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Diário da Resistência


Aragão: O golpe foi dado com uma facada nas costas bem planejada
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Aragão: O golpe foi dado com uma facada nas costas bem planejada


28/02/2017 - 19h03

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Temer e a pouca vergonha de nossos tempos

no GNN

Por Eugênio Aragão*

As frações de informação tornadas públicas na entrevista do advogado José Yunes, insistentemente apresentado pelos esbulhadores do Palácio do Planalto como desconhecido de Michel Temer, embrulham o estômago, causam ânsia de vômito em qualquer pessoa normal, medianamente decente.

Conclui-se que Temer e sua cambada prepararam a traição à Presidenta Dilma Vana Rousseff bem antes das eleições de 2014. A aliança entre o hoje sedizente presidente e o correntista suíço Eduardo Cunha existia já em maio daquele ano, quando o primeiro recebeu no Palácio do Jaburu, na companhia cúmplice de Eliseu Padilha, o Sr. Marcelo Odebrecht, para solicitar-lhe a módica quantia de 10 milhões de reais.Não para financiar as eleições presidenciais, mas, ao menos em parte, para garantir o voto de 140 parlamentares, que dariam a Eduardo Cunha a presidência da Câmara dos Deputados, passo imprescindível na rota da conspiração para derrubar Dilma.

Temer armou cedo o golpe que lhe daria o que nunca obteria em uma disputa democrática: o mandato de Presidente da República. Definitivamente, esse sujeitinho não foi feitopara a democracia. É um gnomo feio, incapaz de encantar multidões, sem ideias, sem concepções, sem voto, mas com elevada dose de inveja e vaidade. Para tomar a si o que não é seu, age à sorrelfa, à imagem e semelhança de Smeágol, o destroncado monstrengo do épico “O Senhor dos Anéis”.

Muito ainda saberemos sobre o mais vergonhoso episódio da história republicana brasileira, protagonizado por jagunços da política, gente sem caráter e vergonha na cara, que só conseguiu seu intento porque a sociedade estava debilitada, polarizada no ódio plantado pela mídia comercial e reverberado com afinco nas redes sociais, com a inestimável mãozinha de carreiras da elite do serviço público.

O resultado está aí: o fim de um projeto nacional e soberano de desenvolvimento sustentável e inclusivo. A mais profunda crise econômica que o país já experimentou. A desconstrução do pouco de solidariedade que nosso Estado já prestou aos mais necessitados. A troca do interesse da maioria pela mesquinhez gananciosa e ambiciosa daminoria que, “em nome do PIB” ou “do mercado”, se deu o direito de rasgar os votos de 54 milhões de brasileiras e brasileiros. Rasgaram-nos pela fraude e pelo corrompimento das instituições, com o único escopo de liquidar os ativos nacionais e fazer dinheiro rápido e farto, como na privatização de FHC. Dinheiro que o cidadãonunca verá.

É assim que se despedaça e trucida a democracia: dando o poder a quem perdeu as eleições, garantindo aos derrotados uma fatia gigantesca do governo usurpado e até a nomeação de um dos seus para o STF, para assegurar vida mansa a quem tem dívidas com a justiça. A piscadela de Alexandre de Moraes a Edison Lobão, na CCJ, diz tudo.

Assistiremos a tudo isso sem nenhum sentimento de pudor?

A essa altura dos acontecimentos, o STF e a PGR só podem insistir na tese da “regularidade formal” do impedimento da Presidenta Dilma Roussef com a descarada hipocrisiadefinida por Voltaire como “cortesia dos covardes”.

Caiu o véu da mentira. Não há mais como negar: o golpe foi comprado e a compra negociada cedinho, ainda no primeiro mandato de Dilma. O golpe foi dado com uma facada nas costas, desferida por quem deveria portar-se com discreta lealdade diante da companheira de chapa. O Judas revelado está.

E os guardiões da Constituição? Lavarão as mãos como Pilatos — ou tomarão vergonha na cara?

*Eugênio Aragão é sub-procurador-geral da República e foi ministro no governo de Dilma antes do golpe

Leia também:

Altamiro Borges: A quarta-feira cinzenta do usurpador Temer





4 comentários

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Elias

02 de março de 2017 às 13h47

De uns seis meses para cá, passei a ser leitor de carteirinha de Eugênio Aragão. Essa onde ele compara Temer a Smeágol foi um achado sensacional. Cada artigo de Aragão, para mim, equivale a trechos de um calhamaço que conta a história recente do Brasil.

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Messias Franca de Macedo

01 de março de 2017 às 11h51

[Perdão pelo fora de pauta não tão fora de pauta assim]

MAIS UM LEGADO HEDIONDO PROPICIADO PELO MONSTRO joaquim barbosa &$ demais protofascistas & golpistas “cúmplices supremos” do STFede, do ‘miniSTÉRIO’ PRIVADA &$ da PGR !

Sim, dá muita vontade de chorar ao ler a matéria!
Um inocente funcionário de carreira do Banco do Brasil sendo tratado como algo pior do que um animal inferior!

***

Janot pede ao STF novo juiz para acompanhar pena de Pizzolato

01 de março de 2017 – 11:00

Alegando “proteção aos direitos do detento” e respeito aos “tratados internacionais” o procurador-geral da República Rodrigo Janot pediu ao ministro Luis Roberto Barroso, relator do mensalão no Supremo, que seja nomeado um novo juiz do gabinete do ministro para ficar responsável pela execução da pena do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado a 12 anos e sete meses de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro. Para a criminalista Ana Paula Aris, que defende Pizzolato, a solicitação do procurador-geral é “louvável”, mas não “resolve a situação”, pois os defensores alegam que o réu já tem tempo suficiente para progredir para o regime semiaberto. Nesta quarta-feira, 1, uma comitiva da OAB realiza uma vistoria das condições da cela onde o ex-diretor do BB está detido. O pedido de Janot ocorre após uma vistoria na cela de Pizzolato na Papuda feita pelo Ministério Público Federal em conjunto com representantes da embaixada italiana em 7 de fevereiro. A fiscalização constatou que o ex-diretor do BB foi transferido para o isolamento onde ficou três dias detido em uma cela com 10 detentos que só tinha 20m² e capacidade para cinco presos. Ele foi transferido após os agentes identificarem que ele possuía mil reais, valor que seria proibido para um preso manter consigo no presídio. “(Henrique Pizzolato) Relatou que na cela havia mal cheiro, ventilação insuficiente, água apenas da torneira e que não recebiam os talheres para as refeições e; que os presos se revezavam para dormir no chão, enquanto os outros ficavam sentados em uma pilha de colchões”, assinala Janot no pedido encaminhado no último dia 23 ao STF. Como possui dupla nacionalidade, brasileira e italiana, e foi extraditado da Itália em um acordo do Brasil com o país europeu, a situação de Pizzolato é monitorada e precisa cumprir os termos definidos com os italianos, sobretudo de respeito aos direitos humanos. Por isso, Janot alega a necessidade de delegar um novo magistrado para acompanhar a situação de Pizzolato, o último réu a ser preso no mensalão após fugir para a Itália. “Esses últimos acontecimentos relatados demonstram a delicada situação do extraditado, pois podem resultar na quebra do compromisso assumido pelo Brasil com o governo italiano de respeitar os direitos fundamentais de Henrique Pizzolato, dado tanto no processo judicial na Itália, como por ocasião de sua entrega”, segue Janot.

FONTE: http://www.politicalivre.com.br/2017/03/janot-pede-ao-stf-novo-juiz-para-acompanhar-pena-de-pizzolato/

Responder

    lulipe

    02 de março de 2017 às 01h40

    “(…) Um inocente funcionário de carreira do Banco do Brasil (…)”

    Inocente uma ova, é um bandido da pior qualidade, não poupou nem o irmão morto de quem uso o nome em vários documentos falsificados, sem contar os crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. É um safado que deveria mofar na cadeia.

FrancoAtirador

01 de março de 2017 às 03h40

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“Tudo É Tão Mais Do Mesmo”
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ACERVO > CÂMARA É HISTÓRIA

1963
Constituída CPI para apurar candidatos
que teriam recebido financiamento
dos Institutos IBAD e IPES

Na fase conspiratória mais aguda do movimento militar
que veio a depor o presidente João Goulart
foram criados três órgãos que tiveram papel
de destaque na política conservadora:

O IPES – Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais,
a Adep – Ação Democrática Parlamentar
e o IBAD – Instituto Brasileiro de Ação Democrática.

O Ibad foi fundado em 1959 por empresários,
porta-vozes do capital estrangeiro,
intelectuais e políticos de direita.

Seu caráter operacional tinha o objetivo de combater
uma pretensa infiltração comunista na sociedade brasileira.
Seu presidente era o deputado baiano João Mendes.

O Ibad ajudou Jânio Quadros a se eleger em 1960.
Celebrizou-se na eleição de 1962 por financiar candidatos conservadores,
com recursos estimados em cinco milhões de dólares [US$ 5.000.000,00],
que eram depositados no Royal Bank do Canadá.

Para se ter uma idéia da importância desses organismos basta dizer que a Adep contava com aproximadamente 150 membros na Câmara dos Deputados.

Ao IBAD é atribuído um papel importante nas eleições de 1962,
quando apoiou e financiou candidatos que se opunham à esquerda
em todos os estados, com o objetivo de formar uma bancada atuante no Congresso.

O IBAD fornecia material impresso, veículos, apoio operacional
e, dinheiro a candidatos a governador, deputados e senadores.
Elegia políticos como Carlos Lacerda [RJ] e Ademar de Barros [SP].

Em 1963 é constituída uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar
uma lista de candidatos que teriam recebido financiamento do Ibad e do Ipes.

Para a CPI foi eleito presidente o deputado Ulysses Guimarães.

A CPI ouviu inúmeros depoimentos e apurou a participação de empresas
multinacionais como Texaco, Esso, Coca-Cola, Bayer e IBM.

Rádio Câmara
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