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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Paulo Nogueira: Pede para sair, Mercadante!

28 de abril de 2013 às 07h40

Uma prova da desumana ignorância de Mercadante: como a Folha da Tarde, o jornal do Frias, divulgou o assassinato de Eduardo Collen Leite, o Bacuri, pela repressão.

28 DE ABRIL DE 2013 36

Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

Mais que bajulação, o que ficou estampado foi a ignorância do ministro da Educação.

Uma das frases de Sêneca que mais me agradam fala o seguinte: “Quando penso em certas coisas que disse, tenho inveja dos mudos.”

Ela me ocorreu ao ter ciência da carta que o ministro Aloízio Mercadante escreveu para a Folha de S. Paulo.

Mercadante fez um desagravo da memória de Octavio Frias de Oliveira, falecido dono do jornal, depois que um delegado dos tempos da ditadura militar disse, na Comissão da Verdade, o que todos sabem, exceto talvez ele mesmo, Mercadante: que Frias colaborou ativamente com a repressão a “terroristas”, “subversivos” e “assassinos”.

Frias foi o chamado colaborador total. De um lado forneceu carros do jornal para a perseguição de “subversivos” pela Oban, Operação Bandeirante, um grupo particularmente selvagem dedicado a exterminar a resistência à ditadura.

De outro, usou sua empresa jornalística para publicar conteúdos pró-ditadura.

Meu pai [Emir Nogueira], editorialista e com carreira na Folha estabelecida antes que Frias comprasse o jornal em 1961, se recusou a escrever um editorial no qual Frias mandou que fosse dito que não existiam presos políticos – todos eram criminosos comuns.

Frias, nos piores anos da ditadura, manteve um jornal, a Folha da Tarde, que era uma espécie de porta-voz da repressão. (Mercadante poderia conversar sobre isso com Frei Betto, que foi jornalista da FT antes de Frias transformá-la numa extensão da Oban.)

Num certo momento, com a abertura política, Frias, como empresário, enxergou uma boa oportunidade de negócio ao engajar a Folha na campanha das diretas e deixá-la mais arejada.

Era um movimento óbvio. O concorrente Estadão já estava morto editorialmente, então. E a Globo era, como a FT, porta-voz da ditadura na tevê.

O distanciamento oportunista da Folha em relação ao regime não impediria Frias de acatar servilmente uma ordem de um general para que afastasse o diretor Claudio Abramo depois que o grande cronista Lourenço Diaféria escreveu, com toda razão, que os paulistanos mijavam na estátua do Duque de Caxias, no centro da cidade, perto da Folha.

Bastava passar por lá e sentir o cheiro.

Para Claudio Abramo foi um desdobramento irônico e amargo do editorial que meu pai recusou e ele, Claudio, escreveu, sabe-se lá a que custo emocional e mesmo físico, uma vez que era um homem de esquerda.

Frias pôs imediatamente no lugar de Claudio um jornalista que ele mantinha por causa das relações deste com o regime: Boris Casoy, egresso do Comando de Caça ao Comunista e antigo locutor de rádio. (Anos depois, na televisão, ao falar dos lixeiros, Boris mostrou quão pouco mudou nestes anos todos.)

Assustado, medroso, Frias tratou também de tirar seu nome da primeira página do jornal, como responsável. Boris passou a figurar como o responsável.

Apenas para situar, Boris marcou uma ruptura na Folha. Até ali, os chefes de redação eram jornalistas completos: tinham feito grandes reportagens a partir das quais subiram até serem testados também como editores.

Boris simplesmente não sabia escrever. Ele estava no jornal, e num cargo elevado, por razões políticas, e não jornalísticas.

Isso gerou situações bizarras. Na morte de Samuel Wainer, cabia a Boris escrever um pequeno tributo na coluna “São Paulo”. Boris chamou meu pai para escrever por ele por não ter capacidade para realizar a tarefa.

Mercadante mostrou uma ignorância desumana ao desconhecer tudo isso na carta que mandou à Folha.

A demonstração espetacular de desconhecimento é tanto mais grave por vir do ministro da Educação. Se ele não conhece com alguma profundidade um assunto tão próximo dele, o que ele conhecerá?

Terá lido livros? Quais?

Pela ignorância, mais ainda do que pela bajulação despropositada, Mercadante deveria ser afastado sumariamente do cargo que ocupa. Daqui por diante, ele será sempre lembrado como aquele sujeito que disse que o “seu Frias” foi um quase mártir na “luta pelas liberdades democráticas”.

A carta de Mercadante cumpre o papel inevitável das mensagens estapafúrdias, o de ser alvo de desprezo dos chamados dois lados. É altamente provável que Otávio Frias Filho não tenha enxergado na carta o que todo mundo enxergou.

Se existe um atenuante para Mercadante, é que parece haver no DNA do PT uma espécie de submissão mental aos donos da mídia.

Essa patologia ajuda a entender por que o Brasil não avançou nada, em dez anos de PT, na questão crucial para a sociedade de discutir os limites da mídia, a exemplo do que a Inglaterra acaba de fazer.

O momento simbólico dessa submissão – que o grande Etienne de La Boétie chamava de “servidão voluntária” – é assinado por Lula, ao escrever na morte de Roberto Marinho que ali se ia um, pausa antecipada para rir, um grande brasileiro, merecedor de três dias de luto oficial.

Leia também:

Eduardo Guimarães: Na Folha, Mercadante afronta vítimas da ditadura

 

63 Comentários escrever comentário »

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abolicionista

01/05/2013 - 16h39

É o braço direito de Dilma…

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Dinha

29/04/2013 - 23h55

Essa submissão da ala metidinha do pt me irrita!

Responder

luiz mattos

29/04/2013 - 14h41

Nada a dizer além de:TRAIDOR!

Responder

Mardones

29/04/2013 - 13h30

Lula, Palocci e agora Mercadante finge que não conhece a história do Brasil recente e amarga para tantos que lutaram pela democracia. Ao fazer declarações como a de Lula e Palocci quando da morte do roberto Marinho e essa carta-defesa do Sr Frias pelo Mercadante, o PT mostra o que tem se tornado: um partido que assassina a sua história.

Ah, isso sem falar da Dilma e sua SECOM, que exibe um vergonhoso financiamento do pior que a programação televisisa pode oferecer ao país.

Não foi para isso que elegemos o PT contra a direita entreguista e apoiadora da ditadura de 1964.

Responder

Raimundo Pedroza

29/04/2013 - 12h27

Depois de tudo o que essa Folha tem dito e feito com os governos do PT, com as organizações sóciais, com a luta dos trabalhadores, causa náusea ler este dopoimento do Mercadante. Nunca ouvi da boca imunda dos tucanos ofensa maior ao PT e ao trabalhismo.. E não adianta me chamar de tucano infiltrado não. Aí está o meu nome e meu e-mail. Basta procurar queum sou.

Responder

    renato

    29/04/2013 - 13h48

    Mas bah, tchê! Tu tens razão!
    Se estamos falando de desaforo, este foi o
    maior de todos, visto o total desconhecimento
    do fato. Vejamos, desta forma…mais simples
    O cara é corintiano a vida inteira, tem regalias
    e num belo dia de domingo, me aparece com uma linda
    camiseta verde palmeiras na torcida dos manos.
    Você não acha um desrespeito, mesmo que ele tenha tempo
    de dizer… que é Verde Esperança…
    Vamos ganhar, vamos queimar depois.

Jose Mario HRP

29/04/2013 - 10h01

É uma saia justa imensa , mas não se pode deixar o passado politico do cara em qualquer lixão!
O pouco que lembro da sua vida na minha Santos me leva a crer que foi sempre um cara sincero e decente, portanto “todo mundo tem direito a uma pisada na bola”, pois somos humanos.

Responder

Dida

29/04/2013 - 09h57

Gente nao caia nesse jogo , pois o que a grande midia quer é ver o circo pegar fogo… porque depois de 33 anos ela publica essa carta ???? O que os jornaloes querem é ver a bagaceira , o fogo amigo, que briguemos entre nós do mesmo partido e da mesma ideologia . Nao lhes dê esse prazer , porque sao uns miseraveis , sem escrupulos, e já nao sabem o que inventar e fazer para tirar o PT do poder…nao caiam nessa arapuca…..

Responder

    Raimundo Pedroza

    29/04/2013 - 12h16

    Companheira, não é por ai. Primeiro é a Dilma que vai ao rega-bofe de aniversário da mesma Folha que lhe brindou com uma ficha suja. Agora, o Marcadante, por quem sempre nutri grande admiração, com essa vergonhosa defesa de um AGENTE DA REPRESSÃO. Quanta vergonha dos meus ídolos! Acho que com essa afrinta às famílias dos torturados e mortos, o o Mercadante não terá salvação, pois os votos que os Frias lhe darão não superarão os que vai perder com o despaltério cometido. Cada vez mais se desnuda o poder imundo do oligopólio midiático. E se descobre quem é quem na esquerda. Ao invez de lutar unida contra essa afronta à Democracia – mídia golpista- a maior parte dos políticos que chegam ao poder pela esquerda acaba buscando uma migalhazinha de espaço no rodapé de algum Jornalão e, em troca, entrega-lhe a própria dignidade. Que vergonha, Meu Deus!!!

    francisco pereira neto

    29/04/2013 - 13h03

    Nós não devemos cair nessa arapuca?
    Esse alerta está com endereço errado.
    Voce deveria mandar para o Mercadante bajulador do seu Frias.
    É um autêntico embusteiro, cara-de-pau, aproveitador de ocasião.
    Ele é do PT? Assim como ele, existem muitos dentro do partido que ainda não sairam do armário.
    O que eu acho hilário é o Mercadante se posicionar dessa maneira no decorrer de um período histórico em que o ex-presidente Lula e o Zé Dirceu traçaram um projeto de ascenção ao poder com as políticas de alianças.
    O Mercadante nunca me inspirou confiança. E eu estava certo.
    Ou Dilma dá um basta nisso, ou então seu governo corre perigo. Com tantos amigos assim, para que inimigos?

augusto2

29/04/2013 - 09h14

Ouvi no radio, mas foi “de passagem” que o aloysio tinha renunciado a sua PRE-candidatura ao governo do estado SP. e se falava até em opçoes de ‘herdeiros’ dessa decisao.
Nao sabemos nem botamos ainda fé.
Alguem confirma isso?

Responder

    Marcelo de Matos

    29/04/2013 - 10h33

    Li no blog do Josias de Souza que Mercadante não será candidato a nada. É o preferido de Dilma para tesoureiro de sua campanha à reeleição.

Marcelo de Matos

29/04/2013 - 09h07

Nenhuma novidade: ultraesquerda sempre malhou os líderes do PT. Assim o partido perdeu seus melhores quadros: Airton Soares, Bete Mendes, Francisco Wefort. Não contentes em expurgar líderes do PT, promoveram um auto expurgo, criando o PSOL e o PSTU, mas, não mudaram os hábitos. As campanhas expurgatórias continuaram contra Eduardo Cardoso, Eduardo Suplicy, Marta Suplicy, Paulo Bernardo, a própria Dilma e, agora, Mercadante. Se conseguirem expurgar todos esses líderes transformarão o partido no império da mediocridade. Mercadante contribuiu muito como o PT. Com sua competência, se estivesse na iniciativa privada, como Dirceu, estaria rico. Não merece as críticas que está recebendo. A Folha colaborou com a ditadura? É bem provável, porque a grande maioria do empresariado brasileiro o fez. Então os políticos não devem aceitar contribuição financeira de empresa alguma? Ouvi um burburinho de que o PSOL andou recebendo contribuições da Rede Zaffari e da Gerdau. Será verdade?

Responder

Masan

29/04/2013 - 08h54

Desculpem-me, prezados, mas tenho de escrever… Mercadante ‘ABOSTOU-SE’! E, com essa esdrúxula ‘cagada’ sobre o ‘queridíssimo’ Frias, passa a cheirar muito mal!!!

ACORDA, DILMA!!! ACORDA PARA O ABOSTADO, PARA A SECOM, PARA O BERNARDO, PARA O ZÉ, PARA O PIG E PARA O STF (até tu Tofolli???)!!!!

Responder

Paulo Gonçalves

29/04/2013 - 08h51

Nunca entendi por que o Mercadante assumiu este ministério…

Responder

João do Rio

29/04/2013 - 08h51

Se o Frias entrar na piscina o Mercadante morre afogado! Exatamente isso, morreu politicamente para muitos eleitores.

Responder

Marcelo de Matos

29/04/2013 - 08h30

Nunca pensei que um fato tão corriqueiro mundo afora pudesse causar tanta polêmica aqui em Pindorama. Napoleão disse que quatro periódicos hostis eram muito mais daninhos que uma legião de artilharia. Desde os tempos do general bretão e, muito provavelmente, já bem antes, era comum até mesmo os poderosos cortejarem a mídia. Leonel Brizola quis quebrar o longo ciclo de hostilidades entre a família Mesquita, do Estadão, e os herdeiros políticos de Getúlio Vargas. Tentou fazer uma visita à sede do vetusto diário, mas, não foi recebido pelos proprietários. Sorte sua que naquela época ainda não existia a blogosfera progressista.

Responder

Francisco

29/04/2013 - 02h54

É uma pena que meu título de eleitor não seja de São paulo. Perco assim a chance de não votar em Mercadante.

Responder

Hiro

29/04/2013 - 02h20

Que vergonha. Manifestar-se pró-frias, um dos principais algozes do golpe de 64,
representa um dos dias mais tristes para os trabalhadores e para o PT. Um perfil incoerente e reacionário como esse não pode ficar na Educação, nem representar a nós trabalhadores. É obrigatório ter respeito e
consideração para com a Comissão da Verdade e memória das vítimas da ditadura militar.

Responder

Luís CPPrudente

28/04/2013 - 23h05

Aloisio Mercadante, este já perdeu o meu voto para qualquer cargo.

Responder

FrancoAtirador

28/04/2013 - 22h56

.
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Não confundir o grande Cláudio Abramo (06/4/1923-14/8/1987),
verdadeiro jornalista revolucionário, nos sentidos próprios e legítimos dos respectivos termos,
com o reacionário de mesmo nome que vive por aí a expor a cara e a lábia, nas telas de TV e nas páginas de jornais, para, em nome de uma suposta defesa da transparência pública, criticar toda forma de organização estatal, quando nada mais é do que um servil dos empresários da Mídia Bandida e de outros tantos ligados à Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), por conseguinte, vinculados diretamente aos interesses do Conselho de Washington.

O Claudio Abramo, citado no texto-depoimento do também digno jornalista Paulo Nogueira, é aquele que afirmava que “o Jornalismo é o exercício diário da Inteligência e a prática cotidiana do Caráter” (http://bit.ly/14Eu4pL),
condição que, apesar do convívio diário, esse outro claudio e os Frias não assimilaram internamente.

Aliás, Claudio, o Legítimo, era tio de Perseu Abramo (1929-1996), sociólogo, professor, jornalista militante e brilhante pesquisador das Ciências Humanas, sobretudo na área da Comunicação Social e fundamentalmente do Jornalismo, e, além disso, um crítico contumaz do exercício escuso das atividades comerciais jornalísticas, quando tratava da influência exercida por empresas de ‘Mass Media’ sobre a Sociedade, mormente por meio da manipulação ideológica através dos Meios de Comunicação de Massa, numa época em que sequer se cogitava em falar de ‘PIG’. (http://www.consciencia.net/picadinho/abramo.doc)

Portanto, o professor (Hã?!?) e Ministro da Educação (Hã?!?) Aloisio Mercadante, ao assinar uma Nota insensata e historicamente mentirosa,
não apenas afrontou a memória das vítimas da Ditadura Militar, muitas delas até hoje desaparecidas, desmerecendo a luta dos familiares para resgatar a honra dos torturados e assassinados por aquele regime cruel e sanguinário, (http://bit.ly/ZA3vPw)
mas, ao se referir, na famigerada nota, a Perseu Abramo, que inclusive dá nome a uma importante Fundação do PT, desonrou a própria história de Perseu, homem que lutou, praticamente durante todo o Século XX, pela Liberdade e pela Igualdade entre os homens, e, portanto, pela Democracia Real, não essa ditadura disfarçada de democracia, corrente até os dias de hoje, eivada de manipulação da História, porquanto oculta, distorce e corrompe fatos, falseando a Verdade.

Com certeza, depois da divulgação da tal Nota por Mercadante,
Cláudio e Perseu Abramo se rebolcaram no túmulo e, se hoje estivessem vivos, desmentiriam pessoalmente e publicamente as afirmações elogiosas que Mercadante fez ao “seu [dele, da Folha, do Otavinho et caterva] Frias”.
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Observatório da Imprensa, edição 336
MARCHA DO TEMPO
DEPOIMENTO
04/07/2005

CLÁUDIO ABRAMO, O REVOLUCIONÁRIO

Por Washington Novaes

Quando Cláudio Abramo morreu [1987], há quase 20 anos, escrevi, emocionado, um artigo sobre ele, para um jornal que já não existe.
Mas nada mudou substancialmente, desde então – a não ser a saudade, que não pára de aumentar.

Transcrevo o artigo:

“Na noite de 31 de março de 1964, sentado debaixo da mesa da sala de jantar da casa do jornalista Cláudio Abramo, em São Paulo, eu tentava captar, num radinho de pilha que teimava em só funcionar ali, notícias sobre o golpe militar, em alguma rádio que ainda não estivesse sob censura.
Nas poltronas ao lado, Cláudio, sua mulher, Radha, e o diretor de teatro Flávio Rangel, todos muito nervosos, sofriam e torciam as mãos.

Flávio declamava trechos de O Grande Ditador, de Chaplin, e dizia que gostaria de ter em mãos uma metralhadora.
Cláudio lamentava não estar em uma redação de jornal.
Era um dos momentos de ostracismo que sofreu em sua longa e brilhante carreira.
Havia deixado O Estado de S.Paulo, onde comandara uma revolução que tornara o velho matutino o melhor jornal paulista – com uma redação onde escreviam Lívio Xavier e Bráulio Pedroso, Delmiro Gonçalves e Décio Almeida Prado, Vladimir Herzog e Fernando Pacheco Jordão, Perseu Abramo e Fernando Pedreira, Oliveiros S. Ferreira e Thomaz Souto Correa, Diogo Pacheco e Alexandre Gambirasio, Hélio Bicudo e Luiz Weis, além de Ruy Mesquita e Gianino Carta, que comandavam a editoria de notícias internacionais, e Frederico Heller, editor de Economia.

Amargurado com a deslealdade de companheiros a quem dera a mão no jornal, com as dificuldades financeiras que enfrentava (sobrevivia quase só fazendo capas para a revista Visão, a convite de seu amigo Hideo Onaga), Cláudio antevia a falta de perspectivas na ditadura que se inaugurava.

Esse foi o tema recorrente nas conversas em sua casa, nos meses que se seguiram, quando por lá desfilaram muitos dos foragidos e perseguidos pela ditadura – Paulo Francis, Tarso de Castro, Paulo Silveira, Antônio Maria (que ajudava Radha a fazer sopa de cebola, para poder ‘chorar sem vergonha’). Muitos.

Cláudio também temia ser preso, por causa de seu passado político trotskista.
Mas isso só viria a acontecer 12 anos depois, nos porões do DOI-CODI paulista.
E não foi pelo passado:
Radha e Cláudio viveram momentos de terror por não renegarem um amigo comunista perseguido e preso.

De qualquer forma, o episódio acabaria custando caro:
nos meses que se seguiram, a corporação dos porões intensificou as pressões sobre a Folha de S.Paulo, que Cláudio secretariava e dirigia desde 1965 e havia colocado na liderança do mercado editorial paulista.

Acabou deixando a direção da Folha, triste, para tornar-se correspondente na Europa.
(…)
Cláudio morreu sem fortuna, como sempre vivera. De seu, só tinha o apartamento onde morava. Num tempo em que o jornalismo tanto serviu e tem servido de gazua, a morte digna volta a realçar o comportamento de toda uma vida.

Ele, Cláudio, talvez recebesse com uma frase sarcástica – uma de suas marcas – uma observação dessa natureza. Não importa. Debaixo do sarcasmo que ajudava a enfrentar a crueza e rudeza do mundo do jornalismo, morou sempre uma alma gentil e leal, que lutou até o último dia para fazer de sua profissão o que dela esperam seus semelhantes. Principalmente os mais necessitados.

Talvez num futuro próximo se venha a reconhecer que o jornalismo não é profissão que se exerça em nome próprio, e sim por representação da sociedade, a quem pertence a informação. Talvez nesse futuro a sociedade exija eleger, ela mesma, os seus representantes (jornalistas), em eleição direta, por voto secreto.

Pena que nesse dia Cláudio Abramo não esteja vivo. A sociedade teria com certeza um bom candidato, provado em décadas de fidelidade ao social.”

(http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/claudio-abramo-o-revolucionario)


CLAUDIO ABRAMO


PERSEU ABRAMO

Responder

    FrancoAtirador

    29/04/2013 - 03h51

    .
    .
    SINGELA HOMENAGEM AO CASAL PERSEU (in memorian) e ZILAH ABRAMO

    Revista dos bancários
    Edição nº 96
    Abril de 2004

    ENTREVISTA

    Não tem nada igual

    A história de vida de mulheres como Zilah Abramo ajudou o país a encontrar outro horizonte além daquele que parecia totalmente pintado de chumbo

    Por Cláudia Motta

    Formada numa das primeiras turmas da Universidade de São Paulo, Dona Zilah Abramo nunca exerceu as Ciências Sociais como profissão, nem esteve à frente de nenhuma cátedra da área. Mas fez tanto pela sociedade brasileira que é quase impossível não percebê-la como uma das mais importantes cientistas sociais do país.

    Ao lado do marido, o jornalista Perseu Abramo, Zilah participou de alguns dos mais importantes momentos do Brasil do século passado.

    História que teve momentos duros, de tristeza, como acompanhar a prisão de Perseu e de preciosos amigos durante os anos de chumbo da ditadura militar, cujo golpe de estado completou 40 anos no último 31 de março. E momentos de glória, a exemplo daquele no aeroporto de Congonhas, em fins de 1979, quando recebeu de volta do exílio os ativistas políticos recém-anistiados – fruto de suas lutas ao lado de Perseu, um dos criadores da seção paulista do Comitê Brasileiro de Anistia (CBA).

    Zilah também foi uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores. E no célebre encontro que reuniu lideranças dos movimentos sindicais e populares e intelectuais no Colégio Sion, em São Paulo, 24 anos atrás, lá estava ela. “Pela primeira vez o povo estava conosco”, relembra, com límpidos olhos azuis que procuram no passado as razões do presente.

    Com 77 anos e uma memória de fazer inveja, Zilah preside o Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo – criada em 1996 pelo PT para desenvolver projetos de caráter político-cultural. E sente mais falta de Perseu do que nunca. “Gostaria de tê-lo por perto para falarmos, como sempre fizemos, de tudo que o nosso país está vivendo hoje.”

    E Perseu parece estar lá. Na aconchegante casa no bairro da Lapa, nas plantas do jardim, na belíssima tapeçaria na parede – tecida por Zilah para se distrair nos tristes dias da ditadura militar –, nos livros espalhados pela casa, no jeito dos filhos, dos netos. Está, como Zilah, em cada linha de uma nova história que ela insiste em querer escrever para o seu país.

    Revista dos Bancários – Como foi sua formação acadêmica?

    Zilah Abramo – Fiz ciências sociais na USP entre 1944 e 1947, mas a faculdade não tinha formado sua safra dos grandes professores. Ainda tive a honra e a sorte de ter Antonio Cândido – uma das pessoas que mais venero nesse mundo – como professor no primeiro ano, mas ele se afastou porque estava se preparando para a cátedra de Literatura Brasileira. Confesso que tive vontade de abandonar o curso, mas fui convidada para trabalhar no Instituto de Administração da Faculdade de Economia e Administração – que na época funcionava na Rua Dr. Vila Nova –, no Instituto de Psicologia Aplicada. Fazíamos estudos de classificação de cargos, implantado no governo estadual de Jânio Quadros, e trabalhei lá até o governo Carvalho Pinto. Isso foi até o início dos anos 60. Quando Ademar de Barros assumiu, pensei: não vou trabalhar para esse homem de jeito nenhum.

    RdB – Nessa época já conhecia Perseu Abramo?

    Zilah – Sim, casamo-nos em 1952. Conheci Perseu muito antes, na época em que eu estava na faculdade. Ele era amigo dos meus amigos. Mas só voltamos a nos reencontrar na campanha de 1950. Éramos filiados a partidos socialistas e fizemos campanha para João Mangabeira, para presidente da República, e João da Costa Pinto, para o Senado.

    RdB – Estudaram juntos?

    Zilah – Não. Perseu teve uma vida escolar muito tumultuada. Teve de abandonar os estudos para trabalhar e, quando namorávamos, ele ainda fazia o 2º colegial. Em 1953, quando terminou o colégio e fez o vestibular eu já estava esperando minha primeira filha, a Laís.

    RdB – Naquele tempo, sua família encarava bem essa situação?

    Zilah – Meu pai era uma pessoa muito compreensiva, mas minha mãe talvez tenha ficado um pouco brava. Houve época em que eu ganhava o dobro do salário dele. Esse “desnível” poderia ser considerado problema para alguns, mas para nós nunca foi. Perseu vem de uma família de pessoas muito cultas e tinha qualidades muito superiores às das pessoas daquele tempo. Em 1954, com 23 para 24 anos, já cursava sociologia na USP e trabalhava no Estadão. Levava uma vida muito sacrificada, mas ele sempre foi jornalista, mesmo quando não trabalhava em jornal.

    RdB – E como foi acompanhar essa trajetória?

    Zilah – Perseu era um homem brilhante e corajoso. Nesse período, empregou no Estadão todos os jornalistas portugueses fugidos do regime ditatorial de (Antonio de Oliveira) Salazar (que governou seu país com mão de ferro de 1932 a 1968). Em sua trajetória também figuram coberturas históricas, como a visita de Fidel Castro ao Brasil e a inauguração de Brasília – trabalho realizado em parceria com o Vlado Herzog e o Fernando Pacheco Jordão, que lhes rendeu um Prêmio Esso de Reportagem, em 1960. O pior período deve ter sido aquele em que teve de cobrir esportes. Ele não entendia nada do assunto e eu é quem acabava tendo que traduzir tudo para ele. Meu pai era apaixonado por esportes e acabei gostando também.

    RdB – Nesse período vocês foram morar em Brasília. Por quê?

    Zilah – Perseu estava no Estadão e o trabalho começava a ficar difícil. Decidimos largar tudo aqui para tentar vida nova. Já tínhamos três filhos (além de Laís, Mário e Helena já tinham nascido), era 1962 e fomos convidados para dar aulas na Universidade de Brasília, fundada por Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira. Foi fantástico. Perseu atuava no departamento de Sociologia e eu no de Administração. As primeiras aulas foram dadas no Ministério da Saúde. Tínhamos de falar mais alto que o barulho dos tratores. Estava tudo começando. Os alunos de Arquitetura ajudavam na edificação desde os alicerces. Nós ajudamos a montar cursos, fizemos as primeiras compras de livros. Foi uma experiência que você não pode imaginar: um modelo novo de educação, revolucionário, comprometido com as questões nacionais. Havia uma abertura muito grande, era muito empolgante. E marcou demais as pessoas que vinham de todos os estados, num mesmo plano, numa bela mistura de sotaques e experiências de vida.

    RdB – Mas então, aconteceu o que os militares costumam chamar de “revolução”…

    Zilah – Aquilo foi golpe mesmo. Darcy Ribeiro havia sido reitor até ir para o Ministério do governo João Goulart. Anísio Teixeira era o reitor na época do golpe. Após o 31 de março, nos organizamos em grupos para lidar com coisas práticas e continuamos dando nossas aulas. Mas no dia 9 de abril de 1964, ao final das aulas, avistamos as tropas cercando o campus. O aparato era uma loucura! Nossa preocupação, então, era manter os alunos nas salas. A tensão era muito grande. Perseu já havia passado dois dias fora de casa, por conta de boatos sobre uma lista de professores perseguidos pelos militares. Perseu foi preso naquele dia 9 e ficou detido por 15 dias, no começo sem nenhuma comunicação.

    RdB – Como foram esses dias para a senhora?

    Zilah – Fiquei muito preocupada com meus filhos, já tinha ficado o dia 9 inteiro fora de casa. Mas contei com a solidariedade dos amigos. Quando cheguei, uma vizinha já tinha levado as crianças para a casa dela. Talvez o mais difícil tenha sido contar aos meus filhos que o pai havia sido preso. Laís, que já tinha 10 anos, não me deu escolha: “Você vai me dizer agora o que aconteceu com meu pai!”. Meu departamento foi preservado e voltei a dar aulas. Administração não era um curso “visado”. No dia 22 de abril, assumiu a reitoria da universidade o Zeferino Vaz, que tinha como secretário um delegado de polícia. O departamento de Sociologia e Política foi arrasado. Reviraram a biblioteca para procurar “armas”. O Círculo Vermelho (histórias de Sherlock Holmes, de Conan Doyle) e a revista Comunitas (de arquitetura) foram destruídos – e eles ainda falavam, folheando a revista, olha as casas em que esses comunistas moram (risos). Em compensação, A Sagrada Família (obra de 1845, de Karl Marx e Friederich Engels, precursora do marxirsmo), nem foi tocada. Nessa época, os militares eram ainda muito desorganizados.

    RdB – Vocês continuavam trabalhando?

    Zilah – Até o dia 9 de maio de 1964, quando foi divulgada uma lista de demitidos. Perseu ficou sem emprego mas não podíamos sair de Brasília em função de um inquérito policial movido pelos militares contra ele. Vale ressaltar que nenhum dos alunos interrogados disse uma única palavra contra os professores. Eu ainda dei aula, mas em junho voltamos para São Paulo. Era um período muito triste, havia delação por toda parte, era a época dos “livros negros” da USP. Voltei a trabalhar para o estado: vivíamos com meu salário de meio-período mais a indenização que Perseu recebeu por ter sido demitido da universidade – em Brasília, eles não tiveram coragem de dizer que estavam dispensando-o por razões políticas. Foi então que recebi um convite para trabalhar na reforma administrativa do estado da Bahia, em janeiro de 1965. Aí, já tinha também a Bia, que nasceu em Brasília em setembro de 1963. Perseu ficou sendo meu “dependente” (risos) e fomos nos ajeitando. Logo ele foi convidado para dar aulas na Faculdade de Filosofia e Administração da Universidade Federal da Bahia.

    RdB – Na Bahia, a situação era mais tranqüila?

    Zilah – Não foi um mar de rosas, mas ainda era um período com relativa abertura, todas aproveitadas. Nessa época tivemos colegas maravilhosos, como João Ubaldo Ribeiro. Nossos filhos mais velhos estavam totalmente envolvidos com os movimentos estudantis e o Mário já fugia da polícia. Era também um período de muita agitação cultural: Laís assistia às peças de Plínio Marcos. Gil e Caetano eram nossos vizinhos e a Bia ficava sentadinha na escada da casa deles, ouvindo suas músicas. A Bahia foi para nós uma coisa inesquecível.

    RdB – E foi assim até quando?

    Zilah – Março de 1970. Após o AI-5 (Ato Institucional nº 5, decretado pelos militares e que conferia ainda mais “autoridade” ao governo militar contra as liberdades individuais dos brasileiros), veio a informação de que haveria um expurgo na universidade. Então, resolvemos voltar a São Paulo. Perseu já tinha garantido um emprego na Folha de S.Paulo, com Cláudio Abramo (tio de Perseu). Eu voltei para o meu cargo, mas já não agüentava mais fazer aquele tipo de trabalho, então fui para a Secretaria da Saúde, onde fiquei até 1983, participando de um arejamento total da área. Promovemos concursos para contratação de pessoal, inventamos o departamento de RH, as atividades de treinamento. Trabalhei com David Capistrano, Eduardo Jorge, Pedro Dimitrov, Roberto Gouveia, Carlos Neder e Adib Jatene, que pode ter lá suas posturas políticas das quais discordo, mas é um sujeito muito leal e honesto.

    RdB – Aí chegou a era pós-abertura…

    Zilah – Depois de lá trabalhei com Eduardo Jorge, na Assembléia Legislativa, onde fiquei durante 14 anos atuando na assessoria coletiva da bancada do PT. Acompanhei também todo o trabalho da Constituinte. Em 1996 foi criada a Fundação Perseu Abramo, então, deixei a Assembléia. Na Fundação fazemos um trabalho fantástico que tem dois princípios básicos: não admitimos sectarismo nem interferência, mesmo do PT.

    RdB – Como a senhora se lembra dos últimos anos da ditadura?

    Zilah – Tempos horríveis. Nada de cartas, telefonemas, você não sabia quem poderia comprometer ou ficar comprometido. Mas também foi dessa época a célebre coluna de educação do Perseu, na Folha: à medida que começava a resistência, o movimento social, ele utilizava a coluna para ajudar a fazer denúncias. Ela acabou servindo como orientação para alunos e professores envolvidos no movimento estudantil, era a primeira leitura do dia. Assim recomeçamos nossa militância: Laís fazia parte da tendência Refazendo, do movimento estudantil. Com outras mães, eu dava apoio ao movimento. Perseu atuou intensamente na campanha pela anistia. Foi um trabalho de três anos que consumia todo o nosso tempo livre. Redigiu todos os principais documentos do Comitê Brasileiro de Anistia (CBA). Também apoiávamos a luta dos metalúrgicos do ABC e outros sindicatos, além do movimento Pró-PT. Acho que era a nossa maneira de nos redimirmos do fato de que os amigos sofreram tanto, tantos mortos e desaparecidos, sem que nada pudéssemos fazer. Acho que essa foi uma das piores coisas que passei na vida: o remorso de ver os amigos desaparecendo enquanto estávamos na Bahia.

    RdB – E como foi sua atuação política, à época?

    Zilah – Pelo Comitê, íamos até o ABC conversar com as esposas para que compreendessem e se orgulhassem do papel que seus maridos presos estavam exercendo. Também levávamos comida para o pessoal preso no Dops. A comida de lá era intragável e esse era nosso jeito de tornar aqueles dias mais suportáveis para quem estava preso. Mas percebemos, depois de um tempo, que o trabalho do CBA tinha acabado e que estava na hora de criar um partido político.

    RdB – Assim surgiu o PT?

    Zilah – Sim, de todos esses contatos. Quando entrei aquela noite no Colégio Sion – eu era ligada ao Partido Socialista Brasileiro – e deparei com Antonio Candido, Paul Singer, Maurício Segall e tantos outros, lembrei que tínhamos idéias avançadíssimas, mas não tínhamos o povo. E o PT nasceu assim, da união de intelectuais, pessoas que participavam de lutas clandestinas, pessoal dos movimentos de base nas igrejas, os movimentos sociais: nosso sonho estava realizado.

    RdB – E como é ver esse partido ser governo hoje?

    Zilah – Por mais difícil que esteja, temos de lutar até o fim, não podemos dar de bandeja. Alguém achou que seria fácil? Quando vou comprar revistas de palavras cruzadas (exercício ao qual Zilah credita sua excelente memória) procuro as mais difíceis, aí é que está o desafio. Estou passando momentos muito duros, odeio essa palavra “governabilidade”. Temos de recuperar nossa auto-estima. Não precisamos fazer concessões. Nossa saída é retornar às nossas bandeiras. Acho que nesse momento estamos fazendo um esforço brutal para conseguir dar os primeiros passos nesse sentido.

    RdB – E a vida sem Perseu (Perseu Abramo faleceu em 6 de março de 1996, aos 66 anos)?

    Zilah – Ficou muito difícil. Tinha independência para trabalhar, na vida em casa, mas na vida política ele tinha muito mais experiência e vivência que eu. Num momento como esse que estamos vivendo, sinto uma falta enorme dele. Mas tenho a felicidade de ter cinco maravilhosos filhos (além de Laís, Mário, Helena e Bia, Marta, que nasceu na Bahia, em 1969) que me dão uma força enorme. E o pessoal da Fundação, que além de excelentes profissionais, são laços afetivos importantes para mim. Passei muito tempo depois da morte de Perseu arrumando seu material, era uma ligação. Mas, por outro lado, isso me deu cada vez mais a sensação do tamanho da perda.

    (http://www1.spbancarios.com.br/rdbmateria.asp?c=423)
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    Do sítio da Fundação Perseu Abramo:

    Perseu Abramo, jornalista e sociólogo brasileiro.
    Nasceu na cidade de São Paulo em 1929.
    Iniciou sua atividade jornalística em 1946, tendo trabalhado em numerosas publicações.
    Foi professor de sociologia na Universidade de Brasília e na Universidade Federal da Bahia, e professor de jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).
    Teve importante participação no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e no Comitê Brasileiro de Anistia.
    Foi um dos fundadores do PT e seu dirigente durante 16 anos, exercendo, entre outras, as funções de secretário nacional de Imprensa e Propaganda e de Formação Política.

    Perseu foi personagem destacado na vida política brasileira, como cidadão, professor e jornalista.

    Atuou em alguns dos principais veículos de comunicação do país – Jornal de São Paulo, A Hora, O Estado de S.Paulo e FOLHA DE S.PAULO, DE ONDE FOI DEMITIDO POR PARTICIPAR DA GREVE DE JORNALISTAS (1979).

    Editou a Folha Socialista, do PSB, e o Jornal dos Trabalhadores, do PT.

    Faleceu em São Paulo, em 6 de março de 1996, aos 66 anos.

    Postumamente, a Editora Fundação Perseu Abramo publicou os livros “Um trabalhador da notícia: textos de Perseu Abramo” (1997), organizado por sua filha Bia Abramo, e “Padrões de Manipulação na Grande Imprensa” (1988), cujo trecho pode ser lido aqui:(http://www.consciencia.net/picadinho/abramo.doc).

    (www.fpa.org.br)
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    CARTA DE ZILAH ABRAMO À OMBUDSMAN DA FOLHA DE S.PAULO

    Folha tenta desqualificar fundações partidárias

    Por: Redação FPA, no blog da Fundação Perseu Abramo, via Maria Frô

    26/01/2011

    Em matéria publicada no dia 22/1, a Folha de S.Paulo mostra como não fazer jornalismo.
    Ao generalizar, desqualifica o trabalho das fundações partidárias e não trata com seriedade a questão do financiamento público eleitoral, assunto da pauta política brasileira.

    A Fundação Perseu Abramo (FPA) enviou carta à ombudsman do jornal Folha de S. Paulo com o objetivo de esclarecer as distorções contidas na reportagem intitulada “Repasses para fundações partidárias crescem 50%”, publicada na edição de 22/1 daquele diário.

    Leia abaixo a íntegra da carta, assinada pela presidente do Conselho Curador da FPA, Zilah Abramo:

    À Suzana Singer
    Ombudsman da Folha de S.Paulo

    A Folha de S.Paulo publicou a matéria “Repasses para fundações partidárias crescem 50%” no dia 22, contendo ilações que atingem todas as fundações partidárias indiscriminadamente.
    O texto aponta para o desconhecimento da redação sobre a Lei 9.096/95 que regula a existência dessas fundações, o que é evidenciado no subtítulo “Sem fiscalização da Justiça Eleitoral, entidades receberão R$ 60,2 mi em 2011″.
    Generalizações como as que estão apresentadas na matéria são perigosas e não traduzem a realidade daqueles que levam seu trabalho a sério.
    A Fundação Perseu Abramo (FPA) é uma referência em modelo de gestão, tanto assim que teve aprovadas todas as prestações de contas apresentadas ao Ministério Público.

    A Fundação foi criada em 1996 e é reconhecida nacional e internacionalmente como uma instituição que contribui para a reflexão sobre o Brasil, sobre a América Latina e sobre as principais questões mundiais.
    Nos seus 15 anos de existência, mais de 700 intelectuais, além de dirigentes partidários e de movimentos sociais, no Brasil e no exterior, se expressaram por meio de algum projeto da FPA.
    Projetos esses voltados à formação política, à preservação da memória, à promoção da reflexão sobre o projeto de desenvolvimento para o Brasil, a consolidação e ampliação da democracia, a economia mundial, as relações internacionais e muito mais.
    A FPA abriga a Escola Nacional de Formação do PT, já publicou 180 livros, edita as revistas “Teoria e Debate” e “Perseu – História, Memória e Política”, tem promovido seminários e debates sobre diferentes aspectos do projeto de desenvolvimento brasileiro, integração latino-americana e relações internacionais além de iniciativas de inclusão como a Biblioteca Digital. As pesquisas nacionais realizadas são referência para a sociedade e para a formulação de políticas públicas.
    Mais de 30 mil brasileiros e brasileiras foram ouvidos nas pesquisas sobre a situação das mulheres, dos jovens, dos idosos, e sobre discriminação racial e diversidade sexual, entre outras.

    O financiamento público eleitoral é o pano de fundo da matéria em questão, por sinal é um dos temas que estará na pauta da agenda política de 2011.
    A abordagem realizada pelo jornal de “uso indevido” do dinheiro público demonstra um padrão de generalização incompatível com um jornalismo que pretenda verdadeiramente informar os seus leitores.
    Da mesma forma é inaceitável a afirmação de que a Fundação Perseu Abramo é presidida por um político derrotado em 2010.
    Nilmário Miranda assumiu a presidência da FPA em dezembro de 2008, por sua respeitável trajetória política como militante partidário, parlamentar e ministro de Estado.
    Tudo isso poderia ter sido facilmente verificado pelo jornalista junto à instituição, caso o objetivo da matéria fosse veicular as informações a partir de uma perspectiva plural e democrática.

    As informações solicitadas (reproduzidas abaixo)* foram prontamente fornecidas, porém nenhuma delas foi utilizada pelo jornal.
    Da mesma forma, para a elaboração da matéria, não foram ouvidos dirigentes da FPA e representantes do Ministério Público de São Paulo.

    Zilah Abramo,
    presidente do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo.

    *[Segue reprodução de duas mensagens eletrônicas enviadas ao jornalista Bernardo Mello Franco no dia 20/1/2011]

    (http://novo.fpabramo.org.br/content/folha-tenta-desqualificar-fundacoes-partidarias)
    (http://mariafro.com/2011/01/26/da-fundacao-perseu-abramo-mais-uma-desqualificacao-da-folha-de-sao-paulo)
    .
    .
    E aí, professor (Hã?!?) e Ministro da Educação (Hã?!?)?
    Gostou da aula?
    Se precisar de reforço, estamos aí, a seu dispor.

    Eu sei que sr. sempre foi um professor (Hã?!?)
    muito ocupado com as lides acadêmicas da economia
    e não conhece muito bem a História do Brasil.

    Assim, de antemão, recomendo a leitura
    de “Perseu – História, Memória e Política”,
    uma das Revistas da Fundação Perseu Abramo
    referida pela guerreira Zilah Abramo
    na Carta-resposta às mentiras deslavadas
    publicadas no jornal Folha de S.Paulo.

    O sr., Ministro da Educação (Hã?!?),
    vai receber informações inacreditáveis
    que lhe deixarão “perplexo e incrédulo”,
    mas, pode ter certeza, é tudo Verdade.

    E Verdade Histórica…
    .
    .

Marat

28/04/2013 - 21h12

Ignorância ou má-fé? Como todos sabem Mercadante é candidato ao governo de SP, ao menos o fâmulo e estafeta do PSDB, Cláudio Humberto, afirmou… Todo candidato ao Governo de SP precisa do apoio dos barões da mídia paulistana, ou seja, dos vetustos estadão, folha, bandeirantes, globo et caterva!

Responder

    Marcio H Silva

    28/04/2013 - 22h12

    Meu caro Marat, o nojento do Claudio HUmberto, como sempre está errado. Haddad ganhou a prefeitura sem o apoio da mídia…….

    FrancoAtirador

    29/04/2013 - 02h03

    .
    .
    Caros Marat e Marcio H Silva.

    Vocês dois estão errados, mas ambos estão certos.

    Nem precisaria o corretamente adjetivado “fâmulo e estafeta do PSDB” e “nojento” dizer que o Mercadante pretende ser candidato ao Governo de SP, porque “todo mundo sabe” que é um dos pré-candidatos.

    Concordo com o Marcio que “o Haddad ganhou a prefeitura sem o apoio da mídia”, isto é, “dos vetustos estadão, folha, bandeirantes, globo et caterva!”.
    Realmente, ainda que o prefeito de São Paulo não fosse do PSDB e estivesse pessimamente avaliado pela população paulistana,
    a vitória do PT na capital foi extremamente significativa, principalmente nas circunstâncias adversas que se apresentaram no final do pleito eleitoral, com ‘mensalão’ e tudo.
    Além disso, a derrota de José Serra, no segundo turno, com o apoio integral do Grupo G.A.F.E.*, demonstrou definitivamente que os tucanos não são imbatíveis em São Paulo. Isto teve um efeito psicológico devastador para o PSDB, ao mesmo tempo que elevou a autoestima petista, principalmente da militância do PT que já estava desesperançosa devido ao histórico de frustrações na última década.
    Assim, hoje, é menos difícil para o PT derrubar o PSDB do Governo do Estado de São Paulo.
    Até porque a atual administração (sic) tucana está fragilizada pela guerra interna do grupo de correligionários de Geraldo Alckmin com os Tucanalhas Serristas.
    Além disso, há grande possibilidade de haver, nos próximos meses, uma debandada de alguns partidos que compõem a base de apoio do governo tucano paulista, o que fragmentaria mais a disputa em 2014.
    Ademais, em matéria de [in]competência administrativa Geraldo Alckmin é indefensável.
    .
    .
    Quanto ao questionamento do Marat: “Ignorância ou má-fé?”,
    devo dizer que não tenho a resposta exata, mas desconfio…
    .
    .
    Um abraço camarada e libertário a todos, em especial aos debatedores.
    .
    .

Francisco

28/04/2013 - 20h50

Vamos falar português:

Se Bacuri fosse vivo, Mercadante seria justiçado.

PS: Vicentinho, por exemplo, jamais diria as m&#%@$ que esse burguês branco sulista disse. O PT esta entupido desta patuléia oportunista: quantos trabalhadores tem no PT?

Responder

Valmont

28/04/2013 - 20h32

Pelo andar da carruagem, só a candidatura Lula no próximo ano será capaz de salvar o PT de uma derrota definitiva e acachapante.
Com essa turma aí tá difícil!

Responder

Osvaldo Bertolino: Mídia e a corrupção, tudo a ver - Viomundo - O que você não vê na mídia

28/04/2013 - 20h04

[…] Paulo Nogueira: Pede pra sair, Mercadante! […]

Responder

Mário SF Alves

28/04/2013 - 19h55

E olha a m&#*$ aí. Já começo a admitir a hipótese de que o que o (en)Cerra disse é verdade quando atribuiu ao PT o título de maior estelionatário da História. Bom… maior estelionatário é o partido dele, do (en)Cerra; mas… que no PT já há candidato a falsário da História, ah! isso há.
_____________________________
Ministro da Educação??? Educação neoliberal, quem sabe, ainda vá lá.
________________________________
Vergonha!!!
________________________________________
Pior pra mim que ainda defendia publicamente o PT. Depois dessa, só na tese do menos pior. E olhe lá.

Responder

Julio Silveira

28/04/2013 - 19h32

É o Mercadante sem noção, é o Bernardo que esquece o patrão é Tarso Genro a metamorfose ambulante, o ministro antitese do governador, é Greenhalgh o advogado sem fronteiras, o lobista Dirceu, que declara fazer lobbie para ganhar a vida, acusador do Ministro STF roedor de corda. Eita PT e seus homens, quem te viu, é quem? TV.

Responder

ma.rosa

28/04/2013 - 19h13

FORA MER…andante!!!!!!

Responder

Pelika

28/04/2013 - 18h47

Pede pra sair Mercadante! aproveita e de quebra leva o Hibernando, o Ze Cardoso e o Suplicy- [PELEGADA]….

Responder

Roberto Locatelli

28/04/2013 - 18h30

Já fiquei com um pé atrás em relação a Mercadante em 2009, quando o PIG (Partido da Mídia Golpista) tentou, com todas as suas forças, derrubar Sarney da presidência do Senado para colocar o então senador Marconi Perillo. Mercadante chegou a discursar em favor da saída de Sarney.

Não gosto de Sarney. No entanto, o objetivo da manobra era óbvio: colocar homem de confiança de Cachoeira (Perillo) no comando do Poder Legislativo. Como o poder judiciário era presidido pelo “coroné” Gilmar, também homem de confiança de Cachoeira, o PIG teria as condições para derrubar Lula. Seriam os poderes legislativo e judiciário unidos para derrubar o Presidente da República. O próximo presidente seria um laranja de Cachoeira, talvez o próprio Perillo.

Mercadante levou uma bronca de Lula, que teve que lhe explicar que a questão não era o Sarney, mas ele, Lula.

Agora esse sujeito, finalmente, mostra a que veio: rastejar perante um órgão do PIG.

A conclusão é: para votar, neste momento histórico, é preciso escolher os candidatos (de todos os partidos) que sejam íntegros. A internet ajuda imensamente essa escolha.

Responder

elizabeth pretel

28/04/2013 - 18h20

Decepção. Está aí uma pessoa em quem nunca mais votarei e, tampouco, tentarei fazer com que familiares votem nele. DILMA fica esperta, por favor.

Responder

Guanabara

28/04/2013 - 16h10

Óia, é uma história esquisita. Admito que na hora fiquei indignado. Passado o calor do momento, e ponderando sobre um comentário que li por aí, Mercadante deu um tiro no próprio pé. Mas foi um tiro tão violento, que uma pessoa com a formação e carreira política que ele tem não pode ser ingênuo o suficiente para falar uma barbaridade dessas sem medir as consequências. Então, estaria Mercadante com o rabo preso a alguma coisa bem grave e que preferiu mandar essa piada de mau gosto a ter uma verdade revelada? Acredito em “risco calculado”. Sim, Mercadante perdeu boa parte de seu eleitorado com essa debilidade e seria, talvez, quase um suicídio político. Porém, mais uma vez e infelizmente, boa parte do eleitorado do PT de SP nem deve ter ficado sabendo dessa pérola vomitada pelo Ministro, e a turma que vota no partido, e não na pessoa, que é o caso de boa parte dos votos do PT, ainda vai votar em Mercadante, seja pro que for.

A pergunta é: por que Mercadante soltou essa?

Responder

Marcio H Silva

28/04/2013 - 15h41

Esta frase, retirada do texto, sintetiza tudo: “Se existe um atenuante para Mercadante, é que parece haver no DNA do PT uma espécie de submissão mental aos donos da mídia.”
Deveriam ter uma submissão mental aos seus eleitores, que já estão ficando cansados desta covardia…….

Responder

Urbano

28/04/2013 - 15h38

E não se esqueça de dizer por qual motivo…

Responder

Midionauta

28/04/2013 - 15h26

Vergonha alheia. Merdandante, você me embrulhou o estômago. Pede pra sair.

Responder

Ester Nolasco

28/04/2013 - 15h18

Nojo, nojo, nojo, nojo… E aí Dilma, vai calar?

Responder

francisco pereira neto

28/04/2013 - 15h09

Eu não sei o que é pior. Dilma pedir para que Mercadante não seja candidato ao governo de São Paulo, ou mantê-lo como ministro da Educação.
A grande verdade é que Dilma se cercou, e isso é opção dela, de políticos medíocres e vezeiros como Mercadante e Paulo Bernardo, só para ficar nos principais.
Por outro lado, eu como paulista vejo nessa atitude da presidenta como algo alvissareiro. Pelo menos não teremos um lambe botas do seu Frias aquí em São Paulo que carece de um governo macho.
Pelo seu oposto, lamento que a presidenta se enveredou por um caminho perigoso cujos assessores mais próximos descaradamente protegem, e mais do que isso, fazem apologia daqueles que os atacam. Essa carta do Mercadante é de uma submissão patética que não honra nem as suas cuecas. Militante do PT desde a sua fundação e se comporta como um moleque poltrão.
Paulo Bernardo, pau mandado da presidenta diz que não vai levar a frente projeto da lei dos meios. E Helena Chagas inunda os facínoras dos marinhos com bilhões de reais, como chefe da Secom.
As vezes fica difícil até de sonhar.

Responder

    Marcio H Silva

    28/04/2013 - 15h43

    Tá parecendo que Dilma é coligada ao PSDB e não ao PMDB…….que por sua vez, como partido camaleão, não podemos confiar jamais……

    tiago carneiro

    28/04/2013 - 18h26

    Pra mim, dilma (minúsculo mesmo) russerra é a presidenta do PT filiada ao psdb.

Pedro do Carmo

28/04/2013 - 14h46

Burrice e covardia!

Responder

renato

28/04/2013 - 14h26

Quero escutar a réplica.
Tem boi na linha, sempre achei este
cara um dos braços do Octopos Rei.
Vocês não perdoam, nem quem mexe no dial
do radinho, e passe rapidinho pela
radio bandeirantes.
Estão agindo como os de direita, só no
digital.

Responder

    Mário SF Alves

    28/04/2013 - 19h59

    Octopus Rei, eu entendi. Simplesmente formidável, mas… explica o resto aí, Renato.

Hélio Pereira

28/04/2013 - 13h19

Se Mercadante “não pedir pra sair”,acho que a Presidente Dilma deve “sair com ele do Governo”.
FORA MERCADANTE,Papagaio da “Falha de SP”.

Responder

alcides

28/04/2013 - 12h44

Sugiro ao Sr. Mercadante adotar uma nota permanente com o dizer: caro Otavinho, no momento estou ausente. Se neste intervalo, você espirrar,saúde.

Responder

    Marcio H Silva

    28/04/2013 - 15h45

    Se tirar uma xerox do saco do frias filho, aparece a impressão digital do Mercajante……..

Fabio Passos

28/04/2013 - 12h35

Que vergonha o mercadante elogiar um sujeito que apoiou a ditadura e financiou tortura e assassinatos.

Responder

Lafaiete de Souza Spínola

28/04/2013 - 11h58

O Mercadante, ao lado de outro ministro, é contra a aprovação dos 10% para a educação. Teve condições de estudar em colégios razoáveis. Como nada sabe sobre o Frias, possivelmente, nada saiba, ou faz de conta, sobre a pífia qualidade da nossa educação.

O Brasil, todos sabemos, é um país de analfabetos e semianalfabetos. Um diploma de segundo grau, quase sempre, não passa de um pedaço de papel. O IDEB e testes internacionais estão aí para comprovar a quem duvida dessa verdade. Depois do primeiro impacto inicial, o bolsa família passa à fase da saturação no que diz respeito à ampliação do mercado interno.

Segundo estatísticas, as classes D e E representam cerca de 75 milhões de habitantes, aproximadamente 40% da nossa população. O poder aquisitivo desses nossos conterrâneos está em torno de mirrados 10%. O que podemos esperar dentro desse quadro de calamidade?

Um investimento de pelo menos 15% do PIB na educação, em nossas condições concretas, daria um impulso, em curto prazo, no nosso mercado interno, desde que haja uma mobilização nacional.

Com a total federalização da educação, inclusive para padronizar a qualidade do ensino, cerca de 40% das nossas reservas poderia ser usada, inicialmente, para a construção de escolas, em tempo integral, tipo CIEPS, porém mais amplas, com áreas dedicadas à cultura e ao esporte e na preparação de professores. Tudo isso nas cidades e no campo.

O caminho para resolver os problemas estruturais e amenizar as injustiças sociais do Brasil está, basicamente, atrelado à EDUCAÇÃO. Precisamos, com urgência, investir, pelo menos 15% do PIB no orçamento da educação.

Deve ser disponibilizada escola com tempo integral às nossas crianças, oferecendo, com qualidade: o café da manhã, o almoço, a janta, esporte e transporte, nas cidades e no campo. Como é uma medida prioritária, inicialmente, faz-se necessária uma mobilização nacional. Podemos, por certo tempo, solicitar o engajamento laico das Igrejas, associações, sindicatos e das nossas Forças Armadas (guerra contra o analfabetismo e o atraso) para essa grande empreitada inicial.

Outros investimentos de grande porte, concomitantemente, devem ser realizados, ajudando, inclusive, a movimentar a economia de todo país: a construção civil seria acionada para a construção dessas escolas de alta qualidade, com quadras esportivas, espaços culturais, áreas de refeição e cozinhas bem equipadas etc.

Tudo isso exigindo qualidade, porém sem luxo. Durante o período de mobilização, concomitantemente, o governo deve investir na preparação de professores para atender à grande demanda. Como esse projeto é de prioridade nacional, os recursos deverão vir, entre outros: de uma nova redistribuição da nossa arrecadação; de uma renegociação da dívida pública, com a inclusão do bolsa família etc.

Não temos tempo para ficar aguardando a época do pré-sal.

Reservando aos pequenos agricultores o fornecimento da alimentação dessas escolas, haveria um crescimento do mercado interno oriundo da renda desses agricultores, além de mantê-los em suas terras. Tenho certeza que o tomate não estaria tão caro! Não se faz necessário deduzir que haveria um crescimento, também, na construção civil. Por favor, esse é o trem bala que o Brasil necessita.

Responder

    Luca K

    28/04/2013 - 16h53

    Concordo contigo! Agora outra coisa… pq puseram o Mercadante no MEC? Seria ele o nome + indicado para a pasta? Claro q NÃO! Mas puseram assim mesmo, para dar ao cara + visibilidade política. Assim as coisas são feitas.

    Mário SF Alves

    28/04/2013 - 21h20

    Faz todo sentido. Resta saber que “visibilidade política” é essa e pra quê? E, de mais a mais, precisava estuprar a História? Precisava transigir com questão desta magnitude?
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    Política… vá lá. Tá. Mil vezes ela do que a pseudo-política da radicalidade neoliberal fernandenriqueana, mas…
    ___________________________________
    Bom, a não ser que alguém aí ande achando o Chile pinochetado, e neoliberalizado na marra, seja um exemplo a ser seguido.

Luiz Carlos

28/04/2013 - 11h50

Se o PT acha que politicamente não é bom para o partido um embate com a mídia reacionária, conservadora e tendenciosa, então que pelo menos acatasse uma das grandes máximas dos liberais, que é a contenção de gastos públicos, começando com as verbas publicitárias que deveriam minguar, impedindo assim de alimentar seus adversários.

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Marcelo de Matos

28/04/2013 - 11h41

A pressa em atirar faz com que se desperdice munição inutilmente. Havia a presunção de que Mercadante sairia candidato ao governo de Sampa. Era só guardar a munição para ser gasta no momento certo. Mercadante não será candidato a nada. Quando o PT indicar o candidato comecem a atirar. A ansiedade já foi chamada de mal do século. Sei que o PT desperta sentimentos iracundos, mexendo até com “instintos primitivos”. Chegará o momento em que o candidato será escolhido e blogosfera progressista e grande mídia poderão partilhar a mesma trincheira para atacá-lo. Mercadante deverá ser apenas um burocrata a serviço do PT. Mais precisamente: cuidará das finanças da campanha de Dilma à reeleição. O próprio PIG se encarregará de tentar desmoralizá-lo: diz a lenda que há uma ala da PF especializada em fotos de dinheiro, escutas e o escambau. Por enquanto só resta aguardar, procurando conter a ansiedade.

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    francisco niterói

    28/04/2013 - 13h04

    Marcelo

    Simplesmente por amor ao debate, vou considerar que vc tem razao sobre “a pressa em atirar”, etc. e tal.

    E seguindo a sua logica, te pergunto: sbendo o mercadante que o PT gera odios iracundos e que a blogosfera ta cheia de gente apressada em atirar, vc nao acha que ele “pisou no tomate” ( pra usar uma expressao recentemente na moda) ao dar “municao” aos apressados?

    Certamente que foi só isso ( dar municao aos apressados), pois nao se vislumbra aqui a minima necessidade do mercadente defender um apoiador de torturadores, ja que ate mesmo a Folha evitou o debate.

    Em resumo, e ainda na sua logica, qual o proveito do mercadante em se expor a atiradores apressados e justamente pra defender o indefensavel? Nao seria melhor que ele tivesse permanecido em silencio? Isto seria uma atitude inteligente e evitaria esta NODOA na biografia deste personagem “TAO PERSEGUIDO”

Gerson Carneiro

28/04/2013 - 11h11

Aloizio Mercadante quer montar a Comissão da Mentira, é?

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    renato

    29/04/2013 - 13h52

    Quer ganhar a conta, receber os benefícios
    e mudar para Rede, já que na Rede só há.
    a elite da politica!
    Aos poucos eles vão mudando, quietos e
    sorrateiros…, levando consigo alguma
    estória de abandono… Preste atenção,
    não foi o primeiro, nem será o ultimo.

Luis Fernando

28/04/2013 - 11h05

Talvez a atitude de Mercadante seja por vingança.
Vingança em ver o maior nome do PT apoiar Padilha para candidato ao governo de São Paulo.
O grande problema do PT está em São Paulo. São os nomes que sujam o partido. Mercadante, Palocci, José Eduardo Cardozo entre outros.

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francisco niterói

28/04/2013 - 11h02

Nada a dizer, somente ecoar o Paulo Nogueira:” pede pra sair, mercadante”.

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J Souza

28/04/2013 - 10h55

É por isso que o Mercadante nunca foi eleito governador de São Paulo…
Os paulistas podem até ser, em sua maioria, de direita, mas, que eu saiba, não são covardes!

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Gerson Carneiro

28/04/2013 - 10h39

O minino de “Seu Frias”.

Ministro da Educação seria reprovado no ENEM.

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    Hélio Pereira

    28/04/2013 - 13h17

    Pelo menos ele imagina que possa ser considerado assim pelos herdeiros do Grupo Frias.

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