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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Julie Feinsilver estudou os médicos cubanos: mortalidade infantil caiu 50%

01 de setembro de 2013 às 16h57

Corporativismo e falta de conhecimento a respeito do sistema de saúde cubano são apenas alguns dos motivos para a reação de alguns médicos brasileiros à chegada dos colegas de Cuba, na visão da socióloga norte-americana Julie Feinsilver, estudiosa da diplomacia médica cubana.

Ela é produto daquelas coisas bem paradoxais dos Estados Unidos. O país que ainda mantém o embargo a Cuba, tantas vezes tentou matar Fidel Castro e minar a revolução também produziu uma estudiosa dedicada a acompanhar a revolução da saúde em Cuba e a diplomacia médica que transformou a pequena ilha em uma potência sem comparação no planeta.

Julie lançou, em 1993, o livro Healing the Masses (poderia ser traduzido para “Curando as Massas”) e mandou uma cópia para a então primeira dama Hillary Clinton que estava, naquele momento, encarregada de propor um novo modelo para o sistema de saúde dos Estados Unidos. Quem sabe Cuba poderia ensinar algo ao inimigo do norte?

Claro que a socióloga nunca ouviu qualquer comentário da Casa Branca. Mas hoje o livro e os artigos de Julie Feinsilver são referência para quem quer estudar o assunto e até a Casa Branca deu sinal de vida.

Julie já viu algumas citações de representantes do governo Obama pescadas do trabalho dela e até recebeu telefonemas de gente que trabalha no atual governo.

Hoje ela conta, entre uma risada e outra, que o presidente Barack Obama foi procurado por vários líderes da América Central e da América do Sul durante a Cúpula das Américas, em 2009, com pedidos para que suspendesse o embargo a Cuba. Muitos citaram a diplomacia médica cubana como exemplo. Obama teria dito (imaginem!) que os Estados Unidos poderiam aprender algo com o que Cuba vem fazendo.

Se hoje acha graça das reações a seu trabalho, Julie Feinsilver também lembra que a pesquisa teve momentos bastante difíceis.

Ela foi vigiada pelo FBI e pela CIA, teve o telefone obviamente grampeado e mais de uma vez entrou em casa e percebeu uma coisa ou outra fora do lugar.

Teve medo, sim, mas nunca largou o assunto pelo qual se interessou quando ainda era estudante. Antes de entrar na faculdade, Julie partiu para uma viagem de mochila nas costas, que começou pela América Latina.

Conheceu vários países, navegou rios da Amazônia e ficou muito impressionada com as desigualdades dentro dos países e entre eles. Ela terminou a viagem em Praga onde, por acaso, comprou “A história me absolverá”, de Fidel Castro.

Foi quando decidiu que a experiência de Cuba era algo interessante, que merecia ser estudado, principalmente levando em conta a realidade que acabara de conhecer.

Dados que ela cita sobre o trabalho médico dos cubanos: 153 milhões de consultas em todo o mundo, sendo 47 milhões em visitas caseiras; 3,5 milhões de cirurgias, sendo 1,6 milhão oftalmológicas; 1 milhão de partos e 1 milhão de doses de vacinas aplicadas. Cerca de 30 mil estudantes recebendo treinamento em seus próprios países. Desde 1961, os cubanos trabalharam em 103 países, seja em serviços médicos duradouros ou por causa de desastres.

Julie Feinsilver conhece bem o Brasil, foi consultora da Fiocruz e está acompanhando o bate-boca em torno do programa Mais Médicos.

De Washington, onde mora, ela conversou conosco.

Viomundo – Essa reação aos médicos cubanos também aconteceu em outros países?

JF – Sim, mas não na proporção do que aconteceu no Brasil. No Brasil o protesto foi mais sério, mais organizado e elevado a outro nível.

Viomundo – Por que essa reação toda?

JF – Não sei, mas talvez as organizações médicas sejam mais fortes do que em outros países, ligadas a partidos poderosos. Talvez o número de médicos seja maior. Também acho que pode haver uma confusão no Brasil por causa dos protestos que já estavam acontecendo, com relação aos gastos em estádios de futebol e preparativos para eventos esportivos no lugar de investimentos em saúde, educação e comida. Transporte, moradia e empregos.

Talvez haja uma confusão entre os assuntos. Mas a primeira coisa que eles pensam é: “Esse cara veio roubar o meu emprego”.  Não é o caso. Até onde eu entendi, poucos médicos brasileiros se inscreveram no programa e como na maioria dos países, profissionais altamente preparados não querem trabalhar em áreas remotas, em favelas. Nos EUA é a mesma coisa. Você não encontra muitos médicos trabalhando em áreas remotas.

Viomundo – Os médicos cubanos ajudam nessas situações?

JF – Tremendamente porque vão lá e trabalham nas áreas onde os médicos locais não vão. Desde 1961, mais de 135 mil profissionais de saúde cubanos trabalharam em 107 países e nas áreas onde trabalharam, em geral reduziram a taxa de mortalidade infantil pela metade. De acordo com as estatísticas deles, salvaram mais de quatro milhões de vidas.

Levaram atendimento básico a áreas onde as pessoas não tinham médico algum. E isso faz uma diferença enorme. O foco deles é bem diferente do foco dos médicos treinados no Brasil e em quase todos os países. Eles focam na medicina preventiva. Na promoção da saúde e na prevenção de doenças. E inclui o que chamam de aspectos bio-psicológico-sociais e de meio ambiente.

Eles olham para a pessoa em todas as suas dimensões e não apenas para um fígado, uma gripe, ou malária…

Eles vão para a comunidade e fazem uma pesquisa epidemiológica. Analisam a situação, os fatores de risco do indivíduo e da comunidade. Ao invés de adotar um ponto de vista da oferta, eles adotam o ponto de vista da demanda. Olham para os problemas da comunidade e tentam resolvê-los, mas também tentam evitar o desenvolvimento de doenças.

Viomundo – Em geral, eles trabalham nos países por um período de dois anos e depois vão embora ou ficam por mais tempo?

JF – Em geral eles vão por dois ou três anos, às vezes renovam o programa para mais uma rodada. Mas em geral são dois anos e vão embora, apesar de alguns ficarem… extra-oficialmente.

[O vídeo acima diz respeito ao programa do Departamento de Estado dos Estados Unidos que tenta convencer médicos cubanos que trabalham fora da ilha a desertar  — denúncia do Jair de Souza, no Viomundo]

Viomundo – E o que acontece com essa população que não tinha atendimento, volta a ficar desassistida?

JF – Esses acordos são bilaterais, entre governos. E o governo se compromete a melhorar a saúde da população, mas muitos países não tem um número suficiente de médicos e tem que contratar de fora. O compromisso é do governo e ele decide se vai continuar prestando o serviço ou não. Os cubanos também tem um programa de treinamento de profissionais de saúde locais. E mudaram de estratégia. Antes eles ofereciam bolsas de estudo para esses alunos estudarem em Cuba. E formaram mais de 28 mil médicos de outros países desde que começaram o programa, em 1961.

Mas agora estão treinando 50 mil médicos de outra forma. Criaram um modelo tutorial para os médicos cubanos que vão nessas missões internacionais poderem dar aulas. Tornam-se tutores de três ou quatro estudantes locais de medicina. Esses alunos acompanham os médicos e no começo, claro, apenas observam. Depois pesam bebês, medem pressão, não fazem nada muito sério. Mas aprendem técnicas clínicas e epidemiológicas, ao mesmo tempo em que tem aulas e instruções via internet.

É um tipo de treinamento no trabalho com algo mais. E esse, em geral, é o plano quando Cuba envia médicos: treinar alunos locais. Sempre alguém da comunidade mesmo, que vá trabalhar ali e que vai ficar ali porque não está acostumado com outro tipo de vida.

Viomundo – Como nasceu esse sistema de saúde cubano? Muita gente diz que foi inspiração do Che Guevara…

JF – O Che Guevara, que era médico, realmente se preocupou muito com a medicina e com a saúde durante a revolução. Ele teve influência. Mas Fidel Castro, desde cedo, foi um médico frustrado e admitiu isso em biografias. Eu o vi, pessoalmente, em conferências médicas, em Cuba, passar horas questionando os palestrantes. Ele conhece os detalhes. Todo mundo que o conhece e trabalha com ele diz que ele tem uma preocupação constante com a saúde.

Quando a revolução triunfou e os guerrilheiros entraram em Havana, Fidel foi fazer um grande discurso e uma pomba branca pousou no ombro dele. A pomba branca é um símbolo, na santeria afro-cubana, do Obatalá, o deus da saúde e da educação. Você pode olhar as fotos da época. Em 1978 o Fidel disse que faria de Cuba um poder médico mundial e via nisso uma competição moral com os Estados Unidos.

Viomundo – Quem venceu essa competição?

JF – Acho que foi Cuba!

Viomundo – O que é incrível para um lugar tão pequeno com tão poucos recursos…

JF – É extraordinário. Eles têm pouquíssimos recursos materiais, mas têm recursos humanos. E desde cedo Fidel percebeu a importância de investir em saúde, educação e ciência. Em 61, se não me engano, ele disse: “Nós vamos criar cientistas, não somos uma porção de indígenas de fraque”.

Viomundo – Eles perderam muitos médicos no começo da revolução?

JF – Perderam metade. Tinham pouco mais de seis mil médicos e perderam 3 mil imediatamente. Por isso tiveram que mudar o modelo de medicina que era praticado. Como em quase todos os países do mundo, existia uma má distribuição dos profissionais de saúde e das instalações, com grande concentração nas áreas urbanas. Inicialmente, se concentraram na zona rural e enviaram médicos para o interior.

Viomundo – Por que tiveram tanto sucesso? Por conta do planejamento centralizado? Por que não existe a necessidade do lucro então podem conduzir a medicina de outra forma? Por que existia um empenho pessoal?

JF – Acho que é uma combinação de tudo isso. Houve uma mística revolucionária entre os médicos. A experiência que as pessoas tiveram em Sierra Maestra, trabalhando durante a revolução, vendo pessoas morrendo de fome, com todo tipo de doença, resultado das condições em que viviam ou da falta de assistência médica, influenciou. Mas uma vez que o estado é o dono dos meios de produção, da educação e dos empregos ficou tudo muito mais fácil. Mas inicialmente, eram voluntários que se deslocavam porque havia esse idealismo, esse entusiasmo em corrigir os erros do passado. De melhorar a vida das pessoas na zona rural.

Viomundo – E as brigadas internacionais, você  sabe como selecionam quem vai viajar?

JF – Não sei os detalhes, mas existe uma seleção. As pessoas são voluntárias e eles selecionam, checam a experiência e as necessidades da missão. Mas analisam com cuidado os candidatos. Sabem quem trabalha aonde e quais são as qualificações dos candidatos. Muitos querem ir porque ganham bem mais e podem levar para casa produtos que não podem comprar lá [em Cuba]. Muita gente tenta entrar na lista e não consegue. Mas precisam de um grande número de candidatos.

Viomundo – Como a Venezuela resolveu o problema da revolta dos médicos locais?

JF – O governo foi adiante e passou por cima dos médicos. Mas hoje vários médicos venezuelanos estão trabalhando com os cubanos no programa Barrio Adentro. Os cubanos foram trabalhar em áreas onde ninguém queria trabalhar. Algumas muito perigosas. 68 médicos cubanos já foram mortos. Não foi por problemas políticos, mas por causa da violência mesmo.

Viomundo – Você disse, em um artigo, que a presença dos médicos cubanos em alguns países está promovendo mudanças nas relações entre médicos e pacientes, na forma de pensar a medicina. Poderia explicar melhor?

JF – Os médicos cubanos, quando criam um programa (não sei se será assim no Brasil porque já tem o SUS), eles trabalham em pequenas clínicas e vivem na comunidade. Estão sempre disponíveis. Visitam pacientes em casa, nas escolas, no trabalho. Isso muda a natureza da relação médico-paciente.

Os médicos cubanos não são da elite. Tratam os pacientes mais de igual para igual, sem a hierarquia que você encontra na maior parte do mundo. Eu saí com eles, acompanhei o trabalho. Eles não ficam sentados dentro da clínica. Vão visitar as pessoas e quando fazem isso, estão analisando os fatores de risco, as condições do local para tentar identificar quais podem ser as ameaças à saúde para propor trabalhos conjuntos com outras agências. Distribuição de água, ou algo assim.

E quando circulam na comunidade, são abraçados e cumprimentados como velhos amigos. É uma relação próxima, familiar, o que é uma grande diferença. Isso muda a maneira como olhamos para o serviço de saúde. Os cubanos se destacaram no mundo com esse serviço básico de saúde. Mas ao mesmo tempo eles têm um serviço terciário muito avançado, e biotecnologia, desenvolvimento farmacêutico. Procedimentos cirúrgicos muito avançados também.

Mas quando os pacientes veem a medicina de outra forma, os políticos enxergam uma relação de custo benefício melhor porque a prevenção é sempre mais barata do que a cura, isso obriga a repensar. Como resultado, nos países em que os cubanos trabalharam ou ainda estão trabalhando, muitos decidiram adotar um programa de saúde mais abrangente baseado no modelo cubano.

Isso aconteceu em muitos países da África, da América Central. Foi feito no Haiti, com o apoio do Brasil, através da Organização Pan-Americana de Saúde. E claro, a Venezuela, onde foi feito em larga escala, e no Timor Leste.

Quando as pessoas veem esse modelo funcionando e os resultados, se convencem. Claro que você não vai mudar a estrutura da medicina no Rio, em São Paulo ou Brasília porque são sistemas muito grandes e complexos, com vários interesses poderosos em jogo. Mas para lidar com as necessidades primárias dos cidadãos que não tem nenhum acesso, é uma ótima saída.

Eu ouvi alguns médicos do Brasil dizendo: “Se não tem médico na cidade, os pacientes podem ir até a próxima cidade”. Por favor! Estão pensando apenas nos interesses corporativistas deles. Mas esses que estão reclamando são médicos especializados, que trabalham em hospitais. Se estão chateados assim, por que não vão ao Amapá trabalhar?

Mas lá não poderão ver o paciente por uma hora, no sistema público, e depois enviá-lo para sua clínica particular. Acho que existe uma certa confusão de assuntos e os médicos que estão reclamando não estão pensando com clareza. Fizeram o Juramento de Hipócrates realmente a sério ou estão apenas buscando seus benefícios próprios?

Viomundo – Você se sente uma voz isolada, nos Estados Unidos, neste assunto?

JF – Com certeza! Mas sei que não sou a única voz. Comecei a escrever sobre isso em 1989. Desde então, alguns alunos, que agora são professores, escreveram dissertações sobre o assunto. Usaram meu livro e meu primeiro artigo em seus próprios trabalhos. Mas não existe muita gente estudando e falando disso. É uma pena.

Quando o meu livro foi publicado em 1993 (“Healing the Masses”) mandei uma cópia para a Hillary Clinton porque ela estava encarregada de um projeto de reforma da saúde. Não sei se ela recebeu e ninguém nunca me contatou. Mas sei que algumas pessoas do governo atual usaram meu trabalho porque vi citações e alguns me contataram nos últimos anos.

Em 2009, durante a Cúpula das Américas, o presidente Barack Obama foi abordado por quase todos os líderes regionais pedindo que ele suspendesse o embargo a Cuba e um dos temas mais citados foi a diplomacia médica de Cuba nestes países. E o bem que fez. Ao saber de tudo isso, na época, o presidente Obama disse: “Podemos aprender muito com o que Cuba está fazendo”.

Viomundo – Por que você resolveu se dedicar a este estudo?

JF – Quando terminei a escola, antes de entrar na faculdade, fui viajar pela América do Sul.  Fiquei impressionada com a disparidade de renda dentro dos países e entre os países. Também fui à Europa e fui parar em Praga. Lá entrei em uma livraria e vi esse livro intitulado “A história me absolverá”, do Fidel Castro. Achei interessante. Não era muito consciente politicamente. Mas fiquei impressionada. A revolução cubana era uma experiência nova que tentava reduzir as disparidades entre ricos e pobres, centros urbanos e zona rural. Depois de tudo que eu tinha visto…

Viajei muito pelo Brasil, pela Amazônia cruzando estradas que não existiam na estação chuvosa, descendo rios em pequenos barcos, e vi muitas coisas em vários países e achei que a revolução cubana era algo que merecia ser estudado. E foquei na política de saúde.

Viomundo– Por ser norte-americana, você teve problemas para ir e voltar? Para entrar nos Estados Unidos novamente?

JF – Na verdade, não. Mas os vistos para Cuba muitas vezes chegavam com bastante atraso.

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Viomundo – Então, com o governo norte-americano você nunca teve problemas?

JF – Não é bem assim… Em 1979, quando estava voltando de Houston para Nova York, dormi no carro que me levava do aeroporto para New Haven, em Connecticut. Um caminhão bateu no carro bem onde eu estava sentada, no meio da noite.

Fui levada para o hospital com o nariz quebrado. Fui liberada as quatro ou cinco da manhã. Me deram um remédio forte para dor e fui para meu dormitório na Universidade de Yale. Às 8 da manhã recebi uma chamada de um agente do FBI.

Ele pediu desculpas por me incomodar depois do acidente, mas disse que precisava me fazer umas perguntas. Ninguém sabia do acidente! Eu estava sozinha!  Tinha ido a Cuba uns meses antes. Disse que não podia falar e no dia seguinte procurei um advogado de direitos civis que defendeu um dos Panteras Negras [grupo que atuou em defesa dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos].

Ele mandou dar o número de telefone dele caso ligassem novamente. Decidimos entrar com um pedido, dentro da Lei da Liberdade de Informação e consegui a cópia do arquivo a meu respeito no FBI. Eles estavam me vigiando. Os relatórios estavam quase todos cobertos com tarjas pretas. Não pude ler quase nada além do meu nome e do meu endereço. Mas na lateral estava escrito: “Enviado para a CIA”.

Viomundo – Você ficou com medo?

JF – Claro! Eu chegava em casa e algumas vezes algumas coisas estavam um pouco fora do lugar nas minhas gavetas. A minha linha de telefone sempre tinha uns barulhos estranhos. Acho que eles queriam me assustar porque não precisavam deixar sinais. Fiquei um pouco paranoica por um tempo. Descobri que meu telefone estava mesmo grampeado com a ajuda de um amigo especialista nisso.

Viomundo– E no meio acadêmico, teve dificuldades?

JF – Uma vez, com a editora da Universidade Harvard. Mandei um manuscrito. Exigiram mudanças em umas comparações que fiz com os Estados Unidos. Era importante demais e me recusei. Então, não publicaram.

*****

Abaixo, em inglês (desculpem, não tivemos como traduzir) a participação de Julie Feinsilver em um seminário sobre saúde em Cuba. Com ela participa o canadense John Kirk, co-autor do livro Cuban Medical Internationalism: Origins, Evolution, and Goals. Foi no Centro para Estudos Estratégicos Internacionais, em Washington.

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45 Comentários escrever comentário »

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Edno Lima

03/09/2013 - 15h39

Nos EUA, ela pode estudar algo que deu certo em Cuba , o sistema básico da medicina cubana, e tecer-lhe elogios, lá mesmo nos EUA. Em Cuba, alguém poderia estudar algo que deu certo nos EUA, e são muitas as coisas, e tecer elogios, lá mesmo em Cuba?

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lidia virni

02/09/2013 - 20h01

Esse idivíduo que escreve sob o pseudônimo Lukas é sem dúvida um ignorante sobre Cuba, um mal informado ou um troll mesmo. Em Cuba, os que nascem com síndrome de down não só recebem atenção tal como as demais crianças e se desenvolvem até onde seu problema permite, como lhes é poferecida gratuitamente uma operação que corrige a expressão típica da síndrome,como os olhos puxados e a língua frequentmente para fora da boca, o que eleva sua autoestima e de seus entes mais próximos. É impressionante o que os inimigos de Cuba, por desinformação ou por posição ideológica contrária escrevem nestes blogs.

Responder

    Luís Carlos

    03/09/2013 - 10h49

    Concordo com você. Impressiona como lançam mão de informações falsas sobre Cuba, apostando na desiformação e pré-conceito contra aquilo que não se conhece e que é diferente de nossa realidade. Caem no ridículo pois são contrariados pelos fatos e pelos indicadores epidemiológicos, como por exemplo, a jornalista Micheline que perguntou se os médicos cubanos sabiam lidar com dengue. Não apenas os médicos cubanos, mas os cubanos em geral sabem, pois Cuba não tem dengue.

lukas

02/09/2013 - 15h17

Como são tratados os portadores da Sindrome de Dowm em Cuba?

Abortados.

Responder

    Antonio Couto

    08/04/2014 - 12h47

    Mais um achismo.

    Como seria possível você saber disso e órgãos como a OMS e a UNICEF não?

Regina Braga

02/09/2013 - 14h52

A reforma precisa ser na estrutura dos cursos de Medicina…Uma boa experiência, que o Ministro Mercadante, poderia fazer.

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foo

02/09/2013 - 13h31

Vocês já repararam que enquanto a mídia faz um escândalo os políticos do PSDB ficam em silêncio?

O Alckmin, por exemplo. Ele é médico, poderia dar sua opinião — dizer se é contra ou a favor a vinda de médicos para diversos municípios, inclusive paulistas.

Se ele for contra, vai ter de explicar isso na época das eleições.

Aqui vai uma imagem para a campanha: #falaAlckmin!

Responder

    Luís Carlos

    02/09/2013 - 13h52

    Claro, a grade mídia faz o contra ponto evitando desgaste político da oposição política. Tudo acertado entre eles. Tucanos estão com muito medo de enfrentar esse debate, por isso não batem tanto no programa e não aderiram às manifestações recistas, xenófobas e segregadoras das entidades médicas.

    Hudson Lacerda

    15/09/2013 - 22h52

    Interessantemente, vi uma entrevista do Geraldo Alkmin sobre o Mais Médicos, e ele, muito sorridente, falou que é muito favorável ao programa, embora fosse melhor se exigisse o Revalida. Estava muito sorridente mesmo, o sujeito. Curioso.

Laura Greenhalgh: Doutor Preto teria algo a dizer aos médicos brasileiros - Viomundo - O que você não vê na mídia

02/09/2013 - 11h54

[…] Julie Feinsilver estudou a diplomacia médica cubana: mortalidade infantil caiu 50%; FBI vigiou soci… […]

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Horridus Bendegó

02/09/2013 - 10h58

Parabéns, Luiz Carlos Azenha!

Matéria que vale cada centavo investido na assinatura do Blog!

Responder

Ted Tarantula

02/09/2013 - 10h51

Fico muito tentado abordar o tema pela ótica da contracultura (de que modo o saber oficial e institucional se tornou uma armadilha para os povos pq usado por grupos corporativos para seu domínio e poder ilimitado e abusivo)…mas em se tratando de nossos compatriotas isso pode ser muito perigoso: como dizia o finado Millor, aqui eles confundem e acham que contracultura é o mesmo que pró-ignorância.

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Mardones

02/09/2013 - 10h25

O paradigma cubano tem outro foco: o ser humano.

O Raul Pontes está pensando em deixar a vida parlamentar para reforçar a militância de esquerda. O PT precisa repensar o caminho que vem seguindo.

Responder

Gerson Carneiro

02/09/2013 - 10h13

“Em 1978 o Fidel disse que faria de Cuba um poder médico mundial e via nisso uma competição moral com os Estados Unidos.

Viomundo – Quem venceu essa competição?

JF – Acho que foi Cuba!”

Cuba está enviando médicos ao Brasil. EUA está enviando bombas à Síria.

Não é difícil ratificar a conclusão da Julie Feinsilver.

Responder

    Isabela

    02/09/2013 - 12h42

    Exato, Gerson! Muito bem lembrado. Diante disso, precisa dizer mais alguma coisa??!!…rss…

augusto

02/09/2013 - 09h45

Em tempo – e para que nao haja objeçoes e ilaçoes sobre isso: bioquimicos, sanitaristas e
especialistas afins, trabalhando em laboratorios nos Usa, receberam sim essa incumbencia sobre o Iraque sancionado – muito bem pagos por certas agencias imperiais.
Mas qualquer ingenuo tem o direito de acreditar que foi coisa ocasional e pontual, é claro.

Responder

Marmeladov

02/09/2013 - 09h41

Em matéria de vigilância, os dois países, Cuba e EUA, vigiam seus cidadãos, é certo.
Eu não saberia dizer quem vigia mais, atualmente. A vigilância interna nos EUA aumentou consideravelmente depois do atentado terrorista de 11 de setembro (cuja autoria é controversa, mas isso é outro tópico. Entretanto, em Cuba existem “los miradores”. Quem já esteve lá, conhece. Eles são funcionários do governo cubano encarregados de vigiar as relações de cubanos com os turistas – isto não é propaganda, é um fato.
Uma diferença fundamental entre os dois sistemas de vigilência existe, vejamos: se um cubano, p*to da vida – digamos, com a derrota do seu time de baseball, for para o meio da praça e gritar: “Fidel é gay!”, irá sofrer barbaridade; o cara será visto como “inimigo de la revolución”, vendido a los “ianques imperialistas” etc. e sua vida estará desgraçada. Ao passo que se um americano for para a porta da Casa Branca, em Wahington, e gritar: “Obama além de gay é corno!”, vai juntar gente para fazer coro.
Independentemente de quem tenha razão real, objetiva, nessas afirmativas, esta é uma diferença importante entre os sistemas de vigilância interna entre países socialistas e não-socialistas. É também uma fraqueza potencial, inerente ao sistema democrático.
Contestações, todas, agora, por favor!

Responder

    Paulo Figueira

    02/09/2013 - 12h35

    Se o americano denunciar a espionagem do governo e o monitoramento de seus cidadãos, acabará cumprindo uma longa pena de prisão.

    Luís Carlos

    02/09/2013 - 13h37

    Se um cidadão comum falar contra ações do presidente Obama em um email, é espionado, possívelmente preso, sem direito a processo. “Lei antiterrorismo” dos EUA.

    Hudson Lacerda

    15/09/2013 - 22h59

    O problema é que lá nos EUA, como aqui no Brasil, temos basicamente o direito a gritar palavrões (e sem máscaras, pra sermos alvos fáceis de gás lacrimogêneo e perseguição), mas não temos direito de mudar nada realmente importante. Há a ilusão de que “livre expressão” é suficiente. Ou às vezes, nem isso, pois como outros lembraram: Manning, Assange, Snowden, não têm direito de se expressar nos EUA nem no Reino Unido, nem em nenhum lugar dominado pelos plutocratas/cleptocratas.

augusto

02/09/2013 - 09h35

andre vltchek diz em um de seus artigos que o Ocidente, do qual se envergonha em pertencer, eliminou apos a II GUerra, um numero estimado entre 55 e 65 milhoes de pessoas, via guerras, agressoes, muniçoes c/agentes radioativos, sançoes economicas.
(Nao vomitem por fvr, mas eu li q existem laboratorios empresariais e universitarios nos Usa que tem recebido HA ANOS para avaliar (assessment) os efeitos de sançoes economicas via destruiçao de saneamento basico e empobrecimento de populaçoes
sancionadas -como Iraque. Em portugues claro: ganham para fazer avaliaçao estatistica do processo de doença e morte IMPOSTO aos mais fracos. Finalidade?
O pentagono & casa branca avaliarem SE, COMO prosseguem na tarefa gloriosa.
E uma ilha pequena, com quatro ou cinco milionésimos da populaçao do ocidente
salva 4 milhoes de crianças com uma medicina simples. E com uma diplomacia que nenhum bloqueio imperial vai conseguir impedir. Que bofetada na cara!

Responder

    Marmeladov

    02/09/2013 - 09h45

    A fome na Ucrãnia também foi causada pelo ocidente. A oposição relizada a Stalin o obrigou a tomar as medidas de restrição alimentar quanto às pretensões burguesas dos ucranianos.

    augusto2

    03/09/2013 - 09h25

    Nao seja casualesco, marmelador.
    Porque btw, o Usa ocuparam o Haiti por 20 anos e deixaram exatamente a fome.

Nem tanto

01/09/2013 - 21h44

Para a máfia dos jogos de Las Vegas seria lucrativo se gastasse alguns trilhões com armas para os rebeldes castritas, mas foi s[o alguns bilhões.

Responder

renato

01/09/2013 - 21h17

Interessante, Azenha.
De repente a paz no mundo possa passar pela medicina.
E os médicos serem a porta de entrada para um mundo melhor.
É obvio o que falo…Mas tenho certeza que não é obvio o que
acontece.
Mas ter esta visão que Cuba teve para resolver seus problemas
possa alimentar as ideias revolucionárias da mudança para a paz,
o bem viver.
Porque 68 Cubanos mortos, para levar saúde em modo de viver, é
muito altruísmo do Povo Cubano, Parabens.

Responder

Luís Carlos

01/09/2013 - 20h52

Eis uma “pequena” diferença entre o modelo cubano e a saúde brasileira.

Responder

Marat

01/09/2013 - 20h47

Amigos virtuais, boa noite.
Sei que não sou lá muito inteligente, porém creio que seja um arguto observador. No início da década de 1980 comecei a compreender política. Muito rapidamente, após muitas leituras, conclui que os Estados Unidos eram um país mentiroso, mas que possuía uma inteligência incomum para mentir e praticar embustes: Espalha suas religiões, divulga suas coisas bonitas por filmes, influencia povos com algumas de suas belas canções e… paga a jornalistas, políticos, pensadores etc., ao redor do mundo, para venderem um país maravilhoso.
Percebi que o papo de democracia era um engodo. Eles, até cerca de 10 anos atrás eram razoavelmente democráticos em seu território. Hoje, a tal democracia nem lá existe mais.
Hoje a máscara caiu de vez, e até quem é mais tolinho ou mesmo quem os defendia, percebe que eles são uns malandros, ladrões, assassinos e terroristas numa busca frenética e insana pelo poder e pelo dinheiro.
Eu alertava as pessoas, desde os 80 sobre isso. Muitos me chamavam de radical, outros de louco, outros de comunista… vejam hoje! Chegamos num ponto que ou eles destroem o mundo ou são destruídos… Não dá mais para ficar calado com tantos massacres, tantas crianças árabes sendo cruelmente destruídas diariamente, países inteiros fadados à destruição, à fome e a morte, para que o império, o verdadeiro Império do IV Reich se imponha!

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Felipe

01/09/2013 - 20h32

Felizmente esta senhora pode falar o que pensa, mesmo que muitos não concordem. Mas fica a pergunta: se estivesse em Cuba, teria a mesma liberdade de expressão? Será que o mundo a conheceria? Obvio que não. Ela tem o maior bem que o ser humano pode ter! liberdade…

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    Francisco

    01/09/2013 - 21h39

    Que bom que você (ou alguém que pensa como você) pode entrar no ar, na TV aberta e no horário nobre, meu caro. Que bom que voc~e é livre!

    Eu não tenho essa liberdade…

    Essa moça, por exemplo, pode dar o testemunho dela aqui, nesse cafofo n internet. E no JN, ela pode?

    Ivan Cordeiro

    02/09/2013 - 08h08

    Dilma pega embalo na polêmica sobre médicos cubanos

    A avaliação que se faz dentro do governo é a de que a presidente Dilma Rousseff tem frutos de sobra a colher com a polêmica que cerca o programa Mais Médicos e, mais especificamente, a contratação de médicos cubanos para trabalhar no Brasil.

    Auxiliares da presidente avaliam que o resultado, na verdade, saiu melhor que a encomenda. Dizem que Dilma ganhou a oportunidade de se colocar como uma “líder disposta a enfrentar a elite” em benefício de parcelas mais carentes da população.

    Quem faz essa avaliação, na verdade, torce por mais reações de entidades médicas contra o programa. Quanto mais gritaria, melhor.

    Aline C Pavia

    02/09/2013 - 09h28

    Snowden, Assange e Bradley Manning podem falar a verdade nos EUA?

    Jorge Leite Pinto

    02/09/2013 - 10h51

    Na LATA!

    Renato

    02/09/2013 - 11h24

    Posso falar a verdade em Cuba? Que não posso sair do país? Não posso abrir empresa privada em CUBa? Prefiro os EUA.

    Isabela

    02/09/2013 - 13h39

    Renato, sua opinião é de um senso comum pesado: informe-se e pare de falar besteira, rapaz…

Zé Brasil

01/09/2013 - 20h28

Excelente artigo! Parabéns Azenha!

Meus respeitos a Socióloga Julie Feinsilver por este grande trabalho, que mostra, que a despeito de visões ideológicas distintas, o profissionalismo se sobressai em nome da verdade dos fatos, o quê a nossa imprensa ainda tem um longo e ardúo caminho a percorrer até que possa ser chamada de verdadeira, ao contrário de sectária e golpista como é conhecida nos dias de hoje.

Sobre o vídeo publicado pelo Sr. Jair de Souza, notar para as afirmações no período entre 06min00seg e 06min10seg: os argumentos usados pelos opositores brasileiros são, par e passo, estes mesmos argumentos que foram utilisados na Venezuela para desastabilizar o programa, e, agora. aqui em nosso Pais. O troço vem claramente de fora para dentro e usam nossos “gusanitos” para repercutí-los aqui no Brasil.

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Jayme Vasconcellos Soares

01/09/2013 - 19h15

Estas informações e esclarecimentos de Julie Feinsilver, talvez possam dar uma luz aos nossos médicos ignorantes sobre a competência dos médicos cubanos, que estão a dar assistência aos brasileiros carentes e/ou que vivem em regiões distantes dos centros urbanos, ondes os médicos brasileiros, elites despreparadas, se recusam a atender. A atitude dos médicos brasileiros, admoestando os cubanos, é simplesmente ridícula e execrável.
Viva o povo cubano, que, mesmo sofrendo implacável e desonesto bloqueio dos Estados Unidos, vêem dedicando o seu amor desprendido à humanidade, com sua dedicação e competência na medicina clínica social!!!

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    Kelly

    03/09/2013 - 10h00

    Acho que professores tbm devem trabalhar por amor e sem leis trabalhistas! O q vc acha?

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