VIOMUNDO

Kenarik Boujikian: Estado é conivente com humilhação de preso pela imprensa

08 de junho de 2012 às 20h36

Desembargadora Kenarik Boujikian: “Ninguém, muito menos a polícia e as demais instituições estatais podem expor uma pessoa de forma  humilhante, seja ela quem for, seja ela suspeita ou autora de crime”

por Conceição Lemes

Em 10 de maio, o programa Brasil Urgente Bahia exibiu, e a Band reprisou nacionalmente, a matéria Chororô na delegacia: acusado de estupro alega inocência, da repórter Mirella Cunha.

Repugnante. Ultrajante. Degradante.

Porém, só a partir de 21 de maio, quando o vídeo caiu nas redes sociais, o episódio ganhou repercussão nacional.

O jornalista e blogueiro Renato Rovai foi o primeiro a denunciar a barbaridade:  A repórter loira, o suposto negro estuprador e uma sequência nojenta.

Um grupo de jornalistas enviou carta aberta ao governador, ao Ministério Público e à Defensoria Pública do Estado condenando os abusos de programas policialescos na Bahia.  O Ministério Público Federal decidiu investigar o caso.

Indignado, o baiano Gerson Carneiro, leitor do Viomundo e defensor de causas lúcidas e injustiçadas, nos mandou o link do vídeo, com esta mensagem:

“Poxa, independentemente de qualquer culpa do rapaz, isso não se faz. Todos os preconceitos estão aí. Um negro, pobre, acusado de estupro, sem advogado, algemado, acuado por uma loira detentora da situação naquele momento. O rapaz indefeso responde ingenuamente aos deboches da moça. Jornalismo tinha que ter um órgão regulador como tem Direito, Medicina, Engenharia, Arquitetura…”

Dias depois, Rovai fez outra denúncia: novo vídeo do caso Mirella-Band compromete apresentador  Uziel Bueno, famoso na Bahia pela sua agressividade.

Rovai observa:

O vídeo tem  montagens típicas de internet, como repetições das falas e legendas, mas deixa evidente e claro que Uziel Bueno é tão responsável quanto Mirella Cunha neste caso.

Num primeiro momento, Uziel  insinua com dois dedos que vai fazer o exame de próstata em Paulo Sérgio. Depois, com uma folha de sulfite enrolada simulando um pênis, repete as provocações.

Mandamos os dois links  à doutora Kenarik Boujikian Felippe, que é co-fundadora e ex-presidente da Associação Juízes para  a Democracia (AJD), desembargadora no Tribunal de Justiça de São Paulo e ex-membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.

“É pior do que havia lido”, reagiu, no ato. Daí nasceu a nossa entrevista.

Viomundo – Se tivesse de dar uma nota para a entrevista feita pela repórter da Band e os comentários do apresentador do programa, que também é jornalista, qual seria?

Kenarik Boujikian  — Zero para o Jornalismo, zero para o Estado.

Viomundo — Por quê?

Kenarik Boujikian – O Jornalismo e o Estado não cumpriram a regra essencial da Constituição Federal: a dignidade humana é fundamento da República, que se constitui  em um Estado Democrático de Direito.

É inaceitável, em pleno século XXI, um jornalista  tratar um ser humano sem o menor respeito, como se estivéssemos na Inquisição. Se  jornalistas, com a co-responsabilidade das empresas para qual  trabalham,  atuam com este proceder, só o fazem porque existe a conivência dos órgãos de Estado.

Viomundo — Legalmente, a polícia pode expor um preso assim?

Kenarik Boujikian — Ninguém, muito menos a polícia e as demais instituições estatais podem expor uma pessoa de forma  humilhante, seja ela quem for, seja ela suspeita ou autora de crime. A nossa Constituição Federal, no artigo 5º,  assegura aos presos o respeito à integridade física e moral e o direito de personalidade.

No tocante ao Jornalismo, este repulsivo episódio, me faz lembrar as palavras de Francisco José Karam (Jornalismo, Ética e Liberdade):

É necessária a defesa da “vinculação da realização ética da profissão com medidas efetivas para a democracia informativa nos meios de comunicação, incluindo políticas que favoreçam a segmentação do mercado, a diversificação da propriedade, o controle social sobre a mídia existente hoje e o acesso plural aos meios”.

 Sem essas medidas, dificilmente os graves problemas pelos quais passam o Jornalismo brasileiro serão superados.

Viomundo – No Brasil, nós temos o Código de Ética, que lista uma série de deveres para os jornalistas.

Kenarik Boujikian – O que torna mais grave esse episódio. De acordo com artigo 6º do Código de Ética, é dever do jornalista, entre outros:

I – opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos;

V – valorizar, honrar e dignificar a profissão;

VIII – respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão;

X – defender os princípios constitucionais e legais, base do estado democrático de direito;

XI – defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, dos adolescentes, das mulheres, dos idosos, dos negros e das minorias;

Como não bastasse isso, dita o artigo 9º  do  mesmo Código de Ética, que a presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística.

As imagens e o conteúdo da entrevista demonstram cabalmente que foi feita tábua rasa desses princípios, pois o que todos viram foi barbárie.

Viomundo – Por que a Justiça faz vista grossa a esses abusos?

Kenarik Boujikian – Não se pode generalizar, mas, infelizmente, frequentemente, os delegados abrem as portas das delegacias e permitem que os jornalistas tenham contato direto com as pessoas detidas. Escancaram a entrada dos distritos policiais para que jornalistas violem  direitos primários, sem qualquer cerimônia, com plena aquiescência.

Os promotores de Justiça  e os defensores públicos não atuam em defesa do Estado e Direito, exigindo medidas do Judiciário para que esta conduta cesse ou não fique impune. Assim, o Judiciário permanece inerte e  com tal omissão atesta  a validade dessas condutas.

Interessante que, na mesma semana em que as redes sociais mostraram a sua indignação com esta entrevista humilhante, vimos, na chamada CPI do Cachoeira, outra pessoa ser inquirida e fazer uso do seu direito constitucional de permanecer em silêncio. Esse é direito sagrado, fundamental. O que se espera de um jornalista é que, no mínimo, atente a isso.

Qual a diferença entre esses dois casos? O jovem que foi exibido e humilhado para todos verem, inclusive seus familiares, era negro, de baixa escolaridade e certamente não tinha condições de contratar advogado nem lhe foi disponibilizado um defensor público. Na Bahia, como em outras unidades da federação, o número de defensores públicos é irrisório perto da demanda.

O outro tinha advogado constituído, estava em outra esfera econômica/social/política. Só que todos os cidadãos, sem exceção, têm  direito à orientação por advogados ou defensores públicos para só depois se manifestarem. E isso – atenção! — em qualquer espaço.

Viomundo – Ou seja, há uma conivência do Estado. Por quê?

Kenarik Boujikian –Em certa medida, esta conivência estatal é reflexo da ditadura civil-militar que o Brasil viveu.  Naquele período, o Estado elegeu como seus inimigos aqueles que queriam outro país. Contra eles, tudo era possível, pois inimigos não são considerados  pessoas, apenas inimigos  e  como tais não possuem o atributo da dignidade, assim foram torturados, desrespeitados, desaparecidos e assassinados.

No dias de hoje, como legado daquela cultura, os inimigos eleitos pelo Estado e também  pela mídia são os pobres e marginalizados, tratados como se coisas fossem.

Também repercute, em caráter individual, o desenvolvimento moral das pessoas que exercem poderes de Estado, que não conseguem se colocar na posição do outro. Não conseguem usar o “véu da ignorância” e se colocar na posição das outras pessoas. Não conseguem ver os que são diferentes de si por certas circunstâncias, como pobreza, pouca instrução, negros, como seus iguais, possuidores dos mesmos atributos. Se conseguissem fazer este exercício, não atuariam de modo perverso.

Viomundo – Existe alguma legislação em relação à exposição de pessoa presa?

Kenarik Boujikian  –  Na Justiça paulista, há cerca de três décadas, o magistrado José Gaspar Gonzaga Franceschini,  na ocasião Corregedor da Polícia e dos Presídios, por meio de portaria,  inaugurou a proibição para impedir que fosse feita exposição dos presos. Depois, o corregedor Geraldo Pinheiro Franco e outros juízes da capital seguiram esses nortes.

Foram medidas administrativas e não jurisdicionais, que bem poderiam servir de  inspiração para as Corregedorias Gerais de todo o Brasil  ou mesmo para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ),  de modo que todas as situações prisionais fossem alcançadas.  É para que pessoas sujeitas ao poder estatal — sob custódia do Executivo e Judiciário —  não sejam expostas, observando que, por vezes, só exposição delas já caracteriza a execração.

Agora, não expor o preso não significa que ele não possa dar entrevista.  Com certeza, ele pode ter interesse em fazê-lo. Mas deve ser de forma verdadeiramente consentida  e somente depois de conversar com seu advogado/defensor, que poderá  dizer quais os direitos que lhe estão assegurados.

Viomundo – Nessa altura, alguns vão questionar: isso não cercearia a liberdade de imprensa? 

Kenarik Boujikian  —  Os direitos de expressão, informação e imprensa são direitos interligados. Em 1776, portanto há 236 anos,  a Declaração de Direitos do Estado de Virgínia, nos EUA, reconheceu explicitamente a liberdade de expressão através da imprensa.

Em 1791, a Emenda número 1 da Constituição dos Estados Unidos da América garantiu este direito. E em 1789 a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão contemplou esses direitos estabelecendo:

“A livre comunicação das idéias e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem; todo o cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo todavia pelos abusos desta liberdade nos termos previstos em lei”.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, em seu artigo 19, acolheu tais direitos e também expressamente o direito de informação. Destaco ainda: o artigo 19 do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, de 1966; o Convênio Europeu para a Proteção dos Direitos Humanos e das Liberdades Fundamentais; e o artigo 13 do Pacto de San José da Costa Rica.

Todo o conteúdo  de normas  internacionais, acrescido dos princípios constitucionais,   exige a conduta ética do jornalista. Isso implica reconhecer que a dignidade  que cada ser humano carrega é o limitador da sua atividade.

Logo, são inadmissíveis ironias, chacotas, humilhações, preconceitos, desrespeitos, gritos, ironias, gozações. Só pode entrevistar a pessoa sob custódia dentro desses padrões. Do contrário, o jornalista estará violando o direito do indivíduo entrevistado e de todos nós.

Viomundo – O que fazer?

Kenarik Boujikian — É preciso encontrar soluções fora do Sistema de Justiça, que deve ser o último patamar a ser perseguido para a concretização dos direitos.

Outras esferas, mais efetivas e gerais,  devem atuar para que o sistema de liberdade de expressão, pensamento e imprensa funcionem para o aprimoramento  da democracia e do ser humano.

O Ministério das Comunicações, por exemplo,  possui  prerrogativas no sistema de concessão de TVs, mas é absolutamente omisso na tarefa de resguardar os direitos de cidadania.

Também é necessário pensar na criação de mecanismos  de controle social  contra práticas discriminatórias e violadoras  dos direitos humanos praticadas pela mídia. Isso já existe em outros países, como a França, e não é absolutamente sinônimo de censura .

Espero que esse episódio da Bahia seja o estopim para uma maior reflexão sobre a necessidade de caminhos regulatórios  da mídia que garantam a liberdade de imprensa no mesmo patamar da defesa dos direitos dos cidadãos, que não podem ser aviltados, quando lhe tocam o espaço da dignidade.

Leia também:

Venício Lima: Jornalistas na CPI, por que não?

João Brant: FHC defende regulação da mídia; Palhares ataca oportunismo que favorece trânsito em salões

Franklin Martins: O governo tem a obrigação de liderar a regulação da mídia

Investigação VIOMUNDO

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Marcos Aparecido

16/05/2013 - 01h02

Parabéns Doutora, a Senhora honra o Judiciário com sua Justiça. Kenarik à Vossa Excelencia dou minhas sinceras homenagens pela defesa dos direitos humanos e pelo cumprimento do verdadeiro papel da Justiça e de nossa constituição. É por pessoas dignas e honradas como a senhora que esse mundo ainda é suportável aos filhos de Deus. Obrigado mesmo. Que YahWeh, SENHOR, DEUS, Jeová, Grande Eu SOU, Altissimo e nosso único Senhor Jesus Cristo que abençoe grandemente. Abraços.

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Mulheres presas por furto de bagatela « Viomundo – O que você não vê na mídia

29/07/2012 - 19h36

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Emiliano José: Sobre a humilhação de preso por repórter « Viomundo – O que você não vê na mídia

18/06/2012 - 10h24

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Marola

11/06/2012 - 00h40

Parece que essa portaria do corregedor de SP foi só pra inglês ver, pois cansei de ver o Datena fazer no programa dêle a mesma coisa que essa jprnalista baiana fez, a saber, humilhar pessoas detidas que estão sob a custódia do estadp. Outra coisa, já tou de saco cheio de ver pessoas botando na conta da ditadura militar tudo de ruim que acontece no Brasil. Nesse caso específico, acredito que o buraco é bem mais embaixo o que a leniência dos poderes constituídos e mesmo da sociedade é prova cabal. A mentalidade escravocrata perdura até hoje.

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    abolicionista

    12/06/2012 - 12h34

    Antes da ditadura, o país era outro. Isso é fato. Agora, a herança é escravocrata, nisso concordo com seu comentário. O que não torna a ditadura e a “anistia para torturadores” menos escandalosa…

Fabio Passos

10/06/2012 - 13h01

Por que o gilmar dantas concede hc canguru prá proteger bandido rico e silencia diante destes abusos estarrecedores cometidos cotidianamente em todo o Brasil contra suspeitos pobres e negros?

“juízes” como gilmar dantas estão com os bolsos cheios de dinheiro da minoria branca e rica…

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Jacques Gruman: Mujica, Messi e Neymar « Viomundo – O que você não vê na mídia

10/06/2012 - 08h48

[…] Desembargadora Kenarik Boujikian: Estado é conivente com humilhação de preso pela imprensa […]

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Davi Carneiro: Ruanda, Etiópia ou Haiti é aqui « Viomundo – O que você não vê na mídia

10/06/2012 - 07h24

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Luc

10/06/2012 - 00h11

Enquanto isso, no Equador:

En Ecuador los trabajadores de las tierras pasan a ser dueños de las mismas

http://www.patriagrande.com.ve/temas/internacionales/en-ecuador-los-trabajadores-de-las-tierras-pasan-a-ser-duenos-de-las-mismas/

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Jacó do B

09/06/2012 - 22h32

Não vi o Brasil Urgente “entrevistar” o filho da Casa Grande da RBS (Rede Globo) que foi denunciado por estupro de menor de idade. Mídia Covarde!!

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Claudio

09/06/2012 - 22h22

Tem gente que não entende que certas questões são de princípio.
Claro que ficamos com raiva de criminosos, ainda mais quando são pessoas próximas ou nós mesmos, porém defender humilhações e agressões, ou mesmo execuções, fora do que a lei estabelece, é defender no fundo que a lei não vale nada, nos colocando do lado dos bandidos.

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Geysa Guimarães

09/06/2012 - 22h08

Quer dizer que o suspeito de tentar estuprar acabou sendo ESTUPRADO pela repórter.
Na sua simplicidade, natural que ele não saiba o que é e nem pronunciar “próstata”.
Mas a ignorância maior é da “tiradora de sarro”. Nem é preciso ser jornalista para saber que não se submete ninguém a constrangimento.

Valeu pela presença da desembargadora Kenarik, fez a gente lembrar que ainda existem juízes sob a toga.

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Maria José F.Bittencourt

09/06/2012 - 19h58

Pena que hoje em dia ainda exista pessoas que se dizem jornalistas,seja capaz de expor uma pessoa humilde a esse ponto de humilhação,me senti envergonhada.
Ainda bem que ainda exista pessoas capaz de enfrentar esse tipo de midia desprezivél.Parabéns…e vamos a luta contra o preconceito aos menos desprovidos.

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ACFonse4ca

09/06/2012 - 18h29

além de dar entrevista, a ilustre magistrada vai fazer o quê? nada… princípio da inércia do judiciário…

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Henrique

09/06/2012 - 18h18

Parabéns à Desembargadora. Lamento profundamente que o Ministério Público Federal não seja atuante nesses casos, permitindo a violação diuturna da ordem jurídica e dos direitos indisponíveis e difusos dos acusados em crimes (que não sejam banqueiros envolvidos com PRIVATARIA, é claro), pelos programas de TV no Brasil. Uma omissão grave, porque deixa de proteger justamente os mais vulneráveis, que são vilipendiados para gerar publicidade e vender produtos, dando lucro$$$ fabuloso$$$ para os canais de TV. Assim fica muito difícil ter algum tipo de orgulho do nosso MPF. Pena!

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Gil Moura

09/06/2012 - 14h07

Eu comentei no meu blog; na ocasião do vídeo que aquilo era ponta de um iceberg que finalmente surgia; e o Azenha hoje com esta entrevista só faz minhas convicções se tornarem mais fortes e dizer que esse assunto tem que vir átona com ajuda incondicional da blogosfera.
Grande abraço e deixo o endereço do meu blog para a apreciação de todos: http://estreladecouro.wordpress.com/

Avante!

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baader

09/06/2012 - 12h34

defensoria pública? piada! (conheci o funcionamento de uma delas, onde o defensor ia ler o processo na hora das audiências, podem crer!)
um país com história de escravatura e com vinte anos recentes de ditadura, só pode dar nisso mesmo.
zero não só para os tais “jornalistas” mas tb para os que assistem coisas do tipo, para os anunciantes do horário e dez zeros para o sr.ministro comunicações. desgraça!

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Paulo Figueira

09/06/2012 - 12h33

Curioso é que durante o depoimento de Demostenes Torres à CPI, o senador Pedro Taques fez um pronunciamento apaixonado pedindo respeito e moderação nos ataques ao senador do Cachoeira, porque outro parlamentar o havia chamado de mentiroso e farsante.
Fica exposta neste vídeo e no episódio da CPI a constatação de que temos uma cidadania para os da Casa Grande e outra bem diferente para a senzala.

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Os resquícios da ditadura em ações da "imprensa" « Ficha Corrida

09/06/2012 - 11h47

[…] Kenarik Boujikian: Estado é conivente com humilhação de preso pela imprensa […]

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Adilson

09/06/2012 - 11h35

“..No dias de hoje, os inimigos eleitos pelo Estado e também pela mídia são os pobres e marginalizados, tratados como se coisas fossem.”

Pois aqui no Rio os pobres e marginalizados são varridos pra debaixo do tapete(expulsos de suas casas de forma olímpica)e os trabalhadores (especialmente os da área da educação) são, esses sim, tratados como inimigos.

Num lugar cada vez mais elitizado, onde os governantes sentaram no trono junto dos donos do Bradesco, da Delta, etc_e de lá decidem sobre a vida da população, só se cria quem tem ($$$).

Mas não tem problema não, é só o presidente vir nos visitar que Eduardo “César” Paes e Sérgio “Collor” Cabral, se apertam no meio do povo pra sair bem na fotografia.

O Rio de Janeiro não merece essa dupla.

Responder

Wildner Arcanjo de Morais

09/06/2012 - 11h20

Isso é comum em nossa imprensa, aliás é comum em nossa sociedade. Vejam o caso da morte do executivo da YOKI. Perguto eu: qual a necessidade de saber que a homicida, que tem um filho com a vítima,é ex-prostituta? A quem interessa essa informação? Será que essa informação acrescenta algo de relevante ao inquérito ou ao entendimento dos fatos? Se olharmos para o alicerce de nossa sociedade saberemos como responder a essa pergunta.

Responder

Júlio De Bem

09/06/2012 - 11h15

Verdade seja dita, este programa da bandeirantes é igual ao Balanço Geral da record. Apresentador debochado e agressivo tem tanto na bahia quanto no RS.

Para ambos a nota é zero.

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José Ruiz

09/06/2012 - 10h26

Um lixo, avidamente consumido por boa parte da população.. e não é só na Bahia não.. ocorre em todo o Brasil.. Rádio e TV poderiam ser os grandes agentes transformadores do século, rumo a uma sociedade mais evoluída, justa e solidária, mas fazem exatamente o contrário: empurram o homem para um comportamento medieval..

Responder

    assalariado.

    09/06/2012 - 13h28

    José Ruiz, tenho uma triste noticia para te passar, estas suas afirmações estão todas dentro da lógica e do DNA do funcionamento da sociedade comandada pelo capital e seus lacaios. Você acredita (ou se esquece), que a mídia esta nas mãos de quem mesmo? Jamais caminharemos para um mundo/ sociedade justa se o Estado e seus componentes (suas instâncias), é formado, não por acaso, pela corja burguesa. Isto é pedir demais para os donos do sistema, não é verdade?

    O remédio para solucionarmos estas injustiças, com certeza, não esta dentro do projeto burgues de sociedade. O antídoto para esta doença chamada capitalismo tem nome e endereço, se chama, sociedade socialista. No resto, é criar uma colcha de retalhos, é mais do mesmo.

    Abraços Fraternos.

Sidiney Rodrigues

09/06/2012 - 09h55

meio clichê minha afirmação, mas não custa repetir.

Se rico Contraventor.
Se pobre, qualquer adjetivo que deprecie, menorize, humilhe, longe de dignidade..

Responder

Jairo Beraldo

09/06/2012 - 08h39

Bahia, terra de Magalhães. Não se pode esperar outra coisa senão o que foi mostrado no post. Na minha ultima graduação, na UNESQUINA ESTACIO de SÁ, a coordenadora do curso é baiana e usa dos mesmos expedientes dos ditos jornalistas. Parece que curso superior os fazem deuses, com poderes acima do bem e do mal.Talvez isto venha explicar o amor que eles nutriam por TONIN MARVADEZA!

Responder

Roberto Locatelli

09/06/2012 - 07h03

Reforço o comentário do Fabio Passos.

Sob capitalismo, bandidos brancos e ricos estão livres.

– O livro A Privataria Tucana apresentou PROVAS DOCUMENTAIS de crimes. E nada foi feito até agora.

– Daniel Dantas foi solto por Gilmar Mendes, apesar do vídeo mostrando o crime de corrupção.

– O estuprador Abdelmassih tabém foi solto por Gilmar. Tratou logo de fugir do Brasil e, provavelmente, nunca será punido.

– Salvatore Cacciola está livre, leve e solto.

Enquanto isso, pobres são humilhados, sendo ou não culpados.

Responder

    Jairo Beraldo

    09/06/2012 - 16h00

    E curiosamente, quem os humilham, são tão pobres quanto, pois vem da classe baixa, se tornam !OTORIDADES” e vão caçar seus pares depois de desonrarem quem lhes pariu…COMO TONIN MARVADEZA fazia!!!

Gerson Carneiro

09/06/2012 - 05h38

Lembram quando escrevi aqui que “A Bahia não é a terra da felicidade”?

Pois isso aí faz parte daquilo que eu disse. E que deixei alguns baianos contrariados comigo. Está aí. Agora não sou mais quem está dizendo.

Salvador tem uma parcela grande da população que vivem em estado de carência. Carência de saneamento, escola, segurança… Atendimento digno por parte do Poder Público. São essas pessoas tratadas de forma desigual, como esse moço foi destratado, que têm grande chance de se encontrarem na situação de escárnio que esse menino passou. Entendam: a situação de, por uma razão qualquer, necessitar do auxílio do Poder Público e ser tratado dessa forma.

Os quilombolas do Rio dos Macacos, aterrorizados pela Marinha do Brasil, é um exemplo. Estão na região metropolitana de Salvador.

Quem chega em Salvador para se divertir, do aeroporto até o bairro da Barra, pela avenida Paralela, não vai perceber tanto essa população excluída. Mas se for por Itapoan, começa a perceber. E percebe mais ainda se deixar Salvador e for, de carro, para Feira de Santana. Quando passar na região de Pirajá, Cajazeiras, São Cetano, Mata Escura e etc.

Sim. Sei que, como diz Os Titãs, “miséria é miséria em qualquer canto”. Inclusive na minha querida Bahia.

Essa população carente torna-se presa fácil dos valentões de plantão, como o apresentador desse programa aí, Oziel Bueno. Eles sabem tirar proveito da situação de carência do povo. Sabem como incutir na cabeça do povo a ideia de que pena de morte, e linchamento, é solução para a miséria.

Mas na verdade o que eles querem é uma chance para pular para a política e gozar das benesses da tão cobiçada boquinha, explorando o auto retrato de herói do povo.

Oziel Bueno está nessa toada. Já se candidatou a deputado, não foi eleito. Persiste.

Foi assim com um tal de Fernando José, que apresentava um programa chamado “O Povo na TV”. Desses que explora miséria, e tornou-se prefeito de Salvador. Este está na galeria dos piores prefeitos de Salvador. Ou Raimundo Varella. Mas esse, graças aos Orixás, não se elegeu.

Para concluir, indico o filme “Quanto Vale, ou é por Quilo?”

O filme traça um paralelo entre a vida no período da escravidão e a sociedade brasileira contemporânea, focalizando as semelhanças existentes no contexto social e econômico das duas épocas.

“Uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da miséria pelo marketing social, que forma uma solidariedade de fachada.”

Responder

Magali Pedro

09/06/2012 - 02h40

O link pra compartilhar no facebook nao funciona. Em outras postagens acontece o mesmo. Abs.

Responder

Moacir Moreira

09/06/2012 - 01h38

Para compreender porque os sujos, escuros e desdentados pobres são maltratados dessa maneira é preciso adentrar na mente dos nazi-fascistas que se apropriaram do poder com o golpe de 1964.

Na concepção da elite branca e rica, que se julga proprietária da terra por direito divino, como se ainda estívessemos mergulhados no obscurantismo da finada monarquia de triste memória, o povo não é gente e, portanto, não tem o direito de desfrutar da democracia, que é coisa de seres humanos elegantes e refinados.

Em resumo: o pobre não é gente e, sendo assim, não está protegido pelos direitos humanos.

Responder

Marcio H Silva

08/06/2012 - 23h15

É surpreendente que estes atos agressivos com sujeitos presos não acontecem com o Marcola de SP, Nem da Rocinha, Fernandinho Beira Mar, FB, Pezão, TOLA, todos bandidos de alta periculosidade.
Jornalistas covardes buscando audiência em cima de garoto semi analfabeto, humilde, e que por sua reação, aceitando exame de próstata para provar que não cometeu o crime, provavelmente deve ser inocente.
Queria ver o apresentador fazer a cena que fez com os dedos para um destes bandidos citado acima. Não faz, porque sabe que o buraco é mais embaixo.
Deveriam ser demitidos.

Responder

Fabio Passos

08/06/2012 - 23h12

As oligarquias midiáticas adoram humilhar suspeitos pobres e negros.
Já notórios bandidos, que cometeram crimes contra a humanidade durante a ditadura… contam com o silencio cúmplice da mídia.
Assim como bandidos brancos e ricos… aí a mídia defende os direitos do bandido e critica as ações da polícia.
Os ricos são o crime!

Responder

ricardo silveira

08/06/2012 - 22h58

Por favor, não entendi: a Desembargadora está dizendo que houve violação da Constituição, pois, em outros termos, trata-se de um cidadão com direito à inviolabilidade de sua pessoa e, mais, não foi julgado e nenhuma culpa lhe é atribuída, mas, ainda assim “è preciso encontrar soluções fora do Sistema de Justiça”? Para fazer o quê? Para fazer justiça? Só se for com as próprias mãos. A questão é que as instituições do Estado são omissas, covardes, e os seus responsáveis têm que responder criminalmente pela omissão.

Responder

assalariado.

08/06/2012 - 22h56

Quando foi que a imprensa burguesa desfocou de seus noticiários policialescos, os explorados pelo capital e sua prole. Seja na forma de reforçar os seus pontos de vista politicos/ economicos, seja para usa-los como quarto de despejo, das mazelas da exploração capitalista e suas consequencias. Sim, estou falando de regra, não de exceção. De uma forma ou de outra, faturam. Os anunciantes que o digam. Se locupletam. Tudo muito coerente, com os ideais de lucros do capital.

Quanto a parte que trata da atuação do PIG e seu Estado burgues juridico(um é o outro, o outro é o um), nunca se manifestam, a não ser quando são de seu naipe. Porém, se apresentam, à sociedade, como duas coisas distintas. O capital e sua raposa legalista, no que se refere às questões do Estado de Direito, em sua carta magna, diz o seguinte: Os pobres que se fodam! Oras bolas, o Estado do direito burgues, funciona como regra para fazer prevalecer os seus Habeas Corpus junto aos seus donos, enquanto para os pobres que, são os filhos indesejados do capital(porém, essenciais para reprodução do capital), a raposa, sempre foi, e é, coerente, esta pouco se lixando. Como se diz aqui na periferia: É chave de cadeia.

Abraços Fraternos.

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abolicionista

08/06/2012 - 22h41

Esse apresentador tem que ser punido por isso. Vergonhoso! PIG, golpista até a alma, incitando tortura, nojento! Nojo! Datenas da vida incitando violência, extermínio de pobres! Ódio redobrado a essa gente vil e covarde! Morte a essa corja!

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Apolônio

08/06/2012 - 21h58

Parabéns Doutora Desembargadora. Parabéns também o blog do Azenha. Faz-se necessário, combinar os institutos exarados em nossa constituição, liberdade de imprensa, informação, com respeito à dignidade humana, à privacidade, tudo isso em consonância aos respeitos aos direitos humanos e a presunção da inocência. Há que se fazer alguma coisa nesse país. A mídia não pode violar e destruir reputações de pessoas, humilhando-as. Tem que haver um paradeiro nisso. Isso soma muitas coisas que estão acontecendo em nosso país,o que se faz necessário uma regulação da mídia. Regular, não significa em hipótese nenhuma cercear a liberdade de imprensa.

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Vlad

08/06/2012 - 21h46

O “Estado”?
Por que não dão nome ao boi?
Dói?

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    Jairo Beraldo

    10/06/2012 - 06h16

    ACM & descendentes. São os reis da mídia baiana.

Emília

08/06/2012 - 21h07

“COM O TEMPO, UMA IMPRENSA CÍNICA, MERCENÁRIA, DEMAGÓGICA E CORRUPTA FORMARÁ UM PÚBLICO TÃO VIL COMO ELA MESMA.” (Joseph Pulitzer)

Acho que o senhor Pulitzer esqueeu apenas de mencionar os políticos, no mais, acertou na mosca. E olha que isso foi no começo do século 20 e de lá pra cá a coisa mudou pra caramba, mas pra pior.

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