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Diário da Resistência


AMB e CFM calam-se diante da dispensa do Revalida para médicos brasileiros formados no exterior e estrangeiros
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Blog da Saúde

AMB e CFM calam-se diante da dispensa do Revalida para médicos brasileiros formados no exterior e estrangeiros


18/12/2018 - 21h04

por Conceição Lemes

No segundo semestre de 2013, por pressão da Associação Médica Brasileira (AMB) e do Conselho Federal de Medicina (CFM), o Revalida estreou nas ruas em protestos contra a presidenta Dilma Rousseff (PT) e o Programa Mais Médicos, particularmente cubanos.

Em cartazes e faixas carregados por profissionais, lá estava ele presente:

Revalida, sim!

Revalida ou a saúde morre!

Nossa luta é por sua vida. Revalida, sim!

Revalida é que garante que ‘’o seu médico’’ é realmente médico

Revalida, sim! Importação de médicos, não!

Revalida é que garante que ‘’o seu médico’’ é realmente médico

Basta dar uma busca no Google. Vai encontrar fotos com esses e outros dizeres, alguns desrespeitosos,  até de baixo nível.

Revalida é o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeira.

É necessário para que médicos estrangeiros e brasileiros formados em medicina no exterior possam exercer a profissão no Brasil.

Tornou-se palavra de ordem para os profissionais brasileiros, que, por vezes, urravam-na agressivamente, como aconteceu em Fortaleza.

Virou ponto de honra para as corporações médicas, como o Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB), Federação Nacional de Médicos (Fenan).

Em entrevistas e nos respectivos portais e publicações, a sua obrigatoriedade era martelada: Revalida ou morte!

Ou seja, ou o Revalida passava a ser feito ou as pessoas iriam morrer.

No início de novembro, a AMB pediu ao presidente Jair Bolsonaro que médicos formados em instituições  estrangeiras sejam obrigados a fazer o Revalida.

Pois bem, em 10 de dezembro o Ministério da Saúde publicou um segundo edital para ocupar as cerca de 8.500 vagas dos médicos cubanos.

Em 14 de novembro,  o governo de Cuba, após ataques e exigências de Bolsonaro, decidiu sair do Programa Mais Médicos do Brasil.

O segundo edital visa a preencher as vagas não ocupadas no primeiro edital, publicado em 19 de novembro de 2018.

Ele diz que poderão participar médicos brasileiros formados no exterior e estrangeiros. Confira abaixo.

Detalhe importantíssimo: o Revalida não é mais necessário. Tanto que, agora, não é  pedido para brasileiros formados no exterior e estrangeiros.

Cadê as manifestações indignadas das corporações médicas e dos profissionais patriotas, exigindo o Revalida?

O que aconteceu com a língua do futuro ministro da Saúde, o deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), ferrenho defensor do Revalida, inimigo do Mais Médicos e dos cubanos e enrolado com Justiça?

As inscrições terminaram nesse domingo, 16/12.

Estranhamente nenhum pio de nenhum deles contra a dispensa do Revalida.

Via e-mail, por meio das respectivas assessorias de imprensa, o Viomundo questionou o CFM e a AMB.

Idêntica mensagem foi enviada às duas entidades:

O Ministério da Saúde divulgou um novo edital do Mais Médicos.

Médicos brasileiros formados no exterior e médicos estrangeiros podem se candidatar sem o Revalida.

Em nenhum momento é dito que eles terão de fazer a prova de validação.

O que acha disso, já que a entidade e seu presidente exigiam o Revalida dos médicos cubanos? 

Nenhum retorno. Silêncio.

Parece que o gato fez a festa e comeu a língua dos hipócritas em geral, inclusive da mídia que não saiu entrevistando ‘’especialistas’’ pelas mortes que a falta agora do Revalida iria causar.

Diante disso, só nos resta perguntar:

Será por que AMB, CFM, médicos patriotas e grande mídia rezam pela mesma cartilha ideológica de Michel Temer e Jair Bolsonaro e o Revalida então não vem ao caso?

Os ataques aos médicos cubanos eram mesmo de cunho ideológico-xenofóbico e o Revalida, apenas o bode na sala?

Considerando que Bolsonaro prometeu que não toleraria médicos atuando no Brasil sem diploma revalidado e sua equipe de transição está dando ok ao que o Ministério da Saúde está fazendo,  o que mudou na avaliação deles?

Os médicos brasileiros não são suficientes para atender às pessoas em todos os lugares que elas precisam?

Os médicos brasileiros formados no exterior e estrangeiros são necessários para atender a população e têm, sim, qualidade para fazê-lo independentemente do Revalida?

O certo mesmo é que a saúde da população é o que menos ou pouco importa para corporações médicas, muitos profissionais, governo que sai, governo que entra.

Certamente, Hipócrates deve estar se revirando no túmulo com o nível ético da maioria dos colegas brasileiros da atualidade.

Leia também:

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11 comentários

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Julio Silveira

20 de dezembro de 2018 às 16h03

Aqui no Brasil poucas instituições trabalham por principio de bem estar coletivo, a maioria é birguesa e trabalham como ponta de lança de principios do mercenarismo. O resto é hipocrisia num país de elite hipocrita. E quer representação de classe mais burguesa e mercenaria que a dos medicos, que sempre foi, culturalmente no país, profissão de elite, que carrega todos os preconceitos sociais inerentes a classe de onde a maioria sempre se originou, e que costuma contaminar aqueles que nela penetram oriundos de classes sociais mais baixas, nesse país que vende o principio da vantagem e do se dar bem, que vem sempre sobre alguem mais fragilizado?

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Assim Falou Golbery

20 de dezembro de 2018 às 12h44

o fato é quer todo que tenha conseguido diploma, não importa como, tem o sagrado direito de exercer sua profissão. Isso já um avança desses conselhos para exigir o seu fim

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Das Geraes

20 de dezembro de 2018 às 12h21

Hoje, se fosse aplicada uma prova de habilitação a todos os os médicos do País (digo, a todos!), acredita que apenas um a cada dez seria considerado “Médico”. O que hoje temos é um número crescente de pajés que se dizem médicos. Só mesmo uma avaliação nos moldes da OAB para frear esses açougueiros.

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Anonimo

19 de dezembro de 2018 às 17h12

Antes de 2010 não existia revalida e chegava muitos médico excelente do exterior, agora os médico formado no Brasil estão assim com medo de saturar o mercado E preocupado com salário mais momento algum pensa na população!

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Glaucia

19 de dezembro de 2018 às 13h38

Não sei nem como certos açougueiros viraram médico.
Só pode ser o poder do dinheiro de papai e mamãe.
Basta ter grana para ser qualquer coisa. E muita uniesquina por aí. Tem uns médicos que são muito ruins.

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Lucas

19 de dezembro de 2018 às 11h31

Revalida ou morte? Prova tipo oab oara todos que queiram exercer a medicina ou morte isso sim!!! Enquanto vc ta ai perdendo tempo com este textao milhares de medicos são introduzidos no mercado sem um conhecimento mínimo do mínimo!!! Nem 1/3 da exigencia do revalida!!!! Hipocrates deve estar mesmo revitando no tumulo mas sim cpm a tua hipocresia !!!!!

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Rosana

19 de dezembro de 2018 às 10h52

Se estão tão preocupados com a população, deveria ser avaliados também, se até advogado têm fazer prova para tirar OAB, medico formado no Brasil também deveria ser avaliado afinal está lidando com vidas

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nivaldo leite de souza

19 de dezembro de 2018 às 10h19

Em síntese: RESERVA DE MERCADO E OS POBRES QUE SE DANEM. VAMOS TER DE PAGAR O QUE PEDEM OU MORREREMOS TODOS SEM ATENDIMENTO. OS NOSSOS IMPOSTOS SÃO DIRECIONADOS PARA A FORMAÇÃO DESSES PROFISSIONAIS QUE NÃO ESTÃO NEM AÍ PARA A NOSSA SAÚDE; SIMPLESMENTE SOMOS VÍTIMAS DESSE PESSOAL GANANCIOSO, MERCADORES DA VIDA E DA MISÉRIA ALHEIA. TRISTE PAÍS.

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Marjore

19 de dezembro de 2018 às 09h12

Será que os médicos Brasileiros estão querendo revalida preocupados mesmo com o bom.atendimento da população ou com a reserva de mercado?
Já que estão tão preocupados com.a qualidade então porquê eles também não fazem prova?
Saem da faculdade e na festa de formatura já estão com o carimbo na mesa sem passar por nenhuma avaliação, enquanto que os médicos formados no extetior ao terminarem a faculdade fazer uma prova chamada “exame de grado”, prova oral com.uma bancada de uns 5 médicos fazendo pergunta sobre tudo que se viu na faculdade desdeno 1o semestre ao último, só recebe o diploma se passar e quando chega no Brasil é essa burocracia para trabalhar e a espera de uma rpva “revalida” a qual o governo não está nem dosponibilizando para abertura de edital para que sejam feitas inscrições por esses médicos.
Se o problema é o Mais Médicos, saibam que o médico com CRM tem inúmeras escolhas de trabalho, são livres, enquanto o médico Brasileiro formado no exterior só tem o Mais Médicos e saibam que eles fazem prova para ingressar no Mais Médicos, do entra se passar e ainda é feito prova também 1x por mês por um médico com CRM supervisor do trabalho do médico Brasileiro formado no exterior durante os anos anos e se não passar é cortado do programa.
Que diferença faz se a prova é feita através do Mais Médicos ou de um revalida? Tudo não é prova do mesmo jeito? Se já é provada a capacidade de quem entra, então, os médicos com CRM estão reclamando de quê?

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Jardel

19 de dezembro de 2018 às 02h37

Então o Revalida era só para os cubanos…
Isso é uma ofensa àquele país que é referência mundial em medicina e desenvolvimento de vacinas. Até os EUA tem parceria com Cuba para o estudo e desenvolvimento de vacinas.
Só coxinhas muito ignorantes não sabem disso.

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