VIOMUNDO

Diário da Resistência


Jorge Sanches estreia a coluna Cartas para o Lula
PS: Lula, Em maio, quando começava a desenhar o inverno curitibano, fiz uma foto que te envio. É um por do sol que creio que você não consegue vê-lo. O edifício que aparece é o da PF.
Cartas para o Lula

Jorge Sanches estreia a coluna Cartas para o Lula


14/07/2019 - 09h57

Da Redação

Na semana passada, um leitor do Viomundo, Jorge Sanches, nos escreveu, falando de várias preocupações:  mediocridade e autoritarismo do governo Bolsonaro, crise econômica, aumento do desemprego, reforma da previdência, destruição do SUS e da educação pública, avanço do fascismo, Lava Jato e, claro, do ex-presidente Lula, preso há 1 ano e três meses na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba.

“Tudo o que a defesa do Lula disse desde o começo está se comprovando com as reportagens do Intercept Brasil”, comenta.

“O ex-juiz e agora ministro Sergio agiu em conluio com o procurador-chefe da Lava Jato Deltan Dallagnol”, diz, indignado. “Isso foi criminoso!”

Jorge Sanches é de Curitiba. Já foi à Vigília Lula Livre, junto à PF. Participou também algumas vezes do Bom dia e Boa noite, presidente Lula!

Nos últimos meses, contou-nos, foi a todas as manifestações em defesa da educação, contra a reforma da previdência, que aconteceram na capital do Paraná.

E já quase no finzinho da mensagem nos disse: “Eu gostaria muito de enviar toda semana algumas cartas para o presidente Lula.  O Viomundo toparia publicá-las?”

No ato, aceitamos o desafio.

E “Cartas para o Lula” estreia hoje, com duas de uma vez só.

Curitiba, 6 de julho de 2019.

Estimado Lula

Faz tempo, muito tempo que estou para escrever uma carta para você. Permita-me que o trate de você.

Já lhe escrevi uma, faz tempo. Escrevi como que um bilhete, mas não enviei.

Sabe essas coisas que ainda alguns têm: vergonha.

Sim, fiquei com vergonha.

Pensei em escrever uma por semana, porém achei que seria um ato mais para me aparecer do que de apoio a você.

Abortei a ideia.

Hoje resolvi escrever, e uma das razões é te entregar milhares de abraços e beijos.

Todos os dias me perguntam se tenho te visitado e se está bem.

Respondo: “tenho a informação que de saúde está bem e que de espirito deve estar como qualquer inocente preso estaria”. Assim espero que a pessoa imagine como você deve estar, no mínimo, indignado.

Na despedida sempre me dizem: “quando vê-lo diga a ele que mandei um abraço”, e quando mulher acrescenta “e um beijo”.

A razão desta é te entregar milhares de abraços e beijos, pois já estão pesando sobre meus ombros e temo não poder dá-los no dia da saída, pois são tantas pessoas que irão abraçá-lo e beijá-lo neste dia, que espero que seja em breve, e que eu não consiga entregar todos. Seriam muitos abraços e beijos.

Também coloco o meu abraço nesta carta.

Forte abraço e um beijo.

Jorge Sanches

P.S. Em maio, quando começava a desenhar o inverno curitibano, fiz uma foto que te envio. É um por do sol que creio que você não consegue vê-lo. O edifício que aparece é o da PF.

 

Curitiba, 7 de julho de 2019.

Estimado Lula

Ontem te escrevi uma carta. Hoje te envio um bilhete.

Mesmo sendo domingo acordei cedo. Um frio danado, igual o de ontem: menos um grau. Logo pensei nos moradores de rua, os abandonados e injustiçados. No meio destes pensamentos de injustiça vem você: caramba, o Lula tá sozinho nesse frio, deve estar tremendo e não tem com quem falar. Sozinho e não tendo com quem falar o frio aumenta.

A solidão dá mais frio. A solidão é mais friorenta.

Será que você tem algum aquecedor? Precisa de mais cobertor? E, a água é quente para tomar banho?

Mesmo com o frio, é obrigatório sair da cama, saio, e maldito costume, antes do café da manhã, peguei o celular e logo vi no The Intercept Brasil a notícia que o Dallagnol e o Moro se organizaram para interferir no resultado eleitoral da Venezuela.  Finalidade: derrotar o Maduro.

Se eu tenho vergonha em te escrever uma carta, como te disse ontem, eles não têm vergonha em, depois de derrubar a Dilma, construir o golpe no Brasil e te prender, ajudar os EUA a dar um golpe na Venezuela.

Acho que no final da tarde você se aqueceu um pouco torcendo pela seleção brasileira. Ela é nossa, não é do Bolsonaro.

Forte abraço e força.

Jorge Sanches

 

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



1 comentário

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River Batista

15 de julho de 2019 às 01h10

Eu quero e desejo que o PT vai se fud3r.

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