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Coronel Adilson Paes: A desmilitarização da PM já passou da hora

10 de novembro de 2013 às 18h25

por Lúcia Rodrigues, especial para a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo

O que leva uma pessoa que ingressa na Polícia Militar a se tornar um assassino?

A resposta para essa pergunta foi o que motivou o tenente-coronel Adilson Paes de Souza a se tornar um estudioso do tema da violência policial. A pesquisa desenvolvida rendeu frutos. Sua dissertação de mestrado na Faculdade de Direito da USP, aprovada com louvor no ano passado, se transformou no livro O Guardião da Cidade, da editora Escrituras, que ele lança nesta segunda-feira, 11, às 18h30, na Livraria Martins Fontes, à avenida Paulista, 509.

As inquietações do coronel sobre o assunto, no entanto, surgiram bem antes.

Há mais de uma década durante o curso que frequentou na Academia do Barro Branco, para ascender ao posto de major, ele teve aulas de Direitos Humanos com o desembargador Antonio Carlos Malheiros. O contato com o mestre foi decisivo.

Malheiros levava para o diálogo com os alunos em sala de aula, vídeos com denúncias de entidades de defesa dos direitos humanos sobre tortura e outros tipos de violência policial.

O que causava irritação nos demais colegas, produzia nele efeito contrário. O então capitão Adilson se sentia desconfortável, sim, mas por outro motivo. A falta de respostas da corporação para enfrentar essas violações é o que o incomodava.

“Via muitos oficiais negando as denúncias pura e simplesmente, outros diziam que era uma orquestração contra a instituição. Não via nenhuma resposta adequada aos relatórios nacionais e internacionais que denunciavam a violência policial”, enfatiza.

Constatar se a educação em Direitos Humanos que os oficiais recebem na Academia é adequada, e em caso negativo, se isso gera aumento no quadro de violência, além de contribuir para que o policial se torne assassino, foram as hipóteses levantadas para o desenvolvimento da dissertação. Essas hipóteses se confirmariam ao longo da pesquisa.

Segundo ele, existem vários temas de extrema importância que não são abordados nos cursos da corporação.

“A violência policial não é tratada no currículo de Direitos Humanos. É um tabu, não se comenta”, revela. “Por que eu não posso levar para a sala de aula a discussão dos casos de insucesso, para aprender com os erros? Por que não posso tocar na questão da violência policial nos bancos escolares?”, questiona. “É um equívoco muito grande não se discutir isso. As grandes empresas, no mundo todo, que buscam sucesso discutem seus erros, para que não ocorram mais.”

O coronel destaca que após ter concluído o livro houve uma reforma no currículo da PM. O curso que era de quatro anos, foi reduzido para três. “A carga horária que já era baixa foi reduzida ainda mais na disciplina de Direitos Humanos, mas agora consta no currículo Violência Policial. Contudo a abordagem é para desenvolvimento de sistemas e aprimoramento de supervisão e controle. Isso é pouco. Nós temos de estudar os casos que deram errado, que resultaram em execução extrajudicial e extermínio. Entender porque isso aconteceu, para que não se repita.”

O mesmo se aplica à questão da tortura. “Quando se fala sobre tortura, se fala da lei de tortura, não sobre os mecanismos que fazem com que a tortura exista. Não se fala sobre o que motiva uma pessoa a reduzir outra a um objeto. Estudar esses mecanismos é de suma importância, não é só estudar a lei.”

Educação falha

Para elaborar a dissertação que resultou no livro, além da pesquisa teórica, o coronel ouviu vários policiais militares que praticaram homicídios, cumpriram pena pelos crimes que cometeram e foram expulsos da corporação.

“Nas entrevistas, eu perguntei o que os levou a praticar os homicídios. E a resposta foi de que não conheciam a realidade social onde foram trabalhar. ‘Não tive isso nos bancos escolares’. Isso evidencia que houve falha no processo de formação. A minha hipótese de que a educação em Direitos Humanos não estava cumprindo o seu papel se confirmou logo na primeira pergunta.”

Os policiais criam por conta própria suas respostas. “Isso é perigoso, porque depende da capacidade de cada um em responder ao estímulo externo. Se não estou preparado, o choque pode produzir reações adversas a ponto de a pessoa achar que pode resolver o problema sozinho. Foi isso o que aconteceu com os policiais militares que entrevistei. Se sentiam dotados de superpoderes. Diziam que podiam fazer o que quisessem visando à proteção da sociedade.”

O slogan proferido por muitos policiais: ‘Bandido bom é bandido morto’ é rechaçado de forma veemente pelo coronel, que o classifica como um “populismo barato, com cunho político-eleitoral espúrio e perigosíssimo”.

Ele explica que esses policiais querem conquistar status pelo medo que impõem. Há estudos que comprovam que esse tipo de policial se vê como um super-homem.

Outra teoria revela que a frustração e a impotência diante de determinadas situações podem levar policiais a adotar atitudes extremadas.

“Isso encontra eco na fala dos ex-policiais que entrevistei. Eles disseram que não acreditavam mais no sistema de justiça. ‘Eu não estava preparado para enfrentar a extrema carência social, tive de desenvolver ferramentas para resolver o problema. Não acreditava no sistema, passei a ser o sistema sem intermediários. Eu protegia a sociedade segundo os meus critérios’. Essa era a fala deles.”

O descrédito nas instituições fica patente no argumento utilizado como justificativa para as execuções praticadas. “Eles disseram que cansaram de levar pessoas para a delegacia e ver os presos pagarem propina e serem soltos. ‘Por que eu vou arriscar a minha vida prendendo, para outra polícia soltar. Vou prender, sentenciar e matar. Assim protejo a sociedade.’ Isso é uma total incompreensão do que vem a ser a função policial. Nós representamos um Estado, não somos o Estado, e no caso um Estado ditatorial”, ressalta.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) determina que professores em instituições de nível superior tenham curso de pós-graduação com mestrado e doutorado.

“Mas dos seis docentes da disciplina de Direitos Humanos (da Academia), na época em que fiz a pesquisa, quatro eram policiais militares e nenhum deles tinha pós-graduação. Dos dois civis, um tinha lato sensu e outro estava cursando doutorado. A LDB não é cumprida. Há um artigo na Lei, o 83, que diz que o ensino militar se regerá por leis próprias. A Polícia Militar adotou o artigo literalmente. Para um PM ser docente, o único requisito exigido é ele ter cursado a disciplina de Direitos Humanos.”

O coronel defende a tese de que as disciplinas lecionadas na Academia, semelhantes às desenvolvidas nas universidades públicas ou privadas devem seguir as mesmas regras e, portanto, exigir que os professores tenham pós-graduação. Ele também questiona a interpretação do termo militar pela corporação. “Policial militar é militar? A Constituição Federal diz que não é. O artigo 83 deveria ser interpretado, levando-se em conta a Constituição e não uma interpretação gramatical.” E completa: “Um doutor em ciência política, docente da FGV, usou um termo que eu acho bem adequado, que afirma que isso é um dos vários entulhos que ainda existem na legislação. Isso é um resquício da ditadura militar.”

Desmilitarização 

Para o coronel Adilson, passou da hora de se discutir a desmilitarização da corporação com seriedade. “A Ouvidoria das polícias com base em dados da Secretaria de Segurança Pública e do FBI constatou que a Polícia Militar de São Paulo matou em cinco anos mais do que todas as forças policiais norte-americanas. Então tem de ter mudança. Não é uma questão político-partidária, é uma questão de política de Estado, de sobrevivência do Estado democrático de direito. Do jeito que está não dá mais. Estamos assistindo a uma espiral de violência, que tem de parar.”

Ele cita a pesquisa apresentada recentemente pelo Fórum Nacional de Segurança Pública que aponta que 70,1% da população desconfiam das polícias, para exemplificar como a violência praticada por agentes de Estado impacta na opinião pública. De acordo com o coronel, nos Estados Unidos 88% da população confiam na polícia, no Reino Unido esse percentual fica na casa dos 82%.

“Lá, as polícias são de cunho civil, embora usem uniformes e tenham uma estética militar. Nos Estados Unidos, mesmo após os atos patrióticos que instalaram um Estado de exceção no país, a população confia nas polícias. Seria bom estudar isso e aprender com eles. O programa segurança cidadã da Colômbia é um bom exemplo. Deixou de lado a doutrina da segurança nacional, de combate ao inimigo. Perceberam que isso não era efetivo, que não estava resolvendo. Partiram para um novo conceito de segurança cidadã. As questões de segurança pública não podem ser tratadas somente sob a ótica da repressão.”

O coronel acredita que ações violentas por parte da Polícia Militar, como a desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos, interior de São Paulo, e a repressão às manifestações de rua em junho passado, contribuíram para o desgaste da corporação junto à população.

“Por um pedaço de terra, não valia a pena produzir tanta desgraça na vida daquelas pessoas. Podia se esperar mais um ou dois meses até se chegar a uma solução adequada. Podia ter sido de outra maneira. Nada justifica o que aconteceu. Não estou denegrindo a minha Polícia Militar. Eu sou leal, adoro a Polícia Militar, mas não tem justificativa. O Pinheirinho foi uma mancha na história da minha corporação. Eu acho que tem de ser um marco que represente uma mudança de atitude.”

Em relação à repressão contra manifestantes, o coronel também é contundente.

“Infelizmente determinados efetivos da Polícia Militar, em alguns episódios, não sabem lidar com o diferente, com o contraditório. Fazem como primeira e única opção o uso da violência. Não da força, mas da violência. Opção errada, que evidencia o despreparo. Após esse dia (13 de junho), um repórter me disse que a polícia conseguiu unir todo mundo contra (ela). Criminalizar os movimentos sociais e reprimi-los não vai solucionar o problema. Foi uma atuação equivocada da Polícia Militar, para dizer o mínimo.”

O coronel elogia, no entanto, a postura desempenhada pelo secretário de Segurança Pública, Fernando Grella, no episódio para debelar a crise instalada. “O secretário teve uma atitude correta, assumiu o controle das polícias. Se percebeu uma mudança na atuação das polícias.”

Incitação à violência

Mas se atitudes como as do secretário contribuíram para conter a violência policial naquele momento, outros componentes vitaminam diariamente essa violência.

Os programas de jornalismo policial exibidos em várias emissoras de TV nos finais de tarde são exemplo disso. Para o coronel, os apresentadores desses programas prestam um desserviço à democracia ao difundirem a ideia de que a solução do conflito deve ser por meio da violência e de que para se ter autoridade é preciso ser arbitrário e truculento. “Isso é perigosíssimo. Incitam a violência de uma maneira crua, absurda. Não é à toa que determinadas camadas da população defendem a pena de morte e falam que tem de matar (os bandidos).”

Esses programas sensacionalistas atingem milhares de pessoas. Grande parte de sua audiência vem dos próprios policiais que se alimentam dos estímulos emitidos por esses apresentadores. Os noticiários servem como um salvo conduto para que eles continuem a ser truculentos. “Eu gostaria que nós ficássemos invisíveis  e entrássemos nos quartéis para ver em que canais estão ligadas as TVs nesse horário”, brinca.

Com 30 anos de serviços prestados à PM, a clareza nas posições e a defesa intransigente de valores ligados à vida não amedrontam o coronel defensor dos direitos humanos.

Indagado se teme por sua própria segurança por abordar de maneira explicita as mazelas da corporação, ele afirma que não. “Eu teria medo se tivesse partido para o denuncismo, ofendido pessoas ou as desmerecido. Mas isso eu nunca fiz e nunca vou fazer. O meu livro visa tão somente expor a minha mais clara lealdade à Polícia Militar e aos meus companheiros de farda. Sou um oficial da reserva da Polícia Militar. Não quero que eles passem pelo que outros policiais passaram. Porque o drama é pesado, o trauma é grande e a dor é imensa. Eu sou amigo, sou parceiro deles. Estou aqui para ajudar. O livro é um material para permitir a reflexão, uma contribuição para a solução desse grave problema. Minha meta é fazer doutorado, quero continuar estudando a violência policial.”

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34 Comentários escrever comentário »

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JAIME VIANNA

12/01/2014 - 17h47

Só sei que Padre e Policia não vão acabar tão já. Quem quiser conhecer a Policia Militar que faça pesquisas nas Seções de Justiça e Disciplina das Unidades Operacionais e Administrativas e aí ter-se-á a visão do quanto se vale ou não desmilitarizar a policia fardada. A Instituição recebe nas suas escolas civis que nem sequer sabem cantar o Hino Nacional, com baixo princípios de educação social e escolaridade (porém diplomados) e aí tem que preparar o homem para a prática policial que a sociedade exige. Não tenho medo da desmilitarização da PM, mesmo porque sou oriunda da Guarda Civil de São Paulo,mas sou preocupado com a perda dos processos depuratórios. A sociedade não sabe o que é ser julgado num Tribunal Militar. Tirei quarenta anos de serviços ativo e nem por isso saí lesionado, tudo porque a disciplina exigida me era peculiar, ter respeito pelo o que se faz não deve ser coisa somente do povo “japones”, deve ser daqueles que tem hombridade, respeito para com aquele que paga o seu salário. Ninguém atira pedra em laranja verde, mas no entanto sou pela unificação das polícias, que seja para civil ou militar, desde que haja disciplina e hierarquia como uma carreira horizontal.

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Jose Serafim Barbosa Reis

17/12/2013 - 04h02

Na verdade o problema não esta apenas na PM e sim na religião principalmente na católica que é uma organização militar internacional,os padres na qualidade de filosofos usam as forças armadas para manter o povo em cativeiro da fé com isto a monarquia europeia domina.
Malaquias 2:7 o sacerdote é o mensageiro do Senhor dos exércitos.
II Crônicas 32:6 Então pôs oficiais de guerra sobre o povo .
I Samuel 8:15 Tomará dízimo, para dar aos seus oficiais.
I Samuel 8:17 Tomará o dízimo e vós lhe servireis de escravos.
Mateus 11:12 o reino dos céus é tomado a força, tomam de assalto.
Josué 11:19 tomaram à força de armas.
II Corintios 10:4 pois as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus, para demolição de fortalezas;
Salmos 7:12 Se o homem não se arrepender, Deus afiará a sua espada;
Veja na cintura do oficial a espada.
Deuteronômio 29:10 Vós todos estais hoje perante o Senhor vosso Deus: os vossos oficiais.

II Timóteo 2:3 Sofre comigo como bom soldado de Cristo Jesus.
II Timóteo 2 :4 Nenhum soldado em serviço se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra.

Ezequiel 9:6 Matai velhos, mancebos e virgens, criancinhas e mulheres, até exterminá-los;
II Timóteo 3:12 E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições.
II Pedro 2:12 Mas estes, como criaturas irracionais, por natureza feitas para serem presas e mortas,
Apocalipse 2:10 Eis que o Diabo está para lançar alguns de vós na prisão,

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edson

07/12/2013 - 18h52

O coronel como já disse está na reserva,quem vai ao combate a marginalidade,sofre,não tem renumeração adequada e preparo sufuciente para lhe dar com extrama violência o crime no Brasil.falar é facil,quero ver como é vivenciar o trabalho de policial,principalmente no Estado de São Paulo.o problema não é a policia e sim os politicos gananciosos que tiram da sociedade os direitos básicos de sobrevivência,nós policiais somos o “Estado”somos paus mandados destes mentirosos quando chega em campanha politica dando tapinhas em nossas costas.vamos iverter os salários um politico vai ganhar um salário de policial e o policial vai ganhar só o liquido dos parlamentares,precisa de nivel superior para ser politico?.
Por favor vamos deixar de acusar o policial que mata bandidos se o verdadeiro “bandido” veste palitó pago pelo povo.Até quando vamos maquiar a verdade a segurança pública está sucateada,bandidos do PCC não aplica direitos humanos a pai de familia e nem a policiais,esta chaga não dos policias militares e nem dos civis é da própia elite brasileira,eles também é o cancer que deve ser combatido,não adianta jogar a culpa para os que fazem a limpeza do “extrume humano” e depois vem ipócritas falar em direitos humanos,se a pimenta só arde nos olhos dos outros,é bem fácil falar e escrever.Quem tem que fazer limpeza é começar por brasilia acabar com o crime de colarinho branco ai sim teria como exemplar as classes subordinadas e escrava do “Estado direito Democrático”.

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    ABDALAH RAHAL

    21/01/2014 - 14h34

    Polícia em que sd é tratado igual CACHORRO SARNENTO.Com cursos inúteis>POLÍCIA MILITAR E PARA PATRULHAR MILITARES.A função POLICIAL é eminentemente CIVIL,num ESTADO DE DIREITO.Agora lá no SUB CONTINENTE AFRICANO se justifica. 2 SGT DA BM E ADVOGADO.

Sd PM de SP

23/11/2013 - 17h12

A desmilitarização no Brasil é necessária, pois há abusos de poder dentro da corporação, policiais tem que trabalhar de graça, ficam presos por qualquer besteira, são tratados como escravos e sem direitos. Uma instituição arcaica e falida, trabalho muitas vezes 12 horas sem alimentar-se, isso quando não ultrapassa, não tenho direito a folgar domingo, pois é convertida em escala extra.
Como um policial com desgaste físico e mental irá prestar um bom atendimento ao cidadão de bem? O comandado é a imagem do comandante, será que o povo já pensou nisso?
Enfim, policial tem que ter direitos como qualquer trabalhador!!

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Edgar Rocha

13/11/2013 - 19h02

Passei uns três dias tentando deglutir o desconforto causado por esta entrevista. A primeira pergunta que me veio em mente foi a mesma do Jorge Oliveira de Almeida: “Esse cara é honesto. Como conseguiu chegar a coronel e … vivo???” Que o coronel nos desculpe por pergunta tão infame, mas é este sentimento (o mesmo dos mais de 70% que desconfia da ação da polícia) que nos fomenta esta questão. Porque, se considerarmos os noticiários e também o próprio cotidiano, fica a impressão de que policial honesto, ou é omisso, ou é defunto. E este preconceito acaba ganhando corpo quando o referido coronel tenta explicar o possível contrassenso: “Eu teria medo se tivesse partido para o denuncismo, ofendido pessoas ou as desmerecido. Mas isso eu nunca fiz e nunca vou fazer. O meu livro visa tão somente expor a minha mais clara lealdade à Polícia Militar e aos meus companheiros de farda.” Então, a gente pergunta: como é possível defender a corporação, contrapor-se às generalizações, mais do que justificadas, sem responsabilizar a um grupo de interesse ou ao menos os agentes que se mostram incapazes de fomentar as mudanças tão necessárias, diante da atuação escandalosa e perigosa da polícia? Fica assim escancarado seu caráter omisso, já que, o coronel sabe muito bem que se decidir responsabilizar a alguém por esta realidade, se quiser mostrar a quem interessa este estado de coisas, poderá eventualmente aparecer assassinado pelo próprio “filho desajustado”, muito convenientemente um suicida, capaz de assumir a culpa diante de toda a sociedade e vitimizando o pobre coronel, impedido de ser um pai zeloso com a saúde mental dos seus entes queridos devido ao sistema cruel que oprime a polícia (e morreu porque foi de alguma forma incompetente diante do desafios). Triste isso…

E já que não é conveniente ao coronel desrespeitar ou afligir a nenhum colega da corporação, a desmilitarização a qual ele defende (sem medo de represálias), acaba por se contaminar pelo critério da “neutralidade” adotado por ele, nos levando a alguns questionamentos:
– O que seria, de fato, tal processo de desmilitarização?
– Quais as implicações no tocante a função institucional da PM?
– E o mais grave: uma vez desmilitarizados, como seriam considerados os possíveis crimes pregressos (anteriores a implantação da nova lei)? Teríamos, por exemplo, uma reedição da lei de anistia, já que os crimes cometidos durante a PM militarizada previam fórum especial com tribunal específico?
– Quais as razões que justificariam a submissão da PM diante da eventual perda do “poder de fogo” quase irrestrito de que dispõem? Partindo do fato de que a situação atual da PM é insustentável, a possível aceitação por parte da corporação (sob suspeita), não seria vista como uma saída honrosa oferecida aos agentes do Estado criminoso e segregacionista que lhe dá respaldo, garantindo a impunidade de quem não fez nada além do serviço sujo a serviço das elites?

Pra colncuir, creio que a leitura do coronel Adilson Paes diante do problema da violência policial é, embora aceitável em muitos pontos, ainda nebulosa e parcial. Demorou pra entender este desconforto todo, mas creio que seja isto.

Embora o discurso contra a desmilitarização seja, ainda, autoritário e ameaçador, esta discussão tem de ser muito bem arpofundada, pra não descambar em golpe. A propósito, o discurso do Ricardo não difere em nada do discurso dos policiais sacanas quando estes são questionados. É o mais odioso exemplo de prevaricação e cangaço na PM. Se você não “colabora” com o policial sacana, o bandido vai e te assalta (como é que o bandido sabe que você não vai ser atendido, hein?) e o policial ainda tira uma com a tua cara: tá vendo? Sem a gente você não tem como se defender! Agora, se você decidir agir por conta, vai sofrer os rigores da lei. Bando de Filhos da p.! Por isto que eu não confio nem neste coronel que fala bonito!

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Ricardo

13/11/2013 - 12h07

Tomara que seja desmilitarizada a PM, só assim poderá o Sd fazer greve e ser tratado como o policial civil, sem ir preso por qualquer coisa que faça. Tomara que isto aconteça mesmo, daí é só chamar o batmam quando a coisa apertar, pois o policial não vai mais aceitar abusos do governo e vai poder cobrar as horas extras que trabalha de graça. Não vai haver mais o crime militar de motim e revolta, que ótimo! Cem mil homem em São paulo mandando no Estado! Quem viveu a greve na Bahia em 2001 sabe o que é ficar sem Pm por um dia que seja. Quem pensa que vai melhorar vai poder amargar na sua ignorância e isso vai ser ótimo para o país, porque vai acabar com essa demagogia antimilitarismo. Tomara que a PM seja mesmo desmilitarizada. Sou a favor, vai ser ótimo só para os policiais.

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Denúncia na USP: Alunos torturados para confessar que estavam na reitoria - Viomundo - O que você não vê na mídia

12/11/2013 - 20h31

[…] Coronel Adilson Paes: A desmilitarização da PM já passou da hora […]

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Jaime

12/11/2013 - 03h48

Caros blogueiros, o que o coronel Adilson Falou sobre o despreparo dos policiais militares é fato, isso eu senti de perto, já fui policial militar, o curso preparatorio é fraquissimo, apenas 03 meses, apos 03 meses eles colocam os recrutas nas ruas, para voces verem a tamanha irresponsabilidade, como é que um policial trabalha armado, se sequer ele esteve em um estande de tiro para treinar, isso que estou relatando não é mentira, eu fui policial militar por quase 06 anos, e nunca sequer treinei atirar, e a corporação colocava na minha mão, “REVOLVER, FUZIL E METRALHADORA” para eu desempenhar a minha atividade, tive muitos colegas, que com menos de 05 meses na corporação já havia assinado duas pessoas, até a forma como ele usava o “COLDRE”, denotava que ele estava mais para pistoleiro do que para policial, o que eu vi, e como pedia para nós agir, vi que muita coisa estava errada, quando pedi “LICENCIAMENTO”, levei minha carta pessoalmente ao quartel do comando geral, e um major, confessou, “se eu tivesse a sua idade meu jovem, eu faria a mesma coisa”, agora já estou velho, tenha familia para sustentar, e com essa idade, não conseguiria arranjar um emprego, e não posso causar prejuizo a minha familia, eu estava entre feliz e triste, feliz porque tirei uma enorme cruz das minhas costas, mas triste por ver aquele cidadão preso a um emprego que ele gostaria de deixar, durante a passagem na corporação, exerci a função com lealdade e respeito, à corporação e a população, a qual eu era paga para proteger, procurei orientar sempre as pessoas, e a unica vez que conduzi um cidadão à delegacia, foi por causa de um acidente de transito, e esse cidadão teve a infelicidade de abalroar o veiculo que conduzia contra o de um delegado,e a meu depoimento foi decisivo para que o delegado de plantão desse um chance ao jovem, o pai se responsabilizou pelo reparo do carro do delegado (apenas arranhão da pintura), o jovem, a irmã e o pai, me agradeceram pela forma como eu tinha feito meu serviço (eu retardei a chegada à delegacia afim de que os familiares do jovem chegassem antes com os documentos), para que pudesse favorecer ao jovem, e só conduzia à delegacia, porque ele não portava documento algum, e nem era habilitado, meses depois, esse jovem me reconhece na rua, e fez questão de me mostrar a sua carteira de habilitação, e disse-me que já estava trabalhando de motorista, e ele achou que eu lhe ajudei com a informação que dei ao delegado, sempre procurei orientar, esclarecer e não punir, punir só em ultimo caso.

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Bacellar

11/11/2013 - 21h51

PM deve servir só pra patrulhar os quartéis. Fim. Mas não basta somente mudar de nome e status, é necessária uma profunda transformação de mentalidade, métodos de operação, formação e quadros administrativos.

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Fabio Passos

11/11/2013 - 21h38

Fica uma dica óbvia para aqueles que, adestrados pelo PiG, ainda defendem a bestialidade das forças de repressão contra pretos e pobres…

Façam como o Coronel Adilson Paes: Estudem! rsrs

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Francisco

11/11/2013 - 19h41

Só fico um pouco preocupado com a referencia sistemática aos EEUU. Aquilo lá não é exemplo para ninguém…

Naturalmente o tema não é fácil. Tem que comparar o Brasil com países que tem mesmas dimensões, escravismo tardio, população e indices de desigualdade social.

Ou seja: não tem com quem comparar (afora de modo articicial com a India).

Resumo da ópera: temos que ser criativos.

Responder

Edgar Rocha

11/11/2013 - 15h41

Quase não dá pra medir o grau de ansiedade gerado pela leitura deste post. É como se surgisse um turbilhão de ideias, de sentimentos que não dá pra descrever todo aqui. Já me manifestei diversas vezes sobre o problema da violência policial e critiquei duramente a truculência de policiais, bem como os inúmeros casos de corrupção e arbitrariedades de todo tipo que já presenciei e ouvi por relatos próximos. Moro em Itaquera, como já falei e todos os problemas levantados neste post no tocante a segurança são sentidos na pele por todo mundo: do zé-povinho ao chefão do tráfico, do policial que atende diretamente à comunidade aos superiores que comandam os quarteis. Nossa, como é difícil organizar as ideias! Meu pedaço é um inferno! Sofro de insônia há anos e carrego comigo o fardo de ter que lidar com crises de pânico. Não quero ser tachado de coitado, sei que não sou o único a passar por isto. Mas, acreditem, esta noite, por algum motivo, estava um sossego. Os “noias” n~~ao estavam nas ruas, as bibocas que ficam abertas de madrugada, todas fechadas, o baile funk DE RUA, recém instalado no bairro, não funcionou nem um minuto sequer… Resultado: medo! O que está para acontecer por aqui? Não sabemos! Vai sobrar pra quem??? Não sabemos! Estamos em risco? Não sabemos!!! Por enquanto, é isto que posso dizer. Se há barulho, tiros, incômodo, o inferno na Terra, nos irritamos, nos indignamos, nos sentimos desamparados. Se há o silêncio, temos medo, porque não sabemos o que está por vir. Silêncio por que? Vai ter “salve-geral”? Tem alguém jurado? Alguém da polícia avisou que vai acontecer algo (acreditem, o esquema é este!)? Vou falar sobre o texto em outro momento. agora, não dá.

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renato

11/11/2013 - 14h52

descartar o único sujeito dentro da corporação que vem para o debate partindo de um pressuposto satisfatório seria um erro. várias frentes estão sendo trabalhadas ‘as we speak’ para atacar o problema da violência policial. não é ruim insuflar uma mais. para muita gente somente um tenente coronel pode ter penetrabilidade de discurso (uau, titefeelings). é preciso usá-lo na medida certa e inteligentemente.

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Coronel Adilson Paes: A desmilitarização da PM já passou da hora – Viomundo – O que você não vê na mídia | CLIPPING DE NOTÍCIAS DA SENAPRO-PCO

11/11/2013 - 09h22

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Romanelli

11/11/2013 - 07h55

Pra começar a expressão “desmilitarização”, diante dos temas focados (fundamentalmente de falta de preparo adequado), continua absurdamente INFELIZ e VAZIA.

Aliás, penso mesmo que a “causa” remete-nos mais a uma EXPLORAÇÃO política MALICIOSA e maldosa, do que propriamente a uma eventual reforma ..e isso a sociedade já sentiu, que estão querendo reinventar a RODA.

..do que vi, a questão não se esgota em si, muito menos a Instituição é auto suficiente pra, SOZINHA, evoluir ..evoluir, tendo em seu entorno uma sociedade INCONSEQUENTE, injusta e doente como a nossa.

Me diga, 50 mil mulheres estupradas, 60 mil pessoas assassinadas, dezenas de milhares dilaceradas pelo transito, 100 mil desaparecidas, somente 2-3 % dos homicídios esclarecidos, 90% dos roubos e furtos pequenos NÃO comunicados todo santo ano ..mais de HUM MILHÃO de drogados, e muito mais milhões de apegados ao álcool ou às drogas tidas como lícitas..

..delinquentes, bandidos, ladrões e assassinos de todo tipo (culposos, dolosos, premeditados, impulsivos, passionais e/ou impessoais, cruéis, vingadores, justiceiros etc), mesmo que confessando e com provas irrefutáveis, NÃO importando se ricos, classe média e/ou pobres, desde que com advogado, colocados soltos quase que imediatamente, meio que nos sinalizando que aqui o crime compensa, ou que ninguém com ele mais se sensibiliza.

Pimenta NEVES, Paulo Maluf, D.D., Abdel Malac, Farah Jorge Farah, Georgina, Lalau, políticos e fiscais às pencas ..e ainda somos obrigados a tomar conhecimento que tem um grupo que se diz de “experts” e que proclama que cadeia não é lugar de gente (grande descoberta ??!!) ..e que por isso eles querem que 80% dos seres, que NÃO se comportaram como gente, que sejam colocados em liberdade, isso para os crimes que envolvam dano patrimonial, tráfico e AFINS ..mas afinal, o que são estes “afins” ?

Ministro declarando que nossas cadeias são insuficientes e se igualam a MASMORRAS, Policiais servindo de alvo, facções criminosas abertamente dando as cartas ..juízes, promotores e advogados, ou toda sorte de sindicalizados tentando manter a TODO CUSTO um modelo que lhes beneficiem e os encham de direitos absurdamente onerosos À população e exclusivos..

Ofensas e toda sorte de prejuízo que levam minutos pra ocorrer e DÉCADAS pra se reparar ..VIDAS destroçadas em tudo quanto é lugar

Uma sociedade que antes, reconhecida por se ser plural, hoje cada vez mais reduzida a parâmetros SEXISTAS e RACISTAS pra se tentar parecer menos tirana ..a quem pensam que enganam ?

Será, será mesmo que o problema esta com os PMs e/ou com os programas jornalísticos ? ..convenhamos ??!!

Saúde, educação, habitação, transporte público, JUSTIÇA e infra de dar pena ..MILHÕES de “inauditados” dependurados em “programas sociais”, muitos MULETA, dados por um Estado opaco, pernicioso, perdulário, ineficiente e corrupto..

..dados a uma parte da sociedade que se diz excluída dos benefícios civilizatórias, que se vê como injustiçada, mas que se acha esperta e MALANDRA, uma que não rubra em embolsar amparo SOCIAL ou TUNGAR auxílio aluguel por exemplo, ou em roubar turista e/ou INVADIR ou tomar a propriedade do 1o incauto que lhe cruzar à frente ..selvagens, tanto quanto seus algozes, esta é a dura realidade que a maioria não quer encarar de frente.

Convenhamos, há muito mais no que se pensar e refletir antes de se querer coisificar e resumir toda esta violência a só uma parte da sociedade que há décadas, MORAL e fisicamente, ainda de encontra DOENTE ..e definhando

EM tempo ..em 30 anos da dita mole, o que efetivamente vimos de coerente pra percebermos que a violência diminuiu em nosso meios ? Que o senso de JUSTIÇA e que nossos melhores valores finalmente venceram ?

a propósito ..recentemente estimaram que pelo ROUBO comprovado, de verbas identificadas e localizadas, cometido por Paulo Maluf e família, que por eles o dito clã ainda levará TRINTA ANOS pra ser condenado em definitivo ..isso se o será ??!!

..e depois vem me falar de DESMILITARIZAÇÃO como se ela em si nos trouxesse o senso de JUSTIÇA que estamos longe de encontrar ?

Tenho certeza que se esta nossa sociedade não fosse tão CARICATA, que a nossa polícia Militar seria automaticamente mais sensata.

Responder

    Ted Tarantula

    11/11/2013 - 12h40

    Bingo..a sociedade delegou á policia a solução de 500 de absurdo, esculhambação e caos social..e ao primeiro deslize de um soldado remunerado pior que um, digamos, professor (professor não que esse é o ganho menos de todos) menos que um motorista de ônibus por exemplo, aí cai de pau: arbitraria, despreparada, violenta…violenta é a burrice má fé dos tais formadores de opinião…

Tiao

11/11/2013 - 07h47

Enquanto Marcelos Resende e Datenas continuarem fazendo apologia da violencia policial e criminalizando a política,não vejo nenhuma possibilidade de mudança.

Responder

Pedro

11/11/2013 - 00h47

“O mito da desmilitarização da PM” emhttp://m.vice.com/pt_br/read/o-mito-da-desmilitarizacao-das-pms

Responder

simas

11/11/2013 - 00h25

Esse coronel pensa, igual, ao q se pode ler na mídia maldita. Quero dizer, como não tem nada pra acrescentar de razoável, dedilha críticas à Polícia, da qual faz parte ou deveria ser parte atuante.
Convenhamos, as Polícias Militares, no Brasil, são o resultado do Estado de Direito q vivenciamos, desde sempre… AS PM’s são, em resumo, o braço armado da elite dominante e conservadora: q usa e abusa da corrupção pra fazer valer seu domínio político, econômico e financeiro. Isso, ai; pra manter sua hegemonia a classe dominante precisa institucionalizar mão de obra. em conformidade. Em grossa análise, a Polícia Civil e a Polícia Militar se conjugam, ou deveria se complementar nas suas respectivas atividades…
No caso, a Polícia Militar está e deve assim estar, organizadas em bases de disciplina militar, objetivando a manutenção e coesão do corpo de seus elementos, hierarquicamente organizados. Impossível se pensar numa polícia q atua. frontalmente, aos desajustes sociais; sem o poder e a força, sob o controle de uma disciplina hierarquizada. Dai a nomenclatura “militar”, E, isso, não deve e não pode ser confundido com a atuação das Classes Armadas…
Qdo a Polícia Militar afronta os Direitos Humanos, isso seria uma falha disciplinar, por deficiência de comando – quase sempre, por omissão política. Na verdade a Justiça não funciona, em consonância com o Sistema Político… A cadeia, tda, está em crise; pq sempre esteve, por interesses, maiores… E vem esse coronel, besta e solenemente, tecer comentários pelos equívocos da Corporação, q deveria solenemente defender… trabalhando; não tentando se esquivar das responsabilidades. ao fazer cursos e escrever manuais, fora de época.
Atualmente, existe um modismo em criticar as PM’s, por sua organização militar. A elite criou o cavalo, manco e não quer assumir o fato… Pois, bem; eu quero ver quem essa elite vai botar pra enfrentar e prender a marginália cultivada, durante séculos, por seus antepassados e aqueles outros, a quem está substituindo. Eu quero ver, por exemplo, no caso do Rio, Maravilhoso, quem vai encarar os “meninos”, super bem armados e doidinhos, cheio de erva e cheirinho… Eu quero ver. Pq, qdo a PMRJ, via BOPE, mais a Polícia Civel, pede ajuda dos Fuzileiros Navais, é simplesmente, pq não estariam equipados, pra tamanha envergadura… Na ocupação do Complexo do Alemão, a BRAVURA estava no desempenho corajoso e viril de um BOPE; não nos anfíbios dos FN’s…
No Rio. Maravilhoso, as polícias militar e civil estão ficando limpinhas daquele ranço, de antigamente. Essa realidade é mto desagradável à elite conservadora, ainda dominante.

Responder

ricardo silveira

11/11/2013 - 00h06

As pessoas têm medo das polícias e isso diz o tamanho do problema. Diz o que são as polícias pagas para proteger os cidadãos.

Responder

    simas

    11/11/2013 - 23h04

    Cara,
    Essa estatística apontando q as pessoas têm medo da polícia é a suprema avacalhação das polícias.
    Igual, ao q acabei de olhar… no JB on line, a pouco. Confesso q não li; pq me dá arrepios… A matéria leva o nome de “Os super salários do Congresso, em comparação às atividades da PF, contra os blacks-bostas”.
    Eu não sou cientista social; mto menos… filósofo. Apenas, um velho aposentado; q nunca fui dado às luzes de falso sucesso. Mas, existe, sim, a intenção de menosprezar e tirar vantagem particular.
    Ricardo, vc mora em q cidade? No bairro, periferia… Eu acho q vc lê mto a imprensa, ou assiste programas de TV. Pq vc repercute o q se diz na imprensa, maldita…
    Cara, eu moro no Rio e adoro conversar com as pessoas, pelaê… Vc sabe q o Rio, sofre, faz tempo, com políticas de esvaziamento; em especial, depois q deixou de ser Capital Federal. Estou falando da cidade do Rio de Janeiro. Por aqui, aconteceu de tudo: a cidade virou estado, q foi anexada a um outro estado. Tdo políticas pra acabar com o incômodo das manifestações de sua população; talvez, a mais esclarecida do Pais. Lembra? O Rio era o tambor q repercutia no Pais… Pois, bem; virou um fantasma, político e econômico… A cidade virou uma GRDE FAVELA… Ao contrário, por exemplo, de Sampa, q chupou desenvolvimento do resto do Pais e, no bojo, do próprio Rio de Janeiro, Estado, q se favelizou, pela continuação dessa política de “desenvolvimento”; não de “crescimento”, Ou vc viu acontecer em Sampa, políticas de distribuição de riqueza, desde Juscelino, passando pela “redentora”?…Se a força e o poder político paulista e paulistano sempre foi visível; imagina, o q não fez Vargas, pra aplacar a ira…
    Ora, meu caro, vivemos uma questão sistêmica; e as polícias fazem parte do sistema. As polícias não são o problema. Igual ao JB on line, criticando a PF. em sua lida, mui justa, contra os marginais, vândalos, em contraposição aos tais dos super salários, no Congresso. Black bostas são um caso policial e os tais super salários… corrupção mantida pelo Sistema, por interesse da elite dominante.
    Olha, cara, acho q vc tem de fazer o q eu fui fazer… pra compreender, sem interveniências, espúrias. Fui conversar com os habitantes das chamadas comunidades. E tirei q, qdo o BOPE invade a favela, a PM prende, tanto o pessoal do tráfico, qto a turminha da chamada mineira… Feito, isso, retrocede e volta aos quartéis… O trabalhador e as famílias moradoras da favela têm medo disso. Q a marginália retorne ao ninho antigo, com a volta da PM aos quartéis… O favelado quer e deseja ver a polícia nas favelas, indefinidamente. É mentira afirmar, q o favelado tem medo da polícia. Têm medo; mas, é da mineira e do tráfico.
    Quem defende e difunde, essa, de q, por exemplo, as polícias estacionem nas favelas, comunidades, é a bandidagem e seus mentores, nas classes, dominantes.
    Buenas

FrancoAtirador

10/11/2013 - 23h33

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O William Waack levou o Bem Intencionado e Platônico Coronel Adilson Paes

para debater com Eduardo Giannetti e Luiz Felipe Pondé na Globo News:

Parece até mentira, mas o Militar parecia uma Pomba no meio de Gaviões…
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Responder

    Elias

    11/11/2013 - 12h02

    Assiste parte do programa e tive a mesma sensação, “o Militar parecia uma Pomba no meio de Gaviões…”. Observação perfeita.

    Manfredo

    11/11/2013 - 12h27

    Discordo FrancoAtirador. E digo que seu comentário pode ludibriar o leitor/ouvinte. A conversa foi franca e muito boa entre todos em ambos os blocos. Todos no debate, William Waack Eduardo Giannetti, Luiz Felipe Pondé e Adilson Paes estavam tentando pensar o problema de maneira muito séria e comprometida.Não tinha ninguém querendo ser gavião, pomba, galinha ou frango lá ;). Qual o problema de ser “Platônico” como você mencionou? A filosofia está aí para ser praticada e discutida, tanto que um filósofo (Pondé) foi convidado. Não há nada mais filosófico que as ideias de caráter, patriotismo, Estado ou Constituição.Hobbes e Russeau são mencionados do meio do primeiro bloco até o final do debate para se pensar os problemas colocados.Incentivo que todos escutem e confiram com atenção esse debate: http://cbn.globoradio.globo.com/programas/globo-news-painel/2013/11/10/A-VIOLENCIA-NO-PAIS-E-COMO-A-SOCIEDADE-NAO-SE-MOBILIZA-POR-ESSES-ATOS.htm

    Mauro Azevedo

    11/11/2013 - 14h19

    Manfredo:
    Também vi o programa. Só lamentei o tal Pondé associar a defesa de caráter (bom), honestidade, etc,etc, como sendo valores defendidos por um determinado lado do espectro ideológico,(o da direita, claro), e sofrendo críticas do outro… (esquerda, claro).
    Pondé ¨esqueceu¨que antes de Hobbs, Rousseau, Marx, Platão,etc, temos contato na infância com valores e exemplos dos vovôs, papais, professores, etc que terão grande influência no caráter, independente do cara ser viúvo da Thatcher ou viúvo do Olof Palme.
    PS: Pondé ¨esqueceu-se¨ até do ¨comunista moralista, honesto, que sempre foi um clichê conhecido, visto ser fato muito comum…

    FrancoAtirador

    11/11/2013 - 19h25

    .
    .
    O comentário do Manfredo é hilário.

    Debate sério com o Pondé? Tás brincado!

    Ele pode até ser Doutor em Filosofia.

    Mas Filósofo? Só ser for no Zorra Total.

    E a isenção do Waack, então, é risível:

    O Gianetti até tentou citar o Amarildo,

    para dar ares de suposta imparcialidade.

    Aí, sácuméquié, né, é na Rede Globo:

    “Vamos ter que chamar o intervalo”

    “Já, já, retornamos. É rapidinho.”

    E Cadê o Amarildo? Nunca mais…
    .
    .
    E tem mais: a ironia não foi minha.

    Os Três Gaviões é que ridicularizaram

    o Platonismo proposto pelo Coronel Paes,

    quando o menosprezaram com risadinhas,

    desdenhando a ‘República’ de Platão.
    .
    .

    demetrius

    11/11/2013 - 22h50

    Tem como dar curtir no seu comentário por aqui, Franco Atirador?
    Essa foi headshot!

    Manfredo

    12/11/2013 - 01h50

    Mauro Azevedo: achei esse ponto delicado. Mas é comum as ideias ligadas à “moral” serem relacionadas às areas conservadoras, e acho que foi isso que o Pondé sugeriu (mesmo tendo sido muito superficial).Mas com relação à ideia de formação e educação acho que você está certo em levar esse ponto em consideração, uma vez que, como foi debatido, a questão da própria formação educacional da polícia é considerada como insuficiente.

    FrancoAtirador: fazer deboche todo mundo sabe fazer, discutir a ideia é o que é difícil. Não sei qual o motivo de você ter achado meu comentário hilário, foi só por que eu discordei de você? Não vi nenhuma competição no debate e ninguém querendo ser mais que ninguém por lá (nem gavião, nem condorna, nem galinha) O que é, ou quem não foi sério no debate? Quem está julgando a competência dos debatedores é você, isso aí é outro assunto. Em todas as linhas que você escreveu aqui, você não acrescentou muita coisa, pelo contrário,desqualificou um debate que pode dar boas pistas. A questão geral que passa pelo caso do Amarildo foi mencionada e discutida quando se comentou sobre querer assumir a responsabilidade pelas falhas do sistema em nível pessoal (tortura e justiça com as próprias mãos, especialmente pelo policial que se acha o super-homem)! Isso me pareceu interessante, mesmo não se tratando de um debate sobre esse caso específico (Amarildo). O franco-atirador precisa se desarmar e escutar com carinho – para o martelo tudo é prego, para o franco-atirador de internet tudo é alvo! ;) Ninguém tirou sarro do platonismo no debate, e se tirou foi sem fundamento, assim como você está sugerindo. Postei o link e dei minha opinião para contribuir com algo, ao invés de ficar fazendo ironia pela ironia – que o pântano dos debates de internet já está cheio (mas tem gente que gosta).

    Demetrius: o nível desse comentário que você quer “dar curtir” está facebook(iano) mesmo. É deboche descompromissado, é curtição de internet que se alimenta do grande balaio dos “curtidores”… Saí do “feice” por isso, mas obrigado por reforçar os meus votos de não voltar por lá.

    demetrius

    12/11/2013 - 21h34

    Enquanto você defender quem oprime, disponha cara.

    FrancoAtirador

    12/11/2013 - 22h04

    .
    .
    Manfredo.

    Achei que tu irias criticar a falta do ‘n’ no ‘Tás Brincando!”.

    Porém, até que estás te superando, diante do fato de que és

    assíduo ouvinte da Rádio CBN e fiel telespectador da Globo News,

    que, em geral, são galinhas que adoram raposas ou raposas mesmo.

    Ao contrário de ti, nunca tive um Perfil em Orkut ou Facebook

    que usas para revelar intimidades em vídeos de animais e crianças:

    https://www.facebook.com/media/set/?set=vb.143018865895969&type=2

    https://www.facebook.com/photo.php?v=555992914488120

    Isso é realmente para narcisistas, egocêntricos, ególatras ou pior.
    .
    .
    Agora, o Assédio Moral dos ‘Três Gaviões’ sobre o Bom Militar

    ficou mais que evidente, foi de saltar aos olhos e aos ouvidos.

    Só quem estava predisposto a aceitar acriticamente o programa

    pode negar categoricamente que não tentaram enxovalhar o Coronel,

    mesmo vendo e ouvindo, como supõe-se que tenhas visto e ouvido.

    “Ninguém tirou sarro do platonismo no debate,
    e se tirou foi sem fundamento,
    assim como você está sugerindo.”

    É ou não é hilária essa afirmação. Eu não sugeri. Eu vi e ouvi.
    .
    .
    Há tempos, sou leitor do Viomundo, onde comento quase diariamente.

    Minha posição sobre a extinção da Polícia Militar é conhecida aqui

    por todos os que acompanham este Blog e lêem meus comentários:

    “Não se trata de criticar a atuação individual de cada policial,
    ainda que a profissão tenha sido alcançada por escolha própria,
    uma vez que é submisso às ordens dos superiores hierárquicos.

    Aqui, o que se avalia como inconveniente para a Democracia
    é a Corporação Militar, como Instituição das Forças Armadas,
    e os métodos aplicados, com base na Doutrina da Segurança Nacional,
    para tolher os Direitos Civis e, mais, para cercear a Liberdade
    pelo uso da Força Bruta, da Violência Desproporcional e do Arbítrio,
    sob o pretexto da Manutenção da Ordem para uma pressuposta Paz Social.

    Ademais, essa Organização, armada para uma imaginária Guerra Interna,
    é condescendente, senão permissiva, com a prática de crimes de ódio
    contribuindo para a formação de Grupos de Extermínio e de Esquadrões da Morte.”

    (http://www.viomundo.com.br/politica/marcio-sotelo-e-patrick-mariano.html)

    “Seria o caso de simplesmente extinguir a Polícia Militar,
    criando as guardas civis municipais de policiamento ostensivo,
    reciclando os quadros de soldados que já estão incorporados
    e passando os Bombeiros à condição de Corporação Civil.

    Os oficiais graduados irão para a reserva com os respectivos soldos,
    para que se divirtam nos clubes militares falando mal do comunismo.”

    (http://www.viomundo.com.br/politica/marcio-sotelo-e-patrick-mariano.html)

    .
    .
    MANIFESTO POPULAR

    PELA EXTINÇÃO DA POLÍCIA MILITAR NO BRASIL

    A Polícia Militar deveria garantir a integridade física e a segurança do cidadão no estado burguês brasileiro.
    Mas é isso o que está acontecendo?
    No Brasil, segundo dados do IBGE de 2010, existem mais de 190 milhões de habitantes, dos quais apenas uma minoria insignificante pode ser considerada de marginais.
    O restante são pessoas trabalhadoras que labutam no dia-a-dia para ter uma vida um pouco melhor.

    Porém podemos ver de norte a sul que os trabalhadores são tratados como suspeitos pela Polícia Militar, principalmente se forem pobres ou negros, fugindo da regra constitucional básica, de que ninguém é culpado sem trânsito em julgado de sentença condenatória, ou seja, da presunção da inocência até que provada a culpabilidade.

    Hoje alguém pode sair de casa, e um PM não ir com a cara da pessoa e lhe agredir, até matar, e depois dizer que houve confronto!
    E o pior, logo o Comandante vai a público dar razão ou atenuar a ação de seu comandado, passando assim carta branca para futuros abusos de outros comandados.

    Quando o correto seria o Comandante da Unidade, que praticou o delito contra o cidadão, ser também criminalizado por omissão ou por incentivar a delinqüência em sua Unidade.

    Vocês acham justo que milhões de trabalhadores deste Brasil afora tenham seus direitos fundamentais cerceados, porque BANDIDOS FARDADOS se entendem superiores ao povo que os paga para dar Segurança, amedrontando as pessoas que vivem ameaçadas com a possibilidade de serem as próximas vítimas dos abusos da Polícia Militar?

    Vejam que é comum nos quartéis da PM o uso de simbologia macabra, como as usadas pelo esquadrão da morte do Fleury e do esquadrão Leccoq, a famosa caveira que era usada pelos oficiais SS nazistas na Alemanha de Hitler.

    Será coincidência, ou existe um motivo escondido atrás disto?

    E o Caveirão? Não seria uma Cultura da Morte?

    Também é conivente a atitude dos empresários que contratam PMs, para fazerem segurança particular, privativa pessoal e de familiares.

    Aí estão dezenas de casos de seqüestros, extorsões e mortes praticados por policiais militares até contra quem os emprega.

    Uma curiosidade é saber por que determinados policiais andam em Vilas de Grandes Cidades encapuzados como se fossem bandidos que têm de esconder o rosto.

    Ora, quem trabalha dentro da Lei não precisa temer ninguém.

    Ou será que têm medo mesmo é de serem reconhecidos como bandidos, porque de fato o são?

    O que sabemos e comprovamos todos dias é que o povo pobre tem cada vez mais medo da Polícia Militar.

    Qualquer pessoa negra que anda pela rua é considerada um “marginal suspeito”.

    A PM se acha no direito de assassinar pessoas inocentes, de norte a sul do País. Não há um único estado em que não existam ações da Polícia Militar contra o povo trabalhador.

    Enquanto a PM não for extinta e seus milicianos e oficiais sejam mandados embora, vão continuar matando pessoas, como o publicitário Ricardo Aquino, na Zona Oeste de São Paulo, ou como o jovem Bruno Vicente Gouveia, assassinado por policiais militares em Santos.

    Ou então crianças, como Juan, de apenas 11 anos, covardemente assassinado, à noite, na Favela Danon: deram sumiço no corpo do menino e balearam seu irmão Wesley, de 14 anos. Crime hediondo!

    Em 10 anos, entre 2001 a 2010, 93% das pessoas mortas pela policia militar do governo de São Paulo moravam na periferia, só em Sapopeba foram 52 ocorrências.

    E o caso da menina Bruna da Silva Ribeiro, também de 11 anos, morta por uma bala de fuzil num tiroteio do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais), na comunidade da Quitandinha, em Costa Barros, na Zona Norte do Rio de Janeiro?

    A indecência se tornou maior e o vexame mais patético, quando o Comando da Polícia Militar do Rio, na maior cara de pau, veio a público manifestar pesar pelo assassinato da menina.

    Palavras soltas ao vento como bolhas de sabão.

    Pergunta: – Quem provocou o tiroteio?
    Resposta: – O próprio BOPE.

    Portanto, assassinada pela ação irresponsável do BOPE.

    Ora, quando em ação, uma Corporação Policial que diz primar pela proteção à Vida não poderia ficar insensível ante a possibilidade de atingir fatalmente uma criança, ainda que acidentalmente.

    Primam tanto pela vida que uma em cada cinco mortes em São Paulo, em 2011, foi provocada por PMs.

    São 290 vítimas da ação policial de um total de 1299 mortes.

    É um verdadeiro absurdo mantermos essa Organização Fascista.
    Sim, porque é sustentada às expensas de nossos impostos.
    Estamos pagando para uma hora dessas sermos abordados e assassinados por aqueles que recebem regularmente, todos os meses, um soldo pago pelas próprias vítimas.

    Militares são doutrinados e treinados para a Guerra.
    À falta de um adversário militar para eliminar, encontraram na própria população civil um inimigo a combater.

    Acabar com a Polícia Militar será um grande passo para a civilidade!

    PELA EXTINÇÃO IMEDIATA DE TODAS AS POLÍCIAS MILITARES NO BRASIL!
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    Leia também:

    (http://migre.me/gBYPw)
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    FrancoAtirador

    12/11/2013 - 22h09

Mateus

10/11/2013 - 21h57

Boa! Até que enfim alguém, dentro da corporação, que pensa.

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