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Chefe do Ibama pede demissão depois de comprovar ignorância de Bolsonaro e de ministro condenado por beneficiar a Fiesp
Foto Agência Brasil
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Chefe do Ibama pede demissão depois de comprovar ignorância de Bolsonaro e de ministro condenado por beneficiar a Fiesp


07/01/2019 - 21h39

Além da violação de normas legais e regulamentares com a plena consciência de que tolhia a participação de outros setores que compunham o sistema ambiental e de que atendia a interesses econômicos de um grupo restrito em detrimento da defesa do meio ambiente, escopo de sua pasta no Poder Executivo, o então secretário violou os princípios constitucionais administrativos da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade. Trecho da sentença contra Ricardo Salles, então secretário do Meio Ambiente de Geraldo Alckmin, acusado de beneficiar a Fiesp na elaboração e aprovação do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental Várzea do Rio Tietê. Cabe recurso.

Chefe do Ibama nomeada por Temer rebate acusação de Bolsonaro e novo ministro

Atual governo questiona contrato assinado de R$ 28,7 milhões para aluguel de veículos do órgão

Rubens Valente e Talita Fernandes, na Folha

Em nota neste domingo (6), a presidente do Ibama, Suely Araújo, disse que é “acusação sem fundamento”, que “evidencia completo desconhecimento da magnitude” do órgão e de suas funções postagem em rede social do novo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e do presidente Jair Bolsonaro.

Eles questionaram um contrato, assinado no mês passado, de R$ 28,7 milhões para aluguel de veículos no Ibama.

Nomeada pelo presidente Michel Temer em 2016, Suely continua no cargo porque ainda não houve transmissão para o indicado pelo governo Bolsonaro, o procurador da União Eduardo Fortunato Bim.

Em rede social, Salles escreveu: “Quase 30 milhões de reais em aluguel de carros, só para o Ibama…”.

Em resposta, Bolsonaro aumentou o tom da acusação: “Estamos em ritmo acelerado, desmontando rapidamente montanhas de irregularidades e situações anormais que estão sendo e serão comprovadas e expostas. A certeza é: havia todo um sistema formado para principalmente violentar financeiramente o brasileiro sem a menor preocupação!”

Minutos depois, Bolsonaro apagou a postagem no Twitter.

Em resposta, Suely divulgou uma nota pela qual explica que os veículos de Ibama utilizados em fiscalizações contra ilícitos e crimes ambientais em todo o país “são objeto de um contrato de locação de âmbito nacional. O novo contrato abrange 393 caminhonetes adaptadas para atividades de fiscalização, combate a incêndios florestais, emergências ambientais, ações de inteligência, vistorias técnicas etc”.

Segundo Suely, o contrato vale para as 27 Unidades da Federação e inclui os gastos com “combustível, manutenção e seguro, com substituição [dos veículos] a cada dois anos”.

“A acusação sem fundamento evidencia completo desconhecimento da magnitude do Ibama e das suas funções. O valor estimado inicialmente para esse contrato era bastante superior ao conseguido no final do processo licitatório, que observou com rigor todas as exigências legais e foi aprovado pelo TCU [Tribunal de Contas da União]. Os valores relativos aos veículos para fiscalização na Amazônia são custeados pelo Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES. A presidência do Ibama refuta com veemência qualquer insinuação de irregularidade na contratação. Espera, por fim, que o novo governo dedique toda a atenção necessária às importantes tarefas a cargo do Ibama, e não a criar obstáculos à atuação da Autarquia”, escreveu Suely Araújo.

Um internauta questionou Salles sobre a afirmação em rede social, observando que grande parte do trabalho do Ibama é “em campo, é preciso ter carros em condições de enfrentar estrada de área urbana e para a rural sem estragar no meio do caminho, como era comum”.

O novo ministro respondeu: “Sim, por isso apenas chamei atenção para o valor, sem adentrar no mérito e necessidade, que veremos em breve”.

A postagem inicial de Salles já tinha, até 18h30min, cerca de 14 mil “curtidas”.

PS do Viomundo: Suely, que havia concordado em permanecer no cargo até a nomeação do sucessor, antecipou sua demissão.

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2 comentários

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Zé Maria

09 de janeiro de 2019 às 20h36

Olavéte Colombiana do MEC anulou a Anulação
da Proibição
constante do Edital de Aquisição de Livros Didáticos pelo MEC

Vélez Rodríguez, decidiu “tornar sem efeito” as alterações em um edital
para compra de livros escolares que retirava a exigência
de retratar a diversidade étnica e o compromisso
com ações de não violência contra a mulher,
informou a assessoria da pasta.

G1.Globo

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