Por Jeferson Miola, em seu blog
Os debates eleitorais promovidos por emissoras de rádio e televisão perderam a relevância e a influência que exerciam.
Os grupos de mídia contribuem para isso. Estão muito mais empenhados em promover espetáculos dantescos que escandalizam e geram audiência, do que em oferecer processos educativos que auxiliem no discernimento da cidadania sobre as alternativas eleitorais.
Para isso, as empresas contemplam a participação nos debates de candidatos cujos partidos não possuem representatividade alguma.
Legitimam a presença de candidatos cujos partidos não têm representação mínima no Congresso para dispor de tempo de rádio e TV, mas que são instrumentos úteis na engrenagem do espetáculo. Assim foi com Pablo Marçal na eleição municipal de 2024, e está sendo nesta eleição com Renan Santos, do Missão.
Acertou o presidente Lula ao decidir não participar destes debates pelo menos no primeiro turno. Seria ele sozinho num picadeiro enfrentando quatro “padres Kelmon” espumando de ódio. Não teria nada a ganhar, mas muito a perder.
Depois do padrão deplorável de entrevistas da Globo no Jornal Nacional, é de se pensar se faz sentido um candidato da estatura do presidente Lula participar disso.
Claro que os candidatos-satélites do bolsonarismo, todos com um dígito nas pesquisas, tiram proveito da exposição no veículo midiático de maior abrangência nacional, mesmo que também tendo sido sujeitados a esse padrão rasteiro [talvez, porém, com menor agressividade].
Para Lula, no entanto, alguém com a grandeza de ser um dos maiores líderes mundiais contemporâneos, o tipo de entrevista provinciana e desqualificada da Globo é um jogo de perde-perde.
A campanha nas redes e nas ruas; os comícios, as mobilizações, a propaganda de rádio e TV são muito mais funcionais e efetivos na conquista de votos que aquilo que a Globo arrogantemente chama de “sabatina”.
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A Globo presta um desserviço à cidadania e à democracia com esse gênero de entrevista inquisitorial e policialesca.
É certo que os candidatos à Presidência devem ser escrutinados sobre denúncias –inclusive as falsas, propagadas para atingir a honra e a reputação– que envolvem a si ou a familiares e aliados próximos.
Mas francamente, diante de desafios tão extraordinários que o Brasil enfrenta, com ataques dos EUA à economia, à soberania e à democracia do país com o apoio interno de traidores, é vergonhoso esse provincianismo miserável da Globo.
É inacreditável que a Globo prive sua enorme audiência de conhecer a trajetória, a experiência e os planos dos candidatos para responderem às urgências sociais do povo brasileiro e das regiões do nosso país na terceira década do terceiro milênio.
É lamentável que não evidencie à população as diferenças entre o que propõem os candidatos e o que realizaram quando estiveram nos governos.
A escolha da Globo empobrece o debate público e naturaliza como “normal” a disputa eleitoral nos termos emoldurados pelos candidatos extremistas e fascistas.
A Globo se condenou a fazer com Flávio Bolsonaro o mesmo tipo de entrevista inquisitorial e policialesca, com perguntas insistentes durante um longo tempo sobre a ficha criminal do gângster.
Se não fizer isso, que seria o mínimo de isonomia jornalística, a Globo assumirá que a entrevista de Lula terá sido uma poderosa peça de propaganda contra sua reeleição.




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