VIOMUNDO

Diário da Resistência


Bolsonaro coloca TV pública para fazer propaganda dos milicos
Denúncias

Bolsonaro coloca TV pública para fazer propaganda dos milicos


08/04/2019 - 21h31

Novo plano de Bolsonaro estreia esta semana: uma TV estatal verde-oliva

Na prática, a mudança representa o fim da NBR, que deveria dar transparência aos atos do Executivo

Daniel Giovanaz e Vivian Fernandes, no Brasil de Fato

10 de abril de 2019. Essa é a data que trará uma pá de cal sobre a experiência de uma TV pública no Brasil. Nossa potencial BBC tupiniquim vai, definitivamente, ser oficializada como uma máquina de propaganda para o governo federal.

E, ainda que o fim de uma TV pública agrade o oligopólio privado do rádio e da TV no país, um outro segmento vai ser ainda mais beneficiado: os militares.

No próximo dia 10, estreia a nova programação da TV Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Criada em 2009 em cumprimento à Constituição Federal, a EBC sempre sofreu mandos e desmandos dos governos passados, mas conseguiu manter um caráter público, voltado ao cidadão, em defesa dos direitos humanos e dando voz a quem nunca teve na mídia tradicional.

Ainda que tenha sido atacada por Temer (MDB), que destituiu o Conselho ocupado pela sociedade e acabou com a independência do presidente da empresa, agora, sob Bolsonaro (PSL), a ordem é não disfarçar mais: propaganda pura, sem debates editoriais.

Tivemos acesso ao conteúdo da nova programação do canal. Além da troca da logomarca azul por uma verde e amarela, já lançada oficialmente, os destaques ficam para um programa em defesa da reforma da Previdência (4 episódios com 30 minutos cada); outro para o agronegócio, fixo; inserções de hora em hora na programação com as agendas do presidente e de ministros (chamadas “Governo Agora”); um programa de entrevistas com membros do Executivo e, para as Forças Armadas, 4 programas.

Dois para a Marinha do Brasil, um para o Exército e outro sobre a “Missão Antártica”, que também envolve a participação da Força Aérea Brasileira (FAB).

O programa do Exército já tem nome, “Brasil em obras”, e uma definição: “a série mostrará algumas das principais obras de infraestrutura realizadas pelo Exército brasileiro. Em todo o país, são milhares de construções: rodovias, ferrovias, portos e aeroportos”. Já a Marinha foi agraciada com o programa “Fortes do Brasil”, sobre os fortes existentes no litoral brasileiro, e outro similar, chamado “Faróis do Brasil”, outra atribuição da Marinha nas praias brasileiras. Ambos já estão sendo produzidos pelos empregados concursados da EBC, responsáveis pelas imagens, pelo roteiro e pela edição. Já a logística é garantida pelas Forças Armadas, como transporte e passagens aéreas. Todos são inéditos, nunca exibidos em TV aberta, ainda que no dia 10 nem todos façam sua estreia.

Alguns ainda estão no “forno” e devem entrar na grade da programação ao longo do ano. Mas há essa certeza: na primeira oportunidade, 30 anos após exerceram o poder via ditadura militar, as Forças Armadas voltam ao Executivo e logo garantem divulgação em uma televisão pública, bancada pelo dinheiro dos impostos dos brasileiros.

No entanto, para o general Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo, hoje responsável pela EBC via Secretaria de Comunicação Social (Secom), os 4 programas para as Forças Armadas não bastaram.

O general também emplacou a jornalista Flávia Mello para apresentar o programa sobre a Previdência e um outro, semanal, chamado “Semana em revista”, que vai ao ar nos sábados à noite.

Flávia é figura conhecida nos quartéis, consultora de instituições militares e profissional de “media training” para altas patentes. Constantemente é convidada da Escola Superior de Guerra, em Brasília, para dar “aulas de relacionamento da imprensa com as Forças Armadas”.

Em uma de suas palestras, em 2016, nominada “A importância da Integração da Imprensa com as Forças Armadas na Mobilização Nacional, Segurança da Imagem e Comunicação Estratégica”, ela garantia: “Treinar um porta-voz que represente a instituição e defenda a sua imagem e seus valores é cada vez mais imprescindível. A Comunicação Estratégica e a Segurança da Imagem são ações de fundamental importância para os grandes eventos e principalmente para a Mobilização Nacional”.

Tantos anos de dedicação, agora, garantiram à jornalista um salário de aproximadamente 20 mil reais na EBC.

Além de agradar colegas de farda e jornalistas próximos, Santos Cruz também precisa “entregar” para o governo uma emissora 100% estatal, ou seja, garantir telejornais e programas televisivos que elogiem Bolsonaro e ministros. E isso inclui o ministro Paulo Guedes, da Economia, que exige enxugar, cortar gastos. Para isso, Cruz vai acabar com o canal TV NBR, criado em 1998, hoje produzido pela EBC via contrato de prestação de serviços.

No lugar da NBR, surge uma “Agência Brasil TV”, que passa a funcionar como uma espécie de produtora de conteúdo, mas pegando emprestado, de carona, a “marca” da agência de notícias da EBC. Nessa nova “Agência Brasil TV”, claro, os profissionais concursados seguirão sendo usados para entrevistar ministros, o presidente e a primeira-dama, mas esse conteúdo passa a ser veiculado na TV Brasil. Não à toa, para comportar o material estatal, o jornal da TV Brasil, Repórter Brasil Noite, passa a ser exibido com 45 minutos – e não 30, como hoje.

Entramos em contato com o general Santos Cruz em seu gabinete na Secretaria de Governo para obter esclarecimentos sobre o projeto e comentar as informações a que tivemos acesso, mas não houve resposta até a publicação deste texto.

De qualquer forma, na prática, as mudanças na EBC representam o fim da TV estatal brasileira, NBR, pensada para dar transparência aos atos do Executivo – assim como fazem o programa de rádio A Voz do Brasil e também a TV Justiça, a TV Câmara e a TV Senado, ou seja, garantir o direito à informação da população ao cobrir os 3 poderes da República. E, nessa junção entre NBR e TV Brasil, evidente, o governo não foi ingênuo.

Hoje, a TV Brasil é a sétima emissora mais assistida do país, segundo dados do Ibope. Por atuar na TV aberta, a audiência dela já passou canais fechados, como o SporTV, da Rede Globo. Portanto, na escolha de qual canal enxugar, a TV NBR e seus 21 anos de existência foram sacrificados.

Aqui cabe um parênteses: permanece, segundo funcionários da EBC ouvidos pelo Brasil de Fato, a possibilidade de que o canal continue existindo para passar, na íntegra, os pronunciamentos do presidente e as entrevistas coletivas dos ministros.

Mesmo que a “marca” NBR tenha chegado ao final, o canal propriamente dito, no espectro eletromagnético, na televisão, ainda é alvo de estudos de como será usado

Mas, uma coisa é certa. No dia 10 de abril, você já sabe. Basta ligar a televisão para assistir a nova TV estatal, TV Brasil, colocando no ar programas e jornais à serviço de Bolsonaro e do governo federal.

E, claro, não se esqueça de pagar os impostos, diariamente, para garantir às Forças Armadas uma TV verde-oliva. A bandeira verde-amarela estará ali, ao lado, ao final dos programas e do principal telejornal da casa – infelizmente, para lembrar que o fim de uma TV pública é também o começo do fim da democracia.

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



6 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Zé Maria

09 de abril de 2019 às 17h45

Na realidade, o (des)governo Bolsonaro,
em termos editoriais, transformou
a TV Brasil em NBR, para só fazer
propaganda governamental.

Responder

joão bravo

09 de abril de 2019 às 16h20

O que me dá prazer é ler as matérias, por que estes jornalistas de hoje é que vão contar a história nua e crua, sem adornos e perfumes, o resto é passageiro.
Como dizia um poeta aqui do sul “eles passarão, eu passarinho”. Minha indignação é a mesma de toda a pessoa bem informada, não me iludo com pais dos pobres e nem com salvadores da pátria. Minha preocupação maior hoje em dia é o que vou ler e onde vou ler e me informar com qualidade, por isto estou aqui.

Responder

joão bravo

09 de abril de 2019 às 16h11

Venho aqui hoje para protestar, Falam que no Brasil houve guerrilha, discordo completamente, a guerrilha existiu no Uruguai e da qual muitos de meus familiares participaram.
A luta foi cruel, as camisas de meus familiares eram brancas, mas tornaram-se vermelhas com sangue coagulado, não era mancha de K-suco como as dos sem terra, afinal eramos Tupac amarus, se não souberem o espanhol é simples,pronunciem de uma vez só e sem respirar, quando ouvirem tupamaros está certo.
Os relatos passaram de pai para filho através de estórias contadas, e as quais passo a relatar aqui.
A história de minha familia começa quando o homem ficou ereto, nascendo aí o homo sapiens, logo em seguida a Dilma entrou com uma ação direta de inconstitucionalidade, por intermédio do PT, junto ao STF que já existia, e como para ser ministro naquela época não era exigido cérebro, indicaram o Gilmar Mendes, o mongolóide que deu certo, para o cargo de ministro.
Na ação foi sustentada a tese que não poderia haver homo sapiens, sem que antes houvesse uma mulher sapiens e por consequência dar a luz a sapinhos barbudos.
A ação proposta teve êxito, então a partir deste momento, passou a existir não apenas o homo sapiens, mas também a mulher sapiens, conforme defendia a Dilma.
Até o ano de 1900 não havia registros de minha familia, quer dizer, registros históricos porque policiais já tinha, meu avô era contrabandista, tinha vagões de trens próprios, mas a casa caiu, quando o velho trambiqueiro não aceitou o novo valor da propina que tinha de pagar aos guardas Uruguaios e Brasileiros para trazer suas muambas. É isto mesmo o que os senhores leram, antigamente nós éramos corruptos, diferente de hoje como sabem.
Meu avô passou alguns anos preso, mas sua índole gurreira não o deixou esmorecer, pagou sua dívida para com a sociedade e uma vez solto decidiu refazer a vida.
Foi aí que conheceu minha avó e casou, outro ato de bravura pois a velha era feia nossa mãe, ela era da familia Alves e juntos formaram a gloriosa familia Alves Bravo, da qual faço parte, Familia de verdadeiros guerreiros, que mais adiante provaram seu verdadeiro valor.
Minha avó não era o que se poderia chamar de bonita, uma cruza de Espanhol com India, caolha e manca de uma perna, medindo 1.62 Mt e 43 Kg, mas o que lhe faltava de beleza, sobrava em bravura.
Nos anos 60, por não haver nada de lazer, entramos para a guerrilha, minha avó mesmo tendo um irmão general do exército Uruguaio abraçou a causa e sem intenção levou as famílias Alves e Bravo aos anais da hitória.
Foram vários confrontos com os militares, porém em Rivera foi o último e mais sangrento. Era um domingo, meu avô junto a outros guerrilheiros acamparam em um capão de mato, depois de tudo pronto começaram a jogar truco, parecia um dia normal, mas minha avó farejou algo, e gritou:
-La casa cayó guerreros!
Imediatamente começou a chuva de balas, enquanto meus avós combatiam meu pai e minha tia que eram pequenos, vendiam pipócas para os combatentes para produzir mais renda para o movimento, nos primeiros minutos de combate foram vinte baixas na guerrilha, acabaram com metade dos Alves a tiros,o restante morreu de fome quando vieram fugidos para o Brasil, não conseguiram a bolsa família, mas os Bravos resistiam.
Depois de algumas horas já não se enxergava nada, pois a pólvora encobriu a cena, os tiros ainda pipocavam, mas os Bravos não desistiam.
Algo aconteceu, minha avó procurava lugar melhor para os disparos e na confusão, com o lugar envolto em fumaça ao invés de ir para o lado dos guerrilheiros, foi para o lado dos militares e enquanto atirava contra meu avô gritava:
-Viva lá revolucion e Lula libre!
E meu avô desesperado gritava:
-tu talla del lado equivocado vieja, sienta plomo en ellos!
Foram horas de desespero em meio ao tiroteio, minha avò mesmo sendo cega de uma vista e manca de uma perna,quando a coisa ficou feia, entrou para o Guinness World Records, como a mulher mais rápida da história, como correu a velha, credo,nem Ayrton Senna pegava.
Meu avô seguiu o lema dos bravos o qual nos deu longevidade que era: “más vale huir fedendo que morir oloroso!” (mais vale fugir fedendo do que morrer cheiroso) e chegou em segundo lugar no Brasil.
Em 1970 fui com meu pai ao Uruguai, ele me disse para para que não comentasse a ninguém o que eu veria. Depois de longas horas de caminhada finalmente entramos em um casebre e encontramos um primo dele Tupamaro sentado em uma cadeira de rodas, então perguntei a meu pai o que ocorrera com seu primo e ele me respondeu:
– nada hijo alergia de plomo!
Só sei é que isto é guerrilha.

Responder

Carmelita Lutkmeier

08 de abril de 2019 às 22h21

“a EBC sempre sofreu mandos e desmandos dos governos passados, mas conseguiu manter um caráter público, voltado ao cidadão, em defesa dos direitos humanos e dando voz a quem nunca teve na mídia tradicional.” Minha sugestão é que especifique quais governos operaram desmandos na EBC, pois assim atira-se contra todos governos, como se não houvesse diferença entre democratas, golpista e fascista. Outra sugestão a de usar a palavra cidadania no lugar de “cidadão”, pois reconhecer as mulheres na escrita é reconhecer nosso protagonismo.

Responder

Zé Maria

08 de abril de 2019 às 22h20 Responder

WILLMAR TOPFSTEDT

08 de abril de 2019 às 21h48

Os amigos do Tesouro Nacional, tremem a qualquer indicio de verem rolar abaixo suas esperanças de continuar mamando nas tetas do tesouro.

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.