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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Rejeitada exoneração de promotor acusado de sequestro e cárcere privado da própria mulher por 5 meses

14 de março de 2016 às 22h11

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O procurador Kirchner, Tamires em cartaz de “desaparecida” e a advogada que fez a defesa dele no CS do MPF

Da Redação

É uma história bizarra. Douglas Ivanowski Kirchner assumiu o cargo de procurador da República em Rondônia quando a mulher, Tamires, estava sequestrada por integrantes da Igreja Evangélica Hadar, em Porto Velho, à qual o casal pertencia.

Tamires foi punida pela pastora da igreja com uma surra de cipó por ter jogado fora a aliança de casamento. Douglas assistiu.

Depois disso, ela foi colocada num “regime disciplinar”: passou cinco meses em cárcere privado com o conhecimento e conivência de Douglas.

Ela sobreviveu comendo restos de comida, não tinha acesso a itens de limpeza e nem a remédios. Dormia no chão.

A família chegou a denunciar que Tamires estava desaparecida. Enquanto ela era mantida prisioneira, Douglas assumiu o cargo no MPF/Rondônia, em maio de 2014 e, assim, ingressou no estágio probatório de dois anos.

Tamires conseguiu fugir do cárcere privado e denunciou o marido ao MPE de Rondônia.

Douglas foi transferido pelo procurador-geral Rodrigo Janot ao Distrito Federal para tratamento psiquiátrico.

Ele ocupa provisoriamente a vaga do promotor Paulo Roberto Galvão de Carvalho, que trabalha na Operação Lava Jato em Curitiba.

Mas, não foi o fim da carreira dele. Pelo contrário: Douglas ganhou notoriedade outra vez em 2015. Segundo a defesa de Lula, ele vazou documentos de investigação que havia aberto contra o ex-presidente que corria sob sigilo. Destino dos vazamentos? A revista Época, da família Marinho.

Os documentos, com a chancela do MPF, traziam suspeitas de que Lula teria praticado tráfico de influência em defesa de empreiteiras, no Exterior.

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Eles foram base para duas reportagens de capa da revista.

No início de março de 2016, a assessoria de Lula divulgou a seguinte nota oficial:

NOTA À IMPRENSA

Lula pede explicações ao CNMP sobre vazamentos de documentos sigilosos a Época

Advogados consideram que houve violação da privacidade do ex-presidente

São Paulo, 2 de março de 2016

Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolaram junto ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), nesta terça-feira (1), um pedido de explicação a respeito das ações do procurador Douglas Ivanowksi Kirchner, do 5º Ofício de Combate à Corrupção em Brasília — DF. Segundo os advogados do ex-presidente Lula, procurador violou os limites impostos pela Constituição Federal e a legislação infraconstitucional.

O documento protocolado afirma que Kircher negou aos advogados do ex-presidente acesso aos documentos do procedimento de investigação, cerceando o direito à defesa de Lula. Pior, as cópias dos documentos foram vazados à revista Época, embora esse procedimento esteja sob sigilo. Contrariando as regras do Ministério Público, o procurador Douglas Kirchner redistribuiu a investigação a si próprio, quando o correto seria distribuir o processo a outro procurador.

Os advogados do ex-presidente Lula pedem ao CNMP pleno acesso aos autos do processo e a apuração de quem foi o responsável pelo vazamento à imprensa. A atitude do procurador, segundo o pedido de esclarecimento, “já implicou violação da privacidade, da presunção de inocência e da dignidade da pessoa humana” do ex-presidente.

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A vice-procuradora geral da República, Ela Wiecko de Castilho, sugeriu a exoneração de Douglas, mas teve parecer rejeitado; o cárcere privado da mulher de Douglas foi na igreja Hadar e ele sabia de tudo

Neste 14 de março de 2016, o Conselho Superior do Ministério Público Federal se reuniu para avaliar se Douglas Kirchner, que também responde a processo criminal acusado de sequestro e cárcere privado da própria mulher, cumpriu ou não as condições do estágio probatório.

Se não, ele poderia perder o cargo.

Curiosamente, em sua defesa Douglas alegou “vazamento ilícito” do sigilo da medida protetiva que a Justiça impôs contra ele, além de “quebra do sigilo profissional” da advogada de Tamires, que fez a denúncia pública.

Nos últimos dias, quem assumiu a defesa de Douglas? A advogada Janaina Paschoal, aquela que pediu o impeachment de Dilma Rousseff ao lado de Hélio Bicudo.

[O Viomundo precisa de sua ajuda para produzir conteúdo próprio como este e sobreviver]

Ela informou ao CS do MPF que foi procurada por Douglas Kirchner e se interessou pelo caso por se tratar, na definição de Janaína, de um caso de “liberdade religiosa”.

A certa altura da sessão, Janaína alegou que Douglas tinha “a mente propícia para ser cooptada”, ou seja, teria maltratado a mulher sob influência da igreja.

A presidente do Conselho e relatora Ela Wiecko Volkmer de Castilho votou pelo encaminhamento, ao PGR, de decisão que poderia levar à demissão de Douglas. Ela citou o laudo pericial demonstrando que Tamires foi espancada com instrumento contundente. Segundo ela, Tamires foi submetida a violência “psíquica, moral e simbólica” com a conivência do procurador.

Ela Wiecko lembrou que Douglas “admite que assistiu a surra com cipó no sítio, no Carnaval [de 2014], e não teve forças para reagir. Nesse dia, não era procurador ainda, mas tornou-se depois e mesmo sendo procurador continuou morando na igreja, casado com Tamires e a situação permaneceu a mesma até a fuga dela em julho”.

A relatora argumentou que as provas de que Douglas praticou violência contra a mulher e fanatismo religioso eram mais que suficientes para um juízo do Conselho Superior do MPF de que Douglas “não possui idoneidade moral para exercer o cargo de procurador da República”.

O conselheiro Mário Bonsaglia lembrou que Douglas teve de ser retirado de Rondônia para escapar da influência da igreja: “Ele vai ter de ser tutelado pelo resto da carreira?”, perguntou.

Já o conselheiro Carlos Frederico Santos lembrou até o caso do suicídio coletivo de Jim Jones para destacar o poder da religião, sugerindo que Douglas foi vítima da “seita”, termo utilizado pela defesa do promotor. Carlos Frederico levantou dúvidas sobre o comportamento da própria Tamires.

Na sexta-feira passada, de última hora, Douglas Kirchner apresentou o laudo de uma psiquiatra afirmando que “à época dos fatos era o examinado portador de distúrbio psiquiátrico do tipo reativo, caracterizado por fanatismo religioso”.

“O pecado do doutor Douglas Kirchner foi ter se omitido, se ele tivesse vontade, mas ele não tinha vontade”, argumentou o conselheiro Augusto Aras.

Mas, e agora, neste período em que Kirchner investigou o ex-presidente Lula?

Segundo o mesmo laudo, “no momento [Douglas] não apresenta sintomas de patologia psiquiátrica”. Aras afirmou que Kirchner é vítima de moralismo, como o que teria existido nos regimes de Hitler, Mussolini e Stálin.

O conselheiro enveredou pela política, dizendo que o Brasil precisa de “estadista” e que está “se acabando”. Também afirmou que Douglas recebeu elogios por sua atuação e “enfrentou as autoridades mais poderosas”, numa referência oblíqua à ação do promotor contra Lula.

No final, a proposta da relatora foi derrotada por 5 a 4.

Além da relatora, os conselheiros Mario Bonsaglia, Monica Garcia e Deborah Pereira consideraram que o promotor violou a Lei Maria da Penha quando já era integrante do MPF.

Os conselheiros Eitel Pereira, José Bonifácio de Andrada, Carlos Frederico Santos, Antonio Aras e Maria Caetana Santos votaram contra a relatora. Um dos argumentos que utilizaram é de que Douglas Kirchner teria sido vítima da igreja tanto quanto sua mulher Tamires. Eles consideraram o promotor apto a desempenhar suas funções.

O Conselho Superior do MPF definiu que cabe ao PGR Rodrigo Janot a decisão de determinar onde Douglas vai trabalhar.

Quando vencer o prazo do estágio, em 14 de maio, apesar das graves acusações que pesam contra ele, Douglas Kirchner deverá obter a tão desejada vitaliciedade.

PS do Viomundo: Isso dá um livro. Jovem promotor, transferido para Brasília sob grave acusação, para tratamento psiquiátrico, ocupa provisoriamente vaga de colega que trabalha na Lava Jato. Decide abrir procedimento contra um ex-presidente da República, é acusado de vazar documentos para a revista da família mais poderosa do Brasil e, apesar de responder a processo por sequestro e cárcere privado da própria mulher, conquista cargo vitalício!

*****

Ouça abaixo a íntegra da sessão, que tem mais de 5 horas de duração.

Se você quiser ir direto para a descrição da violência cometida contra Tamires, busque 1h 44m do áudio.

As três primeiras páginas da instauração de processo disciplinar contra Douglas detalham as acusações:

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42 Comentários escrever comentário »

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Vera

06/04/2016 - 01h26

Misericórdia! Só tem louco nessa turma golpista: o juiz Moro imitando o Batman, a advogada Janaína, defensora do impeachment, baixando a pomba-gira, o deputado Bolsonaro travestido de Hitler, um procurador da República torturando e mantendo a esposa em cárcere privado. Se cobrir o país vira circo, se cercar vira hospício. Esse pessoal da direita só pode ter fugido de algum filme de terror. Que horror!

Responder

Urbano

19/03/2016 - 12h59

Peguem o clarão da coroa solar e saiam Brasil afora a procurar pela justiça…

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Pafúncio Brasileiro

15/03/2016 - 23h50

Mais um garotão, entre os muitos outros do MP. Altos salários, vida resolvida, aposentadoria lá em cima, notoriedade, celebridade e impunidade para os seus atos. Se não fizerem nada, ganham do mesmo jeito, se fizerem alguma coisa, não precisa de ser útil e bom para a sociedade, basta massagear os seus egos.

Responder

Sidnei Brito

15/03/2016 - 19h24

a estratégia de defesa desse rapaz é a mesma já usada por outros procuradores enrascados no CNMP: ir para cima do Lula.
Nem precisava do patrocínio da advogada que escreveu artigo na Folha a favor de Mayara Petruso (lembram?).
Atacando Lula, ele deixa o pessoal do CNMP numa saia justa: ficam com medo de serem acusados de ferrar o sujeito para proteger Lula. Preferem qualquer coisa a isso.

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baader

15/03/2016 - 19h06

alguma coisa não coincide com a CF88 na matéria, replicada em outros sitios: estágio probatório são de TRÊS ANOS ou essa classe de meritocráticos (?) tem também mais privilégios em concursos públicos? sendo assim, de acordo com a lei maior, este doente pode simplesmente ser exonerado após condenado.

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MAAR

15/03/2016 - 17h37

Esta sequência de absurdos constitui uma aberração aterradora, que evidencia o extremo degradante da deterioração institucional a que está submetida a nação brasileira. Se o poder judiciário não é capaz de coibir crimes de violência de gênero, tortura e cárcere privado praticados por um ocupante de cargo no ministério público federal, então a vigência do Estado Democrático de Direito está efetivamente cancelada. Uma péssima imagem terá diante do mundo o país onde a violação da lei por parte do poder judiciário tem sido perpetuada pela conivência cúmplice dos tribunais e dos grupos que dominam a hegemonia política. Assim, a sociedade não pode se render diante de descalabros desta dimensão, e deve instar as instituições democráticas representativas a buscar, com rigor, junto às instâncias adequadas, a garantia do efetivo respeito à cidadania e à dignidade humana. A sociedade não pode silenciar diante das flagrantes tentativas de desvirtuar o funcionamento do poder público com o objetivo de destruir a democracia. Urge clamar pelo pleno respeito às leis e à Constituição Federal, para impedir o retrocesso político, econômico, social, cultural e moral.

Responder

LUIZ

15/03/2016 - 17h29

Vejam a loucura: o MP, que é titular da ação penal no direito penal brasileiro, considerou que “influência religiosa” afasta do dolo. Com isso, qualquer pessoa pode alegar influência religiosa para praticar qualquer crime. Inclusive Cunha, pode alegar que roubou por influência da igreja dele. Isso é o maior absurdo. PEC 37 já. VAmos limitar o MP ou o Brasil vai ser refém desses loucos.

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João Ferreira Bastos

15/03/2016 - 12h49

Acabei de entrar numa religião que acredita que se eu encontrar esse cara na rua, posso cubrir ele de porrada que vou para o céu

Responder

    Edmison Fidelis

    16/03/2016 - 19h32

    Me converteram também….

Donizeti - SP

15/03/2016 - 12h34

O ápice da canalhice, da dra. e do dr., esses são os justiceiros do Brasil, vergonha alheia desses crápulas.

Responder

henrique de oliveira

15/03/2016 - 10h37

Pelo amor de Deus esse é o naipe de nosso judiciário , tem um promotozinho que matou um rapaz com um tiro nas costas em Bertioga e esta também solto , é triste saber que o povo adora um japa corrupto chefe de quadrilha , juízes que vendem sentenças ou trabalham para a mídia esquecendo das leis e da constituição , promotores malucos que de leis não entendem nada apenas querem fazer a diferença na mídia.Meu falecido irmão era juiz em Taguatinga DF e sempre me disse essa nossa turma não vale nada.

Responder

Paulo Roberto

15/03/2016 - 10h09

Já estamos vivendo um regime de exceção? No mínimo o golpe já está em andamento. Só falta saber se vai ter o contra golpe. E no caso citado temos esse perigoso fanatismo religioso, com orientações inspiradas em Marquês de Sade. Ainda bem que a mulher não é masoquista e reagiu na justiça.

Responder

    Lukas

    15/03/2016 - 11h45

    Já teve o golpe. Lula é o Presidente do Brasil. Dilma não manda em nada mais. Acabou para ela.

    Julio Silveira

    15/03/2016 - 12h47

    Só nos resta confirmar a mudança no animo dos brasileiros daqui pra frene né Lukas? Com certeza alguns ficarão infelizes, mas tenho plena convicção que a maioria ira se alegrar, e mesmo boa parte dos infelizes, que são levados por conjunturas, irão mudar de opinião. Coisas de ser humano frágil e carente. Rsrsrsrs

Lukas

15/03/2016 - 09h27

Na absoluta impossibilidade de defender Lula, Viomundo, assim como toda a blogosfera progreçista, ataca a todos que o investigam.

Foi assim no Mensalão. Não deu certo.

Responder

    Donizeti - SP

    15/03/2016 - 12h38

    “progreçista”, seu anarfa, vai aprender a língua portuguesa antes de postar suas besteiras por aqui.

    Donizeti - SP

    15/03/2016 - 12h46

    Nojo, asco dessa decisão corporativista do MPF.

    O cara é um completo desequilibrado, assistir a própria esposa ser espancada por fanáticos religiosos, sabendo que foi mantida em cárcere privado !

    Realmente, o Ministério Público, seja Estadual ou Federal está precisando de uma ” limpeza “, parece que parte da instituição de tornou um refugio de desequilibrados, exibicionistas e doidos de toda natureza.

    Entrega a chave do hospício para os loucos de vêz.

    Luiz (o outro)

    15/03/2016 - 13h03

    Não tem como dar certo. Infelizmente o poder judiciário está infestado de pessoas incompetentes e má intencionadas. São raras as exceções. E os coxinhas são a mesma coisa.

    Luiz (o outro)

    15/03/2016 - 13h05

    pois é, Caro Donizeti – SP!
    Esses são os heróis dos canalhas.

    Lukas

    15/03/2016 - 17h21

    Donizeti-SP, obrigado pela corressão, não vai ocorrer de novo.

    Antonio

    18/03/2016 - 17h17

    Mais um confirmando a tese de que atacar Lula é garantia de blindagem.

Severino B.

15/03/2016 - 09h14

Fora de Pauta? Talvez

Onde a montanha do petrolão pariu nada mais que um rato, por J. Carlos de Assis

O Jornal de todos Brasis
Onde a montanha do petrolão pariu nada mais que um rato, por J. Carlos de Assis
37
ter, 15/03/2016 – 07:34

No Blog do Nassif: http://jornalggn.com.br/noticia/onde-a-montanha-do-petrolao-pariu-nada-mais-que-um-rato-por-j-carlos-de-assis

Aliança pelo Brasil

Onde a montanha do petrolão pariu nada mais que um rato

por J. Carlos de Assis

A absoluta sede de notoriedade que algumas figuras do Judiciário, aproveitando-se da boa fé da opinião pública, manifestam na condução de processos-espetáculo que resultam em pura manipulação da sociedade tornou-se um dano para a democracia. Lembram-se do mensalão? Dizia-se que era o maior escândalo da história da República pela dimensão dos recursos desviados. Descobriu-se, ao final, que o único dinheiro envolvido era o da Visanet, e que dinheiro da Visanet, algo como R$ 75 milhões, não era dinheiro público mas privado.

Agora as cifras fabulosas do petrolão acabam de ser reveladas pelo juiz Sério Moro e os procuradores federais da Lava Jato. À primeira vista, são quantias fantásticas. Só na primeira fase do processo de que resultaram as primeiras condenações são cerca de R$ 7 bilhões. Sim, R$ 7 bilhões é um bocado de dinheiro. Quando se abrem as contas, porém, verifica-se que os R$ 7 bilhões incluem multas bilionárias, da ordem de dez vezes o desvio, do que resulta um prejuízo efetivo da ordem de não mais que R$ 700 milhões.

Certo, R$ 700 milhões de prejuízos para a Petrobrás ainda é muito dinheiro. Contudo, nesses R$ 700 milhões estão incluídos os desvios dos bandidos da Petrobrás, Paulo Roberto, Cerveró, Duque e outros. O assalto que fizeram aos cofres da empresa foram da ordem de R$ 400 milhões, ao câmbio atual. Em razão disso, o prejuízo por superfaturamento ou outros expedientes que os procuradores conseguiram provar não passa de uns R$ 300 milhões, algo bem inferior às quantias fabulosas que foram mencionadas ao longo do processo.

Não quero com isso minimizar o assalto à Petrobrás. Entendo, porém, que é necessário restabelecer a linha de causalidade lógica desse roubo gigantesco. Para os promotores, os diretores da Petrobrás, verdadeiros bandidos da história, teriam sido ingênuos profissionais submetidos à pressão de empreiteiros, os quais, por sua vez, estariam sob a pressão de partidos políticos para lhes dar propinas milionárias. Na origem da propina, portanto, estaria o partido político que controlava a diretoria da Petrobrás.

Vou contar outra história. O diretor-bandido dizia à empresa que precisava de uma determinada quantia para dar como propina a um determinado partido político. A empresa, diante do poder monopsônico representado pelo diretor (único contratante), comprometia-se a lhe dar o dinheiro. O diretor-bandido embolsava a parte maior do dinheiro e repassava o restante ao partido político, sem necessariamente relação com o contrato estabelecido. Na realidade, eram grandes empreiteiras que não dependiam apenas da Petrobrás.

O resto da história é conhecido. Premiados pela delação, os diretores-bandidos devolveram algum dinheiro e, por certo, esconderam o suficiente para uma aposentadoria “digna”. O empresários, espremidos pela inquisição, tiveram de estabelecer uma ligação entre contratos e comissões aos diretores-bandidos. Os promotores, por sua vez, não muito afeitos a matemática e contabilidade – afinal, são advogados que não foram muito além das apostilas de direito -, recorrem ao expediente da multa para configurar um prejuízo gigantesco.

A pergunta substancial básica consiste no seguinte: está valendo a pena, para a sociedade brasileira, esse processo-espetáculo tendo em vista o preço que se está pagando em termos de contração do PIB, de redução de rena e de desemprego? Note-se que não estou contra a investigação. Estou contra seu lado espetaculoso, que transforma um juiz num fenômeno de circo, enquanto milhões de famílias brasileiras, ligadas à cadeia produtiva do petróleo e às empresas vinculadas, pagam o alto preço da vaidade de um funcionário público que se acha acima da democracia, e da própria vida.

J. Carlos de Assis – Economista, doutor pela Coppe/UFRJ.

Responder

Messias Franca de Macedo

15/03/2016 - 08h53

… Mais um capítulo tenebroso – e revedor – da gloriosa (sic) Série “Tutti buona gente a ‘braZ$&leira’ – coitado do [Hélio] Bicudo”.

Projac Produções
Com Distribuição *PIMG Filmes

*PIMG (Partido da Imprensa Mafiosa &$ Golpista)

Responder

Flavio Wittlin

15/03/2016 - 08h37

(lavajatismo seletivo= macarthismo=caça às bruxas)

NO curso da história, “caçadores de bruxas” são elementos com trajetória pessoal habitualmente
escabrosa. Faz tempo sabemos que política é um meio ideal para
canalizar os baixos instintos das pessoas. Ideal talvez porque quem fala de ou faz política – mesmo que matreiramente a negue- sempre alega defender o bem comum, jamais o pessoal. Travestir de boa intenção o comentário ou a prática da política – ou da anti-política -esconde a má-fé de muitos. Adesões ao ritual de caça às bruxas – que reacende de tempos em tempos na humanidade – expressam
ressentimentos, frustrações e recalques sedimentados nos caçadores
geração após geração. Desvelar a malignidade subterrânea existente em movimentos de ódio, perseguição, intolerância e discriminação é
obrigação humanitária dos justos.
(Bolsonazismo vs morismo= quem ganha o posto de “Caçador de Lulalá”?)

Responder

Julio Silveira

15/03/2016 - 07h58

Mais um que ganha progressão na vida sem as mínimas condições por conta de um forte espírito corporativo, ou político vá lá, por ter a capacidade de atender aos interesses de alguém. O Brasil está cheio desses casos, que só vem a ser mostrados justamente quando por uma questão de relevância que costumam fazer questão de assumir, e acabam por se expor. Somos o país dos fariseus.

Responder

Eder

15/03/2016 - 07h49

http://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2012/12/jovens-concurseiros-tem-como-meta-procuradoria-da-republica.html

Sinceramente um fdp desses merece é um belo par de chifres na testa.
E a mulherada precisa aprender a escolher homem e ser ser menos gananciosa.

Responder

Maria

15/03/2016 - 06h51

Uma bate e o outro olha.

Coisa de tarado.

Responder

Maria

15/03/2016 - 06h48

E o país vai mostrando as tripas podres. Que vergonha.

Responder

Gustavo

15/03/2016 - 01h04

Preocupante perceber que parece não se tratar de uma exceção no Ministério Público e na Polícia federal, esse perfil controverso de profissionais: fanáticos de diversos matizes, “comunistas” teístas noveneiros, neopentecostais salvadores da pátria, perseguidores de verdades absolutas…

Responder

Felipe

15/03/2016 - 00h21

Atenção, Redação: Douglas Kirchner nunca “assumiu o cargo de procurador federal”, que é carreira privativa da Advocacia-Geral da União (AGU), órgão do Poder Executivo, e não do Ministério Público Federal (MPF). Confusão semelhante ocorreu recentemente quando noticiou-se que o recém defenestrado Ministro da Justiça, Wellington César, teria sido “Procurador-Geral do Estado da Bahia” (cargo pertencente ao Poder Executivo daquele Estado), e não, como é o correto, Procurador-Geral de Justiça, ou seja, Chefe do Ministério Público baiano. É preciso ser cuidadoso na hora de redigir a matéria, sob pena de se confundir ainda mais a já atarantada população…

Responder

Ciro

15/03/2016 - 00h08

Este é o maior dos absurdo que eu vejo em meu País ( meu Pais???). Um doente mental destes passa em um Concurso Público tem dois anos de estágio probatório e ai depois se torna vitalício, quer dizer não pode mais ser demitido, pode matar, roubar fazer o que quiser que talvez nem seja processado e seguira em sua vida de marajá até morrer com direito a um super-salário pago pelo povo ( inclusive os pobres, pobre é quem mais paga Imposto ) e ainda mais ungindo pela sociedade como um cidadão de primeirissima classe e acima de qualquer suspeita ou acima do bem e do mal afinal ele passou num Concurso Público. Isto é um País? Isto é um Estado? Isto é uma Nação?

Responder

renato andretti

14/03/2016 - 23h41

E querem prender LULA por um pedalinho.
Vou chamar meus filhos de volta e reeduca-los.
Eu pensei que o mundo fosse outra coisa..
Quero entrar para esta igreja e refazer meu
aprendizado antes que eu vá para o inferno
por não estar informado devidamente..
Qual é a Igreja e o DEUS dos coxinhas..
Para eu me apresentar..
tem filiais desta aqui no SUL..
Quero me banhar nestas águas..limpidas
e ganhar o céu..
Deus como eu estava errado, me perdoe..
A LEI do Homem tem que ser obedecida..
Quanto tempo eu perdi com você, JESUS CRISTO!!!!

Responder

Francisco

14/03/2016 - 23h38

A Lei sacramentou a liberdade religiosa DELE.

Para a Justiça brasileira a liberdade religiosa de desistir de um preceito da fé DELA “não vem ao caso”.

Estou ficando de saco cheio de “não vem ao caso”.

Quer dizer agora que se um católico pirado resolver me amarrar um silício eu tenho que aceitar…

…Por causa da liberdade religiosa do supliciador!

A Justiça brasileira verá pulular a quantidade de psicopatas de todo tipo conseguindo absolvições.

Mas do que estamos reclamando… sequestrar, prender por motivos unilaterais agora é a Lei…

Responder

    renato

    15/03/2016 - 08h45

    Estamos perdendo a Democracia e mo direito a lei
    de proteção de todos contra os loucos..
    LOUCOS existem, mas estão soltos por que “Juiz Moro”
    esta lá só para julgar, não tem que pensar em leis…
    São tão tapados que não colaboram com o LEGISLATIVO.
    E o legislativo esta dominado por religiosos e empregados
    da elite..isto é transparente…ou melhor..é uma lama..
    não há como se batizar nestas aguas.
    Se eu falar que sou filho de DEUS…o FELICIANO rasga as vestes.
    e me amarra no poste..
    TÁ NA HORA, de entrar com o chicote no PLENÁRIO…
    O LOUCO que fez isto, não era bonzinho com este tipo de gente.
    Sentava a lenha, e deixava para perdoar lá no CÉU….
    Estes DEUSES que ai estão não me representam…
    A unica que eu vejo que não tem ligações com a elite e
    os cultos dos NEGROS.. o resto sempre teve um pé na casa Grande.
    E lá meu Cristo é tratado com respeito..
    Estes questionamentos estou fazendo aos meus 56 anos de idade
    e sou catolico…e livre de pensamento..não há prisão em minha mente.
    Por que conheço meu CRISTO.
    Desculpem o desabafo..só desculpem continuo pensando assim.

Miguel Silva

14/03/2016 - 23h16

Mais um concurseiro nesse MPF aperelhado de coxinhas, a começar pelo Janota.

Responder

marcio ramos

14/03/2016 - 23h08

É a direita assassina, medíocre, desqualificada. Como se não bastassem os terreiros sendo profanados pela violência evangélica. Democracia?

Responder

Antonio Carlos

14/03/2016 - 23h00

pelo que estamos vendo em termos de peripécias do MP, o fulano não só está mesmo apto para a função, como é detentor de qualidades imprescindíveis…

Responder

alcarpinteiro

14/03/2016 - 22h51

O ministério público é a casa de noca. Fechem essa merda e o STF. Não servem para nada mais que gastar dinheiro público com vantagens a quem não merece.

Responder

FLVP

14/03/2016 - 22h42

Não só você que tem nojo desta justiça, justiça com (j) mesmo, justiça que ignora provas dos autos e condena mesmo sendo inocente. Você está coberta de razão em relação ao seu nojo.

Responder

Carlos

14/03/2016 - 22h28

Não chamem a justiça brasileira de Casa da Mãe Joana. É muita falta de respeito com a Casa da Mãe Joana.

Responder

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