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Cartas de Minas
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Wadih Damous: Generais tramam golpe nas barbas de um presidente desmoralizado

21 de setembro de 2017 às 11h42

Generais tramam golpe nas barbas de um presidente desmoralizado

por Wadih Damous, especial para o Viomundo

A Constituição é clara : o presidente da República é o comandante supremo das forças armadas. E no seu artigo 142 o texto constitucional só admite a atuação dos militares na garantia da lei e da ordem por iniciativa dos poderes constitucionais; jamais por conta própria. A ordem jurídica também veda a opinião de caráter político por parte de oficiais da ativa.

No entanto, em menos de 48 horas, três generais – dois deles pertencentes ao alto comando do Exército, aí incluído o comandante, e um da reserva, mas visto como uma forte liderança por seus pares desde que comandou a primeira força de paz do Brasil no Haiti – fizeram letra morta desse marco legal ao defenderem a intervenção militar, para impedir a “instalação do caos.”

Em qualquer país de democracia avançada, insubordinações e desafios à ordem constitucional, como os protagonizados pelos generais brasileiros, seriam imediatamente coibidos com o afastamento das funções, como no caso do comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, e outras punições previstas em lei ou no regulamento disciplinar do Exército.

No Brasil pós-golpe, no entanto, o ministro da Defesa, também superior hierárquico dos generais, se limita a fazer uma tímida e envergonhada declaração sobre o assunto, enquanto o presidente – talvez acuado por saber de sua rala autoridade, uma vez que é produto de um golpe de estado- se omite completamente.

Tivesse Temer reagido à altura ao discurso do general Antônio Hamilton Mourão, que deu origem às demais falas de caráter golpista vindas da caserna, a anarquia poderia morrer no nascedouro.

Na base de Temer na Câmara dos Deputados e no Senado prevalece um silêncio preocupante em relação às escaramuças antidemocráticas a que o Brasil assiste.

Mesmo o campo democrático e de esquerda parece ainda não ter se dado conta do tamanho e da ferocidade do monstro que se vislumbra no horizonte.

A presidente nacional do PT é uma das exceções. Merece aplausos a nota emitida pela senadora Gleisi Hoffmann conclamando os democratas a cerrarem fileiras ante à ameaça dos militares de alta patente.

Vale recuar no tempo para lembrar que o golpe de 1964 foi precedido por falas polêmicas e desencontradas de chefes militares, alguns em defesa da legalidade, outros dando corda de forma sútil ou explícita à conspirata então em curso.

E não tenhamos dúvidas de que o alvo principal dos que hoje tramam a liquidação do regime democrático são as forças de oposição, os movimentos sociais, a mídia contra-hegemônica e a luta popular por direitos.

Circula na internet uma palestra de um dos insubordinados, o general Mourão, de sobrenome de triste memória, destilando intolerância contra a esquerda, a partir de considerações extremamente ignorantes e preconceituosas sobre o Fórum de São Paulo, uma articulação entre partidos e movimentos de esquerda da América Latina, fundado em 1999, na capital paulista.

A esquerda é citada ainda pelo general Augusto Heleno, quando saiu em defesa de Mourão : “ A esquerda, em estado de pânico depois de seus continuados fracassos viu nisso [nas declarações de Mourão] uma ameaça de intervenção militar. Ridículo.”

O risco às instituições democráticas é real. Não se trata de enxergar fantasmas onde eles não existem, nem de dar aso a análises catastróficas. O perigo é de carne e osso e veste verde oliva. Fascistas e golpistas não passarão.

Wadih Damous – deputado federal e ex-presidente da OAB/RJ

Leia também:

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12 Comentários escrever comentário »

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RONALD

22/09/2017 - 11h02

Apoio que os milicos peçam Eleições gerais agora, Nova Constituinte com novo Congresso.

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RONALD

22/09/2017 - 11h00

Odilon, não caia neste esparro de limpeza política.
Veja o que diz o Nassif em seu “Xadrex do fator militar”:

“A lógica dos regimes de exceção é sempre a mesma.

Primeiro, a ideia de intervir, limpar a política dos “maus políticos” e devolver o poder aos civis. Depois, o tempo vai passando e decidem ampliar o salvacionismo, prorrogando a intervenção. É questão de tempo para a lógica do poder se impor.”

Se milico der o golpe agora, nunca mais sairemos desta lama e escuridão…

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Odilon V. Almeida

21/09/2017 - 18h46

Não há nenhum golpe militar à vista. Não há nenhum 1964 à vista. Me perdoem esses que comentam com tanto medo de um golpe militar – fujam antes que a coisa aconteça. Vocês tem culpa em algum cartório?.
O que se quer é uma medida cautelar das FAs para afastar a gang que domina o governo, incluindo-se o congresso, prendê-los em alguma masmorra, e pedir eleições diretas. Isto porque o STF não pode intervir. Resta, então, frente a precária situação do país, considerando o chefe mor das Forças Armadas presidente corrupto e chefe de quadrilha, que as nossas Forças Armadas devolva o governo ao povo pedindo eleições diretas. QUE TODA ESSA GANG SEJA EXCLUÍDA DA VIDA PÚBLICA. S.O.S FORÇAS ARMADAS

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Carlos José

21/09/2017 - 17h48

O fato de Miriam Leitão postar artigo em que revela seu medo já me faz ser simpático a essa tal intervenção militar. Lembremos Brizola: Na dúvida, observe o que diz a Globo. Se ela estiver a favor, é melhor ficar contra.

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lando carlos

21/09/2017 - 17h32

eles estão agindo coerentemente com o que o JUCÀ falou na gravação e para defender o golpe das elites,onde só tem a perder o povo,não existe golpe sem apoio do exercito seja ele midiático judiciário ou qualquer outra coisa defender o território brasileiro que o que esta na constituição eles não defendem,se acovardaram deixando u m bando de ladrões entregar o Brasil

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Alves

21/09/2017 - 16h41

Balela! Discurso de Damous serve apenas para enfraquecer o Governo e fazer confusão. E ainda se dá, neste espaço, lugar para o texto de uma jornalista da Globo, senhora Míriam Leitão. Pessoal, por favor! O Rio de Janeiro está entregue ao tráfico de drogas! O Brasil, de PSDB a PT, está enlameado de corrupção! Mesmo assim, ainda perdem tempo com “intriguinhas” referentes a fala de um General!?

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RONALD

21/09/2017 - 15h55

O Wadih Damous está certíssimo. A sanha dos milicos é barrar as eleições de 2018. Como não conseguem condenar Lula, pois Lula é inocente e vai ganhar, usam este artifício canhestro de intervenção “milicolar”.

Se os milicos querem fazer sua voz ser ouvida, por quê não fazem as “aproximações sucessisvas” para uma Eleição já, legítima pelo voto popular??????????

Essa sim, seria uma excelente intervenção democrática. Será que a globogolpe ia ficar satisfeita com essa intervenção??????????????

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Morvan

21/09/2017 - 15h22

Boa tarde.
Conforme publiquei, na milha Linha Temporal, na Rede de Coleta CIÁtica:

Lugar de militar é na caserna ou no clube. Política se resolve na política! Xô, golpistas togados, fardados ou à paisana.

O discurso desses abutres, em qualquer vertente, é o da terra arrasada; estavam pianinho, os fardados, na surdina. Mas, como a solução Temer deu água e a “Operação Voz de Eunuco” foi ferida de morte, com o acatamento da alegação de suspeição, novos atores são necessários. Isso também serve para alertar os que creem em “militar nacionalista”. OS da ESG, não, pois foram fabricados lá na terra da Klu Klux Klan…

Saudações “#ForaTemerGolpsista; Eleger o ‘Jara’, recobrar o país das mãos dos destruidores. Reforma do Golpiciário urgente. Com esta curriola togada, jamais teremos democracia“,
Morvan, Usuário GNU-Linux #433640. Seja Legal; seja Livre. Use GNU-Linux.

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José Luiz

21/09/2017 - 13h35

Wadih Damous
Não sou a favor dos militares e não sei como terminará essa intervenção se caso houver mas, nós cidadãos não reagimos então que venha está intervenção, aliás já deveria ter ocorrido porque este ilegítimo Presidente assinou um documento na ONU sobre uso de armas nuclear ou inrrequecimento de Urânio para fins de uso de armas nuclear, permitindo que em nosso território seja visitado pelos inspetores da ONU sem prévio aviso, basta ter uma denúncia anônima de que o nosso País está inrriquecendo Urânio, oras o Brasil tem desenvolvido sua própria tecnologia para esses fins, que o diga as nossa Forças Armadas e ai esse ilegítimo presidente trabalha contra a nossa soberania e como esta entregando nossas riquezas minerais aos estrangeiros, então meu caro já está demorando!

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João Lourenço

21/09/2017 - 12h24

O Wadih é tão vago que numa próxima vai dizer que o Brasil vão sofrer uma invasão alienígena.Wadih ,devolva o emprego que não é seu!!!! Trabalhe como deputado do RJ e pare de legislar para o partido e o Lula .Trabalhe!

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