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Circo no twitter pode jogar luz em motivo para fixação de Eduardo Bolsonaro por armas de cano grosso e duro
Reprodução You Tube
Política

Circo no twitter pode jogar luz em motivo para fixação de Eduardo Bolsonaro por armas de cano grosso e duro


07/01/2019 - 11h30

Da Redação

Não é costume do Viomundo noticiar polêmicas entre usuários do twitter, até porque muitas delas tem como objetivo não declarado causar, conseguir mais seguidores e clicks, ou seja, dinheiro e palanque.

Porém, noticiamos esta por iluminar aspectos do governo Bolsonaro e, possivelmente, guerras intestinas no interior dele [do governo, não de Bolsonaro].

Eleito deputado federal por São Paulo, Eduardo Bolsonaro é o mais ativo politicamente dos três filhos do ex-capitão.

Já foi a Washington numa missão diplomática e quer capitanear o chamado combate ao “marxismo cultural”.

Em mensagem recente numa rede social, repercutida pela mídia, disse que os professores não devem ensinar “feminismo” em sala-de-aula a alunos que estão começando o ensino médio, já que quando eles forem prestar vestibular, em 2021, o tema será evitado por gente da estirpe do novo diretor de Avaliação da Educação Básica, Murilo Resende, ex-aluno do guru dos Bolsonaro, Olavo de Carvalho.

São as costumeiras mentiras dos Bolsonaro, já que a prova da Fuvest, por exemplo, não é organizada pelo governo federal e Murilo, organizador do Enem, não terá relação com ela.

Depois de Eduardo “vetar” o feminismo nas salas-de-aula,  o youtuber PC Siqueira reproduziu um link que trazia um tweet antigo do próprio Eduardo, que terminava com a hashtag #FeminismoÉDoença — acrescentando que o deputado é chavelho.

Dizia o texto:

Eu começo a “entender a importância da figura masculina da vida de uma mulher, quando minha ex-namorada que já se declara feminista, é vista em uma balada LGBT acompanhada de um médico cubano, usando uma roupa vulgar e como se não bastasse rebolando até o chão. E ainda posta isso na internet, como se fosse uma atitude louvável. Lembrando que antes do feminismo ela andava com roupas discretas, não rebolava até o chão e namorava comigo.

A baixaria de novela mexicana seguiu adiante, com referência de internautas a galhadas e outros adornos artificialmente implantados nos cocorutos.

Patrícia Lélis, supostamente a mulher a quem Eduardo Bolsonaro se referia no texto do tweet, interveio:

Estudem sobre o feminismo para não acabarem com macho de direita que não faz sexo oral porque tem nojinho de vaginas mas acha que compensa isso postando foto segurando arma. […] Estudem ao ponto de entenderem que nós mulheres não somos obrigadas a aceitar desrespeito, machismo e muito menos homem que se acha o fodão, mas não aguenta 3 minutinhos e vem com a desculpa haaaa você é muito gostosa.

O debate suscitado pela ex-namorada de Eduardo descambou para a micropenia, uma condição médica segundo a qual o órgão sexual do prejudicado é 2,5 centímetros menor do que a média para a idade.

Ela acrescentou, em outra mensagem:

Nós mulheres não merecemos homens idiotas, babacas, que agem como crianças e que possuem micropenis! Há, essa família do Bozo…

Patrícia Lélis foi, por sua vez, acusada por defensores de Bolsonaro de ser mentirosa compulsiva.

A jornalista já fez acusações de tentativa de estupro a outro deputado, o pastor Marco Feliciano, foi descrita como mitômana pela polícia paulista, que a indiciou por suposta tentativa de extorsão a um assessor de Feliciano.

Lélis diz que foi vítima de armação.

Candidata a deputada federal, não se elegeu.

As referências indiretas que ela fez a Eduardo Bolsonaro jogam luz sobre um dos temas nos quais ele não é passivo: a luta para diluir o Estatuto do Desarmamento.

O filho de Jair Bolsonaro gosta de posar nas redes sociais com armas de grande envergadura. Em vídeo registrando uma viagem dele aos Estados Unidos, Eduardo pediu a um amigo que mostrasse a ele todo o seu [do amigo] arsenal de calibre avantajado.

A relevância deste debate circense é que, pasmem, o deputado federal provavelmente mais influente no governo do pai pode ser movido por impulsos de compensação freudiana.

Submeter o Brasil a uma obsessão particular seria, para dizer o mínimo, temerário, quando sessões individuais ou terapia de família poderiam funcionar bem melhor.

Para acrescentar molho à trama, o irmão Carlos Bolsonaro participou da polêmica, supostamente em defesa do irmão.

Mas, haveria alguma motivação inconsciente de Carlos ao chamar atenção justamente para temas que expõem Eduardo ao ridículo?

Seria uma disputa entre irmãos pela atenção do pai?

Embora tenha obtido o privilégio de andar de carona no Rolls Royce do presidente no dia da posse, em Brasília, Carlos é vereador no Rio de Janeiro, enquanto Eduardo ocupa um cargo de maior projeção, o de deputado federal, mas abaixo do primogênito, o senador Flávio.

Talvez isso explique o fato de Eduardo precisar de tanta atenção pública — e de Carlos disputá-la com ele.

Militante pela disseminação de armas, Eduardo é adversário da única empresa brasileira do setor, a Forjas Taurus, que acusa de produzir pistolas defeituosas.

Eduardo manifestou preferência por armas de cano longo estrangeiras.

Finalmente, para contextualizar o imbroglio, é preciso relembrar que Eduardo é alvo de denúncia da ex-namorada Patrícia Lélis, que tramita no Supremo Tribunal Federal:

Denúncia detalha ameaça de Eduardo Bolsonaro a jornalista Patrícia Lélis

Vários prints das conversas foram anexados, em que é possível acompanhar a evolução das ameaças, feitas após Bolsonaro postar no Facebook que estaria namorando Patrícia Lélis e ela ter negado

do Estado de Minas, 2018

Brasília, 14 – Na denúncia aberta contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC), nesta sexta-feira, 13, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, detalha a acusação da jornalista Patrícia de Oliveira Souza Lélis de que ele disse, através do aplicativo Telegram que iria acabar com a vida dela e que ela iria se arrepender de ter nascido.

Vários prints das conversas foram anexados, em que é possível acompanhar a evolução das ameaças, feitas após Bolsonaro postar no Facebook que estaria namorando Patrícia Lélis e ela ter negado.

BOLSONARO: “Sua otária! Quem você pensa que é? Tá se achando demais. Se você falar mais alguma coisa eu acabo com sua vida”

PATRICIA: “Isso é uma ameaça???”

BOLSONARO: “Entenda como quiser. Depois reclama que apanhou. Você merece mesmo. Abusada. Tinha que ter apanhado mais pra aprender a ficar calada. Mais uma palavra e eu acabo com você. Acabo mais ainda com a sua vida”

PATRICIA: “Eu estou gravando”

BOLSONARO: “Foda-se. Ninguém vai acreditar em você. Nunca acreditaram. Somos fortes”

PATRICIA: “Me aguarde pois vou falar”

BOLSONARO: “Vai para o inferno. Puta. Você vai se arrepender de ter nascido. O aviso está dado. Mais uma palavra e eu vou pessoalmente atrás de você. Não pode me envergonhar”.

PATRICIA: “Tchau”

BOLSONARO: “Vagabunda”

PATRICIA: “Resolvemos na justiça. É a melhor forma”

BOLSONARO: “Enfia a justiça no cú”

A operadora do telefone registrado nas conversas confirmou que ele está vinculado a Bolsonaro desde 12/12/2013. Raquel Dodge considerou ser ‘clara a intenção do acusado de impedir a livre manifestação da vítima, valendo-se de ameaça para tanto’.

“Relevante destacar que o denunciado teve a preocupação em não deixar rastro das ameaças dirigidas à vítima alterando a configuração padrão do aplicativo Telegram para que as mensagens fossem automaticamente destruídas após 5 (cinco) segundos depois de enviadas. Não fossem os prints extraídos pela vítima, não haveria rastros da materialidade do crime de ameaça por ele praticado. A conduta ainda é especialmente valorada em razão de o acusado atribuir ofensas pessoais à vítima no intuito de desmoralizá-la, desqualificá-la e intimidá-la”, escreveu.

A pena mínima estabelecida a Eduardo é de um ano de detenção, ele pode ser beneficiado pela Lei de Transação Penal, desde que não tenha condenações anteriores, nem processos criminais em andamento. Se cumprir as exigências legais, a proposta de transação penal é para que Eduardo Bolsonaro indenize a vítima, pague 25% do subsídio parlamentar mensal à uma instituição de atendimento a famílias e autores de violência doméstica por um ano, além de prestação de 120 horas de serviço à comunidade. O relator do caso no STF é o ministro Roberto Barroso.

O Estado procurou o deputado Eduardo Bolsonaro por meio de seu celular e de seu gabinete, mas não obteve resposta nesta sexta-feira, 13.

Eduardo Bolsonaro divulgou um vídeo nas redes sociais em que diz que os prints das conversas são falsos e acusa Patrícia Lélis de ter mentido, dizendo que vai processá-la. Por sua vez, a jornalista, também por meio da internet, respondeu ao deputado. “Vídeos de Facebook não te inocentam”, escreveu.

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8 comentários

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Roberto Santos

17 de janeiro de 2019 às 02h47

Governo que só governa para ricos e empresas. Esse não é o governo que eu quero….
Eduardo bostonaro vc se esconde atrás dos militares, vc não é um político.

Responder

Sérgio canuto

09 de janeiro de 2019 às 09h03

Bom dia, não adianta o governo Bolsonaro vai da certo. Deixa O presidente trabalhar pelo Brasil, agradeço a vcs pela compreensão

Responder

    José Araújo

    10 de janeiro de 2019 às 18h23

    Trabalhar??? Hein?! Para qual Brasil ele está tentando “trabalhar” e não estamos deixando?
    Este governo não pode dar certo, porque se der, nós estamos ferrados e a nossa bandeira deixará de ser verde – amarela, passará a ser vemelha – branca e cheia de estrelinhas

Heitor

08 de janeiro de 2019 às 10h36

Qdo Bolsopai faz alguma me. rdha, bolsofilhos dizem alguma bhos.tá para desviar a atenção das mer.das que a família diz.
É só isso estratégia de marketing para mudar de assunto a imprensa.
Além de ser tosco bolsonaro escolheu mal seus ministros. Não sabem fazer o serviço até aprender vai demorar.
A fixação com os professores é que Bolsollini pensa que governo é escola para prepara-lo ele é sua turma e família para governar. Não sabe orra nenhuma.
Marionete de General.

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Renata

07 de janeiro de 2019 às 16h52

Eduardo Bolsonaro é um elemento desprezível, nem Freud explica.

Responder

Zé Maria

07 de janeiro de 2019 às 16h40

13.dez.2018 às 18h21
Folha de S.Paulo
Edição impressa

Reportagem: Anna Virginia Balloussier

Procurada pela Folha, a jornalista [Patrícia Lélis] afirmou que,
“devido às ameaças de morte que eu sempre recebi deles,
não moro mais no Brasil”.

Questionada sobre quem seriam os autores das supostas ameaças,
respondeu pelo WhatsApp:
“Meu lado continua sendo o mesmo, não sou louca ou afins
como eles dizem, como também não sou a primeira!
Apenas fui a primeira a denunciar. Eduardo me ameaçou de morte,
pelo menos isso o STF tem levado à frente”.

Ela afirma que a futura ministra de Mulher, Família e Direitos Humanos,
a pastora Damares Alves, sabia do caso e lhe pediu silêncio.

A reportagem não conseguiu falar com Damares.
.

Responder

Zé Maria

07 de janeiro de 2019 às 14h27

Sem esquecer que Eduardo Bolsonaro é um dos Símbolos
da Degradação Moral e Institucional da Polícia Federal.

Responder

Julio Silveira

07 de janeiro de 2019 às 12h07

De todo esse imbroglio apenas uma consideração, essa familia e seus aliados confessos e inconfessaveis, nacionais e internacionais, já rebaixaram a justiça a tal ponto dela estar na altura ideal e pronta para ser enfiada no fiofó de todos os brasileiros com todas as consequencias da pressão causadas pela mistura na saida.

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