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Francisco Luís: Alckmin investe R$ 1 bi a menos no metrô, cresce o risco de esqueletos do monotrilho na cidade de São Paulo

02 de janeiro de 2016 às 10h39

monotrilho 1

Prometida para 2012, a ligação do metrô com o Aeroporto de Congonhas só deverá ficar pronta em 2018

por Francisco Luís, especial para o Viomundo

Nessa quinta-feira, 31 de dezembro, o Estadão publicou que o governo Geraldo Alckmin (PSDB) suspendeu até 2017 o início da construção de dois trechos do monotrilho da Linha 17-Ouro (Jabaquara-Morumbi), na zona sul da capital. Em consequência, trava a conexão metrô-aeroporto de Congonhas, prometida para 2012.

Nenhuma surpresa para quem acompanha os dados da execução do Metrô paulista. Execução é o quanto foi gasto para fazer a obra.

monotrilho 3

Atentem  à tabela ao lado.

Até outubro de  2015, o governo paulista só havia sido executado 43% da Linha 17. monotrilho 5-001 Já o monotrilho para Cidade Tiradentes, 54%.

No geral, a execução foi de 56%, que é baixa até outubro.

Já em relação ao executado no período janeiro-outubro de 2015 frente ao mesmo período de 2014 há uma queda de R$ 1 bilhão, ou 32%.

Para o monotrilho da Linha 17, a queda é de 38%, ou R$ 153 milhões. E para o da Cidade Tiradentes, a queda é de R$ 200 milhões, ou 36%

Esse problema é crônico. O próprio Viomundo já havia noticiado que o governo Alckmin havia deixado de investir cerca de R$ 8 bilhões, entre os anos de 2011 e 2013, nos sistemas de trens da CPTM – Companhia Metropolitana de Trens Metropolitanos – e do Metrô.

Diria que, diante da queda de investimentos, cresce o risco de termos na cidade uma série de esqueletos do monotrilho, uma vez que a suspensão de contratos pode levar à sua não execução.

Pelo visto, uma parte das eternas promessas do governador Alckmin de conclusão das linhas do metrô devem ficar para a eleição de 2.018. A outra parte corre o risco de nunca sair do papel.

Isso sem falar na relação delas com os contratos executados por empresas denunciadas na Operação da Lava Jato, que chegaram a R$ 210 bilhões com  governos paulistas, e a famosa “planilha de Youssef”.

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Governo suspende monotrilho e trava linha até Congonhas

Conexão do aeroporto com metrô, prometida para antes da Copa, deverá ser concluída em 2018; estatal responsabiliza crise

BRUNO RIBEIRO, FABIO LEITE E RAFAEL ITALIANI – O ESTADO DE S. PAULO

31 Dezembro 2015 | 03h 00

SÃO PAULO – A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) suspendeu até 2017 o início da construção de dois trechos do monotrilho da Linha 17-Ouro (Jabaquara-Morumbi), na zona sul da capital. Prometida para 2012, antes da Copa no Brasil, a ligação do metrô com o Aeroporto de Congonhas só deverá ficar pronta, no melhor cenário, em 2018, ano do Mundial na Rússia.

O Metrô informa que “resolveu adotar como prioridade a conclusão das obras dos trechos em andamento antes de dar início às novas frentes de trabalho” por causa da queda na arrecadação do Estado, “em razão da crise econômico-financeira que o País atravessa, com a alta da inflação, fortalecimento do dólar, queda do PIB e juros altos”.

A medida, publicada no Diário Oficial em dezembro, mantém paralisada por mais um ano a construção de 10 km da linha, 57% da extensão total (17,6 km), nas duas pontas que farão a ligação de Congonhas com o metrô (Linhas 1-Azul e 4-Amarela). Segundo a companhia, assim que as obras forem retomadas, a conclusão total dos trabalhos deve demorar 30 meses – julho de 2019.

De um lado, o Metrô congela o trecho entre a Estação Morumbi, da Linha 9-Esmeralda da Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM), na Marginal do Pinheiros, e a futura Estação Morumbi-São Paulo, da Linha 4-Amarela, prevista para 2018, após atrasos. De outro, há a suspensão do trecho entre o aeroporto e a Estação Jabaquara, da Linha 1-Azul.

Até agora, apenas o trecho 1, com 7,7 km e que liga Congonhas à Linha 9, está em construção pelo consórcio composto por Andrade Gutierrez e CR Almeida. Prevista inicialmente para 2010, a etapa deve ser concluída no segundo semestre de 2017, segundo a última previsão do Metrô. A estimativa é de que a linha completa receberá 450 mil passageiros por dia.

A sucessão de atrasos e problemas envolvendo a construção da Linha 17 devem fazer com que a primeira conexão entre o aeroporto e o metrô seja feita na Estação Campo Belo, da Linha 5-Lilás, que fica antes do trem. Com quatro anos de atraso, ela deve ser concluída em 2018, segundo o Metrô, um pouco antes da extensão das duas pontas do monotrilho.

O especialista e mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo (USP) Horácio Augusto Figueira afirma que “a demanda por passageiros” no trecho que o Metrô vai priorizar é “pífia”. “Um corredor de ônibus à esquerda, com os coletivos entrando no aeroporto, ficaria bem mais acessível. Ele já estaria operando e com um custo bem menor.” Ele ainda classifica a falta de conexão com a Linha 1-Azul como “cruel” para os passageiros. “É um erro tirar esse ramal da Linha 1-Azul. Aliviaria a conexão com a Linha 4.”

Comparação. Se cumprido o novo cronograma da Linha 17, em seis anos de obras, a gestão Alckmin terá aberto sete estações e construído 7 km de monotrilho na capital. Para efeito de comparação, também ao longo de seis anos, entre 1968 e 1974, o Metrô abriu sete estações da Linha 1, com obras subterrâneas, consideradas mais complexas e mais caras.

A Linha 17 foi orçada inicialmente em R$ 3,9 bilhões, mas já está custando R$ 5,5 bilhões, um aumento real de 41%.

Década. Já o monotrilho da Linha 15-Prata (Vila Prudente-Cidade Tiradentes), na zona leste, começou a ser construído em 2011, com previsão de entrega de 24 km de extensão e 17 estações em 2014. Até agora, apenas o primeiro trecho, de 2,9 km entre a Estação Vila Prudente, na Linha 2-Verde do Metrô, e a Estação Oratório, está em operação. Quando estiver completa, a linha deverá receber 500 mil passageiros por dia.

Em resposta a questionamentos feitos pelo conselheiro Antonio Roque Citadini, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o secretário estadual de Transportes Metropolitanos e presidente do Metrô, Clodoaldo Pelissioni, informou que o trecho até São Mateus deve ser concluído em etapas, entre 2017 e 2019, e que o monotrilho só deverá chegar à Cidade Tiradentes, no extremo leste, em abril de 2022, ano da Copa do Catar. A retoma das obras está congelada até dezembro de 2018.

Ao todo, 38,6 km de monotrilho haviam sido prometidos até o fim de 2015, incluindo a Linha 18-Bronze (Tamanduateí-São Bernardo do Campo), que ligará a Linha 2-Verde do Metrô ao ABC paulista e não tem mais prazo para começar, mais de um ano após a assinatura do contrato. Apenas 7,5%, porém, foram entregues.

Metrô diz que priorizou trechos em andamento

O Metrô informou em nota que decidiu priorizar trechos do monotrilho onde as obras já estão em andamento nas Linhas 17-Ouro (Jabaquara-Morumbi) e 15-Prata (Vila Prudente-Cidade Tiradentes) antes de abrir novos canteiros em razão da crise econômica.

Embora tenha suspendido a construção de dois trechos da Linha 17, o fato de projetos executivos já terem sido licitados “garante que as obras serão retomadas no futuro, com a melhora da economia”, diz a empresa.

O Metrô afirmou que “também há a necessidade de equacionar as pendências e a duplicação dos viários para a implementação das colunas e vigas dos monotrilhos” das Linhas 15 e 17.

No caso da Linha 17, a empresa afirmou que faltam a emissão da Licença Ambiental de Instalação pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, o prolongamento da Avenida Hebe Camargo e o reassentamento de 10 mil famílias. Já na Linha 15, faltam o remanejamento da galeria do Córrego da Mooca e duplicação e adequação da Avenida Ragheb Chohfi. Essas informações foram repassadas ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Leia também:

Adesão de tucanos paulistas ao impeachment é para barrar avanço da Lava Jato?

Investigação VIOMUNDO

Estamos investigando a hipocrisia de deputados e senadores que dizem uma coisa ao condenar Dilma Rousseff ao impeachment mas fazem outra fora do Parlamento. Hipocrisia, sim, mas também maracutaias que deveriam fazer corar as esposas e filhos aos quais dedicaram seus votos. Muitos destes parlamentares obscuros controlam a mídia local ou regional contra qualquer tipo de investigação e estão fora do radar de jornalistas investigativos que trabalham nos grandes meios. Precisamos de sua ajuda para financiar esta investigação permanente e para manter um banco de dados digital que os eleitores poderão consultar já em 2016. Estamos recebendo dezenas de sugestões, links e documentos pelo [email protected]

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Marat

02/01/2016 - 22h17

Vez por outra, algum imbecil, aqui em SP (e olhe que há muitos e muitos deles por estas plagas!) fala bem alto que quem vota na Dilma é burro, ignorante etc., Quando eu estou por perto eu digo que burro é quem vota no PSDB, e os lembro que Segurança Pública, Educação e Transporte estão falidos com estes incompetentes e corruptos pessedebistas… A partir daí a briga começa, e eu não arredo pé. Ao fina, digo aos contendores que eles são politicamente ignorantes!

Responder

    Roberto Locatelli

    03/01/2016 - 07h44

    De fato, Marat, os paulistas são tão otários que votam em quem destrói SP, só para ser contra o PT.
    – Segurança pública (responsabilidade do governador, segundo a Constituição) está falida. O PCC comanda TODOS os presídios paulistas;
    – Educação básica sucateada. As escolas estaduais têm falta até de giz e papel higiênico. Além disso, Geraldo Alstom tentou fechar 200 escolas, além de cursos noturnos (justamente os frequentados por jovens que precisam trabalhar). Felizmente, foi derrotado pela mobilização dos estudantes;
    – Transporte público insuficiente. O metrô não avança, os trens sucateados, corrupção BILIONÁRIA tanto no metrô quanto na companhia de trens. As provas da corrupção tinham vindo da Suíça (lá os procuradores são sérios), mas um procurador brasileiro distraído “esqueceu” o processo na gaveta errada durante vários anos. Resultado: ninguém foi punido;
    – Gestão desastrosa do abastecimento de água. Os técnicos já alertaram, HÁ UMA DÉCADA, que seria necessário construir um reservatório novo, pois a Cantareira entraria em colapso. Mas Geraldo Alstom não quis desagradar aos “investidores” da Sabesp, por isso NÃO FEZ NADA. Caminhamos para o desastre.

    Aí chegam as eleições e os paulistas votam… no PSDB. Muito inteligentes esses paulistas.

    Nelson

    03/01/2016 - 14h05

    Aqui no Rio Grande, a coisa não fica muito atrás, Marat.

    Após o final da ditadura, os gaúchos, que nos consideramos o extrato mais politizado do país, já elegemos Antônio Brito, Yeda Crusiu e outras nulidades. Para completar, no ano passado levamos ao poder o Sartori. Todas essas nulidades trabalharam para entregar o Estado, cada vez mais, nas mãos do grande capital.

    Em breves interregnos, elegemos o Tio Olívio Dutra e o Tarso Genro. Ambos cometeram erros, é óbvio, mas fizeram, disparadamente, os melhores governos que tivemos no Estado após o de Leonel Brizola. Foram governos em que iniciou-se, de forma um tanto lenta, mas plenamente acertada, a recuperação do Estado.

    Pois, os gaúchos, os mais politizados do país, supostos entendidos de política, acreditaram que essa recuperação era lenta demais e resolveram, por duas vezes, colocar as nulidades novamente no poder.

    O resultado é o que temos hoje. Está governando com a pauta neoliberal, para o grande capital, contra o povo e os trabalhadores, fazendo negociatas com deputados em troca de votos favoráveis na Assembleia Legislativa e promete privatizar o que resta do patrimônio público entregando-o, obviamente, nas mãos do … grande capital.

    Adilson

    04/01/2016 - 16h46

    Sempre que alguém fala de política perto de mim em lugares públicos não consigo ficar calado e sento o pau no PSDB pra todo mundo ouvir. Inclusive na eleição de 2014, estava na fila com umas 50 ou mais pessoas e um carro passou com uma bandeira do PT. Dai uma mulher disse: queima essa bandeira. Eu bem alto pra todo mundo ouvir respondi: não queimar não porque o Alckmin que os analfabetos políticos votam acabou com a água em São Paulo. A mulher disse que não faltava água na casa dela. Respondi mais alto ainda pra todo mundo ouvir. Pode não faltar pra você, mas milhares de pessoas estão sem água em São Paulo. Só sei que todo mundo ficou caladinho, inclusive a mulher. Teve uns dois que até vieram a mim concordando com o que eu disse. Outro dia tava cortando o cabelo e passando na TV do salão uma notícia de criminalidade. Dai um homem disse que o país estava um caos. Não me aguentei e disse: você é cego e surdo, não está vendo que a notícia é de outro país.

    Marat

    04/01/2016 - 20h58

    Prezados, Nelson, Roberto e Adílson, tudo bem?
    Creio que estejamos corretos, em não permitir a esse povo ignorante e despolitizado querer intimidar aos incautos. Basta o que eu vejo todos os dias em SP: Madames de classe média, cuja profissão é ser fêmea (se é que eles dão no couro, ou se as deixam para os Ricardões…) de algum empresário fazendo terrorismo e assediando moralmente as empregadas domésticas, os choferes, os faxineiros, os porteiros, os zeladores e toda a sorte de pessoas humildes, que dependem desses empregos… Elas ficam 24h por dia buzinando no ouvido dessa turma, e, logo alguns deles, com medo de perder o emprego ou de “o país quebrar se o PSDB não ganhar”, acabam votando neste partido hipócrita, mercenário e lacaio do Tio Sam… Devemos, sim, sempre brigar com esses imbecis e mostrar que quem não sabe votar são eles. Essas ditas “elites” não passam de um bando de malandros que adoram a vida fácil, e ter um séquito de semi-escravos para poder usufruir a vida, enquanto os coitados brigam por migalhas para não morrer de fome… Quanto aos menos favorecidos, lembro-os que nunca o PSDB fez nada para ajudá-los. Eles apenas bajulam os capitalistas que desejam arrancar o couro dos brasileiros para entregar aos gringos sedentos!
    Esse partidinho hipócrita deveria mudar sua sigla: PSDGB (Partido da Social Democracia Golpista Brasileira).

Marcio Ramos

02/01/2016 - 20h53

Que legal. O povo ta no zap zap, tudo bem.

Responder

    Roberto Locatelli

    03/01/2016 - 07h48

    Olha, Marcio, o povo podia usar o zap zap também para o debate político. O problema talvez não seja o zap zap, mas a mentalidade de 90% de seus usuários.

Mauricio Gomes

02/01/2016 - 20h19

O pior é que a imensa maioria dos paulistas, a despeito disso tudo, elegerá esse energúmeno quantas vezes ele se candidatar. Triste sina de SP…Da mesma forma temos o PMDB aqui no RJ, com Pezão e Cabral.

Responder

Cláudio

02/01/2016 - 19h13

:
.:.
: * * * * 19:13 * * * * Ouvindo A(s) Voz(es) do Bra♥♥S♥♥il e postando: FELIZ ANO NOVO DE 2016 ! ! ! !
.:.
♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥
* * * * * * * * * * * * *
* * * *
.:.
Por uma verdadeira e justa Ley de Medios Já ! ! ! ! Lula 2018 neles ! ! ! !
.:.
* * * *
* * * * * * * * * * * * *
♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥

Responder

Julio Silveira

02/01/2016 - 13h32

Devem ter desviado grana para abrir algum poço no bandeirantes, ou quem sabe fazer estoque de alimento.
Poder ser por isso que, segundo a folha, existe racionamento em São Paulo.

Responder

Helena/S.André SP

02/01/2016 - 11h35

E a mídia continua pegando leve com Alckmin. Agora uma coisa não entendo. Outro dia fui até o metrô Vila Prudente e vi que tinha uma parada do monotrilho construída do outro lado da rua, e havia vários suportes que estavam sem a construção do monotrilho, dando a entender que a obra estava parada. Achei estranho ter a estação do metrô e do monotrilho a pouca distância um do outro e um desperdício ter esses 2 tipos de construção de transporte no mesmo bairro. Aí, comentei isso com o taxista e ele desandou a criticar o sr.Alckmin dizendo que esse monotrilho é uma gastança exagerada em relação ao metrô, pois além dos vagões serem pequenos e não comportar muitos passageiros sai mais caro que a construção do metrô. Ainda não li nada em termos comparativos entre os gastos do metrô e do monotrilho, mas acho que o motorista de taxi tem razão em suas críticas se formos comparar a capacidade de transporte de um trem do metrô com a fragilidade de um vagão do monotrilho.

Responder

    Fabio SP

    03/01/2016 - 08h50

    Quer dizer que vc viu uma estação do metrô ao lado de outra do monotrilho?
    Descobriu um negócio chamado integração!!!
    Garota esperta!!!

    Nelson

    03/01/2016 - 13h48

    “E a mídia continua pegando leve com o Alckmin”.

    Tudo normal, Helena. A grande mídia pertence ao grande capital e, como tudo o que os governos do PSDB fazem o fazem em benefício do grande capital, ela vai divulgar bem pouco os malfeitos de Alckmin. Tal mídia não se furtará de divulgar os malfeitos dos tucanos, mas se limitará a uma ou duas vezes, três, quando muito, e silenciará sobre o assunto.

    Se os malfeitos forem obra de algum governo que toma medidas não palatáveis ao grande capital, a grande mídia iniciará, imediatamente, uma campanha de divulgação incessante; repetirá, repetirá, repetirá e repetirá, à exaustão, o fato.

    Esta tática, aprendida com Goebbels, vem de longe. Foi usada contra Mossadegh (Iran) e Arbenz (Guatemala), na década de 1950, contra Bosch (República Dominicana) e Goulart (Brasil), na década de 1960, contra Allende (Chile), na década de 1970, contra os Sandinistas (Nicarágua), na década de 1980. Mais recentemente, a Venezuela de Chaves e Maduro vem sofrendo campanha idêntica, implacável.

    Detalhe. O governo nem precisa ser de esquerda, socialista ou comunista. Basta que ele adote postura mais autônoma, soberana, para que seja implacavelmente atacado. Mossadegh, Arbenz e Bosch não eram de esquerda, muito menos socialistas ou comunistas, mas foram derrubados pelos EUA, com o apoio total da mídia hegemônica.

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