e mídias rentistas. Se é boa, e gera costumes bons e honestos não dará tanto lucro e vão meter o pau.
Acaso não estão todos massacrando os salários e “direitos” trabalhistas brasileiros, até com apoio do judiciário? Não vai longe o tempo em que o Judiciário acertava com bancos o pagamento de verbas trabalhistas arrestando umas escrivaninhas velhas e jogadas em depósito. Não sejamos cínicos como os rentistas, a mídia, os capitalistas etc

Responder

Danilo

01 de março de 2013 às 10h20

As vezes penso: se não houvesse CartaCapital, Caros Amigos, Carta Maior, Brasil de Fato etc. e os Blogs “Sujos”, quando veríamos reportagens como esta? Viva a pluralidade, pois a democracia só se aperfeiçoará assim.

Responder

Mardones

01 de março de 2013 às 09h54

Vou repassar para meus contatos.

Responder

Dani

01 de março de 2013 às 09h44 Responder

Cibele

01 de março de 2013 às 01h45

Acho que o Azenha foi sequestrado em algum fim-de-mundo em que ele foi se meter, meu povo!

Responder

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