VIOMUNDO

Diário da Resistência


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Adilson Filho: Nós não precisamos de violência para sermos ouvidos


03/10/2013 - 19h42

Nós, professores, queremos e precisamos ser ouvidos pela sociedade, mas não queremos e não precisamos de violência para que isso aconteça

por Adilson Filho, especial para o Viomundo

É inadmissível que um Estado submeta os profissionais da educação a essa situação vexatória que atenta não só contra a sua dignidade mas também contra a sua integridade física. Com todos os problemas que possam existir em todos os lados dessa história, o Estado do Rio de Janeiro não pode fugir da sua responsabilidade de garantir a vida dos seus cidadãos em toda sua plenitude.

É inadmissível que as Forças de Segurança do Estado não protejam a população contra a ação de marginais que quebram tudo o que veem pela frente, destroem o patrimônio público indiscriminadamente e são capazes até de atentar contra a vida, como vimos no Centro da Cidade. (Fossem eles favelados fazendo o que fizeram, teríamos assistido a uma chacina aqui no Rio)

É inadmissível que políticos da estirpe de “Fulaninho da SOS” ou “Sicraninha do Posto” decidam o futuro da Educação no Rio de Janeiro. E nesse ponto, é hora daqueles que pegam carona nos Jabores, Mervais da vida, que vivem de demonizar a atividade política nas redes sociais, que façam uma profunda revisão de seus valores para ver a que ponto que o distanciamento pelo ódio, a crítica destrutiva que nada propõe, permite que pessoas como essas ascendam a cargos que destinarão o futuro dos nossos jovens.

É inacreditável e deprimente que uma imprensa comprada (isso mesmo, com-pra-da) produza matérias diárias colocando a sociedade contra os profissionais de educação.De um lado O Dia, a folha oficial do governador, de outro O Globo, que mama seu leite nas tetas da prefeitura com o dinheiro do FUNDEB.

É inaceitável que o partido que preside a nação participe de um governo decrépito, corrupto e covarde, que bate em professores no lugar de tratá-los com o respeito que merecem. O mínimo que esperamos é um pronunciamento da Sra. Presidente enérgico, como ela sabe muito bem ser quando necessário e conveniente.

É igualmente inaceitável que políticos e intelectuais formadores de opinião, que parecem ainda viver com a cabeça no século XIX, tamanho o cinismo das ideias que defendem, instrumentalizem jovens mascarados sem nada na cabeça, para de forma violenta e até assassina (como potencialmente mostraram do que são capazes) fazerem “a revolução” no seu lugar. Covardia, não há outro termo.

É muito difícil de assistir a uma certa “galerinha revoltada” que vai as ruas fazer a sua revolução (sei que não são todos, mas olha são muitos, podem acreditar). Burgueses mimados que xingam PMs e promovem corre-corre e depredações que simplesmente detonam o movimento de trabalhadores honesto e sofrido como é o nosso dos professores.

Nesse sentido, é também inadmissível que professores ‘incitem’, mesmo que sem se dar conta, alunos da escola pública – que abriga os estratos mais pobres da população – a uma tomada de consciência para se engajarem numa luta, sem que muitas vezes tenham a capacidade de discernir sobre a complexidade dessa causa tão singular e delicada. Será que se fossem alunos da escola particular agiriam assim? Ou melhor, gostariam de ver seus filhos menores de idade se comunicando nas redes sociais e até nas ruas com adultos cujas motivações e interesses não sabem ao certo quais são?

Por fim, é ainda absolutamente inadmissível que um sindicato legitime (mesmo que por omissão) professores exaltando a ação de “aprendizes de marginais” como se fossem anjos guerreiros a serviço da boa causa, vinculando educação a criminalidade. Assim como é espantoso ver alguns “educadores” se misturando nas ruas e nas redes sociais a esses grupos que mostraram que podem ser muito mais violentos do que supúnhamos. O resultado está aí.

Produzir violência para cobrar segurança é a base dos grupos milicianos; arrumar problemas para vender soluções, a base da malandragem de mercado.A diferença é que esses caras, pelo que tudo tem mostrado, só querem status, só isso. Só querem fama. Apenas isso. Se aproveitam, agora, do desespero de uma categoria e da boa fé alheia para dizer que estão solidários àquela causa. Eles estão com todas as causas, claro! Desde que tenha sangue, tiro e bomba para fazerem o playground deles, atiçar a ira de uma polícia despreparada e fascista que responde da única maneira que aprendeu a fazer. Polícia esta, diga-se de passagem, que foi formada pelos antepassados de uma burguesia que hoje vai às ruas “brincar de revolução”, xingar e tacar pedras nos seus “capitães do mato do séc. XXI”, capachos que só lhe servem para pegar o pretinho que roubou a bolsa ou para ser subornado na próxima esquina.

E é nesse estado de anomia social em que vivemos, que, depois de um episódio tão triste como esse, eu digo que só acredito em uma mudança: a que começa por cada um de nós, cada ator, cada personagem – governo, políticos, professores, alunos, sindicatos e a sociedade de uma maneira geral. Que cada um olhe para si nesse momento, observe a sua parte, faça uma profunda autocrítica, reflita bastante sobre o seu papel e veja o que pode fazer para ajudar a transformar radicalmente a Educação na cidade do Rio de Janeiro.

Eu, como professor que ralo pra cacete (me desculpem o termo) e ainda arrumo energia e tempo para dar o meu quinhão nessa luta do dia a dia pela Educação, nas ruas, nas redes e em todos os fóruns possíveis; eu, como trabalhador que quero exercer meu justo direito a manifestação e a livre expressão nas ruas, direito este que me é garantido constitucionalmente, EXIJO do Estado que disponibilize as suas forças de segurança, não para me bater, mas para evitar essa guerra que se transforma TODA e qualquer manifestação.

Segunda-feira, circula nas redes um chamado para o Grande Ato em favor da Educação no centro da Cidade.

Ora, não precisa ser nenhum gênio para saber que de hoje até lá, esse ato será capturado por outros grupos nas redes sociais, que será usado de todas as formas para que os mesmos de sempre se juntem para que tudo termine num imenso quebra-quebra, com bombas, sangue, saques e destruição generalizada. Depois, chegam em casa e correm pro Facebook para postar aquele “vídeo irado” e a foto mais real da guerra que ‘honrosamente’ participaram no do dia anterior.

Pois eu digo, quase tremendo de indignação aqui nesse teclado, que eu, assim como muitos colegas de luta, estou absolutamente farto, saturado disso tudo. Que detenham essas pessoas de forma preventiva, sem violência e sem alarde, e que deixem os profissionais de Educação darem uma grande demonstração de força contra o autoritarismo de um Estado a serviço do poder econômico que está arruinando com a escola pública no Rio de Janeiro.

Nós, professores, queremos e precisamos ser ouvidos pela sociedade, mas não queremos e não precisamos de violência para que isso aconteça.

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26 comentários

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Adilson Filho: Anonymous tira do ar site de Sindicato; é o fim da picada - Viomundo - O que você não vê na mídia

28 de outubro de 2013 às 12h37

[…] Adilson Filho: Nós não precisamos de violência para sermos ouvidos […]

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Gerson Carneiro: A solidariedade seletiva da presidenta Dilma - Viomundo - O que você não vê na mídia

28 de outubro de 2013 às 10h45

[…] Adilson Filho: Nós não precisamos de violência para sermos ouvidos […]

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IGOR TKACZENKO

06 de outubro de 2013 às 21h41

Oi Adilson, continuo discordando de você: jamais a polícia será um instrumento aqui no Brasil capaz de fazer essa operação sem cometer inúmeras injustiças por prejulgamentos, aliás, essa forma de prisão já é em seu entendimento um pré-juízo de crime, e realizá-la por indícios é outro erro grave, pois indícios são muito discriminatórios, até juridicamente falando é passível de processo, ou seja, realmente um problema e tanto quando pensamos nos fundamentos basilares da democracia.

Agora, eu dizer isso não implica que não penso em evitar a violência ou corroboro com ela, sei o quanto ela é negativa para o nosso movimento, mas também defendo energia frente à repressão e à falta de liberdade, como fiz até ao ponto de acuar a polícia para que ela exercesse sua função de vigília e de não repressão e arbitrariedade. A prática é o que vale, é o que se faz e não o que se diz que importa, portanto, sendo prática, essa é a verdade da polícia que temos: discriminatória e preconceituosa, capaz sim de fazer julgamentos, daí, não enxergo o sofisma que disse, pois não afirmei que você faria o julgamento, não deixei nem isso intencionado com base lógica, ao contrário, deixei claro que o julgamento é da polícia. Portanto, não vejo nada de subjetivo nisso.

Concordo com você que uma postura mais enérgica pode acirrar um clima de fla x flu desproveitoso para a causa, principalmente devido à manipulação midiática, mas também é exercício do direito civil pleno, foi o que fiz, e fiz por amor a esse meu direito civil. Aliás, não agredi ninguém, não levantei a mão para ninguém, agi de maneira honrosa como você disse, e lhe agradeço, obrigado. Mas gritei sim, com muita força como se estivesse educando um menino secularmente mal educado. “Lutar pelo que acredito sem fazer concessão”, concordo plenamente com você.

Deixo claro também, Adilson, que não sou contra prisões de crimes em curso, que se identifiquem quem os fazem, não defendi e nem defendo postura criminal de ninguém, sei que você também não quis dizer isso. Porém, é bom que eu diga: não incito à violência e não deixo que pensem assim meus alunos menos desprovidos de discernimento. Posso até “brincar” com alunos em ser um Black Bloc, mas jamais deixo que pensem ser um caminho viável, sou e sempre fui contra a depredação, violência, quebra-quebra e qualquer atitude mais primitiva humana em nossas manifestações. Defendo o professor de cara limpa, rosto exposto e toda a sua moral e ética que compõe este quadro.

Sobre o que chamei de conservador, é o uso da polícia fascista e despreparada que temos. Portanto, conservador seria usar a mesma ferramenta defeituosa para garantir a liberdade de manifestação, mas sem levar em conta as reais possibilidades de injustiças devido ao caráter de prisão preventiva dado a uma polícia fascista, despreparada e incompetente! Simples, é conservar o que está aí. Prisão preventiva é um erro, e acho que isso sim vai alimentar ainda mais o clima de flaxflu, pois a polícia não tem competência para essa ação, e, para falar a verdade, não consigo pensar que você, sensível que é, também não desconfie disso, to falando na boa

Não entendo, também, quando você diz que legitimar grupos assim (violentos) é colaborar com a mídia, não que esteja errado o que fala, mas por que me diz isso? É claro que penso assim também, aliás, foi o que deixei bem claro sobre o único proveito da violência em nossas manifestações, que é para a manipulação da mídia e o governo fugirem da pauta pedagógica reivindicada. Agora, acho impossível que eles não apareçam e se infiltrem, e não é por isso que “eu” (manifestação dos professores) os legitimo, sinceramente! Adilson, como você mesmo disse: temos que ter uma visão mais humanista de tudo que está acontecendo. Porém, isso também cabe aos Black Blocs, por que não? De onde vem a delinqüência e a criminalidade? Mesmo que se prendam muitos, muitos mais virão, pois os Black Bocs, ou qualquer juventude aí transviada, é uma causa real e podemos enxergar uma qualidade negativa dela enquanto prejuízo social que o próprio país gerou com décadas de descaso na educação pública e total complacência da classe média mais abastada e acomodada. É o patinho feio. Não sou eu que (professor) está legitimando a insurgência deles, mas sim essa realidade que a sociedade agora tem que engolir. Caro Adilson, entenda que isso é uma visão crítica e não significa que estou deste ou do outro lado, apoiando. Toda essa delinquência vem dessa imaturidade e revolta por, agora, perceberem que são frutos dessa lógica excludente proposital do governo, e isso por décadas e décadas, mas infelizmente se percebem como um fruto ruim. Isso é o processo de conscientização crítica, porém, mal canalizado e limitado, pois foi deixado de lado, abandonado, sem educação. Isso, a meu ver, que legitima – do ponto de vista de uma gênese -, os Black Blocs e tantos outros em suas aparições, e não o fato de estarem infiltrados em nossas manifestações! Essa delinquência cumpre, de uma certa maneira, a voz como um um tapa na cara da sociedade moralista e displicente nas cobranças sobre os governantes que existiram/existem, ou seja, a elite não cobra a sua própria elite e ainda quer criminalizar seus patinhos feios, não reconhece a sua própria ineficácia. Isso é uma realidade, e não meu ponto de vista, não uma parcialidade minha. Portanto, se parece que estou dando uma função, ou legitimando Black Blocs da vida, e que sou a favor disso, bom, isso seria um entendimento equivocado, eles se legitimam pelo descaso secular social e notória burrice das classes dominantes até os dias de hoje. E esta gênese deles deixa bem claro que tem muitos ainda por aí. Finalizando, não dá para se prender preventivamente pois não temos uma ferramenta competente para isso, e nem evitar a aparição, nós os professores que temos que abrir o diálogo com eles, sim, isso mesmo, mostrar que não apoiamos essas atitudes, devemos nos aproximar e pedir mesmo pela paz, e nem isso é legitimá-los, mas sim apontar uma orientação de ação que defenda nossa imagem enquanto educadores e a nossa pauta, que tem propósitos bem claros, que temos conteúdos e sabemos muito bem pelo o que lutamos e queremos.

E, sim, continuo achando que você deu uma generalizada ao pontuar a questão dos professores quando incitam alunos a participarem nas lutas, porém, sem que estes tenham muito discernimento. Participar sem muito alcance intelectual do que está ocorrendo é invariavelmente partir para a violência? Foi isso que entendi sobre o que escreveu, talvez, de fato, minha leitura não tenha alcançado a sua visão naquele ponto específico. Mas a luta pode ser feita pacificamente até por aqueles que ainda não têm total compreensão do que está ocorrendo.

Por fim, concordo com você que o caminho da violência é uma esparrela para o movimento, e que melhor são as batalhas que nos metemos quando temos plena consciência do que são e quais vitórias podemos conseguir. Lutar contra o estado fascista é uma delas, pois se há uma insurgência do fascismo apontada por você nas manipulações de artistas, políticos, intelectuais e professores frente a esses grupos violentos de adolescentes, ora, antes disso já há o estado fascista instaurado, e isso reforça ainda mais a minha total impossibilidade de compreender como você quer usar a polícia fascista oficial para garantir uma liberdade de manifestação sem causar ações injustas a outros? Complicado…

E um outro ponto de vista que esqueci de colocar, Adilson. Mesmo que por um grande milagre a polícia seja competente o suficiente para prender preventivamente sem, no entanto, cometer prejulgamentos, arbitrariedade e discriminalização nessas prisões, o que garante ao movimento que a mídia dará o destaque da pauta como deve ser? Só pelo fato de não termos “delinquentes” em nossa passeata? Não acredito que você acredite nisso, pois é muita ingenuidade. Mídia e governo têm outros interesses, bem o sabemos, e jamais entrarão nas reais relevâncias da discussão pública sobre a educação. Portanto, prisão preventiva é um equívoco sim, professor, ainda mais quando sabemos que jamais essas operações serão bem executadas pela polícia que temos. Como eu já disse, isso apenas pode gerar sim um maior clima de rivalidade, de injustiça, de repressão e elevação do clima flaxflu, como você colocou. É assim que vejo, mas concordo plenamente contigo quando devemos sim nos afastar dessa violência, só que não podemos nos garantir nas ações da polícia, salvo em situações de crime ocorrente, flagrantes de quebra-quebra e violência, como você disse, e acho que o professor tem o dever de denunciar isso até. Mas o afastar dessa violência deve ser feita pelo movimento, como eu disse anteriormente. E concordo quando você coloca o SEPE como um omisso de forma a aceitar esses contatos, essas infiltrações, e ainda alguns professores apoiarem esse tipo de ação. É isso companheiro. Abraço e vamos que vamos! É no embate de ideias que a luz aparece.

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    Adilson

    07 de outubro de 2013 às 14h29

    Prezado Igor, acho que você se confundiu um pouco, não falei em prisão de ninguém e muito menos baseada em indícios, mas sim numa ação de prevenção que impeça pessoas que estejam com pedras nos bolsos, pedaços de pau, etc_, causem tensão aos professores que ali estão para protestar, uma ação de prevenção que evite a violência antes que ela comece. É só você reler com calma que verá, tudo bem? O fato dessa polícia não ter condições ou interesse em fazer isso, não me fará desistir de cobrar; esse governo que aí está, também não tem interesse em oferecer a sociedade a Educação que ela merece, mas nem por isso e vou deixar de cobrá-lo com todas as minhas forças. Como cidadão, vou lutar até o fim exigindo que se cumpra a lei e pelo NOSSO direito de manifestar indignação contra o que temos enfrentado, sem sofrer violência. Se o Estado não é capaz de fazer dessa forma, ok, mas eu, até onde eu puder, farei. Espero ter esclarecido.
    Abraço e sigamos unidos.

    Carlos

    08 de outubro de 2013 às 10h00

    Mais tentativas de esconder a verdade: Ontem o que eu vi, e ouvi, foi a tentativa de desestabilização da polícia por grupos, QUE CAMINHAVAM JUNTO A MANIFESTAÇÃO “PACÍFICA”. Estes grupos entoavam, a pleno pulmões, musiquinhas como: “Se estudassem não seriam PMs. Ao lado, moleques de máscara, adotavam posturas de confronto com a polícia, polícia esta que está trabalhando, que é o braço da lei e que, por questões políticas suportadas por uma imprensa imbecil e tendenciosa, é obrigada a ficar inerte, recebendo dedo na cara de moleques e senhoras.
    A lei tem que ser a lei.
    A rua está aí, solidária a qualquer reinvidicação, desde que justa e fundamentada. Mas nós, cidadãos de bem, não podemos mais ficar inertes enquanto grupos de moleques arrasam nossa cidade apenas com objetivos políticos (são pagos). São ladrões, facínoras que breve estará roubando aquela senhora que colocou o dedo na cara da lei.

    Isso prezados: amordacem e acorrentem a lei, mas depois não reclamem. Quando começarem a perder ou a ter seus bens depredados, seus filhos espancados por grupos de bandidos, quando estas coisas fizerem parte da sua rotina (o que não parece estar muito longe de ocorrer) lembrem-se que a polícia nada poderá fazer, pois irá configurar um ato de “violência policial”.
    Enquanto são os bancos, praças e patrimônio público expliquem/dissertem, com suas teses de mestrado ou doutorado (a maioria de 2a categoria). Qoero ver o discurso quando for SUAS casas, SEUS bens.

    IGOR TKACZENKO

    11 de outubro de 2013 às 00h30

    Oi Adilson, você está certo. Confundi algumas coisas sim. O momento político que estamos vivendo é delicado demais, a emoção tomou meu ser e acho que fui até um pouco rude com você. Certo de sua compreensão, sei que aceitará minhas desculpas. No mais, continue com sua perseverança e coragem ao apontar de maneira bem clara a covardia com que pessoas (professores, artistas, políticos, intelectuais) têm manipulado toda essa rebeldia de jovens que, na maioria das vezes, nem sabem o que efetivamente estão fazendo e pelo que estão lutando. É constrangedor ter que aceitar esta realidade de que educadores têm tomado esta atitude. Afinal de contas: um educador que age assim, ao que ele está mirando? Abç

maria

05 de outubro de 2013 às 17h14

O Professor chama a atencao sobre uma possibilidade relevante, estamos formando uma geracao de fascistas com pretextos de discurso de esquerda?Adaptando um artigo de Paulo Moreira Leite sobre Hannah Arendt: “A leitura de Hanna Arendt, uma das mais fecundas estudiosas do nascimento de movimentos totalitários que levaram às piores ditaduras do século passado, permite interessantes comparações com aquilo que se diz e se faz no Brasil de hoje. Não tudo, mas boa parte, pelo menos.
Hanna Arendt explicou que os movimentos contra uma democracia ainda em gestação na Europa entre as duas Guerras precisaram de “uma grande massa desorganizada e desestruturada de indivíduos furiosos, que nada tinham em comum exceto a vaga noção de que as esperanças partidárias eram vãs; que, consequentemente, os mais respeitados, eloquentes e representativos membros da comunidade eram uns néscios e que as autoridades constituídas eram não apenas perniciosas, mas também obscuras e desonestas.” (“Origens do totalitarismo”, página 444).
…dar ao povo um tratamento de ralé, estimulando, acima de tudo, a busca de um líder autoritário – para empregar, mais uma vez, a análise de Hanna Arendt. Para ela, povo é aquele movimento social articulado a partir de interesses concretos e definidos, inclusive de classe social, que reage para defender seus direitos quando são atacados – e por isso ela identifica povo com a democracia.
Já a ralé, no sentido político, é formada por uma massa de cidadãos de várias classes, alimentados por uma “ amargura egocêntrica” que produz uma forma de “nacional tribal” e também o “niilismo rebelde.”
Analisando a estratégia de um dos mais cruéis líderes de um movimento em si monstruoso como o nazismo, Arendt fala que Himmler procurava recrutar integrantes das SS entre cidadãos que não estavam interessados em “problemas do dia a dia” mas somente em questões ideológicas de quem acredita trabalhar “numa grande tarefa que só aparece uma vez a cada dois mil anos.”
No livro “ A Cozinha Venenosa, “ no qual estuda a emergência do nazismo a partir da história de um jornal socialdemocrata de Munique, a jornalista Silvia Bittencourt lembra uma frase do hino da SS: “a Alemanha desperta.”
Descrevendo a “atomização social e a individualização extrema”, Hanna Arendt fala de massas que, “num primeiro desamparo de sua existência, tenderam para um nacionalismo especialmente violento.” Avaliando o comportamento dos partidos que tinham uma postura de cumplicidade nos ataques a democracia, diz que agiam assim “por motivos puramente demagógicos, contra seus próprios instintos e finalidades.”
O jornalista conclui sua reportagem afirmando que é necessário “Convencer o “niilismo rebelde” e o “nacionalismo tribal” que é possível desrespeitar a democracia… Estamos sendo submetidos a um teste.”

Responder

    Edgar Rocha

    06 de outubro de 2013 às 00h23

    Não fosse o texto do professor Adilson, tão brilhante e contundente quanto possível na análise das estratégias de apropriação das causas sociais pelos grupelhos cada vez mais numerosos e violentos que têm posto em cheque o estado Brasileiro e, sobretudo, a democracia, diria que teu comentário seria digno de ocupar o lugar no post. Muito obrigado por esclarecer, sob a luz de Hanna Arendt, a movimentação política atual e o papel da juventude niilista que nossa classe média-alta criou com pão de ló e toddinho. Embora intuitivamente, eu e muitas outras pessoas não tão bem formadas (sou um ex-professor/aluno de História, que não concluiu a faculdade) podemos perceber, a partir da percepção cotidiana, aquilo que Arendt tão bem descreveu sobre a 2ª Grande Guerra e os mecanismos de cooptação da “ralé política” a qual ela tão apropriadamente define. Gostaria de propor humildemente que leia um texto meu (um desabafo, é bem verdade, mas um esforço em entender minha realidade), que fala sobre as semelhanças entre a postura dos jovens atuais e daqueles que compunham a Juventude hitlerista. Embora tenha sido escrito em 2011, antes desta fase de quebra-quebra, ainda me parece atual e, pra minha tristeza, ainda mais bem fundamentado pelos fatos que se seguiram de lá pra cá. http://www.recantodasletras.com.br/redacoes/2918337
    Se puder comentar, fazer apontamentos e críticas, ficaria muito honrado em dialogar contigo. No mais, parabéns a você e ao Professor Adilson Filho pela postura absolutamente consciente e corajosa diante da luta dos professores do RJ. Afinal de contas, é preciso ter muita ética pra recusar apoio, além de total responsabilidade e vocação educacional pra pesar as consequências de uma possível vitória suja. Isto tem faltado e muito ao país, nestes tempos de pragmatismo.

Matheus

05 de outubro de 2013 às 13h53

Eu entrei no editorial de “O Globo” por engano? Ou será do Estadão? Ou será a coluna do Arnaldo Jabor? Ou é uma transcrição do Jornal Nacional? Talvez seja do “Jornal Nacional”, porque o discurso é idêntico.

Já vi esse discurso justificacionista inúmeras vezes. A polícia militar (instrumento terrorista nas mãos de governos corruptos) nunca tem culpa de nada, coitadinha… eles só reagem, e isso justifica tudo! Os PMs até foram chamados de “Capitães do Mato”. Que tristeza! Coitadinhos! Os NO MÍNIMO 10 mil Amarildos da PM-RJ em 10 anos certamente fizeram muitas maldades para “merecer” o que sofreram.

A PM tem sempre a razão! Não existe tortura, execução sumária, abuso de autoridade em massa ou repressão política aqui no Brasil. É tudo culpa dos “mascarados”, na falta de mascarados (civis, os da tropa de choque não tem problema) nós achamos outro bode expiatório e fazemos uma crítica moderada e leve contra alguns “excessos” policiais, alguns “erros” do governo e alguns “defeitos” do governante. Afinal, antes do bloco negro a PM fazia a mesma coisa, a mídia tinha o mesmo discurso, então botava a culpa em outro grupo qualquer, os “vândalos” e “radicais” (na maioria dos casos todo mundo na manifestação e transeuntes eventualmente feridos ou presos pela PM eram chamados todos de “vândalos e “radicais”). O governo tá sertis!

E eu vejo esse lero lero fascistóide depois de ver a foto que um PM carioca do BPChoque em seu próprio facebook, ainda na farda azul-escuro, sorridente, mostrando um cassetete quebrado um pouco antes no corpo de algum professor, com a legenda: “foi mal fessor”. Para a sorte desse coitadinho, dessa pobre vítima de “mascarados” (que certamente o chamaram de “Capitão-do-Mato”, ofendendo profundamente os seus sentimentos fraternos e valores humanistas), existe ainda “fessores” tão fascistas quanto eles, prontos para justificar a sua ação de cão-de-guarda do Estado semiditatorial.

Agora me dê licença, vou te abandonar no fantástico mundo paralelo dos pelegos e voltar à realidade, onde vários professores agradecem aos MARJINAES DA VIOLENSSA!!!!!!!!!!1111!!1 por terem-nos defendido dos bandidos fardados de Cabralpaes, evitando que sofrerem uma violência ainda maior pela repressão militarizada ao “vandalismo”, ou seja, à ação coletiva não conformista.

Responder

    Adilson

    05 de outubro de 2013 às 20h13

    Matheus,

    discurso panfletários iguais ao seu, tem aos montes por aí e não contribuem em nada nesse momento. Faço o convite a você, meu caro, a sofisticar um pouco mais a sua argumentação.

    Esse pm a quem vc se refere que, nessa atitude infeliz, mostrou um pouco do despreparo e do nível de formação da instituição a qual pertence, esse “zé ninguém” que O Globo agora entrega a cabeça para pessoas como você lincharem a vontade na internet, será jogado na rua agora, devolvido pra sociedade em que condições?! A solução então é essa?

    Essa polícia que aí está, foi criada para conter a ordem social e não para fazer valer a força da lei. Isso faz toda a diferença. No Rio de Janeiro, podemos resumir isso dizendo que a PM sempre esteve a serviço da elite, sua função principal sempre foi manter a Zona Sul maravilha livre da ameaça da favela.

    A partir dessa matriz dá pra começar a tentar entender a lógica perversa da segurança pública no Rio de Janeiro. Segura o pobre, preto e favelado lá, pros “cidadãos de primeira classe” poderem passear tranquilamente pela cidade. A pretexto disso, inúmeras confrontos se travaram por aqui. Jovens negros e favelados morreram em proporções alarmantes, em números maiores que muitos países que estão em guerra.

    Sempre com o silêncio condescendente da elite branca, ou melhor sempre, vamos ser muito honestos aqui, com o aplauso fácil quando algumas “chacinas” aconteciam em nome dessa ordem Essa mesma elite que sempre gostou muito de fazer as suas farras, consumir a sua droga, burlar as leis do trânsito sem ser incomodada, subornou e corrompeu até o talo durante décadas essa polícia para seus interesses privados.

    É muito difícil se incluir nessa equação, não é mesmo? Se ver individualmente ou como membro de uma classe social, que seja, que de alguma maneira é tb responsável pelas coisas terem chegado aonde chegaram. É sempre mais fácil demonizar o outro.

    O “monstro”, agora se voltou pra outro lado, a porrada agora não é mais na favela, longe dos olhos, mas no “lombo da filha do bacana” que saiu para protestar. Aí, a coisa começa a mudar muito de figura…Vamos pra rua, vamos pra cima, hostilizar e protestar contra esse absurdo. Contra esses “monstros” que a sociedade ajudou sim a formar, seja legitimando pela omissão ou pela adesão ideológica as matanças generalizadas quando eram “bem vindas”, seja corrompendo-os até não poder mais para poder levar sua vida de festas e ilegalidades numa boa

    O que precisamos é de uma REFORMA TOTAL nesse modelo de segurança pública que está aí. Lutar juntos, como sociedade pela desmilitarização da pm, e par isso, devemos sim ter essas pessoas, esses homens, ao lado dessa luta, pois eles tb são, de alguma forma, o efeito colateral da relação perversa de poder que se estabeleceu ao longo de décadas, nessa dinâmica corrosiva e doente que, como sociedade, optamos lidar com a violência aqui no Rio.

    Tente entender, O Globo divulgar a foto do tal pm, e a massa indignada exigir a sua cabeça e no final ele ser expulso é uma vitória de Pirro. Em que condições essa pessoa, agora será lançada nas ruas, um sujeito de formação precária altamente despreparado, só que agora está aí, provavelmente ainda mais violento, de arma na cintura…E quanto e quantos iguais a esse não são expulsos e estão aí aumentando ainda mais a insegurança social??! Nunca é demais perguntar, mas o que aconteceu com aquele promotor que fez muito pior exigiu a matança de manifestantes em SP? O que aconteceu? ´Não me lembro da mídia ter cobrado uma resposta a altura. Esse promotor, uma figura de altíssima periculosidade está aí, livre leve e solto.

    Essa sua fala irônica, meu jovem, de que “então tá, a policia tem sempre razão” é de uma indigência intelectual tão grande que talvez não devesse estar aqui te respondendo, mas resolvi fazer isso em respeito aos demais leitores.

    Esse clima de fla xf lu, não interessa a sociedade. Não avançamos nada com essa acirramento do clima de guerra Professores x Polícia. O Globo está adorando, divulga fotos, a turma enche o Facebook de imagens, depois vem a do professor que teria gerado o boato da morte, e enquanto essa disputa por quem faz pior, polícia ou professor é travada, tira-se o foco dos verdadeiros responsáveis por esse estado de caos que se tornou a Educação e segurança pública no Rio de Janeiro.

    Por isso eu digo não nos interessa entrar nessa lógica da violência, sairemos perdendo sempre. Creio que temos que tentar até onde pudermos olhar pra essa situação da forma mais humanista possível; até onde pudermos, resistir com todas as nossas forças, não podemos embarcar nesse jogo de black blocs, rixas de versões, boatos, acirramentos e imagens de guerra que tenta se impor e centralizar a discussão. Comprar esse lado da batalha, é vestir de mão beijada uma armadura que o “inimigo” está, sorrateiramente, dando pra gente, e que está sendo muito útil para esse governo e essa mídia, que se apropriaram da Educação no Rio fazendo dela um negócio pra tirar seus dividendos econômicos.

    Um guerreiro de verdade, não é aquele que topa qualquer parada, mas sim o que dimensiona bem a batalha que escolheu entrar.Temos que lutar, pisar forte na rua, fazer valer a nossa voz, com toda a nossa força e indignação, estar prontos para o que der e vier e até para o pior, mas temos que ser educadores até o último momento da nossa vida. Assim eu penso.

    um abraço

    Matheus

    07 de outubro de 2013 às 10h04

    Não, o “Tiago Tiroteio” da PM-RJ do “foi mal fessor” não é um “infeliz” de uma instituição “despreparada”. É um sádico arrotante de uma instituição preparada para ser um instrumento brutal de controle social, igual ao capitão Bruno “Porque eu quis” da PM-DF e outras criaturas engendradas por essa polícia militarizada e autoritária.

    O que a PM mostra nas ruas de todo o Brasil, variando apenas no grau, é o seu preparo para usar a violência policial-militar contra os “inimigos internos” do regime. Todas as denúncias e ativismo pacifista foram inúteis para ajustar essa instituição do policiamento militarizado. O pacifismo nesse contexto não evitar violência alguma, é apenas uma conivência hipócrita com o terrorismo de Estado.

    É claro que o discurso pseudo-pacifista, que só exige paz de um lado (como se uma paz unilateral fosse algo além de rendição incondicional), não poderia deixar de vir recheado de uma chuva de rotulações. Como se sabe desde Howard Becker, a rotulação é o elemento central da criminalização.

    Não satisfeito com a difamação e calúnia contra pessoas que resistem à repressão política, ainda pede mais polícia (já não teve o suficiente?). Mas a cereja do bolo de fascismo está lá, meio despercebida: “Que detenham essas pessoas de forma preventiva, sem violência e sem alarde…”. O que isso significa? Qual seria o critério para uma “detenção preventiva” sem qualquer acusação formal, sem sequer um flagrante? E ainda sem alarde, “no sapatinho”… Era o que fazia o DOI-CODI. O que o professor fascista está pedindo é a instauração de uma ditadura, onde a polícia tem o poder absoluto e ilimitado de prender quem quiser, com base em algum vago e obscuro critério de “prevenção”. E o que impediria que os próprios líderes sindicais não fossem presos?

    Nesse caminho, o Adilson Filho só falta fazer como o promotor fascista que ele lembrou aqui (que sofreu tanta punição quanto os PMs abusivos, ou seja, NENHUMA): pedir o uso de munição letal para fazer uma matança. Seria um tiro na culatra, é claro, porque aí incitaria uma rebelião maior, talvez armada. Seria o fim da III República.

    É possível à polícia agir preventivamente para garantir uma manifestação pacífica? Sim. Existem táticas policiais para isso. O governo não quer, por isso a sua guarda pretoriana continua usando da máxima brutalidade. E daí é que surgem as táticas de resistência à violência policial-militar. Sem compreender esse fato básico, não se tem a mínima noção do que está acontecendo no Brasil. É óbvio que sociedades altamente desiguais e segregadas geram alta conflitividade. Reações punitivas selvagens e terroristas do governo engendrarão táticas de resistência. Porque uma coisa é certa: extrema desigualdade e segregação não convivem com paz e democracia.

    Carlos

    08 de outubro de 2013 às 10h00

    Vamos ver quando quebrarem seu fusquinha xará.

Urbano

04 de outubro de 2013 às 18h50

Só agora que o Brasil está descobrindo cabral… Demorou…

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Mardones

04 de outubro de 2013 às 08h49

Professores e bancários estão em greve no país. Essas categorias poderiam buscar um encontro para discutir algo maior. Aproveitar a oportunidade para pautar um pouco a política, que de acuada em junho, voltou a desfilar seu descompromisso com a nação.

Dilma, Marina, Dudu, Aécio e Serra não dizem um ‘ai’ sobre essas greves.

Professores e bancários poderiam fazer passeatas e convocar assembleia nacional conjunta. Exigir posicionamento dos futuros candidatos. É preciso fazer isso antes que não sobre espaço para negociação com os candidatos.

Responder

    Adilson

    04 de outubro de 2013 às 17h58

    Muito bem lembrado, Mardones.
    Essa união com os bancários daria uma enorme força ao movimento. O sistema econômico dominou a Educação aqui no Rio de Janeiro, nas mãos dessa dupla, cuja população já não aguenta nem mais olhar pra cara. Eles abandonaram de vez os bancos escolares para se locupletarem do dinheiro de outros bancos..Mas a hora deles está chegando pode acreditar. A Globo, agora, numa manobra muito sorrateira, começa a divulgar vídeos da ação da PM, pois já percebeu que esse clima de “fla x flu” que tomou conta do Facebook, de professores x policiais, interessa e muito para proteger os verdadeiros culpados pelo caos geral na Educação no Rio de Janeiro. A sua ideia é sensacional, união com os bancários, com o povo trabalhador. Somos professores e não marginais; é esse o lugar que eles querem que assumamos, mas não vão conseguir.
    abraços

    Carlos

    08 de outubro de 2013 às 10h20

    Adilson, o “povo trabalhador” está doido para participar da reconstrução do nosso país, que está moralmente falido desde a gestão FHC. Mas o “povo trabalhador” quer continuar trabalhando, não quer parar nenhuma atividade. O “povo trabalhador” não quer imbecis de máscara caminhando a seu lado. O “povo trabalhador” não vai permitir que eles quebrem nada. Ou seja: corremos um risco de uma catastrofe se o “povo trabalhador” alinhar neste momento de baderna que os dois sindicatos vêm apoiando.
    Quem carrega marmita não quebra banco, praça e nem violenta o bem público.

João Batista dos Santos Fagundes

04 de outubro de 2013 às 05h50

É surpreendente..aliás..nada é surpreendente, como disse Shakespeare, nós é que nos enganamos. Mas o que é surpreendente? Bem, ver um professor, da rede Municipal do Rio de Janeiro, escrever balburdias como essa que acabei de ler. O único meio que acompanha para fins de informação no contato direto dos fato é a internet e, de todos os vídeos que vi, vi muita agressão e covardia contra professores, por parte de uma polícia despreparada e desumana. Agora vem aqui, um professor, que deveria agradecer aos “marginais da violência” que na mente dele “prejudicaram o movimento pacífico e direcional dos professores”, falar mal desses pessoas. Você, senhor Adilson Filho, ou está recebendo um “cala boca” dos meios que fajuntamente em seu texto se propõe a criticar ou é, simplesmente o óbvio, um explorado, imbecil, com pensamento elitista, sem contudo sequer ter provado, com seu salário de professor, qualquer das maravilhas ou benesses das elites. Seu texto é execrável e, se não fosse por muitos profissionais da educação que sangraram e cuspiram uma mistura de saliva, gás lacrimogênio e pimenta nesses dias e que, AGRADECERAM AOS “JOVENS MARGINAIS” por ter-lhes defendidos contra as arbitrariedades da polícia, merecia o Senhor e sua classe continuar na posição onde estão: mucambos dos Senhores da Casa Grande, em especial o Senhor Eduardo Paes.

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    Adilson

    04 de outubro de 2013 às 17h45

    Pois é Sr. João Baptista F. as vezes é duro constatar que a vida real não é aquela que encaixam em nossos sonhos ou que contaram pra gente não é mesmo?
    Essa é a minha visão como professor, trabalhador e grevista. E pouco importa se não vai na direção da maioria. Se o senhor não concorda, não há problema também, é só apresentar a sua no lugar de me agredir.
    Só acho que “sociologia de sofá”, numa hora dessas não ajuda muito.
    E se o senhor acha que vale tudo em função de uma causa, inclusive aceitar que menores de 15, 16 anos arrisquem suas vidas,a base de pedra e sangue, para lhe “defender”…Eu só posso lhe fazer um convite a reflexão: E se fosse um filho seu, gostaria de vê-lo varando noite na rua, defendendo causas alheias exposto a violência policial?
    Posso ser sincero, sua reposta carregada de hipocrisia pouco me interessará.
    Boa noite.

    um abraço.

    michel

    04 de outubro de 2013 às 18h08

    simplesmente excelente!

carlos dias

04 de outubro de 2013 às 02h46

quando eu disse que os protestos eram proto-fascistas.. um bando de coxinha s aqui me detonou.. agora aprendam.

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lulipe

03 de outubro de 2013 às 23h26

O que esperar de um país onde a regra é a impunidade e a exceção, o cumprimento da lei?Onde movimentos ditos sociais bloqueiam rodovias por horas ou dias, depredam patrimônio público e privado ao seu bel prazer e nada acontece???Onde índios mantém servidores públicos em cárcere privado ou cobram “pedágios” de motoristas e nada acontece??Onde bandidos travestidos de revolucionários de meia tigela cometem crimes de toda maneira e a polícia é que leva a culpa por tratá-los como merecem???Não sei por que o espanto, afinal vivemos no Brasil!!!

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    Julio Silveira

    04 de outubro de 2013 às 16h32

    Lulipe, começou bem, falando na impunidade, esperei que viesse uma critica necessária mas depois desandou. Sua miopia (provavelmente por que te receitaram um óculos inapropriado para teu problema de visão) te fez dizer que a culpa pelos bloqueios das rodovias é dos movimentos sociais, que a depredação do patrimônio publico (e imagino você enchendo a boca para dizer isso, por que te acostumaram, te ensinaram a pensar que esse patrimônio é de fato é seu) e privado, não se relacionam em nada, não representam nada nessa sociedade harmônica(aos teus olhos) que vivemos, de políticos que defende o interesses da maioria, e que apenas foram motivadores de pessoas de má índole, esses cidadãos inescrupulosos.
    E você se revolta também com o índios, que estavam lá em suas terras e do nada vieram a Brasília fazer algazarra, mexer com o dia a dia desses políticos gente boa que só vivem para trabalhar para o bem do Brasil. Esse silvícolas que cobram pedágios de motoristas que passam por suas terras, como fazem prefeitos em terras que você certamente há de considerar publicas, e certamente nem nota que nada acontece.
    Revolucionários de meia tigela, nesse ponto você acerta, mas talvez se tivéssemos diversos “Ches” por aqui, você fosse um dos primeiros a pedir seu fuzilamento, você é como vários, não tem capacidade de alcançar o significado da expressão. Eu se por que você não se espanta no Brasil, a maioria é como você, mesmo que não deem conta disso. Infelizmente.

    kerlon rocha

    04 de outubro de 2013 às 16h35

    O que esperar de comentarios de pessoas compradas , que detonam sempre a nação , professores , mas sua boca imunda comprada , não tem coragem de criticar os bandidos do congresso pra mim com essas palavras é só mais um cãozinho do governo ” igual aqueles que espancaram professores , comparar meia duzia de vandalos ? Com bandidos da pior especie é coisa de louco covarde !!!

    sofia

    04 de outubro de 2013 às 18h00

    O que dizer de um país onde 0,8% do universo de proprietários rurais, detém toda a terra ? O que dizer de posseiros, grileiros que contratam milícias armadas para garantir a exploração ilegal de madeira e disparam contra a Força Nacional que vai lá pra cumprir a Lei ? O que dizer de um país em que invasores de terras há muito ocupadas por indígenas, não apenas contratam capangas para matá-los como quando instados a sair pela Justiça matam um adolescente por ” vingança” ? O que dizer de um país onde banqueiros recebem 48% do PIB mas não param de roubar direitos trabalhistas, empregos, salários, paz e sono dos seus empregados ? Que dizer de uma Polícia que mantém nas suas fileiras verdadeiras quadrilhas em conluio com organizações criminosas que, por sua vez, têm relações estreitas com homens considerados suficientemente ilibados para ocupar cargos públicos ? O que dizer de um país que tem uma classe média que sonha com a vida no primeiro mundo mas não quer pagar os impostos que eles pagam ? Que elogia a educação do chamado primeiro mundo mas não move uma palha para defender a educação pública ? Puxa, a gente não dá conta nem de listar o tanto de coisa que se pode dizer sobre este país.

    sofia

    04 de outubro de 2013 às 18h01

    eu quis dizer, 0,8% … controlam 24% das terras, peço correção, se possível ao moderador.

    Adilson

    04 de outubro de 2013 às 20h59

    Perfeito Sofia! Trazendo a coisa mas aqui pra baixo, o que esperar de uma cidade governada por um prefeito playboy, que remove famílias para longe de suas origens, abraça dono de banco e de empreiteira pra lá e pra cá, agride cidadão com soco na cara quando é interpelado, achincalha professores sem a menor cerimônia e mente, mente mente escancarada…mente? Um prefeito autoritário e, na minha opinião de leigo com algum tipo de perturbação, que atropela todos os direitos da população que encontra pela frente em nome do capital e de sua lógica obcecada de cidade-empresa. No Rio de Janeiro, é bom que as pessoas saibam,inventaram a auto-reintegração de posse. Foi isso que aconteceu na CM com a expulsão dos professores. Se qualquer um do povo fizesse isso, responderia pelo crime de exercício arbitrário das próprias razões. E partindo do poder público, não é abuso de autoridade?! Aqui no Rio, não. O que o MP, tão incensado em junho pela classe média com aquele frenesi em torno da PEC 37, tem agora a falar sobre isso?!Nada? E o Judiciário, que foi ignorado pelo chefe do legislativo municipal e pelo governo do Estado, que autorizou a ação da PM?!


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