“Desinformação é arma de guerra do Pentágono”

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“Desinformação é a arma de guerra do Pentágono”

A jornalista Stella Calloni alerta que, seguindo o script de Washington, Grupo Clarín ataca a Ley de Medios da Argentina

10/01/2013

Leonardo Severo e Vanessa Silva, de Buenos Aires (Argentina), no Brasil de Fato

Aos 77 anos, Stella Calloni luta o bom combate, energizando com alegria tudo ao redor. Nos recebe em sua casa para falar sobre a Lei de Meios Audiovisuais da Argentina, a Ley de Medios.

A sala em que nos recebeu, repleta de quadros e imagens de diversos países, é um cenário internacionalista e integracionista perfeito para nossa conversa. O tema é o 7D (sete de dezembro), que colocou o debate sobre a comunicação na ordem do dia e mobilizou toda a sociedade argentina.

Neste dia, o maior conglomerado de comunicação do país vizinho, o Grupo Clarín, deveria ter apresentado seu plano de adequação para desfazer-se de seu monopólio e adequar-se à lei. Todos os demais grupos de mídia o fizeram até a data, mas por uma ação judicial do Clarín, acolhida por uma corte de Justiça, o 7D não se consumou e a batalha pela democratização da palavra continua.

Escritora e jornalista, Stella desvendou a Operação Condor e tantos crimes macabros cometidos pelo imperialismo e seus testas-de-ferro no Sul do Continente. Stella estudou a fundo a lei dos meios e afirma categoricamente que se trata da “mais democrática e participativa da América Latina”, e tem um “significado especial para a conquista da soberania efetiva e o avanço da própria integração”.

Frente ao festival de mentiras, calúnias e omissões que proliferam na imprensa contra a presidenta Cristina Kirchner e a nova lei, Stela nos convida a uma reflexão sobre quem se beneficia do caos na comunicação: “A desinformação é uma arma de guerra do Pentágono”.

Brasil de Fato: Da mesma forma que O Globo, no Brasil, o Grupo Clarín foi claramente beneficiado pela ditadura. Como isso se deu?

Stella Calloni: Em 1978 a ditadura persegue a família do banqueiro e dono da empresa Papel Prensa, Davir Graiver, (empresa que detinha o monopólio da fabricação de papel jornal) acusado de trabalhar com o grupo guerrilheiro Montoneros. O proprietário morreu num estranho acidente em 1976, no México, e nunca se pôde achar o corpo nem nada.

A suspeita é que o assassinato tenha sido executado pela CIA e por grupos secretos que trabalhavam com a ditadura. Então, numa manobra entre a ditadura, o Diário Clarín, o La Nación e o diário La Razón, que já não existe mais, fizeram o “acordo” com Graiver. Tudo assinado e sua esposa Lidia Papaleo de Graiver, que regressou ao país com sua filhinha de dois anos, foi detida e torturada num centro clandestino. Nessas condições, teve que assinar a “venda” da Papel Prensa.

A “compra” foi por um montante que era nada e ocorreu, evidentemente, mediante extorsão. Do total do patrimônio, 80% ficaram para os três jornais e uns 20% da empresa para o Estado. Foi assim que o Clarín e o La Nación começaram a formar seu monopólio, pois quem tem o poder do papel jornal na mão tem o poder da distribuição deste papel.

Em 1980, o regime da ditadura militar (1976-1983) dita por decreto a lei de radiodifusão que, neste momento, já concebia a comunicação como uma mercadoria. A ditadura havia aberto então a porta para a conformação de grandes grupos monopólicos.

Terminada a ditadura, o presidente Raúl Alfonsín chegou a questionar esta anomalia?

Depois de 1983, após a Guerra das Malvinas, cai a ditadura e Raul Alfonsín chega à Presidência. Em 1984 ele começa a se dar conta que a lei de meios da ditadura precisaria mudar. Então é desatada uma grande campanha do Grupo Clarín contra Alfonsín e nada avança. É esta a lei que se encontra em vigência até agora.

Como inicia esse movimento pela democratização da comunicação?

Nos anos de 1990 começa um trabalho coletivo de universidades, diretórios estudantis, profissionais, movimentos sociais e sindicais, sobretudo de profissionais de imprensa, entre eles a União de Trabalhadores de Jornalismo de Buenos Aires. Iniciam o debate sobre o tema da concentração de poder nos meios de comunicação.

Vale lembrar que, em 1989, o ex-presidente Carlos Menem (1989-1999) privatiza tudo, além de um monte de meios de comunicação, escancarando as portas para a possibilidade de se comprar a quantidade de licenças que quisessem. Isso possibilita que, em 1995, quando começou a campanha para mudar a lei, Clarín já tivesse se tornado um grupo monopólico.

Qual o tamanho desse monopólio?

Beneficiado com esta lógica privatista, no ano 2000, Clarín já detinha 240 licenças, os canais 13, Toda Notícia, Volver, Rádio Mitre AM, 80 FM, Multicanal, Datamarket, por meio dos quais controlava quase todo o país, além de imprimir o principal diário, o Clarín, e a Olé, que é uma revista esportiva. Havia acumulado, portanto, bem mais do que todo o resto dos grupos.

No Brasil, o grupo Folha emprestava seus automóveis para a repressão. De que forma o Grupo Clarín agiu?

Este é um problema. O Clarín e os grandes meios colaboraram com a ditadura publicando como “enfrentamento” o assassinato de militantes pelos grupos policiais. É a velha história: a mídia fazia o jogo do poder econômico, dos latifundiários, dos banqueiros, das multinacionais, que manipulavam em todo o continente os meios de comunicação, ligados aos Estados Unidos, dependentes deles. Assim, quando os EUA viam que seus interesses estavam sendo contrariados, e que precisavam dar um golpe e invadir um país, utilizavam a mídia local.

Foi assim na invasão à Guatemala, foi dessa forma que converteram o herói nicaraguense Augusto César Sandino em bandido. Por isso atacam tanto atualmente o presidente equatoriano Rafael Correa. O que está em jogo é a defesa dos interesses econômicos. Concebem a informação como mercadoria e a liberdade de expressão como liberdade de empresa. O que potencializou esse movimento foi o furacão neoliberal dos anos de 1990.

Você se refere à crise que vitimou bastante a economia Argentina?

A Argentina foi um dos países mais gravemente afetados pelo neoliberalismo. Acabaram os trens no nosso país. É uma coisa única no mundo, porque tínhamos cobertas nossas maiores extensões. Com isso morreram vários povoados no interior. Foi um retrocesso nos princípios iniciais da República, foram quebradas muitas empresas.

O governo chegou a cortar publicidade para quebrar empresas de comunicação, a fim de que viessem os estrangeiros e seus testas-de-ferro, o que foi conformando um poder hegemônico. Foram apoderando-se, no caso da Europa, das agências de notícias, mancomunadas com interesses privados a tal ponto que perderam totalmente a espécie de independência que ainda tinham. Vocês como brasileiros, nós como argentinos, lembramos que quando tivemos as ditaduras recorríamos àquelas agências para fazer denúncias. Hoje elas são parte de um só discurso midiático.

Como avalia o papel dos novos governos populares nesta batalha pela liberdade de expressão?

Devido às mudanças que ocorreram na América Latina, vivemos o pós-neoliberalismo – ainda que este sistema não esteja completamente enterrado. O fato é que surgiram governos que expressam uma vontade popular totalmente distinta. Estes governos surgem das lutas populares nas ruas, nas estradas, e ressignificam a tragédia do neoliberalismo nos setores mais renegados e excluídos entre os excluídos.

Afinal, os neoliberais concebem o desemprego como um disciplinador social, por isso, trataram de reduzir os sindicatos, debilitaram as defesas dos trabalhadores, desregulamentaram nossas economias. E a resposta veio da grande massa popular, dos piqueteiros na Argentina, por exemplo. O mesmo aconteceu na Bolívia, e na Venezuela com o Caracaço em 1989, que foi a primeira rebelião contra o sistema neoliberal produzida no continente.

Os novos governos que surgem, como o de Hugo Chávez, vêm quando os países estavam afundados no abismo. Daí tantas rebeliões populares e a entrada em cena de Evo Morales na Bolívia, Nestor Kirchner na Argentina, Lula no Brasil, Manuel Zelaya em Honduras, a volta de Daniel Ortega na Nicarágua. São governos frutos destas rebeliões que mudam o mapa da América Latina, em contraposição à lógica das ditaduras que nos implantaram os Estados Unidos.

Começa então um processo de integração e unidade. Isso dá um salto além do processo de integração econômica, como havia sido inicialmente concebido, para um processo de emancipação nacional, porque estamos em um processo de independência, ainda não temos nossa independência totalmente assegurada.

Como profissional que acompanha o debate sobre a democratização da comunicação há muitos anos, qual a sua avaliação sobre a Ley de Medios?

A Lei de Meios da Argentina é a mais democrática e participativa que se votou no país e, creio, em toda a América Latina. As diferentes organizações estão trabalhando nela, constantemente aperfeiçoando a proposta há 22 anos. Há uma grande aprendizagem, fruto de um acúmulo. A questão da mídia, pela sua capacidade de interferência na realidade, de pautar governos e influir no comportamento social, ganhou ainda maior relevância para a própria democracia.

Claro. Se antes existiam três meios potentes que destruíam um governo, neste período histórico temos milhares de repetidores destes meios potentes que têm um poder tão grande que agora são concebidos pelo Pentágono como arma de guerra.

A desinformação hoje é uma arma de guerra. Massivamente pode-se destruir um mandatário, convertê-lo em ditador, sustentar uma mentira como as armas de destruição em massa no Iraque, uma mentira atroz como a usada contra a Líbia. Muammar Kadafi nunca bombardeou seu povo.

Não deixaram nada em pé na Líbia. Então a mídia foi usada recentemente em quatro guerras coloniais: Afeganistão, Iraque, Líbia e, agora, a Síria, onde também estão produzindo devastação em larga escala. Temos também a questão grave dos bombardeios e do cerco a Gaza, na Palestina, países que foram divididos como o Sudão, e ameaçados, como o Líbano e o Irã.

Vejam como isso se reflete aqui na América Latina com a nova ofensiva dos grandes conglomerados de comunicação sobre os governos da região, tentando destruir a integração que conseguiu vencê-los. Nossa integração conseguiu parar golpes de Estado como o dado contra Evo, apoiou [Rafael] Correa e isolou os golpistas em 2010, desconheceu o governo ditatorial de Honduras e tomou uma decisão, como no caso do Paraguai, cumprindo com o regramento do Mercosul que defende a democracia verdadeira.

Concebemos e reafirmamos a democracia como é: uma grande participação popular, e pela primeira vez os Estados Unidos caíram na sua própria armadilha. Não diziam que o que valia era o voto na urna? Pois pelo voto nossos povos afirmaram um caminho independente do governo de Washington. Como a vontade popular é favorável à independência, temos uma verdadeira guerra instalada no Continente, a guerra dos meios.

Voltando à Argentina, conte-nos mais sobre a guerra que está sendo travada pela mídia contra o governo de Cristina.

Na Argentina há uma desinformação enorme. Em 2008 quando o governo quis colocar um imposto para a venda da soja, pois havia uma entrada enorme de dinheiro, foi produzida uma tentativa de golpe de Estado. A paralisação das rodovias do Mercosul era um golpe estratégico. Conseguiu-se superar isso, mas a desinformação era tão grande que começou a confundir setores da sociedade, que são ainda cativos dos grandes meios, porque nenhum meio estatal tem o poder comunicacional deles, que abarcam todo o país.

Com 240 licenças, o Grupo Clarín tem rádios de longo alcance em cada província, chegando até a Terra do Fogo, a mais distante. Conhecemos pela história de Goebbels e do nazismo, que tudo o que é repetido todos os dias vai formando uma verdade, uma opinião, que pode ser absolutamente equivocada. Como ocorreu com o povo alemão, as informações de Goebbels foram levando os alemães à sua própria destruição, pois não conseguiram ver que era falsa a mensagem.

A destruição da consciência, de países e povos, acontece via desinformação?

Aqui a desinformação é tamanha que ao ler o Clarín, da primeira à última página, são todas notícias negativas sobre a lei de meios. Chegou a um ponto que nunca havíamos chegado, de se oporem ao governo quando este defende a questão das Ilhas Malvinas, que são estratégicas não só para Argentina, como para toda a América Latina, porque senão teremos as maiores bases estrangeiras já instaladas, com alcance para o Brasil, para toda a região.

Diante desta ameaça real, esses meios começam a desacreditar esta vontade, esta posição do governo, dizendo que é preciso respeitar os habitantes instalados no lugar, trazidos da Grã Bretanha. Querem justificar a falta de soberania, defender uma colônia a 14 mil quilômetros da Grã Bretanha, instalada em águas territoriais argentinas.

Esse é um comportamento que vem de longa data?

Veja, o La Nación é da família Mitre, oligárquica do passado, que sempre combateu os governos populares, tendo sido chaves na derrubada de Perón, em 1955. São sociedades cativas que se acostumaram a ter muito poder através desses meios. Mentem para este público dizendo que o jornal vai deixar de sair no dia seguinte à entrada em vigor da Ley de Medios. Mas no caso do jornal não há nenhum problema, pois a lei não tem alcance para os meios escritos.

Isso é absolutamente falso. Eles podem ficar com até 24 canais e 10 rádios, mas não poderão ficar com as 240 concessões irregulares, porque isso é monopólio. A lei se rege também por regras da Comissão Interamericana de Direitos Humanos que afirma que não pode haver monopólios informativos porque eles restringem a liberdade de expressão dos países. Então nos perguntamos: por que esta lei não está sendo cumprida pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP)? Porque ela representa os donos dos meios.

No caso argentino, após amplo debate, aprovada pelo Executivo e pelo Legislativo, a lei foi obstaculizada pelo Judiciário. O que deve acontecer agora?

A lei entrou como projeto do governo, apresentada por todas estas organizações. Os deputados estudam a questão e a lei é aprovada por maioria pelo governo e pela oposição em outubro de 2009. De imediato, o Grupo Clarín começa a colocar medidas cautelares. Pressiona por uma medida cautelar para o artigo 161, que regula os monopólios midiáticos, que não deveriam mais existir e que todos os grupos deveriam se adequar. A lei não é nenhum ataque a um meio determinado.

Tanto é assim que no dia 6 de dezembro, um dia antes do prazo, 19 grupos já haviam entregado seus planos de adequação para o governo. Havia um acerto que no dia 7 de dezembro a Autoridade Federal de Serviços Audiovisuais de Comunicação (AFSCA) devia apresentar um plano de adequação para os que não cumprissem o prazo. Então uma Câmara Civil e Comercial integrada por juízes que têm até relação familiar com o Clarín, um juiz que foi convidado pelo grupo para ir a Miami fazer um debate contra a nova lei, suspende seu efeito.

Uma decisão em causa própria?

É impossível que uma pessoa possa ser juiz e parte, mas aconteceu. Um monopólio restringe a liberdade de informação e o Estado deve tomar medidas contra a intenção monopolista. E foi obstaculizado por uma decisão judicial. Deparamos-nos com uma verdade que ninguém quer dizer em toda a América Latina, na Argentina, no Brasil: a Justiça está impregnada pelo passado. Ainda restaram muitos juízes da ditadura, do poder econômico que veio depois, juízes que colaboram ativamente com as oposições locais.

Uma guerra pela democratização da comunicação. Dessa forma, como avalia o papel desempenhado pela SIP?

A luta pela democratização da mídia é a mãe de todas as batalhas. A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que é a sociedade de todos os donos da mídia do continente, que tem grande influência dos Estados Unidos, está contra a Ley de Medios porque ela favorece a pluralidade de vozes, estabelece um limite para o número de licenças que cada grupo de empresários pode ter.

A nova lei argentina determina que o Clarín não pode manipular tantos sinais, criou a Autoridade Federal de Serviços Audiovisuais (AFSCA), determinou um máximo de 24 licenças de televisão por cabo e 10 de rádio AM ou televisão aberta para cada grupo, reconheceu o direito à comunicação com identidade dos povos originários, entre outros avanços. Na manhã do dia 8 de dezembro, começou a funcionar a primeira televisão mapuche e há mais de 20 rádios que passaram a ser feitas pelos próprios povos originários. Estou contentíssima com isso.

Sem romper com o monopólio do Clarín não é possível que a lei entre em vigor?

A lei indica que tudo devia começar com os aspirantes aos canais apresentando-se como cooperativas. E assim foi feito. Mas se não se rompe o monopólio, não tem como distribuir. Este é o problema. Já se permitiu a abertura de novas rádios em alguns lugares, apoiou-se pela primeira vez o desenvolvimento de pequenas e médias empresas que poderão ficar responsáveis por um canal de cabo.

Cinquenta universidades já podem ter a sua própria televisão, foram liberadas mais de 365 licenças de AM e FM e devem sair outras 800 solicitações de distintos setores populares para rádio. Isso já está sendo cumprido, com licenças para organizações sem fins de lucro, canais educativos, de saúde, 1.150 frequências para rádios municipais, se abriram mais de 130 rádios em escolas e mais de 20 para povos originários. Mais de 50 cooperativas de serviços públicos em todo o país já têm sua licença e outras 100 as solicitaram. Isso dá uma ideia do que vai acontecer no dia seguinte ao que o monopólio acabar.

Como a nova legislação aborda a questão da publicidade?

A lei exige que a publicidade incentive a produção local. Assim se produziram mais de duas mil horas de conteúdo televisivo desde que chegaram os planos de fomento do Estado nacional e mais de 3.500 projetos foram apresentados em todo o país. Com recursos, 26 das novas séries de televisão foram realizadas nas províncias com atores e técnicos locais.

A indústria audiovisual gera mais de 100 mil postos de trabalho por ano em todo o país, número que pode ser bastante ampliado com a diversificação estimulada pela lei. As pequenas e médias empresas (Pymes) já contam com mais de 2.800 horas diárias de programação e geram mais de seis mil postos de trabalho. Esta informação obviamente não é divulgada pela mídia, mas as pessoas necessitam ter a dimensão do seu significado.

A grande mídia esconde os benefícios da nova lei, mas seus defensores conseguem dialogar sobre a sua relevância para o avanço da democracia?

Dizem que ela é necessária, falam da democratização, mas não são divulgados fatos concretos, não se demonstra a importância de fato. O artigo 161 é importantíssimo porque, como já disse, sem mexer no monopólio não tem como distribuir. Então a decisão da Corte em favor do Clarín está interferindo no processo.

Os demais grupos de mídia estão dispostos a cumprir a lei, mas a SIP vem à Argentina apoiar o grande monopólio, num dos maiores atos de intromissão nos assuntos internos de um país. Aqui, no dia 22 de maio, a Corte Suprema fixou que no 7 de dezembro venceria a medida cautelar. Agora, com o apoio de alguns juízes, conseguiram novamente protelar. O Clarín está burlando a legislação com acompanhamento externo e o Estado está lutando contra a velha justiça que responde ao poder econômico.

Em sua opinião, o que temos pela frente?

Em primeiro lugar, precisamos tornar mais didáticas as denúncias contra o grupo monopolista. Se o Clarín continua sem cumprir a lei, o Estado está obrigado a chamar concursos públicos. As licenças que excedam o mínimo estipulado pela lei devem ser entregues a novos titulares. A obrigação do Estado é chamar o concurso. Se não adequar-se ao processo, em sua luta equivocada, o Clarín terminará favorecendo os setores populares.

Inclusive agora está em curso um processo judicial pelo caso da fábrica de papel jornal, onde os antigos donos estão denunciando como lhes tiraram seu patrimônio, de forma ilegal e indevida. A atuação é juridicamente reprovável porque se fez com pessoas detidas. Além disso, houve o descumprimento do que dispunha a lei quanto ao percentual de ações que deveria ter ficado com o Estado e que acabou sendo apropriado pelos grupos privados.

O monopólio também amplia o poder e os lucros do Clarín, que obriga as demais publicações a pagarem um fundo para que possam ser distribuídas nas bancas. O Estado tem dito e repetido que não vai expropriar de nenhuma maneira, nem vai estatizar. Trata-se de garantir a pluralidade de vozes, algo que nunca houve. Ao contrário, uma quantidade de meios foram fechados durante a ditadura, inclusive com bombas, como o Diário Sur e o diário La Calle, do Partido Comunista.

Há mais de cem jornalistas argentinos desaparecidos e 50 assassinados. Mas sobre isso a SIP não fala, como nada tem dito sobre o que está ocorrendo em Honduras onde em duas manifestações realizadas pela oposição foram espancadas equipes inteiras de televisão.

E como é possível romper com este cerco midiático?

Precisamos fazer cumprir o que diz a Corte Interamericana: os monopólios de comunicação cerceiam a liberdade de expressão. Quando os governos querem atuar para democratizar a palavra, se fazem de desentendidos. A informação é uma arma real para o poder hegemônico, uma arma para destituir governos.

Uma arma tão real que muitas das notícias são fabricadas no próprio Pentágono, como as do Oriente Médio, e repetidas em todo o mundo. Imagine o poder que significa que, em todo o mundo, na mesma hora, a repetição da mesma coisa. Isso amplifica de uma forma perversa, eu diria terrorista, a desinformação.

Não se respeita o direito dos povos a uma informação verdadeira, que ajude a população a ter mais educação e cultura. A isso se agrega os entretenimentos que são o maior modelo de desculturação que tiveram nossos países nos últimos anos. E isso é mais grave porque chega onde não há um jornal. Está em frente à televisão, está absorvendo anti-valores.

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Comentários

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Entre a suástica e a palmatória no interior paulista « Viomundo – O que você não vê na mídia

[…] “Desinformação é arma de guerra do Pentágono” […]

Mário SF Alves

“Desinformação é a arma de guerra do Pentágono”.

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Acrescente-se aí:

“Assim como a desinformação é a arma de guerra do Pentágono”, a desorientação, a distração e a desconstrução da realidade são as armas preferenciais do PiG. Um PiG cada vez mais alucinado. Um PiG cada vez mais mentiroso a cada tímido passo do povo em direção à luz.

ZePovinho

Vejam como a imprensa mente sobre o “apagão” que ela disse que ocorreria.Sabemos que em 2001/2002 tivemos RACIONAMENTO de energia porque FHC não investiu em geração.Os cidadãos,PASMEM,tinham uma cota de energia limitada e pagavam multa se ultrapassassem essa cota.Naquele ano de pouca chuva,como agora em 2012,os reservatórios estavam baixos e deu no desastre que deu porque,também,os tucanos ficaram esperando o tal ‘Mercado” resolver uma coisa que é o Estado que tem de resolver.Não é a toa que as usinas de geração de energia,nos EUA,ficam sob responsabilidade do exército de lá.
Hoje em dia,estamos com os reservatórios baixos como em 2001/2002 e não existe nem sombra do desastre da época de FHC,quando o país chegou a perder 3% do PIB por causa da irresponsabilidade ortodoxa tucana em achar que o tal “mercado” resolve tudo.
Veja a comparação do nível de água dos principais reservatórios(tirada do Operador Nacional do Sistema,ONS).Aqui colocamos Furnas:

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Faça você mesmo as comparações de diversos dados e veja como Dilma investiu pesado no setor de energia(vá na guia “histórico da operação):

http://www.ons.org.br/home/

    Mário SF Alves

    Pois é. Eis aí um PiG cada vez mais alucinado; um PiG cada vez mais mentiroso a cada tímido passo do povo em direção à luz. Eis aí o que o PiG quer que acreditemos.

    _________________________________________
    Quer saber, melhor pro PiG seria tentar comprar um título de santificação junto ao Vaticano. Quem sabe, assim, movida pela fé, mais gente ainda acreditasse nas mentiras dele?
    ________________________
    Santo PiG tende piedade de nós; santo PiG construa a realidade por nós… hum, quem sabe?

saulopb

Curitiba, urgente o prefeito Gustavo Fruet, que voltou para esquerda, ja começou a ser bombardeado pela midia local, estão criticando a prefeitura de colocar calçada de granito na AV. Batel, mas, não falaram que a obra e adminstração anterior, da turma do Beto Richa,do PSDB. Gustavo Fruet, vai ver como o Requião foi tratado.

    Lu Witovisk

    Bom, mas aí é assim mesmo… já começaram a bombardea-lo com a escolha dos secretarios.

    Sabe qual é a pior? Beto Richa vendeu, VENDEUUU espaço da tv publica dai para uma igreja evangelica, diz que não interessa ao povo saber quem anda pagando suas viagens de jatinho para correr de kart, quando é perguntado sobre o horario de expediente (pq muitas vezes está na farra) ele disse: sou governador 24h. E o jornal local é um vexame: as noticias versavam nos primeiros dias de janeiro sobre: excesso de manga madura suja as ruas em uma cidade do interior, o fluxo de carros sentido praias é grande, caiu uma arvore com a chuva na capital…

    O Gustavo tá lascado.

ZePovinho

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A semana dos grandes erros na grande imprensa

Primeiro, a Folha noticiou uma reunião de emergência sobre o setor elétrico, que era rotineira. O Estadão, em letras garrafais, anunciou que o Ministério Público investigaria o ex-presidente Lula. E o Globo avisou que empresários já estariam fazendo seu próprio racionamento. Três exemplos “wishful thinking”, em que a vontade política dos editores se impõe à objetividade dos fatos. Se isso não bastasse, Veja também derrapou feio ao anunciar uma megafusão bancária que não houve

http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/90346/A-semana-dos-grandes-erros-na-grande-imprensa.htm

    Mário SF Alves

    Das duas, duas: ou é desespero ante o porvir/2014 ou é a mais autoritária e despudorada introjeção da impunidade.
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    Amadores? Não. Em absoluto. Social e politicamente irresponsáveis tangencialmente sociopatas é isso o que são.
    ____________________________________
    Ainda que fosse aqui, nos blogs sujos, não detentores de nenhum privilégio ou concessão pública, talvez se justificasse tamanha presepada. Mas, não, nem assim. Aliás, jamais aqui; mesmo entre nós.

Narr

Mas por que é que tudo tem que ser feito por iniciativa do governo? Vocês querem que a Dilma assuma a vanguarda da luta contra o PIG e depois reclamam que o governo petista está reduzindo o papel das organizações populares? Ela tem que entrar sozinha nesta luta tremenda contra o PIG para ver o que é que a sociedade vai fazer? Ora, por que não é a sociedade civil, os sindicatos, o MST, a UNE, os partidos de esquerda que não assumem uma campanha nacional coordenada em favor de uma Lei dos Medios para que então o governo Dilma se posicione? Que se reunam deputados, dirigentes sindicais, membros organizações da sociedade civil, lideranças comunitárias, intelectuais, imprensa alternativa, blogs sujos, que produzam um movimento unificado, vigoroso, consistente, que se ponha em relevo o clamor nacional pela democratização dos meios de comunicação. E não vai ser fácil enfrentar a resposta da Globo na base do “querem acabar com sua telenovela favorita”.

Horridus Bendegó

Os danos causados pela mídia na consciência coletiva são terríveis.

Cháves se torna pejorativo para quem ouve a incessante repercussão de “notícias” críticas ao seu governo.

A mídia brasileira faz muito mal ao Brasil!

    Mário SF Alves

    Só não entendo porque ela, a mídia corporativa, versão tupiniquim, não suprime de vez a Venezuela do mapa noticioso. Admito que talvez por errar tanto, talvez por prognosticar tão mal e/ou talvez por acreditar demais em bobos da corte e em pseudoanalistas políticos.

Lu Witovisk

Hoje uma mulher no mercado, discursava em alto e bom som:

– FH foi Luis XIV, acertou o caixa, Lula Luis XV – gastou tudo e Dona Dilma Luis XVI, ahhhh essa Dona Dilma vai pra degola!

eu que não aguento (mas educada para contrapor a vociferação da outra):

– Minha senhora, por favor, vá informar-se antes de falar tanta bobagem… dá até vergonha pela sua ignorância.

– A petrobrás está q-u-e-b-r-a-d-a! vcs vão ver onde essa “revoluçãozinha” de vcs vai nos levar.

Nisso eu vi que ela fazia compras mas quem carregava o peso era a sua “secretária” (negra, como as senhoras da classe merdia gostam). Falei para a moça: essa gente não pode ver o povo melhor. A moça: não pode mesmo e sorriu.

Os impropérios da mulher ilustram os planos dos golpistas que movem essa massa de ignorantes “cheirosos”.

Dilma acorda!!!

    Lu Witovisk

    ps. isso não foi em Curitiba, isso foi no Rio!! Quase caí dura, pq nunca tinha visto disso aqui.

    Willian

    Assombração só aparece para quem acredita, não é mesmo?

    Horridus Bendegó

    Gostei do conhecimento geo-ideológico.
    Menina bem informada!

    Mário SF Alves

    O detalhe, o centro nervoso da oração, prezada Lu Witovisk, reside na singular expressão “revoluçãozinha”.
    _______________________________________
    Afinal, estes “inconformados de ocasião” queriam o quê? Uma revoluçãozona?

Julio Silveira

Os States estão na deles. Ruim mesmo é quando essa pretenção se torna admissivel nos paises, e passam a ser consensual quando agentes internos aceitam vender seu proprio povo.
Isso, deles se aproveitarem dos circunstancias pós segunda guerra para impor sua dominância não é novo. Dificil é aceitar que tenhamos aqui dentro gente brasileira que trabalha em prol dessa dominância. Por questões economico-ideologicas o Brasil tem sido um quintal fertil de dominancia deles. Tanto que facilitamos descaradamente o ingresso de cidadãos americanos claramente identificados como agentes da Cia, acima da cota dos já existentes, quando esses são expulsos, dos países nossos vizinhos, quando esses esquecem os limites da soberania das nações dando conta com a arrogância em suas ingerências.

Mardones

Seguramente a Argentina vem dando o exemplo no quesito defesa da promoção da democracia. E infelizmente, mais um vez, o Brasil perde o trem da história.

E a ex-torturada por um regime ditatorial amplamente apoiado pelos donos do monopólio da comunicação de massa no Brasil recebe da comandante da nação o direito de seguir manipulando a informação que chega a casa de quase 200 milhões de brasileiros.

Essa herança maldita, o PT seguirá carregando.

Apolônio

Tenho escrito nos diversos blogs, que a regulação e a democratização da mídia tem que vir de baixo para cima. Do povão. Tem que ser via de um projeto de lei de inciativa popular, aos moldes do ficha limpa. Está na hora dos blogueiros progressistas, associações, sindicatos, universidades, todos que interessem por esse assunto, que a via é essa. Não adianta ficar culpando a Presidente por não enviar um projeto de lei abordando esse tema. A Presidente, sabe que não conta com uma maioria sólida e confiável e imune à pressão para aprovar uma empreitada dessas. Se Ela tentar, estará sujeita a uma campanha midiática que poderá enfraquecê-la. Por isso que Ela não mete a mão nessa cumbuca. Quem tem que meter a mão somos nós, cidadãos livres e sem compromissos com a grande mídia. Um projeto de lei de inciativa popular com milhões de assinaturas, colocaremos à mídia e o congresso numa sinuca de bico. Aí, sim, alguma coisa nesse particular terá que sair.

    renato

    Sensato!
    Em relação a Presisdente!
    Então vamos quem começa!
    Eu assino!

    Mário SF Alves

    Aprovado.

    Willian

    Taí uma coisa que o povão tá preocupado: regulação da mídia.

    Lu Witovisk

    Apoiadíssimo, aproveito para divulgar o evento do dia 23/02 em várias cidades do Brasil contra a rede Globo. https://www.facebook.com/photo.php?fbid=560668203961995&set=a.328322063863278.92083.328299340532217&type=1&theater

    Outra, o texto do Galeano que está circulando na internet.

    A DEMONIZAÇÃO DE CHÁVEZ

    “Hugo Chávez é um demônio.
    Por quê? Porque alfabetizou 2 milhões de venezuelanos que não sabiam ler nem escrever, mesmo vivendo em um país detentor da riqueza natural mais importante do mundo, o petróleo.
    Eu morei nesse país alguns anos e conheci muito bem o que ele era. O chamavam de “Venezuela Saudita” por causa do petróleo. Tinha 2 milhões de crianças que não podiam ir à escola porque não tinham documentos…
    Então, chegou um governo, esse governo diabólico, demoníaco, que faz coisas elementares, como dizer: “As crianças devem ser aceitas nas escolas com ou sem documentos”. Aí, caiu o mundo: isso é a prova de que Chávez é um malvado malvadíssimo.
    Já que ele detém essa riqueza, e com a subida do preço do petróleo graças à guerra do Iraque, ele quer usá-la para a solidariedade. Quer ajudar os países sul-americanos, e especialmente Cuba. Cuba envia médicos, ele paga com petróleo. Mas esses médicos também foram fonte de escândalo. Dizem que os médicos venezuelanos estavam furiosos com a presença desses intrusos trabalhando nos bairros mais pobres. Na época que eu morava lá como correspondente da Prensa Latina, nunca vi um médico. Agora sim há médicos. A presença dos médicos cubanos é outra evidência de que Chávez está na Terra só de visita, porque ele pertence ao inferno.
    Então, quando for ler uma notícia, você deve traduzir tudo. O demonismo tem essa origem, para justificar a diabólica máquina da morte”

    (Texto original: Eduardo Galeano – Tradução para o português: Ocupa a Rede Globo).

Miranda

Parece que são relativamente poucas as pessoas informadas desse debate sobre a regulação da midia. Me assombra ver alguns amigos tomando por verdadeiras as noticias de que se esta cerceando a liberdade de imprensa na Argentina. Infelizmente a enorme maioria toma por serias as versões transmitidas pela televisão. Seria necessaria uma campanha massiva de esclarecimento.

Mário SF Alves

Imprescindível ressaltar:

“Desinformação é a arma de guerra do Pentágono”

“Concebemos e reafirmamos a democracia como é: uma grande participação popular, e pela primeira vez os Estados Unidos caíram na sua própria armadilha. Não diziam que o que valia era o voto na urna? Pois pelo voto nossos povos afirmaram um caminho independente do governo de Washington. Como a vontade popular é favorável à independência, temos uma verdadeira guerra instalada no Continente, a guerra dos meios.” Jornalista Stella Calloni.
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Em tempo:
E desde quando, à luz da Constituição Federal Brasileira, pode ser considerado lícito à mídia exercer papel de partido político?

Roberto Locatelli

Pois é, e a Dilma dizendo para que usemos o controle remoto…

A luta pela democratização das comunicações, no Brasil, será uma luta que não terá a participação do governo. E aposto que nem mesmo do PT.

    Mário SF Alves

    No Brasil a consolidação da democracia será uma conquista do povo brasileiro. Ou seja, tanto melhor, companheiro Locatelli.

    FrancoAtirador

    .
    .
    O problema, Mario, é que a mídia bandida interdita o debate,

    porque domina todos os meios convencionais de divulgação.

    Se o governo se omite na discussão, endossa essa interdição.

    As forças políticas têm a obrigação, mais que a responsabilidade,

    de promover o esclarecimento da população brasileira a respeito.

    Isto só acontecerá, se houver canais alternativos à informação.

    @s brasileir@s, em geral, têm emprego, mas não têm mais tempo.

    Somente através da internet haverá resolução para o impasse.

    O pior é que já ultrapassamos a fase da completa despolitização

    para a da absoluta negação aos políticos e, portanto, à Política.
    .
    .
    Com a palavra Saul Leblon, editorialista da Agência Carta Maior:

    “Não se trata apenas de aferir votos.

    A cidadania plena é inseparável da consciência histórica adquirida através da razão argumentativa que politiza os fatos e materializa os valores que sustentam a convivência compartilhada.

    Por ora, trata-se de resistir à matéria tóxica.

    Poucas tarefas terão maior importância do que essa nos dias que correm.

    A capacidade de entorpecer o discernimento social é o principal trunfo político de um feixe de interesses cada vez mais dissociado dos anseios da população.
    Cada vez mais disfuncional em relação à agenda do desenvolvimento.
    Cada vez mais avesso ao aggiornamento que a democracia requer em nosso tempo.

    Sites e blogs progressistas devem redobrar esforços na tarefa de oferecer um contrapeso de equilíbrio ao aluvião beligerante embutido nessa asfixia narrativa.

    Não ceder ao discurso panfletário já encerra em si um contraponto.

    Mas ele somente será eficaz se adquirir a abrangência capaz de romper os torniquetes da infantilização da opinião pública promovida pelo monopólio midiático.

    Discutir alternativas críveis a uma crise igual ou pior que a vivida pelo capitalismo em 1929 é o que de mais importante deveria fazer um sistema de comunicação plural e democrático.

    A dimensão política dos impasses em jogo, rusticamente condensados na incompatibilidade entre a supremacia financeira e as necessidades vitais da sociedade, convoca a imaginação a erguer linhas de passagem não usuais ao passo seguinte da história.

    Quando as coisas atingem o ponto a que chegamos a resistência concentrada nas questões convencionais da sobrevivência não basta.

    Urge uma disposição mudancista desassombrada para redefinir o papel do Estado e da democracia na retomada do crescimento, em meio à desordem neoliberal.

    O conjunto requer um salto de discernimento, organização e engajamento que não se materializará sem a mobilização de ideias e agendas que um jornalismo isento teria obrigação de espelhar .

    Não é esse o presente imediato, tampouco o horizonte visível da chamada grande mídia no Brasil.

    A sofreguidão das machetes nos últimos dias colecionou provas suficientes de um empenho que avança na contramão desse imperativo.

    Foi uma semana para não esquecer.

    Um apagão midiático, uma investigação contra Lula, salvas ao ‘candidato anti-intervencionista’ das gerais, a concentração de vapor golpista contra o regime venezuelano e um alarmismo inflacionário improcedente compuseram o repertório da isenção informativa aspergida insistentemente nos corações e mentes da sociedade.

    O saldo distorce os fatos, mas informa o que vem pela frente.

    O incompreensível desdém do governo em relação aos meios de comunicação progressistas — a ponto de discriminá-los no agendamento da publicidade oficial de interesse público — assume assim contornos de um erro político de consequências desestabilizadoras.

    Em termos!

    O economicismo que se acredita autossuficiente na disputa pela hegemonia é tão equivocado quanto o laissez-faire, que dispensa ao Estado o menosprezo de um estorvo burocrático.

    No fundo, ambos entregam o destino da Nação às forças de mercado.
    Com as consequências conhecidas, quando o conflito de interesses atinge a polarização prenunciada nas manchetes da semana que passou.”

    Íntegra em:

    http://cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=1170

    Mário SF Alves

    A propósito, Franco, veja isto:

    “Verdade seja dita: os americanos souberam construir um País. À custa do quê e de quem são outros quinhentos. Planejaram e foram rigorosos em construir uma estrutura fundiária livre de latifúndios; desenvolveram o que há de melhor em tecnologia, inclusive a informática que hoje orienta os drones. Mas, descuidaram-se daquilo que os fez chegar onde chegaram. Descuidaram-se da defesa de seu bem mais sagrado: a democracia interna. Assim, e por conta disso, a mesma tecnologia e rigor protestante que os fez elevarem-se ao topo do mundo os faz agora ir ao submundo da barbárie oculta sob um tênue manto de civilizados.
    _________________________________________________
    A tecnologia que os enobreceu, trouxe consigo o germe de sua própria destruição: a psicopatia das corporações. O neoliberalismo [o mercado acima de tudo], resultante da morte da política, e a informatização da mídia e das finanças que o “viabilizaram”, resultou neste vôo alucinado, não de drones, mas de Ícaros. Estão cegos. E o que os cegou foi “consentir” que matassem sua alma política.
    Talvez seja nisso que o Lula tenha pensado quando recentemente, na França, propagou a necessidade de se globalizar a política.
    ____________________________________________________________
    Drones são “brinquedos” tecnológicos informatizados. A informática, no entanto, é movida a zeros e uns. Dialeticamente, tanto seve para atacar como para ser atacado.
    __________________________________________________________________
    Não demora muito e a inteligência dentro e por trás de um iPad vai derrubar um drone. Melhor ainda se a computação evoluir para a fase seguinte, a quântica.”

    FrancoAtirador

    .
    .
    Eu acrescentaria apenas uma palavra:

    “os americanos souberam construir um País. À custa do quê e de quem são outros quinhentos [ANOS].”
    .
    .
    É importante ressaltar que a construção dos Estados Unidos, como Nação, se deveu fundamentalmente ao “American Dream”, rótulo de marketing imprescindível à unificação de um País dividido por interesses tão contrários entre si.

    Entretanto, em relação ao Brasil, não sou tão otimista quanto você.

    O predomínio cultural norte-americano sobre a cultura brasileira fez com que a maioria dos nossos conterrâneos passasse a sonhar o “Sonho Americano”, na forma cinematográfica, e não o “Sonho Brasileiro Tupiniquim” de raiz nativa.

    Por isso mesmo, infelizmente, o Brasil, sem a estrutura fundiária necessária e sem sequer haver atingido um grau de desenvolvimento científico-tecnológico próximo ao dos EUA – e teria potencial para tanto -, já está, sob o ponto de vista cultural, condenado a sucumbir no “submundo da barbárie oculta sob um tênue manto” civilizatório.

    O pior efeito da globalização neoliberal foi a internacionalização da cultura germano-anglo-saxônica.

    Lamentavelmente a alma do Povo Brasileiro foi absorvida por isso que se passou a chamar de “Civilização Ocidental”, que nada mais é do que a Dominação Cultural do Império do Norte sobre os demais países.

    Nesse contexto, realmente os “Drones são [meros] ‘brinquedos’ tecnológicos informatizados”…

    E pode até ser que a física quântica ainda possa nos salvar… como espécie…

    Um abraço camarada e libertário.
    .
    .

    Jaimão

    Acho que a Dilma não quer a ley de medios pra não pensarem que ela copiou a Cristina K. Coisas de mulheres, né!

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