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Marco Aurélio Mello: Mais uma marolinha para os inocentes do Leblon

24 de fevereiro de 2016 às 17h07

globo

MAIS UMA MAROLINHA PARA OS INOCENTES DO LEBLON

por Marco Aurélio Mello

Sempre que novas denúncias aparecem na internet envolvendo as Organizações Globo, a famiglia Marinho ou seus prepostos instala-se um clima de terror na corporação.

O motivo é claro, muitos temem que se um conglomerado de comunicação deste tamanho (um dos maiores do planeta!) começar a ruir, quem pagará a conta são os de sempre: os trabalhadores (artistas, técnicos, jornalistas, a turma da lona e do picadeiro).

Quando temos família, contas a pagar e “nada a ver com o pato”, como acreditamos muitos de nós, honestos e cumpridores de nosso dever nos inquietamos com razão.

Obedecendo a ordem natural das coisas, nos corredores a temperatura aumenta.

Mas meu propósito aqui colegas é acalmá-los.

Tudo não passa de mais uma “marolinha”…

Senão, vejamos:

1965 — Surgimento da TV Globo

Com o apoio da CIA, para sustentar o golpe militar, Roberto Marinho associou-se ilegalmente ao grupo americano Time-Life contra a legislação em vigor no país.

Integralizou capital com bens que não lhe pertenciam. Bens inalienáveis foram alienados. Equipamentos de comunicação foram importados com câmbio vantajoso, de quatro anos antes da importação.

A negociata virou CPI no Congresso Nacional que não deu em nada. O colaboracionismo com a ditadura militar foi a regra, como comprovam documentos do Departamento de Estado, do Pentágono e da Casa Branca já disponíveis à consulta pública para os devidos esclarecimentos.

De 1965 a 1982 — Consolidação

Nos anos de chumbo da ditadura militar foram muitos o pecados. Todos eles devidamente premiados. A lógica era acobertar os crimes do regime em troca de favores: o caso Riocentro é um deles.

As ações da Operação Bandeirantes (OBAN) outro exemplo. A Globo também bancou notícias falsas ancorando-as em “fontes oficiais”, como: os assassinatos de Vladimir Herzog, Fiel Filho, Stuart Angel e vários outros revolucionários, tratados como terroristas, sempre com o auxilio luxuoso do legista Harry Shibata.

A cara de pau era tanta, que os “terroristas”, após tortura, eram apresentados nos telejornais da Globo, confessando “espontaneamente” seus crimes contra o país. Um dos prêmios dos quais a Globo usufruiu, entre tantos, foi tomar dinheiro emprestado do Banerj e aplicar no próprio banco, com rendimento maior na aplicação do que nos juros do empréstimo!

Foi tão patético que O Pasquim deu a Roberto Marinho o apelido de “O Maior Assaltante de Bancos do Brasil”.

De 1982 a 1993 — Escândalos

Já muito se falou do escândalo Proconsult, em que uma tentativa de fraudar as eleições ao governo do Rio de Janeiro por pouco não derrubou o principal candidato e verdadeiro vencedor: Brizola.

Ela só foi desmascarada porque a imprensa internacional noticiou, vale lembrar. Aqui sempre reinou o “jornalismo de manada”. Também é notória manipulação de reportagem sobre as Diretas já, ou a do debate Collor-Lula, em 1989, em que jornalistas da empresa, anos depois, admitiram ter adulterado o noticiário.

O histórico é policial: emissão de notas frias, caixa dois, sonegação fiscal, falsificação de documentos, recibos datilografados em máquina de escrever que ainda não existiam…

Duas CPIs foram instaladas para investigar tantas evidencias. Ambas foram engavetadas durante o Governo Sarney naquela que ficou conhecida como “farra das concessões”, em que parlamentarem ganharam direito de explorar rádios e TVs em todo o país.

De 1993 a 2016 — Inimputabilidade

Na era FHC outras irregularidades: a nova gráfica, a construção do Projac e a quase falência da Globocabo, tudo devidamente patrocinado pelo BNDES, o banco do povo, de Desenvolvimento Econômico e Social. Pergunto: Econômico e Social de quem? Ou seja, tem escândalo envolvendo terreno, tem título de capitalização, loteria, campanha de solidariedade, fundação para fomento à educação e cultura.

A lista é enorme. Tudo fartamente documentado. Enquanto isso, no poder judicial — um dos três da República Federativa do Brasil — reina o mais absoluto silêncio.

Na era do PT no poder viveu-se a ilusão de que A Carta aos Brasileiros e a presidência do Banco Central bastariam para aplacar a sede de poder e cobiça. Doce ilusão…

Por tudo isso colegas e muito mais, afirmo: não se preocupem.

Vocês têm um grande arsenal bélico e tropas leais.

Se não perderam a guerra até hoje, com tantas provas e evidências, não será agora.

Podem dormir sossegados os sonhos dos justos, os melhor, dos inocentes do Leblon.

Mesmo porque os entreguistas estão chegando de mãos dadas com as petroleiras.

Se o leitor precisar de referencias bibliográficas, aí vão elas:

Arquivo Nacional dos EUA
Wikileaks
O Pasquim
“A história secreta da Rede Globo”, de Daniel Herz
“Império Globo de Crimes”, Roméro da Costa Machado
“Afundação Roberto Marinho um e dois”, Roméro da Costa Machado

Leia também:

Altamiro Borges: O mau-caratismo de Chico Caruso

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Golpe 16 é a versão da blogosfera de uma história de ruptura democrática que ainda está em curso. É um livro feito a quente, mas imprescindível para entender o atual momento político brasileiro

Organizado por Renato Rovai, o livro oferece textos de Adriana Delorenzo, Altamiro Borges, Beatriz Barbosa, Conceição Oliveira, Cynara Menezes, Dennis de Oliveira, Eduardo Guimarães, Fernando Brito, Gilberto Maringoni, Glauco Faria, Ivana Bentes, Lola Aronovich, Luiz Carlos Azenha, Maíra Streit, Marco Aurélio Weissheimer, Miguel do Rosário, Paulo Henrique Amorim, Paulo Nogueira, Paulo Salvador, Renata Mielli, Rodrigo Vianna, Sérgio Amadeu da Silveira e Tarso Cabral Violin. Com prefácio de Luiz Inácio Lula de Silva e entrevista de Dilma Rousseff.

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2 Comentários escrever comentário »

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Dan

24/02/2016 - 23h47

plim-plim

Responder

Nelson

24/02/2016 - 23h27

Uma brevíssima história da Rede Globo. A mesma emissora que aparece a nossa frente, contumazmente, como a paladina defensora da moralidade pública e dos bons costumes e zeladora intransigente dos recursos públicos é a protagonista dos fatos aí relatados.

Como eu afirmei, uma brevíssima história. Há muito, muitíssimo mais a contar sobre as origens pouco nobres, para não dizer outra coisa, do sucesso estrondoso dos Marinho.

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