Caso da Receita: PF e mídia vão agir de forma republicana? | Viomundo - O que você não vê na mídia
Viomundo – O que você não vê na mídia
 
Opinião do blog
2 de setembro de 2010 às 17:49

Caso da Receita: PF e mídia vão agir de forma republicana?

por Luiz Carlos Azenha

Houve violação de sigilo na delegacia da Receita Federal em Mauá. Isso é liquido e certo. Como venho escrevendo, desde que surgiram as denúncias, é preciso cuidado. Assim como o sigilo fiscal é garantido constitucionalmente, o mesmo vale para a presunção de inocência.

1) Pode ter sido um esquema político (do PT? do próprio PSDB?); 2) Pode ter sido um esquema de bandidagem pura e simples; 3) Pode ter sido um caso plantado para utilização num momento eleitoral como este.

Como eu frisei anteriormente, embora nunca tenha participado de campanhas eleitorais, a não ser como jornalista, sei que em torno delas flutua um submundo: arapongas, ex-arapongas, policiais, ex-policiais, operadores, leões de chácara e outros tipos. Como informação é um dado essencial em qualquer campanha, é apenas natural que se busque informação sobre os adversários. É a origem dos dossiês que frequentam as campanhas brasileiras desde sempre.

Este é um submundo de alianças tênues, que flutuam de acordo com o poder (e o dinheiro). A informação hoje usada contra um partido pode se voltar contra outro, e vice-versa.

Além de investigar os petistas suspeitos, se houver, é importante que a Receita e a Polícia Federal considerem também os fatos conforme a conjuntura de setembro do ano passado, que é quando os vazamentos aconteceram. O que se passava, então? Uma disputa interna no PSDB entre os grupos políticos de Aécio Neves e José Serra. Meses antes, num jornal paulista, foi publicado o famoso artigo Pó pará, governador?, assinado por aliado de José Serra. No início de novembro, Aécio Neves foi acusado de bater numa acompanhante, em público.

O melhor texto que conheço a respeito foi escrito pelo Leandro Fortes, da CartaCapital. Foi reproduzido no Viomundo, na época: O dossiê do dossiê do dossiê. Leiam. Serve para refrescar a memória de todos.

Escreveu o Leandro Fortes, então:

“Em uma entrevista que será usada como peça de divulgação do livro e à qual CartaCapital teve acesso, Ribeiro Jr. afirma que a investigação que desaguou no livro começou há dois anos. À época, explica, havia uma movimentação, atribuída ao deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), visceralmente ligado a Serra, para usar arapongas e investigar a vida do governador tucano Aécio Neves, de Minas Gerais. Justamente quando Aécio disputava a indicação como candidato à Presidência pelos tucanos. “O interesse suposto seria o de flagrar o adversário de Serra em situações escabrosas ou escândalos para tirá-lo do páreo”, diz o jornalista. “Entrei em campo, pelo outro lado, para averiguar o lado mais sombrio das privatizações, propinas, lavagem de dinheiro e sumiço de dinheiro público.”

Amaury tem dito e reiterado que seu livro inclui apenas documentos oficiais e que não se baseia em quebras de sigilo. Mas será que o “outro lado” a que se refere o jornalista ficou apenas por conta dele? Teria havido outros operadores? Poderiam ser eles os responsáveis pelo que aconteceu em Mauá?

Gostaria muito que tudo ficasse devidamente esclarecido, se possível antes do primeiro turno. Seria melhor para a democracia brasileira. Temo, no entanto, que as informações virão à tona incompletas e deformadas pelos interesses políticos e partidários do momento. Mantido o padrão de 2006, teremos uma investigação midiática centrada apenas nos alvos que interessam a José Serra. Resta esperar uma ação rápida da PF, que não deixe pedra sobre pedra.

 

Gostou? Compartilhe.

 

This website uses IntenseDebate comments, but they are not currently loaded because either your browser doesn't support JavaScript, or they didn't load fast enough.



leia também

Flagrantes de uma política social

De volta à República Velha?

‘Minas acima de tudo’ e a ‘vingança é prato que se come frio’

Guerra de bicudos no horizonte

E já que vocês querem ler sobre lavagem de dinheiro…

Aqui, mais branquinho

Exportando as armas de contenção em massa

Sinal dos tempos

O que o Tim Pool tem a ensinar aos meninos da USP?

Não esperem pelo Fantástico

O que a manchete do Post nos diz sobre nosso tempo

Vândalos, bêbados e tarados

Frida Kahlo, Orozco e Lila Downs

No Pan

México: Os cartéis ganham alcance quase global

Corrupção, impunidade, mortes

No estádio Jalisco, um brinde a Pelé, Tostão e companhia

Relembrando, 41 anos depois

México: Seria De Gaulle a salvação?

Jorge Castañeda diz que sim

Guadalajara ou Peoria, Illinois?

Tão longe de Deus…

A “queda” de Kadafi e a disputa pelos recursos da África

Um ditador a menos. Mas, e depois?

Nenhuma novidade: Lula no centro da política brasileira

Amnésia total

Será que um dia teremos um Google brasileiro?

O ato contra o PNBL

Crise econômica e combate à corrupção: Risco e oportunidade para o governo Dilma

Em busca do equilíbrio

Onde é que você estava em agosto de 2011?

Desglobalizando, com dor

Uma janela no pensamento estratégico de Dilma Rousseff

A vocação é o Atlântico, diria Alberto da Costa e Silva

Lula vs. Chávez: Comparação falsa é arma de propaganda

Dois reformistas

Nelson Jobim, entre Lula e Dilma

Já desencarnou?

E agora para notícias sobre o iminente fim do mundo

Apenas começou em 2008…

Quem é que ia entregar o prontuário do Chávez?

Disputando o paciente

Sobre Restrepo e outros bichos

Limpando o caderninho

Por que a Telefónica quer casar banda larga com linha fixa

Entendendo o jogo

Os debates de alta qualidade do #2blogprog

Novas fronteiras digitais

A entrevista do ministro e a pergunta que não foi feita

Palocci no JN



Vi o mundo Reprodução de conteúdo autorizada com menção da fonte. As opiniões expressas no site são de responsabilidade dos autores.