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Diário da Resistência


Deputado Heinze: Quilombolas, índios, gays e “tudo o que não presta”
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Deputado Heinze: Quilombolas, índios, gays e “tudo o que não presta”


12/02/2014 - 22h05

DEPUTADO DIZ QUE QUILOMBOLAS, ÍNDIOS E HOMOSSEXUAIS SÃO “TUDO O QUE NÃO PRESTA” E INCITA VIOLÊNCIA

do Mobilização Nacional Indígena, sugerido pelo João Maneco, no Facebook

Um vídeo gravado em audiência pública com produtores rurais, em Vicente Dutra (RS), registra discursos de deputados da bancada ruralista estimulando que agricultores usem de segurança armada para expulsar indígenas do que consideram ser suas terras.

“Nós, os parlamentares, não vamos incitar a guerra, mas lhes digo: se fartem de guerreiros e não deixem um vigarista desses dar um passo na sua propriedade. Nenhum! Nenhum! Usem todo o tipo de rede. Todo mundo tem telefone. Liguem um para o outro imediatamente. Reúnam verdadeiras multidões e expulsem do jeito que for necessário”, diz o deputado Alceu Moreira (PMDB-RS). “A própria baderna, a desordem, a guerra é melhor do que a injustiça”, defende.

Ele afirma que o movimento pela demarcação de terras indígenas seria uma “vigarice orquestrada” pelo ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Moreira diz também que tal movimento seria patrocinado pelo Ministério Público Federal, o qual, segundo ele, defenderia a “injustiça”.

No vídeo, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado federal Luís Carlos Heinze (PP-RS), diz que índios, quilombolas, gays e lésbicas são “tudo que não presta”.

“Quando o governo diz: ‘nós queremos crescimento, desenvolvimento. Tem de ter fumo, tem de ter soja, tem de ter boi, tem de ter leite, tem de ter tudo, produção’. Ok! Financiamento. Estão cumprimentando os produtores: R$ 150 bilhões de financiamento. Agora, eu quero dizer para vocês: o mesmo governo, seu Gilberto Carvalho, também é ministro da presidenta Dilma. É ali que estão aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas. Tudo o que não presta ali está aninhado”, discursa Heinze.

Ele também sugere a ação armada dos agricultores. “O que estão fazendo os produtores do Pará? No Pará, eles contrataram segurança privada. Ninguém invade no Pará, porque a brigada militar não lhes dá guarida lá e eles têm de fazer a defesa das suas propriedades”, diz o parlamentar. “Por isso, pessoal, só tem um jeito: se defendam. Façam a defesa como o Pará está fazendo. Façam a defesa como o Mato Grosso do Sul está fazendo. Os índios invadiram uma propriedade. Foram corridos da propriedade. Isso aconteceu lá”.

Promovida pelo também deputado ruralista Vilson Covatti (PP-RS), que pertence à Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara, a audiência pública aconteceu em novembro do ano passado e seu tema foi o conflito dos produtores rurais com os indígenas do povo Kaingang, que vivem na Terra Indígena Rio dos Índios, de 715 hectares.

Em dezembro do ano passado, produtores rurais do Mato Grosso do Sul organizaram um leilão para arrecadar recursos para a contratação de seguranças privados para impedir a ocupação de comunidades indígenas. O evento recolheu mais de R$ 640 mil e foi apoiado pela bancada ruralista. Parlamentares como a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), estiveram presentes e defenderam a iniciativa.

PS do Viomundo: Sou informado por uma colega jornalista gaúcha que o deputado Heinze é próximo da senadora Ana Amélia (a foto de ambos, abaixo, é do site dela), provável candidata a governadora do Rio Grande do Sul. A colega pergunta: “Já pensou um cara destes secretário de Estado?”



17 comentários

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Nelson

13 de fevereiro de 2014 às 22h53

Ter nascido no mesmo Estado de coisas espúrias, gente de tão baixo calibre como Antônio Britto, Yeda Crusius, o deputado Hienze e tantas outras, sem dúvida, me envergonha.

Por outro lado, a compensar tanta vergonheira, posso dizer que sou conterrâneo de gente de alto quilate tal como Getúlio Vargas, João Goulart, Luís Carlos Prestes, Leonel Brizola, João Cândido (o “Almirante Negro”), Olívio Dutra e tantos outros. E isso muito me enorgulhece.

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Julio Silveira

13 de fevereiro de 2014 às 20h37

Pior que o discurso e a desculpa covarde tentando dizer que não disse da forma que disse, sugerindo que foi manipulada sua fala.

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Jair de Souza

13 de fevereiro de 2014 às 17h33

Esses caras são assim mesmo: odeiam os gays, mas adoram o Gabeira; têm pavor de negros, mas são barbosistas de primeira linha. E até admiram muito o Aguinaldo Timóteo (que reune as duas condições). O que eles não aceitam de modo nenhum é ninguém que não esteja afinado com a defesa de seus interesses de classe. Quando essa “sintonia” existe, eles são o mais amplos e tolerantes que se possa imaginar.

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Evandro

13 de fevereiro de 2014 às 16h02

Pode ter certeza, essas mesmas pessoas que dizem essas barbaridades frequentam igrejas, cultos e afins, rezam, fazem orações, comungam, etc. Ou seja, o próximo, para eles, para ser “próximo” depende da etnia, preferência sexual ou classe social.

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tiao

13 de fevereiro de 2014 às 14h42

Gaucho está sempre perto de fumaça,fazendo churrasco,ou…

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Isabela

13 de fevereiro de 2014 às 10h11

Quase cliquei, mas me faltou coragem pra ouvir as palavras desse deputado: que nojo! Só li mesmo o texto e já me estragou o dia….

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LEANDRO

13 de fevereiro de 2014 às 09h35

chega da esquerda de movimentos e etc precisamos de liberais conservadores e não de revolucionarios olavo de carvalho maior mentor do liberalismo conservador no Brasil graças a DEUS cristo e liberdade

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Gerson Carneiro

13 de fevereiro de 2014 às 08h18

Ao tempo em que celebra Joaquim Barbosa, a Direita revela que não confia na Justiça.

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Dirk Antonissen

13 de fevereiro de 2014 às 08h06

Porque esse Heinze faz lembrar-me um outro alemão, bigodudinho? Arrepios.

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abolicionista

13 de fevereiro de 2014 às 03h36

No começo achei que era uma reunião editorial da Folha.

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Luís Carlos

13 de fevereiro de 2014 às 01h09

Direção do PP estadual fritou e isolou deputado. Não querem assumir posições preconceituosas e violentas às vésperas das eleições. Senadora quer se descolar do deputado para não pagar preço da rejeição.

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FrancoAtirador

12 de fevereiro de 2014 às 23h08

.
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Os ruralistas são da linha Bolsonaro.

A diferença é que não são exóticos.

Agem no subterrâneo, como na Ditadura.
.
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Walter

12 de fevereiro de 2014 às 23h07

Todos partícipes do governo possível, do mandato de coalizão do PT .
Assim como renan Calheiros,Sarney, Collor, maluf ….
Grande PT ! Partido pragmático.

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    Luís Carlos

    13 de fevereiro de 2014 às 01h12

    Pergunto: qual dos partidos brasileiros não sofre do mesmo pragmatismo? PSOL está de braços dados com PSDB e DEM no Congresso e somente quebrou os pratos com Globo agora, após morte de Santiago.

    Alexandre

    18 de fevereiro de 2014 às 05h21

    Engraçado que quando o PT vota com os ruralistas, industriais e representantes do empresariado, ele não faz o ‘jogo da direita’, mas, apenas, está fazendo o jogo da ‘governabilidade’, da troca de favores em prol de sua manutenção no poder.

    Agora, quando o PSOL faz oposição ao governo, e então, eventualmente, estÁ na mesma posição de voto contrário com os outros partidos de oposição(PSDB, DEM), ainda que as razões por trás desses votos sejam em sua maioria muito distintas entre as oposições de direita e esquerda, é sempre tido por vocês, petistas, como ‘fazer o jogo da direita’, ‘estar de braços dados com a direita’. O jogo da apatia, dos posicionamentos por interesses, não parece interessar ao PSOL, como seria conveniente ao PT.

Marat

12 de fevereiro de 2014 às 23h04

Isso ai é uma espécie de “tea party jeca complexada”…

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Luís Carlos

12 de fevereiro de 2014 às 22h34

Sobre PS
Azenha, senadora Ana Amélia é cria da RBS, afiliada da Globo no RS. Se não cometo equívoco, senadora seria esposa de arrozeiro do sul do estado. Enquanto comentarista política da RBS em Brasília (teve esse papel por muitos anos) ela sempre defendeu interesses ruralistas.
A senadora Ana Amélia, fez discurso contra o Mais Médicos. Será sim o nome da ultra-direita ruralista gaúcha na disputa ao Palácio Piratini.
Sobre o deputado Heinze, as palavras dele sobre gays, quilomobolas e indígenas dão a real dimensão do que é o parlamentar gaúcho. A fina flor do reacionarismo.

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