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Em entrevistas a TVs, Bolsonaro antecipa defesa sobre segundo empréstimo a Queiroz
Marcos Corrêa/PR
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Em entrevistas a TVs, Bolsonaro antecipa defesa sobre segundo empréstimo a Queiroz


04/01/2019 - 23h16

Da Redação

O presidente Jair Bolsonaro não dá ponto sem nó.

Em duas entrevistas recentes à TV Record e ao SBT, ele deixou explícita qual será sua defesa diante da possibilidade — remota — de que o Ministério Público do Rio de Janeiro avance nas investigações do ex-motorista de seu filho, Flávio, ex-deputado estadual — agora senador — no Rio de Janeiro.

O motorista Fabrício Queiroz despertou o alarme do Coaf, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, órgão que era subordinado ao Ministério da Fazenda e passou ao Ministério da Justiça, de Sérgio Moro, por fazer transações bancárias incompatíveis com sua renda.

Parece haver um padrão vingativo no comportamento do presidente brasileiro.

Bolsonaro, flagrado por fiscais do Ibama pescando em área de proteção ambiental, mentiu e mais tarde denunciou o que seria uma indústria da multa no órgão que agora comanda.

No caso do Coaf, conforme denunciou o advogado Carlos Cleto ao Viomundo, Bolsonaro teria enfraquecido o órgão de controle antes da transferência para a pasta de Moro.

Na primeira entrevista das duas entrevistas a que nos referimos no título, à TV Record, Bolsonaro admitiu que já havia feito um segundo empréstimo a Queiroz, de R$ 20 mil.

Declarações literais dele:

— Conheço o Queiroz desde 1984, foi recruta meu. Fomos nos reencontrar depois, eu deputado, e ele policial militar. Sempre gozou de toda liberdade e confiança nossa, já foi pescar comigo, passou férias. Apareceu no Coaf, com o nome de pessoas que transferiram para a conta dele. Três (são) familiares. São pessoas que depositaram de R$ 300 a R$ 8 mil, durante um ano, não foi todo mês. Ele já falou claramente sobre aquela desconfiança, “ah, é caixa 2, é laranja”… De mim nunca foi.

— A questão da minha esposa. Foi uma dívida que foi se acumulando, eu cobrei dele. Foi um dinheiro que foi acumulando. Há 6, 7 anos atras, tinha outra dívida, de R$ 20 mil reais. Quem nunca fez um negócio com um amigo? Não cobrei juros, não cobrei nada. Se tiver algo mais, que eu desconheça, cabe a explicação a seu Fabrício Queiroz, não cabe a mim.

Lendo nas entrelinhas, Bolsonaro se antecipou à possível informação de que houve um segundo “empréstimo” a Queiroz, possivelmente “pago” de maneira que poderia ser descoberto no caso de quebra de sigilo bancário do ex-motorista.

Queiroz transferiu R$ 20 mil à conta de Bolsonaro? Depositou um cheque de R$ 20 mil na conta dele?

Já em entrevista ao SBT, Bolsonaro tratou de acusar o Coaf de agir ilegalmente.

“Falando aqui claro. Quebraram o sigilo bancário dele [Queiroz] sem autorização judicial, cometeram um erro gravíssimo”, afirmou.

O Globo esclareceu:

Na Lei 9.613 de 1998, que dispõe sobre os crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens e que criou o Coaf, há uma lista de instituições que são obrigadas legalmente a enviar informações sobre operações financeiras e transações de altos valores ou feitas em dinheiro vivo. Na lista estão bancos, joalherias, seguradoras, imobiliárias, administradoras financeiras, entre outras. Essas informações são recebidas em um sistema eletrônico e, posteriormente, tratadas pelos analistas do Coaf por meio do cruzamento de bases de dados. O tratamento dessas informações permite encontrar operações suspeitas que são comunicadas às autoridades competentes para a instauração de procedimentos de investigação.

Por que Bolsonaro acusou o Coaf de ação ilegal?

Para atender à sua base de seguidores.

É uma desmoralização antecipada de um órgão no qual futuras acusações contra Bolsonaro podem ser baseadas.

Isso explica porque Bolsonaro contratou, por R$ 13 mil mensais, um blogueiro influente nas redes sociais: estas são justamente as fontes nas quais os seguidores mais fanáticos de Bolsonaro “confiam”.

O presidente trata de construir uma comunicação direta com o público, sem passar pela mídia corporativa, justamente para desinformar a base que é essencial para reelegê-lo em 2022.

Leia também:

Advogado denuncia o enfraquecimento do Coaf

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2 comentários

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Bel

07 de janeiro de 2019 às 14h35

A cor da caixa-preta do avião chamado Brasil parece ser laranja.

Responder

Zé Maria

05 de janeiro de 2019 às 18h46

.
“Eu Sei Que Ele [Queiroz] Fazia Rolo”

Jair Bolsonaro ao SBT
Em 03/01/2019, 5ª-feira

https://www.revistaforum.com.br/bolsonaro-sobre-fabricio-queiroz-eu-sei-que-ele-fazia-rolo/

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