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Cartas de Minas

Maria Izabel Noronha: Os professores são mesmo despreparados?

16 de agosto de 2012 às 15h51

por Maria Izabel Azevedo Noronha

A divulgação das notas médias que compõem o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), publicadas no dia 14 de agosto pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP) do Ministério da Educação aponta uma melhora na qualidade do ensino, que vem se desenvolvendo ano a ano.

Devemos, no entanto, rememorar que, desde o ano de 1999 vem ocorrendo por parte de setores do Estado brasileiro um processo de culpabilização dos professores pelos problemas e deficiências da educação nacional. Somos submetidos a avaliações excludentes e tachados de despreparados por alguns governantes.

O fato, porém, é que essas deficiências e problemas da educação decorrem das políticas e medidas educacionais implementadas por autoridades e gestores educacionais em vários estados e municípios, entre eles o Estado de São Paulo, como a “aprovação automática” dos alunos, cujas consequências o nosso Sindicato denunciou e denuncia desde o início da sua implementação.

Nós, professores, defendemos que a aprendizagem dos alunos seja avaliada, não para reprová-los, mas para contribuir com o seu sucesso escolar, localizando suas dificuldades e agindo sobre elas. Da mesma forma, tendo em perspectiva a qualidade do ensino, lutamos pela valorização dos professores e demais profissionais da educação.

Para nós, qualidade do ensino e valorização dos professores são faces de uma mesma moeda. A qualidade do ensino está intrinsecamente ligada às condições de trabalho dos professores e às condições de ensino-aprendizagem dos alunos. Para nós, os resultados do IDEB evidenciam o papel dos professores e a necessidade de avançarmos em políticas que assegurem a melhoria da educação brasileira.

Devemos nos perguntar, então: ao que podemos atribuir este processo progressivo de melhoria da qualidade do ensino na educação básica?

Consideremos, em primeiro lugar, que a estrutura das escolas da rede estadual nada mudou em muitos anos. Ao mesmo tempo, diante de nossas reivindicações salariais, o governo respondeu com um reajuste escalonado em quatro anos, sendo que, na parcela de 2012, anunciou um índice de 10,2% mas, efetivamente, pagou apenas 5,2%, pois os demais 5% se referem à incorporação da Gratificação por Atividade de Magistério, objeto de lei específica, aprovada em 2009 pela Assembleia Legislativa. Finalmente, como resultado de nossa luta histórica, conseguimos a incorporação de todas as gratificações ao salário base e lutaremos para que não retorne este tipo de “política salarial” que, na verdade, corrói nosso poder aquisitivo.

O reajuste escalonado e a incorporação das gratificações significam ainda muito pouco diante da desvalorização do poder de compra de nossos salários. Nós, da APEOESP, dizemos que, apesar das condições existentes, o pouco de qualidade que existe na rede estadual de ensino se deve ao trabalho e compromisso dos professores e não às políticas educacionais do Estado. Por isto, indagamos: como esperar melhorias mais substanciais em São Paulo, que não possui sequer um Plano Estadual de Educação.

Falta em São Paulo um Plano elaborado democraticamente por um Fórum Estadual de Educação, assim como em nível nacional existe o Fórum Nacional de Educação.

A análise dos resultados do IDEB, particularmente no Estado de São Paulo, deve se refletir em mais reajustes salariais, na democratização da gestão educacional e em tratamento mais digno para os professores, sobretudo no caso dos temporários, denominados de “categoria O”, que não tem praticamente nenhum direito profissional. Deve levar também à imediata aplicação da jornada do piso, com a destinação de 33% da jornada de trabalho para atividades como preparação de aulas, elaboração e correção de provas e trabalhos, formação continuada no local de trabalho. Queremos ainda, de imediato, a recomposição do reajuste de 10,5% prometido para 2012 e a reposição de 36,74%, referente as nossas perdas salariais acumuladas.

No que se refere ao ensino médio, os resultados mostram que este é um dos maiores desafios educacionais do País. Desta forma, deve mesmo o Estado de São Paulo insistir em implementar escolas de ensino médio de período integral ou deveria investir na melhoria de todas as escolas de ensino médio, para alavancar este nível de ensino, o que se refletirá na melhoria geral da educação?

Lançamos um desafio: se o governo se sensibilizar com nossas demandas e propostas, de valorização profissional e condições de trabalho, não teremos uma nota média de 5,4 no ensino fundamental, mas poderemos chegar à nota 8,0. A nossa categoria, então, será aplaudida de pé por toda a sociedade.

*Maria Izabel Azevedo Noronha é presidenta da APEOESP,  vice-presidenta da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação e membro do Fórum Nacional de Educação.

Leia também:

O falso dilema entre proteger os pobres e pagar bons salários a servidores

Eduardo Guimarães: FHC inveja Lula

Natal: Professores assumem e ficam 5 meses sem receber

 

12 Comentários escrever comentário »

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Yra doce

24/08/2012 - 19h45

Os motivos são vários,,,por isso digo e repito:

São despreparados e não aceitam críticas.

Empurram para outros,,,que tb. tem suas parcelas

na responsabilidade e tb. empurram fazendo assim

um círculo e não levando a nada.

As boas ideias são logo refutadas….

Acompanho educação desde 1978…vi todos os lados.

De meus filhos como alunos,,,,

O primeiro foi para a escola em 1978,,,saiu em 1992.

Depois foi para a USP.

Se dependesse da escola onde estudou,,,teríamos que pagar

faculdade,,,e nem das melhores seria.

O segundo entrou na escola em 2000,,,aos 4 anos.

Hoje está no segundo do Ensino Médio.

Coloquei na escola que depois descobri que só tinha fama

e preço.

Mesmo assim ele vai fazer DIREITO direito.

Por conta do interesse que despertamos nele e pelos resultados

obtidos.

Porque se depender da maioria dos professores,,,,ele não ia não…

Responder

Fátima Oliveira leu tudo de Jorge Amado « Viomundo – O que você não vê na mídia

24/08/2012 - 07h07

[…] Maria Izabel Noronha: Os professores são mesmo despreparados? […]

Responder

Gerson Carneiro

18/08/2012 - 08h06

Os professores são mesmo despreparados?

Os professores não são despreparados. Despreparados são as pessoas que o Estado contrata, que não são professores, para substituírem os professores preparados que pedem exoneração por causa do baixo salário e da série de restrições impostas pelo Governo do Estado de São Paulo.

Os bons que passam nos concursos logo percebem a fria e caem fora.

Conheço váááááários que já deram uma banana para o engodo da Educação do Estado de São Paulo.

O Estado então acaba contratando gente que não passa em concurso nenhum, e nem professores são. Gente que no máximo cursou aquele cursinho de Pedagogia de dois anos que o governo estadual ofereçe na tentativa de suprimir a deficiência de bons profissionais que vão embora por causa das razões acima.

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Os amigos dessas faz a coisa certa

17/08/2012 - 15h08

Sobral-Ce, dominda por petista e seus amigos, tem as melhores escolas públicas sem pagar um centavo a mais para docente. Apenas tomou duas providência: 1) quando aluno falta manda até carro buscá-lo 2) quando docente falta, ligam para delegacia e mandam ir atrás do vagabundo.
De fato, bastou o governo do Cearám de petista e amigos, quebrar as ventas de alguns docente que o IDEB polou lá para cima. O próximo melhor sistema é da Bahia, governo dos petistas do peito da Dona Noronah, que passou mais de dias de greve e o governo mandou todos lamber sabão.Assim com, o mesmo vem sendo feito pelo governo federal com as públicas federais.

Responder

E.

17/08/2012 - 14h54

Falta o governo federal ampliar essa pesquisa obrigando tirar sangue de todos da rede pública e quiçá trocar alguns neurônios.
——–

SEM HABILIDADE COM NÚMEROS, Junia Oliveira, O Estado de Minas, 08/06/2010

Fonte: http://wwo.uai.com.br/EM/html/sessao_18/2010/06/08/interna_noticia,id_sessao=18&id_noticia=141062/interna_noticia.shtml

Consta em relatos disto em:
http://www.exkola.com.br/scripts/noticia.php?id=34579041
http://blog.opovo.com.br/educacao/sem-habilidade-com-numeros/
http://isaude.net/z9h8, europsicologia e genética decrifram causas e
consequências da discalculia, Saúde Pública
http://vghaase.blogspot.com/, acesso, ag/10
http://discalculialnd.blogspot.com/, acesso, ag/10
– Decifrando uma incógnita, http://www.ufmg.br/boletim/bol1698/4.shtml, acesso, ag/10
– Pesquisa dos Laboratórios de Neuropsicologia e de Genética da UFMG pode ajudar a desvendar causas e consequências da discalculia, 7 de junho de 2010
http://www.ufmg.br/online/arquivos/015678.shtml
– Neuropsicologia e genética decrifram causas e consequências da discalculia,
ISaúde.Net, Saúde Pública, http://isaude.net/z9h8, acesso ag/10

Doença que dificulta aprendizado de matemática é alvo de especialistas

http://saude.ig.com.br/minhasaude/doenca+que+dificulta+aprendizado+de+matematica+e+alvo+de+especialistas/n1597074737032.html

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Mardones Ferreira

17/08/2012 - 09h52

Os professores merecem todo o respeito em qualquer país minimamente digno. Infelizmente, esse não é o caso do Brasil. Mudam os partidos, mas as atividades essenciais para a qualidade de vida da população e desenvolvimento do ser humano seguem relegados ao segundo plano.

Quem vive no Brasil sabe que – pelo menos desde a década de 80 – (eu tenho só 34 anos) a educação tem sido alvo de planejamento e investimento no sentido de forjar uma nação.

Ouço muitas vezes que antes era melhor. O que vivi durante a escola (primária, secundária, técnica federal, universitária pública estadual e privada) foi num total universo de descuido, para dizer o mínimo.

Lá em Salvador, na Bahia, ”terra de ACM”, as reformas das escolas aconteciam durante o ano letivo. As aulas eram paralizadas por meses – recebíamos apostilas para estudar em casa – para pintar as paredes, trocar o piso e as carteiras dos alunos. A famosa educação estética.
Mais tarde, descobri que esse jogo era para atender os famoso financiadores de campanhas, pois não se mexia na estrutura, na concepção de ensino e muito menos se pensava nos salários dos profesores.

Naquele tempo, as greves já eram parte do ano letivo. Para terem aumento de salários, os professores precisavam fazer greve. Não foi diferente na Escola Técnica Federal (durante o desgoverno de FHC). Fui agraciado com uma greve de 5 meses dos professores.

Já na universidade, sonho de muitos por um futuro melhor, fui surpreendido por uma estrutura baseada no método quadro de giz. Simplesmente não tinha aula em laboratórios. Isso num curso ”superior” de informática!

Deixei a informática na universidade particular e fui para universidade estadual da Bahia fazer contábeis. Laboratórios também não tinha. Greve de funcionários e professores tinha quase todo ano! Isso já no governo Lula.

Deixei a Bahia e mudei para o Paraná. Ares do sul. Ledo engano. As greves seguem a todo vapor, como sempre na hisória da educação brasileira. Eu já passei pelas instituições educacionais e sigo vendo o descaso com os mestres em todos os níveis.

Sou apenas uma vida de 34 anos. Um nada (não aquele do Sartre) perto dos séculos desde a invasão estrangeira na nossa terrinha. Os políticos mudaram:Sarney (o eterno!), o Collor (que já foi o queridinho da Veja e da Globo), o Itamar, o FHC (doutor pela Sorbone! e professor aposentado!), o Lula (o mais espero desde Getúlio!) e agora a Dilma (ex-militante de esquerda, mulher, a primeira!) e a educação…

Bem, a educação segue fora da prioridade. Até que o crise nos dê uma trégua, até que a Copa seja realizada, até que… não sei.

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Romanelli

17/08/2012 - 09h23

OLHA, vamos nivelar ..em país que admite cota RACISTA, convenhamos, tá certa a feçora, o problema não esta com os “mestres” não, MAGINA, a coisa é genética mesmo, assim como afiançou nosso supremo

FRANCAMENTE gente, desde que me lembro por gente, e lá se vão muito mais que 1999, os caras, os mestres, pedem pedem pedem, arreliam o quanto podem, enquanto a educação vai pro brejo

NUNCA, eu disse, NUNCA via preocupação HONESTA com a qualidade do ensino, NUNCA ..a questão primordial sempre foi SALARIAL

Francamente, eita corportativismo frouxo que tenta nos fazer de bestas, este que sequer aceita avaliação e desligamento por dissidia e VAGABUNDAGEM ..aliás, vai um atestado aí ?

ps – aliás, aqui, do que EU lembro, a PIORA piorenta na educação se iniciou em 1978 quando o país quebrou e foi obrigado a cortar até merenda ..fora da separação em Sp das escolas de 1o e 2o grau ,,ali´, tamanha foi a BAGUNÇA e improviso que a qualidade nunca mais foi a mesma

é mentira terta ??

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Mauo Alves da Silva

17/08/2012 - 08h22

O IDEB das escolas de SP comprovam o que já haviamos previsto…
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Responder

mfs

17/08/2012 - 01h01

Imaginem que um médico proponha o seguinte: “Se dobrarem meu salário, eu mato apenas a metade dos pacientes que matei no ano passado”. Pois é, então que história é essa de que o ensino melhora se o professor ganhar mais? O professor deve ganhar mais porque merece ganhar mais e pronto, e porque é de interesse público que a profissão de professor atraia pessoas mais qualificadas. O que vai melhorar o ensino público são as melhores condições de trabalho, sempre reivindicadas e sempre deixadas pra lá depois de uma greve encerrada. Entre essas condições, menor carga de trabalho para o professor (somente um salário muito mais muito e muito maior faria o professor reduzir sua enorme carga semanal), salas de aula com menos alunos, muito menos alunos, mais conforto nas aulas, melhor equipamento de ensino, melhor alimentação e transporte para os alunos e por aí vai. Caso contrário, a luta dos professores ficará reduzida ao direito de consumir mais.

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Paulo Cezar Soares

16/08/2012 - 21h16

É fácil demonizar os outros. Isso em todos os setores. Não há, por parte do Poder Público, uma valorização do professor, cujo salário é baixo, o que, com o tempo, na há amor pela profissão que resista.
Fala-se muuito na imprensa, sobre a educação. Mas, apenas como retórica. É uma boa bandeira, sem dúvida.
Aqui no Rio de Janeiro, onde moro, no governo de Leonel Brizola, foram criados os CIEPS, um bem estruturado projeto de educação, que recebeu aprovação da massa trabalhadora. Entre outras coisas, a criança ficava o dia inteiro na escola. Na saída, à tarde,por volta das 18hs,ia para casa alimentada. Pois tinha lanche e janta.
Mas os jornalões demonizaram o projeto. Na épcca, o que importava era demonizar Leonel Brizola. Valia tudo
Dito isso, hoje, quando leio matérias sobre educação jornais, acho uma tremenda hipocrisia.
Sem a valorização do professor, não há saída.

Responder

    E

    17/08/2012 - 15h19

    Por que achas que Gobery e turma cervou o lulismo com impsto sindical e persguium implacavelmente os brizolistas? Por que gente como Delfim adora Lula? Por que filho de gente da ditadura vira porta-voz do empresariado de reunião que liberou bilhões para turma e esse nem esconde a sua cara da mais extrema felicidade, quando nesse meio estão dos deltaduto da corrupção nacional?

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