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Marcelo Freixo: Globo é sócia de um projeto autoritário de cidade

publicado em 12 de fevereiro de 2014 às 16:50

Marcelo Freixo:

Globo é sócia de um projeto autoritário de cidade e trata do Rio como de “grandes negócios”

por Dario de Negreiros, do Rio de Janeiro, especial para o Viomundo*

Quando Marcelo Freixo requereu a instauração de uma CPI das Milícias, em fevereiro de 2007, havia dois meses que tinha assumido pela primeira vez em sua vida um cargo eletivo.

Durante mais de um ano, o requerimento do deputado descansou, esquecido, nas gavetas da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). Para que o pedido fosse aprovado, foi necessário que, em maio de 2008, três funcionários do jornal O Dia fossem sequestrados e torturados por milicianos que controlavam a favela do Batan, na zona Oeste do Rio.

O fato serviu de divisor de águas da opinião pública carioca em relação às consequências do crescimento das milícias. Até então, governantes como o ex-prefeito César Maia, o atual prefeito Eduardo Paes e o governador Sérgio Cabral não escondiam sua admiração pela “manutenção da ordem” supostamente promovida pelos milicianos nas comunidades dominadas.

Nesta entrevista, realizada no dia 16 de janeiro, no restaurante de um shopping na região de Botafogo, o deputado deixou claro que a capacidade de as milícias influenciarem o processo eleitoral no Rio continua grande.

“A milícia elege a base que sustenta o próprio governo. Ou você acha que essas pessoas são eleitas por onde? Não é em outro planeta. É aqui.”

O projeto das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), tema principal da entrevista, Freixo faz sempre questão de inserir em uma discussão maior: a de um “projeto de cidade”.

Cidade-negócio ou cidade-empresa, “entregue à lógica do mercado”, como bem explicita o professor Carlos Vainer, em entrevista recentemente publicada no Viomundo.

Essencialmente autoritário, tal projeto solapa a participação popular em nome do interesse dos seus “sócios”, dentro os quais contamos, diz Freixo, as grandes empreiteiras e as Organizações Globo, entidade que “trata dessa cidade como grandes negócios”.

“A Fundação Roberto Marinho tem uma série de negócios com a secretaria de Educação, tanto do Estado quanto do Município”, diz. “A Rede Globo tem, no projeto de cidade, uma cidade que ela defende. E também com um viés muito autoritário.”

***

Viomundo – Deputado, eu tenho começado as conversas sobre a situação da segurança pública no Rio com uma pergunta que diz respeito à mudança nos discursos que ouvimos sobre as UPPs. Um discurso que era inicialmente positivo parece se tornar cada vez mais crítico. Houve uma mudança na percepção que temos do projeto das UPPs ou foi o projeto, em si, que piorou ao longo do tempo?

O tempo foi revelando uma série de coisas que vinham sendo exaustivamente debatidas aqui no Rio por diversos setores da sociedade. Desde o início que eu tenho chamado muito a atenção para o mapa das UPPs. E o quanto esse projeto de polícia chamada pacificadora está atrelado a um projeto de cidade.

A UPP não é um projeto de segurança pública, é um projeto de cidade. Com isso eu não estou dizendo que seja um projeto bom ou ruim, eu estou apenas construindo um diagnóstico. Quem define o projeto das UPPs não é a lógica da segurança pública. Se você pegar o mapa da violência no Rio, você não entende por que Copacabana tem quatro UPPs e a Baixada Fluminense não tem nenhuma [a primeira e única UPP da Baixada Fluminense, no Complexo da Mangueirinha, em Duque de Caxias, foi inaugurada no último dia 7, após a realização desta entrevista]. O mapa da violência não explica isso. A região metropolitana não tem UPP. Então a UPP é o instrumento de um projeto de cidade, que só pode ser entendido à luz de outras iniciativas e de outras coisas que acontecem nessa cidade, como a política de remoções e a gestão da lógica privada sobre a questão pública.

Você tem, hoje, um procedimento de privatização não dos serviços, mas da concepção do que é público. Hoje, na verdade, quem domina, quem administra, quem pensa a cidade é o capital privado. Eu costumo brincar dizendo que o Eduardo Paes ganhou uma concessão para ser prefeito. E o Cabral ganhou a concessão, também, mas está de férias, já faz tempo. Então, na verdade, você tem a cidade sendo pensada e decidida à luz do empreendimento privado. Não estou dizendo que o empreendimento privado seja ruim, é bom que se tenha investimento privado. Mas você tem, hoje, as decisões que deveriam ter um caráter público sendo tomadas pelo planejamento privado.

Por exemplo: a gestão de todo o sistema de transportes está nas mãos das empreiteiras. Quem administra o metrô é a OAS, quem administra a Supervia é a Odebrecht, quem administra as barcas é a CCR. Eles ganham também as concessões de algumas rodovias importantes, como a ViaLagos, da mesma CCR. Então você tem as empreiteiras com a gestão da mobilidade urbana. Isso não é qualquer coisa em termos de perspectiva de cidade.

A lógica das UPPs só pode ser compreendida se você entender esse projeto de cidade. Que não é um projeto de cidade que conta com grande possibilidade de participação da sociedade, com uma cidadania ativa. Muito pelo contrário: é a cidade onde há a cidadania do aplauso, onde as pessoas são chamadas para grandes eventos, grandes espetáculos, mas não decidem sobre a segurança, a saúde, a mobilidade, a moradia. Não há canal de participação efetiva para que a sociedade possa decidir os rumos das decisões de interesse público. O mapa da UPP é revelador nesse sentido.

Viomundo – E como é esse mapa?

Você tem a zona Portuária, a zona Sul e o eixo do que interessa da zona Oeste, que é fundamentalmente Barra da Tijuca e Jacarepaguá. Esse é o tripé do projeto de cidade, que tem relações diretas com as remoções e com os megaeventos. A UPP forma corredores de segurança e áreas militarizadas protegidas nas regiões de grande investimento, onde há maior interesse de retorno desse projeto de cidade.

Então você tem 100% das favelas da zona Sul com UPP. Você tem a Grande Tijuca com UPP. E você tem, em Jacarepaguá, a Cidade de Deus, que era a única que não estava dominada pela milícia no momento da decisão de sua escolha. O entorno da Cidade de Deus está todo nas mãos da milícia: Gardênia Azul, Rio das Pedras. A UPP não é um projeto de enfrentamento às milícias. O Batan [sub-bairro do Realengo, na zona Oeste do Rio, que era dominado por uma milícia e recebeu uma UPP] é uma exceção que confirma a regra.

Viomundo – Essa UPP só teria sido instalada por causa do ocorrido com os jornalistas do jornal O Dia [que foram sequestrados e torturados por milicianos, no Batan, em 2008].

Exatamente. Então não se trata de um projeto que se transformou. Trata-se de um tempo que foi fundamental para revelar o seu vínculo com um projeto maior de cidade.

Com isso eu estou dizendo que sou contrário ao policiamento comunitário? Não, a gente defende isso desde sempre. Você vai ver conversas minhas com o Luiz Eduardo Soares de dez anos atrás, quando eu nem era parlamentar, defendendo o princípio do policiamento comunitário.

Claro que ninguém quer a polícia entrando, matando e saindo. Mas essa negativa não serve para legitimar todo o projeto das UPPs de hoje. Que é, sim, uma produção de silêncio em áreas estratégicas.

Onde, por exemplo, você não tem mediação da sociedade civil. [A UPP] não foi pensada para ter mediação da sociedade civil. Não é pensada para gerar direitos.

O direito à segurança – dizer: “não tem mais o tráfico armado” – não justifica e não legitima toda a lógica militar sobre a favela. Você não tem política de moradia, de saúde. O próprio projeto que tinha o nome de “UPP Social” nunca saiu do papel. E isso eles admitem, já.

Viomundo – Há alguns dados positivos: segundo Eduarda La Rocque, presidente do Instituto Pereira Passos (FSP), a estratégia Saúde da Família saiu de 3% para 40% na cidade como um todo, e 75% nas comunidades pacificadas.

A projeto de Saúde da Família não tem nada a ver com UPP, você tem em vários lugares antes da UPP. E aí é um outro debate. O projeto de Saúde da Família que a gente sempre defendeu, que é um atendimento mais próximo, tem que estar vinculado à rede hospitalar. E ele não está.

Se você tem um diagnóstico feito próximo à sua casa, e você depende da rede hospitalar, você não tem esse vínculo. O projeto de Saúde da Família é um outro problema e um outro programa.

Viomundo – Os ganhos sociais, então, foram marginais?

Evidente que, se você olhar com o olhar do morador, se você pensar que tinha guerra entre facções, entre facção e polícia, e que você não tem mais isso, que você não tem o tiroteio como algo sistemático, isso é um avanço? Claro que é.

Porque a facção é violenta, o tráfico é violento. É uma bobagem querer comparar quem é mais violento: o Estado ou o tráfico. O Estado não pode ter esse padrão de comparação.

Agora, isso justifica todas as outras coisas que acontecem com a UPP? Não.

Da mesma maneira que eu acho que a crítica precisa ser mais responsável. Não adianta você dizer o seguinte: “Eu sou contra a UPP e ela tem que acabar”.

Viomundo – E alguns movimentos sociais já estão com essa bandeira.

É. Eu sou contra o que está acontecendo hoje, sou contra uma série de coisas. A crítica ao projeto das UPPs, hoje, é fundamental.

Agora, ela não pode ser reduzida à ideia de que a gente tem que tirar a UPP da favela. Porque isso não é uma crítica construtiva. Tira a UPP da favela e faz o quê?

Evidente que você não pode abrir um milímetro para a opressão policial, não pode permitir a extorsão, não pode permitir o abuso de autoridade que está acontecendo. Agora, você retira para quê? Para possibilitar a volta do tráfico?

Evidentemente, tem de se tomar um cuidado, inclusive para você não perder a capacidade de ter o próprio morador de favela fazendo essa crítica. Qual é o modelo de policiamento que tem de ter dentro da favela? Isso tem que ser debatido com os moradores da favela. Isso nunca foi feito.

Nunca houve um debate honesto, do governo, sobre o modelo de funcionamento da polícia dentro da favela. Os moradores nunca foram consultados. É absolutamente autoritário.

Viomundo – Uma pesquisa do Rio como Vamos aponta que 45% de moradores de bairros com UPPs consideram a valorização dos imóveis, o fim dos tiroteios e ruas mais tranquilas as principais melhorias depois da pacificação.

Valorização dos imóveis que, muitas vezes, gera também problemas. Não pode ser vista só como uma coisa positiva. Essa valorização muitas vezes gera remoção branca.

A ausência do tiroteio, é claro que é um avanço. Eu acho que é fundamental reconhecer avanços para poder, inclusive, valorizar a crítica que você faz. Eu acho muito ruim a crítica política segundo a qual nada presta. Aí a sua crítica é vazia.

Não ter tiroteio é um avanço. E é preciso dizer isso para, na hora de a minha crítica ser feita, ela ser reconhecida como importante.

Não adianta dizer que a UPP não tem nenhum avanço. Dizendo isso você contraria a opinião, inclusive, dos moradores da favela. Moradores que tem críticas que são importantes, duras, crescentes.

Viomundo – Eu entrevistei recentemente o vice-governador Pezão, que afirmou que o governo do Estado está fazendo grandes esforços e investimentos no sentido de humanizar e de promover uma formação mais cidadã, comunitária, ao policial. Como você vê essa afirmação?

Ah, sim! O Paulo [Aparecido Santos de Lima] talvez seja um exemplo do que o governador está dizendo: morto sob tortura, num sol de 50ºC, com queimaduras de primeiro e segundo graus.

Viomundo – Sentado no asfalto.

É. Isso aconteceu agora. E era um policial formado para UPP.

Nós visitamos o Cfap (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças da PM). Eu recebo denúncias todos os dias dos policiais do Cfap reclamando das péssimas condições. Os próprios policiais das UPPs, em uma pesquisa recente, dizem não se sentir contemplados com o projeto da UPP. Não se sentem policiais.

Quando nem o policial da UPP se identifica como algo diferente, pelo contrário, é porque tem coisas muito erradas no projeto.

A formação é muito precária. Eu recebi, neste final de semana, telefonemas de alguns policiais, alunos – sem identificá-los, que eu não posso fazer isso –, que me diziam o seguinte: “olha, botaram a gente para trabalhar na praia”.

Porque pobre vai à praia, isso vira um problema e, aí, tem de se vigiar a praia. E não tem polícia o suficiente para isso.

Então, eles pegaram esses alunos, botaram uma camiseta branca e espalharam na praia para trabalhar como policiais. Eles não são policiais e têm um cassetete. Um aluno me ligou e disse: ‘eu estou aqui há doze horas, em péssimas condições de trabalho. Eu estou com um cassetete e eu nunca tive nenhuma aula para me dizer como é que usa esse cassetete. Se eu tiver de usar, vou usar como porrete. Eu não sei usar isso aqui. Eu estou trabalhando e não ganho para isso. E eles estão dizendo que isso aqui é instrução. Não tem ninguém me ensinando a fazer nada, aqui’.

Que instrução é essa? Esse foi o relato de um policial, para mim, nesse final de semana, agora.

Então não é só perder qualidade. Você tem uma lógica de policiamento que é de uma imensa irresponsabilidade do poder público.

Vai que tem uma correria, um rapaz desses pega aquele cassetete, bate na cabeça de alguém e mata. Aí o governador vem a público e diz que ele é um débil mental. Como já fez. Débil mental não é bem o policial, né?

Viomundo – Mas é possível pensar que a UPP poderia ser, ainda que idealmente, um projeto de segurança pública? Elas ocupam, hoje, segundo dados do Núcleo de Pesquisas de Violência (Nupevi), apenas 3% das mais de mil favelas da cidade.

É um pouco mais, acho que chega a uns 10% da população residente nas favelas do Rio. Mas é evidente que você não vai ter uma UPP em cada favela do Rio de Janeiro.

Essa é uma propaganda feita pelo Cabral que é absolutamente irresponsável.

Viomundo – E mesmo assim nós podemos dizer que o problema do projeto das UPPs é só a localização? Não haveria um problema no projeto, em si mesmo?

A ideia de um policiamento comunitário, próximo, a gente sempre defendeu. Mas desde que a comunidade tenha autonomia. A maior proteção da comunidade tem que ser a própria comunidade. E a polícia tem que ser um suporte.

Por exemplo: nós tivemos no Morro do Cavalão, em Niterói, uma experiência muito positiva com o Gpae [Grupamento de Policiamento de Áreas Especiais], que foi abandonado, porque é identificado a um governo, depois troca e o outro governo não quer seguir.

O Morro do Cavalão era onde tinha a maior concentração de homicídios das favelas de Niterói. O Gpae fez um trabalho muito interessante, com mediação da sociedade civil. Ali, funcionou.

Você vai poder ter um Gpae em cada uma das favelas? Não, não vai. Mas aí você tem que ter um projeto de segurança pública, com um mapeamento das áreas mais estratégicas, que possam ter polos.

O que você não pode é ter isso refém de um projeto de cidade, só para a parte que te interessa.

Agora, em todos os lugares do mundo onde nós tivemos avanço concreto da ação policial, três coisas foram fundamentais. Uma delas é a proximidade da polícia com a sociedade. A polícia tem que ser próxima da sociedade, tem que ser algo identificado àquele conjunto de direitos do morador.

O morador tem que identificar o policial não como elemento estranho ao seu local de moradia, mas como um ingrediente fundamental para a sua conquista de direitos. Isso a UPP não consolidou, isso a UPP não tem. Mas esse é um princípio de policiamento comunitário importante.

A outra é a formação desse policial, que tem de ser absolutamente distinta da que se tem aqui. E a última é o controle sobre a polícia.

Esse é um tripé fundamental para você ter uma outra polícia. Você não tem uma outra polícia no Rio de Janeiro. Você tem a mesma polícia, que sempre foi violenta e corrupta, agora revestida de um programa que diz ter uma nova polícia sem ter.

Você não tem um controle: o sistema de corregedoria e ouvidoria é inexistente. Você não tem essa proximidade construída à luz da conquista de direitos. E você não tem uma outra formação.

Esse tripé, que em todos os lugares do mundo, como por exemplo na Irlanda, foi fundamental para se ter uma outra polícia, nós não temos nem indícios de nenhuma dessas três coisas acontecendo aqui no Rio.

Viomundo – Eu queria entender melhor a relação das UPPs com as milícias. A gente tem um crescimento importante das milícias no Rio. O relatório de conclusão da CPI das Milícias, que o senhor presidiu, fala de 170 áreas dominadas…

Em 2008. Hoje, mais de 300.

Viomundo – E como as UPPs se inserem nesse contexto?

A UPP não serve para [enfrentar a] milícia. Porque a milícia é a polícia. E a milícia tem o discurso da ordem, que é o mesmo discurso da UPP.

Antigamente havia o discurso da “autodefesa comunitária” [definição das milícias atribuída ao ex-prefeito César Maia], você tinha o discurso da milícia na boca dos governantes e dos comandantes das forças policiais. Hoje você não tem mais isso.

Mas, na prática, você ainda tem a percepção de que a milícia incomoda menos do que o tráfico e, por isso, ela é mais tolerada. Isso não é mais dito, mas é feito. E a UPP mostra isso. Ela é um projeto para o enfrentamento do tráfico, que é o que incomoda.

A milícia tem que ter um investimento de inteligência. Porque a milícia é o crime verdadeiramente organizado dentro do Estado.

É quando o crime tem projeto de poder. É quando o crime tem objetivo eleitoral. É quando o domínio de território, criminoso, se transforma em um domínio econômico e político. Isso não existe no tráfico.

O tráfico nunca transformou o seu domínio territorial em um domínio político, como fez a milícia. A milícia elege, frequenta palácios, tem projeto de poder. A milícia tem seus representantes; o tráfico, não.

Pelo contrário: a relação que o tráfico tem com o Estado é na propina que paga ao policial para deixá-lo funcionar. A milícia, não: ela tem centro social, projeto de poder e é visitada por prefeito e governador.

Viomundo O [secretário de Segurança José Mariano] Beltrame, com todas as críticas que possam ser feitas a ele, é muito distinto de um Marcelo Itagiba [ex-secretário de Segurança Pública do Rio, apontado no relatório de conclusão da CPI das Milícias como “candidato dos milicianos”].

Claro.

ViomundoE ele goza de uma boa autonomia no governo. Mesmo assim as milícias continuam crescendo. Como explicar esse crescimento?

Porque a milícia interessa muito mais do que o secretário de Segurança. A milícia elege gente. A milícia elege a base que sustenta o próprio governo.

Ou você acha que essas pessoas são eleitas por onde? Não é em outro planeta. É aqui. A milícia mexe com interesse eleitoral e interesse político.

A milícia não é uma questão de polícia, é uma questão de política. Está muito acima do senhor Beltrame. E ele sabe disso.

Viomundo – A expulsão da população pobre para regiões mais desassistidas pelo Estado não favorece, também, a atuação das milícias?

Claro, é onde ela atua. Dentre a população de zero a três salários mínimos, 88% dos conjuntos do Minha Casa Minha Vida estão na periferia da zona Oeste.

Lugares que não têm sequer acesso a saneamento básico, nem zonas de hospitais e de escolas.

A milícia não é o Estado paralelo, eu não gosto desse termo, acho um equívoco. Porque o Estado não é paralelo a nada, nem ao tráfico, que só funciona porque há propina.

A milícia é o Estado leiloado. Essa é a melhor definição que a gente conseguiu acumular sobre milícia.

São territórios e interesses que o Estado está leiloando para setores que são da segurança pública. E que fazem o jogo político-eleitoral que interessa aos governantes.

E vou te dar um exemplo: na eleição de 2010, o Cabral foi reeleito no primeiro turno. O Complexo do Alemão ainda não estava, naquela época, com UPP.

Naquele momento, o irmão do Marcinho VP foi candidato a deputado estadual. O Complexo do Alemão, nessa época, era chamado de “quartel general do Comando Vermelho”. E o irmão do Marcinho VP, que era chamado dono do Comando Vermelho, não se elegeu. E, naquela região do Complexo da Penha, o Cabral teve 77% dos votos válidos.

Quem mandava no Complexo do Alemão? Fica a pergunta.

Viomundo – Um assunto muito importante, como o senhor sabe, são os desaparecimentos. Um estudo do Ipea de janeiro de 2012 (Daniel Cerqueira, Textos para discussão, Ipea, n. 1697, jan. 2012) diz que a redução do número de homicídios anunciada pelo governo estadual coincide com o aumento dos óbitos classificados como “causa indeterminada”. Os desaparecimentos também podem estar relacionados a essa diminuição?

Nós fizemos algumas audiências públicas pela Comissão de Direitos Humanos sobre o tema dos desaparecidos, inclusive com a participação do Daniel Cerqueira [economista, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada], em algumas delas. Não dá, ainda, para você fazer essa associação direta – ou, pelo menos, eu acho que ainda carece de pesquisas.

Mas é um dado fundamental e importante. Você tem um crescimento considerável do número de desaparecidos, no Rio, e você não tem qualquer política para isso.

Quando uma pessoa desaparece, a família vai a uma delegacia qualquer, não há uma delegacia específica. E não estou dizendo que tenha que ter uma delegacia específica, mas deveria ter uma central da Polícia Civil para investigar os casos de desaparecimento.

Por que não necessariamente eu acho boa a ideia de uma delegacia específica para desaparecidos? Porque você não vai ter uma em cada cidade, no máximo você vai ter uma no Estado. Aí, se desaparece alguém a 400 km daqui, a família vai ter que viajar para cá para fazer o registro do desaparecimento?

O registro é muito importante. Por exemplo: suponha que você tem uma pessoa da sua família desaparecida. Você vai à delegacia. Primeiro que o atendimento é péssimo. Em várias unidades de polícia, eles vão te pedir para voltar 48 horas depois – contrariando, inclusive, a lei.

Viomundo – Ou 72 horas, até.

Ou até 72. Contrariando a lei, porque o registro tem de ser imediato. Mas a pessoa que vai pegar o seu depoimento tem de ser treinada para o caso de desaparecimento. Perguntar, por exemplo, se a pessoa desaparecida tem uma tatuagem, pode ser um dado decisivo na localização dessa pessoa. Isso nunca é perguntado. Perguntar o corte de cabelo, a última roupa com a qual ele saiu de casa.

São dados fundamentais para uma possível identificação daquela pessoa em uma outra circunstância qualquer. Não necessariamente a morte.

Então não há nem preparo para o policial que faz o registro sobre esses desaparecimentos. Não há treinamento, não há política de desaparecidos no Rio de Janeiro.

Viomundo – Não há uma preocupação efetiva do governo do Estado?

Não há. Com um número que é absurdo [segundo o estudo "Os donos do morro", a taxa de desaparecimentos subiu de 3,6/100 mil, antes das UPPs, para 6,92/100 mil, após].

Viomundo – Eu tenho uma declaração do vice-governador Pezão dizendo que é um número relativamente pequeno.

Ah, você está brincando que ele falou isso.

Viomundo Ele falou: “Desaparecidos, durante as UPPs, não são tantos assim”.

Desaparecidos? Como que é um número pequeno? É um número alarmante! Ele não sabe o que está dizendo. Ele não sabe o número de desaparecidos que tem. Nessa, você pegou ele realmente de férias.

O pior é o seguinte: quantos desses desaparecidos são crianças, quantos são idosos, quantos são mulheres? Não há um mapa de desaparecidos. O que é muito grave, porque um idoso desaparece por uma razão que é diferente de uma criança.

Você não tem sequer a padronização do atendimento e a sistematização das informações, para que você possa ter uma política.

Quantos desses desaparecidos voltaram? Não necessariamente esses registros de desaparecidos são de pessoas que morreram. Por isso que eu estou dizendo que ainda é cedo concluir que o aumento do o número de desaparecidos corresponde à redução do número de homicídios.

Não são poucos os que desaparecem por uma questão mental, ou por uma briga. Isso é muito comum entre os jovens: desaparecer por um conflito familiar. E ele volta. E, quando volta, a família vai na delegacia para dizer que ele voltou e fazer um novo registro? Não vai, até porque geralmente foi maltratada no momento inicial. Alguém da delegacia procura aquela família para saber, depois de algum tempo, se voltou ou não voltou? Não, ninguém procura.

Então não tem política para desaparecidos. O número é muito alto, é alarmante.

Dificilmente uma cidade ou um Estado tem, no mundo inteiro, o número de desaparecidos que o Rio de Janeiro tem. O governador Pezão está mal informado. Agora, o problema maior é não ter nem respostas a isso.

É importante dizer que certamente, dentre os desaparecidos, há um número grande de homicídios, o que mascara as estatísticas.

Agora, não se sabe quanto, porque não tem política para desaparecidos. Você não tem um cadastro.

Você tem cadastro de carros roubados e não tem cadastro de pessoas desaparecidas no Brasil. É uma lástima. E você não tem nenhuma ação da Polícia Civil sobre isso.

Viomundo – E em relação às execuções extrajudiciais? No contexto das UPPs, a gente pode falar de um aumento deste problema, que sempre foi grande?

Sempre foi grande, mas a gente tem uma sensação de aumento da violência de Estado. Há uma redução do número de autos de resistência quando o debate sobre o auto de resistência fica muito grande.

É possível também que os desaparecimentos tenham esses autos de resistência mascarados, que também são homicídios.

Sobre o auto de resistência, tem um elemento que é muito importante: não é um problema só policial.

A mão que aperta o gatilho e que mata é acompanhada de uma outra mão, de uma caneta que assina o arquivamento, que é feito pelo promotor. O Ministério Público tem enorme responsabilidade sobre os autos de resistência.

Viomundo E [o MP] tem sido omisso no Rio de Janeiro?

Mais do que omisso: ele é conivente. Porque o auto de resistência só não é investigado porque o MP não quer investigar, porque ele pede o arquivamento. E o juiz arquiva.

Viomundo – O MP e o Judiciário, então [são coniventes].

Claro. O problema da violência policial não é só policial. É o problema de uma violência institucional que envolve o MP e o Judiciário.

Que, de alguma maneira, sempre foram coniventes com essa ação policial. O MP é um fiscal da polícia e não fiscaliza. Então não adianta falar só da violência letal da polícia quando você tem uma violência institucional grande que acompanha e legitima essa violência policial.

Viomundo Uma outra discussão importante: como você vê o papel do governo federal na lógica de segurança pública do Rio de Janeiro?

O governo federal tem uma responsabilidade muito grande. Primeiro, porque é quem tem mais recurso. E ele, ao gerar o seu financiamento, devia gerar um financiamento condicionado.

A vinda do dinheiro do governo federal para as polícias do Rio de Janeiro deveria estar condicionada a alguns princípios.

Por exemplo: o governo federal poderia financiar a formação desses policiais em aspectos ligados à cidadania e poderia condicionar a manutenção da vinda deste dinheiro à redução dos autos de resistência.

Ou, então: o governo federal poderia investir na Polícia Civil do Rio de Janeiro para que se tenha um quadro de enfrentamento à questão dos desaparecidos, mas a manutenção dessa verba estaria condicionada ao esclarecimento dos casos de desaparecimento. Ou seja: condicionar essa ajuda financeira a resultados de uma outra polícia.

Esse era um papel importante a ser cumprido pelo governo federal. Que não cumpre.

Viomundo – Sobre o projeto de cidade que você citou, há uma fala do Pezão que eu penso representar muito bem a fala institucional. Ele diz o seguinte: “Nós saímos de um orçamento de R$33 bilhões para R$77 bilhões, em 2014. [...] Isso é pela política de pacificação, isso é riqueza. Isso é a volta do Rio”.

Essa fala do governador Pezão é muito sintomática. Porque ele fala da pacificação e em nenhum momento ele cita um morador da favela como protagonista dessa mudança.

Ele fala da importância que isso tem para fora da favela, não para dentro. Isso tem que ser importante para fora e para dentro. Tem que aprender a ouvir o morador.

Por exemplo: o Complexo do Alemão jamais teria escolhido investimento no teleférico se fosse ouvido. Teria escolhido saneamento básico.

A Rocinha fez uma enorme passeata dizendo: “não queremos teleférico, queremos saneamento básico”. Porque é uma concepção autoritária. E o teleférico do Alemão já está, inclusive, administrado pela Odebrecht, nessa lógica de cidade-negócio.

ViomundoMas esses números não têm uma certa importância?

Claro que tem. Claro que é importante investimento, chegada de empresas. Mas uma cidade precisa ser pensada para pessoas. Uma cidade pode e deve garantir os investimentos, as condições para que esse investimento chegue.

Evidentemente eu não estou falando de uma TKCSA, eu não estou falando do Porto do Açu, que gera muito mais dano do que desenvolvimento. A concepção de desenvolvimento, eu também quero discutir. Eu não sei se o que eles estão fazendo no Porto do Açu, com os danos ambientais e sociais, é um bom sinal de desenvolvimento.

A TKCSA, na zona Oeste do Rio de Janeiro, aumentou em 80% a produção de CO2. Gerou uma série de doenças respiratórias e de pele, não gerou os empregos que ia gerar, acabou com a pesca artesanal da baía de Sepetiba.

Então, tem investimentos e investimentos. Alguns investimentos bem sucedidos, bem feitos e bem vindos. E outros, não.

É preciso ter uma política de desenvolvimento que seja pensada levando em conta a qualidade da vida dessas pessoas. A gente tem zonas de sacrifício: a zona Oeste é uma zona de sacrifício para um projeto de cidade. Tanto econômico quanto social.

A cidade pode ter os negócios, mas a cidade não pode ser, ela, negociada. A cidade não pode ser, ela, o negócio. A cidade tem de ser voltada para as pessoas. Que venham as empresas, que sejam bem vindas.

Agora, a gestão da cidade, os princípios da cidade, a lógica da cidade tem de ser para as pessoas.

Ora, todo o debate sobre o complexo do Maracanã: fechamento da Escola Friedenreich, do [estádio de atletismo] Célio de Barros, do [parque aquático] Júlio Delamare, da destruição do Museu do Índio. Eles recuaram, eles perderam.

Porque eles estavam entregando aquilo a uma lógica de cidade-negócio que não interessava ao conjunto da sociedade. Ninguém foi ouvido. A sociedade não foi ouvida sobre a alteração de uma das coisas mais preciosas da história do Rio de Janeiro, que foi o Maracanã.

Viomundo – E, além das empreiteiras, que outros atores nós podemos falar que são interessados neste projeto de cidade?

A Rede Globo é um deles. A Rede Globo é sócia deste projeto de cidade. E, não à toa, ela tem na UPP quase que uma patente.

A Rede Globo trata dessa cidade como grandes negócios. Ela é sócia, mesmo, inclusive nos negócios efetivados.

A Fundação Roberto Marinho tem uma série de negócios com a secretaria de Educação, tanto do Estado quanto do Município. Isso envolve dinheiro, contratos, projetos. A Rede Globo tem, no projeto de cidade, uma cidade que ela defende. E também com um viés muito autoritário.

A possibilidade de debater a cidade, em um lugar onde existe tamanho monopólio de informação, está prejudicado. Você não tem jornais, hoje, no Rio de Janeiro.

Você tem fundamentalmente dois jornais, um deles muito pequeno. Então há um monopólio muito forte da informação no Rio. Por isso que as redes sociais, os sites, enfim, se tornaram elementos decisivos para que você possa fazer um debate mais honesto e mais profundo sobre essa concepção de cidade.

A privatização da saúde, através das OSs (Organizações Sociais), tem os seus sócios. Um dos piores modelos de saúde que tem, no Brasil inteiro, é o do Rio. Absolutamente entregue aos interesses das OSs, desse modelo de cidade-negócio.

Viomundo – Que tipo de legado as grandes intervenções urbanas realizadas em função da Copa e das Olimpíadas deve deixar para o Rio?

Espero que não seja o mesmo legado que os Jogos Panamericanos deixaram, né? Nós já passamos por isso. Qual foi o legado? Nenhum.

O legado é o [Parque Aquático] Maria Lenk, é o [estádio do] Engenhão. Qual é a utilidade? O que é que a prática esportiva ganhou, depois dos Jogos Panamericanos, por exemplo nas escolas públicas? Nada.

O que é que melhorou no sistema de transporte? No sistema de comunicação?

O problema é que esses grandes eventos trazem turismo, trazem divisas, trazem investimentos, mas se isso não for pensado com um projeto de cidade voltado para as pessoas, numa cultura de direitos, isso não fica. Isso não se consolida como direito.

Porque isso é pensado na lógica do lucro, na lógica exclusiva do investimento, que não tem qualquer responsabilidade com os direitos das pessoas.

Há, então, um problema de fundo, que é de concepção de cidade. O legado pode ser um ou pode ser outro. Depende qual é a concepção de cidade e como é que o poder público se posiciona.

Esse agachamento moral diante da Fifa não nos permite sonhar com grandes legados.

Ouça, abaixo, dois trechos da entrevista:

*Dario de Negreiros viajou ao Rio de Janeiro com despesas pagas pelos assinantes do Viomundo, aos quais agradecemos por compartilhar conteúdo jornalístico independente com os demais internautas. Esta reportagem faz parte de uma série que analisa as políticas públicas dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e do governo Dilma.

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50 Comentários para “Marcelo Freixo: Globo é sócia de um projeto autoritário de cidade”

  1. sex, 14/02/2014 - 20:44
    Paulão

    Espero que o meu comentário seja publicado!
    Respeito a posição do Viomundo mas sobre o PSOL, o PSTU e o Freixo acho que
    são fracos e foram enganados pelas conversas moles das pseudos esquerdas alemães e outras europeias, que não conhecem a realidade brasileira. Mas estes partidos conhecem e para mim não tem desculpa pois eles desprezam totalmente os benefícios que a grande massa brasileira recebeu nos últimos anos.
    O PSOL só pensa pensa no PSOL e não no pobre da comunidade onde tem uma UPP ou no cara que compra uma geladeira ou um tanquinho a prestação. E embarcam na conversa mole do desmatamento indiscriminado mas esquecem a redução enorme que ocorreu nos últimos anos e forçam, assim, o Brasil a produzir energia suja quando impedem a construção de hidro elétricas esquecendo que a nossa matriz de energia limpa é uma das mais limpas do mundo.
    Concepção de cidade vem bem depois da fome do cidadão.
    O resto é blá-blá-blá…..
    E se realmente são coniventes com as diárias que a C I A paga para inflar os protestos contra a copa realmente não merecem consideração. Se não são que denunciem os grupos social democratas alemães que enchem os protestos de grana.

    • ter, 25/02/2014 - 8:37
      heloisa pedrosa

      oi,Paulão,explica melhor seu comentário,achei interessante,só que tenho alguns limites políticos,você pode me auxiliar a crescer um pouco.um abraço.heloisa

  2. sex, 14/02/2014 - 13:11
    Bonifa

    Sininho faz parte de uma tribo de jovens que não cabe chamar de anarquistas, nem de trotskistas, nem de qualquer outra denominação política conhecida. Há muitas tribos como esta em todo o Brasil, ajuntamento informal de jovens que querem gozar uma liberdade semelhante à dos antigos hippies, enquanto também querem ser protagonistas de uma suposta revolução que não tem teoria revolucionária. Aliás, abominam qualquer teoria política, como foi a princípio no movimento estudantil francês de 1968.

    Não queremos nos estender na análise destes grupos, de resto matéria para estudo especializado de fôlego. Mas estes jovens estão ainda a confundir limitações familiares com opressão do Sistema, embora não saibam o que é o Sistema e nem sequer sonhem que de certa forma pertencem ao Sistema, já que acreditam na força do voluntarismo individualista, exatamente como o Sistema quer que seus jovens acreditem. A tribo de Sininho é mais ou menos assim, gente jovem que quer mudar o mundo mas nem sonha em saber o quanto isto seja difícil, embora tenha optado por viver nas ruas pregando abertamente seu pequenino ideal mal formulado.

    Estas tribos trazem a simpatia da juventude para seu idealismo tão abstrato quanto supostamente abrangente. Natural que qualquer cidadão contribua para as atividades, artístico-culturais-políticas, de tais jovens. Quais são estas atividades? No caso do Rio e da tribo de Sininho, promover hapennings teatrais no centro da cidade, como o evento “Mais amor, menos capitalismo”, ou como a tal ceia de Ano Novo com os moradores de rua na Cinelândia. Estas ações são postas em vídeo na Internet e têm alguma repercussão. Impossível não compreender que cidadãos comuns podem perfeitamente contribuir com isso de modo espontâneo e desinteressado, muito embora tenha havido contestação forte por parte de alguns cidadãos que chamaram a atenção dos integrantes da tribo de Sininho, apontando para a alienação supostamente politizada de seu movimento e pelo perigo de que pudessem ser manipulados pela direita, como se vê neste vídeo, onde o Batman colega de Sininho é peitado no centro do Rio. Para completar o teatro do absurdo, entra em cena uma senhora muito perturbada, típica pessoa de cabeça feita pelas mirabolâncias fascistas de nossos inacreditáveis blogs da Extrema Direita. A performance dela neste vídeo nos faz pensar que talvez a extrema direita da Internet já tenha ganho a batalha da informação pela rede, e fez ótimo trabalho de preparação para a objetivação de um golpe da direita, seja na marra ou no assalto furioso à disputa eleitoral:

    http://christianalmeida.com/batman-e-hostilizado-em-pleno-rio-de-janeiro-durante-protesto-sabe-se-la-do-que/

    Estas tribos de jovens , de pouco tempo, talvez um ano, para cá, têm se aproximado do PSOL, e têm sido bem recebidas pelo partido. Não poderia ser de outra forma. Jovens assim dão um alento de juventude e liberdade que a ala formal do partido já não possui, com seu rancor de um esquerdismo ranzinza e às vezes francamente hostil a outras agremiações progressistas, já que tem colocado o alvo de combater o Governo federal muito acima do alvo de combater as injustiças e a desigualdade social. O Psol, embora sem qualquer ligação formal com tais jovens, é preciso acentuar esta observação, tem se renovado com sua aproximação, parece um novo partido cheio de vitalidade cultural e artística. Mas no próprio desabafo de Sininho contra companheiros de tribo que estão se comportando mal, desabafo fartamente veiculado pela mídia, ela fala que vai, como todos, votar nulo. E que concorda com a posição da tribo que seria a de usar o Sistema contra ele mesmo, ou seja, usar os políticos, do Psol, claro, para detonar a política formal do Sistema.

    Na tribo de Sininho há, é óbvio, contabilidade para as doações. Isto é necessário para um mínimo de organização. Mas também deve ter funcionado como fonte de atritos, porque como falava Trotski, quando se trata de repartir valores ou bens, a tendência é a de que quem reparta seja mais generoso consigo mesmo e com quem lhe seja simpático, mesmo que se trate do mais idealista dos grupos humanos.

    A tribo de Sininho com certeza absoluta não é a única a agir nas manifestações do Rio. Há outras tribos, de conexão mais ou menos tênue entre seus membros. E os black blocs não são obviamente a tribo de Sininho, embora a tribo de Sininho tenha sido, por algum momento, parte dos black blocs. Só quem quer confundir a opinião pública pode espalhar que os black blocs sejam uma organização única. E é bem provável que a contabilidade da tribo de Sininho tenha e algum momento servido para o transporte e a alimentação de jovens determinados que fariam a segurança de movimentos de rua, a princípio contra os ataques da polícia.

    Desde o movimento estudantil da época da Ditadura existem estas tais brigadas de segurança e defesa nos movimentos de rua. Gente forte e sem medo. Agora, quem participou dos movimentos nas ruas, pôde ver em dado momento estes rapazes mascarados pedirem passagem orgulhosamente pela multidão: “abram alas para o Exército Popular”. Pediam passagem para se posicionarem na vanguarda da passeata, para enfrentarem ou desafiarem a polícia, protegendo os integrantes da passeata de alguma violência policial.

    Até aí, tudo bem. Mas apenas para ilustrar o fato com a experiência, sabe-se que na época da pré-Ditadura, gente infiltrada pela direita insuflava a ponta de lança das manifestações de rua, voltando-a no sentido de um quebra-quebra generalizado nos centros das cidades. Estudantes incontroláveis saiam quebrando a princípio os escritórios de agências políticas americanas, depois, o comércio em geral, o transporte coletivo e tudo que estivesse pela frente, gerando um sentimento de insegurança nos transeuntes e nos trabalhadores do comércio e fazendo perder-se o apoio da população aos movimentos de rua. A mídia então entrou em campo para responsabilizar o Governo Federal pela baderna. Esta foi uma das maiores bandeiras que a direita empunhou para acionar os militares, com o propósito inicial de dar fim a uma impressão generalizada de descontrole total do país, um sentimento de caos gerado pela famosa “baderna” e pelos “baderneiros” e amplificado mil vezes pelos órgãos de comunicação de massas. E então sobreveio a Ditadura, a princípio recebida com alívio pela classe média apolítica e pela grande mídia conservadora.

    Ninguém se iluda, há demasiadas semelhanças do atual momento brasileiro com aquele da época pré-ditatorial. Tão demasiadas que é impossível que não tenham sido ambas as situações geradas no mesmo ventre golpista.

    A revista Veja e o jornal o Globo procuram criminalizar o Psol como responsável pelas atuais badernas, mas procuram mais do que isso. A Veja quer confundir a tribo de Sininho com o próprio Black Bloc, como se não soubesse que black bloc não é uma organização única e formal. Mostra uma tabela de doações para a tribo de Sininho, efetuada para um determinado evento de rua, como uma prova da doação de pessoas e autoridades para a baderna do “movimento Black Bloc”, uma única e poderosa organização criminosa que seria responsável por toda a violência dentro dos movimentos de rua no país, embora na mesma matéria fale do evento público, em espaço cego.

    Sabendo que a Veja e as organizações Globo são o braço midiático mais forte do golpismo em curso, resta saber o que desejam objetivamente com isso, já que seus movimentos são todos milimetricamente calculados. Desejam detonar um partido político de esquerda, o Psol? Não, deve ser mais até que isso, mesmo porque sabem que o Psol tem muitas vezes funcionado como auxiliar importante em projetos e propósitos políticos da direita. Mas sempre podem falar que o Psol é comunista e que isto o aproxima do governo comunista que querem atingir em cheio. Desejam acabar com a violência nas manifestações e sair em plena paz com uma réplica da marcha da família com Deus e pela propriedade privada? Talvez. Talvez queiram dar por findo o cenário das violências nas manifestações e proporcionar tranquilidade aos coxinhas para que eles se divirtam no centro das cidades à noite sem correrem qualquer perigo. Desejam enfiar fundo na percepção psicológica dos cidadãos que o país está sendo vítima de organizações criminosas de comunistas, que visam espalhar a desordem e implantar um regime de terror no país acuado e assustado, sem que os governantes, eles também comunistas, possam, saibam ou queiram dominar a situação de caos? Com toda a certeza.

    • sex, 14/02/2014 - 14:59
      julio cesar montenegro

      análise de observador perspicaz. PARABÉNS!
      aqui somo lembranças de velho participante. em resumo talvez a maior diferença entre antigos hippies X descontentes atuais é que os hippies se posicionavam NA PRÁTICA contra o conformismo dos pais que incluía o CONSUMISMO. me parece que entre os descontentes atuais há mais INVEJA que desprezo pelos bens materiais.
      cenas diferentes exemplificam os comportamentos diversos na memória.
      lembro de antigas tribos amigas se mudando ARTESANALMENTE para locais distantes das metrópoles asfixiantes (ilha do mel, canoa quebrada, chapada diamantina, lumiar, porto seguro, jericoacoara), ou urbanos isolados pelos sons dos ídolos que no embate com o que desprezavam se destruíam (janis jopin, jimmy hendrix, raul seixas…)
      não deixei de acompanhar O PROCESSO em que esses embriões de protestos foram apropriados/comercializados pelo NEGÓCIO DO SUCESSO
      e como APRENDEMOS
      THERE’S NO BUSINESS LIKE SHOW BUSINESS

    • dom, 08/06/2014 - 21:51
      Claudia

      O comentário mostra de forma clara a organização da direita para coibir transformações sociais no Brasil

  3. .
    .
    SININHO DETALHA MANIPULAÇÃO DA REDE GLOBO

    (https://www.youtube.com/watch?v=VO5-s7Fzmlo)
    .
    .

  4. sex, 14/02/2014 - 2:22
    Adriano Medeiros Costa

    Marcelo Freixo é um dos políticos mais sérios que este país possui.

  5. qui, 13/02/2014 - 23:18
    Carlos dias

    E, Marcelo Freixo, quando a Globo serviu pra dar munição contra nós petistas e vocês conseguirem, baseados nas mentiras contra petistas inocentes que hoje amargam cadeia, fundar seu “partidinho” solar tava tudo ok, né ?
    Só agora vc descobriu que a Globo tem um projeto de poder ?? Que rapaz esperto! rsrs
    Quando a Globo lhes deu microfone, vcs não disseram nada disso…. Como cordeirinhos brancos disseram o que a GLobo queria: ferro no PT….

    Não me comovo com golpistas covardes.

    • qui, 13/02/2014 - 23:51
      abolicionista

      Embora concorde com a acusação de que o PSol foi oportunista em relação ao mentirão, vale lembrar que a postura do PT também foi, no mínimo, omissa. Isso sem falar no pessoal que, de dentro do partido, aplaudiu a condenação, mas vamos parar de lavar roupa suja e ouvir o que o Freixo tem de interessante a dizer, não acha?

      • sex, 14/02/2014 - 12:34
        Carlos Dias

        Caro abolicionista, admiro seus comentários sempre pertinentes,
        Dito isso, quero dizer que embora tenta eventualmente votado no deputado Freixo não deixo de ser crítico da postura oportunista do partido dele e da equivocada tentativa de apostar no caos e na “manifestação ” das ruas virtuais para desestabilizar nosso governo de coalizão. Sim! Você sabe que governo petista e um eufemismo, uma figura de linguagem.. Não temos um governo petista. Temos um simulacro de presidencialismo… Vivemos num parlamentarismo disfarçado que herdamos das elites governistas do passado… Você e todo o PSOL sabem disso, ainda assim não perdem ponto em detonar o único projeto que, mesmo parcialmente implantado, tirou o pais do atoleiro e, mesmo fazendo algumas tolices de gravidade bem menores, tem forças pra fazer avanços sociais significativos. Lembro que PSOL ajudou a ferrar a cpmf, dentre outras sabotagens que de bom grado fez e faz…. Aqui mesmo no azenha já foi dito diversas vezes…pagamos cerca de um tri anual em rolagem de juros de dívidas herdadas de governos descomprometidos com o pais… Vir reclamar de uns 8 bi gastos com a copa e hipocrisia e jogar com a ignorância das massas e covinhas alienados.
        psol precisa fazer um mãe culpa , desarmar essa babaquice antipetista idiota e passar a compor o parlamento ao lado das forças progressistas.

      • sex, 14/02/2014 - 14:14
        abolicionista

        Acho que você tem razão, Carlos Dias. Por todos os fatos que você mencionou e mais alguns, não acho que o PSol, como partido, tenha acrescentado nada de interessante à vida política brasileira. O grande problema, a meu ver, é que o PSol não tem base social. Por isso tenta ganhar eleitores com esse tipo de manobra mesquinha. De todo modo, o partido ainda tem um longo caminho a trilhar, precisa aproximar-se dos movimentos sociais. Em certa medida, está tentando fazer isso. Convenhamos, o nascimento do PT foi uma conjunção histórica que dificilmente se repetirá: setores da Igreja, movimento sindical, movimento Estudantil, os intelectuais e artistas, e com os ventos da redemocratização soprando a favor. Apesar disso, o PSol tem bons quadros, como o Maringoni, o Freixo etc. Além disso, não podemos revidar na mesma moeda, é preciso mostrar que o sectarismo apenas enfraquece a esquerda e, por mais difícil que seja, trabalhar junto com os setores do PSol que realmente estão interessados em melhorar o país.

      • sáb, 15/02/2014 - 12:34
        edir

        O PSOL só quer mesmo detonar o PT. Agora sabe o que eu acho ? bem feito !!!

    • qua, 19/02/2014 - 10:24
      Ronaldo Aquino

      O comentário mais correto e mais lúcido daqui (o do Sr. Carlos Dias), o PSOL usou e abusou dos holofotes e microfones da Globo pra detonar com o PT e agora esse “nobre” deputado quer posar de “vítima”? Pq mudou o “discurso”? Será que vcs PSOListas são tão “ingênuos” assim? Façam-me o favor!!!

      • dom, 08/06/2014 - 22:00
        Claudia

        O PT nasceu de movimentos de esquerdas, sindicatos, intelectuais e da Igreja progressista. O PSOL não tem essa base.

  6. qui, 13/02/2014 - 15:46
    Antonio Passos

    No momento o Freixo tem mais explicações a dar do que cobranças a fazer. Certamente ele não queria matar jornalista nenhum, mas a verdade é que tentou se aproveitar politicamente da violência e está pagando o preço por isto. É fácil ficar construindo cenários apocalípticos e atirando para todos os lados, difícil é lutar pelo possível com desprendimento e em prol da sociedade, e não da própria carreira política.

    • qui, 13/02/2014 - 20:52
      abolicionista

      Ah, deixe de ser ingênuo, rapaz. Cenário apocalíptico é o Rio de Janeiro que fica atrás das UPPs, a gigantesca zona norte abandonada, para a qual nem o cristo redentor tem coragem de olhar. Você sabe como funcionam as milícias, meu caro? Freixo as denuncia muito antes do jornalista ter morrido na manifestação. Aliás, muita gente já morreu e vocês nunca ficaram escandalizados, né? Quando a polícia matou mais de uma dezena de pessoas, ninguém disse um pio. Não teve dez minutos de Jornal, né? Por que será. Ah, quer saber? Nem sei porque estou perdendo meu tempo, gente que nem você nasceu para ser massa de manobra, é gado criado pro abate, é só embrulhar e levar pras fileiras do fascismo…

  7. qui, 13/02/2014 - 13:30
    jorell

    Esqueceu que ele foi vereador em niterói?

  8. qui, 13/02/2014 - 11:02
    Fernando

    Como eu queria uma chapa Lindberg-Freixo concorrendo pra governador!!

    • qui, 13/02/2014 - 12:18
      plotino

      O freixo é mais um … o discurso dele é o mesmo de Dilma , Lula ,brizolistas e etc… Na verdade ele é um x9 que tem o papel de se aproximar do povo ,sendo o psol mantido pela própria globo e a elite corrupta ( tropa de elite faz esta menção subliminar ao psol ) .A baderna provocada por grupos nas manifestações são do pessoal cooptado pelo PSOL pois , em tese , é a oposição e , sendo assim , tem como aproximar-se do povão para extinguir os movimentos espontâneos . A elite corrupta precisa ter a liderança da oposição . É mais ou menos como o futebol , quero dizer , as torcidas se matam porém a partida já tem um resultado garantido com a conivência dos jogadores ( um circo ).

    • sex, 14/02/2014 - 0:07
      Luís Carlos

      Fernando
      Em 2012, nas eleições municipais, Lula propôs apoio do PT ao candidato do PSOL em Belém que foi para segundo turno, ex-prefeito Edmilson. PSOL rejeitou proposta pois não aceitava apoio de Lula e do PT, apesar de Edmilson aceitar conversar sobre proposta.

  9. qui, 13/02/2014 - 8:48
    Paulo Henrique Tavares

    O Marcelo Freixo não precisa provar nada, é um dos melhores quadros da política do Rio e do Brasil, acho que poucos têm dúvidas.
    Porém, o deputado não pode deixar de reconhecer que ele e o próprio psol, só tem a projeção que tem no Rio, devido à própria Globo.
    Então deputado, não existe almoço grátis, é o preço que se paga, por ter uma tática política moralista, “da ética”.
    O discurso é dirigido para a classe média, a mesma que é corrupta, violenta e ignorante. Não dá pra dizer que isto não traz dividendos eleitorais, só na cidade do Rio, foram quatro vereadores na câmara.
    Com esta entrevista, ele politizou o debate é verdade, porém fechou sua campanha para os atores/atrizes da Globo. Isto faz diferença no Rio. Porém, é a mesma classe média que não “gosta de baderna”. Oras, a Globo associando sua imagem à baderna, sua campanha será um fiasco.
    Agora, tem uma segunda questão: dependendo do desenrolar da campanha, o psol terá um papel fundamental, apesar de nanico, que é atacar o pt nas câmeras da Globo, isto não é pouca coisa.

  10. .
    .
    Em entrevista à Carta Maior, o presidente nacional do PSoL, Luiz Araújo, fala sobre o que classifica de ação orquestrada para enfraquecer a candidatura de Marcelo Freixo no Rio, nega qualquer vínculo entre PSOL e black blocs, critica tanto a violência policial quanto a dos mascarados, admite que o partido não controla as manifestações, mas reivindica o direito de continuar apoiando as manifestações contra os gastos excessivos da Copa e por direitos.

    (http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/PSOL-nao-controla-as-manifestacoes-diz-presidente-do-partido/4/30245)
    .
    .

  11. qui, 13/02/2014 - 2:35
    Jorge Portugal

    Globo não é sócia de nada!! Ela é a dona do país. Ela quem manda no executivo, legislativo e no judiciário, o Freixo sabe disso. Freixo cuidado com a Globo ela é poderosa e vai te jogar no anonimato.

  12. qui, 13/02/2014 - 2:35
    Jorge Portugal

    O único cara que batia na globo, batia mesmo, morreu não conseguiu nem se eleger prefeito e senador, morreu no anonimato, foi Leonel Brizola. Depois de sua morte a globo mostrou seus feitos. Brizola, não tem uma rua, avenida, viela com seu nome aqui no Rio, Rio que eu digo capital. A rua jardim botânico deveria ter seu nome.

    • .
      .
      Leonel de Moura Brizola:

      Um bom nome para rebatizar a Ponte Rio-Niterói

      que hoje se chama Presidente Costa e Silva [SIC!].

      Aliás, o MPF já entrou com ação judicial na JF-RJ

      para suprimir o nome do Ditador Costa e Silva

      que foi integralmente apoiado pela Rede Globo,

      cedendo jornalista para ser Assessor de Imprensa

      desse General Sanguinário que assinou o AI-5.
      .
      .
      10/2/2014

      MPF/RJ quer retirada de nome de ex-ditador da ponte Rio-Niterói

      Procuradores defendem que nome “Presidente Costa e Silva”
      viola o direito à memória

      O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro ajuizou ação civil pública para que seja reconhecida como inconstitucional a Lei nº 5.595/70, que atribuiu o nome “Presidente Costa e Silva” à ponte Rio-Niterói.

      O MPF pede ainda que a Justiça Federal conceda liminar determinando que a União e a Concessionária CCR Ponte não utilizem o nome em sinais e placas de trânsito nem em qualquer documento e registro oficiais, inclusive na internet.

      Para os procuradores, integrantes do Grupo de Trabalho Justiça de Transição, a nomeação da ponte em homenagem ao general Arthur da Costa e Silva – presidente entre 1967 e 1969 e responsável pelo endurecimento da ditadura militar no país – viola o direito à memória, previsto na Constituição Federal.

      Para o MPF, o reconhecimento da inconstitucionalidade da lei que nomeou a ponte Rio-Niterói é importante para escancarar a realidade do período ditatorial e corrigir a nomeação de um logradouro público tão relevante a um dos maiores violadores de direitos do povo brasileiro.

      Na ação, os procuradores alegam estar configurada a urgência e o perigo de agravamento da lesão em razão do aniversário de 40 anos de inauguração da ponte e de 50 anos do golpe militar, em março deste ano, datas simbólicas que irão gerar grande repercussão na imprensa e sociedade.

      Na ação, o MPF esclarece que a ponte Rio-Niterói, símbolo para a memória coletiva por ser um marco da engenharia brasileira, foi nomeada em 1970 pelo então presidente Médici em homenagem ao seu antecessor, Costa e Silva, em uma propaganda pessoal e institucional do regime militar.

      Costa e Silva foi responsável pelo endurecimento da ditadura militar e em 13 de dezembro de 1969 editou o Ato Inconstitucional nº 5 (AI-5), que ampliou os poderes presidenciais, suspendeu a garantia do habeas corpus e fechou o Congresso Nacional, dentre outras violações de direitos.

      Foi ainda no governo Costa e Silva que começaram a ser aparelhados órgãos de informações e operações que implantaram a tortura como prática governamental.

      As medidas pedidas pelo MPF pretendem preservar a memória coletiva para que o patrimônio histórico-cultural brasileiro seja corretamente marcado, sem falsas homenagens, a fim de que as lembranças da violência sirvam para a criação e fomento a uma cultura de proteção dos direitos humanos e de não reiteração dos crimes do passado.

      Para o MPF, a memória de um povo não pode ser fruto de uma decisão arbitrária e unilateral, mas resultado de um debate pluralista na sociedade:

      “Ao suprimir o nome do general Costa e Silva, a Justiça estará devolvendo à sociedade a discussão sobre em homenagem a quem deve ser nomeada a ponte”, defendem os procuradores da República Antonio do Passo Cabral, Sergio Suiama, Tatiana Pollo Flores e Eduardo Ribeiro El Hage.

      Assessoria de Comunicação Social
      Procuradoria da República no Rio de Janeiro

      (http://noticias.pgr.mpf.mp.br/noticias/noticias-do-site/copy_of_patrimonio-publico-e-social/mpf-rj-quer-retirada-de-nome-de-ex-ditador-da-ponte-rio-niteroi)

      Veja a íntegra da ação civil pública do MPF aqui: (http://www.prrj.mpf.mp.br/institucional/mpf-na-capital/atuacao/acoes-civis-publicas/acao-civil-publica-nome-ponte-rio-niteroi/at_download/documento).

      Processo JFRJ nº 00020391020144025101
      (http://procweb.jfrj.jus.br/portal/consulta/cons_procs.asp)
      .
      .

  13. qui, 13/02/2014 - 1:36
    Paulão

    Respeito a posição do Viomundo mas sobre o PSOL e o Freixo
    São fracos e foram enganados pelas conversas moles das pseudos esquerdas alemães e outras europeias, que não conhecem a realidade brasileira. Mas ele conhece e para mim não tem desculpa pois ele despreza totalmente os benefícios que a grande massa brasileira recebeu nos últimos anos. O PSOL só pensa pensa no PSOL e não no pobre da comunidade onde tem uma UPP ou no cara que compra uma geladeira ou um tanquinho a prestação. Embarcam na conversa mole do desmatamento indiscriminado mas esquecem a redução enorme que ocorreu nos últimos anos e forçam o Brasil a produzir energia suja quando impedem a construção de hidro elétricas esquecendo que a nossa matriz de energia limpa é uma das mais limpas do mundo.
    Concepção de cidade vem bem depois da fome do cidadão.
    O resto é blá-blá-blá…..
    E se realmente são coniventes com as diárias que a C I A paga para inflar os protestos contra a copa realmente não merece consideração.
    .
    paga aos desafortunados para jogarem bombas na polícia, só porque apoia

    • qui, 13/02/2014 - 13:06
      Luís Carlos Gonçalves de Oliveira

      Prezado Senhor Paulão,

      “São fracos e foram enganados pelas conversas moles das pseudos esquerdas alemães e outras europeias, que não conhecem a realidade brasileira”

      Você pode identificar as “Pseudo esquerdas”. Saber de ouvir falar é por definição fofoca. Não fica bem para um esquerdista autentico como o senhor disseminar informação falsa.

      • qui, 13/02/2014 - 19:53
        Dimas

        O que eu conheço como pseudo esquerda é o PT. Só uma pseudo esquerda pode ser contra a mobilização popular. Só uma pseudo esquerda pode dar a mão a Sarnei, Collor et caterva.

  14. qui, 13/02/2014 - 0:43
    igor

    psol que se fo…, se alia globo, dem. e ao diabo pra detonar o pt…e ficava ao lado dos black blocks…que se danem…esse tipo de esquerda não precisamos

  15. qua, 12/02/2014 - 23:06
    Maria Izabel L Silva

    Por que o PSOL agora se voltou contra a Globo??Há pouco tempo atrás as estrelas do PSOL como Heloisa Helena, Plinio Arruda,Marcelo Alencar e o Senador Randolfe Rodrigues eram os queridinhos da mídia. Cheios de bossa, dando entrevista e fazendo coro junto com as ratazanas do DEM e do PSDB, e babando de ódio contra o PT. O que aconteceu?? De repente a Globo virou sócia de “projeto autoritário”. Que historia é essa de requentar o problema das milícias?? É pra desviar a atenção sobre a prisão do Caio e do Fabio?? Desculpe deputado. O senhor não passa de um politico patético, que pensa que pode instrumentalizar a midia, do mesmo modo que faz com os jovens ignorantes e desmiolados que vocês levam para as manifestações. Agora a Globo esta em seu calcanhar. É bom que o senhor experimente um pouco do veneno você e seu partido ajudaram a destilar.

  16. qua, 12/02/2014 - 22:14
    Oliveira B.

    É possível que a cabeça da serpente não seja o PSOL mas com certeza esse partido embarcou rápido na onda dos distúrbios urbanos e no delírio de que é preciso “estimular a violência das massas”.
    O deputado Marcelo Freixo, por sua vez, sempre surfou na onda das milícias e do moralismo fácil adotando um discurso pretensamente radical mas lamentavelmente despolitizante.
    No fundo ele é o candidato ideal dos “coxinhas” da zona sul carioca.

  17. qua, 12/02/2014 - 22:10
    Bruno

    Parabéns pelo enfrentamento do deputado que fugiria do país por ameaças, mas fez campanha tranquilamente andando pelo Rio. Porém, fez coro na sangria desatada imposta ao PT: com a mesma Globo e aliados ilustres como o DEM. Que se dane!

  18. qua, 12/02/2014 - 20:23
    Luís Carlos

    Porque o PSOL apoia, aplaude decisões inconstitucionais do STF contra petistas. PSOL aliou-se a Globo e STF para destruir PT. Agora reclama de ataques de sua aliada contra PT.

  19. .
    .
    Deputado do PSoL denuncia as negociatas da Megera Global no Rio.

    PSoL processa a Celebridade Fascista, âncora televisiva do SBT.

    Logo, quem é o culpado pela morte do cinegrafista da BAND?
    .
    .

  20. qua, 12/02/2014 - 19:19
    Luís Carlos

    “O projeto Saúde da família tem que estar vinculado a rede hospitalar”. Pergunto, o que fundamenta esse entendimento de Freixo? Isso quer dizer que se não tiver hospital o saúde da família não pode existir? Então em cada município do país teremos que ter hospital para ter estratégia de saúde da família? Gostaria de entender melhor o pensamento do entrevistado.
    Concordo com ele em uma coisa: o modelo de saúde do RJ tem muitos problemas, como do DF também, muito. Mas reconheço que também já foi pior.

    • qua, 12/02/2014 - 22:25
      Jane

      Creio que ter hospitais em todos os municípios de um país é o mínimo que pode-se exigir do Estado.

      • sex, 14/02/2014 - 0:00
        Luís Carlos

        Jane
        Não é possível, nem epidemiológicamente necessário ter hospitais em todos municípios do país. Setenta por cento dos municípios brasileiros tem menos de 20 mil habitantes. Quase metade disso tem menos de 10 mil habitantes. Como ter um hospital em todos esses municípios? Alguns distam cerca de 5 ou 10 km de outro município pouco maior, na mesma região, ou seja, distâncias muitas vezes menores do que dentro de uma cidade como SP ou Belo Horizonte. Qual viabilidade orçamentária para isso? Qual justificativa epidemiológica para isso?
        Diferentemente de outras políticas públicas, na saúde, municípios não conseguem ter toda capacidade instalada para resolver todas demandas sociais e epidemiológicas em seus territórios, exclusivamente. A organização do SUS deve observar capacidade instalada regional e não apenas municipal.
        Além disso, saúde da família não está preso a assisténcia hospitalar, em nenhum lugar do mundo onde exista, pois se estiver, não reverte modelo “hospitalocêntrico” ainda em vigor no país, e que faz com que nosso sistema ainda tenha baixa resolutividade e baixíssima acessibilidade por parte de nossa população, com altíssimo grau de dependência de tecnologia dura.

  21. qua, 12/02/2014 - 19:13
    Marcelo Teixeira

    Lamento mas essa fuga de Freixo, para os EUA, por conta de “ameaças” não me parece sequer razoável.
    Supondo que de fato ele corria perigo ficam as perguntas:
    Porque logo para os EUA com quem a Globo que ele acusa tem uma relação de Irmã Siamesa?
    Dando o direito ao benefício da dúvida surge outra pergunta:
    Porque voltou? O Estado e a cidade do Rio ficaram mais seguros?
    Se ele tem essa aura de bom moço e tem um projetos limpo, porque jamais se manifestou sobre as barbaridades de Joaquim Barbosa? Porque nunca se manifestou sobre as agressões sofridas pelos Petistas expulsos das manifestações?
    Freixo me parece um equívoco.

    • qui, 13/02/2014 - 10:53
      Estevão

      Se manifestou sim, contra a expulsão e violência para com os militantes, e a favor do direito de hastearem suas bandeiras.

    • qui, 13/02/2014 - 19:56
      Dimas

      Antes de falar bobagens se informe. Até o PSOL foi hostilizado nas manifestações. Pòr sinal o PT até que foi muito pouco até porque abandonou ha tempos a mobilização popular.

  22. qua, 12/02/2014 - 18:55
    Alexandro Rodrigues

    Agora o PSOL vai sentir um pouco na pele o que o PT vem sofrendo a 12 anos!

  23. qua, 12/02/2014 - 18:26
    Maria Ester Rabello

    Muito boa a entrevista. Isso não vemos nos grandes jornais.

  24. qua, 12/02/2014 - 17:18
    abolicionista

    Dá-lhe Freixo, lúcido e simples. Grande espírito.

  25. qua, 12/02/2014 - 16:57
    Marcio Ramos Terrorista

    http://blogueirasfeministas.com/2014/02/faltava-um-corpo/

    “O cinegrafista Santiago Andrade não é o primeiro morto nessa conta. É, no entanto, o primeiro que serve aos fins políticos que a “guerra ao terror” necessita. Antes dele, outros tantos corpos invisíveis foram atirados ao chão, e sobre isso pouco se falou. Que balança se usa pra medir essas mortes e determinar como usá-las (ou não usá-las) politicamente?”

  26. qua, 12/02/2014 - 16:55
    J.Carlos

    Não estou coneguindo entrar no portal do NovoJornal. Será que a quadrilha aecista conseguiu empastelá-lo?

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