VIOMUNDO

DCM: Servidora que denunciou Paraty House teve automóvel queimado; obra irregular tem piscina em praia pública

11 de fevereiro de 2016 às 23h55

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UMA AVÓ COMBATIVA

do Diário do Centro do Mundo (reprodução parcial)

por Renan Antunes de Oliveira

Quem levantou a lebre foi uma servidora pública federal, concursada, Graziela de Moraes Barros, fiscal do Instituto Chico Mendes (ICMBio), órgão do MMA.

Ela tem apenas 39 anos e já é avó. Mora num sítio escondido numas quebradas e implora pra que o repórter não diga onde é, porque teme represálias.De quem? “Quando fiz a denúncia da casa dos Marinhos, alguém atacou a minha e incendiou meu carro”, conta, sem acusar ninguém.

A Polícia Federal investigou o caso, óbvio que sem sucesso. Hoje, ela anda sempre em carro oficial e acompanhada de uma colega.

Graziela não é mais fiscal. Deu entrevista, na semana do carnaval, em seu escritório na APA Tamoios, no alto de um morro do qual se vê Angra dos Reis e Paraty – a House agora está fora de sua jurisdição.

“Desisti porque passei cinco anos dando murro em ponta de faca. O Estado e a Justiça não enfrentam e nem punem os poderosos. Minha função acaba sendo fazer o papel de polícia contra pescadores e pequenos posseiros”, resmunga, amargurada.

Ela aponta o processo contra os Marinhos como um exemplo de desrespeito: “Eles poderiam ter erguido uma casa menor, de até 200m², o que seria permitido pela lei. Mas fizeram aquele monstrengo de concreto derrubando mata. Foi uma afronta à lei e à natureza”.

Graziela é a estrela da acusação. Ela inspecionou a praia Santa Rita uma vez durante a construção e outra depois que a mansão ficou pronta: “Heliponto e casa devem ser derrubados. A piscina está na praia…” e ela despeja os argumentos que estão no processo iniciado pelo procurador Fernando Lavieri, tim tim por tim tim.

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Ela quer os Marinhos fora do pedaço: “Eles entram com recursos e vão rolando. Pagam multas e continuam ocupando a área, esperando tudo cair no esquecimento. Calculo que gastem mais de um milhão em multas e advogados, mas vão continuar lá, porque podem tudo”.

Graziela enumera uma lista de milionários que cometeram crimes ambientais na mesma região. Está desiludida: “Nada vai mudar”.

Na hora da fotografia, Graziela entra em pânico: “Tenho medo de ser exposta”, diz preocupada com sua segurança como se vivesse no meio de uma guerra de gangues. Pede que a foto seja tirada pelas costas, solicitação atendida.

A Paraty House foi desenhada pelo arquiteto paulista Márcio Kogan e sua equipe. Não foi possível localizá-lo para saber se ele nunca ouviu falar da proibição de derrubar Mata Atlântica. Se não ensinaram na faculdade dele, consola saber que já existe preservação ambiental até no currículo da escola fundamental.

O projeto original sempre esteve em desacordo com a lei de máximo 200m² porque saiu da prancheta com 840. Aí foram mexendo e subiram para os 1.300.

Para íntegra da reportagem, vá ao DCM.

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A descrição da casa (fotos Nelson Kon), no site do arquiteto:

Há uma lenda que diz que a região da cidade colonial de Paraty e de Angra dos Reis (entre São Paulo e Rio de Janeiro) tem 365 ilhas, uma para cada dia do ano.

Duas caixas de concreto aparente repousam engastadas na encosta de uma dessas ilhas; dois prismas modernos por entre as grandes pedras brutas do litoral brasileiro.

Os volumes projetam-se para fora da montanha, quase na altura da praia, num balanço de 8 metros.

A casa, numa engenhosidade estrutural, equilibra-se na topografia do terreno, constituindo um grande vão e um espaço habitável na natureza quase intocada.

Nas pedras de Paraty, na densa mata da ilha, venenosas aranhas, encontram esse volume ortogonal e adentram o gramado que reveste a laje.

Movimentando rapidamente as patas, desbravam o terreno.

As aranhas continuam seus percursos por dentro da residência onde se embreiam por uma coleção de importante móveis do século XX desenhados, entre outros, por George Nakashima, Luis Barragan, Lina Bo Bardi, Sérgio Rodrigues, Joaquim Tenreiro e José Zanine Caldas.

As aranhas se perdem no estofado da poltrona.

Os moradores chegam de barco: depois de pisar na areia, já protegidos pela laje, a entrada da casa é feita por uma ponte metálica sobre um espelho d’água forrado por cristais.

A ponte conduz a uma escada que conecta-se ao volume inferior. Este volume contém parte do programa da casa: uma sala de estar, a cozinha e a área de serviço.

O espaço interno, continuo, tem um grande vão de 27 metros e grandes janelas de vidro que permitem ver a vista, o mar.

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A mesma escada da entrada continua, para o volume superior que abriga os quartos. Na parte da frente da casa, painéis retráteis de graveto de eucalipto protegem os dormitórios do sol.

Os espaços voltados para a montanha, têm pequenos pátios internos com iluminação zenital e o uso do concreto armado aparente confere uma textura surpreendente para todas as paredes.

Todas as coberturas da casa são terraços: mirantes para os moradores, para as aranhas venenosas, jardim para as esculturas e para plantas medicinais e ervas comestíveis.

Gabriel Kogan

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Ficha técnica:

Arquitetos:Studio MK27

Ano: 2009

Área construída: 840 m²

Área do terreno: 50000 m²

Tipo de projeto: Habitacional

Status:Construído

Materialidade: Concreto e Vidro

Estrutura: Concreto

Localização: Paraty, Brasil

Implantação no terreno: Isolado

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Aluisio Pessoa

13/02/2016 - 17h05

As mídias que funcionam sob concessão pública não deveriam ser remuneradas por propagandas institucionais. Seria bom um deputado ou senador do PT apresentar um projeto nesse sentido.

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Juscelino Lemos

13/02/2016 - 10h30

Sugiro uma forma de ajudar a afundar de vez essa emissora do Kpeta. Façam como eu. Há tempos deixei de consumir qualquer coisa que é anunciada nessa porcaria. Se boicotar-mos os anunciantes, em breve esse grupo afunda de vez. Em tempo: juizeco de meia tigela me responda se isso vem ao caso.

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Luiz san

13/02/2016 - 03h11

Só olham a massao, dinheiro, luxo…..e ricos….? Fato é que todos finge não ver que existem corruptos que se vendem permitindo isso!!!! Vai atraz que foi um outro próprio colega que perdeu a propina quem mandou queimar o carro da ex fiscal…..

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    Por isso que digo : chegou a duras penas ao poder, não dê mole pra esses caras, si não engole. Eles simplesmente não aceitam a perda

    13/02/2016 - 15h06

    Por que digo : chegou a duras penas ao poder, não dê mole pra esses caras, si não, eles engolem o governante vivo.

Luiz san

13/02/2016 - 02h35

Faça me o favor, essa fiscal não belisca propina, mais todo o resto de seus colegas de outras repartições faz vista grossa…!!!, prevarica em exercício de suas funçoes, piscina na areia rs rs rs…… Olhem para são Sebastião, secretária de obra fatura mais com as iregularidades liberando aqui e ali…..basta ver por fotos aéreas de 1986, o que era é como está hoje….com inumeras aberrações…. Fiscal de meio ambiente e o de obra só pega pescadores e pobres coitados p dizer que fazem alguma coisa……..fato é que rola dinheiro, propinas e em todo lugar tem administrações públicas, tem também servidor público corrupto….!!!! Cadeia para eles em primeiro lugar….. Melhor forma de começar a corrigir e da exemplo….. Seria prender, exonerar e banir esses vermes que só estão pensando no sistema e tirando proveito da máquina pública em benefício próprio…

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roberto

12/02/2016 - 17h36

Se os Marinho mandaram queimar a casa e o carro dela, ela pode também mandar alguém jogar um belo molotov na mansão. Estariam quites, e ninguém iria para a cadeia.
Juiz: Caso encerrado, passemos para o próximo!

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Alisson Souza

12/02/2016 - 16h40

Casa dos sonhos essa. Mui guapa!

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Mauricio Gomes

12/02/2016 - 16h06

E não é que a mansão ilegal, sem donos conhecidos oficialmente, ainda por cima tem ligação com a lava-jato. E aí juizeco fascista e agragados, vai ter operação com nome espalhafatoso para investigar essa imoralidade? Ou o prêmio “faz a diferença” vai deixar isso pra lá?

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/triplex-dos-marinho-esta-na-lava-jato

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Bernardo

12/02/2016 - 15h35

É um deboche e muita canalhice; como dar crédito às empresas Globo quando criticam uma pessoa por (não) ter um imóvel que não lhe pertence e ter tido a ousadia de comprar um ” iate” de R$4.000,00? E como explicam construir em reserva natural protegida pela Lei um imóvel que extrapola os limites permitidos? São hipócritas e cínicos e certamente acham que somos uma maioria de bobos e otários. Acorda Brasil.

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Wladimir Teixeira

12/02/2016 - 15h02

Não foi por outro motivo que abandonei a arquitetura como profissão. Quem paga acha que pode tudo, “esquecendo” que quem assina um projeto arquitetônico responde civil e criminalmente pelo que assinou.

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    Euclides Rezende

    12/02/2016 - 22h50

    Pois é…
    Cansei de desenvolver sistemas para computadores. Até aparecer sonegadores e trambiqueiros que queriam “algumas coisinhas nos sistemas”, larguei para lá tambem.
    Com as mudanças na lei de Nota Fiscal Eletrônica, teria que assinar um documento na qual atestava que o sistema não tinha nenhum artifício que permitisse sonegação, e que seria co-responsável por roubos, desvios e o “diabo a quatro” se ocorresse contra a receita.

    Eles que encontrassem outro trouxa para culpar.

    Tenho a consciência tranquila de nunca ter feito um sistema que permitisse isso.

Helena/S.André SP

12/02/2016 - 13h51

Olha, sobre essa mansão a blogueira Helena Sthephanowitz publicou um post no site http://www.redebrasilatual.com.br com o título “Mansão de donos da Globo é alvo da Lava Jato no esquema Mossack Fonseca”. É uma história fantástica. Por aí dá para entender porque a Globo fica desviando a atenção para o Lula, o triplex e o tal sítio de Atibaia. A blogueira Helena apresenta até documentos mostrando o esquema que envolve lavagem de dinheiro. Imperdível essa matéria.

http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2016/02/mansao-de-donos-da-globo-e-alvo-da-lava-jato-no-esquema-mossack-fonseca-3618.html

Caso não dê para acessar o link, entre no site e pesquise pela matéria.

Responder

Ricardo Cebalho

12/02/2016 - 13h31

Não adianta querermos tampar o sol com a peneira, maior inimigo da esquerda é a mídia.
O que temos que fazer? . Como o inimigo e comum a todos seguimentos, proponho: Temos que unir
toda a a esquerda, e usar a sabedoria de todos para declarar guerra a essa mídia fascista. Convocar todos jornalistas, juristas, partidos, sindicatos, organizações e todos os grandes pensadores, para estudarem formas e metas e organização de luta contra essa corja. vamos parar de hipocrisia .

Se algum líder não levantar essa bandeira e trabalhar nesse sentido, vamos ficar eternamente refém
desta mídia casa grande. É engano pensar que com blogs na internet faremos frente ao poder econômico que eles possuem.

Ricardo Cebalho

Responder

FrancoAtirador

12/02/2016 - 12h37

.
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Só faltou revelar o Nome da Construtora dos Marinho.
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Responder

Éder

12/02/2016 - 11h36

Esse é Brasil, onde uns canalhas denigrem a imagem do nosso Lula. E aí mafia, isso é Triplex, ou não? Globo- Mafia.

Responder

Carlos Roberto

12/02/2016 - 11h27

Trata-se apenas de um palácio em local afastado de difícil acesso, sua construção violou normas legais, ç por isso, não vem ao caso.
Por outro lado o que interessa mesmo é o casebre vulgo sítio de propriedade de terceiros em que Lula passa finais de semana, interessa é o triplex no Guarujá que não é do Lula e de sua família.
A sexta está excelente.

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Mauro

12/02/2016 - 10h25

As leis são sempre úteis aos que têm posses e nocivas aos que nada têm.
Jean-Jacques Rousseau

Responder

Mauricio Gomes

12/02/2016 - 07h30

O pior de tudo é saber que o governo, via verbas publicitárias (nosso dinheiro) ajuda a enriquecer essa família de mafiosos golpistas. Dilma, corte a bolsa-PIG minha filha!

Responder

Marcio

12/02/2016 - 00h27

Ah por favor parem de chamar uma mansão de quase 1.000 m² de área construída encravada numa ilha de “triplex”. Não é um triplex. É algo muito maior e muito mais luxuoso que um prosaico triplex.

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