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Autora de fake news sobre repórter do Estadão é bolsonarista e assessora de deputado do PSL
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Autora de fake news sobre repórter do Estadão é bolsonarista e assessora de deputado do PSL


11/03/2019 - 16h33

Fernanda Salles, que assina fake news sobre repórter do ‘Estado’, assessora deputado do PSL

Fernanda é assessora do parlamentar Bruno Engler, eleito para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais

Tulio Kruse e Leonardo Augusto, O Estado de S.Paulo

Fernanda Salles Andrade, que assina texto com informações falsas sobre uma jornalista do Estado no site Terça Livre, ocupa cargo no gabinete do deputado estadual Bruno Engler (PSL), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O site reúne ativistas conservadores e simpatizantes ao governo Jair Bolsonaro e, neste domingo, 10, atribuiu falsamente à repórter Constança Rezende a declaração “a intenção é arruinar Flávio Bolsonaro e o governo”, ao tratar da cobertura jornalística sobre as movimentações suspeitas de Fabrício Queiroz, ex-motorista do senador e filho mais velho do presidente.

Valendo-se das informações falsas divulgadas pelo Terça-Livre, Bolsonaro atacou a imprensa via redes sociais.

A suposta declaração, que aparece entre aspas no título do texto de Fernanda, foi atribuída pelo site à repórter.

A gravação do diálogo, porém, mostra que Constança em nenhum momento fala em “intenção” de arruinar o governo ou o presidente. A conversa, em inglês, tem frases truncadas e com pausas. Só trechos selecionados foram divulgados.

Em um deles, a repórter avalia que “o caso pode comprometer” e “está arruinando Bolsonaro”, mas não relaciona seu trabalho a nenhuma intenção nesse sentido.

A nomeação de Fernanda para atuar no gabinete de Engler foi publicada no dia 2 de fevereiro.

A informação sobre foi publicada pelo blog do jornalista Ruben Berta, e confirmada pelo Estado.

Segundo ALMG, ela recebe salário de R$ 6.543,69.

Engler é um dos principais apoiadores da família Bolsonaro em Minas. Após a nomeação para o cargo, Fernanda assinou dois textos no site Terça Livre que trataram de atividades ocorridas na Assembleia.

Ao Estado, Engler disse que não sabe se as postagens feitas pela funcionária partem de seu gabinete (leia mais abaixo).

Há duas semanas, ela assinou um texto com o título “Deputado do PT defende ideologia de gênero sob forte protesto na ALMG”, em que descreve a participação do deputado Betão em uma comissão que debatia, segundo o texto, “ensino de gênero e sexualidade para crianças a partir dos 6 anos de idade”.

No Dia Internacional da Mulher, outro texto de Fernanda diz que um evento na assembleia promovia “doutrinação ideológica”, e registra a entrega de panfletos a crianças e adolescentes.

Fernanda aparece em vários vídeos no Youtube, defendendo o governo Bolsonaro. Em um dos mais recentes, a assessora fala sobre o vídeo pornográfico publicado pelo presidente durante o carnaval.

Segundo a funcionária do deputado, com o vídeo Bolsonaro “conseguiu constranger os mais radicais socialistas. Ele os colocou diante de um espelho. Não satisfeito, mostrou para o Brasil e para o mundo aquilo que os autoproclamados socialistas defendem. No seu íntimo, ou não”. Após quatro dias, o vídeo teve 89 visualizações.

Ao Estado, Fernanda afirmou que os textos foram escritos fora de seu horário de trabalho. Ela diz ainda que sua atividade no gabinete de Engler não tem relação com sua colaboração para o site.

O site atribui as informações a um jornalista francês, identificado pelo Terça Livre como Jawad Rhalib.

A reportagem conversou com ela por telefone e também pessoalmente, no gabinete de Engler.

A assessora confirmou ter feito as publicações, mas negou ser autora dos textos. “O que fiz foi uma reprodução da denúncia feita pelo jornalista francês”. Questionada se sabia falar inglês, a assessora disse que sim.

Reponsável pela contratação na ALMG, Engler é ligado ao Movimento Direita Minas e gravou vídeos com Bolsonaro durante sua campanha eleitoral.

No canal do Direita Minas no Youtube, há também um vídeo de autoria do Terça Livre. Gravado durante a campanha eleitoral, em julho do ano passado, o vídeo traz uma imagem de Fernanda e a gravação de uma entrevista por telefone com Bolsonaro, então candidato à Presidência da República.

O deputado Bruno Engler não atendeu ligações feitas pela reportagem.

PS do Viomundo: Fernanda Salles é nova na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Ela entrou este ano na Casa. Bruno Engler é sobrinho do ex-deputado Elmiro Nascimento, ex-suplente de Aécio Neves no Senado. Desde 2013, Elmiro é réu em processo por improbidade administrativa.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



9 comentários

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Julio Cesar

12 de março de 2019 às 18h18

Até quando o estelionato dos fake news vão ficar impunes no Brasil? Estão enriquecendo bolsos canalhas, empoderando dementes, ferrando o povo ferrado, inclusive em inteligencia, e ficando por isso mesmo. Esse país está excelente para quem faz concorrência com o diabo. É um tal de infelizes criando infernos no país como eu nunca tinha visto.

Responder

Zé Maria

12 de março de 2019 às 08h24

O Acordo Espúrio da Petrobras com o DD prevê o repasse
da Metade dos R$ 2,5 Bilhões para a Fundação, de imediato,
e a outra Metade daqui a 2 Anos, se até lá não houver condenações
judiciais em ações movidas por acionistas minoritários.
A Petrobras ainda corre mais esse Risco.

Ki Belêza! Diria um Narrador de Jogo de Futebol na TV.

Responder

Zé Maria

11 de março de 2019 às 19h33

Jawad Rhalib é um belga de origem marroquina,
jornalista por formação, mas há muito tempo
trabalha como Produtor e Diretor de Cinema.

Na realidade, não foi ele que conversou com
a repórter do Estadão. Segundo ele foi um
‘estudante’ de uma ‘uma famosa universidade
britânica’, o qual foi contactado pelo Cineasta
para uma realizar uma ‘pesquisa sobre as
reações da mídia ao novo líder brasileiro’.

Ao que tudo parece, realmente houve
manipulação na condução do diálogo
com a Jornalista Brasileira. E, quiçá,
o marroquino também foi enrolado.
Resta saber quem é o tal ‘estudante
da famosa universidade britânica’…

https://twitter.com/jawrhalib
https://blogs.mediapart.fr/jawad-rhalib/blog/060319/ou-va-la-presse-blog

Responder

    Zé Maria

    12 de março de 2019 às 00h01

    Zé Maria

    12 de março de 2019 às 07h33

    https://pbs.twimg.com/card_img/1105197391089729536/-sDfDISO?format=jpg&name=600×314

    Site francês que originou ataques
    contra repórter do ‘Estado’
    diz que informações são falsas.
    ‘Mediapart se solidariza com
    a jornalista Constança Rezende,
    vítima de ameaças’,
    escreveu a empresa no Twitter.

    Repórter André Caramante

    https://t.co/GlhgoKUXLI
    https://twitter.com/andrecaramante/status/1105205849209880577

    Zé Maria

    12 de março de 2019 às 07h49

    https://twitter.com/Mediapart/status/1105188422812078080

    11 de março de 2019 | 16h59
    O Estado de S.Paulo
    Reportagem: Alessandra Monnerat, Caio Sartori e Daniel Bramatti

    A publicação original que acusou a repórter do Estado de tentar “arruinar” o governo de Jair Bolsonaro foi feita em um blog produzido por leitores do Mediapart.
    O texto, intitulado ‘Para onde vai a imprensa?’, foi publicado em uma seção do site chamada “Le Club”, uma espécie de fórum online no qual internautas podem manter blogs próprios.

    O texto original é assinado por Jawad Rhalib, que se apresenta como ‘autor, cineasta, documentarista e jornalista profissional’.
    O blog de Rhalib tem sete postagens, que começaram a ser publicadas em dezembro de 2018.
    Qualquer assinante do site Mediapart pode participar da seção Le Club.
    A assinatura custa dois euros por semana.

    O Estado procurou contato com Rhalib por email e por telefone. Não houve resposta.

    A publicação do site francês foi citada pelo portal bolsonarista Terça Livre para dar tom de veracidade à informação falsa de que a repórter do Estado Constança Rezende teria declarado, em uma conversa gravada, ter a intenção de arruinar Bolsonaro.

    Os áudios divulgados no blog mostram que a repórter não falou isso.

    No texto ‘Para onde vai a imprensa?’, Rhalib escreve que pediu a uma fonte, um estudante de uma “famosa universidade britânica focada neste tema” para entrevistar Constança.
    O blogueiro escreve que, na gravação, a repórter teria revelado que ‘a verdadeira motivação por trás da cobertura negativa da mídia é a de ‘arruinar’ o presidente Jair Bolsonaro e causar sua demissão’.

    A transcrição da “entrevista”, no entanto, não corrobora essa versão.

    Rhalib também erra ao dizer que a divulgação dos documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) por jornalistas seria ilegal.

    O artigo 5º da Constituição Federal assegura o acesso à informação e resguarda o sigilo de fontes, quando necessário ao exercício profissional.

    Outro site que espalhou a história foi o jornal americano Washington Times.
    Assim como a publicação no site francês, trata-se de um artigo de opinião, assinado por L. Todd Wood.
    No texto, o articulista repercute a “entrevista” como se a repórter estivesse falando algo conspiratório contra Bolsonaro.
    Wood também já escreveu artigos sobre uma suposta ‘agenda globalista’ e sobre mudanças climáticas, que descreve como um “golpe” perpetrado por comunistas.

    O jornal, que existe desde 1982, coleciona uma série de polêmicas em suas coberturas, com viés sensacionalista e acusações de ser um espaço aberto para ideias racistas, por exemplo.

    https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,site-frances-que-originou-ataques-contra-reporter-do-estado-diz-que-informacoes-sao-falsas,70002751211

Zé Maria

11 de março de 2019 às 18h18

Esse Elmiro Nascimento é político antigo do PFL, hoje DEM.
Foi Secretário do Anastasia (PSDB). Coisa impressionante!
Em Minas Gerais há uma convergência de Milícias.

Responder

Zé Maria

11 de março de 2019 às 18h00

Em 28 de fevereiro de 1933, um dia após o incêndio do Reichstag,
Bertolt Brecht fugiu da Alemanha Nazista, para não ser assassinado.

No mesmo ano, com a ascensão dos nazistas ao poder,
Thomas Mann e Albert Einstein, que estavam fora da Alemanha,
não retornaram, porque teriam como destino a prisão e a morte.

https://www.dw.com/pt-br/1933-brecht-fugia-da-alemanha-nazista/a-450959
https://www.dw.com/pt-br/o-segundo-lar-de-thomas-mann-no-ex%C3%ADlio/a-16204426
https://www.dw.com/pt-br/albert-einstein/t-36213418
.
Em 2018, a Antropóloga Débora Diniz, professora da UnB,
foi embora do Brasil, depois de sucessivas ameaças de morte.

https://twitter.com/Debora_D_Diniz/status/1105163184745402369
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/15/politica/1544829470_991854.html
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/ensino_ensinosuperior/2018/07/20/ensino_ensinosuperior_interna,696127/apos-ameaca-de-morte-professora-da-unb-debora-diniz-tera-protecao-jud.shtml

A Jornalista Patricia Lelis foi embora do País,
porque foi ameaçada pelo namorado,
filho de Jair Bolsonaro, e por cabos eleitorais.
Foi morar nos Estados Unidos, em Washington.

https://catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2018/04/Captura_de_Tela_2018-04-16_as_11.51.09-450×586.png
http://www.mpf.mp.br/pgr/documentos/copy_of_DennciaEduardoBolsonaroTarjado.pdf
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/patricia-lelis-explica-como-namorou-um-bolsonaro-e-sobreviveu-para-contar-sua-historia-por-nathali-macedo/
https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2019/01/08/ex-de-filho-de-bolsonaro-nojo-de-vagina-e-compensa-com-foto-de-arma.htm
http://www.mpf.mp.br/pgr/noticias-pgr/pgr-denuncia-jair-bolsonaro-por-racismo-e-eduardo-bolsonaro-por-ameacas-a-jornalista
https://www.viomundo.com.br/politica/circo-no-twitter-pode-jogar-luz-em-motivo-para-fixacao-de-eduardo-bolsonaro-por-armas.html

O Deputado Federal Jean Wyllys abdicou do mandato, em 2019,
e fugiu do País com medo de sofrer um Atentado de Milicianos.

https://www.viomundo.com.br/politica/marcelo-zero-o-exilio-forcado-de-jean-wyllys-comemorado-com-deboche-por-bolsonaro-demonstra-a-nossa-selvageria.html
https://www.viomundo.com.br/politica/pt-na-camara-exige-apuracao-rapida-das-ameacas-a-jean-wyllys.html

Agora, a Professora e Escritora Marcia Tiburi se retirou do País,
porque achou que o Brasil não era mais seguro para ela
e para continuar fazendo seu trabalho de escritora e ativista.

“Eu não podia ir a uma padaria, recebia ameaças de morte,
não dava para viver assim”, diz a escritora.

https://twitter.com/alberi_petersen/status/1105136343888379904
https://twitter.com/cartacapital/status/1105162747631800322
https://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/03/11/marcia-tiburi-conta-por-que-saiu-do-brasil-nao-era-mais-viavel/

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