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A revolta contra tratar o luto como depressão


12/03/2012 - 16h12

Mais de 65 mil enlutados merecem ser ouvidos e considerados

Luto merece dignidade, não diagnóstico

Por Allen J. Frances no Psychology Today

Publicado no dia 5 de Março de 2012

De todas as sugestões equivocados do DSM 5 [manual de diagnóstico de doenças psiquiátricas, que está em revisão nos Estados Unidos por um comitê formado pela Associação Americana de Psiquiatria], a que toca mais profundamente um sentimento público é a proposta de medicar o luto e transformá-lo em doença mental. Uma forte oposição provocou a publicação de dois editoriais na [revista médica especializada] Lancet, uma reportagem de capa no New York Times, e artigos estarrecidos em mais de 100 jornais do país.

E agora, durante apenas os últimos quatro dias, aconteceu o tipo de milagre online que somente é possível na internet. Joanne Cacciatore escreveu um blog tocante que rapidamente correu o mundo e foi direto ao coração dos que estão sofrendo. Um número impressionante de pessoas, 65.000, já leu o artigo dela e o passou adiante para parentes e amigos. É possível se juntar a eles no seguinte link:

http://drjoanne.blogspot.com

A Dra. Cacciatore é pesquisadora da Universidade Estadual do Arizona e fundadora da MISS Foundation – uma organização sem fins lucrativos que presta serviços a famílias de crianças que morreram ou que estão morrendo. A MISS Foundation tem 77 centros no mundo e um site com mais de um milhão de acessos por mês.

A Dra. Cacciatore escreve:

Em todas as culturas, a morte de uma criança é um golpe particularmente traumático. A maioria das pessoas treme com a ideia de perder um filho – para milhões de pessoas no mundo, esta tragédia tão temida é uma realidade.

Há muito tempo venho me opondo à sugestão do DSM 5 de remover a exclusão do luto, mas preferi ficar calada porque eu simplesmente não podia acreditar que isso tinha alguma chance de entrar na versão final do manual. Não fazia o menor sentido o DSM 5 permitir que os profissionais de saúde passassem a diagnosticar como uma doença mental séria – Major Depresssive Disorder – uma pessoa que não tem nada mais do que os sintomas perfeitamente normais do luto.

Eu decidi falar agora porque parece quase certo que o DSM 5 vai, realmente, levar adiante essa proposta muito mal concebida de transformar em patologia uma autêntica experiência humana de sofrimento. Após apenas duas semanas, uma pessoa em luto pode ser classificada como “doente mental” pelo critério casual de um psiquiatra, um assistente social ou um psicólogo. A arbitrariedade e o absurdo destes ’14-dias pós-perda-que se tornam-depressão’ acendeu uma fogueira contra a máquina do DSM no âmago do meu ser.

Nós não podemos esperar que a família se comporte como se nada tivesse acontecido duas semanas depois da morte de uma criança. Eu me pergunto: quantas pessoas o comitê do DSM 5 enterrou ou será que já cremou os próprios filhos? A comunidade relevante no caso – os que serão afetados por essas mudanças ultrajantes – não deveria ser ouvida?

Eu não posso ficar calada e permitir que esse diagnóstico encontre um lugar no DSM 5. Seria antiético e violaria o que sei ser real, verdadeiro e humano. Grande amor significa grande sofrimento. E poucas, se alguma, relações são tão significativas e repletas de amor como esta entre pais e filhos. Tratar a morte de um filho como se a receita de uma pílula pudesse curar este sofrimento normal, minimiza a experiência e passa longe do problema. Como o Lancet destacou, o médico que tem compaixão e abre o coração ajuda muito mais do que o que se apressa em oferecer um diagnóstico.

As 65.000 pessoas (e o número continua aumentando) e a declaração da Dra. Cacciatore são simplesmente inacreditáveis e mandam o recado mais claro possível à Associação Americana de Psiquiatria. Anteriormente, o DSM 5 ignorou muitas críticas cuidadosas e corajosas elaboradas por especialistas que contestam a interpretação da literatura científica relacionada ao diagnóstico que envolve o luto. O DSM 5 igualmente ignorou as críticas oriundas de um campo vasto da medicina – como foi expresso no Lancet. E o DSM 5 respondeu de forma ineficaz e impaciente à zombaria unânime que recebeu da imprensa mundial.

A APA deveria ter se dado conta, há muito tempo, que esta sugestão precisa ser rejeitada rápida e decisivamente – ao invés disso, fechou os olhos para todos os alertas. Agora, a APA se vê diante de uma oposição mais séria e inegável – a revolta espontânea dos integrantes de uma grande comunidade em luto. Eles rejeitam sonoramente a proposta do DSM 5 de diagnosticá-los erroneamente. Agora, é o DSM 5 contra o mundo. Por quanto mais tempo a APA pode se desconectar do senso comum para continuar com esta tolice de medicar o luto normal? Espero que a APA finalmente ouça o apelo da Dra. Cacciatore e aja rapidamente.

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36 comentários

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Ruben Vogt

27 de maio de 2013 às 00h35

Medicar não pode ?
Deitar no divã, também não pode ?

Tem que sofrer para que a perda seja legitimada ?
Tem que engolir o sofrimento, em seco, e voltar à rotina de trabalho, estudo, compromissos, como se nada tivesse acontecido ?

É muita crueldade e egoísmo negar ajuda a quem pede, num momento de perda e luto.

Parabéns aos psiquiatras que apresentaram o DSM-V.

Sou Administrador (recém-aposentado),Psicanalista e agora, estudante de Medicina (3º período).

Responder

MariaTereza Carvalho

10 de abril de 2012 às 14h03

Elton, vc acha mesmo que a psiquiatria está interessada na saúde mental das pessoas? Abre o olho, Elton, saude mental não dá lucro!

Responder

Catarina

17 de março de 2012 às 19h09

É mais fácil e prático para um médico oferecer medicamentos e não ouvir o paciente em sua singularidade e sofrimento. Sofrer é custoso demais pro capitalismo, gasta-se tempo demais no luto, é improdutivo. Sem contar que é mais cômodo individualizar o sofrimento do que lutar por exemplo contra a violência e a injustiça social que causam a morte de jovens e crianças e tanto o sofrimento (presencio estas consequencias no meu trabalho como psicóloga em um serviço de assistência social). Vivemos num mundo acelerado onde não se tolera a dor e tenta-se embotar o sofrimento com drogas, sejam lícitas ou ilícitas. Isto, claro, não significa negar a depressão e a possibilidade de tratamento para quem adoece de fato.

Responder

Teresa

16 de março de 2012 às 17h03

Numa sociedade com a americana, onde muitos trabalhadores infelizmente não têm acesso a um sistema de saúde decente e onde não se tem número suficiente de dias de férias, fica difícil conciliar a dor causada pelo luto com as exigências do trabalho. Tornando o luto uma doença, pelo menos permite o acesso ao necessário suporte sem penalizar o trabalhador. A depressão é considerada uma doença incapacitante que dá direito a cobertura pelo seguro de saúde. O luto não.

Responder

Fabio R

14 de março de 2012 às 02h09

Azenha, você viu esta matéria que afirma que 75% dos psiquiatras que fazem o DSM-5 tem ligações estreitamente perigosas com a indústria farmacêutica?

Responder

Renato Mocellin

13 de março de 2012 às 21h44

Perdi meu quando ele tinha 17 anos. Como fiquei desesperado fui aconselhado a buscar um tratamento. Felizmente um amigo me deu um conselho: "A dor deve ser purgada". Sofri terrivelmente durante mais de dois anos. Busquei nas outras pessoas da minha família, nos meus alunos e em pessoas amigas a solidariedade que tanto precisava. Já se passaram 13 anos e a lembrança do meu filho é perene, porém, não sou uma pessoa deprimida e nem pessimista. Trabalho e procuro conviver bem com aqueles que estão neste mundo. Tenho a esperança que haja algo depois da morte. Acho que é preciso que as pessoas sejam preparadas para as perdas. No mundo capitalista a morte é jogada para debaixo do tapete, pois simboliza o fim. O historiador Philippe Ariès tem uma obra muito útil sobre a História da Morte no Ocidente. Desculpem relatar algo pessoal, porém, acho que pode ser útil para alguém.

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    14 de março de 2012 às 12h26

    Nossa solidariedade a você, Renato. abs

beattrice

13 de março de 2012 às 21h39

E no meio desta balbúrdia
ainda vem o CFM e celebra um acordo para lá de imoral com a indústria farmacêutica: http://www.interfarma.org.br/site2/index.php/sala

" Pelo novo texto, as indústrias farmacêuticas ficam obrigadas a ter critérios objetivos e plurais para identificar estes profissionais que serão convidados a participar de simpósios, congressos e outros eventos nacionais ou internacionais, não sendo reconhecida como legítima a indicação baseada exclusivamente em parâmetros comerciais"

Responder

Jessica

13 de março de 2012 às 21h38

Minha mãe perdeu a única irmã que tinha e entrou em luto e depressão.
Não queria mais comer nem sair de casa, pois não se conformava.

Eu a levei no médico e ele receitou um antidepressivo e depois de 3 meses ela voltou ao normal.
Está comendo e mais animada.

LUTO DÁ DEPRESSÃO SIM, SE NÃO CUIDAR MORRE.

Responder

Fabio R

13 de março de 2012 às 20h39

Azenha, você viu esta matéria que afirma que 75% dos psiquiatras que fazem o DSM-5 tem ligações estreitamente perigosas com a indústria farmacêutica?
ABC News –
DSM-5 Criticized for Financial Conflicts of Interest
Posso por o link aqui? Se não, é só fazer uma busca no título acima. http://abcnews.go.com/Health/MindMoodNews/dsm-fir

Responder

Regina Braga

13 de março de 2012 às 20h39

Não falta mais nada…Por favor, um medicamento para os psiquiatras…Estão sofrendo de Transtornos Farmacêuticos Agudos…

Responder

willforlife

13 de março de 2012 às 17h06

isso revela o quanto os remédios podem controlar a mente humana e sintetizar o amor.
mas há de se compreender que quando a pessoa de luto se aprofunda e permanece em depressão por mais de anos, é complicado. os antigos dizem que não há nada mais triste que enterrar um filho. a vida segue.

Responder

Mateus_Beatle

13 de março de 2012 às 11h06

O DSM não deveria ser levado a sério, mas, o pior, é que muita gente adere a este discurso de medicalização e patologização irrestrita de todas as dimensões da vida…

Responder

Marcos W.

13 de março de 2012 às 07h17

Se o grande negócio é vender remédios,logo até os "sãos" deverão tomar umas boletas,por "sadios" que sejam,o que pode ser uma doença,sabe-se lá!

Responder

Caracol

13 de março de 2012 às 07h00

A formação e organização de uma sociedade global sob o fascismo profetizada por Orwell e Huxley, entre outros, está em curso. O fascismo ataca em todas as frentes. Trata de homogeneizar as sociedades, padronizar e “standartizar” tudo e todos com vistas ao livre e mais fácil exercício do vender e lucrar. Neste caso investem contra o “sentimento”. Até o sentimento virou mercadoria, brevemente todos terão que pagar para tê-lo. Já lhe deram um nome à guisa de “diagnóstico”: depressão.
Aliás, não é outra a intenção das corporações quando disseminam a Indústria do Medo Universal, apoiada e encorajada pelas “mídias” assassinas. O Medo e a Impotência desembocam na depressão, que já chamam, muito “oportunamente” e convenientemente, de “doença do século”.
Agora, é só vender os remédios.

Responder

Polengo

13 de março de 2012 às 02h22

O que será que passa na cabeça de um ser que "decreta" como doença o sofrimento de perder alguém?
Realmente, a genialidade tem limites, mas a estupidez não tem não.

Responder

Helmir

12 de março de 2012 às 23h13

Eles só faltam decidir que Morrer também é um transtorno mental

Responder

FrancoAtirador

12 de março de 2012 às 22h43

.
.
Poema de Natal
(Vinicius de Moraes)

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —

Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —

Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —

Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —

De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
.
.

Responder

    Ceiça Araújo

    13 de março de 2012 às 11h40

    Franco Atirador:
    Que bom que você vive a nos atirar poesia, mesmo diante de um tema tão doloroso. Perdi um filho, num acidente de moto, e encho o meu vazio de saudades… e poesia… Parabenizo-o por tanta sensibilidade.

    Geysa Guimarães

    13 de março de 2012 às 13h50

    Ô Ceiça, dureza passar por isso, minha solidariedade.
    Uma das maiores barbáries legalmente permitidas é a motoca.
    Mutila ou ceifa vidas jovens, restando às mães apenas saudade.

    FrancoAtirador

    13 de março de 2012 às 20h37

    .
    .
    Caríssima Ceiça Araújo.

    A palavra em poesia
    É do espírito o alento,
    que acalma a dor e alivia;
    E é da alma o alimento,
    Que ao coração sacia
    E dá à vida sustento.

    Um grande abraço espiritual e libertário.
    .
    .

almerio

12 de março de 2012 às 22h35

o luto anda fora de moda, há décadas: eu ainda me lembro de senhores usando uma tarja preta na lapela, e senhoras com roupas pretas: havia comoção em enterros, hoje batem palmas, talvez pela influëncia do pensamento fantasioso do espiritismo, que só cresce no Brasil. A morte está banalizada, e usar trajes de luto chega a ser ridículo, aos olhos daqueles que insistem em permanecer jovens, e perderam a noção da finitude de tudo nesse mundo. Classificam como doença mental, abrindo as portas para um maior consumo dos rivetrizes e prozacs da vida.
Lamentável.

Responder

FrancoAtirador

12 de março de 2012 às 20h01

.
.
LISBON REVISITED (1923)

Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafisica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) ­
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.

Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!

Ó céu azul ­ o mesmo da minha infância ­,
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!

Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo…
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

ÁLVARO DE CAMPOS
(Heterônimo de Fernando Pessoa)
.
.

Responder

E S Fernandes

12 de março de 2012 às 20h00

É a busca do lucro, nada mais.
A questão é como criar um mundo onde ele não seja mais buscado; onde o fim é o homem.

Responder

Geysa Guimarães

12 de março de 2012 às 19h50

Só faltava essa, retirarem o direito de a pessoa chorar os seus mortos.
Quer dizer que não se pode ter reações tipicamente humanas, é doença mental?
Tem hora que esses "atras" e "ólogos" exageram.
A sugestão deve ter sido obra de algum "Simão Bacamarte" ( "O Alienista", de Machado de Assis, que mandava internar todo mundo e ao final se descobre que o único louco era ele).

Responder

beattrice

12 de março de 2012 às 19h21

A questão do luto fica mais ainda revestida de enorme hipocrisia se considerarmos a questão dos doentes terminais. Com o envelhecimento saudável da população e a consequente maior ocorrencia de idosos em condições terminais, os cuidadores vivenciam um luto prolongadíssimo, que se inicia ainda em vida e se estende depois da morte do ente querido.
Como via de regra estes cuidadores não recebem a atenção médica necessária nem no sistema público nem no sistema privado e frequentemente desenvolvem realmente doenças físicas ou emocionais.

Responder

Laura Antunes

12 de março de 2012 às 19h04

A medicalização do luto é uma tremenda ignorância médica!!!! E deve ser denunciada, sempre

Responder

Salvador

12 de março de 2012 às 18h56

E além disso ocultam os graves efeitos colaterais dos anti-depressivos!

Responder

Bonifa

12 de março de 2012 às 17h01

O luto é necessário. E seu tempo foi calculado através de longa experiência cultural. Um ano é o tempo em que você, depois do choque da morte de um ente querido, já tem novamente forças para falar racionalmente sobre o fato e se preparar para a vida sem aquele a quem perdeu. Em luto, você não tem de suportar sozinho a imensa dor de sua perda. Você está amparado pela instituição social do luto, que confere a solidariedade de toda a comunidade. Mas o luto não interessa à brutalidade da sociedade de consumo, ao capitalismo liberal. O luto é um elemento estranho na sociedade que quer todos os trabalhadores e todos os consumidores rigorosamente iguais, todos os dias do ano. O sentimento de luto, como sentimento de compaixão, é antagônico aos princípios da doutrina do cristianismo positivo que embasa o individualismo, o liberalismo ocidental e o nazismo: pensar sempre positivamente em relação a si mesmo, rejeitar qualquer solidariedade à dor do próximo.

Responder

Willian

12 de março de 2012 às 16h47

"Em todas as culturas, a morte de uma criança é um golpe particularmente traumático. A maioria das pessoas treme com a ideia de perder um filho – para milhões de pessoas no mundo, esta tragédia tão temida é uma realidade."

Nem todos tremem ao pensar na morte de um filho. Se ele ainda está no ventre materno, a morte do filho é defendida como uma decisão exclusiva da mulher. Quando ainda no ventre, o filho é só um feto, e a mãe pode dispor dele como quiser, até matando-o.

Responder

    renato

    12 de março de 2012 às 19h10

    Boa sacada.
    "Em todas as culturas, a morte de uma criança é um golpe particularmente traumático. A maioria das pessoas treme com a ideia de perder um filho."
    Ficaria bom assim.
    "Em MUITAS culturas, a morte de um feto é um golpe traumático para o casal. A MINORIA das pessoas treme com a ideia de perder um filho."
    O que os PSI estadudinenses estão fazendo é mexendo com as palavras para colocar num manual onde OMS, libere o estudo e consequentemente abre um espaço enorme para eles venderem REMÉDIOS.
    Imagine que após um acidente morra quatro filhos já criados ( real), o pai fica em luto e por consequencia é afastado do trabalho porque entende-se que ficará deprimido e não fará nunca mais os seus afazeres.
    E aí por diante, Concordo é traumatizante ? Mas estarei fadado a desgraça para o resto da vida.

    Armando

    12 de março de 2012 às 23h23

    E a decisão deve ser de quem? Tua, da Igreja, da sociedade? A Igreja e sociedade irão cria-las, educa-las, alimenta-las? A poucos dias li em um comentário simplista contra o aborto que afirmava que aquelas que o defendiam buscavam apenas o prazer sem se cuidar com a prevenção contra uma gravidez indesejada, como se isso fosse atribuição apenas da mulher. Essa posições contra o aborto, frequentemente são defendidas por homens e mulheres, com uma mentalidade machistas e debitam apenas a mulher o dever de evitar a gravidez, como se a nós homens apenas coubesse exercitar nossa virilidade sem qualquer responsabilidade. Afinal a Bíblia apregoa, crescei e multiplicai. Segue o preceito quem quer, quem não acredita não tem porque segui-lo.

    Leider_Lincoln

    13 de março de 2012 às 07h38

    Ah meus sais, se está no ventre é embrião ou feto faz parte do corpo da mulher, você goste ou não. Sair correndo para comentar em primeiro lugar não fará você ganhar uma discussão no grito, meu caro.

    Willian

    13 de março de 2012 às 21h05

    Meu filho sempre foi meu filho desde que soube que ele existia. Nunca foi feto. Eu mataria você com minhas próprias mãos para salvar a vida dele, mesmo quando estava dentro do ventre materno. Se por qualquer motivo você mataria seu filho, azar do seu filho, torço que sua vida esteja perfeita quando ele vier, e que venha perfeito, porque criança com "defeito" vocês "abortam" (matam).

    Miguel

    14 de março de 2012 às 18h33

    se voce e' ignorante em biologia, historia e ciencias sociais, azar o seu. se voce acha que amontoado de celulas e' o mesmo que uma crianca nao queira impor sua ignorancia resto do mundo.

Elton Castro

12 de março de 2012 às 16h34

Acho muito estranho isso. Lembro da minha esposa, que é psicóloga, comentando que luto é muito importante, necessário para a saúde mental das pessoas!

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