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Clube de Engenharia: Em andamento no Congresso, privataria do setor nuclear é mais um golpe na soberania do Brasil
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Clube de Engenharia: Em andamento no Congresso, privataria do setor nuclear é mais um golpe na soberania do Brasil


20/06/2016 - 20h54

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Projeções feitas em Belo Horizonte por Cardes Cardês

Usinas nucleares: o silêncio ensurdecedor de decisões sem debate

Do Clube de Engenharia

É sabido nos meios científicos e técnicos que no suprimento de energia, assim como o século 19 foi dominado pelo carvão, o século 20 pelo petróleo, o presente século será mais e mais dominado pelo combustível nuclear.

Daí o interesse das principais potências do planeta em controlar o acesso a ele.

Aqui, o setor nuclear ganhou um silencioso destaque nas últimas semanas no Congresso Nacional, em função da tramitação das Propostas de Emenda Constitucional (PEC) 122/07 e da PEC 41/11, apensada à primeira.

Silencioso, porque após longos nove anos, entre arquivamentos e desarquivamentos, as propostas receberam, sem alarde, em 12 de maio último, parecer favorável do relator da Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania e chegarão em breve ao plenário.

Trata-se de um raro movimento do Legislativo em relação à área nuclear.

Mas não é positivo; tampouco é neutro.

As mudanças propostas põem a perder quase seis décadas de esforços que levaram o país a, desde a década de 1980, integrar o seleto grupo de países que domina todo o ciclo do combustível nuclear, ao lado de Alemanha, China, Estados Unidos, França, Holanda, Índia, Irã, Japão, Paquistão, Reino Unido e Rússia.

Dono de uma das maiores reservas naturais de urânio do mundo, o país passou a dominar, após a construção da Fábrica de Combustível Nuclear em Resende/RJ, o ciclo nuclear completo em escala industrial.

Desde então, detém a tecnologia e as ferramentas necessárias para a autonomia na produção do combustível, a se concretizar após a conclusão de Angra 3.

Trata-se, pois, de injustificável alienação de soberania, consubstanciada na exclusão do monopólio da União para a construção e operação de reatores nucleares para fins de geração elétrica (PEC 122/07) e na vedação à construção e instalação de novas usinas que operem com reator nuclear no país, permitindo entretanto as atividades das usinas já existentes e em construção (PEC 41/2011).

As emendas constitucionais em apreço têm por objetivos inviabilizar a produção industrial de combustível nuclear no país, e possibilitar a privatização das usinas nucleares existentes, ora operadas pela Eletronuclear.

Deixarão o país, caso aprovadas, mais uma vez à mercê de interesses externos.

São iniciativas que se somam ao ataque ao Pré-Sal, à atualização do Código de Mineração para favorecer mineradoras multinacionais, à proposta de permitir a compra indiscriminada de terras por estrangeiros, à de “privatizar o que for possível” relegando-nos à condição de fornecedores de matérias-primas para o mundo.

É a volta ao Brasil Colônia.

Longe de sermos xenófobos, preocupa-nos o nosso futuro como nação.

Em face da sua extensão territorial, dos seus recursos naturais e da sua população, o Brasil, que já é hoje uma das 10 maiores economias do mundo, não pode renunciar sem mais nem menos à sua soberania.

Capitais produtivos externos são bem-vindos, pois aqui geram empregos, pagam impostos e nos auxiliam no desenvolvimento tecnológico, desde que, contudo, subordinados aos interesses nacionais.

Os que deles querem abrir mão, não pensam no Brasil.

Merecem nosso repúdio.

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12 comentários

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Bacellar

22 de junho de 2016 às 14h46 Responder

Nelson

21 de junho de 2016 às 20h33

O Sistema de Poder que domina os EUA quer subjugar nossa nação definitivamente. Colocou no poder uma corja de ladrões e os está a chantagear: ou eles entregam o que resta da nossa soberania ou serão chamados à Justiça. Aí está a razão desse açodamento na tentativa da entrega das nossas riquezas; daquelas riquezas que restaram, que o vende-pátria mor, FHC, não conseguiu entregar.

Se eles conseguirem implementar a tal de “Ponte para o Futuro”, poderão dar-se o luxo de, em 2018, chamar até mesmo o Zé Maria, do PSTU, ou o Pimenta, do PCO, para ocupar a cadeira presidencial. Nada mais haverá nas mãos do governante que possa servir de base para a implementação de um projeto de desenvolvimento nacional.

Premido pela monstra dívida pública, pela LRF e pelos tratados de “livre comércio” e sem qualquer empresa pública em que possa ancorar seu projeto, o governante, seja ele Zé Maria ou Pimenta, nada terá a fazer pelo seu povo.

Enfim, o projeto do Temer(ário) vai destruir qualquer possibilidade de construirmos aqui um país a nossa feição. Assim, não podemos perder tempo em denunciar ao povo o objetivo verdadeiro das privatizações.

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Julio Silveira

21 de junho de 2016 às 14h30

É dessa criatividade pro bem que geralmente é tratada com o sumiço do cidadão, tanto pelo estado, como pelo apoio internacional que o estado recebe para fazer o silêncio. Mas anotem esse cara fazendo história.
https://m.youtube.com/watch?v=TdjKiY53zxI

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felipe

21 de junho de 2016 às 13h20

meu DEUS, como os traíra golpista pode fazerem isso com programa estrategio brasileiro e os militares que se diz defensor do meu amando brasil ficarem em silencio.

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jõao

21 de junho de 2016 às 13h12

hora que os coxinhas forem para rua temos que ir pra cima temos que começar uma guerra ja
,

Responder

Aymar Leme

21 de junho de 2016 às 07h14

No Brasil dos anos 70 e 80, ainda no mundo bipolar, ocidente x oriente ou USA x URSS, e malgrado limitações inerentes ao regime (ditadura, estado de exceção, censura, prisões, tortura, mortes,arrocho salarial,miséria,etc.), muitos militares incorporaram sentido e alcance político de alguns aspectos da soberania nacional. Assim, para salvaguardar a longa costa brasileira, e nossa biota marinha, generais e almirantes avançaram nossas milhas marítimas além do até então estabelecido. O polêmico e vitorioso projeto de usinas nucleares, para ser implantado, teve que vencer resistências externas, não só dos Estados Unidos, como internas, já que setores industriais muito especializados, ou de gigantesco investimento, têm pelo mundo “gente sua”, de plantão e bem pagos. A tão admirada e disputada Petrobrás nunca deixou de ser para as forças armadas brasileiras um patrimônio a defender e um troféu a ostentar: militares na reserva, e mesmo na ativa, trabalharam lá. E por fim, o tão singular pulmão do mundo, a Amazônia, passou a ter defesa, proteção, guarda, que exército, marinha e aeronáutica podiam oferecer e efetivar diante da desmedida cobiça internacional por controle e exploração de nossa maior biota.
Com o fim da ditadura, já no contexto dos arranjos políticos suprapartidários democraticamente necessários á Constituição de 88, o conceito de soberania e segurança nacional continuou relevante tanto na política como para a população brasileira em geral. Até que, em meados dos anos 90, e curiosamente, após o fim da União Soviética, nossa soberania começou a ser atacada internamente …pelo capital! Financeiro, estrangeiro, mascarado com as privatizações políticas de FHC , ao mesmo tempo que projeta o Mercosul, abre o Brasil ao mercado global. Vale do Rio Doce, CNN, Telefônicas, Bancos Estaduais, foram vendidas por 1 décimo de seu valor, liquidadas, dadas, a “investidores” estrangeiros com direito a gorjeta extra, além da mão de obra barata. Estrangeiros aplicam de longe no Brasil em supermercados, shopping centers, lojas de departamentos,etc. e sem taxar lucro de CNPJ, remetido ou não, benesse do príncipe FHC- Arbeit frei!. Ali tem origem o acordo não mais supra, mas sub-partidário no Brasil, que vem se replicando até nossos dias. Acordos de bastidores entre grandes empresas e políticos são muito comuns e desenvolvidos em países de capitalismo avançado, contra os quais o Estado sempre procura criar, com dificuldade, regras e leis para defender-se e à Nação dos efeitos predatórios desses complementos. O Brasil tentou e tenta reproduzir defesas irrisórias contra tais procedimentos, com previsível insucesso. Até que um juiz, de preto, lança seus peões…,e não joga, só julga sem relógio, sem regra. Quem ganha? Não- ciências, à economia e ao direito não é cobrado rigor, ou exatidão, de lei, e nem é aceita essa pretensão, embora no estágio atual de sucessivas crises, o velho capitalismo exija ainda, mesmo a antigos Estados nacionais já exauridos, seiva nova que o alimente: novos produtos e renovados consumidores, novos mercados e novas regras de governo, para que ele não sucumba primeiro, Somos um país de não longa história industrial, mas de grande tradição produtiva. Nossa vida política não precisa ser mexicanizada pelos Estados Unidos, nem servir a interesses financeiros ou econômicos contrários a harmonia social e avanços da nação brasileira, democrática e republicana. Se na Colonia o ouro do Brasil fez prosperar a nascente indústria da Inglaterra via Portugal, o urânio, e outras riquezas nossas, atuais, não serão mais alienadas, mas bem usadas primeiro em nosso benefício e não o dos Estados Unidos ou de Israel, via Serra, ou qualquer outro inimigo, representante ilegítimo da nação brasileira. Fora Temer!

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Paulo Foleghatti

21 de junho de 2016 às 01h52

Ao contrário não deve haver pirotecnia, propria de bobos. Do organismo doente vem a identificação silenciosa os parasitas. Uma vez descobertos os focos virá a febre de 40 graus causando até as convulsões, será que sobrevive o gigante? Bastarão os antitérmicos ‘Irmãos Marinho’, ‘Frias’ ou ‘Mesquita’, ‘Apóstolo’ esse ou aquele, até mesmo o tal ‘Francisco’? Será dificil deter esse desconhecido efeito ‘manada’ ou ‘boiada’ como gostam de chamar seus mestres de alienação, quando tiverem uma Síria multiplicada 1000 vezes para cuidar. É provável que optem por merecidas férias ao redor do mundo, pois afinal, “o Brasil não tem jeito mesmo!”…

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Julio Silveira

20 de junho de 2016 às 23h04

Estão conseguindo reduzir o Brasil de país, de futuro, a um estado americano de terceira.
É o que dá esse papo de luta ideológica num país que poucos entendem que nunca houve ideologias no Brasil. Que o que sempre houve foram interesses econômicos de grupos e associados, manipulando para induzirem seus interesses em características de interesse nacional. Como sempre o povo e seus interesses serão vendidos, baratos, por que aqui florescem traidores. Aqui, poucos na elite têm consciência de civismo e patriotismo, bem como caráter.

Responder

Sérgio

20 de junho de 2016 às 22h44

Em 64, embora dominados pelos mesmos agentes Americanos, havia a desculpa do “Comunismo” que poderia se apossar do Brasil, e deu no que deu. Porém, embora a Ditadura Empresarial-Militar, tenha causado a carnificina que a história registra, os Militares que assumiram o poder, de certa forma foram refratários em vários setores ao plano americano de dominação total e o Brasil manteve uma relativa soberania e até desenvolveu tecnologia própria.

Já agora, não se percebe nenhuma discordância ou mesmo indignação/revolta dos atuais militares, com a entrega total do patrimônio e riquezas naturais brasileiras , sob o comando desta quadrilha que tomou de assalto o poder.

Como exemplo: na privatização/doação da Vale, que era e é um Pré-Sal de minério de ferro e outros minerais, eles não deram um pio. E aí fico me perguntando: Qual é a noção de Soberania Nacional dessas gerações de Militares??? Como pode ser entendido um situação desta???

Responder

FrancoAtirador

20 de junho de 2016 às 21h45

.
.
Entre Entregar o Setor Nuclear
às Corporações Estrangeiras

e Fechar as Usinas Atômicas,
é Melhor Encerrar as Atividades.

Do Contrário, Haverá Enorme Risco,
Mesmo Até à Segurança Nacional.

Seria como Entregar ao Arrombador
a Manutenção do Sistema de Alarme.
.
.

Responder

Marat

20 de junho de 2016 às 21h28

Reitero: Temos de ter uma guerra civil. Esses entreguistas não ganharam um voto sequer… A violência precisa começar a pipocar!!!

Responder

Marat

20 de junho de 2016 às 21h27

Essas projeções são fantásticas!!! Tem de haver uma proliferação gigantesca delas!!!

Responder

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