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Cartas de Minas

Igor Felippe: A metamorfose de um protesto em vandalismo

13 de junho de 2013 às 14h27

Manifestação na entrada do túnel em direção à Radial Leste. Foto: Ninja/EBC

por Igor Felippe, especial para o Viomundo

O ato contra o aumento da passagem reuniu em torno de 10 mil jovens na terça-feira (11/6), sob uma chuva forte na marcha que partiu do ponto de encontro na Praça dos Ciclistas, na Avenida Paulista (próximo à esquina com a Consolação), para terminar no Parque Dom Pedro, na entrada da Zona Leste da cidade.

Havia jovens desorganizados e organizados em agremiações políticas. O clima era tenso na concentração. Os pingos fortes davam ensaios de que viria um temporal. A Polícia Militar acompanhava de forma truculenta e parte dos manifestantes estava arredia.

Depois que a marcha começou, o clima melhorou. E a chuva caiu com força. Os jovens caminhavam rápido, praticamente corriam, com a chuva forte. Não houve atos de violência na maior parte do protesto. Apenas palavras de ordem contra o aumento, críticas ao prefeito e ao governador e algumas pichações.

Pichar é um ato tradicional de protesto em todo o mundo. Em um país em que aqueles que se manifestam não têm direito de se expressar nos meios de comunicação de massa, essa forma de enviar mensagens à sociedade é ainda mais valorizada como ação política.

Ninguém esquece, por exemplo, da pichação “Abaixo a Ditadura” em manifestação contra o regime fundado no golpe de 1964.

Os jovens cantavam, dançavam, pulavam e sorriam em uma manifestação com a cara e jeito da juventude. Na Consolação, as faixas para o fluxo de carros foram ocupadas pelo protesto, mas a via de ônibus ficou liberada durante a maior parte da caminhada, permitindo a passagem do transporte coletivo.

Uma minoria tentou impedir a passagem dos ônibus, ocupando a faixa exclusiva. Uma minoria interessada em causar confusão. Era claramente uma minoria em um ato de 10 mil pessoas.

O que não aparece na cobertura dos atos é que a maior parte dos manifestantes quer exclusivamente protestar contra o aumento da passagem.

Assim, apenas uma minoria faz ações que são usadas para justificar uma reação violenta da polícia.

Uma ação violenta e generalizada da polícia leva à desorganização do ato e a correria para todos os lados, que abrem margem para a radicalização da violência da PM e de uma minoria que quer causar confusão.

A partir daí, o caos se estabelece. Os meios de comunicação da burguesia noticiam o caos. O protesto é retratado como momentos especificamente de conflito entre manifestantes e policiais.

Os momentos antes dos conflitos – a marcha, as danças, os pulos e os sorrisos – desaparecem. A parte política do ato não aparece nas imagens, reportagens e fotos.

Assim, uma manifestação com uma pauta concreta e um sujeito político se transforma em caos, retratado como atos isolados de uma minoria e a reação violenta da polícia contra o conjunto. Uma parte do fato se transforma no todo.

A sociedade, que considera justa a luta contra o aumento da passagem, diante da quebradeira realizada por uma minoria, passa a condenar os protestos — que são justamente a força social para pressionar pela medida de redução da tarifa.

O protestos dos jovens não se resumem aos atos isolados de vandalismo. E essas ações equivocadas não justificam, em um regime democrático, a repressão a manifestações populares e a generalização da violência pela PM.

A violência institucionalizada da polícia, enquanto braço do Estado, é muito mais grave — ao ameaçar as liberdades democráticas e o direito de manifestação — do que ações equivocadas de uma minoria mal intencionada.

A miopia de uma minoria, a truculência da PM e as manipulações dos meios de comunicação não podem tirar a legitimidade da juventude que, com seus protestos, toca em questões centrais da cidade de São Paulo

Esses atos carregam, por trás da questão do preço das passagens, o questionamento do crescimento urbano desordenado, do trânsito congestionado pelo número de carros, do déficit de linhas de metrô/trem, da péssima qualidade do sistema de ônibus e do poder das empresas concessionárias.

Essas são as questões centrais para a discussão, que infelizmente estão interditadas porque viraram pano de fundo, pela intervenção daqueles que não querem resolver os problemas, que não admitem a participação popular na política e que têm vínculos com setores econômicos que não querem mudanças.

Leia também:

Sobre ativistas na Turquia e vândalos no Brasil

Maria Frô: Depredar a sede de qualquer partido é ato fascista

Wagner Iglecias: Da molecada nas ruas

São Paulo: A polêmica sobre as manifestações do Passe Livre

Jorge Souto Maior: Passe Livre e o direito de ir e vir

 

39 Comentários escrever comentário »

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Igor Felippe: A metamorfose de um protesto em vandalismo | Maria Frô

14/06/2013 - 05h46

[…] por Igor Felippe, especial para o Viomundo […]

Responder

"Não tenho mais estômago pra ver o vídeo do Pedrão espancado pela polícia" - Viomundo - O que você não vê na mídia

13/06/2013 - 22h39

[…] Igor Felippe: A metamorfose de um protesto de jovens em ato de vandalismo […]

Responder

Eduardo

13/06/2013 - 22h20

Democracia é muito bom. Todos podem falar, inclusive eu! Não tenho o hábito de ver o Jornal da Cultura, mas à caça de algo útil na TV ( tarefa dificil e geralmente frustrante) vi uma profesora de direito internacional , não vi o nome, loira, educada, comentando sobre o movimento passe livre, transformado em bagunça. Deve ser boa professora, caso contrario não lecionaria na USP. Suposição minha! Mas como analista do movimento ou bagunça , causou-me decepção e pena. Em cerca de 1 minuto falou varias besteiras. Causou-me espanto quando li a legenda informando wue era profesora de direito. O direito de expressão às vezes é ruim para quem fala e pior para quem ouve!

Responder

abolicionista

13/06/2013 - 21h47

Por falar em depredar o patrimônio público, alguém sabe quanto a ação da PM custou para os cofres públicos?

Responder

Fabio Passos

13/06/2013 - 21h39

A demanda de passagem gratuita para a populacao pobre subsidiada por imposto na ricaiada branquela e excelente.

Depredar patrimonio publico e bens de uso comum e inadmissivel.
Mas a pulica nao pode atacar, espancar e torturar cidadaos porque objetos inanimados foram destruidos.

A midia-burguesa, que inicialmente gostou de manifestacoes “contra Haddad”, agora condena os manifestantes.
A midia-lixo-corporativa defende os interesses da burguesia, que nao quer pagar imposto para subsidiar transporte dos pobres.
O PiG incita a violencia policial para “manter a ordem”.

Responder

emerson57

13/06/2013 - 19h01

o cidadão que cobre o rosto para fazer o quebra quebra é bandido.
com o ato de se esconder a própria identidade se condena.
ele se aproveita da situação para outros propósitos, políticos ou de má índole mesmo.
a polícia deve ser treinada para identificar e reprimir apenas estes e não quem está exercendo a cidadania.
o poder público deve filmar qualquer aglomeração com câmaras de alta definição para posteriormente identificar e penalizar quem não respeita a lei.
a primeira vez que fizerem isso ficarão espantados com quem encontrarão.
se num estádio alguém solta um foguete contra outro grupo, apenas ele deve ser penalizado e não a torcida inteira. as tais câmaras permitem a identificação.
quem protesta pacificamente deve ser informado que vandalismo afasta a possibilidade de sucesso do protesto.
que cada um cuide de se afastar dos bandidos infiltrados.
para atingir a cidadania temos que percorrer uma longa estrada cujo ponto de partida foi a barbárie.
ex de câmaras
http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=g0EtwHieUYE

Responder

    Fabio Passos

    13/06/2013 - 21h43

    Bandidos sao os gra-finos passeando de carrao importado e helicoptero enquanto o povo ta socado quenem sardinha em onibus e metro.

    Criminosa e a “elite” branca que se apropriou de toda a infra-estrutura publica e exilou os pobres na periferia… que perdem horas em um transporte ruim.

    Os ricos sao o crime!

Francisco

13/06/2013 - 18h49

O que me irrita é o sujeito futucar PM com vara curta por causa de 20 centavos.

Se é para fazer uma temeridade dessas, fazia logo por coisa que prestasse, que valesse a pena.

Quanto a protestar e tomar bordoada: é isso ai, meu rei. Quem fala o quer…

Responder

FrancoAtirador

13/06/2013 - 18h20

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HORA DE RELER A “PSICOLOGIA DE MASSAS DO FASCISMO”

(http://pt.scribd.com/doc/117307562/Wilhelm-Reich-PSICOLOGIA-DE-MASSAS-DO-FASCISMO)
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Wilhelm Reich na contemporaneidade

Por Anderson Soares*

Em 1932 o psicanalista Wilhelm Reich publicou o livro “Psicologia de Massas do Fascismo” enquanto assistia a ascensão do fascismo e adesão das massas às ideias de Hitler, nesta obra faz sérios questionamentos psicossociais sobre este contexto.

Mas, em relação aos dias atuais, poderíamos utilizar ferramentas atualizadas deste autor para entendermos a relação das massas com desígnios do capital e com as estruturas reacionárias que são sustentadas por seus hábitos cotidianos, bem em dias de plena pós-modernidade.

Reich, que naquele contexto já era considerado um discípulo dissidente de Sigmund Freud (ambos tiveram seus livros queimados pela “inquisição” nazista), em sua análise argumenta que, racionalmente seria de se esperar que os trabalhadores miseráveis desenvolvessem uma consciência de sua condição social o que os levaria a se livrarem da miséria social.

Mas, conforme este autor, foram justamente as massas miseráveis que contribuíram com obediência e submissão para ascensão do fascismo e demais forças autoritárias.

Em plena contemporaneidade podemos usufruir de inúmeras outras ferramentas para entender o que seria nos dias atuais uma “Psicologia de massas do neoliberalismo”.

A própria psicanálise, política do corpo, a análise micropolítica de cada contexto, o papel da subjetividade e um exame cuidadoso das relações de poder e jamais uma visão reducionista e empobrecida de entender a sociedade do capital apenas como a simples divisão entre ricos exploradores algozes e pobres vitimados.

Em plena década de trinta, Reich tentava explicar os mecanismos políticos e os processos psíquicos a que os indivíduos eram submetidos através de instituições que foram muito importantes para ascensão do fascismo, como a família patriarcal, a Igreja, o Exército.

Num processo de massificação, supressão das individualidades, enrijecimento das emoções e do fluxo energético (principalmente no que tange a sexualidade), fazendo com que os mesmos estivessem embrutecidos, insatisfeitos e vulneráveis à obediência aos carrascos, charlatões e lideranças fascistas como o ‘Führer, o ‘Duce’ ou o “Pai dos Pobres” [ou seria “O Menino Pobre que Mudou o BraZil” ?].

Numa oportuna contextualização poderemos analisar o Mercado e o Consumismo como Reguladores e Controladores das Massas, mas sem fascismos [explícitos], sem exércitos sanguinários [na América Latina, por enquanto,] e [aparentemente] sem déspotas praguejando frases de ordem de ódio aos “Inimigos da Nação”.

Na contemporaneidade está em evidência uma complexa cadeia de poderes interligados, que mais se aproxima do Panoptismo problematizado por Michel Foucault (http://www.slideshare.net/krypotoniano/o-panoptismo-foucault), do sistema que vigia e controla sem ser visto ou percebido pelos vigiados, que acabam internalizando os hábitos neuróticos que reproduzem o poder, sem a presença efetiva de algum carrasco.

A sexualidade abordada por Reich na década de trinta, não mais necessita, em dias atuais, de controle e vigilância estreitos e permanentes.
Mas controles que são efetivados e introjetados em forma de saberes e hábitos, em regimes liberais, “democráticos” onde a “liberdade” pode ser exercida.

Estéticas padrões imperam e geram estereótipos doentios, assimilados pelas massas teleguiadas, que sacrificam-se para se adaptar, serem bem aceitos e valorizados conforme as referências de beleza e comportamento do contexto.

O “sarado”, a “piriguete”, a “magra do cabelo bom que parece uma princesa” a “gostosa” da novela…estes são os padrões atuais a serem “seguidos” (em estética e comportamento) doentiamente pelas massas.

Primordial para o controle à distância em dias atuais: geração e reprodução de seres massificados e a supressão das individualidades, tão evidente em nosso cotidiano.

Aquele que ousa preservar sua singularidade em dias atuais, logo é posto na marginalidade interpessoal e adjetivado no mínimo de “alguém muito estranho”, em que hábitos, tradições e preconceitos intoxicam as percepções individuais, que ressumem-se em falas tacanhas repetidas freneticamente pelos serviçais:

“O Brasil inteiro é assim”, “as mulheres devem ser assim”, “os ricos são assim”, “os africanos são assim”…e vai.

O passo inicial de Wilhelm Reich (que teve sua teoria deturpada e difamada) nos orientar no entendimento dos aspectos psicossociais das relações de poder na contemporaneidade.

A couraça muscular cronificada que impede a autorregulação e o livre fluxo energético, impossibilitando uma vida psíquica sadia, citada pelo mesmo, está em evidência.

O hábito, cultura e massificação cristalizam as experiências emocionais negativas, que são vivenciadas no cotidiano como naturais (“todo mundo vive assim”).

As pessoas comuns continuam bastante insatisfeitas com a vida medíocre e esvaziada (repleta de poderosas camuflagens e condutas artificiais) que levam.

Sem a capacidade emocional de reagir na defesa de suas singularidades, fomentada pela justificativa da própria infelicidade diária e defesa ferrenha do mesmo sistema que os adoece e escraviza.

Em 1932 Wilhelm Reich alertou:

“O medo da liberdade das massas humanas manifesta-se na rigidez biofísica do organismo e na inflexibilidade do caráter”.

Mas suas conclusões mal interpretadas fizeram com que fosse expulso não só da Sociedade Internacional de Psicanálise como também do Partido Comunista (com argumento de que as discussões sobre sexualidade afastariam a juventude da luta “revolucionária”).

As mesmas nos servem como ferramenta valiosa para refletir as relações de poder na contemporaneidade e ainda como instrumento de libertação das singularidades ofuscadas e cerceadas pela cultura de massas.

*Anderson Soares é educador e psicopedago.

(http://www.libertas.com.br/site/index.php?central=conteudo&id=3765)
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Responder

    FrancoAtirador

    14/06/2013 - 00h53

    .
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    MÍDIA FASCISTA: À PROCURA DE UM “DUCE FÜHRER”

    Já dispõe do Patriarcalismo,

    do Aparelho Estatal Autoritário

    e do apoio ideológico da Classe Média.

    Falta apenas uma “Crise Econômica”

    para encontrar o “Grande Líder”.
    .
    .
    O NACIONAL-SOCIALISMO E A PERSONALIDADE ALEMÃ:
    Uma aproximação entre as teorias
    de Wilhelm Reich e Norbert Elias

    Por Aline Maria Dalabona

    Este trabalho investiga a relação entre estrutura social e estrutura psíquica em dois autores, Wilhelm Reich e Norbert Elias, no caso específico da Alemanha, tendo como base as obras “Psicologia de Massas do Fascismo”, e “Os Alemães”.

    A hipótese é que ambos tinham em comum uma leitura que estabelece relações entre estrutura social e estrutura da personalidade, e é nesta dimensão que este trabalho se concentra.

    Para Reich, a diferentes agrupamentos sociais e políticos correspondem diferentes níveis da estrutura do caráter humano, que pode ser traduzida como “estrutura da personalidade”.

    Elias expõe a questão de maneira semelhante, dizendo que para determinado regime político ter êxito é necessária a existência de estruturas de personalidade específicas.

    “Psicologia de Massas do Fascismo” foi publicado em 1933, antes do genocídio dos
    judeus, mas também com a preocupação de analisar a ascensão do movimento nacionalsocialista. Chegou a ser proibido na Alemanha, juntamente com outras obras do autor, em 1935, por constituir “perigo para a ordem e a segurança públicas”.

    Enquanto Reich busca a origem da personalidade alemã na Família Patriarcal, Elias a busca na Tradição Absolutista.

    Ambos atribuem especial importância à influência que as crenças sociais podem exercer sobre os indivíduos e consideram relevante a relação entre a situação atual de um povo e a sua tradição.

    A conclusão de ambos é a mesma, embora enfoquem aspectos diferentes: a tradição, familiar ou política, criou, na Alemanha, as condições necessárias para a aceitação da autoridade e obediência cega a ela e, por medo da responsabilidade individual, deixar a função de decidir unicamente nas mãos de um “líder”.

    Ao falar sobre o fascismo, Reich recorre ao conceito de estrutura do caráter, entendido como a maneira de pensar e agir do indivíduo.

    O fascismo como movimento político distingue-se de outros partidos reacionários pelo fato de ser sustentado e defendido por massas humanas.
    Por esse mesmo motivo, possui todas as características e contradições da estrutura do caráter dessas massas, sendo assim um “amálgama de sentimentos de revolta e idéias sociais reacionárias”. (REICH, 2001, p. XVIII).

    Reich define a mentalidade fascista como a do personagem que ele chama de “Zé-Ninguém”, um típico homem médio, que é subjugado, sedento de autoridade e, ao mesmo tempo, revoltado.
    O ressentido tem um sentimento inconsciente de culpa, o qual é mascarado por um processo de vitimização: o derrotado só se torna ressentido quando deixa de se ver como derrotado e passa a se ver como vítima, vítima inocente de um opressor que passa aí a ser visto como culpado.
    O ressentimento seria, assim, uma cobrança indireta de um bem cedido ao outro por submissão ou covardia.
    Este homem médio, ressentido, é, para Reich, gerado diariamente por instituições sociais, como a Família e a Igreja, as quais Reich vai analisar mais adiante.

    Disso se conclui que apesar de o fascismo ser uma expressão do caráter irracional do homem, ele não é obra de uma pessoa, mas sim das instituições que a formam.
    Reich diz ainda que o fascismo não é um partido político, mas uma certa concepção de vida e uma atitude perante o homem, o amor e o trabalho. (2001, p. XVII).
    Sendo considerado uma atitude, o fascismo não é exclusivo de um determinado grupo, classe ou país, o que significa que sua existência é possível em qualquer meio social, inclusive em círculos democráticos.

    Tentando traçar um histórico, ou o caminho percorrido pelo movimento nacional socialista, Reich aponta que na sua primeira vitória, foi em camadas das chamadas classes médias – que compreendiam os funcionários públicos, profissionais liberais, comerciantes e agricultores – que o movimento esteve apoiado.
    A classe média é que teria tornado possível a transformação do movimento fascista num movimento de massas, permitindo assim que este subisse ao poder.
    Isto se deveria ao fato de a classe média ter, em virtude da estrutura do seu caráter, uma força social particular:
    ela teria retido e conservado, segundo Reich, vários milênios de Regime Patriarcal; apesar das diferenças econômicas entre as especializações compreendidas por esta classe a situação familiar de todas elas seria idêntica.
    Outra característica da classe média que também será tratada com mais detalhes posteriormente é a sua identificação com a Autoridade, seja ela representada pelo “Poder Estatal”, pela “Nação” ou pela “Empresa em que se trabalha”.

    Para Reich esta identificação constitui um dos melhores exemplos de uma ideologia que se transformou em força material.

    Apenas antecipando um pouco a questão relacionada à Estrutura Familiar [Patriarcal], Reich considera que é nela que está a chave para o fundamento emocional da estrutura do caráter que tornou possível a ascensão do fascismo.
    A família autoritária representaria, assim, a principal fonte reprodutora do pensamento reacionário.

    Isto ajuda a entender o fato de a “Proteção à Família” ser um princípio básico de toda a política cultural reacionária.
    Segundo as palavras de Hitler, a família “é a menor e mais valiosa unidade na construção de todo o Estado”, sendo considerada a base do “Estado, da Cultura e da Civilização” e uma das mais importantes instituições que lhe servem de apoio.

    Aqui fica mais clara a importância que Reich atribui à ideologia. É como se as ideologias características de cada grupo social, mais cedo ou mais tarde, acabassem sendo submetidas à ideologia dominante, mesmo que esta não correspondesse à situação econômica particular dos grupos subalternos.
    A ideologia serviria, assim, como instrumento de manutenção e reprodução dos interesses da classe dominante.
    Para Reich, os fatores econômicos afetam a identificação do indivíduo com a Autoridade, mas são os fatores emocionais que a fundamentam e consolidam.
    Já foi comentado também que todos os grupos da classe média caracterizam-se por uma situação familiar idêntica, seria justamente nesta situação que estaria a chave para o fundamento emocional dessa estrutura de identificação. Resta saber que situação era essa e que tipo de influência ela pode ter exercido sobre os indivíduos que estavam a ela submetidos.
    A família de classe média, segundo as palavras de Reich, “constitui – exceto no caso
    dos funcionários públicos – uma empresa econômica em pequena escala”. (Ibid, p. 46). O que exige uma estreita ligação familiar entre todos os membros da família.
    Nesta família patriarcal, a posição autoritária do pai revela a relação da família com o Estado Autoritário.
    Na classe média a posição política e econômica do pai reflete-se nas relações patriarcais com o restante dos membros da família, além disso, “o Estado Autoritário tem o pai como seu representante em cada família, o que faz da família um poderoso instrumento de poder”. (Ibid, p. 50)
    O pai reproduz nos filhos a sua atitude de submissão para com a autoridade e, os filhos criam, além disso, uma forte identificação com o pai, que acaba por formar a base da identificação emocional com todo tipo de autoridade.
    O resultado deste tipo de relação seria, para Reich, a atitude passiva e obediente do indivíduo da classe média frente à figura do ‘Führer’.
    Não se trataria, desse modo, de uma disposição inerente do indivíduo para a submissão, mas da reprodução do sistema social autoritário na estrutura de caráter dos seus membros.
    Segundo Reich, a mãe também desempenha uma função na família patriarcal autoritária, dela advindo a base dos vínculos familiares, uma vez que dentro da família
    patriarcal, ela é a figura que sedimenta os laços afetivos.

    “As concepções de pátria e de nação são, no seu fundo emocional subjetivo, concepções de mãe e de família. Nas classes médias, a mãe é a pátria da criança, tal como a família é a sua ‘nação em miniatura’”. (Ibid, p. 54).

    O sentimento nazista seria, assim, o prolongamento direto da ligação familiar.
    Reich diz ainda que esta ligação com a mãe passa a ser um produto social, na medida em que se transforma em ligação familiar e nacionalista.

    Para o nacional-socialista Goebbels,
    “A idéia do Dia das Mães presta-se a honrar o que a idéia alemã simboliza: a Mãe alemã! Em parte nenhuma a esposa e a mãe têm a importância que lhe é atribuída na nova Alemanha. Ela é guardiã da vida familiar, da qual brotam as forças que reconduzirão o nosso povo para à supremacia.”

    Mas, para Reich, a ligação da ideologia familiar com a ideologia nazista vai além. Uma vez que a família de classe média vive sob constante pressão de preocupações materiais a sua tendência é buscar uma expansão econômica, o que também acabaria por reproduzir a ideologia imperialista.
    “É necessariamente isto que torna o indivíduo da classe média tão receptivo à ideologia imperialista. Ele consegue identificar-se inteiramente com o conceito personificado de nação. É assim que o imperialismo familiar é ideologicamente reproduzido no imperialismo nacional.” (Ibid, p.56).

    Estes exemplos ajudam a compreender o fato de a família ser uma das mais importantes instituições que servem de apoio ao Estado autoritário, sendo por ele tão defendida.

    Mas o Misticismo em geral, segundo Reich, também exerce importância fundamental na disseminação e manutenção da ideologia fascista, através dos efeitos psicológicos que produz.
    A trindade da religião cristã, por exemplo, refletiria diretamente o triângulo constituído pelo pai, pela mãe e pelo filho.

    A religião teria, desse modo, seus conteúdos psíquicos originados nas relações familiares, e a igreja seria a instituição responsável por inculcar nos indivíduos a concepção de Deus, a ideologia do pecado e ideologia do castigo; idéias que seriam produzidas na Sociedade e reproduzidas na Família.

    O que a religião cristã prega é que a felicidade terrena não é possível, fazendo com que o indivíduo espere receber a recompensa divina que lhe cabe apenas no Além, sucumbindo, assim, a todos os infortúnios que possam lhe aparecer na vida.

    “Na verdade, o homem religioso encontra-se num estado de total desamparo. […] Quanto mais desamparado ele se torna, mais é forçado a acreditar em forças sobrenaturais que o apóiam e o protegem.” (Ibid, p. 139).

    Por trás de todas estas considerações existe uma questão que ocupa lugar de extrema
    importância no trabalho de Reich: a repressão sexual.
    A função da família seria, em primeiro lugar, proporcionar a combinação da estrutura socioeconômica com a estrutura sexual da sociedade nos primeiros anos de vida da criança, mais tarde essa função passaria a ser desempenhada pela Igreja.
    A família seria, para Reich, a instituição social em que convergiriam os interesses econômicos e sociais do sistema autoritário.

    Explicando como esta convergência se processa e como ela opera, Reich diz que

    “A inibição moral da sexualidade natural na infância, (…) torna a criança medrosa, tímida, submissa, obediente, “boa” e “dócil”, no sentido autoritário das palavras.
    Ela tem um efeito de paralisação sobre as forças de rebelião do homem, porque qualquer impulso vital é associado ao medo; e como sexo é um assunto proibido, há uma paralisação geral do pensamento e do espírito crítico.
    Em resumo, o objetivo da moralidade é a criação do indivíduo submisso que se adapta à ordem autoritária, apesar do sofrimento e da humilhação.
    Assim, a Família é o Estado Autoritário em miniatura, ao qual a criança deve aprender a se adaptar, como uma preparação para o ajustamento geral que será exigido dela mais tarde. (Ibid, p. 28)

    Na questão da inculcação de medos as três instituições que desempenham papel fundamental na formação dos indivíduos, Família, Escola e Igreja, operam de maneira
    semelhante, através da Lógica do Castigo.

    O medo da punição é, portanto, fator presente na vida de grande parte dos membros de uma sociedade.

    Se para Reich a tradição da família patriarcal autoritária está na raiz da estrutura da personalidade das massas alemãs, Elias enfoca outros fatores, principalmente a tradição política.

    Falando da teoria da personalidade autoritária, trabalhada por Adorno e que muito se assemelha a de Reich, cujo pressuposto é de que as pessoas, em resultado de uma estrutura familiar específica desenvolvem a síndrome da estrutura de caráter que lhe corresponde, Elias diz que
    “essa explicação não é necessariamente descartada mas tampouco é adequada. A estrutura familiar autoritária está, ela própria, estreitamente ligada à estrutura autoritária do Estado. Para se reconhecer isso, é necessário olhar a organização do Estado como uma organização em processo de desenvolvimento, de devir, como um aspecto de um processo a longo prazo.” (ELIAS, 1997, p. 259).

    Para Reich, na base da formação da personalidade está o conflito entre pulsão e frustração, ou seja, entre desejo e repressão, e a forma como esse conflito é resolvido. Mas estes conflitos ocorrem já na infância, sendo, portanto, a família a principal responsável na sua resolução, que se dá, segundo o autor, sempre através de uma repressão ainda maior, capaz de “domesticar” as crianças a partir do medo da punição.

    Reich reconhece que os pais são apenas executores inconscientes de um poder social, uma vez que são interesses sociais que provocam determinados tipos de repressão em determinadas épocas, mas não retira o papel central que atribui à família na formação da personalidade.
    Da mesma maneira Elias reconhece a importância da família nesse processo de formação da personalidade, no entanto, apenas enquanto elemento já totalmente submetido ao Estado autoritário.

    [Saudades da Ditadura]

    Os Estados alemães tiveram um regime absolutista ininterrupto durante séculos, até 1918. A estrutura da personalidade dos alemães estava perfeitamente adaptada e afinada a esta tradição; os modelos do Estado autoritário sempre desempenharam um papel central em suas vidas.

    Esta tradição absolutista fez com que se desenvolvesse nos alemães uma espécie de aversão ao regime parlamentar.

    Um regime absolutista era, para os alemães, uma forma de governo muito mais simples e descomplicada, uma vez que todas as decisões políticas importantes eram tomadas pelo “homem forte no comando”; neste regime era suficiente que cada um se preocupasse em cuidar apenas de sua vida privada.

    Uma estrutura da personalidade adaptada a um regime monárquico-absolutista ou ditatorial admite grande margem para a presteza da pessoa individual em aceitar ordens, para consentir em ser guiada por coações externas.
    Ao cidadão é poupado, portanto, o pesado fardo de ter de participar em debates com pessoas de diferentes opiniões.
    O governado não precisa decidir a favor de um ou do outro lado.
    A ordem vem de cima; a decisão foi tomada.
    Sob um regime desse tipo, a pessoa individual ainda permanece num status semelhante ao de uma criança em relação ao Estado.
    As ordens dos pais nem sempre são confortáveis, e o mesmo é também verdadeiro a respeito das ordens de príncipes aristocráticos e de ditadores.
    Mas, afinal, a pessoa confia neles. (Ibid, pp. 261-262)

    Isto nos faz lembrar das palavras de Maria Rita Kehl, falando das pessoas ressentidas. Para ela “o ressentimento também expressa a recusa do sujeito em sair da dependência: ele prefere ser ‘protegido’ – ainda que prejudicado – a ser livre, mas desamparado”. (op. cit., p. 14). Diz ainda que […] sua face mais nefasta [a do ressentimento] é a que promove a adesão dos indivíduos a sistemas totalitários, na esperança de que a adesão e a participação nas tarefas exigidas pela máquina do poder os fortaleça e lhes garanta a segurança de um sentimento de identidade pelo pertencimento a um sistema forte. O totalitarismo promove nos homens do ressentimento uma forte paixão pela servidão , a mesma que faz, em menor grau, que um empregado se orgulhe de obedecer às ordens de um patrão importante. Servir voluntariamente ao totalitarismo é uma forma de participar do poder […] sem ter de se responsabilizar por suas conseqüências.” (Ibid, p. 223).

    É desta tradição absolutista internalizada, que produziu crenças e atitudes afinadas com um forte governo de cima para baixo, que viria a aversão ao regime parlamentar, pois este legitima o conflito entre pessoas ou grupos de pessoas.
    Isto exige das pessoas que participem de debates, que assumam certas regras.

    As incessantes tensões entre diferentes partidos, além disso, lembrariam as lutas e desavenças entre os próprios alemães, que eram constantes num passado recente.
    Era como se os vários partidos fossem descendentes em linha direta da divisão do Reich em várias unidades-Estado rivais.

    A submissão a uma autoridade, para Elias, além de dar a sensação de “proteção” e segurança, trazia uma recompensa na satisfação de que uma pessoa não precisava preocupar-se com assuntos do Estado, a responsabilidade não precisava ficar nas mãos dela.
    Isto estava presente até em clássicos versos alemães, um deles, citado pelo autor diz

    “Agradeço a Deus a cada nova manhã,
    por não precisar cuidar do Império Romano.”

    Ter uma autoridade a quem obedecer era ter alívio.

    Por isso, para Elias
    “a transição para um regime não-autoritário requer aprendizagem de novas técnicas e aptidões sociais, que fazem maiores exigências à independência e ao autodomínio das pessoas, e capacidade para formular opiniões e juízos próprios. Por via de regra, os povos só gradualmente emergem de uma longa era de autocracia em que hábitos afins ganharam raízes, e é muito comum a inclinação, na fase de transição, para reverter a uma fase de autocracia diante de qualquer crise mais séria.” (ELIAS, 1997, p. 303).

    Desacostumados que eram em tomar decisões e sentirem-se responsáveis por elas, os alemães acabaram desenvolvendo, em virtude de suas tradições, uma consciência individual bastante fraca.

    Isto está de acordo com análise que Karl Mannheim faz do pensamento moderno.

    Para ele o desenvolvimento alemão caracteriza-se também por uma forte repressão dos grupos dominantes sobre os grupos subalternos, evitando desse modo revoluções.
    Esta barreira contra revoluções estaria, por sua vez, relacionada com o fato de que a “facção militar constituía o núcleo do corpo social alemão”. (MANNHEIM, 1986, p. 85).

    Íntegra em:

    (http://www.humanas.ufpr.br/portal/cienciassociais/files/2012/06/DALABONAAline-Maria.pdf)

    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

    ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. São Paulo: Diagrama & Texto, 1983.
    ELIAS, Norbert. Os Alemães: a luta pelo poder e a evolução do habitus nos séculos XIX e XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1987.
    ELIAS, Norbert e SCOTSON, John L. Os Estabelecidos e os Outsiders. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999.
    KEHL, Maria R. Ressentimento. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.
    MANNHEIM, Karl. “O Pensamento Conservador”. In. MARTINS, José de Souza.
    Introdução Crítica à Sociologia Rural. São Paulo: Editora Hucitec, 1986.
    REICH, Wilhelm. Psicologia de massas do fascismo. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
    REICH, Wilhelm. Análise do caráter. São Paulo: Martins Fontes, 2004
    .
    .

zé eduardo

13/06/2013 - 18h06

Parabéns, perfeito. Os parágrafos finais, a meu ver, dizem tudo o que eu gostaria de ler. Acho que a escolha do viés da abordagem para a análise desses eventos requer uma análise política ampla como essa, capaz de nos levar coletivamente a uma reflexão crítica e autocrítica, superando o jargão batido do senso comum ao qual se limita a grande mídia corporativa.

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André

13/06/2013 - 17h58

Boa tarde e me perdoe a crítica, mas em qualquer lugar do mundo tem protesto; em qualquer lugar do mundo há minorias descontroladas que causam vandalismo em meio aos protestos; em qualquer lugar do mundo a polícia reage e, em qualquer lugar do mundo, quem tem uma boa causa e vai a luta para protestar e se tornar “visível”, deve levar em conta que isso tudo vai acontecer. Dou total apoio a protestos justos, considero que eventuais vandalismos fazem parte do “pacote” e a sociedade tem que tolerar pelo reconhecimento da justa causa mas, imaginar que a polícia deva tolerar é muita ingenuidade e uma idéia muito original dos nossos analistas. Polícia existe para manter a ordem pelo poder da coerção, que inclusive, é a própria definição do poder policial. Quem ignora isso e chora o previsível confronto e suas conseqüências quer mais direito do que aquele contido no direito ao protesto em si. E depois, sou cidadão paulista e me preocupa um pouco que, por razões como o modelo de educação pública adotado pelo estado, que segrega e praticamente inviabiliza o acesso da grande maioria da população aos níveis superiores de educação (para citar só o óbvio), claramente privilegiando as classes mais abastadas, ninguem se mobilize. Algo nisso tudo parece não casar.

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Zanchetta

13/06/2013 - 17h31

Fora HADDAD!!!! kkkkkk, eu me divirto!!! Spray de pimenta no rabo dos outros é 3,20!!!

Responder

    abolicionista

    13/06/2013 - 22h11

    É assim que você se diverte? Eu prefiro encontrar com os amigos, namorar, ir ao cinema. Cada um com seu gosto. Só não chega perto, por favor, tá? (nojo)

Zanchetta

13/06/2013 - 17h27

Será que o dinheiro que o Lula deu para a UNE já acabou? Foram quase 40 Milhões…

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Edgar Rocha

13/06/2013 - 17h04

A impressão que me deu é que o autor desse texto esperou pra ver a reação da opinião pública e se pautou pelos comentários e críticas pra criar um discurso adequado e dar à manifestação uma aura de organização e uma proposta mais aceitável. Enfim, depois do feito, agora é que vem com o texto prontinho, redondinho. Um dia eles aprendem, é o que eu espero.

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Ramalho

13/06/2013 - 16h35

Nas passeatas gays, em jogos de futebol, em viradas culturais há furtos, roubos, assassinatos, depredações, tráfico de drogas, bagunça. Muitos desses eventos são promovidos por prefeituras paulistas e pelo estado de São Paulo. Nestes casos, não se vê a malta vitoriana paulista a bradar contra os promotores dos eventos e nem a pleitear a condenação dos promotores por formação de quadrilha. Também não se vê a malta puritana (falsamente puritana) reclamar das péssimas condições de transporte do Povo Paulistano tratado como gado por um sistema de transporte caro e de péssima qualidade (que obriga o Povo Paulistano a despender quatro horas em média para ir ao trabalho e dele voltar).

A malta falsa puritana paulistana, rebotalho da nacionalidade, é inimiga do Povo Paulistano e do Brasil.

Responder

Ramalho

13/06/2013 - 16h20

Com o perdão dos paulistanos democráticos, não se pode deixar de ter a impressão de que São Paulo é polo reacionário e antidemocrático.

Entre os populares de São Paulo, mormente os de classe média, vê-se manifestação de racismo, aculturamento digno dos botocudos (bom é quem fala inglês e aquilo que vem da Europa Ocidental e dos EUA), rejeição a tudo o que esteja, grosso modo, em latitude superior à de São Paulo, incluindo Rio de Janeiro, Bahia, Brasília, Minas, região norte e especialmente o restante do nordeste. É gente capaz de ficar uma noite inteira na fila para comprar ingresso para show de Justin Bieber, enfim coisa de causar vergonha a quem vê.

O reacionarismo e a intolerância dessa gente são constatáveis nas redes sociais, nas quais são frequentes manifestações de condenação de todo e qualquer movimento social, quer seja na USP, ou nas ruas; quer seja de alunos, de professores, de policiais civis, de sem-teto, ou de sem-terra. Autoridades fazem apologia de assassinato de manifestantes em rede social (caso do promotor), atacam a presidente da república acusando-a de assassina sem se assentar em provas (caso da promotora).

Apresentadores de televisão lideram movimentos de intolerância contra jovens (criminalizando as vítimas de uma sociedade ostentatória, violenta, discriminadora e promotora de desigualdade), caso do líder Datena.

A polícia provoca tumultos violentando manifestações cujo transcurso, até a chegada dela, era pacífico, caso da passeata contra o aumento das passagens de ônibus em São Paulo; infiltra agitadores em movimento, como se viu nas manifestações dos professores paulistas; agride colegas de profissão, como fez quando os policiais civis marcharam em passeata; violenta mulheres e crianças, como aconteceu em Pinheirinho.

O comportamento policial estarrecedor é avalizado invariavelmente pelo governador de São Paulo, lamentavelmente. Nestes crimes policiais, Alckimin está implicado por causa da famosa teoria do domínio do fato, aplicável dadas as circunstâncias.

Absolutamente desanimador, porém, é ver que as ideias e atitudes de extrema-direita de parcela da classe média paulista (que pensa que é burguesa, mas que não passa de gente pobre com carro), as ações de uma polícia truculenta e as decisões de um governador mais truculento ainda têm a aprovação do Povo Paulista como informam certas pesquisas. Fica explicado o porquê de Fleury ter vicejado em São Paulo, pois flores venenosas vicejam no lodo.

São Paulo foi e é polo reacionário e antidemocrático, e, por isto, atrasou e atrasa o processo democrático nacional.

Responder

    wagner paulista de souza

    13/06/2013 - 18h30

    Esse comentário é “Du RAmalho”. Parabéns.

    Alexandro Rodrigues

    13/06/2013 - 19h02

    Sao Paulo e como o meio-oeste norte-americano! So tem reaca!

kalifa

13/06/2013 - 16h13

Então a minoria que agiu pelo psdb queriam o caos e a impressa golpista assim anunciou?

Responder

Willian

13/06/2013 - 16h03

Os líderes andam de ônibus? Por que aqueles que andam de ônibus e serão atingidos pelo aumento não fazem parte da manifestação ou pelo menos não são parte da liderança.

Os líderes que se apresentaram são todos burgueses (o bom burguês!), estudantes da USP ou professores.

Responder

Maria Izabel L Silva

13/06/2013 - 15h53

Não tinha um carro de som pra explicar pra população os motivos do protesto e a nobreza da causa? Não tinha uma orientação preventiva para evitar que mais de 80 onibus fossem tiradom de circulação naquele dia por conta da furia dos manifestantes? Não tinha um panfleto para ser entregue as pessoas sobre os principios e valores do movimento? Foi tudo assim, na base do facebook? Por que a comissão de frente da passeata esta com os rostos encobertos por lenços e capuzes, como se fossem assaltantes de banco? Por que lincharam um policial (eram mais de 10 contra 1)? Por que alguns carregavam coquetel molotov e as lideranças deixaram? Por que não identificam e apontam qual é o perfil dos arruaceiros que dizem ser a minoria? De onde vieram estes arruaceiros? Que irresponsabilidade é essa, de parar o centro de São Paulo sem um minimo de organização, sem sequer construir um discurso coerente, inteligivel, para nós, pobres mortais que não entendemos as razões de tanto odio e tanta furia? Por que depredaram a sede do PT? Por fim, por que as unicas exigencias do movimento junto ao MP é a questão dos vinte centavos? Não tem mais nada tipo Saude, Educação, medicos para os pobres, transporte de qualidade? É só por causa de vinte centavos? Quanta justiça social e que desperdicio de energia.

Responder

    Elvys

    13/06/2013 - 17h23

    Ufa, finalmente um comentário sensato!!

Júlio Pegna

13/06/2013 - 15h53

Já vi e participei de dezenas de manifestações, greves e movimentos com muito mais gente na rua, lá pelos anos 80. A policia sempre vinha dar porrada, é assim que eles agem. As TVs mostravam o sangue, é óbvio, no melhor estilo sensacionalista.
Mas os movimentos eram sempre organizados, com lideranças, com megafones e, sobretudo, ordem!
O objetivo da manifestação está em alcançar o que se quer. Com violência dos manifestantes não tem como dar certo.

Minha impressão é que esta “minoria” citada é muito bem organizada, está camuflada, rosto coberto, e sabe exatamente o que fazer para jogar gasolina na fogueira … tontos aqueles que acham que é descontrole da massa!

Responder

    Leo V

    13/06/2013 - 16h49

    Júlio, vamos aos fatos.

    Não se trata de defesa de quebra vitrines ou algo do tipo. Mas é bom ter o pé na realidade.

    Semanas atrás em Porto Alegre as manifestações conseguiram o que pretendiam imediatamente: reverter o aumento da tarifa. Não tinha carro de som, “lideranças” no sentindo posto por você.
    O mesmo aconteceu em outras cidades em outros anos. E eu pude viver essa experiência vitoriosa por duas vezes em Florianópolis.

    Confundir ausência de carro de som com desorganização é o mesmo que confundir “Salvação” com “Igreja”, para lembrar da analogia de Ivan Illich.

    Muita gente se diz de esquerda mas quando vê movimentos sociais autônomos, as pessoas tomando as ruas sem controle de burocracias e partidos, parecem que ficam assustadas. É aí que vemos a tremenda diferença de visão de mundo, e tenho mais certeza de que ‘esquerda’ e ‘direita’ não diz muita coisa, mas sim que está com os de cima e quem está com os de baixo.

mariazinha

13/06/2013 - 15h38

É impossível dar corda para esses meninos. Não sabem da missa a metade sobre as necessidades da população ou sobre como é difícil para o BRASIL SER GOVERNADO DEBAIXO DE ATAQUES, DIUTURNOS, dos inimigos alienígenas e traidores. Agora, como nada podem reclamar diante de um governo que tudo faz pelo social, reclamam de vinte centavos a mais na passagem. Querem é se drogar à vontade e levar a vida na flauta. Não sabem o que é sofrer, de verdade como outrora, outros estudantes sofreram. Precisam aprender a dialogar e a sentir que nem tudo pode ser conseguido, assim, na base da coação.

Responder

    Leo V

    13/06/2013 - 15h47

    marizinha, você é daquelas que acham que quando um partido com bandeira vermelha está no governo os movimentos sociais devem morrer e o povo deve se desfazer do único poder que tem para mudar as coisas que é tomar as ruas?

    Finalmente gente organizada está conseguindo fazer algo para tentar reequilibrar a correlação de forças que fez esse governo de ‘esquerda’ ir tão para a direita, e agora vem você reclamar deste fato.

    Quer dizer que a única pressão válida sobre o governo para você é a do capital, que não precisa evidentemente tomar as ruas pois as próprias ruas são estruturadas por ele?

    Você acha ruim que um movimento de rua faça um governo pender mais à esquerda?

    Bertold

    13/06/2013 - 18h22

    Oh, garotão, que pena que você não tenha participado das grandes lutas pela democratização do país, da luta pela anistia e à libertação dos presos políticos, não vivenciou o movimento dos metalúrgicos de abc, dos químicos, dos bancários, do movimento da contra a carestia e o custo de vida, a luta pelas eleições diretas, o movimento dos canavieiros, dos sem terras e sem tetos e tantos outros para saber que, na história, em qualquer lugar, e muito menos no Brasil, sem organização e norte político não se chega a lugar nenhum. Ou você acha que revoluções vem do chofre do espontaneismo?

    mariazinha

    13/06/2013 - 18h23

    VC não me conhece e então não pode achar nada sobre mim. Suas palavras,sim, mostram que estou certa em reclamar de seus métodos. Suas ações, tb, mostram que não podemos concordar com elas, pois não possuem legitimidade. Queimar ônibus com bombas é coisa de bandido; juntar em monte para bater em um é coisa de covarde; possibilitar aos arruaceiros tornar um caos a vida das pessoas, mostra imaturidade; agitar uma bandeira sem lastro mas manchada pela desonra é sinal de ignorância e falta de patriotismo. Nada sabem sobre as necessidades do BRASIL, falta humildade para discutir sobre essas necessidades com as massas. Não SOU DESTAS NEM DAQUELAS SOU PELO BRASIL e agora, NOSSO PAÍS menos precisa é de uma baderna dessas, esse radicalismo, em véspera de Copa. Sabem bem que aqui vive-se em constante perigo de retrocesso, de golpe. Eu botava mais fé na juventude brasileira. Uma decepção só!

    Rodrigo

    13/06/2013 - 15h56

    Governo que faz tudo pelo social??!? AONDE VC VIVE?!!? QUERO IR MORAR AI TAMBÉM!!

    Malvina Cruela

    13/06/2013 - 18h32

    mariazinha é personagem de conto de fadas…

IZA

13/06/2013 - 15h29

Esse rapaz, que eu não conheço, deveria se explicar melhor.
Já fiz muitas passeatas, muitas manifestações. Nada mais difícil do que controlar milhares de pessoas. Não me lembro de nenhuma, que tenha acabado nesse quebra-quebra generalizado. Por isso mesmo, uma manifestação, deve ter direção, organização e responsáveis. O que essa não tinha!
O que se vê agora é um monte de gente, querendo tirar o corpo fora de suas responsabilidades e jogar toda a culpa em uma “minoria” e na PM (que realmente é truculenta e mal preparada)
O sr. Igor Felippe, deveria ter um pouco de coragem e citar nominalmente, com ele fez citando a PM, os nomes e as entidades a que pertencem a “minoria que faz ações que são usadas para justificar uma reação violenta da polícia.”
A pichação “Abaixo a Ditadura”, sr. Igor Felippe, não se enquadra aos tempos de hoje.
Hoje o Brasil tem total liberdade.

Responder

    Leo V

    13/06/2013 - 15h42

    Iza,

    Tem certeza de que você participou de manifestações e não de marchas fúnebres?

    O que você chama de “organização” é melhor você chamar pela palavra correta: falta de autonomia, controle rígido.

    Uma manifestação é convocada por um grupo ou coletivo que se organiza em torno de uma reivindicação. As pessoas aderem e comparecem. O resto é história… ou faz história.

    Provavelmente você também deve achar que no Egito, na Turquia, também muita gente faltou com suas responsabilidades de controlar cada um dos milhares de descontentes que saíram às ruas.

    Iza

    13/06/2013 - 16h11

    Em que manifestação BEM ORGANIZADA, não há lideranças e responsáveis?
    Procure se informar!
    No Egito, na Turquia havia e ainda há organização e liderança conhecida.
    É tão verdade o que estou dizendo, que anteontem, na reunião com aquele promotor, os que “ficaram de fora”, disseram que os que estavam conversando com o promotor, não os representavam.
    Que “p” de liderança existe nessas manifestações?

    FrancoAtirador

    13/06/2013 - 15h13

    .
    .
    Como sempre ocorre num País de Imprensa Fascista

    vai prevalecer o que é publicado na Mídia Bandida.
    .
    .
    O estado de São Paulo, sobretudo a Capital,

    é, historicamente, a Sede do Fascismo BraZileiro.

    É ingenuidade de qualquer movimento coletivo

    achar que os fascistas vão entregar a rapadura.

    Inda mais agora, nos dias que correm,

    quando trocaram a vergonha e o medo

    pelo orgulho máximo de ser Fascista

    estimulado pela Mídia e pelo Estado.
    .
    .

Gustavo

13/06/2013 - 14h50

Mas como não é vira uam manifestação de direita com interesses.

chegam ao ponto de dizer que nao tinha negro no protesto.

Responder

Gustavo

13/06/2013 - 14h50

Ah se fosse na gestão do Kassab.

Ahh se fosse o Serra.

O pessoal daqui iria estar adorando tudo isto, no maior apoio.

Responder

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