VIOMUNDO

Diário da Resistência


Empresários previram cenário róseo depois do impeachment de Dilma: PIB em dobro e taxa de investimento em alta. Você se deixará enganar de novo?
Uma das acusações contra Wladimir Costa (que dispara na Câmara o petardo), o deputado da tatuagem de Temer que se tornou símbolo do impeachment e teve a candidatura barrada pelo TSE, é de ter embolsado o salário dos funcionários de seu gabinete, no estilo Bolsonaro. Foto Agência Brasil
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Empresários previram cenário róseo depois do impeachment de Dilma: PIB em dobro e taxa de investimento em alta. Você se deixará enganar de novo?


29/12/2018 - 20h28

As pesquisas da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), óbvia apoiadora de Jair Bolsonaro, deixaram de perguntar sobre o governo Temer a partir de setembro de 2018. Na mais recente, o governo Temer tinha 2,5% de avaliação positiva. O governo que a Fiesp instalou com ajuda da mídia, do Judiciário e da própria… CNT

O Antagonista previu PIB de 2% em 2017, segundo o Banco Fibra. Foi de 1%.

Seria instantâneo. Bastaria uma troca da sinalização. É o que está acontecendo na Argentina. Não precisou de dez dias para a criação de um círculo virtuoso. A partir do momento que você sinaliza que está entrando em campo um governo que entende as delicadas engrenagens do livre mercado e vai colocar a sua sabedoria a favor do desenvolvimento, o fluxo de investimentos se reestabelece e a confiança desabrocha. Flávio Rocha prevê, em entrevista à BBC, recuperação instantânea depois do impeachment de Dilma Rousseff. A taxa de investimentos no Brasil caiu de 16,1% em 2016 para 15,6% em 2017 e a Argentina… foi ao FMI.

O ano que termina tinha que ser relativamente aprazível. Tanto o Governo argentino como os analistas financeiros projetaram, no final de 2017, um horizonte calmo: crescimento econômico de mais de 2%, inflação controlada abaixo de 15% e dólar estável, em torno de 20 pesos. A realidade foi muito diferente. Depois de um annus horribilis em que a Argentina teve de pedir ajuda, por duas vezes, ao Fundo Monetário Internacional, o país sofre hoje uma severa recessão (o Produto Interno Bruto se contraiu pelo menos 2%), a inflação está em torno de 47% e um dólar custa 39 pesos. Tudo o que poderia dar errado, deu errado. O El Pais resume a economia da Argentina

A economia da Argentina está em recuperação e pode crescer 3% este ano e 4% no ano que vem [2018]. Isso explica em parte a vitória do presidente Mauricio Macri nas eleições do último final de semana. O ajuste promovido pelo governo já traz resultados concretos que começam a ser percebidos pela população. A recuperação do Brasil também tem ajudado, pelas fortes relações comerciais entre os dois países. Miriam Leitão, economista e colunista da família Marinho, por escrito, em O Globo. O FMI prevê queda de 2,6% no PIB da Argentina em 2018.

Entre os denunciados estão o ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, o ex-ministro do Trabalho Helton Yomura e os deputados Cristiane Brasil (PTB-RJ), Paulinho da Força (SD-SP), Jovair Arantes (PTB-GO), Wilson Filho (PTB-PB) e Nelson Marquezelli (PTB-SP). G1 noticia o envolvimento de Jovair Arantes na operação Registro Espúrio, que apura esquemas do PTB e do SD no Ministério do Trabalho de Temer. Arantes foi relator do impeachment de Dilma na Câmara.

Equipes também foram a endereços do deputado federal Paulinho da Força (SD-SP), em São Paulo. A investigação em curso também mira os senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Antonio Anastasia (PSDB-MG), além dos deputados federais Benito da Gama (PTB-BA) e Cristiane Brasil (PTB-RJ). G1 noticia o envolvimento de Antonio Anastasia na Operação Ross, de compra de apoio político pela J&F, que teria envolvido o pagamento de R$ 110 milhões a Aécio Neves, o padrinho de Anastasia, relator do impeachment de Dilma no Senado.

Após dois anos do golpe, Temer deixa um Brasil destroçado

O saldo do governo Temer dos últimos dois anos é resumido no desemprego e corte de direitos trabalhistas e sociais

Lia Bianchini, Brasil de Fato

O dia 31 de dezembro marcará o fim de um governo histórico para o Brasil.

Michel Temer sairá do poder com a marca de presidente mais impopular da história democrática brasileira.

No início deste mês, pesquisa Ibope mostrou que 74% da população considera o governo Temer (MDB) ruim ou péssimo e outros 88% desaprovam a maneira como o presidente governa o país.

Parte dos caminhos que levaram Temer de vice à presidência da República foram expostos em maio de 2016, em áudio gravado de uma conversa entre o ex-senador Romero Jucá (MDB) e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

No áudio, eles falam que a “saída mais fácil” para “estancar a sangria” no país seria colocar Michel Temer na presidência, em um “grande acordo nacional”, “com Supremo, com tudo”.

Naquele mesmo ano, a presidenta eleita Dilma Rousseff (PT) foi impichada e seu vice-presidente, Temer, alçado ao poder.

Se estancou a sangria da classe política que articulou o golpe de Estado, o acordo serviu também como navalha na carne da população brasileira.

Desde que entrou na presidência, Temer sangrou direitos trabalhistas e sociais, limitou os investimentos públicos pelos próximos 20 anos, aproximou o Brasil de volta ao mapa da fome.

Sob a justificativa de modernização das leis trabalhistas e criação de novos postos de trabalho, Temer sancionou, em 2017, a terceirização para todas as atividades e a Reforma Trabalhista, alterando a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em pontos como jornada, plano de carreira, remuneração e férias.

O então ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, dizia que a Reforma Trabalhista geraria seis milhões de empregos no Brasil. No entanto, foram gerados, de fato, pouco mais de 700 mil postos formais de trabalho.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), nesses dois anos de governo Temer, o desemprego passou de 11,2% (em maio de 2016) para 13,1% (em abril de 2018), chegando a 11,7% (no trimestre fechado em outubro).

Atualmente, 12,8 milhões de brasileiros estão desempregados.

A navalha de Temer feriu também a realidade da juventude brasileira, com a Reforma do Ensino Médio, que, entre outras alterações, propõe a diminuição de conteúdos obrigatórios de ensino e extingue a necessidade de diploma técnico ou superior em área pedagógica para contratação de professores.

No novo Ensino Médio, apenas Português e Matemática serão ministrados obrigatoriamente nos três anos de formação.

As demais disciplinas — como filosofia, sociologia, artes, história, geografia — poderão ser distribuídas ao longo dos anos, de acordo com a definição curricular de cada estado brasileiro.

Nestes dois anos, a população brasileira sentiu os cortes em investimentos em programas sociais, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e o Programa Universidade para Todos (ProUni).

Em 2016, o governo Temer cortou 80 mil bolsas integrais oferecidas pelo ProUni, para diminuir gastos públicos.

No Minha Casa Minha Vida, de 2015 para 2016 houve uma redução de 94,9% no valor investido no programa, caindo de R$23,55 bilhões para R$1,2 bilhão.

Em agosto deste ano, no orçamento enviado ao Congresso, o presidente prevê que os recursos para o Bolsa Família estejam garantidos até junho de 2019, apenas.

Além do desmonte em programas sociais, assombra também a população brasileira o crescimento da fome.

Conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e da ONG ActionAid Brasil, baseado em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atualmente, 11,7 milhões de brasileiros passam fome, o que corresponde a 5,6% da população total.

O cenário de terror desenhado pelo governo Temer tende a ser agravado com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241/55, que propôs teto para investimentos públicos pelos próximos 20 anos.

Há dois anos em vigor, os efeitos da “PEC do teto” já ficaram nítidos na queda de 3,1% nos investimentos do governo federal em saúde e educação, segundo dados da Confederação Nacional dos Municípios.

Em números, os investimentos de 2016 a 2018 nessas áreas praticamente ficaram congelados: saíram de R$ 191,2 bilhões para R$ 191,3 bilhões.

Encerrando seu governo, Temer ainda deixa para seu sucessor um pacote que prevê a privatização de 75 projetos e empresas estatais, entre eles a Eletrobras, a Casa da Moeda, a Lotex — Loteria Instantânea Exclusiva, aeroportos, ferrovias, rodovias, blocos de petróleo e áreas de pré-sal.

Em pronunciamento de Natal, no último dia 24, Michel Temer fez uma avaliação positiva de seu governo, dizendo deixar o poder com a “alma leve e tranquila e a consciência de dever cumprido”.

Segundo o presidente, ele não poupou “esforços nem energia” para entregar “um Brasil muito melhor do que aquele” que recebeu.

Para a população brasileira, Temer diz deixar “as reformas e os avanços, que já colocaram o Brasil em um novo tempo”.

Edição: Tayguara Ribeiro

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6 comentários

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fernando Carneiro

30 de dezembro de 2018 às 11h23

Não dá nem para ler mais. Tudo como previsto. Vão ter que vender os apartamentos de Miami e N.York comprados durante os governos do PT. Se é que já não venderam.

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Ignacio Belo

30 de dezembro de 2018 às 09h29

Sem investimento do governo federal é muito difícil o país crescer muito.
Será 1 ou 1,5% no máximo de crescimento. É o famoso andar de tartaruga.
A tendência é mais empresas fechando porque não tem consumidor e mais pessoas desempregadas porque não tem emprego.
Petróleo ainda é um ativo estratégico, só o povo brasileiro ainda não percebeu isso.
Ainda não inventaram nada viável para substituir o petróleo em larga escala.

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Cláudio

30 de dezembro de 2018 às 04h12

:
: * * * * 04:13 * * * * * Próprio para esta época, o poema a seguir está sendo CENSURADO por uma editora carioca, que não o publica (“on-line”), por razões obscuras, numa das seletivas de poemas de dezembro deste 2018, para livro a vir a lume em março de 2019 :

Elles (Ou Mal lutar é lutar mal)

Dedicado ao eleiTORADO brasileño, no pós-eleições de 2018…

Nunca se viu povo tão idiota
militando contra a própria sorte!…
Mesmo toda paciência se esgota
quando os “fracos” idolatram o “forte”.

E ainda esperam alguma cota…
Coitados! Que o tempo não lhes corte
a memória em meio à tal rota
da vida indo ainda mais para a morte…
…………………………………………………………………………………….. Cláudio Carvalho Fernandes
…………………………………………………………………………………….. (Poeta (anarcoexistencialista))

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Roberto Locatelli

30 de dezembro de 2018 às 02h45

Os pequenos fascistinhas de bairro (donos de boteco, quitandas, mercadinhos e lojinhas) são otários e foram enganados. Eles acreditaram MESMO no que os grandes fascistas — como o dono da Riachuelo — disseram.
Por outro lado, os grandes fascistas, como o tal dono da Riachuelo, sabiam que suas “previsões” eram grosseiras mentiras. Ocorre que, nos dias de hoje, grandes empresários são, na verdade, grandes especuladores. A Riachuelo vai mal das pernas, mas o dono não se importa, pois seu verdadeiro negócio é especulação.
Para os especuladores, vale o “quanto pior, melhor”. Eles obtiveram, na economia, EXATAMENTE o resultado que queriam: desemprego e miséria.
Aqui vale aquela velha questão: para quê fabricar geladeiras e fogões se a especulação rende MUITO mais? Só tem um problema: especulação é dinheiro fictício, criado do nada. E isso não vai acabar bem. O mundo capitalista caminha para um crash de proporções bíblicas.

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Jardel

30 de dezembro de 2018 às 02h17

“Primeiro a gente tira a Dilma, depois estanca a sangria…”
Os coxinhas já vestiram um cabresto psicológico para ajudar-lhes a seguir apoiando o “mito” sem observar informações menores como por exemplo, os assessores laranja dos gabinetes da família Bozo e, a infeliz aproximação subserviente do nosso bananal (país) à assassina política israelense de subjugação dos palestinos.
Cabresto psicológico é um subterfúgio dos coxinhas para reduzirem sua visão à visão de um asno.

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Julio Silveira

29 de dezembro de 2018 às 20h57

Todos os indicativos apontam para uma desgraça nacional. Mas o povo brasileiro, dizem, muito bonzinho, tem como profissão esperança e uma fé inabalavel. Verdade é que costumam depositá-las nos seus algozes, o que os fazem em sua maioria idiotas.

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