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Matemática do ministério: Quantas divisões tem Dilma no Congresso?

24 de novembro de 2014 às 10h33

civil

Alguém se surpreende com as contradições do Brasil? Acima, um governante “civil”

por Luiz Carlos Azenha

Logo depois do I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, em 2010, sentei-me em um bar ao lado de Miguel do Rosário, de O Cafezinho. Alertei-o de que Dilma, eleita, faria um governo conservador. Não deu outra: uma das primeiras decisões da presidente eleita foi participar de uma festa da Folha de S. Paulo, jornal que havia publicado a ficha falsa da ainda candidata, em primeira página. Depois, veio o omelete com Ana Maria Braga. E decisões constrangedoras para os defensores da reforma agrária, dos direitos indígenas, do meio ambiente e de outros setores que haviam batalhado por Dilma.

Ao assumir, Dilma não fez mais que repetir o que aprendeu com quem a “inventou” para a política eleitoral, o ex-presidente Lula. Trazer para dentro do governo as dissensões explícitas na sociedade, atuar como mediadora, aplicar o movimento do pêndulo de acordo com a conjuntura. Ora à esquerda, ora à direita. Trata-se de um presidencialismo muito parecido com o parlamentarismo, a partir da constatação de que um presidente sem base de apoio no Congresso, no Brasil, em geral acaba apeado do poder. Real politik.

Por isso, é curioso ver agora gente que se diz “surpresa” com as indicações de Dilma para o ministério. Suponho até que as “reportagens” que leio nos jornais, baseadas em fontes anônimas segundo as quais haveria reação do PT às escolhas da presidente, tenham sido turbinadas. Qualquer observador da cena política brasileira minimamente informado pode se opor às escolhas por motivos ideológicos, mas reconhecerá que Dilma simplesmente está aplicando a matemática eleitoral. Qual é a surpresa de uma pessoa agir de acordo com seu instinto de sobrevivência?

Basta relembrar dois números das eleições recentes para entender: a bancada do PT no Congresso foi reduzida de 88 para 70 deputados. A bancada ruralista, de acordo com a Frente Parlamentar Agropecuária, tem o potencial de atingir 257 dos 513 deputados, ou 50% do Congresso. Além disso, o PMDB não é um parceiro confiável. Mais ainda, estamos diante de uma investigação da Petrobras cujo futuro é impossível prever.

Por isso, do ponto-de-vista de sobrevivência política — friso, da matemática do Congresso –, faz todo o sentido indicar Kátia Abreu, do PMDB, para o ministério.

Quanto ao ortodoxo Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, sempre dissemos neste espaço que, depois da derrota eleitoral por pouco, o que realmente importava à direita era o controle da economia. Quem vai pagar a conta da crise, agora que o jogo ganha-ganha dos mandatos de Lula se esgotou, é o verdadeiro terceiro turno de 2014. Tudo o mais, inclusive o chamado “petrolão”, é subsidiário, uma vez que ficará absolutamente cristalino, em pouco tempo, que as empreteiras brasileiras irrigaram com suas doações e propinas gente de quase todos os partidos, provavelmente menos o PSOL.

Do ponto-de-vista do PT, a solução do imbróglio acima seria uma reforma política capaz, a médio prazo, de reverter o absoluto domínio do Congresso pelas bancadas empresarial, ruralista e evangélica. Porém, com a presidente preocupada com sua própria sobrevivência política, isso não deve acontecer. Pelo mesmo motivo, também não vai haver regulamentação da mídia eletrônica.

Nestas circunstâncias, um plebiscito sobre reforma política poderia servir para politizar a discussão, mas dependendo do que estiver em jogo tem o potencial de representar retrocesso, com o fim do voto obrigatório, a instalação do voto distrital e o endosso de outras posições da direita. Afinal, alguém duvida da militância midiática em defesa das posições conservadoras?

À esquerda, resta a mobilização popular para perder de pouco. Dilma fará o governo do possível diante de limitações políticas e, sobretudo, econômicas. A conjuntura atual me faz lembrar de algo que “aprendi” no Instituto de Educação Ernesto Monte, em Bauru, quando se falava na Revolução de 1932, de uma professora que se orgulhava de seu “paulistismo”. “São Paulo perdeu a guerra, mas venceu”, dizia ela.

A direita perdeu em 2014, mas venceu. Tem maioria no Congresso e um “petrolão” para divulgar na mídia de acordo com seu viés.

Dilma escolheu o núcleo conservador de seu ministério para anunciar primeiro. Tudo indica que, em cargos menos importantes, usará o pêndulo. Em 2018, mais uma vez, o PT em campanha fará uma inflexão à esquerda — de algumas semanas de duração. Este é o caráter de nossa modernização conservadora, que com o Congresso instalado em 2015 será mais conservadora e menos modernizante.

Leia também:

Alexandre Garcia fala bobagem na Globo

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46 Comentários escrever comentário »

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Cláudio

05/12/2014 - 08h13

É melhor unir do que dividir… A união faz a força. Alô partidos de esquerda!!!!…

♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥

****

*************.

* . . . . **** . . . . Lei de Mídias Já!!!! **** … “Com o tempo, uma imprensa [mídia] cínica, mercenária, demagógica e corruta formará um público tão vil como ela mesma” *** * Joseph Pulitzer. **** … … “Se você não for cuidadoso(a), os jornais [mídias] farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo” *** * Malcolm X. … … … Ley de Medios Já ! ! ! . . . … … … …

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abolicionista

25/11/2014 - 11h49

Sabe o que falta a Dilma? Coragem. Só isso. Tudo será impossível até você tentar. A presidenta precisa ser combativa, precisa mostrar que tem sangue nas veias. Eu preferiria ver Dilma perder lutando com um congresso corrupto e fisiológico do que essa figura apática, triste e frágil que os marqueteiros do PT tentam nos vender. Dá para fazer muito, muito mais do que Dilma está fazendo. O problema é que Dilma alia sua covardia política a uma visão tecnocrática e desenvolvimentista, pouco afeita à complexidade do mundo contemporâneo. A vitória de Dilma foi uma vitória de Pirro, o prego que faltava no caixão da esquerda brasileira. Abrimos as portas para o fascismo. O PT será escorraçado após o término desse mandato, e nunca mais voltará ao poder, porque não terá mais a confiança do eleitor. Isso é culpa da mídia? Sim. É culpa do PSDB? Sim. É culpa de nossa elite brucutu? Sim. Mas é culpa também do PT. E, infelizmente, o PT ainda é o grande partido que representa a esquerda brasileira. Junto com o PT, estão sendo criminalizados todos os partidos de esquerda, todos os seus símbolos, suas crenças e até o seu vocabulário. Gostaria de ver apenas um pouco de honra por parte da presidenta, um pouco de respeito e dignidade, nós não temos sangue de barata, presidenta, honre o seu cargo!

Responder

    José Magno

    25/11/2014 - 13h00

    Abolicionista seu comentário é pertinente acredito que o PT está recuando em passos largos para trás pensando que para ele é mais facil ser estilinge do que vidraça. O PT tem em foco que em 2018 o candidato é imbativel LULA e não precisará dessas forças politicas para apoio pois ficará a cargo do povão.
    A resposta está nas mãos de DEUS…Se Êle der vida e saúde ao LULA essa tese vingará caso contrário…

    Republicano

    27/11/2014 - 16h35

    Cabe ao governo Dilma corresponder aos anseios dos bancos, dos latifundiários e do PSDB?

    Maria das Graças Rallo

    01/01/2015 - 16h40

    Concordo em genero numero e grau

abolicionista

25/11/2014 - 11h29

Concordo com a visão do jornalista Azenha, mas acho que sobrevivência política não é apenas vencer eleições.

No caso do PT, essa é a lógica que está aos poucos destruindo os alicerces políticos do partido.

Por isso penso que Dilma não pode continuar fazendo a tática de coalizão ampla e irrestrita inaugurada por Lula.

Porque isso já abriu caminho para o fascismo antipetista, esse sim ganhando terreno a olhos vistos.

Mais do mesmo significa mais um passo em direção ao suicídio político da esquerda brasileira.

Nem tudo se resume a ganhar as eleições. Onde a esquerda não cumpre suas promessas, abandona o povo à própria sorte, surge o fascismo.

Dilma, por um momento, no final de sua campanha, acenou com uma postura mais combativa, foi isso que a levou à presidência.

Se é para entregar tudo à direita, seria melhor ter perdido a eleição e preservado o que sobrava de legitimidade no PT.

A pressão popular não vai surgir do nada. O PT não politizou a classe trabalhadora, pelo contrário, fez de tudo para evitar sua politização (Lula ironizou os que acreditam em “luta ideológica”… bom, hoje não ironiza mais.

É a receita para o fascismo, que, como nenhuma força nova entrou em ação, vai continuar a aumentar.

Responder

O Mar da Silva

25/11/2014 - 09h25

Lembro a Marilena Chauí que responsabilizou o PFL por destruir o PSDB, levando-o para a direita da direita, dizendo que o PMDB fez o mesmo com o PT.

Ainda assim, acho que o país não suportaria uma crise como a que acontece na Espanha ou na Grécia sem sérios conflitos internos. Não esse conflito que assistimos da polícia matando a torto e a direito. Mas um conflito social com estudantes e trabalhadores defendo seus poucos direitos conquistados, depois de 12 anos de PT no poder.

Responder

Pafúncio Brasileiro

25/11/2014 - 09h21

Azenha,
O que você colocou é absolutamente correto. Não teremos os avanços necessários. A “grande” mídia, associada a políticos conservadores, já pautou a vida nacional. Dilma não quer confrontos pelo caminho, acomodou-se.

Responder

Walter

25/11/2014 - 07h26

Parabéns Azenha.
Me surpreende porém a posição desolada dos petistas de carteirinha sobre uma coisa que já estava desenhada desde o outro governo.
Querem governo de esquerda?
É de Luciana Genro pra lá.
PT é direita , e fim de papo.

Responder

José X.

24/11/2014 - 21h48

“Alertei-o de que Dilma, eleita, faria um governo conservador.”
—————————————————————

Quer dizer que participar de uma festa naquele lixo que é a Folha e fazer um omelete naquele lixo que é a Globo transformam o governo de Dilma em “conservador” ?
Haja mediocridade…

O governo de Dilma continuou segurando a inflação, diminuiu o desemprego, continuou valorizando o salário mínimo, está reconstruindo a infra-estrutura brasileira destroçada pelos tucanos, continua investindo em programas sociais…mas é um governo “conservador” ? Fala sério hein…

Acho que Dilma cometeu dois erros gravíssimos: não enfrentou a máfia midiática, e foi muito descuidada em suas nomeações para o judiciário. Lula cometeu apenas o 2º erro, suas nomeações para o STF foram um desastre, mas acho que ele não tinha condições de peitar a mídia. Dilma tentou estender a mão para a mídia, que não ligou a mínima. Os erros de Dilma foram quase fatais para sua reeleição. Foi reeleita, mas vai ter que cooptar setores fisiológicos e de direita para que consiga obter a tal “governabilidade” (coisa que aliás Lula já tinha feito).

Vai ser difícil para Dilma governar com esse legislativo horroroso que as tais “jornadas de junho”, incensadas por parte da esquerda, trouxeram. Mas por tudo que vi até hoje de Dilma e de seus críticos, não tem nem comparação, ela está anos luz à frente tanto de seus adversários quanto de seus críticos, tanto na velha mídia quanto na nova.

Responder

    Leo V

    25/11/2014 - 01h40

    O governo Dilma foi o que mais passou por cima dos direitos indígenas, articulou nacionalmente a repressão e criminalização a movimentos sociais de esquerda autônomos ao governo.
    E para encurtar, demitiu 189 funcionários do IBGE por fazerem greve!
    Isso é governos progressista?

    abolicionista

    25/11/2014 - 11h35

    Caro Leo, coloca nessa sua conta a desigualdade, que voltou a aumentar no governo Dilma (índice de Gini indica que a desigualdade, em 2014, voltou ao patamar de 2011) e as privatizações.

    Coloca também a Lei da Copa, que suspendeu os direitos democráticos fundamentais.

    Coloca também o fato de que nenhuma reforma de base foi realizada em mais de uma década de governos petistas.

    Com uma esquerda dessas, quem precisa de direita?

Fabio Passos

24/11/2014 - 21h08

Não é privilégio do Brasil.
Assim são as “democracias” capitalistas.

Um agravante terrível é que temos a pior “elite” do mundo.

Responder

Elias

24/11/2014 - 19h42

Não é de hoje que o teclado de Azenha nos revela um jornalista impiedoso com a lentidão do PT. E não é sem razão. Quando Azenha previu em 2010 que Dilma faria um governo conservador, não deu uma simples opinião é tão pouco foi profético. Ele simplesmente pôs em prática seu profissionalismo. Sua biografia lhe dá o aval para que acreditemos em suas análises. Não é sem motivo que eu e milhares de leitores visitam o Viomundo. Aliás, eu já disse que minha grande imprensa é Viomundo, Blog da Cidadania, Conversa Afiada, entre outros blogs progressistas que foram e continuam sendo uma forte “divisão” de Dilma fora do Congresso. Faltam 36 dias para Dilma tomar posse de seu segundo mandato. Dias decisivos. Creio que com todos os sapos que nossa presidenta terá de engolir, ela não irá abandonar o projeto que a fez ser reeleita, ela conduzirá com mais astúcia o governo que estará em suas mãos nos próximos quatro anos. Termino com uma frase de Umberto Eco: “Quando os verdadeiros inimigos são muito fortes, é preciso escolher inimigos mais fracos.”

Responder

    Mário SF Alves

    24/11/2014 - 21h06

    “Creio que com todos os sapos que nossa presidenta terá de engolir, ela não irá abandonar o projeto que a fez ser reeleita,…”

    __________________________________
    E mais. È possível crer que nossa presidenta não irá abandonar o projeto que fez ser quem ela é: Dilma, coração valente.
    _____________________________________
    Prezado Elias,

    Acabei de reconhecer-me como não pertencente ao rol dos intelectuais brasileiros. Não que isso de fato faça muita diferença; mesmo porque, depois do Fernando Henrique… a desmoralização foi tamanha que… desacreditou meio mundo.

    E, a razão de minha auto-crítica foi ter entendido a hipótese Kátia Abreu da seguinte forma:

    Será que o MST e a Kátia Abreu lá, no Ministério da Agricultura, são entidades mutuamente excludentes no tempo e no espaço?

    Talvez, não.

    O Brasil é grande demais, são 8.5 Milhões de Km². Dá pra desenvolver um modelo contra-hegemônico de produção agrícola, não dá?

    Imagine o valor comercial e/ou a demanda por importação de produtos livres de venenos e transgênicos?

    Essa nova matriz tecnológica, a agroecológica, precisa ser melhor desenvolvida e testada em grande escala. Nesses termos nada melhor do que essa fantástica diversidade de biomas existente o Brasil.

    E será que a referida Kátia Abreu desconhece isso? Será que ela desconhece o tamanho do impacto ambiental negativo causado pela matriz tecnológica 100% alienígena, desumana, antissocial e anti-Brasil que ela sempre defendeu? Será que ela, podendo ir além disso, com a chance que lhe está sendo oferecida (oferecida?), preferiria ficar presa a essa submissão neo-colonizadora por todo o tempo?

    Elias

    25/11/2014 - 05h45

    Olha Mario Alves, suas inserções aqui no blog sempre me fizeram ver o intelectual que és dentro ou fora de qualquer rol, de qualquer lista. Suas ponderações quanto a escolha (escolha?) de Katia Abreu dão bem a ideia do quanto nosso país oferece múltiplas oportunidades para seus dirigentes. Você foi esplêndido ao confrontar agroecologia com agronegócio. Os empresários e a própria futura ministra da Agricultura não terão muitas chances para driblarem os rumos que a história lhes impõe.

    abolicionista

    25/11/2014 - 12h08

    Mário, sinto desapontá-lo, mas as duas matrizes são totalmente excludentes. Os transgênicos funcionam de modo combinado com os agrotóxicos. Eles se adequam melhor ao veneno. Por isso, inclusive, a semente e o agrotóxico que funciona com ela possuem o mesmo nome.
    Contudo, o problema do agrotóxico é que ele não sai da natureza. Pelo contrário, ele tem um efeito acumulativo. O agrotóxico usado nas plantações se infiltra no solo e atinge os lençóis freáticos.
    O aquífero guarani, por exemplo, já está contaminado.
    Em Lucas do Rio Verde (MT), cidade modelo do agronegócio, o leite materno está contaminado por agrotóxicos, o que aumenta exponencialmente os casos de câncer infantil.
    Além de produzir riqueza para poucos, o par agrotóxico-transgênicos, a longo prazo, vai fazer com que o produto agrícola brasileiro se torne indesejável num futuro não muito distante. E aí teremos um elefante branco pra cuidar.
    Leia essa matéria, vinculada pelo MST e vais compreender: http://www.mst.org.br/node/15738
    Quanto á Kátia Abreu, vale lembrar:
    – Foi rotulada pelos ativistas ambientalistas como “Miss Desmatamento”.
    – Recebe críticas por atuar de forma contrária à política atual de reforma agrária no Brasil.
    – Como presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Kátia Abreu contratou a organização Contas Abertas para descobrir quanto custou e quem produziu a Campanha de TV e rádio “Carne Legal” (a campanha se constitui de três peças intituladas “Churrasco de desmatamento”, “Picadinho de trabalho escravo” e “Filé de lavagem de dinheiro”), encomendada pelo Ministério Público Federal.
    – Defende a política de uso de sementes alteradas em laboratório patenteadas por grandes corporações de biotecnologia como a Monsanto. (aquela, que criou o DDT e o agente laranja…)
    – No dia 26 de junho de 2013, em uma palestra no Congresso Internacional de Carnes sediado em Goiânia, Kátia defendeu a PEC 37,6 em seu discurso e manifestou repudio a todos aqueles que rejeitam a Emenda. De acordo com as palavras da Senadora Kátia Abreu, os políticos devem ser livres e a atuação do Ministério Público dificulta a governabilidade.
    – Foi denunciada recentemente por trabalho escravo, crime ambiental e grilagem de terras.
    – A senadora se refere ao MST como “milícia” e “movimento dos sem lei”
    – Kátia Abreu possui uma quantidade enorme de hectares de terras e coloca seus bens em nomes de “laranjas”.
    – Em suas terras, registradas no nome de familiares, Kátia Abreu também mantém trabalhadores em condições de escravo.
    – A senadora foi uma das principais pessoas que comandou junto com Aldo Rabelo (PCdoB) e outros senadores a aprovação do novo Código Florestal que vai garantir anistia aos desmatadores e retirar as áreas de preservação permanente da proteção do governo.
    – Kátia Abreu teve propriedades embargadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) justamente por desmatamento de área de preservação permanente.
    – Outra atuação de destaque da senadora foi a tentativa de barrar a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Trabalho Escravo, que prevê a desapropriação de imóveis rurais que tenham trabalhadores escravos.
    – No ano passado, 56 trabalhadores escravos foram descobertos na Fazenda Água Amarela, em Araguatins (TO), registrada no nome do irmão de Abreu, André Luis de Castro Abreu.
    Enfim…

    Mário SF Alves

    25/11/2014 - 15h08

    Elias,

    Ao concordar com a premissa que defendi, tanto eu, por propô-la, quanto você, por acolhê-la, estamos, conscientemente, problematizando a política. Não por simplesmente ou vaidosamente polemizar por polemizar, mas, por livremente, tentar entender a realidade [ou o real] que a determina.

    E, antes que me esqueça, obrigado pela consideração.
    ______________________________
    Ao Abolicionista,

    “Mário, sinto desapontá-lo, mas as duas matrizes são totalmente excludentes.”

    Excludentes?

    Sim, se por mutuamente excludentes entendermos a Kátia Abreu política de direita, e mesmo de ultra-direita, e a instituição MST. Aí, sim, com certeza, são mutuamente excludentes. Aí, sim, de pleno acordo; seja no tempo, seja no espaço.

    Mas, a questão é: “será que o MST e a Kátia Abreu, lá, no Ministério da Agricultura, são entidades mutuamente excludentes no tempo e no espaço?”

    Até que ponto essa Kátia Abreu política e a Kátia Abreu ministra se confundem?

    Já as referidas matrizes, porém, com certeza, não, prezado e valoroso Abolicionista. Talvez, política e/ou economicamente, mas, não no tocante às especificidades geográficas do Brasil [Valhei-nos Milton Santos! Valhei-nos Azis Ab’saber!].

    Obrigado.

Mariana

24/11/2014 - 19h25

Aguardemos onde vai terminar o pragmatismo do PT. A tal da governabilidade tem cabido tudo nesse balaio. Aguardemos, aguardemos.

Responder

Francisco

24/11/2014 - 17h30

Dilma poderia nomear o Satanás para os Ministério das Criancinhas, Mussolini para o Ministério da Justiça ou Hitler para a Secretaria da Igualdade Racial: engulo toda!

O que o PT não pode é ENGANAR seu eleitor (ou seja, comer ESTELIONATO ELEITORAL) jurando de pé junto que vai fazer a Lei de Mídia, a Reforma Política e alguma tapeação fiscal e não fazer!

Não se trata de impaciência injustificada, se trata de DOZE, DO-ZE anos de enrolação!!

Já deu, pô!!!

Qualquer corno que não vota na esquerda, que pedi volta da ditadura, que torturou, matou ou roubou manda mais do que eu nessa desgraça! Que p#$$@ é essa?!?

Dilma sofre que Síndrome de Estocolmo ou o quê?

O PT tem que urgentemente cumprir UMA (01), UMA promessa de campanha, só uma das que fez à esquerda, UMA!!!

Responder

    renato

    24/11/2014 - 19h20

    Pensei que minha indignação com o PT, Dilma, Lula.
    fosse só minha.
    Até agora não vi nada…escuto boataria infernal dos
    sites que leio…isto é o pior, parece que agora o
    dinheiro fala mais alto..não pode baixar a assistencia.
    Tô P. da vida..
    KATIA ABREU..estragaram com tudo…
    Me chamaram de ator de DRAMALHÃO
    http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2014/11/justifica-fazer-dramalhao-contra-katia.html
    Querem que engula a POLITICA, tentam agora fazer minha cabeça.
    Os mesmos sites, que segui com o coração na mão antes das eleições.
    Estou como você revoltado.
    Não esqueço a Veja
    Não esqueço o Aeroporto
    Não esqueço a Veja de novo.
    E todas as reportagens dos Sites que tem lado.
    O lado de Dilma é esquerda, em nenhum momento foi o Centro ou Direita.
    Eu tenho lado.
    Tome tento PT.

    Eduardo Pereira da Silva

    24/11/2014 - 19h34

    Tá, não sei qual o seu partido favorito, mas me mostre a imensa bancada de esquerda que é maioria no Congresso que aí eu assino em baixo de suas críticas ácidas? Se não conseguir, acho melhor você olhar o Congresso que as pessoas elegeram e me dizer se dá para fazer o que você falou. Fazer críticas tolas é fácil, difícil é encarar a realidade. Quantos deputados federais e senadores seu partido elegeu para apoiar Dilma nas mudanças?

Léo

24/11/2014 - 17h12

Se a Dilma agir de acordo como o eleitorado quer, barraria na contituição.
Como presidenta, ela não pode criar leis sem o aval do legislativo (o povo colocou cada parlamentar conservador, ruralista ou representante deles e a bancada dos religiosos conservadores que acha que Deus é a solução dos problemas).
Se o poder emana do povo e o povo colocou aquela corja no congresso, a presidenta se ve obrigada a se curvar diante da vontade do povo. Então…

Responder

    L@!r [email protected]+e5

    24/11/2014 - 20h27

    Se quisesse, ela poderia fazer a Lei de Mídia com maioria simples, já que não é preciso modificar UMA linha da CF88.
    O PT treme.

    Eduardo Pereira da Silva

    25/11/2014 - 00h49

    Ah! Tu acha que é fácil fazer maioria mínima em temas espinhosos? Tá difícil eleger um presidente da câmara minimamente coerente, ou tu não vê o que acontece debaixo de seus olhos.

    Imagina aquele Congresso conservador querendo facilmente peitar a grande mídia e fazer uma “fácil” maioria mínima para fazer a lei de médios?

    Me diga sinceramente, quem realmente é de esquerda naquele congresso para fazer as mudanças? Fora o PT, quais partidos de esquerda elegeram senadores e deputados suficientes para ajudar a fazer uma maioria mínima?

    Olhe o PSOL e me diga quantos deputados e senadores eles conseguiram eleger para dar suporte a um governo de esquerda por parte do PT?

    Escrever no teclado é fácil, duro é ter que encarar a realidade dura do congresso que foi eleito, onde até para fazer a “maioria mínima” que voce fala é difícil. Em projetos que se consiga consenso é fácil em projetos polêmicos é a maior dureza, veja que logo de cara o decreto que cria uma coisa banal que é os conselhos populares, que existem em vários países capitalistas, aqui foi tão demonizado, que já foi derrubado na câmara (cadê a tal “maioria mínima” no caso? É fácil:) e não duvido que derrubem também no senado.

    Não vai ser com críticas logo após as eleições que vão ajudar a Dilma e tão pouco fortalecer outro partido de esquerda qualquer, a realidade é dura e é com ela que precisamos saber governar.

Mauro Assis

24/11/2014 - 16h49

O fato é que o PT se elegeu demonizando a Neca Setúbal e as tais “medidas impopulares” do Aécio e também dizendo que tudo ia às mil maravilhas na economia.

O novo governo a rigor nem começou e já vimos o tamanho da mentira que nos foi contada durante a campanha.

O consolo é que parece que a Dilma viu o tamanho do buraco em que estamos nos metendo e resolveu chamar quem entende para consertar.

O Azenha tem razão em uma coisa: pelo menos pelos primeiros dois anos ela vai estar tão enfraquecida que é capaz de acordar da ilusão de que governa.

Responder

Sidnei Brito

24/11/2014 - 16h45

Costumo causar grande mal-estar em amigos quando lhes informo que sou contra a Lei da Ficha Limpa. Tal lei impede que sejam candidatas pessoas que ainda não estão condenadas definitivamente e que, em geral, não estão proibidas de fazer outras coisas igualmente graves como ser um deputado federal: pegar um carro, avançar o sinal vermelho e me matar atropelado, por exemplo.
O recado da Lei da Ficha Limpa é bem claro: o eleitor não sabe o que faz, não conhece os candidatos, está disposto a votar em sacanas, por isso vamos tutelá-los, para evitar que cometam tal desatino, ou vamos mesmo impedir de que exerça o seu direito de votar num cara já condenado em Segunda Instância mas que ainda tem direito a recurso nos tribunais superiores.
Tudo isso só para dizer que, conforme confidencio a amigos, se é para maniatar o eleitor, instituamos o voto vinculado, criando-se, no entanto, algum tipo de sistema para garantir votação em partidos supostamente neutros (o que é raro, já que a maioria sempre apoia algum candidato aos cargos majoritários, em vista justamente da necessidade de buscar um lugar ao sol no sistema).
Não raro ouço histórias de pessoas, até com bom nível de informação, que votam no candidato a presidente do partido A e num deputado federal do partido B, cuja única atividade reconhecida é ficar infernizando a vida dos políticos do partido A.
Pior é que o sujeito, quando lembrado de tal contradição, ainda se considera esperto por estar votando no candidato do partido B, pois ele será a garantia da fiscalização do seu candidato do partido A. Até aí, tudo bem. O problema é que depois esse sujeito passa quatro anos reclamando da inoperância,da falta de traquejo com o Congresso e do ministério “frankenstein” por parte do eleito pelo partido A.
Ah, sim! E nas próximas eleições, o sujeito, lembrando que ele é bem inteligente e bem informado, ficará muito bravo quando vir as alianças amalucadas que o partido A buscará fazer como forma de garantir eventual governabilidade.

Responder

Delta Martins

24/11/2014 - 16h29

Ganha-ganha e vitória perene da direita,não é destino.Esta foi uma eleição que explicitou e acirrou a luta de classes,propondo e prometendo um projeto minimamente coerente com esta direção.Portanto muito diferente das eleições de 2010.Concessões só fortalecem o perfil do atual congresso.E mais “lula na veia” é o maior veneno para esta perspectiva.É mais letal do que a voracidade da direita.Só avançaremos nesta luta quando outras forças ,para alem da extrema esquerda,começarem a desmitificar o Lula e cobrar-lhe seu acovardamento.Ou será vaidade mórbida – defesa do lulismo que já deu o que tinha que dar?A direita só será derrotada se for confrontada. Condições e correlação de forças propícias demandam coragem e luta.O escandaloso grau de concessão que se desenha surpreendeu até a mídia nativa-a direita virulenta.Uma composição com o capital produtivo seria palatável,condizente com a conjuntura e capaz da agregar forças.Nessa fração de classes há nomes para compor uma equipe econômica razoavelmente comprometida com um projeto socialmente democrático. Estuprar a consciência politica dos que dão os primeiros passos no discernimento,já não digo ideológico,mas nos marcos da cidadania(maioria do eleitorado da Dilma), é vilania pura.

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SAMWISE

24/11/2014 - 15h14

Infelizmente é isso mesmo. Mas não é o fim do mundo. O fim do mundo é a inação do governo diante das delações seletivas da PF e da mídia. E a inação política. Nem parece um governo recém reeleito! O governo precisa mostrar ação, enfrentamento político, enfim, governar. Estudar e apresentar um pacote de ações para garantir e ampliar as conquistas da Classe C. Reconquistando a Classe C, especialmente a do Centro-Sul, o apoio popular será tão forte que acaba esse golpismo que está no ar e a base política reduz as cobranças estridentes. Na série de textos abaixo há uma reflexão neste sentido. O que a Classe C precisa? Recomendo a leitura.

http://reino-de-clio.com.br/Pensando%20BR3.html

http://reino-de-clio.com.br/Pensando%20BR2.html

http://reino-de-clio.com.br/Pensando%20BR.html

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Mário SF Alves

24/11/2014 - 15h10

“Do ponto-de-vista do PT, a solução do imbróglio acima seria uma reforma política capaz, a médio prazo, de reverter o absoluto domínio do Congresso pelas bancadas empresarial, ruralista e evangélica. Porém, com a presidente preocupada com sua própria sobrevivência política, isso não deve acontecer. Pelo mesmo motivo, também não vai haver regulamentação da mídia eletrônica.” L. C. Azenha
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Enquanto isso, o PT, o eterno persona non grata ao regime, ó, de pouquinho em pouquinho, só sendo carcomido por dentro e fagocitado por fora. Que não continue assim por muito mais tempo, pois nesse ritmo, nessa cadência, nesse samba do masoquista doido, não há resiliência que dê jeito.
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Ainda bem que as contradições que movem o mundo não se circunscrevem à geopolítica afeta ao Brasil, senão… Sobre tais contradições, a Rússia e seu presidente estadista, Vladimir Putin, que o digam.

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Carlos Salgado

24/11/2014 - 14h31

E essa é a cara do Brasil, Azenha!
Talvez infelizmente.

O fato é que dessa vez a modernização conservadora, tá acabando com a fome, combatendo a desigualdade social e a concentração regional, e promovendo a multipolaridade mundial.

Não é pouca coisa!

São Paulo sempre precisa acreditar que ganhou, é próprio do Bandeirantismo imperialista. Teremos de conviver com isso até que, de fato, outros pólos do Brasil tenham populações e PIB semelhantes. O que já é uma tendência.

Quem está lá faz o que é possível.
Não nos sintamos derrotados, porque fôssemos tão conservadores assim não despertaríamos tamanha ojeriza na mídia e nos setores conservadores.

Fiquemos com Dilma, porque estão ocorrendo reformulações estruturantes no território, na sociedade e na economia do Brasil.

Sigamos em luta. E com fé companheiros, com fé!

Abraço.

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ZePovinho

24/11/2014 - 13h46

Infelizmente,Mizifio Azenha,tenho de concordar.Seu projeto do Comunismo Lusitano terá de esperar por muito tempo.
O meu projeto de trocar a bandeira do Brasil pela bandeira do Vasco Da Gama,também.
Continuemos na luta,para perder de pouco.Quem sabe a alegria não seja mesmo apenas lutar.

Responder

    Mário SF Alves

    24/11/2014 - 15h12

    “Quem sabe a alegria não seja mesmo apenas lutar.”

    Nessa quadra da História, as nossas, especialmente.

carlos costa

24/11/2014 - 13h20

ta mais do que claro que as reformas fundamentais para o pais não irão acontecer via congresso nacional; so uma mobilização popular para trazer os avanços necessários, a exemplo da lei da ficha limpa; cabe a presidente ter a coragem de liderar esse movimento.

Responder

    Mário SF Alves

    24/11/2014 - 15h17

    “…cabe a presidente ter a coragem de liderar esse movimento.”
    ______________________________
    Penso que só em não reprimi-lo já estará em bom tamanho. E que não seja apenas mais um movimento fadado a sucumbir sob as artimanhas do velhaco Tio Sam e suas revoluções coloridas. Vide Ucrânia.

Caracol

24/11/2014 - 13h04

Azenha como sempre, cirúrgico. E preciso.
Muito bom, Azenha.

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Alexandre Tambelli

24/11/2014 - 13h00

A Reforma Política tende a ser feita. A CNBB entrou na jogada.

Ontem na Missa, (eu moro na Vila Mariana, bairro de classe média alta paulistana e na Igreja que vou a Elite da Elite paulistana da rua Coritiba e adjacências, no metro quadrado mais caro da cidade, também, vai), nos avisos ao término da celebração se pedia para assinar um abaixo-assinado favorável à Reforma Política por eleições limpas e frisava que só era necessário o número do título de eleitor para a assinatura.

Não é pouca coisa num reduto de 83% de votos pró-Aécio. Como a Ficha Limpa o lema da Reforma Política: Eleições limpas vai pegar, penso eu. E em nota divulgada pela CNBB, recentíssima, ainda se pede mais duas reformas: a tributária e a agrária.

Eu vou postar esta notícia do Vermelho que dá a dimensão do que está por acontecer:

CNBB: Reforma política é urgência inadiável (24 de novembro de 2014 – 9h29)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirmou, em nota divulgada após reunião do Conselho Episcopal Pastoral, que a reforma política é uma urgência inadiável, e que vai se empenhar ainda mais na coleta de assinaturas pelo “Projeto de Lei de Iniciativa Popular proposto pela Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas”.

Dom Joaquim Mol, bispo auxilir de Belo Horizonte, enfatizou que é preciso organizar a coleta de assinaturas associada ao processo de conscientizaçãoDom Joaquim Mol, bispo auxilir de Belo Horizonte, enfatizou que é preciso organizar a coleta de assinaturas associada ao processo de conscientização A iniciativa, que reúne, além da CNBB, mais cem entidades, defende a adoção do financiamento democrático nas campanhas, eleições proporcionais em doisturno, paridade de gênero e o fortalecimento de mecanismos de democracia direta. Segundo a nota, os desvios encontrados na Petrobras são consequências claras do financiamento empresarial.

“Nenhum país prospera com corrupção que, no caso do Brasil, lamentavelmente já vem de muitos anos e não se limita à Petrobras. A reforma política é outra urgência inadiável”, afirmou o texto. Para os bispos, as reformas tributária e agrária são igualmente urgentes para o País. “O Brasil não pode mais conviver com tanta omissão em relação a estas e outras matérias que lhe são vitais”.

Eleições

A nota da CNBB ainda afirma que a campanha eleitoral deste ano “ratificou o proccesso democrático brasileiro, no qual partidos, candidatos e eleitores puderam debater suas ideias e projetos”. Para a entidade, passada a eleição, o momento é de “recompor sua unidade no respeito às diferenças e à pluralidade, próprios da democracia.

“Nada justifica a disseminação de uma divisão ou de ódio que depõe contra a busca do bem comum, finalidade principal da Política. O bem de todos coloca a pessoa humana e sua dignidade acima de ideologias e partidos”.

Confira a íntegra da nota:

Brasil pós-eleições: compromissos e desafios

O Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília nos dias 18 e 19 de novembro de 2014, saúda a nação brasileira pela democracia e cidadania vivenciadas nas eleições de outubro deste ano. Cumprimenta a todos que participaram do processo eleitoral e os eleitos. Recorda-lhes a responsabilidade colocada sobre seus ombros de não frustrar as expectativas de quem os elegeu e seu compromisso com a ética, a verdade e a transparência no exercício de seu mandato, bem como o dever de servir a todo o povo brasileiro.

A campanha eleitoral deste ano ratificou o processo democrático brasileiro no qual partidos, candidatos e eleitores puderam debater suas ideias e projetos. Tornou mais visíveis, no entanto, graves fragilidades de nosso sistema político: sua submissão ao poder econômico financiador das campanhas; o descompromisso de partidos e candidatos com programas, favorecendo debates com ataques pessoais; a prevalência da imagem dos candidatos produzida pelos marqueteiros; o desrespeito, em alguns casos, às leis que combatem a corrupção eleitoral.

Passadas as eleições, urge ao País recompor sua unidade no respeito às diferenças e à pluralidade, próprias da democracia. Nada justifica a disseminação de uma divisão ou de ódio que depõe contra a busca do bem comum, finalidade principal da Política. O bem de todos coloca a pessoa humana e sua dignidade acima de ideologias e partidos.

A construção do bem comum desafia, especialmente, os eleitos em outubro deste ano. A corrupção na Petrobras reforça a sensação de que é um mal que não tem fim. Vemos aqui, claramente, as consequências do financiamento de campanhas por empresas, porta e janela de entrada da corrupção. Nenhum país prospera com corrupção que, no caso do Brasil, lamentavelmente já vem de muitos anos e não se limita à Petrobras.

A reforma política é outra urgência inadiável. Convicta disso, a CNBB se empenhará ainda mais na coleta de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular proposto pela Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas. À reforma política, entretanto, é necessário unir outras reformas igualmente urgentes como a tributária e a agrária. O Brasil não pode mais conviver com tanta omissão em relação a estas e outras matérias que lhe são vitais.

“A política, tão desacreditada, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum” (Papa Francisco. Evangelii Gaudium, n.205). Nesse espírito, a CNBB reafirma que a sua participação na vida Política é tão importante quanto necessária para ajudar na construção de uma sociedade justa e fraterna. Afinal, “ninguém pode exigir-nos que releguemos a religião para a intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos. Uma fé autêntica – que nunca é cômoda nem individualista – comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela” (Papa Francisco. Evangelii Gaudium, n.183).

Nossa Senhora Aparecida abençoe o Brasil e os que foram eleitos a fim de que sejam fieis ao seu compromisso com o bem comum.

Fonte: Agência PT de Notícias

http://www.vermelho.org.br/noticia/254020-1

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    Mário SF Alves

    24/11/2014 - 15h43

    “Nenhum país prospera com corrupção que, no caso do Brasil, lamentavelmente já vem de muitos anos e não se limita à Petrobras. A reforma política é outra urgência inadiável”, afirmou o texto. Para os bispos, as reformas tributária e agrária são igualmente urgentes para o País. “O Brasil não pode mais conviver com tanta omissão em relação a estas e outras matérias que lhe são vitais”.
    ___________________________
    Com exceção do “já vem de muitos anos”, o qual me pareceu um eufemismo sem tamanho… por demais…
    “Quando a Indesejada das gentes [de certas gentes] chegar
    Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
    A mesa posta,
    Com cada coisa em seu lugar”, adaptado de Manuel Bandeira, melhor seria impossível.

    A continuar assim, volto pra Igreja [ou pra Escola, mesmo porque, êta, eufemismozinho difícil].

Celso

24/11/2014 - 12h35

Reforma Política? Sem plebiscito, sem referendo. Projeto de lei de iniciativa popular. Com esses parlamentares ou com parlamentares exclusivos eleitos pelas mesmas estruturas vigintes não dá.

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Leo V

24/11/2014 - 12h11

Muito bom.

Dois pés da realidade, sem ilusões.

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Bacellar

24/11/2014 - 12h07

Sem dúvida tudo muito previsível…De certa maneira voltar a dobradinha Fazenda-Bacen com um cara de mercado e um do setor público não é nem tão grave assim: Poderiam ser os 2 de mercado dadas as circunstâncias.

Vitória de Pirro seria um termo exagerado- Acredito que geopoliticamente essa eleição mostrou ao mundo uma sociedade muito complexa de se influir, capaz de por na mesa senão isonomia ao menos poder de negociação; isso é Lula na veia – mas de fato em termos de projeto desenvolvimentista os próximos 4 anos serão de contração e não distensão.

Leram aquela parábola do Brecht sobre o aviador e a tempestade? Pousou, tirou o casaco pesado e deitou-se no chão pois só seria possível atravesar a tempestade fortíssima “reduzido à sua menor grandeza”. Pois me parece essa a estratégia. Perigosa, pois lida com uma direita golpista, um centrão difuso e uma esquerda insatisfeita e vilipendiada, mas a única possível. A cada ciclo desses citado na resenha do Azenha (aproximação com a base eleitoral de esquerda apenas nas vésperas de eleição) o PT sangra mais e mais entre a base.

Talvez mais importante que a rua e a disputa ideológica aberta seja buscar costurar as alianças certas. Quem do agro está mais aberto ao diálogo, pra quem do agro os selos de sustentabilidade são relevantes economicamente? Quem do mercado financeiro tem o médio e longo prazo na pauta de interesses? Vamos chamar os caras que tem obrigação de pensar médio prazo pra mesa de negociação? Os fundos de previdência privada, os investidores que começam a perceber a importância de papeis com lastro real, etc. Vamos sentar com os grupos de mídia que estão sem recursos e não possuem a fidelidade ideológica de extrema direita de uma Globo ou Estadão? Vamos (falo em primeira pessoa como se tivesse algo com isso, hehehehehe, não tenho!) chamar os grandes movimentos sociais e abrir o jogo oferecendo pautas concretas e pragmáticas? Isso é algo que o PT tem lastro pra fazer que a oposição não tem. O mercado sabe disso. E o mercado global sabe bem o tamanho do mercado brasileiro. Todos querem seu bocado daqui.

E como estratégia paralela, afinal não adianta fazer tudo certo e não divulgar pra ninguém, um investimento mais sólido nos canais de comunicação de esquerda. Cultura não pode ser perfumaria, é a Cultura que muda o pensamento da população, essa pasta precisa ter seu orçamento triplicado; quintuplicado! Produção áudio visual pesada; das periferias e rincões para as periferias e rincões. Reconstruir a identidade nacional ou até mesmo construir uma nova identidade, a cada moleque de periferia que compra a ideologia do consumismo individualista a esquerda se enfraquece. Uma coisa é direito e acesso ao consumo, outra coisa é o consumo como objetivo único de existência.

Milhares de bons jornalistas de esquerda estão dando sopa. Material humano que pode multiplicar exponencialmente um investimento baixo. Só dar a canetada, recurso tem.

2015 será o ano do remédio amargo (o potencial de devastação do desabastecimento hídrico na indústria e lavoura paulista é preocupante), 2016 Olimpíada e tentativas desenfreadas de desestabilização. Ouvi recentemente numa palestra que fotografava um operador do mercado, antes da eleição, já conformado com Dilma: “Os ajustes serão feitos. Os petistas podem ser tudo menos burros”…

Pode parecer paradoxal mas a cada batalha vencida, mesmo que com as forças depauperadas pelo embate, o projeto de isonomia e desenvolvimento do Brasil se fortalece. Não tenho dúvidas de que nas salas de reunião dos caras que dão as cartas, os big players das transnacionais, dos Bancos, os estrategistas das potencias, da potencia, cada vez mais se vê que o Brasil já não é aquele gatinho manso de antigamente.

Vai ser uma briga boa!

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    Mário SF Alves

    24/11/2014 - 15h56

    Parabéns, Bacellar. Nunca pensei vê-lo tão preciso.

    “Vamos (falo em primeira pessoa como se tivesse algo com isso, hehehehehe, não tenho!) chamar os grandes movimentos sociais e abrir o jogo oferecendo pautas concretas e pragmáticas? Isso é algo que o PT tem lastro pra fazer que a oposição não tem. O mercado sabe disso. E o mercado global sabe bem o tamanho do mercado brasileiro. Todos querem seu bocado daqui.”
    ________________________
    Só um detalhe:
    Tudo o que não te falta é ter algo a ver com isso. Até porque, algo a ver com isso tem tudo a ver com cidadania, com respeito pelo próximo e com responsabilidade cívica.

    Pula fora, não!

    Bacellar

    24/11/2014 - 21h10

    Já comprei minha passagem pra Miami….Hahahahaha…

silvio carlos nobre

24/11/2014 - 11h47

Assino embaixo!

Responder

FrancoAtirador

24/11/2014 - 11h23

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OPERAÇÃO MÃOS ATADAS.
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Responder

    FrancoAtirador

    24/11/2014 - 11h28

    .
    .
    Governar o braZil?

    Se Deus quiser

    e o Diabo deixar…
    .
    .

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