VIOMUNDO

Globo publica as mentiras da ditadura; 40 anos depois, sofre “amnésia”

22 de janeiro de 2014 às 15h21

Foto “descoberta” pelo Globo em 2012 é a mesma que o jornal publicou em matéria de 1971. Naquela, o Globo usou foto divulgada pelos órgãos de repressão e apresentou a versão deles como  se fosse a verdadeira sobre a prisão, tortura e assassinato de Raul Amaro

por Conceição Lemes

Raul Amaro Nin Ferreira, engenheiro, primogênito dos oito filhos do casal Joaquim Rodrigo Lisboa de Nin Ferreira e  Mariana Lanari Ferreira.

Na madrugada de 1º de agosto de 1971, ao voltar de uma festa, Raul Amaro foi preso por acaso numa batida de polícia na rua Ipiranga, em Laranjeiras, Rio de Janeiro. Juntos, no carro, Saididin Denne, colega de Raul no Ministério da Indústria e Comércio, e a esposa Yone.

No porta-luvas, foram encontrados dois “croquis” de ruas de São Paulo e na bolsa de Yone, um “croqui” de ruas do então Estado da Guanabara.

Nada mais eram do que mapas do percurso da casa de Coleta, irmã de Raul, na Vila Madalena, até a Via Dutra, para ele não se perder no bairro e na Marginal do Tietê. O croqui do Rio de Janeiro referia-se ao endereço de Raul na cidade.

Porém, na versão do Centro de Informação do Exército (CIE), os “croquis retratavam residências de generais e almirantes”, que seriam alvo de ação guerrilheira. Raul permaneceu preso. Saididin e Yone foram liberados.

O relatório parcial da Comissão Nacional da Verdade, divulgado em 2012, concluiu: Raul Amaro Nin Ferreira, 27 anos, assassinado possivelmente em 12 de agosto de 1971 no Rio de  Janeiro, após seguidas sessões de tortura.

Fato sabido desde 1982 devido à ação movida por sua mãe, ainda sob a ditadura.

Em 1979, dona Mariana entrou com ação na 9ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro: “Queria apenas que o Estado reconhecesse que errou, torturou  e  matou meu filho,  para que  isso  jamais aconteça novamente no Brasil”.

Em 31 de agosto de 1982, a União foi condenada em primeira instância.

Em 1994, saiu a decisão final, fortalecendo a versão da família. Raul Amaro não teve morte natural, como dizia o laudo da autópsia oficial, nem sofreu um infarto, como militares disseram à dona Mariana. Raul Amaro foi assassinado nos porões da ditadura.

O processo trazia ainda depoimentos importantes. Entre os quais, o de um ex-soldado do Exército, Marco Aurélio Magalhães. Á época, ele prestava serviço no DOI-Codi/RJ — o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna, no Rio de Janeiro — e viu Raul Amaro ser torturado nas dependências daquele órgão.

A tragédia destroçou a família. Tanto que o sentimento geral, principalmente depois da morte de dona Mariana, em 2006, era de não tocar no assunto.

Até 17 de julho de 2012, quando saiu a reportagem Foto localizada pelo Globo revela: preso chegou ao Dops vivo, que mencionava documentos do Serviço Nacional de  Informações (SNI) existentes no  Arquivo Nacional.

A matéria e o ambiente de Comissão Nacional da Verdade sacudiram Felipe e Raul Carvalho Nin Ferreira, sobrinhos de Raul Amaro, que decidiram ir além.

“Aí, tivemos a certeza da existência de uma farta documentação, que a família jamais teve acesso”, contam. “Nossa primeira iniciativa foi contatar Marcelo Zelic, para que, com sua experiência, nos ajudasse a fazer a pesquisa nos  arquivos públicos.”

Marcelo Zelic é coordenador do Projeto Armazém Memória e vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais  – SP. É também um dos responsáveis pela publicação do Brasil Nunca Mais  Digital.

“Felipe e Raul expuseram o desejo de continuar apurando o caso do tio, dando sequência ao trabalho da avó, dona Mariana”, relata Zelic. “Topei imediatamente.”

O resultado é o Relatório Raul Amaro Nin Ferreira, que o Viomundo publica em primeira mão. De autoria de Felipe Carvalho Nin Ferreira, Raul Carvalho Nin Ferreira e Marcelo Zelic, ele tem 226 páginas e está integralmente no final desta reportagem.

Baseado em documentos do Estado brasileiro, produzidos pelas forças de segurança e pelo Judiciário, e em entrevistas com pessoas participaram dos fatos, este relatório desmonta de vez a versão oficial, difundida num texto produzido pelo Centro de Informações do Exército (CIE).  Além disso, traz  novas informações em relação ao que já se conhecia sobre o caso.

HÁ INDÍCIOS DE O ÓBITO TER SIDO NO DIA ANTERIOR AO CITADO NA AUTÓPSIA

O Brasil vivia o auge da ditadura civil-militar, o general Emílio Garrastazu Médici  (1969 a 1974) era o presidente.

Raul Amaro não era um militante da luta armada, como os informes da ditadura diziam.

Ao contrário, no início da sua juventude, até chegou a ver com bons olhos o Golpe de 1964. Mas, aos poucos, foi mudando. Participou das passeatas de 1968. Na época em que foi preso e assassinado pela ditadura, era simpatizante do MR-8  — o Movimento Revolucionário Oito de Outubro, uma dissidência do Partido Comunista Brasileiro (PCB)  no Rio de Janeiro.

Seu único contato era Eduardo Lessa, colega de PUC, este, sim, militante do MR-8.  Às vezes deixava que Lessa  imprimisse material político em sua casa. Outras, deixava que ficasse em sua casa.

Raul Amaro foi preso no contexto da caça ao capitão Carlos Lamarca, que rompera com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e tinha ido para o MR-8. O raciocínio dos agentes da ditadura era que, via Raul Amaro, se chegaria a Eduardo Lessa e de Lessa a Lamarca.

Por sinal, foi a partir de agosto de 1971  que as torturas no DOI-Codi/RJ ficaram mais sofisticadas, segundo o ex-soldado Marco Aurélio Magalhães, que viu Raul Amaro ser torturado no DOI-Codi. Em entrevista à Folha de S. Paulo, ele descreve as mudanças nas técnicas de tortura:

 A partir de agosto de 71 as torturas ficaram mais sofisticadas. Quando eu cheguei, as torturas, os métodos de obterem confissão, eram basicamente a força física. Muito pescoção, muito tapa, muito soco, muito chute, vez ou outra choque elétrico nos dedos e órgãos genitais. Às vezes introduziam objetos na vagina ou no ânus. Estes eram os métodos iniciais. Eu entrei em maio, tive um mês de preleção, comecei a dar guarda em junho e mais ou menos em, agosto começaram as obras na parte térrea do prédio do PIC para construção de celas mais sofisticadas. Eles construíram lá em baixo quatro celas. Construíram uma cela-geladeira, onde realmente se chegava a baixíssimas temperaturas, uma câmara toda forrada de isopor e amianto. Construíram também uma cela com vários botões do lado de fora com os quais você controlava e emitia ruídos e sons altíssimos para o preso ter sensações de desequilíbrio. Tinha uma cela totalmente negra, onde a pessoa não enxergava nada e não conseguia nunca acostumar a visão àquele grau de escuridão. Em compensação, tinha uma cela toda pintada de branco onde os presos perdiam a noção de hora, de tempo. Os presos lá em cima, do segundo andar, onde estavam as celas comuns, se guiavam pelos toques do corneteiro, para saber se estava amanhecendo, se o coronel estava saindo ou chegando, se era hora de almoço. Os presos que ficavam nas celas totalmente isoladas perdiam a noção de tempo e de espaço.

Até agora, supunha-se que:

Após ser preso na blitz em Laranjeiras, Raul Amaro foi para o Dops, na rua da Relação, 40, centro do Rio. Em seguida, depois de fichado, foi levado à casa de seus pais para pegar a chave da sua casa. Da sua casa, teria voltado para o Dops e depois ido para o DOI-Codi, que funcionava no Quartel do 1º Batalhão da Polícia do Exército, na rua Barão de Mesquita, 425, Tijuca.

“Porém, os documentos revelam que, depois que saiu de sua casa e antes de retornar ao Dops, Raul Amaro foi interrogado não sabe onde por agentes do Dops e do DOI-CODI”, revela Zelic. “Raul ficou, pelo menos, quatro horas, em lugar ignorado antes de dar entrada como preso no Dops.”

Supunha-se também que:

No dia 4 de agosto de 1971, Raul Amaro foi transferido para o Hospital Central do Exército (HCE), tendo falecido em 12 de agosto às 15h50, segundo o atestado de óbito.

Tudo indica, no entanto, que Raul Amaro faleceu antes.

Para começar, a própria família foi avisada do falecimento antes do horário que consta oficialmente no atestado de óbito. O relato é da própria mãe:

Por volta de 14,30  horas o  Hospital  Central do  Exército procura pelo telefone os  pais de  Raul Amaro. Sua  mãe, primeira localizada, chegou ao Hospital Central do Exército acompanhada de  seu  genro Dr. Raul  Figueiredo Filho,  por volta de 15,30  horas. Raul Amaro falecera antes das  14,00   horas.

“Além disso, relatório do DOI-Codi de 11 de agosto aponta que ‘não  houve tempo para inquirí-lo [Raul] sobre todo o material encontrado em  seu  poder’”, observa Zelic. “O que indica que Raul pode ter morrido um dia antes da data oficial, portanto em 11 de agosto, durante novo interrogatório no HCE.”

O relatório a que se refere Zelic é um documento encaminhado, no dia 12 de agosto de 1971, pela direção do DOI-Codi  ao investigador Eduardo Rodrigues. Lá consta  a análise do interrogatório a que foi submetido Raul Amaro no dia 11 de agosto. Ele termina assim: “não houve tempo de  inquiri-lo sobre todo o material encontrado em seu poder”. Os grifos em vermelho no documento abaixo são desta repórter.

Eduardo Rodrigues era do DOPS/RJ. Ele foi um dos policiais autorizados pelo general Sylvio Frota, comandante do I Exército, a entrar no HCE, no dia 11 de agosto, para interrogar Raul Amaro.

Documento logo abaixo abaixo comprova isso. Eduardo Rodrigues consta como torturador no Relatório Brasil Nunca Mais.

RAUL AMARO PODE TER SIDO TORTURADO NO HOSPITAL CENTRAL DO EXÉRCITO

Na época, o diretor do HCE era o general Ruben do Nascimento Paiva.

Dona Mariana relata:

O Diretor General Rubens nos disse que Raul Amaro deu entrada no HCE na quarta-feira, 4 de agosto, sem nome e sem  informação alguma sobre o que  lhe  tinha acontecido.

Até agora, supunha-se que:

Raul Amaro teria ficado em tratamento no HCE ,de 4 a 12 de agosto de 1971, quando faleceu, segundo o atestado de óbito.

“Acontece que Raul Amaro foi interrogado no dia 11 de agosto de 1971 no Hospital Central do Exército”, diz Zelic. “Há um ofício desse mesmo dia, encaminhado ao diretor do HCE, general Ruben do Nascimento Paiva, por ordem do general Sylvio Frota, para interrogar Raul Amaro.”

No documento (imagem abaixo), o comandante do I Exército, Sylvio Frota, “apresenta o Comissário Eduardo Rodrigues e o Escrivão Jeovah Silva, ambos do DOPS, que vão a este hospital, a fim de interrogarem o preso Raul Amaro Nin Ferreira” (grifo dos autores do Relatório Raul Amaro).

“Não há qualquer registro de transferência de Raul Amaro do HCE para outro local para ser interrogado, porém há documento com  informações dadas por ele em  interrogatório no dia 11 de agosto”, chama a atenção Zelic. “Isso levanta a hipótese de que Raul Amaro foi  interrogado sob  tortura, até a morte, dentro do próprio hospital. Além dos dois agentes do Dops, devem ter participado dois do DOI-Codi/RJ”

DO GENERAL SYLVIO FROTA E AUXILIARES DIRETOS AO PORÃO: 17 AGENTES ENVOLVIDOS

Até agora, sabia-se que:

Raul Amaro foi transferido do Dops para o DOI-Codi/RJ em 2 de agosto de 1971.

No DOI-Codi, foi interrogado durante quase todo o dia 3, conforme depoimento  do ex-soldado Marco Aurélio Magalhães  na ação movida pela família de Raul Amaro.

Magalhães viu Raul ser torturado e mencionou o envolvimento de três militares, mas não identificou  os nomes.

“Porém, cruzando documentos oficiais das forças de segurança e do Judiciário,  conseguimos ampliar a lista de  três pessoas sem identificação, até então apontadas no  processo da família, para 17 nomes de agentes do Estado implicados diretamente na prisão ilegal e assassinato sob  tortura de Raul  Amaro”, afirma  Zelic. “Houve participação direta do comandante do I Exército, general Sylvio Frota, e auxiliares imediatos com os agentes torturadores do Dops.”

“Na verdade, o  Ofício do I Exército ao Diretor do Hospital Central do Exército mostra o vínculo efetivo entre o comando e o porão, vinculação que sempre foi negada”, atenta Zelic. “ Sempre se atribuiu ao porão características de ação paralela e fora da estrutura do Estado, o que é falso.”

Os 17 agentes do Estado denunciados no Relatório Raul Amaro são estes:

1.  Sylvio Frota – General do  Exército – Comandante do  I Exército

11/08/1971 — Enviou ordem autorizando interrogatório de preso no hospital.

28/08/1971 — Recebeu solicitação da  OAB-GB para acesso aos  documentos do Raul  e negou.

2.   Francisco  Demiurgo  Santos  Cardoso  –  Major  do Exército – atuação QG I Exército

11/08/1971 — Na ausência do General de Brigada Bento José Bandeira de  Mello,  chefe do  Estado Maior do  I Exército, assinou autorização para “interrogatório” no HCE.

3.   João Pinto Pacca – General – Chefe  do  DOI/IEx  – BNM- Repressor

02/08/1971 — Raul  Amaro é encaminhado do DOPS ao DOI- CODI sob sua  responsabilidade, conforme relatório de Mário Borges, Chefe  do SBO.

12/08/1971 — Envia cópia de toda documentação sobre Raul Amaro a Eduardo Rodrigues através de ofício, conforme entendimentos.

4.   Nome desconhecido  – Capitão do  Exército – DOI  /  I Exército

02/08/1971 — Conduziu Raul  Amaro ao DOI.

03/08/1971  — Torturou  Raul   Amaro  no   DOI-CODI  I Exército.

5.   Nome desconhecido – Sargento do Exército – PE – Atleta do batalhão em  1971

03/08/1971  —  Torturou  Raul   Amaro  no   DOI-CODI  I Exército.

6.   Nome desconhecido – Médico Exército – Amílcar Lobo ou Ricardo Agnese Fayad

03/08/1971  —  Acompanhou  a  tortura  monitorando limite do preso.

7. Gastão Barbosa Fernandes – Diretor do DOPS/GB

01/08/1971 — Raul  Amaro ficou sob sua  responsabilidade direta ao chegar no DOPS.

18/08/1971 — Participou da farsa do Relatório Final do CIE.

8.   Mário Borges – Chefe  do  Serviço de  Buscas Ostensivas (SBO) – DOPS/GB

No Relatório  Brasil Nunca  Mais   seu   nome  consta do Quadro 103 : elementos envolvidos em  tortura.

01/08/1971 — Comandou a prisão ilegal.

01/08/1971 — Levou Raul a lugar ignorado ou clandestino.

02/08/1971 — Produziu relatório sobre a prisão.

04/08/1971 — Recebeu Registro Técnico via Diretor do DOI.

18/08/1971 — Participou da farsa do Relatório Final do CIE.

9.   Ricardo Boueri – Agente do  DOPS, chefe da  equipe de busca

01/08/1971 — Realizou a prisão ilegal.

10.  Wilson de Oliveira Souza – Delegado – Turma de Busca Ostensiva

01/08/1971 — Realizou a prisão ilegal.

05/08/1971 — Recebeu relatório sobre prisão.

05/08/1971 — Despachou soltura  de Saididin Denne e esposa.

12/08/1971 — Solicitou atualização de dados sobre a morte de Raul  Amaro no arquivo.

11.  Hugo Correa de  Mattos  – Agente da  Turma de  Busca Ostensiva

01/08/1971 — Realizou a prisão ilegal.

12.   Milton Rezende de  Almeida – Agente da  Turma de Busca Ostensiva

01/08/1971 — Realizou a prisão ilegal.

13.  Francisco Machado Avila Filho – Agente da Turma de Busca Ostensiva

01/08/1971 — Realizou a prisão ilegal.

14.  Tenil Nunes – Agente da Turma de Busca Ostensiva

01/08/1971 — Realizou a prisão ilegal.

15. Eduardo Rodrigues – Comissário – DOPS/GB

No  Relatório  Brasil Nunca  Mais seu nome  consta do Quadro 103 : elementos envolvidos em  tortura.

06/08/1971 — Recebeu relatório sobre prisão.

06/08/1971 — Abre inquérito nº 40/71 (encarregado).

11/08/1971 — Realizou interrogatório no hospital.

12/08/1971 — Recebe do general  João Pinto Pacca cópia de toda documentação após morte de Raul  Amaro.

18/08/1971 — Produziu novo auto de  apreensão e  nova lista de material apreendido.

15/09/1971 — Produziu relatório final do inquérito nº 40/71.

16. Jeovah Silva – Escrivão – DOPS/GB

11/08/1971 — Realizou interrogatório no hospital.

 17. Macuco Janine – legista do HCE

— Por que o general Ruben do Nascimento Paiva, diretor do Hospital Central do Exército, ficou de fora da lista dos envolvidos? – questionamos Zelic . –  Considerando que Raul Amaro teria sido torturado até a morte no próprio HCE, o general não deixou a tortura correr solta?

“Com base no documento que reunimos, nós não podemos dizer que o general Ruben participou,  podemos dizer apenas que foi omisso”, pondera Zelic.

“É razoável supor que, no  dia  11 de  agosto, ao ser  avisado da  chegada de agentes do Dops ao HCE para interrogar Raul Amaro, ele teria impedido ou, no mínimo, dificultado, mostrando que Raul  não tinha condições e que interrogatório só com ordens superiores.  Daí o ofício do dia 11 de agosto. É uma ordem direta do comandante do I Exército ao diretor do HCE, para que os agentes adentrassem na instituição para fazer o interrogatório.”

“Além disso, no dia 12, o general Ruben tentou mostrar à dona Mariana que ele não tinha nada a ver com aquilo”, acrescenta Zelic. “Que ele recebeu ordens superiores.”

FOTO DESCOBERTA PELO GLOBO EM 2012 É A MESMA DA FARSA PUBLICADA EM 1971

Outra revelação do Relatório Raul Amaro.  Ironicamente, a foto “descoberta” no Arquivo Nacional pelo Globo, em 2012, é a mesma publicada em 28 de agosto de 1971. Naquela data, o próprio Globo publicou, com a foto recebida dos órgãos de segurança da ditadura, a matéria EXPLICAÇÃO  DA MORTE DO ENGENHEIRO. Reproduzia como  se  fosse verdadeira,  a versão oficial dos órgãos da repressão,  com explicações muito próximas àquelas contidas na Informação nº 2298/71-S/103.2, do Centro de Informações do Exército (CIE).

Na ocasião, o Jornal do Brasil se negou a publicar  a versão oficial, como observa em letra de próprio punho, na lateral, dona Mariana, mãe de Raul Amaro.

Como a cópia do recorte da matéria de 1971 dificulta a leitura, transcrevemos abaixo a notícia do Globo:

Vítima de edema pulmonar, após oito dias de hospitalização, faleceu em 12 de agosto de 1971 o subversivo RAUL AMARO NIN  FERREIRA,  codinome “EULÁLIO”, que  fôra  preso a 1 de  agosto, quando conduzia no  interior de  seu  automóvel, documentos terroristas originários do MR-8.

Com sua prisão foi possível chegar ao “aparelho” dessa organização terrorista situado à Rua Santa Cristina, 46 apto. C-01, Santa Teresa – GB, tido aparentemente como residência de RAUL AMARO, mas que atuava como célula do “Setor de Agitação e Propaganda” do MR-8.

Segundo seu  próprio depoimento, o citado “aparelho” fora  organizado por  ele  sob  a orientação do terrorista foragido EDUARDO LESSA  PEIXOTO DE AZEVEDO, o “CAIO”.

Recolhido,  finalmente,  à  prisão, não conseguiu alimentar-se, passando a apresentar, após dois dias, sintomas de fraqueza e convergência de pressão arterial, fato que ocasionou a sua hospitalização.

RAUL AMARO NIN FERREIRA (“EULÁLIO”) era brasileiro, nascido na  Guanabara a  2  de  Junho de  1944,  filho  de  Joaquim  R. Ferreira e Mariana L. Ferreira. Trabalhava como engenheiro contratado do Ministério da Indústria e Comércio, no Conselho de Desenvolvimento Industrial.

Nas  inquirições declarou-se “aliado  do MR-8”, cumprindo  para essa   organização algumas tarefas que lhe eram transmitidas pelo terrorista EDUARDO LESSA  (“CAIO”).

Para  o exercício dessa atividade, o “aparelho” possuia  mimeógrafo,  máquinas  de   escrever  e duas estações de rádio, ambas com  receptor e transmissor de  alta   potência, para os  contatos da organização com  os seus  militantes em outros Estados.

Encontram-se entre eles,  um  documento sobre reconhecimento de casas de generais e almirantes.

Todo o material apreendido no  “aparelho”, inclusive vasta literatura subversiva e documentos de instrução terrorista está  sendo examinado.

Ainda entre aqueles documentos, dois  são  da autoria de RAUL AMARO, intitulados “Contribuição à  tribuna de  debates” e  “A  Vanguarda Armada está   isolada”,   guardados  ainda  no   “stencil”,  e  que  apresentam referências e dados de acentuado valor, inclusive alguns restritos às  esferas governamentais, além de realçar em estilo fluente e técnico aspectos econômicos.

RAUL AMARO era também encarregado de redigir e difundir cartas às autoridades educacionais e aos  universitários, concitando-os à  revolta contra o  Governo, tendo como fundamento a “pena de morte”.

Colaborava Raul  com  o “CAIO” e outros elementos do  MR-8, ainda não  identificados, na transmissão de mensagens através das   estações  de  rádio  e  no  preparo  de  croquis para o levantamento de áreas previstas para a ação  dessa organização. No  ato da  prisão foram apreendidos croquis de áreas das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo

RAUL  AMARO NIN  FERREIRA  militava no MR-8, apesar da sua vida  legal.  Era considerado e gozava de bom conceito no círculo de suas amizades, que desconheciam suas atividades clandestinas e contra a Segurança Nacional.

“O Globo foi  tão   enfático na  sua adesão à versão dos   militares, que chegou a inventar  o  codinome  “Eulálio” para Raul Amaro”, ironiza Zelic. “ A  foto que o jornal  localizou no  Fundo  do SNI, no  Arquivo Nacional, não teria sido achada nos seus próprios arquivos?”

SOLICITAÇÕES À COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE E AO MINISTÉRIO PÚBLICO

Diante dessas descobertas e do que falta esclarecer, o Relatório Raul Amaro faz várias reivindicações à Comissão Nacional da Verdade e ao Ministério Público Federal, entre as quais estas:

1. Convoquem os agentes do Estado envolvidos, ainda vivos, para prestar depoimentos e dar mais detalhes sobre os fatos aqui tratados.

2. Identifiquem os três nomes desconhecidos apontados na lista de agentes envolvidos na tortura e assassinato de Raul Amaro. Uma forma de levantar tal informação é exigir a apresentação da lista das transferências ocorridas do I Exército para outras unidades da instituição, nos meses de agosto, setembro e outubro, e para onde foram.

3. Convoquem o Sr. Saididin Denne e a Sra. Yone da Silva Denne para prestar depoimento e ajudar a esclarecer as circunstâncias ligadas ao momento da prisão de Raul Amaro.

4. Identifiquem o local clandestino para onde Raul Amaro foi levado sob “responsabilidade do Exército brasileiro”, conforme dito por Mário Borges, entre o momento em que foi levado de sua casa até dar entrada no DOPS-GB, no dia 1º de agosto de 1971.

5. Exijam das instituições, públicas e privadas, que ainda possuam documentos relativos à memória de Raul Amaro, e de outras pessoas que tenham sido vítimas da repressão, que os tornem públicos o mais rápido possível. Um bom exemplo é a Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio de Janeiro.

“Além disso, como reparação da verdade, é necessário que o Globo se retrate publicamente com relação à matéria publicada em 28 de agosto de 1971″, afirma Zelic.

“As informações ali divulgadas foram consideradas comprovadamente falsas, seja pelo que consta da sentença da ação declaratória nº 241.0087/99 da 9ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro, seja pelo que trazemos mais detalhadamente no relatório”, conclui.

Relatório Raul Amaro Nin Ferreira by conceicaolemes

Para acessar o acervo  mais de 500 páginas de documentos sobre o caso de Raul Amaro, vá ao Armazém da Memória, aqui.

Esta reportagem foi financiada exclusivamente pelos leitores do Viomundo, assim como todas as coberturas jornalísticas que fazemos. Se você quer ler outras matérias como esta, clique aqui e assine. Muito obrigado aos assinantes por compartilharem jornalismo independente.

Veja também: 

As mães e a tortura

Investigação VIOMUNDO

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Marcelo

30/10/2014 - 11h18

Vários indícios de que o engenheiro ajudava o pessoal que era contra a ditadura. Ele permitia que tirassem cópias de propaganda e guardava material na sua casa, tinha um mapa que dizem que era para não se perder na cidade. E vocês querem defendê-lo? … Seria o mesmo que o Beira Mar dizer que guarda droga em casa para um amigo, mas não é traficante!

Responder

    Lázaro Antonio da Costa

    01/04/2016 - 10h33

    Então quem é contra os titulares do Poder (de um Governo) podem ser TORTURADOS e MORTOS ??? Já pensou se isso valesse ainda hoje?! Quantos estariam sendo surrados neste momento conturbado de nossa política?!

    Lázaro Antonio da Costa

    01/04/2016 - 11h29

    No episódio HELICOCA – 450 Kg de coca no helicóptero dos Perellas (Pai e Filho, senador e deputado Federal, respectivamente, e, intimamente ligados ao senador Aécio Neves), antes mesmo do início das investigações da Polícia, o PiG fez uma lavagem cerebral no povo brasileiro (repetindo dezenas de vezes) dizendo que, realmente, o helicóptero era dos Perellas, mas a droga, não.
    Que bom seria se essa mesma DEDUÇÃO fosse aplicada. Assim pouparia todo o trabalho do Polícia. Era só analisar outros aspectos da questão…

FrancoAtirador

31/01/2014 - 13h27

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Funcionária da Rede Globo

foi convidada por Dilma

a pedir demissão da SECOM:

A ministra Helena Chagas, da Secretaria de Comunicação Social (SECOM),
entregou nesta sexta-feira (31) à presidente Dilma Rousseff
pedido de afastamento do cargo.
O porta-voz da Presidência, Thomas Traumann, deve assumir no lugar dela.

Íntegra da Carta de Demissão de Helena Chagas:

“Brasília, 30 de janeiro de 2014

Exma. Sra. Presidenta da República,

Conforme entendimentos anteriormente mantidos, formalizo a V.Exa. meu afastamento do cargo de Ministra de Estado – Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Na oportunidade, expresso meus agradecimentos pela oportunidade que me foi dada de servir ao país e pela confiança depositada por V. Exa. em mim e na equipe que me acompanhou, nos três anos que tive a honra de ocupar o posto do qual ora me desligo.

Foi um período de significativas realizações do seu governo, cuja divulgação se deu com todo o entusiasmo desta Secretaria. O critério da mídia técnica, que herdamos do governo do Presidente Luís Inácio Lula da Silva e que soubemos preservar e aprimorar, propiciou a oportuna e equilibrada publicidade governamental de tais ações públicas, trazendo ao cidadão informação clara e objetiva a respeito de veículos aptos a receber investimentos de mídia foi significativamente ampliado, dentro de um processo de regionalização e democratização da publicidade oficial sem precedentes. São hoje 9.963 veículos cadastrados em todos os estados.

Acredito ter contribuído, com meu trabalho e com o esforço dos servidores da Secom, para a imagem positiva que V. Exa. E seu governo têm junto aos brasileiros, como justo reflexo do desempenho da gestão pública nesses três anos em que tive o privilégio de compor seu Ministério.

Sem mais para o momento, aproveito a oportunidade para reiterar minha mais alta estima e consideração.

Respeitosamente,

Helena Chagas”
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Não venham com essa de que Chagas caiu por causa de “blogs sujos”.
Caiu por viver em outro mundo…

Por Fernando Brito, no Tiolaço

(http://tijolaco.com.br/blog/?p=13208)
.
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Responder

Jose C. Filho

24/01/2014 - 10h08

O tópico me fez lembrar uma empresa jornalística em que trabalhei na década de 80. A página do horóscopo era repetido todos os anos, sem mudar uma vírgula. As informações da globo são tão credíveis quanto horóscopo repetido. Agora, publicar a mesma foto 40 anos depois, com o respectivo texto adulterado, é demais. Os globais devem sentir saudades daqueles tempos áureos.

Responder

jõao

23/01/2014 - 21h53

Governo do Paraná sacou dinheiro de contas judiciais, diz OAB-PR
ESTELITA HASS CARAZZAI
DE CURITIBA
23/01/2014 19h53
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Em dificuldades financeiras, o governo de Beto Richa (PSDB) no Paraná sacou dinheiro irregularmente de contas judiciais para abastecer o caixa estadual, segundo a OAB do Paraná.
Ainda não se sabe, porém, qual o montante e quantas contas foram atingidas.
Essas contas abrigam valores depositados em juízo, que ficam parados até que haja decisão final da Justiça.
Advogados relataram à OAB que clientes que venceram ações neste mês tentaram sacar o dinheiro, mas se depararam com saldo zero.
Uma lei federal permite que os Estados saquem até 70% dos depósitos judiciais de natureza tributária, que envolvem litígios sobre o pagamento de impostos estaduais, para quitar precatórios (dívidas do Executivo com ordem judicial de pagamento).
Parte deste dinheiro fica como fundo de reserva, para que as partes tenham como retirar os valores quando findarem seus processos.
É proibido, porém, mexer nas contas não-tributárias, de causas privadas –alvo das denúncias da OAB.
“Todo mundo já sabe que isso aconteceu. Ninguém sabe a extensão, os valores, mas aconteceu”, diz o presidente da OAB-PR, Juliano Breda. “A parte fica anos esperando o Judiciário decidir sua causa e quer ver seu direito reconhecido. Não pode, agora, ficar esperando.”
No Paraná, a transferência de valores de contas tributárias ao Estado foi liberada por um convênio com o Tribunal de Justiça e com a Caixa Econômica, que gerencia as contas, em dezembro.
O governo de Beto Richa (PSDB) diz que está checando os dados das contas e irá devolver todo o dinheiro sacado indevidamente. Foram 2.049 contas movimentadas, e R$ 153 milhões transferidos em favor do governo –foi a primeira vez em que o governo estadual fez esse tipo de transferência. Ainda não se sabe quanto do total veio de contas não-tributárias, que não podem ser movimentadas.
A gestão Richa vem enfrentando uma crise financeira: no final do ano passado, atrasou pagamento a fornecedores e paralisou obras por falta de dinheiro. Metas de governo foram suspensas, e um mutirão de arrecadação tem sido promovido para reforçar o caixa.
“Não houve má-fé nem intenção de meter a mão num dinheiro que não é do governo”, declarou Richa. “Houve autorização do Tribunal de Justiça. Se houve equívoco, há um fundo de reserva que repara imediatamente essa situação.”
No ano passado, Richa já tentou aprovar lei para ter acesso às contas não-tributárias, sem sucesso. A tentativa foi barrada pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça

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marcio ramos

23/01/2014 - 20h24

… os macacos continuam no poder, o governo bundão do PT faz nada, ocupar a casa dos inimigos e coloca-los na cadeia, o resto é blablabla…

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jõao

23/01/2014 - 18h53

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política
O STF vai abrir o mais bem guardado segredo de Joaquim Barbosa

qui, 23/01/2014 – 12:26 – Atualizado em 23/01/2014 – 12:49

Luis Nassif
Entre hoje e amanhã, o presidente interino do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski tornará publico o Inquérito 2474, o chamado “gavetão”, o mais bem guardado segredo do Ministro Joaquim Barbosa.

O “gavetão” é a peça originária do Inquérito 2245, que resultou no “mensalão”. Na ocasião, o relator Joaquim Barbosa cindiu o inquérito 2245 e as partes não aproveitadas se transformaram no inquérito 2474, aberto em março de 2007, que ele manteve sob segredo de Justiça.

Apesar de garantir que não haveria mais “gavetas” no STF, Joaquim Barbosa recusou-se a divulgar o conteúdo do inquérito.

Em 2011 deferiu pedido formulado pela defesa de Daniel Dantas, abrindo apenas a ele o inquérito (http://tinyurl.com/kgnobew). Mas negou a dois condenados do “mensalão” alegando que não teria nenhuma relação com a AP 470. No entanto, soube-se que laudos da Polícia Federal, que atestariam a participação de Daniel Dantas no financiamento de Marcos Valério, foram encaminhados para o Inquérito 2474, e não para o 2245. Assim como laudos que atestavam a aplicação dos recursos da Visanet em campanhas promocionais.

Ao dar publicidade ao Inquérito, Lewandowski permitirá que não apenas Dantas, mas todos os interessados possam conhecer seu conteúdo.

AS DÚVIDAS SOBRE A 2474
Há suspeita de que, ao excluir as contribuições de Dantas, atestadas por laudos da Polícia Federal, a PGR teria encontrado dificuldades em justificar o montante movimentado por Valério. Daí a razão de ter tratado como desvio os R$ 73 milhões da Visanet, ignorando laudos técnicos que atestavam a aplicação dos recursos em campanhas.

O PGR Antônio Fernando de Souzase fixou em um parágrafo do relatório de auditoria inicial do Banco do Brasil:

“A inexistência, no âmbito do Banco do Brasil, de formalização de instrumento, ajuste ou equivalente para disciplinar as destinações dadas aos recursos adiantados às agências de publicidade dificulta a obtenção de convicção de que tais recursos tenham sido utilizados exclusivamente na execução de ações de incentivo ao abrigo do Fundo”.

O relatório não nega a aplicação dos recursos. Apenas – dada a fragilidade dos relatórios – informava não ser possível assegurar que “foram utilizados exclusivamente nas ações de incentivo ao abrigo do fundo”.

O PGR Souza ignorou o “exclusivamente” e entendeu que o relatório atestava que a totalidade das verbas publicitárias da Visanet haviam sido desviadas. Posteriormente, aposentou-se e passou a trabalhar em um escritório de advocacia agraciado com um contrato gigante com a Brasil Telecom.

A divulgação do 2474 poderá ser de boa valia para Barbosa esvaziar boatos de que seu filho teria sido contratado por uma das empresas beneficiadas com recursos da Visanet, e cujo caso foi transferido para o “gavetão”. Ou de que o Banco Rural teria feito com a TV Globo operações semelhantes às que fechou com o PT.

Responder

Ted Tarantula

23/01/2014 - 17h04

DE QUE LIXEIRA SAIU ESTA CARTILHA DE REPRESSÃO DITATORIAL?

Vamos supor que você fique sabendo da existência de um manual para a intervenção das Forças Armadas em situações que não configuram, nem de longe, o enfrentamento de inimigos externos (a missão que a elas compete numa verdadeira democracia).

Um manual que contenha tópicos como estes:
“Operação de Garantia da Lei e da Ordem é uma operação militar conduzida pelas Forças Armadas, de forma episódica, em área previamente estabelecida e por tempo limitado, que tem por objetivo a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio…
“Forças Oponentes são pessoas, grupos de pessoas ou organizações cuja atuação comprometa a preservação da ordem pública ou a incolumidade das pessoas e do patrimônio…
“A decisão do emprego das Forças Armadas na garantia da lei e da ordem compete exclusivamente ao Presidente da República, por iniciativa própria, ou em atendimento a pedido manifestado por quaisquer dos poderes constitucionais…

“…pode-se encontrar, dentre outros, os seguintes agentes como Forças Oponentes: a) movimentos ou organizações; c) pessoas, grupos de pessoas ou organizações atuando na forma de segmentos autônomos ou infiltrados em movimentos, entidades, instituições, organizações…
“…podem-se relacionar os seguintes exemplos de situações a serem enfrentadas durante uma Operação de Garantia da Lei e da Ordem: c) bloqueio de vias públicas de circulação; d) depredação do patrimônio público e privado; e) distúrbios urbanos; f) invasão de propriedades e instalações rurais ou urbanas, públicas ou privadas; g) paralisação de atividades produtivas; h) paralisação de serviços críticos ou essenciais à população ou a setores produtivos do País; i) sabotagem nos locais de grandes eventos; e j) saques de estabelecimentos comerciais.
“…podem-se relacionar as seguintes ações a serem executadas durante uma Operação de Garantia da Lei e da Ordem: c) controlar vias de circulação urbanas e rurais; d) controlar distúrbios; e) controlar o movimento da população; f) desbloquear vias de circulação; h) evacuar áreas ou instalações; l) impedir o bloqueio de vias vitais para a circulação de pessoas e cargas; m) interditar áreas ou instalações em risco de ocupação; n) manter ou restabelecer a ordem pública em situações de vandalismo, desordem ou tumultos; r) prover a segurança das instalações, material e pessoal envolvido ou participante de grandes eventos; restabelecer a lei e a ordem em áreas rurais; e v) vasculhar áreas”.

Você, claro, pensará tratar-se de um documento encontrado entre as imundícies da lixeira da História, originário da Alemanha de Hitler, da Itália de Mussolini, do Chile de Pinochet ou, mesmo, do Brasil de Médici.

Difícil mesmo seria você adivinhar que ele foi publicado no site do Ministério da Defesa brasileiro, no apagar das luzes de 2013, com o aval e a assinatura do ministro incumbido de defender e preservar a democracia que o País tanto sofreu para reconquistar (um senhor chamado Celso Amorim).

Parece que a paúra dos indignados e da garotada dos rolezinhos, neste ano de Copa do Mundo e de eleição presidencial, está transtornando nossos governantes a ponto de eles abdicarem da mais comezinha cautela (para não falarmos do próprio instinto de sobrevivência!).

Será que não passa pela cabeça desses obtusos burocratas a possibilidade de um futuro presidente da República fazer o pior uso possível de tal cartilha de repressão ditatorial?!

Os signatários do Ato Institucional nº 5, dentre eles o Delfim Netto e o Jarbas Passarinho, também supunham que aquelas medidas totalitárias serviriam mais como espantalho, para intimidar e dissuadir os resistentes, do que para serem neles aplicadas.

Ai de quem abre as portas do inferno, Amorim!
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Pedro luiz

23/01/2014 - 14h09

A rede globo tem um caso de amor pelo Brasil. Imaginemos seNÃO tivesse.

Responder

Riri Farinha

23/01/2014 - 11h58

Excepcional. Parabéns, mais uma vez, Conceição.

Responder

Antonio Morais

23/01/2014 - 08h22

Globo e Folha não eram, eles são parte do regime até hoje. Continuam apoiando a ultra direita, o neoliberalismo, a turma que quer vender o Brasil e o modo de vida norte americano.

Responder

Marcelo Rodrigues Dias

23/01/2014 - 04h50

No caso Rubem Paiva, a Globo fez algo parecido, difundindo na época a versão oficial dos militares de que o fusquinha que transportava o preso político de presídio fôra sequestrado por militantes de esquerda, o carro incendiado e etc… Tudo forjado, é claro…

Responder

FrancoAtirador

23/01/2014 - 00h51

.
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A Rede Globo, por Leonel de Moura Brizola,

no Jornal Nacional, pela voz de Cid Moreira:

(http://www.youtube.com/watch?v=udqva2sZHIQ)

Em 1992, o magnata das comunicações Roberto Marinho (1904-2003), em um editorial no jornal ‘O Globo’ e no Jornal Nacional (JN) da TV Globo, dirigiu-se ao então governador do Rio de Janeiro, Leonel de Moura Brizola (1922-2004), chamando-lhe de “senil”.

A ação de direito de resposta, obra do advogado Arthur Lavigne, foi ajuizada em fevereiro de 1992, em função da matéria ofensiva da Rede Globo a Brizola.

O Tribunal de Alçada Criminal do Rio de Janeiro, por unanimidade, confirmou sentença da 1ª Instância, determinando que a TV Globo veiculasse no Jornal Nacional o “Direito de Resposta”.

O texto foi preparado pelo jornalista Fernando Brito, Secretário de Imprensa de Brizola, com a colaboração dos jornalistas Luiz Augusto Erthal e Osvaldo Maneschy, que também trabalhavam na Secretaria de Imprensa.

Coube a Leonel Brizola a revisão final.

Finalmente, dois anos depois da ofensa global, em 1994, a resposta de Brizola foi lida por Cid Moreira, âncora do JN na TV Globo.

Eis a íntegra do texto:

“Todo sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça.
Aqui, citam o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado perante o povo brasileiro.
Ontem, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar o editorial de O Globo, fui acusado na minha honra e, pior, chamado de senil.

Tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador, Roberto Marinho.
Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que use para si.
Não reconheço na Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e, basta, para isso, olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura que por 20 anos dominou o nosso país.

Todos sabem que critico, há muito tempo, a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações.
Mas a ira da Globo, que se manifestou ontem, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípio.
É apenas o temor de perder negócio bilionário que para ela representa a transmissão do carnaval.
Dinheiro, acima de tudo.

Em 83, quando construí a Passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar, de todas as forma, o ponto alto do carnaval carioca.
Também aí, não tem autoridade moral para questionar-me.
E mais: reagi contra a Globo em defesa do Estado e do povo do Rio de Janeiro que, por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior.
E isto é o que não perdoarão nunca.

Até mesmo a pesquisa mostrada ontem revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado.

Ninguém questiona o direito da Globo mostrar os problemas da cidade.
Seria, antes, um dever para qualquer órgão de imprensa.
Dever que a Globo jamais cumpriu quando se encontravam no Palácio Guanabara governantes de sua predileção.
Quando ela diz que denuncia os maus administradores, deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante de seu poder.
Se eu tivesse pretensões eleitoreiras de que tentam me acusar não estaria, aqui, lutando contra um gigante como a Rede Globo.
Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser um acomodado.

Quando me insultam por minhas relações administrativas com o Governo Federal, ao qual faço oposição política, a Globo vê nisso bajulação e servilismo.
É compreensível.
Quem sempre viveu de concessões e favores do poder público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesmo.

Que o povo brasileiro faça seu julgamento, e, na sua consciência lúcida e honrada, separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis e gananciosos”.

LEONEL DE MOURA BRIZOLA


22 de janeiro de 2014, quarta-feira:
Estátua em homenagem a Leonel Brizola
é inaugurada em Porto Alegre-RS

(http://www.pdt.org.br/index.php/noticias/otto-dumovich-o-escultor-quis-apreender-o-jeito-de-brizola)
(http://www.rs.gov.br/fotos/R/maisf/66369/Estatua-de-Leonel-Brizola/22-1-2014)
.
.

Responder

Luís Carlos

22/01/2014 - 23h37

A Globo é máquina de violência e morte com anestésico sabor framboesa made in USA.

Responder

Mário SF Alves

22/01/2014 - 22h57

Operação Condor.

_________________________________
La justicia es lenta. Eso lo sabe la muerte, que ya le ha evitado el paso por los tribunales a decenas de los torturadores y asesinos de uniforme que participaron en la tétrica Operación Cóndor, el plan urdido por la CIA (según documentos desclasificados de Estados Unidos), y que significó la acción conjunta contra sus opositores de las dictaduras cívico-militares de Chile, Argentina, Brasil, Paraguay, Uruguay y Bolivia, y esporádicamente actuaron con militares de Perú, Colombia, Venezuela y Ecuador.

En el marco de la Operación Cóndor fueron asesinadas unas 50.000 personas, unas 30.000 fueron desaparecidas y hasta 400.000 encarceladas y torturadas.

Ahora, la Fiscalía de Roma pide que se juzgue a 35 de las 140 personas investigadas durante los últimos 15 años por Giancarlo Capaldo, el fiscal que puso en marcha este proceso en 1998 por el asesinato de 23 ciudadanos italianos. Ahora, el juez Alessandro Arturi debe decidir a quién procesa de los imputados de Bolivia, Chile, Perú y Uruguay a los que juzgaría en ausencia y que sólo serían pedidos en extradición en caso de ser condenados y si existe convenio entre su país de origen e Italia.

Fonte: http://www.diarioreddigital.cl/index.php/ddhh/39-ddhh/1261-la-operacion-condor-a-juicio-en-roma
___________________________________________
Vai sobrar pro STF no Brasil.

Responder

Anon

22/01/2014 - 22h36

Nos anos 80 trabalhei numa empresa que prestava serviço no HCE. Ouviu de uma senhora que trabalhava na faxina do HCE uma história sobres fantasmas que apareciam na época, segundo ela, em que matavam as pessoas e enterravam na quadra de futebol atrás do refeitórios dos oficias.

Responder

anac

22/01/2014 - 21h12

E eles continuam atuantes conspirando contra o povo brasileiro e o Brasil.
Praticando terrorismo midiático visando um novo golpe, o retorno da ditadura e dos anos de chumbo.
Até quando?

Responder

    Mário SF Alves

    22/01/2014 - 22h28

    Pois é. Por favor, dê uma lidinha nisso:

    O governo invisível não quer a reeleição de Dilma.

    Pesquisa feita com duas dezenas de expressivos dirigentes dessa constelação, ao abrigo do anonimato, como manda o ofício, constata que o ‘Setor financeiro quer mudança no Planalto’, informa o jornal Valor Econômico desta 3ª feira.
    Pois é. Veja isso:

    “As relações entre o governo invisível e o visível (qualquer que seja ele) desenvolvem-se em um amplo gradiente.

    Oscilam da extrema cordialidade a variados graus de inevitáveis fricções, em se tratando de duas ordens distintas se representação do mosaico social.

    O governo invisível acha que o governo Dilma atrapalha o seu sistema viário – ainda que longe de comprometer o valor corrigido e real da frota, como atestam as taxas de juros do país, entre as três mais altas do mundo.”

    Fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/O-governo-invisivel-nao-quer-Dilma/30062

    _____________________________________________
    É… a próxima campanha presidencial promete. A coisa vai ser braba. Vamos ter de enfrentar novas feras. E como se já não nos bastassem as do regime Casa-Grande-Brasil-Eterna-Senzala, ainda nos brindam com mais essas.

    “O bicho ruim
    Quando não tem do que dar cabo
    Primeiro morde o rabo
    E logo após vai se comer
    Deixa comer.” Gonzaquinha.

    Que vienga el toro!

Marcelo

22/01/2014 - 20h22

Um dia vai faltar bastilha e guilhotina no Brasil.
E não vai demorar muito!

Responder

FrancoAtirador

22/01/2014 - 20h21

.
.
No Brasil, Roberto Marinho é – no presente, porque continua vivo nas Organizações Globo – uma das figuras mais funestas e nefastas da República Democrática e do Estado de Direito.

Desde o início dos anos 1930, a FamíGlia Marinho se loclupeta no Círculo do Poder Político e Econômico, para única e exclusivamente fazer crescer esse Império de Ganância e de Vaidade, às custas do Sangue, do Suor e das Lágrimas de Brasileiros e Brasileiras.

E é a Internet que fará esse Monstruoso Monopólio Midiático ruir. E está próximo.
.
.

Responder

    Mário SF Alves

    22/01/2014 - 22h01

    E por falar nele. É de fato verdade que ele era mulato e que se maquiava para parecer mais branco?

    Mário SF Alves

    22/01/2014 - 23h47

    Preocupa não. Acho que já achei.

    1) Roberto Marinho fez a Globo “loura e de olhos azuis” por ter vergonha de ser mulato.

    “Roberto Marinho, vergonha de sua mulatice Lendo um artigo do excelente articulista Paulo Nogueira me deparo com a informação que Roberto Marinho, o homem que montou um dos maiores impérios de comunicação do mundo, o Sistema Globo, “não se orgulhava de sua estatura, ampliada por saltos, e de sua tez mulata, na qual passava pó de arroz.” Deve ser por este motivo que o tal “padrão Globo de qualidade” é, em geral, louro e de olhos azuis! Tinha vergonha de ser um brasileiro típico, af […]”
    Fonte: http://www.interrogaes.com/2012/05/roberto-marinho-fez-globo-e-de-olhos.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+Interrogaes+%28Interroga%C3%A7%C3%B5es!%29#.UuBzDqFpTiY

    2) “Para privilegiar o homem Roberto Marinho por trás do mito, Bial conta que procurou reunir não só os grandes embates e conflitos políticos, empresariais e familiares, mas também pegar o tititi, o papo de corredor, as aventuras daquele que também foi um jovem diretor de jornal (assumiu ‘O Globo’ aos 27 anos) e só se casou aos 42 anos. ‘Esse adolescente incontrolável, esse cara ultranamorador, boêmio, os filhos não imaginavam’, afirma.

    Entre as aventuras e polêmicas, descobre-se, por exemplo, que Roberto Marinho quase naufragou num barco em chamas com Nelson Rodrigues, ao promover uma regata proibida. Que o sambista Sinhô escreveu uma música chamada ‘A Cocaína’, dedicada a Roberto Marinho. E que ele um dia saiu de casa, com uma pistola no bolso, decidido a atirar no desafeto Carlos Lacerda.

    Já entre as intimidades e manias, descobre-se que Roberto Marinho conheceu uma primeira Lili, sem ‘y’ na França, inclusive na cama, na viagem de 11 meses que fez com a família na Europa, antes de seu pai lançar ‘O Globo’. Que teve uma desilusão amorosa chamada Elza. Que até o fim da vida usou pó de arroz em razão de um desconforto com a cor da pele. E que escolhia os ternos que usava a partir da coleção de 5.328 gravatas que tinha.”
    Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/renata_lo_prete__28553

    renato

    23/01/2014 - 09h37

    O asco que a pessoa sente de si mesmo, deve ser um dos fardos mais dolorosos, inventado pela natureza.
    Que deve ter um proposito.
    O espelho será tua face…
    Que dó, mas que dó..
    Até hoje carregam esta mochila pesada.

Marat

22/01/2014 - 20h14

Aula de jornalismo investigativo. O pessoal do PIG poderia dar uma olhada e tentar aprender!

Responder

miriam oliveira

22/01/2014 - 19h10

Nao foi possivel visualizar varias fotos.
Lamentavel que isso tenha ocorrido em noss Pais sob o auspicio dos militares e da midia. EXTREMAMENTE LAMENTAVEL!

Responder

carlos quintela

22/01/2014 - 18h32

Deixem eu entender. Chegaram à conclusão de que o rapaz nunca participou de nenhum grupo armado ou desarmado de reação ao regime de 1964. Foi assassinado nas dependências do Doi ou similar. Pergunto: este crime seria anistiado pela legislação aprovada pelo regime de 64? Com a palavra os juristas. Na minha visão trata-se pura e simplesmente de assassinato. Quem sabe que outros interesses havia para matar este cidadão. Será que ele tinha alguma desavença pessoal com alguém da repressão? Teria desagradado algum membro influente do governo? Todas as quetões estão em aberto.

Responder

Rosario Mendez

22/01/2014 - 18h17

Oi Conceição,
Como cidadã brasileira te agradeço pelo belo trabalho em busca da verdade e respeito a memória do Raul e de tantos outros que foram vítimas da atrocidade praticada pela ditadura militar. Obrigada a vc e a todos envolvidos neste belo trabalho em defesa da verdade e da dignidade dos que foram ceifados pela crueldade dos militares.
Um fraterno e caloroso abraço
Rosário Mendez

Responder

Elias

22/01/2014 - 17h56

Descaradamente, no bojo das manifestações de junho, O Globo se retrata no dia 31 de agosto de 2013 com uma desculpa desaforada: O apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro.

Apoio editorial? Então como explicar: “O Globo foi tão enfático na sua adesão à versão dos militares, que chegou a inventar o codinome “Eulálio” para Raul Amaro”, como afirma Marcelo Zelic do Tortura Nunca Mais – Digital?

Corria o ano de 1971 quando Raul Amaro, um jovem de 27 anos foi torturado e assassinado pelos comandados do general Silvio Frota. Isso de deu sete anos depois do golpe. Então não me venha com esse título joão-sem-braço: “Apoio editorial” ao golpe foi um erro. O erro não foi só o apoio editorial, foi o apoio contínuo com a consciência inescrupulosa de acobertar os crimes da ditadura. O Globo também deve ser chamado à Comissão da Verdade.

Responder

Adamastor Xexéu

22/01/2014 - 17h39

Eles continuam mandando no Brasil…Se considerarmos a legião de estúpidos que eles estão formando, um dia terão o poder de volta.
O rasultado será igual ao que vimos em 1999/2000/2001….O mesmo!!!

Responder

    Mário SF Alves

    22/01/2014 - 19h32

    Não resta dúvida, meu caro. É isso.
    ___________________________________________________
    Senhor Deus dos desgraçados!
    Dizei-me vós, Senhor Deus!
    Se é loucura… se é verdade
    Tanto horror perante os céus…

    Castro Alves

Gerson Carneiro

22/01/2014 - 16h33

Não vou criticar o pessoal do O Globo porque acredito que é igual a mim.
Muitas vezes perco/guardo coisas pela minha casa e depois de um longo tempo acabo “descobrindo”.

Quanta desonestidade. Quanta falta de compromisso com a verdade. Bem por isso inventaram um dia de acabar com a exigência da formação em Jornalismo.

Depender apenas desse jornalismo tosco da imprensa brasileira era vagar em trevas. A chegada da internet foi uma bênção.

Responder

    Jair de Souza

    22/01/2014 - 20h11

    Estimado Gerson, concordo com você quanto à importância que a chegada da internet tem para desmascarar as máfias midiáticas. Não concordo, porém, com a importância que teria a obrigatoriedade da formação em jornalismo para melhorar o nível de compromisso da mídia com a verdade. Uma grande parte dos principais bandidos que militam no PIG é portadora de título de jornalista (uma dúvida que nada tem a ver com esta questão, Sera que a urubóloga tem título?, será que o Jabor tem? Será que o Casoy tem?. Etc.) Por outro lado, boa parte dos principais destruidores do PIG pela internet não tem formação em jornalismo. Será que o Eduardo Guimarães tem? O que eu quero dizer é que este questão corporativista não faz a mínima diferença em relação com a qualidad ética dos meios de comunicação. Poderia até fazer diferença em relação com a qualidade técnica (mas, nem sei se realmente faz, em vista da baixa qualidade de muitas instituições privadas que operam no ensino), mas nunca quanto à ética. Portanto, acho que não devemos assumir esta questão do corporativismo, a qual, se parece progressista em um certo momento, pode vir a ser extremament e reacionária em outros. O que eu acredito que mudaria verdadeiramente a comunicação pública no Brasil (e no mundo) é a exigência do respeito à democracia no controle dos meios. Para mim, é aí que devemos centrar nossa artilharia. Este caso relatado na presente matéria é um bom exemplo para deixar claro este ponto.

    Plínio M. Camargo

    27/01/2014 - 18h31

    Cláudio Abramo (que a Folha demitiu por ordem da ditadura) não fez escola de jornalismo. Mino Carta (que se demitiu da Abril antes de ser mandado embora em troca de um financiamento da Caixa Econômica Federal), também não; como eles, muitos jornalistas que não se curvaram (e não se curvam hoje) aos interesses escusos de seus eventuais patrões não fizeram escola de jornalismo. Está certo o Jair; faculdade não faz diferença (nem na qualidade técnica, infelizmente), decência faz.

Luís CPPrudente

22/01/2014 - 16h19

Famiglia Marinho de corpo e alma ligados com a Ditadura Militar de 1964.

Responder

henrique de oliveira

22/01/2014 - 15h55

É essa turminha que tirou a fantasia da farda e colocou a fantasia da toga , tudo em nome de um golpe.

Responder

    Mário SF Alves

    22/01/2014 - 19h51

    Ontem plena liberdade,
    A vontade por poder…
    Hoje… cum’lo de maldade
    Nem são livres p’ra… morrer…
    Prende-os a mesma corrente
    — Férrea, lúgubre serpente —
    Nas rôscas da escravidão.
    E assim roubados à morte,
    Dança a lúgubre coorte
    Ao som do açoite… Irrisão!…

    Castro Alves

    renato

    22/01/2014 - 21h29

    Só com palavras de outros para descrever o que
    sinto..
    É muito triste, não consigo ler mais artigos sobre
    a humilhação e morte de Brasileiros.

Mardones

22/01/2014 - 15h45

Difícil imaginar a vida dos familiares das vítimas da ditadura de 1964. Além da dor da perda ou tortura, precisam lutar pela memória, reparação e justiça num país como o nosso.

Responder

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