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Chioro e as “vagas preenchidas” do Mais Médicos: Vai acontecer igualzinho ao que ocorreu desde 2013, brasileiros se inscreveram mas não se apresentaram
Fotos: Marcelo Camargo e Elza Fiúza/Agência Brasil
Blog da Saúde

Chioro e as “vagas preenchidas” do Mais Médicos: Vai acontecer igualzinho ao que ocorreu desde 2013, brasileiros se inscreveram mas não se apresentaram


28/11/2018 - 17h33

por Conceição Lemes

Desde o começo da tarde de segunda-feira (26/11),  o portal do Ministério da Saúde informa que 97,2% das vagas do Mais Médicos já foram preenchidas:

Balanço atualizado do Ministério da Saúde aponta que 97,2% das vagas do novo Edital do Programa Mais Médicos já foram preenchidas.

Até às 12h desta segunda-feira (26/11), são 30.734 inscritos com registro (CRM) no Brasil.

Desse total, 21.407 foram efetivadas e 8.278 profissionais já estão alocados no município para atuação imediata.

Na apresentação ao município, que vai até 14 de dezembro, o médico deve entregar todos os documentos exigidos no edital. Até o momento, 223 médicos já se apresentaram nas unidades básicas de saúde.

“Com a alta procura e a apresentação imediata do médico ao município, a expectativa é de suprir a ausência do médico cubano com o médico com CRM o mais rápido possível”, afirmou o ministro da Saúde, Gilberto Occhi.

(…)

Neste edital do Mais Médicos são ofertadas 8.517 vagas para atuação em 2.824 municípios e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), que antes eram ocupadas por médicos da cooperação com Cuba.

Arthur Chioro conhece muito bem a gigantesca expectativa que cerca o preenchimento das vagas do Programa Mais Médicos.

Médico sanitarista, professor da Unifesp, ele foi ministro da Saúde no segundo governo da presidenta Dilma Rousseff (PT), justamente o período em que aumentou o número de profissionais brasileiros buscando o Programa Mais Médicos.

Por isso, quis ouvi-lo a respeito.

Blog da Saúde — Segundo o Ministério da Saúde, já são 30.734 inscritos com CRM no Brasil. Desse total, 21.407 foram efetivados e 8.278 já estão alocados no município para atuação imediata. O que acha?

Arthur Chioro — A lógica do Programa Mais Médicos sempre foi a de oferecer primeiro as vagas para os médicos brasileiros com CRM [registro no Conselho Regional de Medicina].

Preencher todas as vagas com brasileiros era o que mais desejávamos desde a primeira etapa.

Se tivessem atendido aos chamamentos, não haveria necessidade de abrir para médicos estrangeiros.

Portanto, desejo muito que isso ocorra. O nosso povo sofrido que tanto precisa do SUS [Sistema Único de Saúde] seria muito beneficiado.

Mas, a exemplo das vezes anteriores, temo que isso não se concretize. E não tenho dúvida que a não substituição dos 8,5 mil médicos cubanos será um desastre para a saúde e a vida de milhões de brasileiros.

Blog da Saúde — Mas já há 21 mil efetivados e 8.278 alocados nos municípios de atuação.

Arthur Chioro — Está acontecendo a mesmíssima coisa que ocorreu em todas as etapas até aqui, desde 2013.

Os médicos brasileiros correm para fazer as inscrições. Depois, muitos sequer vão conhecer a unidade de saúde e se apresentar para o gestor municipal.

Quando vão, querem saber — e não são poucos — se têm que cumprir horário, ir todos os dias, entre outras demandas. Infelizmente, a maior parte não fica. Poucos começam mesmo a trabalhar.

Blog da Saúde — Qual a diferença entre efetivados e alocados?

Arthur Chioro – Vamos simplificar. Uma coisa é a etapa de escolha. Outra, bem diferente, é a adesão do médico ao programa, o que só ocorre quando ele se apresenta, passa a trabalhar e a compor a equipe de Saúde da Família para valer.

Tenho visto gente desavisada fazendo festa, como se “agora sim” os médicos resolveram aderir.

Soube por gestores municipais que vagas ofertadas foram preenchidas no sistema do Ministério da Saúde por médicos estatutários que já estão trabalhando nas prefeituras ou contratados por OSS  [Organização Social de Saúde].

Ou seja: não assumirão o posto do Mais Médicos ou, se o fizerem, deixarão a sua equipe descoberta, sem médico.

Blog da Saúde — O que significa alocados nos municípios de atuação?

Arthur Chioro — Significa apenas que o médico inscrito escolheu o município em que ele pretende atuar. Médico alocado não significa, portanto, médico já trabalhando.

Blog da Saúde — Várias faculdades estão antecipando a data de formatura para que os formandos possam participar do programa.

Arthur Chioro — De fato, há esse fenômeno novo. Tenho também a informação de que vários conselhos regionais de Medicina (CRM) estão fazendo mutirões para conceder o CRM para recém-formados.

O Cremesp [Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo] anunciou hoje [quarta-feira,28/11] que emitiu em 24 horas mais de 850 inscrições de novos médicos com esse objetivo.

Aqui, tem um detalhe importante. Os recém-formados pretendem fazer residência médica. E as provas para a residência ainda estão acontecendo.

E aí um problema: em fevereiro, começam as atividades das residências médicas. E aqueles que forem aprovados tendem a abandonar o Mais Médicos.

Blog da Saúde — Então as vagas dos Mais Médicos poderão ser preenchidas fundamentalmente por recém-formados?

Arthur Chioro – Para as que forem preenchidas, porque continuo insistindo que muitas não serão efetivamente ocupadas, deve-se considerar essa possibilidade, sim.

Até porque após o golpe, o governo federal deixou de cumprir as metas do Programa Mais Médicos que previam a universalização da residência médica, com abertura de vagas em Medicina de Família e Comunidade, entre outras especialidades.

Diferentemente dos médicos cubanos, que tinham, pelo menos, dez anos de formados, residência em saúde da família e mais especialização.

Blog da Saúde — O fato de serem recém-formados pode comprometer a qualidade de assistência que prestarão?

Arthur Chioro — Veja bem, eles ainda estão em formação e são mais inseguros, encaminham mais pacientes para especialistas, pedem mais exames, internam mais…

E é por isso que precisam e se beneficiam muito da residência médica. E respondendo a tua pergunta: isso pode comprometer muito a qualidade da atenção básica prestada aos brasileiros.

Blog da Saúde — O senhor está jogando água no chopp dos bolsonaristas que estão comemorando o número de inscrições no Mais Médicos?

Arthur Chioro – Sinceramente, torço para estar errado, pois, como já disse, o desmonte irresponsável do Programa Mais Médicos vai custar muito para milhões de brasileiros que dependem do SUS.

Mas quem estuda e acompanha o programa e a atenção básica sabe que a gente, enquanto gestor, não pode se deixar levar pelo clima de “arquibancada de estádio de futebol” que tomou conta do Brasil a questão do Mais Médicos.

Blog da Saúde — Como clima de arquibancada de estádio de futebol?

Arthur Chioro — Tenho visto bolsominions comemorando as inscrições como se o Palmeiras [Chioro é santista!] já tivesse ganho o campeonato mundial.

Como se os médicos tivessem despertado um sentimento cívico até então congelado.

Infelizmente, logo verão que é dócil ilusão.

Blog da Saúde — Os dirigentes do Ministério da Saúde sabem disso tudo?

Arthur Chioro — Com certeza, mas falam euforicamente, fazem anúncios empolgados, como se um mar de rosas estivesse à frente.

Lamentável. Não é justo fazerem proselitismo com a vida e a saúde das pessoas. Não temos o direito de brincar com algo tão sério.

Leia também:

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10 comentários

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Jussara

02 de dezembro de 2018 às 17h02

Só pelo termo “bolsominion” do entrevistado já da para parar de ler imediatamente e entender que o discurso é político. Não da para levar a sério.

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Zé Maria

30 de novembro de 2018 às 14h06

Para as Cidades em extrema pobreza e áreas indígenas
nem Robô de Jaleco Branco se inscreveu no Mais Médicos

municípios de mais difícil acesso e com maior nível de pobreza –fatores que acabaram deixando para que ficassem em último na escolha de profissionais.

Levantamento feito pela Folha com base em lista do Ministério da Saúde mostra que, até às 18h desta quinta, todas as 151 vagas ainda disponíveis estavam em municípios considerados no edital como áreas de maior vulnerabilidade.

Deste total, 68 vagas estavam em municípios onde 20% da população ou mais apresenta situação de extrema pobreza, com renda inferior a R$ 89 mensais.

Já outras 83 ficavam em Distritos Sanitários Especiais Indígena (DSEIs), que até então tinham a maioria dos postos ocupados por médicos cubanos.

Excluídos, dois municípios não tinham recebido nenhum médico interessado em ocupar as vagas:
casos de Juruá e Jutaí, ambos no Amazonas.

“Desde que abriram as vagas, ao menos três médicos já entraram em contato comigo pedindo como era a distância”, relata Kárita Mendes, secretária de saúde em Jutaí, cidade cujo tempo de deslocamento até Manaus varia de um a quatro dias.

Outro pedido tem sido por aumento: segundo Mendes, os mesmos três profissionais pediram por um pagamento maior –de R$ 11,8 mil, a proposta é que o valor subisse para R$ 20 mil a R$ 30 mil. “Mas não temos como pagar isso”, diz.

!!![ Os Mercenários da Doença estão cobrando Plus Salarial (acima de 100%) das Prefeituras de Municípios Paupérrimos]!!!

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/11/cidades-em-extrema-pobreza-e-areas-indigenas-sao-rejeitadas-no-mais-medicos.shtml

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Zé Maria

29 de novembro de 2018 às 23h57

Mais de 2.800 Médicos [SIC] Mercenários Falcatruas
abandonaram o Programa Saúde da Família do SUS
pra faturar mai$ alto no Mais Médicos.

“ADESÃO AO MAIS MÉDICOS FAZ ROMBO DE QUASE
3 MIL PROFISSIONAIS NAS EQUIPES DE SAÚDE DA FAMÍLIA”

O Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) aponta que cerca de 40% dos inscritos no Mais Médicos já tinham emprego em Saúde da Família e em outros serviços do SUS, como hospitais e UPAS

2.844 médicos inscritos no programa estão saindo de equipes de Saúde da Família da rede municipal, atraídos por vantagens do Mais Médicos — o que abrirá novas frentes de desassistência nos postos de saúde abandonados.

“Em vez de somar profissionais, esse novo edital está trocando o problema de lugar.
Se o médico sai de um serviço do SUS para atender em outro, o município de origem fica desassistido, principalmente no Norte e Nordeste”, diz o presidente do Conasems, Mauro Junqueira.

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2018/11/29/cerca-de-40-dos-inscritos-no-mais-medicos-atuavam-na-saude-da-familia-no-sus-aponta-conselho.ghtml

Levantamento do Conasems mostra que médicos estão deixando seus postos atuais no SUS para atuar no Mais Médicos em outros municípios dentro e fora do estado onde estavam.

Em São Paulo, por exemplo, de um total de 1.406 vagas no Programa Mais Médicos (PMM),
1.278 inscrições foram de Médicos que já realizavam serviço ao Saúde da Família no SUS.
Na Bahia, de 853 vagas no PMM, houve inscrições de 371 Médicos que já trabalhavam no Saúde da Família do SUS.
Em Minas Gerais, de 603 vagas no PMM, 296 profissionais [?] saíram do Programa Médicos da Família.
E assim por diante em todas as Unidades da Federação.

Responder

Zé Maria

29 de novembro de 2018 às 23h21

O GLOBO | 29/11/2018 – 20:36

“Mais Médicos:
Com menos de 3% dos selecionados em atividade,
governo vai disparar ligações aos inscritos”

Será que o MiShell vai Pedir Emprestados os Robôs do Botsonauro para fazer os tais Disparos?
O Baba-Ovo do Trumposo tem Nôu -Ráu em Bots…

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marco

29 de novembro de 2018 às 16h06

Favor, no final do texto, não é “dócil ilusão” mas doce ilusão. obrigado

Responder

Aureliano

29 de novembro de 2018 às 03h32

Fora de Pauta

A fixação anal de Olavo de Carvalho, o homem que emplacou dois ministros no governo Bolsonaro

https://altamiroborges.blogspot.com/2018/11/a-estranha-obsessao-de-olavo-de-carvalho.html

A estranha obsessão de Olavo de Carvalho

Por Mário Magalhães, no site The Intercept-Brasil:

Leitor bissexto de Olavo de Carvalho, eu supunha que o escritor paulista tivesse superado a fase anal do desenvolvimento psicossexual. É aquela que, estabelece certa literatura psicanalítica, encerra-se aos três ou quatro anos de vida. O engano findou quando assisti ao vídeo de sua recente entrevista ao repórter Fred Melo Paiva, da CartaCapital. Ao falar da confiança de Jair Bolsonaro em ações policiais virtuosas, Carvalho provocou: “Isso é fascismo? Fascismo é o cu da sua mãe”.

Depois de uma carreira discreta como jornalista e astrólogo, Carvalho reencarnou na pele de autoproclamado filósofo. Ministrou cursos online para milhares de alunos e colecionou 533 mil seguidores no Facebook. Atribui-se a ele a indicação dos nomes ou a inspiração para a escolha de dois ministros pelo presidente eleito: o da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, e o das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Seria o guru ou o ideólogo mais prestigiado pela família Bolsonaro.

“Ideólogo”, preferiu numa edição a Folha de S. Paulo. Carvalho vituperou: “Atenção, ô chefe da fôia: Ideólogo é o cu da sua mãe”.

Louvaminheiros o cultuam como um pensador. Numa nota repetitiva, ele pronuncia incessantemente o substantivo com uma sílaba e duas letras que o Houaiss enuncia como “orifício na extremidade inferior do intestino grosso, por onde são expelidos os excrementos”.

Lacrador, gracejou: “Em breve só restarão duas religiões no mundo: maconha e cu”.

Interpretou o Brasil, do alto da condição de dono de “uma perspectiva geopolítica mais ampla” e “mais profunda” do que a “de Donald Trump” e “seu secretário de Estado”: “O cu do mundo é aí [o Brasil]”; “e olha que é um cuzão”; “vocês estão que nem aquele sujeito que estava limpando o cu do elefante, e o elefante decidiu sentar, e o cara ficou lá dentro, atolado”.

Negacionista das mudanças climáticas, sofisticou o argumento: “Combustível fóssil é o cu da sua mãe. Não existe combustível fóssil porra nenhuma. Isso é uma farsa, uma palhaçada”.

Confrontado com o pensamento divergente, nocauteou: “Ora, moleque, vai tomar no olho do seu cu”.

Autor de livros “aplaudidos pelas maiores inteligências do mundo”, a confiar em sua declaração à repórter Beatriz Bulla, de O Estado de S. Paulo, Carvalho especulou no passado sobre palavrões: “Segundo entendo, foram inventados precisamente para as situações em que uma resposta delicada seria cumplicidade com o intolerável”.

Seria intolerável um urso que o escritor matou numa caçada aparentemente legal nos Estados Unidos, onde se radicou há 13 anos? Ao lado de um animal abatido, ele disparou: “Fui buscar hoje a minha Henry Big Boy [rifle] cal. 45-70. Pau no cu dos ursos”.

Não trai cumplicidade, e sim receio, ao se referir a contendores políticos: “Os caras vêm com uma piroca deste tamanho e põem no nosso cu”. Uma variante, físico-erótico-estética: “Toda piroca se torna invisível ao entrar no seu cu”.

Carvalho se embrenhou na dialética do fiofó: “Esquerdistas são pessoas que lutam pelo direito de dar o rabo sem ser discriminadas, ao mesmo tempo em que protestam para reclamar que só tomam no cu”.

Assim como a peroração sobre “cumplicidade com o intolerável” se desmancha com o exemplo do urso, o ex-astrólogo que se apresenta como “escritor de envergadura universal” derrapa na aula de história. “Não se pode vencer uma guerra dando o cu”, pontificou. Do além, guerreiros gregos de outrora gargalham com a ignorância do professor.

‘O estado das pregas’

A obsessão pelo furico alheio não é comportamento merecedor de considerações morais, e sim um mistério da alma de Carvalho. Ela a expressa contra os suspeitos de sempre: “Quando um esquerdista brasileiro chama você de fascista, ele não quer dizer que você defendeu alguma ideia fascista. Ele só quer dizer o seguinte: ‘Ai, meu cu’”.

E nas dissensões da confraria reaça, como neste tuíte endereçado ao economista Rodrigo Constantino: “Só não digo que seita fechada é o seu cu porque não averiguei o estado das pregas”.

É o próprio Olavo de Carvalho, 71, quem associa xingamentos e prazer: “A velhice é uma delícia: você não precisa respeitar mais ninguém, pode mandar todo mundo tomar no cu. É uma libertação”.

Esse papo “libertário” já está qualquer coisa? O sábio cultivado por Bolsonaro dá de ombros: “O que essa palavrinha está fazendo aí em cima? Nada de mais. Apenas avisando que só pararei de falar de cus quando pararem de ensinar as criancinhas a dar os seus”.

Até para falar de cu Carvalho apela a palavras sem lastro nos fatos: lições para “criancinhas” darem “os seus” é invencionice.

O ex-militante do Partido Comunista Brasileiro, hoje convertido ao ultradireitismo, proporcionou um discurso mais envernizado a legiões de extremistas de direita semiletrados. Jogada certeira do instrutor com formação autodidata: identificou uma necessidade e saciou-a. Mas não foi mais importante para o desenlace eleitoral do que, numa só menção, Edir Macedo. O que não significa que influencie menos do que o bispo na composição do futuro governo – ocorre o contrário.

O dito filósofo que se pavoneia como portador de “consciência da vida intelectual como ninguém mais tem”, recorre a pressupostos ilusórios para formular sínteses. Ao ouvir o nome da exposição Queermuseu, comentou: “Tava lá a menininha mexendo no pinto do homem”.

Isso, sabidamente, não aconteceu.

Carvalho chuta: “O empresariado brasileiro está vinculado à esquerda há mais de 50 anos”.

Eu penso: que o diga a coalizão, também empresarial, que derrubou Dilma Rousseff.

Relata: “As Farc têm o monopólio praticamente da distribuição de cocaína no Brasil”.

Pobre planeta: foi engambelado, em 2016, pela extinção da anacrônica guerrilha colombiana e sua decisão de depor armas.

Numa de suas satisfações supremas, historiar o jornalismo brasileiro, ensinou: “Durante o governo militar, os esquerdistas já dominavam a mídia inteira. Você não tinha um jornal chefiado por um cara de direita; nenhum”.

Trata-se de impiedosa injustiça com Boris Casoy, que chefiou a Folha durante anos, em plena ditadura. E com tantos outros editores de direita.

Em agosto de 2016, o guru de Bolsonaro concluiu, sobre o então presidente dos EUA: “Hoje em dia acredito mesmo que o Obama é um agente russo plantado na política americana”. Olavo de Carvalho é autor do livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”.

Com alicerce de fantasias, fica fácil erguer catedrais fictícias. Seria como eu alinhavar o balanço futebolístico do Flamengo neste ano considerando-o campeão nacional de 2018. Que tentação.

Responder

Gabriel

28 de novembro de 2018 às 22h50

Isso é igual inscrição de vestibular e concurso. O cara se inscreve mais não vai fazer a prova.
O país está a deriva.

Responder

Zé Maria

28 de novembro de 2018 às 20h05

“97% das vagas dos Mais Médicos estão ‘preenchidas’,
MAS cidades continuam sem profissionais”

TV TEM Notícias Bauru/Marília via G1. Globo

Responder

Zé Maria

28 de novembro de 2018 às 19h30

Milhares de Robôs de Jaleco Branco pegaram
uma Lista de Números de Registros no CRM
e se inscreveram adoidados no Site do PMM.

O MS* diz que tem + de 30 Mil inscritos c/ CRM.

Mas só 224 (duzentos e vinte e quatro) médicos
se apresentaram nas unidades básicas de saúde.

*(Última atualização em 26/11/2018, 17h46)

http://portalms.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/44772-97-2-das-vagas-do-mais-medicos-ja-foram-preenchidas

Responder

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