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Cadê a liberdade de expressão, de imprensa e a do escambau-a-quatro?


13/12/2010 - 15h20

por Antonio Luiz M. C. Costa, em CartaCapital

Entre as muitas ironias que produziu, uma das mais saborosas do caso WikiLeaks é ter dado oportunidade ao jornal russo Pravda de zombar do sistema legal e da censura nos EUA.

Depois de comentar mensagens do WikiLeaks que mostram o governo Obama pressionando Alemanha e Espanha para encobrir torturas praticadas pela CIA no governo anterior, o colunista e editor legal David Hoffman tripudia: “Agora, dado que o fundador do WikiLeaks Julian Assange enfrenta acusações criminais na Suécia, fica também evidente que os EUA têm o governo sueco e a Interpol no bolso. Claro que não sei se Assange cometeu o crime do qual é acusado. Sei é que para o ‘sistema’ legal dos EUA a verdade é irrelevante. No minuto em que Assange revelou a extensão dos crimes dos EUA e seu encobrimento para o mundo, tornou-se um homem marcado.”

Aproveita também para apontar a hipocrisia de conservadores e seus porta-vozes na imprensa, que querem as penas mais rigorosas possíveis para o WikiLeaks, mas não tiveram dúvidas em expor a agente dos EUA Valerie Plame quando o governo Bush júnior quis punir seu marido, o ex-embaixador Joseph Wilson, por denunciar provas forjadas para justificar a invasão do Iraque.

A coluna tem data de 3 de dezembro. O cerco começara com a ordem de captura internacional do governo sueco que colocou o australiano Assange na lista de “alerta vermelho”, os mais procurados da Interpol, a serem monitorados a cada passo. Com um pretexto inusitado para uma operação desse porte, se não surreal: o fundador do WikiLeaks teria continuado a fazer sexo com uma sueca depois da ruptura de seu preservativo e se recusado a usá-lo com outra. Não há sequer um indiciamento formal e as duas acusadoras, Sofia Wilén e Anna Ardin enviaram mensagens por SMS e Twitter, alardeando seus encontros com Assange logo após o fato, falando deles em tom elogioso e festivo. A segunda é nascida em Cuba e escreveu artigos para uma publicação anticastrista, sugerindo que pode haver o dedo da CIA no caso.

Na véspera, a Amazon expulsara o site WikiLeaks.org de seus servidores. No mesmo dia 3, o próprio endereço foi deletado pelo provedor estadunidense everydns.com. Foi rapidamente transferido para um domínio registrado na Suíça, wikileaks.ch, mas com parte dos arquivos hospedados no provedor francês OVH que, ameaçado com “consequências” pelo ministro francês da Indústria Eric Besson, entrou na justiça com uma consulta sobre a legalidade da ação.

No dia 4, a Switch, provedor suíço do novo endereço, disse que não atenderia às pressões estadunidenses e francesas para deletá-lo, mas o sistema PayPal de pagamentos via internet, uma subsidiária do eBay, cancelou a transferência de doações ao WikiLeaks. No dia seguinte, a OVH saiu da rede e os arquivos passaram a ser hospedados pelo Partido Pirata Sueco e passou a sofrer ataques de hackers, mas centenas de “espelhos” do site se multiplicaram pelo mundo. O WikiLeaks também distribuiu a todos os interessados uma cópia encriptada do arquivo completo, cuja chave será distribuída caso algo aconteça com o site ou seu fundador.

Nos dias 6 e 7, as redes Mastercard e Visa também cancelaram as doações ao WikiLeaks – embora, como tenha notado o editor de tecnologia do Guardian, nenhuma delas tenha problemas com encaminhar doações ao Ku-Klux-Klan. Além disso, o banco suíço PostFinance encerrou a conta de Assange com o pretexto de que ele “mentiu” ao fornecer endereço no país – também ridículo, pois ele seguiu a praxe e deu o endereço de um advogado em Genebra. Com essas operações, o WikiLeaks perdeu cerca de US$133 mil. Ainda no dia 7, Assange apresentou-se à Scotland Yard e foi preso sem direito a fiança.

Toda essa farsa foi levada ao palco porque as atividades de Julian Assange e do WikiLeaks não são realmente ilegais. Várias decisões jurídicas dos EUA, notadamente a decisão de 1971 que deu ao New York Times o direito de publicar os “Papéis do Pentágono”, concordaram em que a liberdade de imprensa garantida pela Constituição se sobrepõe à reivindicação de segredo do Executivo. O funcionário que vazou os arquivos oficiais pode, em princípio, ser processado, não a organização que aceitou o material e a publicou.

O fato é que Julian Assange é hoje um preso político, detido sob o mesmo tipo de falso pretexto que é devidamente ridicularizado quando usado para se deter um dissidente russo, chinês ou iraniano. Fosse os segredos de algum desses países que tivesse revelado, o fundador do WikiLeaks seria candidato automático a um Nobel da Paz.

Ao serem os segredos dos EUA os que o australiano se dispõe a divulgar – e o que pode vir a ser ainda pior, de seus grandes bancos e empresas (a começar, provavelmente, pelo Bank of America), como anunciou em entrevista à Forbes –, políticos e jornalistas de Washington e de seus aliados do Ocidente passam a considerar justo e aceitável que seja perseguido e preso pela Interpol sob acusações que matariam de rir os responsáveis pelos Processos de Moscou da era stalinista.

O Ocidente tem dificuldade cada vez maior em conviver com os direitos e garantias em nome dos quais julga ter o dever de impor sua vontade ao resto do mundo. Sente cada vez mais a necessidade de leis de exceção e estados de exceção, que pouco a pouco viram regra. O mundo vai descobrindo que é ilusório confiar na Internet como garantia de liberdade de informação.

Antonio Luiz M. C. Costa é editor de internacional de CartaCapital e também escreve sobre ciência e ficção científica.

Via CartaCapital

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28 comentários

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Renato

23 de dezembro de 2010 às 21h49

Eu tenho algumas perguntas para fazer a Assange. Como ele conseguiu esses documentos, já que nos EUA quebra de sigilo é crime? e por que não tem nada de Israel publicado no Wikileaks?

Por causa dessas perguntas, para mim ele é criminoso e safado. Chantagista de estados.

Isso não dura muito,

Responder

    Pitagoras

    23 de dezembro de 2010 às 23h48

    Quanta besteira em tão poucas e singelas linhas! Reflita mais antes de gastar elétrons e nossa paciência…

Pitagoras

23 de dezembro de 2010 às 00h28

Liao Xao Bo que nada, é um tremendo reaça!
Julian Assange e Bradley Manning para prêmio Nobel da Paz! Transparência em escala global!
Enfim, jornalismo pra valer!

Responder

redecastorphoto

21 de dezembro de 2010 às 23h47

Adoraria ter tempo para fazer uma lista de todos os jornalistas que, escrevam o que escreverem, sempre usam, no fecho de ouro de seus artigos, expressões de espinaframento da internet.

Esse aí conclui com "O mundo vai descobrindo que é ilusório confiar na Internet como garantia de liberdade de informação". Só faltou escrever: "sem o jornalismo não há salvação". Ilusório, mesmo, como garantia de liberdade de informação é confiar nas elianescantanhedes, nos clóvisrrossis, nos williamswaacks, nas miriamsleitões [hehehehe].

Dia desses, foi a Mirian (argh!) Leitão, que disse que, como se estivesse enunciando o teorema de Pitágoras, em matéria de fato, que "a verdade é que WikiLeaks precisou do jornalismo, para publicar o que publicou. Sem o Guardian, o Le Monde etc., nada aconteceria".

Também é falso, porque WikiLeaks só precisou do trabalho jornalístico TÉCNICO desses grandes jornais, da estrutura física dessas grandes redações e de seus muitos jornalistas profissionais. WikiLeaks NÃO PRECISOU da infraestrutura ideológica de jornal algum nem das ideias políticas sobre o mundo de NENHUM jornalista.

Em outras palavras: no novo mundo que WikiLeaks inaugurou para a informação no mundo, muitos jornalistas terão ainda emprego, mas as miriansleitões serão TOTALMENTE obsoletas e ficarão desempregadas.

Porque o tipo de jornalismo que as miriansleitões fazem e o tipo de jornal que FSP, Estadão, O Globo e tal e tal são já está TOTALMENTE desmascarado e se comprovou TOTALMENTE desnecessário e, pior, já foi exposto como TOTALMENTE manipulatório, enviezante, numa palavra: fascistizante.

Ontem mesmo, aliás, o Michael Moore demonstrou que ATÉ o Guardian pisou muito feio (jornalisticamente feio) na bola, quando ACREDITOU no que leu num dos telegramas e manchetou: "o filme Sicko foi proibido em Cuba".

O que Moore fez foi DEMONSTRAR que até o Guardian deixou-se levar pela ilusão jornalísitica de que, se a fonte disse, e a fonte é a embaixada dos EUA… então haveria algum fato já 'automaticamente' verdadeiro!

A verdade é que o filme Sicko foi EXIBIDÍSSIMO em Cuba. De onde se conclui que TODOS informaram errado, uma cabeça induzindo a mentira da outra… e adeus fato, mesmo no Guardian, mesmo com pleno acesso aos telegramas! Ver em :http://redecastorphoto.blogspot.com/2010/12/viva-wikileaks-sicko-nao-foi-proibido.html

Até agora, ainda não vi NENHUM jornalista escrever que WikiLeaks é a comprovação de que o mundo do futuro NÃO TERÁ JORNAIS ou, se tiver, serão ESSENCIALMENTE diferentes de tudo que se conhece até hoje. (De fato, sim, já apareceu um, cujo nome não lembro, dos que traduzimos, e que diz claramente que, até que a poeira baixe, e para o bem ou para o mal, o mundo agora quererá o jornalismo de WikiLeaks e NÃO QUERERÁ o jornalismo que houve até antes de WikiLeaks.

Tampouco vi, até agora, algum jornalista assumir que TUDO que se lê nos telegramas são acontecimentos que estiveram em TODOS os jornais. Em tese, se o jornalismo fosse tudo o que pensa que é, só haveria matéria velha e ultrapassada em todos os telegramas. E eles estão CHEIOS de novidades. Que só são novidades porque os jornais e os jornalistas CAPARAM, daqueles fatos, quando ocorreram, zilhões de aspectos.

De fato, hoje mesmo, a Folha de S.Paulo CAPOU OUTRA VEZ o que havia num dos telegramas, sobre o Serra e o pré-sal. A Folha de S.Paulo conseguiu o prodígio de REMENTIR [hehehehehe]! Como sempre fez, a FSP investiu tudo na certeza de que ninguém leria O PRÓPRIO telegrama. Exatamente o mesmo procedimento jornalístico-safado de sempre.

Exatamente o que a FSP já fez, por exemplo, no evento da gloriosa e nunca assaz elogiada BOLINHA DE PAPEL.

Responder

Will

14 de dezembro de 2010 às 13h26

Ótimo artigo, resume bem as acusações ridículas feitas contra o co-fundador do WikiLeaks e a resposta desproporcional da imprensa mundial (mais notadamente americana) a essas acusações.
Vale lembrar que mesmo se Assange seja condenado pelo "sex by surprise", a pena é uma multa de 715 dólares….e só! Sem encarceramento.
Isso justifica um mandado de prisão da interpol? Ou mesmo uma prisão, em Londres, sem possibilidade de fiança? É uma palhaçada atrás da outra.

Responder

Marcelo de Matos

14 de dezembro de 2010 às 12h58

O PIG é asqueroso. Quando assassinaram o prefeito de Santo André, a imprensa deu grande destaque a discursos de promotores que tentaram colocar o PT no banco dos réus. Ainda há pouco o promotor Francisco Cembranelli, que se notabilizou no caso Nardoni, reeditou o discurso da promotoria contra o “esquema do PT” naquela prefeitura. Há poucos dias assassinaram o prefeito de Jandira, do PSDB. Não houve, por parte da imprensa, qualquer insinuação de esquema de arrecadação na prefeitura. “O prefeito e mais cinco vereadores de Jandira também são alvo de investigação pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público de São Paulo. Segundo o Gaeco, Paschoalin pode estar por trás do pagamento de propina a vereadores para aprovar projetos de interesse da prefeitura. O promotor Roberto Porto suspeita que o esquema de propinas tenha alguma ligação com o assassinato do prefeito”. Tudo ótimo! Mas, dessa vez, o glorioso MP e a gloriosa mídia não irão colocar o partido tucano no banco dos réus.

Responder

Mário SF Alves

14 de dezembro de 2010 às 12h31

O que está em jogo é o processo civilizatório no Ocidente.
Welcome to the begin of the cyber war. Bem-vindos ao radical combate ao desrespeito à Primeira Emenda do Constituição dos EUA. A mesma que impede o Congresso de limitar as liberdades de imprensa e de expressão, mas, que, paradoxalmente, porém não impede o Governo dos EUA de impor a censura e nem limitar o cerceamento da informação. Bem-vindos ao início do resgate coletivo do Estado e à construção de um novo contrato social.
Cyber war, eis o resultado lógico de dezenas de anos de socialização do conhecimento relativo ao desenvolvimento do GNU-Linux em reação à prepotência dos royalties impostos pela Microsoft Corp e outras.
Bem-vindos ao início da guerra contra a instrumentalização da censura na rede e, circunstancialmente, antecipadora da luta contra o seqüestro do Estado pela plutocracia imposta ao Ocidente pelas mega-corporações, militarizadas ou não.

Responder

Ariadne Jacques

14 de dezembro de 2010 às 11h09

Parece que a liberdade de impressa, expressão e o escambau a quatro, no Brasil, só tem valor mesmo quando é para divulgar a ficha polícial de Dilma Rousseff, produzida por seus torturadores, em pleno regime de exceção. Ou seja, a liberdade de expressão aqui, na doce terra de Pindorama, é de pura conveniência, sobretudo para os guardiões do PIG. Que seja bem-vindo à nossa terra o jornalismo científico do Wikileaks.

Responder

O_Brasileiro

14 de dezembro de 2010 às 01h01

É… parece que o sonho americano não passa de um sonho… principalmente para os americanos!

Responder

O_Brasileiro

14 de dezembro de 2010 às 00h59

Adeus à inocência… para quem ainda a tinha…

Responder

Tunico

13 de dezembro de 2010 às 20h02

O que Julian Assange e Lio Xiaobo têm em comum??…Ambos são vítimas da censura, Julian Assange censurado pelo Ocidente e Lio Xiaobo pelo Oriente, a diferença é que enquanto a censura Chinesa é explicita, a do Ocidente é velada.Será que em uma eventual premiação de Julian Assange para o Prêmio Nobel da Paz os EUA boicotariam alegando ser uma farça, tal como a China faz com Lio Xiaobo??. A máscara do Ocidente caiu.

Responder

    Jairo_Beraldo

    13 de dezembro de 2010 às 22h57

    Tunico, o Meridiano de Greenwich é o meridiano que passa sobre a localidade de Greenwich ,no Observatório Real, nos arredores de Londres, Reino Unido, e que, por convenção, divide o globo terrestre em ocidente e oriente, permitindo medir a longitude. Portanto, não venha querer dizer que o Ocidente caiu.

Luciano Prado

13 de dezembro de 2010 às 19h06

É a última pá de cal na cova da velha e carcomida imprensa brasileira.

Responder

Farpa

13 de dezembro de 2010 às 19h05

E a imprensa brasileira, a "baluarte da liberdade de imprensa", mais quetinha que bêbe mijado?

Responder

Fabio SP

13 de dezembro de 2010 às 19h04

É isso mesmo… Segundo o grande líder, o cara é loirinho e de olhos azuis, então é bandido…

Responder

    Jairo_Beraldo

    13 de dezembro de 2010 às 22h49

    Fabio…não é hora de gozar na elite paulista, por favor!

MineirimD'Uai&Orlea

13 de dezembro de 2010 às 18h46

ENTRETANTO……
Não custa nada, a partir da divulgação destes documentos, que os órgãos de contra-espionagem dos Norte-americanos, passem a "vazar" informações que visem o descrédito ou até mesmo "Usar" a atual força do WikiLeaks para apoiar seus objetivos.
Já foi feito nos anos precedentes ao dia D, inclusive com a "entrega" de combatentes da resistência francesa aos Alemães só para dar credibilidade á fonte.( Que evidentemente era controlada pela inteligência aliada).
Perdem-se os anéis ,mas ficam os dedos…….

Responder

CC.Brega.mim

13 de dezembro de 2010 às 18h27

eu também adorei.
acho que condenar o cara por não usar camisinha
uma confissão de impotência
de desmando
de censura
de autoritarismo!

Responder

MineirimD'Uai&Orlea

13 de dezembro de 2010 às 18h17

Nào faltam aqueles que tem uma Vi$ão muito própria do fato …….
Enquanto isto no sitio do Observatório da imprensa..hahahahahah!

Sugeriria outro título: A GRANDE DOR DE COTOVELO

A GRANDE CHANTAGEM
Os reféns do Wikileaks

Por Alberto Dines em 13/12/2010

Sobre comentário para o programa radiofônico do OI, 13/12/2010

Alguns desdobramentos da façanha comandada por Julian Assange parecem consensuais, inquestionáveis:

** A responsabilidade pelo megavazamento é daqueles que não souberam manter a proteção aos documentos secretos do Departamento de Estado.

** A prisão do wiki-militante Assange não pode ser considerada como represália do governo americano até que a Justiça sueca termine as investigações sobre as supostas agressões sexuais que teria cometido contra duas jovens. A Suécia é uma democracia exemplar, santuário dos direitos humanos há mais de meio século. Até prova em contrário. Colocar esta imagem sob suspeição é, no mínimo, leviandade.

O que causa espécie e muito espanto é o comportamento dos cinco veículos jornalísticos globais (The New York Times, El País, Le Monde, The Guardian e Der Spiegel) que ingenuamente acataram as imposições do Wikileaks sem atentar para a sua autonomia e independência – sua soberania, em outras palavras. Não avaliaram que seriam reféns de um negócio imprevisível com um parceiro mais imprevisível ainda.

Um jornal ou revista sério e responsável não faz acordo com as fontes. A fonte – no caso o Wikileaks – pode até fazer exigências para garantir a sua segurança, mas não pode impor suas vontades no tocante ao aproveitamento do material que oferece. Os Cinco Grandes aceitaram a exigência de dar prioridade às suas edições online quando todos, sem exceção, enfrentam sérios declínios de circulação em suas edições impressas. Caíram na armadilha de um ciberativista mais preocupado com a sua empreitada política do que com o futuro do jornalismo impresso. Sem esta subserviência a um audacioso franco-atirador da blogosfera (cujos reais desígnios não se conhecem), o material vazado seria processado e disponibilizado dentro de paradigmas jornalísticos mais adultos e competentes.

Tem mais: a fonte não pode impor um pacote fechado na base do "ou leva tudo ou nada". Ao submeter-se a este tipo de chantagem o jornal ou jornalista perde a sua importância, entrega-se ao sequestrador da sua imagem. Este é o ponto: apesar das louváveis façanhas anteriores, o Wikileaks não tem envergadura nem credibilidade para bancar sozinho a divulgação desses documentos. Com medo de que o pacote fosse oferecido aos respectivos concorrentes, os Cinco Grandes apressaram-se em fazer o acordo sem dar-se conta dos riscos que corriam num momento em que o público global começa a gostar deste maravilhoso e insuperável jogo de observar a mídia."

Pelo menos estão expostos os Sabujos.

Responder

    Jairo_Beraldo

    13 de dezembro de 2010 às 22h48

    Peraí…o Dines supôs que o The New York Times, El País, Le Monde, The Guardian e Der Spiegel, não são fontes confiáveis? É isso? Então, se assim for, fontes confiáveis são Folha, Estadão, Veja, O Globo, etc?

    Mário SF Alves

    14 de dezembro de 2010 às 12h30

    Taí uma idéia de até onde vai o raio (e a circunferência) de um circo chamado o Brasil-PIGs.

    Pitagoras

    23 de dezembro de 2010 às 23h54

    Essa acusação de estupro na Suécia parece piada, logo na terra pioneira de liberdade sexual, e bem na hora que o Grande Jornalista do Mundo ameaça os interesses da impoluta Suécia..afinal a neutra, amante da paz, da liberdade senhora escandinava é grande fonecedora de armas que alimentam as guerras que por sua vez alimentam a sua industria de armamentos…

trombeta

13 de dezembro de 2010 às 17h44

O velho cinismo branco causasiano europeu se instalou no mundo, eles criaram a escravidão, o fascismo, o nazismo, o racismo e mesmo assim tem muita "lição de moral" para dar aos outros.

Tem quem acredite.

Responder

Pedro

13 de dezembro de 2010 às 17h37

Quando o Império Romano começou a desmoronar ele agia assim como esse de agora.

Responder

Emília

13 de dezembro de 2010 às 17h19

"O Ocidente tem dificuldade cada vez maior em conviver com os direitos e garantias em nome dos quais julga ter o dever de impor sua vontade ao resto do mundo."
E mais, não é só o Ocidente, é o ser humano que tem muita grana e se julga acima do bem e do mal, portanto pode impor sua vontade ao resto dos pobres mortais. Ganancia e poder os dois grandes males do ser humano.

Responder

edv

13 de dezembro de 2010 às 16h47

Enquanto a Suécia demanda a liberação do chinês Nobel, solicita a prisão do australiano por "sex-by-surprise", seja lá o que fôr isso!
Outra curiosidade: li por aí que, de acordo com um órgão da União Européia, a Suécia, imagem da "loira sexualmente liberada", é o líder europeu em estupros e o último em condenações por estupro.
E assim caminhamos, de um hipocrisia à próxima…

Responder

Marcos C. Campos

13 de dezembro de 2010 às 15h55

Espalhem a toda internet este artigo. Desmascara boa parte da verdade .

Responder

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