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Amianto: Deputados manobram, de novo, para derrubar banimento em SP


23/11/2010 - 07h30

Atualizada em 24 de novembro às 23h

Nessa terça-feira à tarde, o  Colégio de Líderes da Assembleia Legislativa de São Paulo decidiu retirar da ordem do dia o projeto que propõe alteração da lei paulista sobre amianto.  Desde 3 de novembro, era o primeiro da lista.  Depois de muita discussão, o seu autor, o deputado estadual Waldir Agnelo, concordou com a solicitação de colegas de vários partidos, mas deixou clara a intenção de voltar a colocá-lo na agenda para votação.  Na prática,  ficará mais um tempo “no forno”.

por Conceição Lemes

Na última semana do ano parlamentar, tudo pode acontecer na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Para viabilizar aprovação do orçamento antes do final do ano, certos projetos de lei entram em pauta sorrateiramente ou por acordos esdrúxulos,  popularmente chamados “bodes”.

Em dezembro de 2009 ensaiou-se isso com o projeto de lei 917/2009, do deputado Waldir Agnelo (PTB), que “estabelece normas de transição para a lei estadual 12.684/2007”. Essa lei, de autoria do deputado Marcos Martins (PT), baniu o amianto no estado . E o projeto do petebista dá um prazo de 10 anos para a substituição do amianto.O estratagema não deu certo (veja abaixo reportagem de 2009).

Pois bem, em 3 de novembro, aproveitando que após as eleições há menos parlamentares na Casa, deputados manobraram, de novo, e colocaram o  projeto de lei de Waldir Agnelo na ordem do dia para ser votado. É o primeiro da lista.

“Não dá para entender como entrou em pauta, muito menos como é o primeiro da ordem do dia”, denuncia o deputado Marcos Martins. “È uma coisa muito esquisita, pois há um acordo informal entre as lideranças de só levar projetos para plenário quando há concordância entre as bancadas quanto ao seu encaminhamento.”

“Foi na surdina, à revelia dos pedidos das bancadas e à minha revelia também, já que sou autor da lei”, acusa Marcos Martins. “Há ofício das bancadas  do PT, PV, PCdoB e Psol, contrários ao projeto, pedindo a sua retirada.”

O deputado Barros Munhoz (PSDB),  presidente da Assembleia Legislativa, foi questionado. Não soube se explicar. O certo é que o projeto só entrou na ordem do dia, porque ele  e o deputado Campos Machado, líder da bancada do PTB e presidente estadual do partido,   aprovaram. Em entrevista ao jornal Giro S/A, Waldir Agnelo, disse que a expectativa é de que o seu projeto seja aprovado ainda este ano. Agnelo não se reelegeu.

“A intenção do projeto do Waldir Agnelo é revogar a lei em vigor, principalmente no que se refere ao banimento do cancerígeno amianto”, alerta João Eliezer de Souza, presidente da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto — Abrea.

Seo Eliezer é o símbolo da resistência. Desde 3 de novembro,  está de plantão na Assembleia Legislativa:  “Nós que sofremos a contaminação do amianto em nossos pulmões temos de resistir e impedir que ocorra o retrocesso que este projeto representa”.

*******

Amianto: deputados manobram para derrubar banimento em SP

Reportagem publicada originalmente pelo Viomundo em 16 de dezembro de 2009

por Conceição Lemes, do site antigo

Na Assembleia Legislativa de São Paulo, há uma máxima: na última semana do ano parlamentar, tudo pode acontecer.

A prática indica que pode mesmo. O orçamento estadual é votado. Estão em jogo R$ 125 bilhões, no caso de 2010. Para viabilizar a sua aprovação antes do final do ano, certos projetos de lei entram em pauta sorrateiramente ou por acordos esdrúxulos,  popularmente chamados “bodes”.

Ensaiou-se isso ontem, 15 de dezembro, com o projeto de lei 917/2009, do deputado Waldir Agnello (PTB), que “estabelece normas de transição para a lei estadual 12.684/2007”. Havia até torcida uniformizada, para animar o plenário. Os líderes das bancadas do PT, PSOL e PV reagiram à manobra. A lei 12.684, de autoria do deputado Marcos Martins (PT), baniu o amianto no estado .

Waldir Agnello recuou. Às 18 horas, os integrantes da torcida organizada – batem ponto! – se retiraram.  Agnello ficou então sem condições políticas de fazer passar o “bode”. Combinou-se que a votação ficará para 2010. Será mesmo?

A última semana do ano parlamentar termina somente amanhã, quinta-feira, às 24 horas. Logo, tudo pode acontecer. Até porque o orquestrador da manobra, o deputado Campos Machado, líder da bancada do PTB e presidente estadual do partido,  é demais conhecido por esses estratagemas. O projeto do petebista dá um prazo de 10 anos para a substituição do amianto.

“A intenção do projeto do Waldir Agnello não é estabelecer normas de transição coisa nenhuma, mas revogar a lei em vigor, principalmente no que se refere ao banimento do amianto”, denuncia João Eliezer de Souza, presidente da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto — Abrea. “Na prática, São Paulo corre o risco de retrocesso na histórica decisão política, que pôs fim ao cancerígeno amianto considerado a catástrofe sanitária do século XX.”

“O projeto do Waldir Agnello é extemporâneo”, afirma o deputado Marcos Martins. “Há 27 meses esta Casa aprovou por unanimidade o banimento do amianto no estado de São Paulo. Waldir era um dos mais entusiasmados. De repente, virou casaca. Por quê? É muito estranho.”

“Alguns deputados, seduzidos por promessas e informações distorcidas do poderoso lobby da indústria do amianto, resolveram apoiar o projeto do Waldir Agnello”, põe o dedo na ferida a engenheira Fernanda Giannasi, auditora fiscal da Superintendência Regional do Trabalho em São Paulo e gerente do Programa Estadual do Amianto. “Nunca vi tamanha sordidez contra a saúde pública. Um verdadeiro crime.”

PROJETO CIRCULOU A JATO PELAS COMISSÕES DA ASSEMBLEIA
A lei que proíbe o amianto no Estado de São Paulo foi aprovada por unanimidade na Assembleia Legislativa em junho de 2007. Em 4 de junho de 2008, numa decisão histórica, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou-a constitucional. Além de São Paulo, a fibra cancerígena está banida em Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

“A decisão do STF foi uma vitória histórica do direito à saúde, à prevenção de doenças e ao meio ambiente equilibrado”, avaliou na ocasião Mauro Menezes, advogado da Abrea e da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANTP).

“Pela primeira vez o STF eliminou as questões preliminares e foi ao cerne do problema, tomando por base trabalhos científicos idôneos”, afirmou Menezes. “O STF considerou de forma muito convicta que todo tipo de amianto, em função da lesividade ao ser humano, não se compatibiliza com uma questão maior que está garantida na nossa Constituição, que é o direito à saúde e à vida.”

Porém, em 9 de outubro, Waldir Agnello protocolou na Assembleia Legislativa o projeto de lei 917/2009. Em 19 de novembro – 40 dias depois –, ele estava pautado na ordem do dia. Em português claro: havia passado por várias comissões da Casa, inclusive a de Saúde, recebido parecer favorável para ir adiante e poderia ser votado pelo plenário.

Essa rapidez só foi possível devido à atuação de bastidores do deputado Campos Machado. Segundo alguns, o verdadeiro pai do projeto. Inicialmente, a intenção dele era que o projeto de lei fosse apresentado pelo deputado Estevam Galvão, do DEM. Não se sabe exatamente por que a tarefa coube a Waldir Agnello.  Estevam Galvão acabou sendo o relator.

“Os pareceres feitos por relatores especiais em nome das comissões de justiça e de saúde são verdadeiras aberrações jurídicas, científicas e médicas”, condena Fernanda Giannasi. “Eles premiam duas indústrias de fibrocimento [amianto] do Estado de São Paulo que, 17 meses após a decisão do STF, não se adequaram à nova legislação em detrimento de outras duas centenas que cumprem a lei.”

O Viomundo contatou insistentemente a assessoria de Campos Machado e Waldir Agnello. A resposta foi de que não dariam entrevista sobre o assunto. Não obteve retorno também da assessoria do deputado do DEM.

O Viomundo tentou ainda entrevistar o deputado Barros Munhoz (PSDB), atual presidente da Assembleia Legislativa. Primeiro, porque, devido ao cargo, tem, em tese, a prerrogativa de colocar em pauta o assunto que quiser. Segundo, porque é um conhecido defensor do amianto. Seus correligionários de Itapira, onde foi prefeito diversas vezes, eram proprietários de mina de amianto do tipo anfibólio, já proibido no país. Barros Munhoz não quis dar entrevista. Encaminhou para o Waldir Agnello, que desde o início recusou-se a falar.

WALDIR AGNELLO CONVERTE-SE E FALTA COM A VERDADE AOS COLEGAS
A transformação do deputado ocorreu neste segundo semestre. Em 7 de maio, ele compareceu à inauguração da nova linha de produção de uma empresa, em São José dos Campos, no Vale do Paraíba.

A visita rendeu esta nota para o seu blog: Novo produto dará fim ao amiantoWaldir_Agnello____reduzido_2.jpg

Agora a página contra o amianto sumiu. Em compensação, encontramos na internet a matéria Agnello defende seu projeto que pode reabilitar o amianto, publicada pelo jornal Bom Dia, em 13 de novembro.

jornal Bom Dia, W[1].Agnello defende seu PL-1_1.jpg

O projeto de Agnello parece redigido pela indústria do amianto. Para defendê-lo,  alega que:

… As empresas [fabricantes de produtos com amianto] do interior paulista vendem mais de 60% de sua produção no próprio Estado. Uma proibição imediata do uso de amianto, como prevê a Lei nº 12.684/07, acarretará inevitavelmente o fechamento dessas empresas.

…Calcula-se desemprego da ordem de 600 diretos e 2500 indiretos nos setores ligados à cadeia produtiva.

… aponta [estudo] o setor com um faturamento de R$ 2,5 bilhões ao ano, a existência de 17 fábricas pelo País e a geração de 170 mil empregos.

… Graças a esses avanços [tecnológicos e de segurança], não foram mais registrados casos de doença relacionada à exposição ao amianto entre os trabalhadores protegidos por adequadas condições de controle.

…devido às fibras estarem firmemente encapsuladas no cimento, não há nenhum registro na literatura médica de qualquer caso de enfermidade relacionada à exposição ao amianto crisotila. Em 1996, a OMS confirmou que não há qualquer evidência de que o amianto crisotila ingerido pelo consumo de água potável cause danos à saúde.

Só que Waldir Agnello faltou com verdade aos colegas parlamentares nas suas alegações. Veja por quê:

1. É inverídico que nenhum trabalhador adoeceu após 1980, quando as empresas adotaram medidas de controle. Na reportagem Morre Manoel, outra vítima do amianto, publicada em 14 de julho de 2008, o Viomundo denunciou isso. Há vários casos comprovados.

2. Já está cientificamente comprovado que todos os tipos de amianto são cancerígenos ao ser humano, inclusive a crisotila, extraída e comercializada no Brasil.

É a posição reiterada da Organização Mundial de Saúde (OMS). É também a de outras importantíssimas instituições científicas e/ou relacionadas à saúde do mundo. Entre elas, IARC (sigla em inglês da Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer, com sede em Lyon, França, vinculada à OMS), Organização Internacional do Trabalho (OIT), Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (INSERM), da França, e Instituto Nacional de Saúde e Segurança Ocupacional (NIOSH), dos Estados Unidos.

No Brasil, assinam embaixo o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e a Fiocruz, ambos no Rio de Janeiro, e a Fundacentro, em São Paulo.

3. “Não há limite seguro para exposição ao cancerígeno amianto”, ressalta a toxicologista Silvana Rubano, responsável pela área de Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho e ao Ambiente do Instituto Nacional do Câncer, o Inca, no Rio de Janeiro. “A melhor forma de eliminar as doenças relacionadas ao amianto é o seu banimento total.”

4. “A nocividade do amianto é inconteste”, afirma o médico e pesquisador Eduardo Algranti, diretor do Centro Colaborador em Saúde Ocupacional, da Fundacentro/OMS. “O amianto é o cancerígeno ocupacional mais descrito na literatura científica e um cancerígeno ambiental reconhecido. A OMS e a OIT entendem que a única forma de se prevenir as doenças associadas ao amianto é através da cessação da sua utilização.”

“A ‘utilização segura’ do amianto crisotila no seu ciclo de produção até o descarte final é inviável na prática, além de mentirosa”, vai mais fundo Eduardo Algranti. “Quem controla a sua ‘utilização segura’ na construção civil? Quem controla a sua ‘utilização segura’ em manutenção de máquinas, equipamentos e instalações que contenham amianto? Quem controla a sua ‘utilização segura’ em reformas e demolições? Quem controla a contaminação de locais previamente utilizados para armazenamento e/ou a produção de produtos contendo amianto?”

5. No Estado de São Paulo, existiam 170 empresas que trabalhavam com amianto crisotila e declararam essa condição ao Ministério do Trabalho e Emprego. Pois 168, responsáveis pela geração de 17 mil empregos, investiram altas somas em novas tecnologias isentas do cancerígeno amianto.  Apenas duas empresas se recusam a cumprir a  lei 12.684/2007, que baniu o amianto no estado: Infibra, de Leme, e Confibra, de Hortolândia.  As duas juntas geram 500 empregos.

“Essas 168 empresas não poderão retroceder por conta de sua imagem junto ao consumidor e sofrerão a concorrência desleal dos produtos de amianto, que já não se produzem mais no Brasil e que invadem o comércio paulista vindos da China e Índia, principalmente. Com a lei de proibição, temos como coibir esee comércio ilegal; se a lei for revogada, como pretendem os petebistas, isto virará realmente um negócio da China”, avisa a engenheira Fernanda Giannasi. “Em nome de 500 empregos, o Estado de São Paulo corre o risco de sacrificar 17.000 postos de trabalho e eliminar 168 empresas. É um absurdo!”

O deputado Marcos Martins salienta: “O projeto 917/09 desrespeita o princípio da estabilidade institucional e das regras econômicas, uma vez que sua aprovação pune os que já substituíram o amianto e beneficia os que não cumpriram a Lei 12.684/07”.

6. A cadeia produtiva alega que o setor do amianto 170.000 empregos no Brasil. Porém, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, não passam de 3.500. Eles foram fornecidos pelas próprias indústrias que usam amianto nos estados que ainda o permitem.

“A conta dos defensores do amianto é surrealista”, afirma Fernanda Giannasi. “O lobby inclui transportadores, trabalhadores do comércio e da construção civil que instalam estes produtos como se fossem gerados pela indústria do amianto. Em compensação, protegidos por uma liminar, escondem dos órgãos de saúde os números referentes aos trabalhadores e ex-empregados doentes e dos 1 milhão de expostos à fibra assassina. Uma ‘hemorragia’ que, se não for estancada com a  manutenção da proibição no estado de São Paulo, só crescerá.”

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40 comentários

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eunice

05 de março de 2012 às 18h02

O que interessa é ficar mais perto da Assembléia paulista. Pois até o dia de hoje ninguém se aproximou. É só notinha no PIG e nada mais. E ainda assim a favor de tudo o que ela vota.

Responder

Luci

22 de dezembro de 2010 às 12h13

A burguesia pôs o bloco na rua neste final de ano. São projetos com características de abuso de poder da minoria contra a maioria.E tudo tem a ver com a saúde do povo brasileiro.
Que se faça consulta popular para o povo manifestar-se, sobre o interesse da burguesia sobre o amianto. A consulta popular é parte da democracia plena.

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Jairo_Beraldo

24 de novembro de 2010 às 18h35

Parabéns ao deputado Agnello…não se deve abaixar às questões de grandes grupos economicos, para servir a seus interesses.

Responder

    Leider_Lincoln

    25 de novembro de 2010 às 16h56

    Parabéns?!? É da turma do Lereia, concidadão?

ana

24 de novembro de 2010 às 17h03

entrevista com Fernanda Giannasi, fiscal do trabalho conhecida por seu ativismo na luta pelo banimento do amianto, assistam, é bem reveladora… http://www.ecolnews.com.br/amianto_07_07.htm

Responder

Fernando

24 de novembro de 2010 às 11h59

Para além do binômio meio ambiente e desenvolvimento
http://www.brasildefato.com.br/node/5106

Responder

Cesar Ferreira

23 de novembro de 2010 às 22h22

O STF foi elogiado por ter julgado constitucional a proibição do amianto, porém, vejo como maior culpado nosso sistema judicial…
O caso é que sempre teremos deputados inescrupulosos defendendo interesses de empresas em detrimento do interesse da população assim como sempre existirão criminosos esperando para nos assaltar. Mas se a nossa justiça condenasse as empresas a pagar indenizações milionárias que anulem os lucros obtidos a custas do mal que fazem, esse tipo de problema não persistiria.

Responder

@paulo_benevento

23 de novembro de 2010 às 21h56

Continuo: (…) A declaração de inconstitucionalidade do artigo 2º da Lei 9.055/95 não tem aptidão de proscrever o amianto; apenas abrirá brechas para que os Estados regulamentem amplamente a matéria, no exercício da competência concorrente plena. Eis um bom motivo para que a indústria do amianto engrosse o lobby e se apresse na revogação de normas estaduais de banimento. A estratégia é simples: sem normas estaduais vigentes, voltamos a estaca zero. agora, devo dizer que também fico perplexo com o fato de que, embora haja um certo esforço, ainda que disseminado e pouco articulado de se construírem estratégias de contenção anti-amianto, pouco se ouve falar do imenso desafio que nos aguarda, a regulamentação do descarte seguro dos produtos que contém amianto na sua composição. Talvez este seja o maior de todos os desafios.

Responder

@paulo_benevento

23 de novembro de 2010 às 21h39

Algumas coisas me chamam a atenção. Primeiro, o fato de que há clara tendência em se carrear, para o âmbito dos parlamentos estaduais, os esforços de articulação política pró-amianto. Isso, por dois motivos. Primeiro, porque nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Rio de Janeiro as leis proibitivas permanecem em vigor e é bastante perceptível que isto venha a motivar o patrocínio de propostas legislativas que inovem a legislação regional e revoguem, pela via ordinária, as normas proibitivas. Foi assim em são Paulo, no ano passado e será assim neste fim de ano. Segundo, porque a ADI 4046, proposta pela proposta pela ANPT e pela Anamatra persegue a ineficácia do artigo 2º da Lei 9.055/95 e pretende que a ineficácia deste artigo torne proibitiva em relação ao amianto, o que me parece um equívoco. O artigo 1º da Lei 9.055/95 é taxativo quanto às variedades proibidas de amianto. O artigo 2º da Lei apenas reforça uma permissividade que decorre do próprio artigo 1º. Isso é da maior relevância, pois a perda de eficácia do artigo 2º não acarretará, como se quer acreditar, a proibição do crisotila, pois esta variedade de asbesto não foi relacionada no artigo 1º. Daí o absurdo da situação. A declaração de inconstitucionalidade do artigo 2º da Lei 9.055/95 não tem aptidão de proscrever o amianto; apenas abrirá brechas para que os Estados regulamentem amplamente a matéria, no exercício da competência concorrente plena. Eis um bom motivo para que a indústria do amianto engrosse o lobby e se apresse na revogação de normas estaduais de banimento. A estratégia é simples: sem normas estaduais vigentes, voltamos a estaca zero. agora, devo dizer que também fico perplexo com o fato de que, embora haja um certo esforço, ainda que disseminado e pouco articulado de se construírem estratégias de contenção anti-amianto, pouco se ouve falar do imenso desafio que nos aguarda, a regulamentação do descarte seguro dos produtos que contém amianto na sua composição. Talvez este seja o maior de todos os desafios.

Responder

Elias

23 de novembro de 2010 às 21h19

gostaria de saber se algum de vocês que defendem o banimento do amianto e sua troca por fibras feitas a partir do petróleo(corretamente ecológico não poluidor que tem muitos estudos que não causa nenhuma doença nas pessoas) sabem que o amianto é banido em alguns paises e usado em mais de 130 paises iclusive Russia e Canada, ocorreu a voces que quem financia esta campanha são os franceses do grupo san goban ( brasilit ) e um escritório de advocacia americano.pesquisem conversem com quem trabalha e trabalhou de verdade com amianto com regras e normas criadas para proteger os trabalhadores voces ja ouviram falar do CNTA e seu trabalho acho que não estudem um pouco o assunto antes de escreverem besteiras sobre o uso controlado do Crisotila

Responder

    @paulo_benevento

    25 de novembro de 2010 às 17h33

    Ok, aceito a sua provocação, meu caro. Diga-me uma coisa, aliás, se não se importa, gostaria de pedir um conselho, porque estou com um problema. Um vizinho de um cliente , está reformando a casa e resolveu derrubar a garagem. Acontece que ela é coberta com telhas que contém amianto e ele – o vizinho – que não sabe nada de amianto, tampouco, de Saint Gobain, Brasilit e escritório de advocacia americano, pôs o telhado abaixo e está triturando as telhas à marretadas, para que elas caibam em sacos de entulho. Como dá um trabalhão fazer isso, há um mês, as lascas estão amontoadas no terreno. As lascas estão liberando fibras que vão se espalhando…… Você que estudou bastante e não diz besteiras, poderia dizer o que fazer, além de ingressar com uma ação judicial, imediatamente, para que o juiz ordene a remoção do material?

ary

23 de novembro de 2010 às 21h17

Lobby tudo bem. Mas tem que ter um mínimo de moralidade. Um indivíduo legislar por um produto que faz mal às pessoas é sacanagem.

Responder

Ana Cláudia

23 de novembro de 2010 às 18h45

Vc tem alguma caixa postal para onde eu possa lhe enviar um material sobre o assunto?

Responder

cesar a giometti

23 de novembro de 2010 às 17h53

Se o negócio é um veneno, e sobre isso não há mais dúvidas, temos que proibir até a exploração mineral do amianto. Esse deputado depois diz que vai defender os empregos de que trabalha nessa indústria. Se temos que barrar essa exploração, que seja já, inclusive desmascarando a estratégia do deputado Agnelo que se arvora em interesses escusos, ao mentir travestindo esses interresses em interesses comunitários. Dever-se-ia perguntar ao mesmo quem financiaria os doentes, após a exposição ao amianto que ele quer incentivar. Isso é falsidade ideológica.

Responder

    Lênin

    24 de novembro de 2010 às 00h18

    Ahhh, mas sabe como é, o lucro vai cair!!
    Enquanto isso, a vida de gente humilde que trabalha diretamente com amianto, vai para o saco.

mello

23 de novembro de 2010 às 17h44

O argumento da perda de empregos vinculados ao amianto serve para o crack. Tem muita gente envolvida na prospecção, produção, distribuição e venda da droga, tão maléfica como o amianto. Devem ser banidos o crack e o amianto.

Responder

marta

23 de novembro de 2010 às 15h43

Olha, estive em NY o ano passado e fui ver o tal buraco do 11/09. Tem um edifício lá que foi danificado e eles estão demolindo andar por andar porque as paredes eram de amianto e não podem implodir, pois poluiriam toda a ilha com o pó. Não devem estar fazendo isso de bonitos, pois devem estar gastando muito . Sinal que o tal de amianto é cancerigino sim. Aliás, já foi proibido em quase todas os países.

Responder

Aracy_

23 de novembro de 2010 às 14h50

O Brasil é um dos cinco maiores produtores mundiais de amianto branco (crisotila). Da mina de Minaçu, em Goiás – única fonte de amianto em exploração na América Latina – são extraídas cerca de 200 mil toneladas/ano, e boa parte é exportada para outros países em desenvolvimento. Pelo menos 2.500 trabalhadores basileiros das indústrias que utilizam amianto estão gravemente doentes e muitos outros estão condenados a desenvolver doenças incapacitantes nos próximos 30 anos.
Abaixo o "lobby" das multinacionais produtoras de telhas e caixas d´água, para não atrasar ainda mais a proibição do uso do amianto em todo o território nacional.

Responder

Adroaldo Lima L.

23 de novembro de 2010 às 14h33

acreditavamos que o amianto estava definitivamente fora do mercado por sua alta caracterista cancerigena comprovada ha decadas. nada justifica a sua utilizaçao.

Responder

Fernando

23 de novembro de 2010 às 14h08

Agronegócio apoia campanha de Aldo

Setores interessados em flexibilizar o Código Florestal financiaram a campanha de 11 dos 13 deputados que votaram a favor do relatório de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), aprovado por comissão especial da Câmara. O próprio Rebelo foi um dos beneficiários ao receber neste ano verbas de empresas ligadas ao campo. Só de cooperativas de produtores de café, cana e laranja, Rebelo recebeu R$ 130 mil. Os cafeicultores têm interesse direto na alteração da lei sobre florestas. Grande parte do café plantado no sul de Minas e no Paraná está em encostas, áreas de preservação permanente (APPs). O parecer de Rebelo tira encostas e topos de morro da categoria de APP e anistia de multa os desmates até julho de 2008 – FSP, 13/11, Ciência, p.A24.

Responder

Fernando

23 de novembro de 2010 às 13h41

É muito fácil botar o pau no amianto porque ele não é mais produzido na Europa e EUA. Tudo que deixa de ser produzido nos países ricos se torna amaldiçoado por eles mesmos e querem que os países que possuem as coisas que eles não tem mais se tornem amaldiçoado.
Assim foi o café, a borracha natural, o cigarro, as peles de animais, as hidrelétricas, o clorofluorcarbono, o carvão, etc, etc e etc..
Agora tão botando o pau no petróleo, porque já estão fabricando carro elétrico e porque ja não conseguem controlar as grandes jazidas.
Por que não combatem as usinas nucleares? Porque é o único meio gerador de grande quantidade de energia, mas querem que países pobres não fabriquem o combustível porque gera muitos trilhões de dólares anuais e deve ficar nas mãos deles, isso sem falar que mais de 90% das famigeradas Organizações para Barrar o Crescimentos dos Países Pobres – que eles chamam de ONG, são originadas na Europa e EUA, tudo com o intuito de não deixar que países de segunda linha avancem no bem estar social e econômico.
Qualquer dia destes eles vão querer banir o heterossexual da face da terra.

Responder

    Leider_Lincoln

    25 de novembro de 2010 às 17h01

    Nossa, foi longe hein? Esse discurso "conspiração dos países malvados do norte" é a cara do lobby do amianto… Está fazendo por ideologia ou intere$$e pe$$oal?

Julio Silveira

23 de novembro de 2010 às 11h30

Certas Leis que envolvem a saude humana deveria ter uma clausula em que o legislador tivesse que se expor executando por pelo menos um ano a atividade, nas mesmas condições que os operarios.
Preconizar ser saudavel de dentro de um escritorio, com todos os luxos dai advindos é no minimo uma indescência.

Responder

Roberto

23 de novembro de 2010 às 11h23

É preciso pesquisar o que o Rachel ta dizendo porque, isso é muito sério e podemos estar nas mãos anti LULA

Responder

turmadazica

23 de novembro de 2010 às 10h45

A culpa é da elite separatista de SP… Sempre é não?????

Responder

Escrevinhador

23 de novembro de 2010 às 10h31

[…] por Conceição Lemes, no Viomundo […]

Responder

MirabeauBLeal

23 de novembro de 2010 às 10h18

.
Na visão dos capitalistas neoliberais,

O SER HUMANO É UM MERO DETALHE DESCARTÁVEL NA CADEIA PRODUTIVA.
.

Responder

eli

23 de novembro de 2010 às 08h50

Desde 1997 que na Europa, precisamente França e outros , já estava montada uma operação de guerra para retirar tudo e qualquer coisa de amianto. Aqui, 13 anos depois, ainda, lutam para manter o amianto.

Responder

Andre Diniz

23 de novembro de 2010 às 09h09

Que se coloque placas de amianto nos gabinetes dos deputados da ALESP.

Responder

Rachel

23 de novembro de 2010 às 09h00

Caro Azenha, desculpe não tem nada a ver com o post é que estou tentando falar sobre isso com o PHA no Twitter, escrevi também para o Eduardo Guirmarães, mas parece que não estão me lavando a sério. Então resolvi procurar na Internet e parece que não sou a única que não consegue acessar o Conversa Afiada, isso já tem mais ou menos uma semana. Não sei o que pode ser feito além de mudar de provedor (em casa e no serviço tenho a Net). Meu endereço no Twitter é @Rachel_Fiori e estou seguindo o Vi o Mundo… Se é realmente um boicote da Net, acho que isso deveria pelo menos ser divulgado. Veja o que encontrei…

Sonia L. Souza says:
November 18, 2010 at 1:26 pm

Não consigo acesso ao site do PHA, Conversa Afiada, faz dois dias. Minha internet é Net Vírtua, meu PC não apresenta nenhum problema e não estou tendo problemas com nenhum outro site. Estranhei. Mistério…
Coincidência ou não, comecei a não ter acesso depois que foi veiculado aquele vídeo do Prates dizendo que pobre não pode ter carro. Moro em Florianópolis.
Reply

*
LEN says:
November 19, 2010 at 11:10 am

Sônia, quando eu não consigo acessar diretamente o conversa afiada eu leio o que ele escreve lá através de uma leitor de rss…também é possível ler os cachês do google, que são atualizados todos os dias, no caso você lê um backup que eles (google) fazem da página, daí não importa se o caminho para o conversa afiada está indisponível porque os arquivos estão nos servidores google. Espero que tenha ajudado.

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Gerson Carneiro

23 de novembro de 2010 às 08h11

É possível sancionar algo contrário à decisão do STF?

Esse caso prova como o PSDB juntamente com o DEM agem contrários ao interesse público em São Paulo.

E a negativa, tanto do Barros Munhos quanto do Waldir Agnello, em dar entrevista assumindo o posicionamento comum aos dois em relação à questão, demonstra uma falta de transparência absurda, revela a covardia de quem age na surdina movido por interesses obscuros. Interesses estes que até desconfiamos quais sejam. É uma podridão. Mas em campanha eleitoral aparecem maquiadinhos, bonitinhos, sorridentes, posando de "defensores do povo".

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Jairo_Beraldo

23 de novembro de 2010 às 08h03

Aproveitando a deixa, que houve com Jacques Wagner? No inicio do ano desalojou os proprietarios de quiosques na orla de Salvador, colocando na miseria familias que viviam dos redimentos destes. Agora manda a policia atacar com violencia descabida os moto-taxistas…será que ele incorpora de vez em quando o espírito do Padim Pade Cerra? Será outro tucano inrustido, tal qual Palocci e Cardozo?

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    José Ruiz

    23 de novembro de 2010 às 09h26

    Ôpa, há uma séria inconsistência aí: quem desalojou os proprietários de quiosques na orla de Salvador foi o prefeito João Henrique, do PMDB. A mesma coisa em relação aos mototaxistas. Essas são funções do município: não existe nenhuma relação com o estado. Porque culpar o governador?? Além disso, faltou aprofundamento na denúncia: apesar das inúmeras barbaridades cometidas pelo João Henrique, que na minha opinião não é um homem sério, ter desalojado os quiosques da orla de Salvador foi uma medida acertada. A praia e um espaço público. Sem contar os sérios problemas ambientais que os tais quiosques proporcionavam…

    turmadazica

    23 de novembro de 2010 às 10h45

    Touché

    Gerson Carneiro

    23 de novembro de 2010 às 11h41

    um parêntese:

    certa vez eu estava perambulando pela praia de Stella Maris, cabisbaixo, sem grana, resolvi oculpar uma das trinta mesinhas desocupadas de um dos tais quiosques. eis que chegou o garçon e perguntou se eu queria alguma coisa. disse que não. na terceira vez, em menos de 20 minutos, eu disse que queria um guaraná (só a fim do garçon me deixar em paz) o garçon então não trouxe o guaraná, trouxe um segurança que diretamente me disse que quem não tinha dinheiro para consumir bastante deveria cair fora dali. a mim restou apenas dizer sim senhor e cair fora rapidinho, morrendo de raiva e sem ter o que fazer. ou seja, tudo tem no mínimo, dois lados.

    Jairo_Beraldo

    23 de novembro de 2010 às 19h23

    Concordo cunpadi….eu vejo o lado de quem o trabalho para subsistir…este lado que me interessa… e já viu, né…nem pobre gosta de pobre…sem maldade!

    Gerson Carneiro

    23 de novembro de 2010 às 20h45

    É cumpade… nóis veve de teimoso.

    Jairo_Beraldo

    23 de novembro de 2010 às 21h17

    Teimosos e perseverantes…e vamu que vamu!!!!!!!!!

    Matheu

    23 de novembro de 2010 às 12h09

    Você deve ter apoiado a derrubada das barracas porque não deve ser frequentador de paraias em Salvador. As barracas faziam parte de nossa cultura e eram concessões. Por seu raciocínio, que se derrubem todas as TVs brasileiras, pois o espectro eletromagnético é um bem público também.

    Lucio Dias

    26 de novembro de 2010 às 12h03

    Jose Ruiz, aqui em João Pessoa-PB a situação era a mesma. Os barraqueiros ocupavam um espaço que era publico, sujavam as praias, ofereciam pessimo serviço aos turistas e usuarios. A prefeitura derrubou os quiosques e aí fizeram um barulho danado mas não teve jeito. A prefeitura urbanizou as praias e ficaram lindas com praças, calçadões etc. Resultado: o Povo apoiou o prefeito e está super satisfeito. A praia é de todos e não de alguns apenas.


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